Pelo menos 287 pessoas já perderam a vida neste ano, no Brasil, devido à síndrome respiratória aguda grave (SRAG) provocada pela Covid-19. O número de casos graves da doença com diagnóstico confirmado está próximo de 900. As informações são do Boletim Infogripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), com base em registros enviados ao Ministério da Saúde até 25 de janeiro.
A SRAG ocorre quando sintomas gripais se agravam e comprometem a função pulmonar, geralmente após uma infecção viral. Até o momento, quase 52% dos casos confirmados para algum vírus neste ano foram causados pelo coronavírus, que também responde por 78,7% das mortes registradas.
O aumento das infecções por covid-19 já vem sendo monitorado há semanas, e os dados mais recentes reforçam esse alerta. O boletim aponta ainda a possibilidade de que uma nova variante, com maior capacidade de transmissão, esteja circulando.
A análise também indica crescimento nos casos de SRAG por covid-19 em nove estados do Norte e Nordeste: Acre, Amazonas, Pará, Amapá, Rondônia, Tocantins, Paraíba, Rio Grande do Norte e Sergipe. As crianças pequenas e os idosos são os mais atingidos pelos quadros graves, sendo a mortalidade mais expressiva entre os mais velhos. Entretanto, no Amazonas e em Rondônia, o levantamento identificou um aumento de casos também entre jovens e adultos.
Técnica não é regulamentada no Brasil e pode causar prejuízos à saúde, além de trazer implicações jurídicas quanto à guarda da criança
Nas redes sociais, a inseminação caseira tem ganhado popularidade por ser uma alternativa mais econômica ao procedimento realizado em clínicas especializadas. No entanto, especialistas alertam para os inúmeros riscos associados à técnica, que podem comprometer a saúde da mulher e do futuro bebê.
A ginecologista Bárbara Freyre, da Clínica Trinitá, em Brasília, explica que a inseminação caseiraconsiste na coleta do sêmen, seja de um parceiro, seja de um doador, que é inserido diretamente no colo do útero por meio de um cateter.
“O principal problema é a possibilidade de transmissão de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), já que o sêmen não passa pelos testes e análises adequados”, aponta.
Outro risco é o de doenças ginecológicas causadas por materiais não esterilizados ou manipulados de forma inadequada. “Isso pode provocar, por exemplo, a doença inflamatória pélvica (Dipa), que é uma inflamação grave no sistema reprodutor feminino. Sem orientação médica, a mulher também não é informada sobre os riscos, taxas de sucesso ou complicações que podem surgir”, complementa Bárbara.
O ginecologista e obstetra Rodrigo Rosa, diretor da clínica Mater Prime, em São Paulo, ressalta que o uso de instrumentos por pessoas sem conhecimento técnico pode causar sérios problemas.
“Seringas e espéculos usados de forma inadequada podem gerar lesões e infecções por fungos ou bactérias, além de aumentarem os riscos de complicações como ferimentos internos”, afirma.
Ele ainda alerta que, mesmo se o doador realizar exames para detectar ISTs, o risco não é totalmente eliminado. “Algumas doenças possuem uma janela imunológica maior para serem detectadas, como HIV e hepatites, o que mantém a possibilidade de contágio. Além disso, o sêmen pode conter alterações genéticas que passam despercebidas, afetando a saúde do futuro bebê”, completa.
Taxas de sucesso e implicações jurídicas
Além das questões de saúde, a inseminação artificial caseira apresenta uma baixa taxa de sucesso, especialmente em mulheres com condições como endometriose avançada ou idade acima dos 40 anos.
“Nesses casos, as chances de engravidar por métodos caseiros são mínimas ou inexistentes. E quando o procedimento falha, todo o processo precisa ser repetido, o que eleva os riscos”, explica Rosa.
Outro desafio relevante são as implicações jurídicas. “A prática não é regulamentada no Brasil, o que pode dificultar o registro da criança, especialmente em casais homoafetivos femininos. Além disso, há o risco de o doador reivindicar a paternidade futuramente, gerando transtornos legais para a mãe”, alerta o especialista.
Opções seguras e eficazes
Para evitar complicações, o médico ginecologista Fernando Prado, diretor clínico da Neo Vita, reforça que a melhor opção para quem busca uma gravidez independente é procurar clínicas especializadas em reprodução assistida.
“A inseminação intrauterina, por exemplo, é um procedimento seguro e eficaz. Nele, os espermatozoides passam por um preparo, e os melhores são selecionados e introduzidos no útero da paciente com o auxílio de um cateter”, explica.
