Nos últimos dias, os preparativos para a eleição na Bahia ganhou contornos até então não imaginado por nenhum analista político de plantão.
O PT já tinha decidido que Jaques Wagner seria seu candidato a governador. Depois, que seria Otto Alencar. Nenhum dos dois aceitaram a indicação. Estava assim, estabelecida uma luta interna no partido. As várias tendências que abrigam a agremiação entraram em guerra. Os caciques partidários sentiram o perigo. Era preciso conseguir um nome que pudesse acalmar os ânimos e evitar um estrago maior. Mas quem seria o candidato, para dentro dessas tendências, enfrentar o favoritismo de ACM Neto?
Os petistas sabem que Neto tem a sua maior força na região Metropolitana de Salvador. Portanto, Moema Gramacho e Luiz Caetano, colocados como nomes para a disputa, não preenchem os requisitos.
Portanto, a saída foi buscar um nome de fora dessa região. É aí que entra Feira de Santana. A cidade é o segundo maior colégio, depois de Salvador, do estado. Feira é um polo irradiador para mais de duzentas cidades. Então, é de lá que tem que sair o nome. Eis, portanto, a candidatura de Jerônimo Rodrigues, secretário de Educação do Estado. Rodrigues é professor da UEFS e tem toda a sua vida voltada para Feira de Santana.
Com essa decisão, só cabe a ACM Neto indicar José Ronaldo para senador ou vice, se quiser neutralizar o candidato de Rui, Wagner e Otto.
O secretário estadual da Educação, Jerônimo Rodrigues, foi confirmado, na tarde desta sexta-feira (11), após uma reunião da executiva estadual do PT, como o pré-candidato do partido ao governo da Bahia nas eleições de outubro. De acordo com o presidente da sigla no estado, Éden Valadares, a escolha foi unânime.
Na quinta (10), o Bahia Notícias já havia antecipado que o nome do secretário da Educação seria o escolhido pelo partido, após o governador Rui Costa (PT) e o senador Jaques Wagner (PT) chegarem a um acordo sobre a candidatura (veja aqui).
Jerônimo é engenheiro agrônomo e, desde 1995, professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs). Ele chegou ao governo do estado já em 2007, no primeiro mandato de Wagner, como Assessor Especial da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação.
Em 2010, Jerônimo se tornou Assessor Especial da Secretaria do Planejamento do Estado da Bahia. Depois, também foi membro do Conselho Nacional de Economia Solidária, do Conselho Curador da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb), do Conselho do Fundo de Combate à Pobreza do Estado e do Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional Baiano.
Túlio Gadêlha pedia exclusão de postagem feita pela deputada sobre projeto de lei que estabelecia novo formato de família
Túlio Gadêlha Foto: Marcelo Sa Barreto/AgNews
A Justiça de Pernambuco negou um pedido apresentado pelo deputado federal Túlio Gadêlha(Rede-PE) para que um conteúdo publicado pela deputada Carla Zambelli (União Brasil-SP) fosse excluído das redes sociais. A postagem em questão, feita em 2019, trazia críticas da parlamentar a um projeto de lei que propõe um novo conceito de família, cuja relatoria é de Gadêlha.
Na publicação alvo da ação na Justiça, Zambelli compartilhou uma imagem do autor do projeto, o deputado Orlando Silva (PCdoB-SP), junto da frase: “Gravíssimo! Projeto do PCdoB considera ‘família’ a poligamia e o incesto!”. Já na legenda, além das críticas contra a proposição, Zambelli questionou a postura do deputado Túlio Gadêlha, como relator, de concordar com a proposta.
– O relator Túlio Gadelha? Concorda com o projeto, já elaborou seu voto favorável, para quarta-feira, 21/08 na Comissão de Direitos Humanos. É a típica situação hipócrita: “Família tradicional com a Fátima Bernardes pra mim, e p****** pra vocês”. Desculpem o palavrão. Estou no limite já – afirmou Zambelli, na ocasião.
Postagem de Carla Zambelli Foto: Reprodução/Instagram
NA JUSTIÇA Após a publicação, ainda em 2019, Gadêlha acionou a Justiça contra a deputada e contra o Facebook pedindo a exclusão da postagem. Em seu pedido, ele alegou que Zambelli teria usado as redes sociais para disseminar notícias falsas, deturpando o teor do projeto de lei em questão. Em primeira instância, o pedido foi negado.
Gadêlha então recorreu da decisão, que foi analisada em fevereiro deste ano pela 4ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE). Na análise, os desembargadores entenderam, por unanimidade, que o pedido do deputado também não deveria ser atendido, concordando com a decisão tomada em primeira instância.
O relator do processo, desembargador Eurico de Barros Correia Filho, ressaltou que a postagem de Zambelli constitui “exercício regular da liberdade de expressão”, conforme estabelecido na Constituição. Correia Filho também destacou que, pelo fato de Zambelli possuir imunidade parlamentar, a exclusão da postagem não poderia ser atendida.
– Embora indesejáveis, as ofensas pessoais proferidas no âmbito da discussão política, respeitados os limites trazidos pela própria Constituição, não são passíveis de reprimenda judicial, pois a imunidade se caracteriza como proteção adicional à liberdade de expressão, visando a assegurar a fluência do debate público – apontou o desembargador.
O PROJETO Protocolado pelo deputado Orlando Silva, o projeto de lei 3.369/2015 afirma que são “reconhecidas como famílias todas as formas de união entre duas ou mais pessoas que para este fim se constituam e que se baseiem no amor, na socioafetividade, independentemente de consanguinidade, gênero, orientação sexual, nacionalidade, credo ou raça”.
