O Fevereiro Roxo é um mês dedicado à conscientização sobre o Alzheimer, uma doença neurodegenerativa progressiva e irreversível que afeta a memória, o comportamento e a independência dos pacientes. Embora ainda não tenha cura, há maneiras de retardar sua evolução e promover uma melhor qualidade de vida. O foco da campanha é a prevenção e o incentivo a hábitos saudáveis que ajudam a reduzir os riscos da doença.
De acordo com o neurologista Paulo Machado, credenciado a rede União Médica, os primeiros sinais do Alzheimer costumam ser percebidos pelos familiares, pois o paciente, muitas vezes, não se dá conta das mudanças. “No início, o esquecimento pode parecer algo comum, mas com o tempo ele se torna mais frequente e passa a afetar a rotina. Além da memória, há mudanças no comportamento, na atenção e na capacidade de realizar atividades antes feitas com facilidade”, explica.
Estilo de Vida Saudável: A Melhor Prevenção
Embora a genética tenha um papel no desenvolvimento do Alzheimer, os hábitos de vida são fatores determinantes para a saúde cerebral. “O cérebro precisa de estímulos constantes. Praticar atividades físicas, manter uma alimentação equilibrada e evitar fatores de risco, como hipertensão, tabagismo e diabetes, são medidas que fazem diferença”, afirma o Dr. Paulo Machado.
Entre as principais formas de prevenção, ele destaca:
✔ Atividade física regular – “O exercício melhora a circulação sanguínea e favorece a oxigenação do cérebro, ajudando na preservação das funções cognitivas”, explica o neurologista. ✔ Alimentação equilibrada – Dietas ricas em frutas, vegetais, grãos integrais e gorduras saudáveis, como o ômega-3, contribuem para a saúde neurológica. “O que comemos impacta diretamente a saúde do cérebro”, ressalta. ✔ Estimulação cognitiva – “O aprendizado contínuo mantém o cérebro ativo. Ler, aprender um novo idioma, tocar um instrumento musical ou até mesmo resolver palavras cruzadas são ótimas formas de exercitar a mente”, orienta o especialista. ✔ Sono de qualidade – “Dormir bem é essencial para a regeneração das células cerebrais. O descanso adequado auxilia na consolidação da memória e na redução do estresse”, acrescenta. ✔ Socialização – Manter contato com amigos e familiares também é um fator protetor. “O isolamento social pode acelerar o declínio cognitivo. Interagir e manter conversas estimula diversas áreas do cérebro”, alerta o médico. Identificando os Primeiros Sinais Muitas vezes, o Alzheimer é diagnosticado tardiamente porque os sintomas iniciais são confundidos com o envelhecimento natural. “Esquecimentos frequentes, dificuldades em encontrar palavras e mudanças de comportamento não devem ser ignorados. O quanto antes as mudanças forem percebidas, mais rápido o paciente poderá receber o suporte necessário para manter a qualidade de vida”, reforça o Dr. Paulo Machado.
O neurologista destaca ainda que a atenção dos familiares é essencial. “Na maioria das vezes, quem convive com a pessoa é quem percebe as primeiras alterações. Se houver sinais persistentes, é fundamental buscar uma avaliação médica especializada”, recomenda. União Médica apoia esta campanha A operadora União Médica conta com profissionais especializados no acompanhamento de pacientes com Alzheimer. Com um atendimento humanizado e individualizado, oferece suporte para melhorar a qualidade de vida do paciente e orientar seus familiares no cuidado diário.
Para mais informações, entre em contato com a União Médica e conheça as possibilidades de acompanhamento para um envelhecimento mais saudável.
Pesquisa da Johns Hopkins Medicine monitorou 14.207 adultos durante 24 anos. Saiba qual benefício o consumo do café proporciona para os rins
Para muitos brasileiros, o dia só começa depois de uma xícara de café. A bebida, conhecida por favorecer a concentração e ajudar a combater o sono, também pode trazer um benefício para os rins.
Um estudo da Johns Hopkins Medicine revelou que o consumo diário de café pode reduzir o risco de desenvolver uma lesão renal aguda.
A pesquisa, publicada no periódico Kidney International Reports, analisou dados do estudo Atherosclerosis Risk in Communities Study, que acompanha doenças cardiovasculares em quatro comunidades dos Estados Unidos.
No total, 14.207 adultos foram monitorados ao longo de 24 anos quanto ao consumo de café. Durante esse período, 1.694 casos de lesão renal aguda foram registrados.
Os resultados indicaram que quem bebia pelo menos uma xícara de café por dia apresentava um risco 15% menor de desenvolver a condição. O efeito protetor foi ainda mais evidente entre aqueles que consumiam de duas a três xícaras diárias, com uma redução do risco entre 22% e 23%.
“Embora já soubéssemos da relação entre o café e a prevenção de doenças crônicas, como diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e hepáticas, agora podemos acrescentar à lista de benefícios a redução do risco de lesão renal aguda”, afirmou um dos autores da pesquisa Chirag Parikh, diretor da Divisão de Nefrologia e professor da Universidade Johns Hopkins.
Relação do café com a saúde renal
Os pesquisadores suspeitam que o impacto positivo do café na saúde renal pode estar relacionado à melhoria do fluxo sanguíneo e do consumo de oxigênio nos rins, seja pela ação da cafeína ou pela interação de outros compostos bioativos presentes na bebida.