Prado esclarece que existem diferentes tratamentos disponíveis, como a fertilização in vitro (FIV), que podem ser adaptados às necessidades de cada caso.
“Com os avanços da medicina reprodutiva, é possível oferecer opções seguras e personalizadas para ajudar as pessoas a realizar o sonho de ter filhos”, finaliza o especialista.
Uma nova pesquisa brasileira, publicada na BMC Medicine, destaca a relação entre hábitos alimentares específicos e o risco aumentado de câncer de estômago. O estudo observou que dietas ricas em açúcaradicionado e sódio estão fortemente ligadas ao aumento das chances de desenvolvimento dessa doença. Este câncer, predominantemente na forma de adenocarcinoma, é preocupante em termos de incidência e mortalidade no país.
Foi identificado que o consumo elevado de alimentos e bebidas processados, ricos em açúcares adicionados, pode potencializar em até 21% o risco de tumor gástrico. Mesmo padrões alimentares que privilegiam frutas e vegetais, caso tragam altos níveis de sódio, podem elevar o risco de câncer.
Como o Açúcar e Sódio Contribuem para o Câncer?
Açúcares / Créditos: depositphotos.com / phb.cz
A pesquisa foca em padrões alimentares, concluindo que tanto açúcares quanto sódio desempenham papéis críticos na saúde gástrica. Alimentos processados como refrigerantes e fast-food são fontes significativas de açúcares adicionados que, segundo o estudo, estão ligados ao aumento do risco de câncer gástrico. Já o sódio, mesmo em dietas saudáveis, é um fator preocupante que pode comprometer a integridade da mucosa estomacal.
A presença da bactéria Helicobacter pylori pode interagir de maneiras preocupantes com altas taxas de sódio, exacerbando o risco de condições precancerosas no estômago.
Padrões Alimentares e suas Implicações no Risco de Câncer
O estudo envolveu participantes de capitais brasileiras como São Paulo e Fortaleza, e utilizou uma abordagem focada em padrões alimentares gerais. Dois padrões foram destacados: o Padrão Alimentar Não Saudável, rico em processados, e o Padrão Alimentar Saudável, com ênfase em alimentos naturais, mas que ainda podem conter altos níveis de sódio.
Os resultados mostraram que a combinação destes elementos dietéticos pode ter um impacto direto no desenvolvimento de câncer de estômago, além de outros fatores indiretos analisados durante o estudo.
Como o Sódio Ajuda no Desenvolvimento de Doenças Gástricas?
O consumo excessivo de sódio está associado a danos na mucosa do estômago e ao aumento do risco de câncer gástrico. A recomendação da OMS de limitar o consumo a 2 gramas por dia é frequentemente excedida, especialmente no Brasil, onde o consumo é mais do que o dobro do recomendado.
Essa alta ingestão pode contribuir não apenas para o câncer de estômago, mas também para condições como a hipertensão, sendo assim, uma alimentação balanceada é essencial para prevenir tais doenças.
Gastrite: O excesso de sódio pode irritar a mucosa gástrica, contribuindo para o desenvolvimento de gastrite. A inflamação crônica causada pela gastrite pode aumentar o risco de úlceras e até mesmo de câncer de estômago.
Refluxo gastroesofágico (RGE): O sódio pode aumentar a produção de ácido estomacal, o que, em excesso, pode causar azia e outros sintomas do refluxo.
Outras doenças: Embora a relação não seja tão direta, o consumo elevado de sódio também está associado a outras condições de saúde, como hipertensão arterial e doenças cardíacas, que podem, indiretamente, afetar o sistema digestivo.
Mas como isso acontece?
Aumento da produção de ácido: O sódio estimula a produção de ácido clorídrico no estômago, o que pode levar à irritação da mucosa gástrica e ao desenvolvimento de úlceras.
Retenção de líquidos: O excesso de sódio pode causar retenção de líquidos no organismo, aumentando a pressão sobre o estômago e esôfago, o que pode piorar os sintomas de refluxo.
Inflamação: O sódio pode desencadear processos inflamatórios no organismo, o que pode contribuir para o desenvolvimento de diversas doenças, incluindo as gástricas.
É importante ressaltar que:
A dieta é apenas um dos fatores: Outros fatores, como o estilo de vida, a genética e o uso de medicamentos, também podem influenciar o desenvolvimento de doenças gástricas.
