
Nesta segunda-feira, 28 de julho, o Rotativo News conversou com o médico oncologista Dr. Tércio Guimarães sobre a campanha Julho Verde, voltada à conscientização sobre o câncer de cabeça e pescoço um dos tipos mais frequentes no Brasil, mas ainda pouco discutido fora dos ambientes hospitalares.
Segundo o especialista, os principais fatores de risco são o tabagismo e o consumo excessivo de álcool, e a combinação desses dois hábitos eleva de forma alarmante a chance de desenvolver a doença. “O tabagismo por si só já aumenta em até 10 vezes o risco de câncer de cabeça e pescoço. Quando associado ao etilismo, esse risco pode saltar para 35 vezes mais”, alerta o médico.
Ele também chama atenção para o avanço dos casos relacionados à infecção pelo vírus HPV. Entre os tipos mais comuns de câncer de cabeça e pescoço estão os que afetam a cavidade oral, a faringe, a laringe e os seios da face. Porém, o câncer de pele também se destaca como recorrente na região.
Fique atento aos sinais
O Dr. Tércio enfatiza a importância de estar atento a feridas na boca que não cicatrizam por mais de 15 dias, especialmente quando são indolores, além de manchas brancas ou vermelhas persistentes. Outros sinais incluem rouquidão prolongada, dor para engolir, nódulos no pescoço ou rosto e lesões na pele que também não cicatrizam. “Esses sintomas, muitas vezes negligenciados, podem indicar a presença da doença em estágio inicial”, ressalta.
Diagnóstico precoce salva vidas
Apesar dos avanços tecnológicos no tratamento, como as terapias-alvo e cirurgias de alta precisão, o oncologista reforça que o diagnóstico precoce é o principal aliado da cura.
“Quando identificado no início, o câncer de cabeça e pescoço pode ter até 80% de chance de cura. Mas, infelizmente, mais da metade dos pacientes chegam com a doença já em estágio avançado, o que reduz essa taxa para cerca de 40%”, afirma.
A campanha Julho Verde, promovida pela Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço (SBCCP), busca justamente informar a população e incentivar a procura por avaliação médica diante de qualquer sinal persistente. “Agradeço à imprensa pelo espaço. Informação é a nossa maior ferramenta de combate ao câncer”, conclui o especialista.