“Boa função renal e tolerância à lesão renal aguda dependem de um suprimento constante de sangue e oxigênio”, explicou Parikh.
Mais estudos são necessários
Apesar dos resultados promissores, os especialistas destacam a necessidade de mais pesquisas para confirmar essa relação e entender melhor os mecanismos de proteção.
Parikh alerta que fatores como aditivos no café, incluindo leite, açúcar e adoçantes, podem influenciar os riscos de lesão renal aguda e merecem mais investigação. Além disso, outras bebidas com cafeína, como chá e refrigerantes, também precisam ser analisadas como possíveis variáveis no estudo.
Esta fruta popular previne o envelhecimento da pele, auxilia na produção de colágeno e pode diminuir rugas e linhas de expressão
Amada por várias pessoas, a ameixa é uma fruta saborosa e muito benéfica para a saúde. Fonte de vitamina A, C e K, além do completo B, o alimento também é rico em minerais como magnésio, potássio, ferro, zinco, cálcio e fósforo.
Devido à abundância de nutrientes contidos na ameixa, a fruta pode ser uma excelente aliada ao combate ao envelhecimento do corpo e, inclusive, da pele. Quem explica isso é o nutricionista e farmacêutico Alessandro Palatucci Bello. Segundo ele, o ingrediente é rico em antioxidantes, o que já nos traz uma luz a respeito de seu poder na manutenção do organismo.
“A ameixa contém vários compostos fenólicos, como antocianinas e flavonoides, que combatem o estresse oxidativo. Ou seja, eles diminuem a produção de peróxido de oxigênio, que promovem o envelhecimento precoce da célula. Esses antioxidantes atuam neutralizando os radicais livres, o que ajuda a manter a pele mais jovem e a protegê-la dos danos ambientes”, afirma Alessandro.
De acordo com o especialista, as antocianinas e flavonoides, além de serem antioxidantes, também são anti-inflamatórios, ou seja, atuam no combate à inflamação, especialmente no intestino.
Produção de colágeno
Outra vantagem de ingerir ameixa envolve a absorção de vitamina C, essencial para a produção de colágeno, conforme antecipa o profissional.
A ameixa é uma fruta muito rica em antioxidantes
“A vitamina C é um dos precursores na síntese de colágeno. Com isso, ela melhora a firmeza e a elasticidade da pele, além de prevenir a sua estrutura, proporcionando uma aparência mais suave e rejuvenescida”, diz Alessandro. Ele acrescenta que a fruta oferece cerca de 10% das ingestões diárias recomendadas de vitamina C.
Melhora da textura da pele
A ameixa também é fonte de vitamina A (retinol), muito famosa pela capacidade de promover a renovação celular. “Ela auxilia nos processos naturais da pele, na textura, e pode contribuir com a diminuição das linhas finas de expressão“, fala.
A ameixa é capaz de combater o envelhecimento da pele
Mais hidratação
Devido ao alto teor de água e fibras, o alimento, ainda, é excelente para hidratar a cútis e aprimorar a função intestinal (o que tem tudo a ver com a saúde dermatológica). “A ameixa auxilia no peristaltismo intestinal, fazendo com que haja uma melhora na constipação e no ressecamento também. O intestino, querendo ou não, é um dos principais órgãos do nosso corpo. Ele absorve todos os micronutrientes necessários para o funcionamento bioquímico do organismo e para a nossa pele”, conta o nutricionista.
“Se nós não absorvemos silício orgânico, zinco, selênio, vitamina C e magnésio, por exemplo, como vamos produzir colágeno? Então, o intestino é um órgão essencial — e a ameixa ajuda nesse processo”Alessandro Palatucci Bello
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Prevenção do envelhecimento celular
Alessandro ressalta, também, que o alto teor de fibras encontrado na ameixa é capaz de atuar na prevenção do envelhecimento celular da cútis. Ele explica esse processo:
“O excesso de açúcar no sangue causa glicação, quando a glicose se liga a uma proteína e, por meio do oxigênio, é degradada, quebrando, também, essa proteína. Isso resulta no envelhecimento da pele. Mas, as fibras da ameixa ajudam a modular o índice de glicose, porque ‘puxam’ a água e a molécula da glicose junto, o que reduz esse excesso de açúcar no sangue e, ainda, auxilia positivamente na prevenção do envelhecimento celular da pele”.
As melhores formas de se comer ameixa
Segundo o especialista, a ameixa é uma excelente fruta para se comer fresca in natura. “Ela também pode ser consumida junto com um iogurte natural, em sucos ou em receitas de bolo, geleias, mousses e compotas. Ainda pode-se colocá-la na salada de fruta ou picá-la e acrescentá-la dentro da gelatina”, sugere Alessandro.
A ameixa é uma fruta saborosa e muito benéfica para a saúde
O nutricionista recomenda fazer chá de ameixa, bebida que fornecerá muitos benefícios para a saúde. Antes, alerta:
“A fruta pode ser consumida seca, mas vale lembrar que as frutas secas têm uma maior concentração de frutose. Como a ameixa tem baixo índice glicêmico, ela não vai pesar tanto, porém, tem que tomar cuidado com os excessos.”