Nem todo mundo é igual: A sensibilidade individual ao sódio varia de pessoa para pessoa.
O que você pode fazer?
Reduza o consumo de sódio: Evite alimentos processados, embutidos, fast food e alimentos industrializados em geral, que são ricos em sódio.
Cozinhe em casa: Prepare suas próprias refeições utilizando ingredientes frescos e temperos naturais.
Leia os rótulos: Verifique a quantidade de sódio presente nos alimentos antes de comprá-los.
Consulte um médico: Se você tem problemas gástricos, consulte um médico para um diagnóstico preciso e tratamento adequado.
Qual a Importância de uma Educação Alimentar Eficaz?
Para mitigar os riscos associados a uma dieta rica em açúcares e sódio, torna-se fundamental promover a educação alimentar.**Campanhas educativas** podem ajudar a conscientizar a população sobre os riscos desses componentes alimentares e encorajar escolhas mais saudáveis. A educação deve focar em nuances culturais e práticas regionais para ser realmente eficaz.
Ao oferecer informações claras e práticas sobre alimentação saudável, é possível reduzir a prevalência de câncer gástrico e outras doenças relacionadas, fomentando um entendimento mais profundo dos impactos que os hábitos alimentares têm na saúde a longo prazo.
É aguardada a aprovação da Anvisa para que o governo incorpore a vacina contra a dengue do Butantan no Sistema Único de Saúde (SUS)
Foto: Lucas Moura/ Secom
O governo afirmou que não deve ter vacinação em massa contra a dengue em 2025. A informação foi divulgada pela ministra da Saúde, Nísia Trindade, nesta quarta-feira (22).
É aguardada a aprovação da Anvisa para que o governo incorpore a vacina contra a dengue do Butantan no Sistema Único de Saúde (SUS).
A capacidade de entrega do instituto para este ano é de somente 1 milhão de doses. “O Butantan está produzindo, mas não há previsão de vacinação em massa contra dengue em 2025. É muito importante, vacina de uma dose, mas para 2025 ainda não será a solução que nós esperamos”, disse Trindade.
O envio de documentos necessários foi concluído pelo Butantan. A agência reguladora afirma que o processo está em fase de submissão de documentos, anterior ao pedido de registro, e que não há previsão de conclusão.
A expectativa, segundo Trindade, é de ampliar a faixa etária apta a receber o imunizante após sua incorporação no SUS. O laboratório prevê a entrega de 100 milhões de doses até 2027. A vacina será em dose única e poderá ser aplicada na população de 2 anos a 60 anos incompletos.
A última vez que o sorotipo 3 da dengue circulou de forma predominante no país foi em 2008. Médicos explicam se há motivo de preocupação
O sorotipo 3 da dengue voltou a circular no país de forma mais expressiva após 17 anos. De acordo com o Ministério da Saúde, as quatro variações da doença foram identificadas no Brasil em 2024, mas 40,8% dos casos registrados em dezembro estão relacionados ao sorotipo 3.
A maior prevalência no ano inteiro ainda foi do tipo 1, relacionado a 73,4% dos casos. A última vez que o sorotipo 3 circulou de forma predominante foi em 2008.
A maioria dos pacientes infectados com a cepa está concentrada nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Amapá e Paraná. O cenário preocupa especialistas porque grande parte da população não possui imunidade contra o sorotipo e se encontra mais vulnerável à infecção.
O infectologista Antônio Bandeira, consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) e assessor técnico do Laboratório Central do Estado da Bahia, explica que a circulação do sorotipo 3 é preocupante. “A qualquer momento pode acontecer um surto de grandes proporções porque a população não está imunizada”, aponta.
Imunidade à dengue
Os meses do verão são historicamente os com mais de casos de dengue pela combinação entre temperaturas elevadas e o maior volume de chuva. O ano de 2024 foi um dos mais críticos, com 6.484.890 casos prováveis de dengue e 5.972 mortes provocadas pela doença. Outros 908 óbitos continuam em investigação.
O volume de casos conferiu à população a imunidade temporária à doença. Os médicos explicam que a pessoa que tem dengue desenvolve imunidade contra o sorotipo específico que causou a infecção pelo resto da vida e contra os demais tipos por um período curto, que varia de seis a oito meses.
“Se a pessoa for exposta a algum subtipo poucos meses depois da infecção, pode ser que ela tenha alguma imunidade parcial e não desenvolva doença. Mas depois de passado esse período curto, ela pode sim ser infectada por outros subtipos”, explica o infectologista André Bon, do Hospital Brasília, da rede Dasa.
