A moeda norte-americana fechou em alta de 0,19%, cotada em R$ 6,0005 pela primeira vez na história. Já o principal índice de ações da bolsa de valores brasileira encerrou com um avanço de 0,85%, aos 125.668 pontos.
Dólar — Foto: freepik
O dólar fechou a R$ 6 nesta sexta-feira (29) e, pelo 3º dia seguido, renovou o recorde de maior valor nominal. A moeda acumulou alta de 3,21% na semana e de 3,79% no mês. No ano, a valorização é de 23,66%.
Nesta semana, a cotação do dólar foi influenciada pela discussão sobre o pacote de corte de gastos apresentado pelo governo.
O mercado reagiu mal porque o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, anunciou, junto com o corte, uma proposta para dar isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil. Com isso, a moeda chegou a bater R$ 6,1156 na máxima desta sexta-feira. Entenda o pacote de cortes ao final desta reportagem.
Nesta sexta, declarações dos presidentes da Câmara, Artur Lira, e do Senado, Rodrigo Pacheco, ajudaram a atenuar o nervosismo entre os investidores. Ambos deixaram claro que a prioridade no Congresso será votar as propostas para cortar gastos. As discussões sobre mudanças no IR ficarão para depois.
Além do cenário fiscal, investidores também reagiram aos dados de emprego divulgados na manhã desta sexta pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O desemprego caiu a 6,2% no trimestre terminado em outubro, no menor patamar da série histórica do indicador, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua.
O Ibovespa, principal índice acionário da bolsa de valores brasileira, a B3, encerrou em alta.
Veja abaixo o resumo dos mercados.
Dólar vai a R$ 6 com pacote fiscal e aumento da isenção do IR
Ao final da sessão, o dólar subiu 0,19%, cotado a R$ 6,0005. Com isso, a moeda atingiu o maior patamar nominal da história, desde o lançamento do Plano Real, pelo 3º dia seguido.
Na máxima do dia, chegou a R$ 6,1156, enquanto na mínima foi a R$ 5,9564.
Com o resultado, acumulou:
Na véspera, a moeda subiu 1,30%, cotada a R$ 5,9891.
Já o Ibovespa encerrou com um avanço de 0,85%, aos 125.668 pontos.
Com o resultado, acumulou:
Na véspera, o índice encerrou em queda de 2,40%, aos 124.610 pontos.
Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair
Após a repercussão negativa vista na véspera, com uma percepção de risco alta no mercado diante das incertezas com o pacote de cortes de gastos do governo federal e em meio ao anúncio de aumento da isenção do IR, novas falas de Haddad e dos líderes da Câmara e do Senado ficaram na mira dos investidores nesta sexta-feira (29).
Em uma rede social, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), afirmou que os deputados darão “todo esforço, celeridade e boa vontade” para aprovar as medidas de cortes de gastos anunciadas pelo governo, reafirmando o “compromisso inabalável” da Casa com o arcabouço fiscal.
Já o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG) saiu em defesa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do ministro da Fazenda, afirmando que a reação do mercado ao pacote fiscal foi exagerada e precipitada.
“O ministro Haddad fez um esforço danado, propôs reduções de despesas importantes, que não foram enfrentadas pelos últimos governos. E o mercado não reconhece isso”, disse Pacheco.
A Lula e Haddad, o presidente do Senado afirmou que o Congresso vai dar a sua contribuição e aprovar as medidas ainda neste ano.
“Com a reafirmação de que a isenção do IR para quem recebe até R$ 5 mil será tratada apenas no futuro, condicionada à capacidade fiscal, e o apoio ao corte de gastos com abertura para ajustes, o mercado interpretou essas mensagens como um movimento em direção à responsabilidade fiscal”, disse o responsável pela área de câmbio para o Norte e Nordeste da B&T Câmbio, Diego Costa.
Os investidores também ficaram de olho em novas falas de Haddad e outras autoridades do governo.
Em evento promovido pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Haddad afirmou que as medidas não são “bala de prata” e que pode analisar as despesas de novo, se necessário.
“Se tiver algum problema de cálculo, nós vamos voltar para a planilha, vamos voltar para o Congresso. vamos voltar para o presidente da República, com a demanda que nós achamos que é a correta”, disse.
As medidas preveem um corte de R$ 70 bilhões em gastos públicos em 2025 e 2026, chegando a uma contenção de gastos de R$ 327 bilhões até 2030.
Para isso, o pacote traz uma série de mudanças, como por exemplo no salário-mínimo, em programas sociais, na aposentadoria de militares e em emendas parlamentares. O pacote era amplamente esperado pelo mercado, e o total de R$ 70 bilhões em cortes era visto com bons olhos.
No entanto, o anúncio, junto ao pacote de cortes, de uma proposta para isentar pessoas com rendimentos de até R$ 5 mil da cobrança do Imposto de Renda pegou mal e gerou dúvidas sobre a eficácia das medidas de contenção de gastos.
“Talvez o impacto em si seja um pouco aquém do que se esperava e certamente do que é necessário, mas está na direção correta. Mas ele acabou tendo, em paralelo, o anúncio da revisão da tabela de IR, que traz um risco fiscal relevante e acabou trazendo uma percepção de risco maior no mercado”, disse o presidente do Bradesco Asset, Bruno Funchal, ao g1.
Segundo Haddad, a expectativa é que a isenção custe R$ 35 bilhões ao governo, mas o ministro destacou que a intenção é que esse saldo seja compensado pela taxação dos mais ricos. A proposta inclui uma alíquota de até 10% para pessoas com rendimentos acima de R$ 50 mil.
Para Funchal, do Bradesco Asset, no entanto, as medidas ainda trazem um risco relevante em relação à tramitação.
“A gente sabe que a tramitação é sempre complexa. A gente sabe como entra o projeto, mas a gente não sabe como sai. E não é incomum o projeto sair sem a compensação. Isso traria um risco fiscal bastante significativo”, completou.
Informações G1