Hipótese propõe que origem do Alzheimer é anterior aos acúmulos de proteínas tóxicas no cérebro dos pacientes
Foto: Andreus/Getty Images
Pesquisadores norte-americanos sugerem uma nova hipótese para a origem do Alzheimer. O aparecimento da doença neurodegenerativa é frequentemente creditado ao acúmulo de emaranhados de proteínas tóxicas no cérebro, mas o novo estudo sugere que o início da condição pode ser anterior a isso.
A pesquisa, publicada na quinta-feira (6/2) na revista Alzheimer’s Association, indica que grânulos gerados pelo estresse celular podem se formar no cérebro. Ao ficar “no meio do caminho” dos neurônios, esses grânulos seriam responsáveis por interromper a comunicação entre eles, além de dificultar seu reparo, o que pode ser a raiz da doença.
A hipótese de origem do Alzheimer
Os grânulos de estresse são aglomerados de proteínas e RNA que se formam em resposta ao estresse oxidativo, causado pelo excesso de radicais livres no organismo.
Entre os gatilhos para o aumento de radicais livres, estão alimentação de má qualidade, tabagismo, consumo de álcool, prática de exercício físico em excesso, estresse, falta de sono, doenças, infecções e envelhecimento.
Os cientistas do Instituto de Biodesign da Universidade Estadual do Arizona, nos Estados Unidos, propõem que os grânulos interrompem a comunicação entre o núcleo e o citoplasma das células, causando um efeito cascata que leva ao Alzheimer.
Na imagem, dois neurônios pontilhados de grânulos em contraste com um saudável (no meio), todos de uma mesma paciente com Alzheimer
A pesquisa foi feita a partir da revisão de artigos anteriores, para identificar mudanças generalizadas na expressão genética que acompanham a doença.
De acordo com os pesquisadores, a interrupção progressiva da comunicação entre os neurônios afeta mais de mil genes e altera a expressão genética das células produzidas posteriormente, prejudicando funções essenciais, como o metabolismo e a sobrevivência celular.
“Nossa proposta oferece uma estrutura plausível para entender os mecanismos que permitem o aparecimento dessa doença complexa. Essa descoberta pode alterar quando o Alzheimer pode ser detectado e quando a intervenção deve começar”, afirma o neurocientista Paul Coleman, líder do estudo, em comunicado à imprensa.
O papel dos grânulos de estresse
Normalmente, os grânulos de estresse protegem as células durante condições adversas, dissolvendo-se quando o estresse diminui. No Alzheimer, porém, eles persistem e se tornam patológicos, prendendo moléculas vitais e interrompendo o tráfego celular.
No início, estudos anteriores focaram como origens do problema o aparecimento de placas amiloides e emaranhados de proteína tau, mas nenhuma teoria unificou esses fenômenos como faz a hipótese dos grânulos de estresse.
“Essas mudanças radicais ocorrem muito cedo, antes dos sintomas”, explica Coleman. Tratamentos precoces que visem aos grânulos de estresse podem prevenir o surgimento de placas amiloides e emaranhados de tau, mudando o foco do tratamento para a prevenção.
O Alzheimer leva a sintomas que variam desde perda de memória a mudanças de personalidade. Apesar de mais de um século de pesquisa e bilhões de dólares investidos, ainda não há cura para a condição.
Resultados mostram que, quanto mais opções genéricas um medicamento tem, maior é a redução no seu custo
Foto: Arquivo/Agência Brasil
Um estudo recente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) revelou os impactos da entrada dos medicamentos genéricos no preço dos produtos farmacêuticos no Brasil. Os resultados mostram que, quanto mais opções genéricas um medicamento tem, maior é a redução no seu custo, com a economia podendo ultrapassar 50%.
Segundo o estudo, a redução média no preço dos medicamentos com a introdução do primeiro genérico é de 20,8%. A partir do terceiro medicamento genérico no mercado, essa redução pode atingir 55,2%. A pesquisa foi divulgada na segunda-feira (10), dia em que se completaram 26 anos da Lei Federal 9.787/1999, que legalizou a comercialização de medicamentos genéricos no Brasil.
Esses medicamentos, produzidos com a mesma substância ativa, forma farmacêutica, dosagem e indicação do medicamento de referência, só podem ser fabricados após a quebra da patente do produto original, o que acontece, geralmente, 20 anos após seu lançamento, ou antes, em casos específicos.
Os dados indicam que mercados mais concentrados, ou seja, com menor concorrência, são mais sensíveis aos efeitos da entrada de genéricos. Nesses casos, a redução nos preços pode chegar a 34%. Além disso, o estudo aponta que a introdução de genéricos logo após a perda da patente do medicamento de referência tende a gerar uma maior queda nos preços. Atrasos na chegada desses produtos, por outro lado, podem comprometer os benefícios para os consumidores.
Outro dado importante é o aumento no consumo de genéricos. Atualmente, esses medicamentos representam 34% das vendas totais do setor farmacêutico. Entre 2003 e 2019, o crescimento anual das vendas de genéricos foi de 18,3%, três vezes maior do que o observado nos medicamentos de outras categorias.