A segunda infecção, independente do sorotipo causador, aumenta o risco do paciente desenvolver a forma grave da doença. “Não quer dizer que os outros episódios não possam ser graves: podem, mas o pior de todos é geralmente o segundo”, afirma Bandeira.
Sintomas
Os quatro sorotipos da dengue levam o paciente aos mesmos sintomas: febre (39°C a 40°C) de início repentino, dor de cabeça, prostração, dores musculares e/ou articulares e dor atrás dos olhos.
Organização afirma que casos de metapneumovírus humano estão dentro do esperado
Vírus respiratório está sendo monitorado pela OMS e pelo Ministério da Saúde. Na imagem, ilustração do vírus HMPV | Foto: Reprodução/Freepik
A Organização Mundial da Saúde (OMS) monitora o aumento de casos do metapneumovírus humano, conhecido como HMPV, na China. O órgão informou que há interesse internacional sobre a situação e que está em contato com as autoridades chinesas.
De acordo com a OMS, os números registrados até agora estão dentro da faixa esperada para o inverno e não indicam padrões incomuns.
O HMPV é um vírus que causa infecções respiratórias, como gripe e bronquite. Foi identificado pela primeira vez em 2001 e tem sido monitorado em diversos países. No Brasil, há registros desse patógeno desde 2004.
HMPV tem aumento esperado no inverno
A OMS reforça que o vírus é comum durante o inverno e a primavera, especialmente no Hemisfério Norte. “Os níveis relatados estão dentro do esperado, e o sistema de saúde não está sobrecarregado”, afirmou.
O HMPV pode causar internação de algumas pessoas por bronquite ou pneumonia. A maioria dos casos, no entanto, apresenta sintomas leves, com recuperação rápida.
A alta nos casos na China começou a chamar atenção mundial depois de uma atualização feita pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças do país. O aumento foi registrado no final de 2024, durante o pico da temporada de doenças respiratórias.
Ministério da Saúde diz que está acompanhando casos
No Brasil, o Ministério da Saúde informou que acompanha o surto de HMPV na China. “A vigilância epidemiológica brasileira está em constante comunicação com autoridades sanitárias da OMS e de vários países, incluindo a China, para monitorar a situação e trocar informações relevantes”, comunicou.
Ministério da Saúde emitiu nota sobre o tema | Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
A nota também incentiva o uso de máscaras faciais por pessoas com sintomas gripais e resfriados. A orientação vai de encontro a recomendações da própria OMS. O órgão já admitiu em relatório que o uso desses equipamentos deve ser restrito a situações específicas, como pessoas infectadas em ambientes fechados.
O diretor regional da organização afirmou que os casos de Hmpv estão sendo acompanhados
Hans Kluge, diretor regional da OMS | Foto: Divulgação
Hans Kluge, diretor regional para a Europa da Organização Mundial da Saúde (OMS), informou que o escritório da entidade na China mantém contato direto com as autoridades de saúde locais.
O objetivo é acompanhar os casos de metapneumovírus (Hmpv) registrados no país. Conforme relatório divulgado pela OMS, os índices e a gravidade das ocorrências permanecem inferiores aos do ano passado. Apesar disso, o vírus tem se destacado como uma das preocupações do inverno chinês.
OMS defende comunicação clara e ágil sobre temas de saúde pública
Kluge destacou a relevância de uma comunicação clara e ágil sobre temas de saúde pública. Ele enfatizou que, em um mundo altamente interconectado, preparar-se para emergências sanitárias e reagir de forma eficiente é essencial. Além disso, ressaltou a necessidade de buscar informações em fontes confiáveis. Essa medida ajuda a enfrentar o problema da desinformação.
Especialistas explicam que o Hmpv não se trata de uma “nova ameaça”. Esse vírus comum circula globalmente há mais de 60 anos e provoca sintomas respiratórios leves. Em casos mais graves, pode evoluir para quadros como pneumonia. Atualmente, ainda não há tratamentos específicos ou vacinas desenvolvidas contra o Hmpv.
Segundo o jornal The New York Times, autoridades chinesas reconheceram o crescimento nos casos de metapneumovírus. No entanto, asseguraram que a situação não representa um motivo de grande preocupação. Diferente do coronavírus, que gerou a pandemia de covid-19, o Hmpv é amplamente conhecido pela ciência.