Há evidências de que a substância é capaz de aumentar a resistência e a força muscular, mas especialistas recomendam cautela no uso
É cada vez mais comum ouvir falar de pessoas que consomem suplementos de cafeína. Nas redes sociais, não faltam vídeos explicando o que é a substância estimulante encontrada no café (e em diversos outros alimentos), seus benefícios e possíveis riscos. No TikTok, a hashtag #caffeine (cafeína em inglês) soma mais de 412 mil publicações.
Mas a ciência também vem investigando os efeitos da cafeína no corpo, em especial de seu uso associado à prática de atividades físicas. Um estudo divulgado em agosto de 2024 no periódico Heliyon mostra que a substância é capaz de aumentar a resistência e a força muscular de quem se exercita com regularidade.
Feito por pesquisadores do Reino Unido e do Irã, o trabalho revisou nove meta-análises (técnica que combina os resultados de dois ou mais estudos), que incluíam 2.463 participantes no total. As conclusões mostram que diferentes doses de cafeína são capazes de aumentar a concentração de cálcio intracelular nos músculos, mineral envolvido na contração e ativação muscular, aumentando sua força e resistência.
“A cafeína é comprovadamente eficiente e bem-vinda tanto nos exercícios de força quanto nos de endurance [termo inglês para exercícios de resistência], pois é um estimulante do sistema nervoso central”, explica o nutricionista Victor Tarini, doutor em Ciências da Saúde pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). A substância estimula as fibras musculares durante o movimento de contração, aumentando a capacidade de produção de força.
Mas seus efeitos não se restringem aos músculos. “Além disso, a substância melhora o foco, a concentração e a disposição durante as atividades físicas”, acrescenta a nutricionista Serena del Favero, do Espaço Einstein – Esporte e Reabilitação, do Hospital Israelita Albert Einstein. Existem estudos mostrando ainda que ela é capaz de retardar a fadiga.
Daí porque têm surgido por aí produtos que prometem ser fontes extras de cafeína, como os “supercafés” que são populares nas redes, ou suplementos na forma de pó ou cápsula. Mas isso não significa qualquer um pode tomar quando e quanto quiser — é preciso buscar orientação e tomar cuidados.
Para quem a suplementação de cafeína funciona?
Quem mais leva vantagem com doses extras da substância são atletas e pessoas que façam treinos intensos, que levem à fadiga de fato. Já para atividades leves a moderadas, não é a melhor indicação.
“Para quem treina mais leve ou apenas precisa de um ânimo extra para acordar ou se exercitar, talvez um cafezinho já seja o suficiente, não precisa do suplemento”, orienta a nutricionista do Einstein.
Também convém não exagerar. “Quando a pessoa utiliza a cafeína com muita frequência e em doses elevadas, há uma diminuição dos receptores da substância no organismo, levando à perda de sensibilidade dos efeitos do suplemento”, explica Tarini, que é professor do Centro Universitário Adventista de São Paulo (UNASP).
Isso pode fazer com que o indivíduo tenha que ingerir quantidades cada vez maiores para obter os efeitos desejados.
Segundo o nutricionista, doses mais altas não necessariamente garantem um desempenho superior. E o excesso não passa despercebido pelo organismo: pode haver alterações cardiovasculares (arritmias, palpitações e taquicardia), desconforto gastrointestinal, piora da ansiedade e comprometimento do sono.
Qual é a dose ideal?
Em média, a recomendação é de 3 a 6 miligramas de cafeína por quilo de peso corporal por dia. Porém, se a pessoa não está acostumada com o uso ou tem sensibilidade maior à substância, doses menores podem oferecer os benefícios esperados.
Nesse caso, o ideal é começar com quantidades baixas e ir aumentando aos poucos, de acordo com a resposta do organismo.
Vale lembrar também que o limite de consumo corresponde ao total de cafeína ingerida por dia. Isso vale tanto para alimentos como cafés, chás, refrigerantes e chocolates quanto para energéticos e suplementos.
E sempre consulte um nutricionista ou médico especializado antes de consumir qualquer suplementação. Esse profissional vai analisar sua rotina e alimentação para fazer a recomendação mais adequada ao seu caso.
A obesidade infantil tem se tornado um problema de saúde pública crescente no Brasil. De acordo com uma pesquisa realizada pelo Centrok de Integração de Dados e Conhecimento para Saúde (Cidacs/Fiocruz Bahia), em colaboração com outras instituições, houve um aumento significativo nos índices de obesidade entre crianças brasileiras entre 2001 e 2014. Estes dados, que analisaram mais de cinco milhões de crianças, demonstram uma tendência preocupante que precisa ser abordada.
O crescimento nos índices de obesidade representa um desafio para o Brasil em atingir as metas da Organização Mundial da Saúde (OMS). O país busca impedir o aumento da obesidade infantil até 2030, mas ainda está distante de alcançar este objetivo. Para isso, é crucial promover hábitos saudáveis desde cedo e implementar políticas públicas que melhorem a alimentação infantil, garantindo acesso a alimentos saudáveis.
Qual a atividade física mais adequada para crianças?
De acordo com a Pais&Filhos, a prática regular de atividade física é fundamental no combate à obesidade infantil. Não há uma única atividade indicada exclusivamente para perda de peso, mas sim a importância de encontrar prazer na prática de exercícios. Profissionais de Educação Física e nutricionistas podem ajudar as crianças a escolher atividades físicas prazerosas e eficientes.
Organizações internacionais como a OMS recomendam que crianças de 5 a 17 anos pratiquem, ao menos, 60 minutos de atividade física moderada a vigorosa diariamente. Além disso, exercícios aeróbicos são sugeridos ao menos três vezes por semana.
Corrida e outras atividades físicas: são seguras para crianças?
A corrida, apesar de ser uma atividade popular entre adultos, também pode ser adaptada para crianças, tornando-se uma opção viável e divertida. Atividades lúdicas como pique-pega incentivam o interesse e a prática da corrida de forma natural.
Musculação e exercícios como crossfit, sob a supervisão correta de profissionais qualificados, podem ser seguros para crianças e pré-adolescentes. A intensidade dos exercícios deve ser ajustada de acordo com a idade e o condicionamento físico individual.
Como os pais podem incentivar atividades saudáveis?
O papel dos pais é fundamental para incentivar hábitos saudáveis em seus filhos. Ao praticar atividades físicas junto com as crianças, eles podem motivar seus filhos a participarem de exercícios de forma natural. Transformar essa experiência em algo divertido e compartilhado pode amplificar os benefícios para a saúde.
Brincadeiras tradicionais:
Esconde-esconde: melhora a mobilidade e velocidade.
Queimada: desenvolve reflexos, coordenação e socialização.
Amarelinha: trabalha equilíbrio e coordenação motora.
Esportes coletivos:
Futebol: melhora o condicionamento físico e a agilidade.
Basquete: desenvolve resistência e habilidades motoras.
Vôlei: fortalece músculos dos braços e melhora a concentração.
Atividades individuais e ao ar livre:
Ciclismo: melhora resistência e fortalece músculos das pernas.
Skate: desenvolve equilíbrio e coordenação.
Escalada em parede infantil: fortalece o corpo e melhora a concentração.
Complementar a atividade física com uma alimentação saudável é essencial. Evitar alimentos ultraprocessados e priorizar uma dieta rica em frutas, vegetais, grãos integrais e proteínas magras é necessário para equilibrar a saúde infantil. Um nutricionista pode ajudar na elaboração de um plano alimentar adequado às necessidades das crianças.
Seleção de fornecedores da vacina aconteceu a partir de um processo de licitação. | Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) rejeitou a solicitação de aprovação da versão atualizada da vacina contra a Covid-19 desenvolvida pela Zalika Farmacêutica. O imunizante faz parte de um contrato firmado com o governo brasileiro para o fornecimento de quase 60 milhões de doses.
O Ministério da Saúde aguardava a autorização para que o Brasil pudesse receber a vacina atualizada, que combate a variante JN.1, recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A decisão da Anvisa de negar o pedido foi divulgada no Diário Oficial da União (DOU) na última segunda-feira, 3.
Atualmente, as doses disponíveis nos postos de saúde são destinadas à variante XBB.1.5. Essas doses foram desenvolvidas no final de 2023 e aprovadas no Brasil no começo de 2024.
No entanto, em abril do ano passado, a OMS recomendou a atualização para a variante JN.1, orientação que foi seguida pela Anvisa em uma instrução normativa publicada em setembro.
Dois meses depois, em novembro, a Anvisa autorizou as versões atualizadas das vacinas da Pfizer e da Moderna para a variante JN.1. No mesmo mês, o Ministério da Saúde realizou uma licitação e firmou um contrato para a aquisição de vacinas para adultos exclusivamente com a Zalika Farmacêutica.
Fachada do edifício sede da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil.
A Zalika atua como representante brasileira do Instituto Serum, da Índia, e as doses incluídas no contrato são da vacina Covovax, desenvolvida pela Novavax e produzida pelo instituto. O contrato, que segundo o Ministério da Saúde gerou uma economia superior a R$ 1 bilhão, prevê o recebimento de 57 milhões de doses em até dois anos.
Em dezembro, a Zalika enviou à Anvisa o pedido de aprovação da versão atualizada da Covovax para a variante JN.1. O contrato com o governo brasileiro estabelece que a empresa deve fornecer as doses mais atualizadas aprovadas pela Anvisa.
Anvisa reprovou nova vacina por falta de dados de eficácia
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informou ao portal Metrópoles que negou aval à vacina diante da ausência de “informações técnicas” de que o imunizante teria eficácia e segurança durante os nove meses de validade.
“Os dados apresentados não confirmaram que a vacina atualizada com composição da linhagem JN.1 é estável por nove meses, quando armazenada nas condições recomendadas de 2°C a 8°C”, informou a Anvisa.
“Ou seja, o indeferimento do pedido se deu pela ausência de informações técnicas de qualidade necessárias para manutenção da eficácia e segurança da vacina no prazo de validade proposto”, disse a agência.