No caso da covid-19, o surgimento de um patógeno inédito fez com que a população global enfrentasse um vírus sem nenhuma resposta imunológica prévia. Esse fato agravou o impacto da doença.
Estudo revela que 24,5 milhões de crianças usam a internet
Foto: Caminhos da Reportagem/TV Brasil
A aprovação de projeto de lei na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), que proíbe o uso de aparelhos eletrônicos em escolas públicas e privadas no estado, já no ano letivo de 2025, deu destaque ao tema. Além do cuidado nas escolas, o Centro Marista de Defesa da Infância avalia que a utilização dos aparelhos e da internet também precisa de atenção em casa.
Levantamento da TIC Kids Online Brasil (2024), realizado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e Cetic.br, mostrou que 93% das crianças e adolescentes brasileiros – de 9 a 17 anos – usam a internet, o que representa 24,5 milhões de pessoas.
O estudo apontou, ainda, que cerca de três a cada dez usuários de internet de nove a 17 anos têm responsáveis que usam recursos para bloquear ou filtrar alguns tipos de sites (34%); para filtrar aplicativos baixados (32%), que limitam pessoas que entram em contato por chamadas de voz ou mensagens (32%); que monitoram sites ou aplicativos acessados (31%); que bloqueiam anúncios (28%); alertam sobre o desejo de fazer compras em aplicativos (26%); e que restringem o tempo na internet (24%).
“Assim como ensinamos nossas crianças a não falar com estranhos na rua, temos que agora ensiná-las a como se comportar na internet. Atualmente, pais e responsáveis devem trabalhar no letramento digital, supervisionando as atividades e ensinando dinâmicas mercadológicas, pois o uso inadequado da internet pode gerar um meio propício para o adoecimento físico e mental”, disse, em nota, Valdir Gugiel, diretor do Centro Marista de Defesa da Infância e membro do Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente de Santa Catarina.
Ele acrescenta que, atualmente, quando se trata de infância e juventude, é necessário promover um debate sobre o uso consciente de telas e dispositivos e a violência no ambiente digital.
Ofensas Ainda segundo a TIC Kids Online, entre os usuários de nove a 17 anos, 29% contaram ter passado por situações ofensivas, que não gostaram ou os chatearam no ambiente digital. Desses, 31% relataram sobre o que aconteceu para seus pais, mães ou responsáveis; 29% para um amigo ou amiga da mesma idade; 17% para irmãs, irmãos ou primos; e 13% não revelaram para ninguém.
A gerente do Centro Marista de Defesa da Infância, Bárbara Pimpão, explica que alguns casos de situações ofensivas na internet podem evoluir para cyberbullying [violência virtual que ocorre geralmente com as pessoas tímidas e indefesas].
“Crianças e adolescentes que estão sendo expostas repetidamente a mensagens que têm o objetivo de assustar, envergonhar ou enfurecer podem sofrer consequências psicológicas, físicas e sociais, como baixa autoestima, depressão, transtornos de ansiedade e insônia”, disse, em nota.
A entidade apontou as seguintes dicas e cuidados para os responsáveis em relação ao acesso de crianças e adolescentes a ferramentas digitais:
1. Fazer monitoramento e controle parental do telefone celular.
2. Ficar alerta a situações ofensivas.
3. Explicar sobre perigos do contato com estranhos.
Casos de HIV entre idosos aumentaram 416% em uma década. Médicos apontam a desinformação como principal barreira para a população mais velha
O número de casos de HIV entre as pessoas com 60 anos ou mais tem crescido. Dados do Ministério da Saúde mostram que os diagnósticos positivos entre idosos aumentaram 416% em uma década, passando de 378, em 2012, para 1.951, em 2022.
O infectologista André Bon, médico do Exame, avalia que este aumento é resultado principalmente da desinformação. “Eles normalmente não acham que estão sob risco por já serem mais velhos e acabam se preocupando menos com uso de preservativo, tanto pela falta de hábito, quanto por não se preocuparem com risco de gestação”, afirma o médico, que é membro do Comitê Técnico Assessor para Terapia Antirretroviral para Adultos do Ministério da Saúde.
A infectologista Lívia Vanessa Ribeiro, do Hospital Brasília, da Dasa, destaca ainda a baixa percepção de risco, o preconceito e o tabu. “Essa combinação leva a práticas sexuais inseguras”, aponta a médica.