Quando se fala em Odontologia, muitas pessoas pensam no consultório tradicional, com pacientes chegando para limpezas, extrações e tratamentos ortodônticos. Mas a verdade é que a profissão vai muito além disso. Formados em Odontologia podem trilhar caminhos surpreendentes, combinando conhecimento técnico, inovação e até mesmo investigação criminal. Na UNEF, referência no ensino superior, os alunos são preparados para muito mais do que a atuação clínica convencional. A estrutura moderna, os laboratórios equipados com tecnologia de ponta e o corpo docente altamente qualificado oferecem a base necessária para que cada estudante descubra seu próprio caminho. E para aqueles que desejam ir além do óbvio, há um universo de possibilidades. Odontologia Forense: os dentes como peças-chave na investigação criminal Já imaginou usar o conhecimento odontológico para solucionar crimes? Esse é o trabalho do dentista forense. A identificação de vítimas por meio da arcada dentária e a análise de marcas de mordida em investigações criminais são apenas algumas das atividades desse profissional. Estética Avançada: além do sorriso, a harmonização facial A busca por estética tem levado muitos dentistas para um novo mercado: a harmonização facial. Com a expertise anatômica adquirida no curso, esses profissionais se tornam especialistas em procedimentos como preenchimento labial, toxina botulínica e até mesmo remodelação óssea da face. Pesquisa Científica: descobertas que transformam a Odontologia Muitas das inovações que revolucionam o atendimento odontológico surgem dentro de laboratórios de pesquisa. Materiais mais resistentes, técnicas menos invasivas e novos tratamentos são resultado do trabalho de pesquisadores na área. Gestão de Clínicas: do atendimento ao empreendedorismo Administrar um consultório exige mais do que conhecimento técnico. É preciso entender de gestão, marketing e finanças para garantir o sucesso do negócio. Muitos dentistas descobrem essa vocação e acabam se tornando grandes empreendedores no setor da saúde. Com uma metodologia de ensino inovadora, a UNEF não apenas capacita seus alunos tecnicamente, mas os incentiva a explorar novas áreas e a pensar além do tradicional. Os laboratórios modernos, a prática clínica desde os primeiros semestres e o contato com professores que atuam no mercado fazem toda a diferença na formação de profissionais prontos para os desafios da Odontologia. Se você sonha em ir além do consultório e explorar todas as possibilidades da profissão, a UNEF é o lugar certo para transformar seu futuro. Afinal, a melhor formação abre portas para as melhores oportunidades.
Descobriu-se que a ioga aumenta a massa cinzenta e altera as principais redes do cérebro. Agora, há esperança de que possa ser usada para ajudar a melhorar a saúde mental das pessoas.
Uma série de pesquisas recentes revela que a ioga ajuda não só a saúde física, mas também a saúde mental — Foto: Getty Images via BBC
Meu braço direito está tremendo.
O suor escorre da minha testa enquanto giro meu corpo, saindo da posição de prancha lateral para uma postura de ioga conhecida como “Coisa Selvagem” ou “Camatkarasana”. É um contorcionismo e tanto — arqueio as costas, esticando o braço esquerdo sobre a cabeça. Meu pé direito está apoiado no chão, e olho para o céu.
Uma das traduções da palavra em sânscrito camatkarasana é “desdobramento extático do coração extasiado”, e diz-se que ela desperta confiança.
Apesar do esforço, me sinto invencível.
Quando comecei a praticar ioga, eu queria suar e ganhar força. Eu a via apenas como uma forma de exercício, mas descobri que era muito mais do que isso.
A prática da ioga remonta a mais de 2 mil anos, na antiga Índia.
E embora hoje existam muitos tipos diferentes de ioga — da meditativa Yin Yoga à fluida Vinyasa — por meio de exercícios de movimento, meditação e respiração, todas as formas se concentram em uma conexão entre a mente e o corpo.
E há cada vez mais evidências de que a ioga pode não oferecer apenas benefícios físicos, mas também fazer bem à mente.
Alguns pesquisadores até esperam que ela possa ser uma forma promissora de ajudar pessoas com transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) a lidar com seus sintomas.
Sem dúvida, as pesquisas sobre os benefícios físicos da ioga são extensas. A primeira coisa que qualquer pessoa que ainda não tenha praticado ioga deve saber é que ela pode ser surpreendentemente extenuante.
Ela melhora a força, a flexibilidade e o condicionamento cardiorrespiratório.
Estudos mostram que a ioga pode melhorar a resistência e a agilidade. Também pode evitar lesões (embora também possa ser uma causa de lesão se não for praticada corretamente) e ajudar a melhorar o desempenho em outros esportes —, o que é defendido por jogadores de futebol de alto nível e jogadores de basquete.
E há um número cada vez maior de pesquisas mostrando que a ioga pode ser benéfica para uma ampla variedade de problemas de saúde.
Em pessoas que sofrem de epilepsia, por exemplo, a prática da ioga reduz significativamente o número de convulsões, ou chega até mesmo a evitá-las completamente.
A ioga tem sido usada como uma ferramenta para ajudar a controlar o diabetes tipo 2, reduzir a dor crônica e auxiliar na reabilitação de derrames.
Também foi demonstrado que é mais eficaz do que a fisioterapia para melhorar a qualidade de vida de pessoas com esclerose múltipla, e um estudo até sugere que poderia ser benéfica para sobreviventes de câncer.
A ioga também pode ajudar a ter uma vida saudável por mais tempo, diz Claudia Metzler-Baddeley, neurocientista cognitiva do Centro de Pesquisa de Imagens do Cérebro (Cubric) da Universidade de Cardiff, no País de Gales.
Mas também descobriu-se que a ioga altera a composição do seu cérebro. Estudos mostram que a prática de ioga afeta positivamente a estrutura e a função de partes do cérebro, incluindo o hipocampo, a amígdala, o córtex pré-frontal, o córtex cingulado e as redes cerebrais, incluindo a rede de modo padrão, parte do cérebro envolvida na introspecção e no pensamento autodirigido.
Alguns pesquisadores afirmam que isso pode significar que ela tem potencial para mitigar os declínios neurodegenerativos e relacionados à idade.
A pesquisa de Metzler-Baddeley se concentra nos mecanismos cognitivos e neurais do envelhecimento e da neurodegeneração.
“Acreditamos que a inflamação acelera o envelhecimento, que pode ser causado pelo estresse crônico”, diz ela.
“Os hormônios do estresse, como o cortisol, causam inflamação, que pode provocar aumento da pressão arterial. Estes são, obviamente, fatores de risco para um envelhecimento não saudável.”
De acordo com ela, a meditação e a atenção plena (mindfulness) são parte integrante da prática de ioga — e “parecem induzir mudanças nas redes cerebrais que são importantes para a metacognição, a metaconsciência e a regulação das respostas emocionais ao estresse”.
“Sabemos que há potencial [para que a ioga] nos mantenha saudáveis à medida que envelhecemos”, diz ela.
“Há estudos que descobriram uma série de diferenças estruturais [no cérebro de pessoas que praticam ioga], e que certas áreas importantes para a metacognição e a resolução de problemas parecem ser maiores.”
Estudos de neuroimagem revelaram que a ioga pode levar a um aumento no volume da massa cinzenta no cérebro.
A massa cinzenta — ou o córtex cerebral — é importante para os processos mentais, incluindo linguagem, memória, aprendizado e tomada de decisões.
Na doença de Alzheimer, há uma perda de volume de massa cinzenta, e um estudo de 2023 descobriu que a ioga pode retardar a perda de memória entre mulheres com risco de sofrer da condição.
Alguns cientistas dizem que a ioga também ajuda a combater a depressão e outros transtornos de saúde mental — Foto: G1
Um antidepressivo eficaz
Todos os exercícios são conhecidos por melhorar o humor ao reduzir os níveis de hormônios do estresse e aumentar a produção de endorfinas, muitas vezes chamadas de “substâncias químicas do bem-estar”.
Mas as posturas combinadas, a respiração e os exercícios de meditação da ioga podem oferecer benefícios adicionais, reduzindo a ansiedade, o estresse, a depressão e melhorando a saúde mental em geral.
Estudos mostram que a ioga pode melhorar os sintomas de curto prazo da depressão, por exemplo.
“Eu não queria seguir adiante. A vida era difícil demais”, diz Heather Mason, fundadora da escola de formação em iogaterapia The Minded Institute.
“A ioga transformou minha vida, me ajudando a controlar a depressão, a ansiedade e o transtorno de estresse pós-traumático.”
Depois de experimentar os efeitos profundos da ioga, Mason se formou nesta prática, assim como em psicoterapia e neurociência, antes de fundar sua escola de formação em iogaterapia em 2009.
“Senti que havia muitas alegações [sobre a ioga] que não tinham evidências fundamentadas. E quando você passou a maior parte da sua vida sem esperança, não quer que te vendam algo que poderia funcionar”, diz ela.
Mason agora treina profissionais de saúde e de ioga em iogaterapia. “Percebi que havia um problema de acessibilidade”, revela.
“A ioga é comercializada para mulheres jovens, brancas e magras. Se você não se vê refletido nesta prática, pode achar que ela não é para você.”
Também pode custar caro, ela acrescenta. “É por isso que estou tão determinada a integrá-la ao NHS [sistema público de saúde do Reino Unido]”.
Além disso, as pessoas com problemas de saúde mental muitas vezes podem ter dificuldade para se dedicar ao autocuidado.
“Elas precisam estar motivadas para fazer isso. Pensei: Se pudermos incorporá-la ao paradigma médico, tudo isso vai mudar.”
Descobriu-se que a ioga aumenta os níveis de ácido gama-aminobutírico (Gaba) no cérebro. Este neurotransmissor desacelera a atividade cerebral ao bloquear a capacidade das células nervosas de receber e enviar mensagens químicas.
Estudos mostram que um curso de ioga de 12 semanas leva a aumentos do Gaba que foram correlacionados a melhorias no humor e diminuição da ansiedade.
“Com a meditação e o aprofundamento da respiração, você muda da atividade nervosa simpática para a parassimpática. Você está desencadeando, portanto, a resposta de relaxamento”, explica Metzler-Baddeley.
Quando uma pessoa passa por um evento estressante, seu sistema nervoso simpático — a parte do sistema nervoso autônomo que controla as funções involuntárias do corpo, como a respiração e os batimentos cardíacos, mas que também ajuda a regular nossa resposta — é acionado.
Os genes são ativados para produzir proteínas chamadas citocinas que causam inflamação a nível celular. Em uma situação de perigo, isso permite que o corpo se proteja contra ferimentos ou infecções. No entanto, se uma pessoa passa por um estresse persistente, a inflamação no longo prazo pode ser prejudicial, e aumentar o risco de câncer, envelhecimento acelerado e depressão.
Os pesquisadores descobriram que as pessoas que praticam atividades mente-corpo, como ioga e meditação, apresentam uma diminuição na produção de citocinas e, portanto, uma redução no risco de doenças e condições relacionadas à inflamação.