Confira 7 mitos e verdades sobre o HIV
“Qualquer pessoa pode se infectar com o HIV”
Verdade. Não existem grupos de risco para a infecção pelo HIV. Qualquer pessoa que faça sexo sem preservativo e não esteja fazendo uso de profilaxia pré-exposição (PrEP) pode ser infectado.
“Pessoas com HIV têm expectativa de vida muito curta”
Mito. O infectologista Bon esclarece que, com o tratamento adequado, uma pessoa com HIV pode viver tanto quanto um indivíduo sem o vírus. “O uso de antirretrovirais ajuda a manter o vírus indetectável, proporcionando uma vida longa e saudável”, afirma.
“HIV não é transmitido pelo beijo, suor e lágrimas”
Verdade. O vírus é transmitido somente por relações sexuais sem preservativo, compartilhamento de agulhas ou por transmissão vertical — de mãe para filho durante a gravidez, parto e amamentação.
“Todas as pessoas com HIV podem transmitir o vírus por relação sexual”
Mito. Pessoas vivendo com HIV em uso de antirretrovirais e com carga viral indetectável não transmitem o vírus por relação sexual.
“Carga viral indetectável representa zero risco de transmissão do HIV”
Verdade. Bon explica que após alguns meses do início da terapia antirretroviral, as pessoas vivendo com HIV apresentarão carga viral indetectável e não podem mais transmitir o vírus por relação sexual.
“O tratamento do HIV é complexo e difícil”
Mito. Atualmente o tratamento é simples, sendo realizado com dois comprimidos por dia e poucos ou nenhum efeito colateral.
“O HIV pode ser prevenido por outras formas, além da camisinha”
Verdade. A infectologista Lívia lembra que existem outras estratégias para evitar a infecção pelo HIV, que juntamente com a camisinha/preservativo fazem parte das estratégias de prevenção combinada.
Entre elas destaca-se a profilaxia pré-exposição (PrEP) e a profilaxia pós-exposição (PEP). “A PrEP consiste no uso de antirretrovirais de forma regular ou sob demanda para pessoas com risco de infecção pelo HIV, a depender da avaliação médica para cada caso”, esclarece.
A PEP, por sua vez, consiste no uso de antirretrovirais em até 72h após exposição sexual (seja ela consentida desprotegida ou violência sexual) ou acidentes por material biológico (incluindo acidentes perfuro-cortantes).
O final do ano é uma época marcada por festas, confraternizações e férias, mas também exige atenção especial com a saúde, especialmente com o coração. De acordo com o cirurgião cardiovascular e diretor-presidente da União Médica, Dr. André Guimarães, manter os cuidados básicos é essencial para começar o ano novo com disposição e bem-estar.
Alimentação equilibrada
Nesta época, é comum exagerar na alimentação, mas Dr. André alerta para a importância de moderação. “Priorize alimentos com pouco sal, açúcar e gordura. O excesso desses componentes pode elevar a pressão arterial e aumentar os riscos de problemas cardiovasculares, especialmente para quem já possui histórico de doenças do coração”, recomenda.
Consumo consciente de bebidas alcoólicas
As celebrações geralmente incluem bebidas alcoólicas, mas é preciso cuidado. “O consumo excessivo de álcool pode sobrecarregar o coração e elevar a pressão arterial. Beba com moderação e intercale com água para evitar a desidratação” , orienta o especialista.
Hidratação é fundamental
Com as altas temperaturas do verão, a hidratação torna-se ainda mais importante. “Manter o corpo bem hidratado ajuda a regular a circulação sanguínea e a prevenir complicações cardíacas. Crianças e pessoas acima de 59 anos devem ter atenção redobrada nesse quesito”, explica Dr. André.
Atividade física e descanso
Apesar da correria das festas, não abandone os hábitos saudáveis. “Incorporar caminhadas leves ou outras atividades físicas pode ajudar a reduzir o estresse e fortalecer o coração. Além disso, respeite o descanso: noites mal dormidas afetam diretamente a saúde cardiovascular”, ressalta.
Medicação e consultas em dia
Para aqueles que fazem uso de medicamentos, Dr. André reforça a importância de não interromper o tratamento. “Seguir corretamente a prescrição médica é essencial para evitar picos de pressão ou outros problemas. Aproveite o período para revisar suas consultas médicas e exames. “
A importância do bem-estar emocional
Por fim, o médico destaca a relevância de manter a saúde emocional. “O final do ano é um momento de reflexão e renovação. Reforce laços afetivos, pratique a cordialidade e busque atividades que tragam alegria. Uma mente equilibrada reflete positivamente no coração.”