Há também alguns indícios de que a ioga pode ser benéfica para algumas pessoas que sofrem de TEPT.
Mas os resultados de outros estudos que utilizaram a ioga como intervenção para o TEPT variam — e parece haver uma escassez de pesquisas de alta qualidade, de acordo com uma revisão acadêmica.
Um estudo recente, no entanto, mostrou que a ioga pode melhorar a situação de veteranos de guerra americanos com TEPT, enquanto outro sugeriu que a prática frequente de ioga pode ser benéfica para mulheres com TEPT crônico.
“O TEPT resistente ao tratamento é um grande problema”, diz Rachel Bilski, iogaterapeuta e gerente da organização sem fins lucrativos PTSD UK.
“Quando eu tinha uns 11 anos, me deram um punhado de Prozac, e fiz terapia cognitivo-comportamental. Nada funcionou”, relata.
“Na metade da minha adolescência, eu tinha tendências suicidas. Me sentia mais arrasada ainda porque o tratamento não estava funcionando. Eu pensava: Se isso que deveria funcionar, não está funcionando, então há algo inerentemente errado comigo, e não há como me consertar.”
Durante anos, Bilski sofreu com ataques de pânico, pesadelos e baixa autoestima. Até que ela descobriu a ioga.
Em uma viagem “clássica” para o Sudeste Asiático depois de terminar a universidade, ela pensou consigo mesma: “Ok, vamos tentar essa coisa de ioga. Provavelmente é para hippies”.
Todos os dias, durante a savasana — momento em que os participantes se deitam no chão em relaxamento no fim da aula —, “eu chorava, chorava e chorava”, conta Bilski.
“Estava chorando por motivos que eu nem sequer entendia. Estava sentindo coisas diferentes. Estava sentindo segurança em meu corpo de uma forma que eu não sabia que precisava. Foi uma mudança muito grande em uma semana.”
Bilski cancelou todos os seus planos de ir a festas e, em vez disso, “fui de retiro em retiro de ioga, e depois acabei me formando na prática, e depois acabei fazendo iogaterapia”.
Adepta da calistenia, professora de ioga arrasa nas barras, aos 60 anos, no Ibirapuera
A iogaterapia, diz ela, é diferente de outras formas de ioga — nem todos os tipos de ioga são bons para quem sofre de TEPT.
Uma revisão de estudos recente encontrou evidências de que tipos de ioga como Kundalini, Satyananda e Hot Yoga — praticada em um ambiente com aquecimento — poderiam ser mais úteis como intervenção.
Além disso, a maioria dos professores de ioga, acrescenta Bilski, não está preparada para lidar com o trauma.
“Você precisa de um professor com conhecimento sobre traumas. Há muitos professores de ioga por aí que podem dar aulas que acabam servindo de gatilho para as pessoas [com trauma]”, ela adverte.
Se o seu corpo não parece ser um lugar seguro para estar, por exemplo, mas uma aula de ioga traz um alto nível de consciência sobre seu corpo, “então o gatilho pode acabar sendo acionado”.
“Os iogaterapeutas recebem muito mais formação [do que os professores de ioga comuns]”, afirma Bilski.
“A iogaterapia é considerada uma profissão da área de saúde, e é baseada em conhecimentos biomédicos e formação psicoterapêutica.”
Ela explica que a iogaterapia geralmente é feita individualmente, adaptada às necessidades específicas do participante, e se concentra em “habilidades de aterramento (grounding)” e práticas de respiração.
“Ao rastrear as sensações do corpo, podemos dissociar os sinais de segurança dos sinais de perigo. Usamos uma postura como veículo para esse tipo de exploração e autorregulação por meio da respiração”, explica Bilski.
Segundo ela, a iogaterapia pode ajudar as pessoas que sofrem de TEPT a tolerar as experiências físicas ou sensoriais associadas ao trauma.
De acordo com especialistas, oferecer às pessoas os meios para controlar seus sintomas desta forma indica que a ioga tem um “papel importante a desempenhar no campo da recuperação de traumas”.
A ioga é usada, com frequência, combinada com outros tipos de tratamento. É apenas uma de uma lista de intervenções complementares — como acupuntura, visualização guiada e hipnoterapia —, podendo oferecer uma opção de tratamento de segunda linha.
Metzler-Baddeley observa, no entanto, que grande parte das pesquisas se concentram nos aspectos de atenção plena (mindfulness) e respiração da ioga, e não em manter posturas, alongamentos ou movimentos.
Mas, segundo ela, a sincronização das posturas com a respiração é parte integrante da ioga. “Não é possível separar as duas coisas”, afirma. “É complicado saber exatamente o que [está causando essas mudanças no cérebro]. Será que é o alongamento? Ou é a respiração? Ou o relaxamento? Não sei se isso necessariamente importa se o pacote completo funcionar.”
Esta é uma área que necessita de mais pesquisas para ser totalmente desvendada. Mas, enquanto isso, com os dois pés plantados firmemente no chão, minha linha de visão no dedo médio, meus braços estendidos na postura Virabhadrasana 2 — ou Guerreiro 2 —, me sinto calma e forte, e presente no momento.
“A ioga pode mudar todo o complexo mente-corpo”, diz Mason.
“É um longo caminho, mas tem esse poder. Acho que provavelmente é por isso que ela é praticada há milhares de anos.”