Atualmente, o projeto segue aguardando um novo parecer do relator Túlio Gadêlha na Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) da Câmara dos Deputados. Apesar de o deputado já ter apresentado um parecer pela aprovação do projeto, um voto em separado foi apresentado pelo deputado Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ) e o projeto foi devolvido para Gadêlha.
O deputado estadual Carlos Geilson (PSDB) está articulando uma possível filiação ao PDT, do deputado federal Félix Jr.. Suplente do secretário de Saúde de Salvador, Leo Prates, ele perderá o mandato em breve, já que o pedetista deixará a prefeitura da capital e voltará para o Legislativo baiano.
As conversas entre Geilson e Prates estão avançadas, mas o tucano só tomará uma decisão entre os dias 15 e 20 de março. Leo Prates é pré-candidato a deputado federal e presidente do PDT de Salvador. Atualmente, é um dos maiores incentivadores da filiação do tucano ao partido.
Divulgada nesta sexta-feira (11), a mais recente edição da pesquisa XP/Ipespe sobre as intenções de voto para presidente apontou que houve uma queda na diferença entre o ex-presidente Lula (PT) e o atual chefe do Executivo, Jair Bolsonaro (PL). Em comparação com a análise anterior, divulgada em 25 de fevereiro, o intervalo entre Lula e Bolsonaro caiu dois pontos percentuais.
Os números noticiados indicam que Lula teria 43% da preferência do eleitorado, enquanto Bolsonaro estaria com 28%. O índice de intenção de votos do atual ocupante do Palácio do Planalto na pesquisa anterior era de 26%, enquanto o petista estava com o mesmo percentual registrado na análise atual.
Na comparação com a pesquisa XP/Ipespe divulgada semanas antes, em 11 de fevereiro, é possível ver que Bolsonaro avançou três pontos percentuais no intervalo de um mês (28% atuais contra 25% no dia 11 de fevereiro). Enquanto Lula, assim como nas duas últimas avaliações, estava com 43%.
A pesquisa Ipespe foi realizada entre os dias 7 e 9 de março de 2022 com mil entrevistados de 16 anos e mais, de todas as regiões do país, por telefone. A margem de erro é de até 3,2 pontos percentuais para mais ou para menos, com um intervalo de confiança de 95,5%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-03573/2022.
Foto: Reprodução/Twitter/ArquivoJair Bolsonaro e João Roma 10 de março de 2022
O presidente Jair Bolsonaro (PL) anunciou, na noite desta quinta-feira (10) durante live transmitida pelas redes sociais, que o ministro João Roma (Cidadania) vai se desincompatibilizar até o dia 2 de abril para disputar o governo da Bahia. Ao todo, serão oito ministros que deixarão a titularidade de suas pastas para disputar eleições para governador, senador ou deputado federal. O presidente e o ministro Roma têm agenda na Bahia na quarta-feira (10) em Feira de Santana, pela manhã, e em Salvador, à tarde.
Além de Roma, devem deixar o governo Damares Alves (Direitos Humanos), que disputará o governo do Amapá; Gilson Machado (Turismo), Senador por Pernambuco; Tarcísio de Freitas (Infraestrutura), governo de São Paulo; Rogério Marinho (Desenvolvimento Regional), Senado pelo Rio Grande do Norte; Onyx Lorenzoni (Trabalho e Previdência), governo pelo Rio Grande do Sul; Tereza Cristina (Agricultura), Senado pelo Mato Grosso do Sul; Flávia Arruda (Secretaria de Governo), Senado pelo Distrito Federal; e Marcos Pontes (Ciência e Tecnologia), deputado federal por São Paulo.
“Temos sete ministros confirmados que se afastarão para se desincompatibilizar e concorrer ao Senado ou ao governo do Estado”, disse Bolsonaro, que mencionou posteriormente o ministro Marcos Pontes, somando oito ministros que deixarão os cargos. “Temos muita esperança no Tarcísio em São Paulo, mas todos esse aqui [que foram citados] têm chances de se eleger porque saem mostrando alguma coisa, o que ele fez”, disse o presidente da República.
Jair Bolsonaro ainda complementou: “Teve muita exposição, teve muito momento difícil na pandemia e todos os ministros se apresentaram para fazer uma coisa ou outra e continuam até o dia 2 de abril; mas espero que até o dia 31 todos estejam desincompatibilizados”. O presidente ainda anunciou a pré-candidatura de ex-ministros como Ricardo Salles (Meio Ambiente), que também tentará a Câmara Federal por São Paulo.
martelo sobre o nome do PT na disputa ao governo da Bahia pode já ter sido batido: Jerônimo Rodrigues. De acordo com informações obtidas pelo Bahia Notícias, com interlocutores da legenda, o atual secretário de Educação da Bahia irá encabeçar a chapa que buscará manter o grupo liderado pelo PT no poder.
Segundo um dos participantes das negociações para a confirmação do nome de Jerônimo, as instâncias nacionais do PT não tiveram relação com a decisão. Toda a costura teria sido feita no diretório estadual. Apesar da vontade do governador Rui Costa (PT) ter prevalecido frente ao desejo inicial do senador Jaques Wagner (PT), teria existido um acordo entre ambos para o fechamento do candidato.
Outros dois nomes disputavam a vaga na cabeça de chapa: o secretário de Relações Institucionais, Luiz Caetano, e a prefeita de Lauro de Freitas, Moema Gramacho – esta última considerada a carta de Wagner na disputa. Caetano, inclusive, chegou a figurar como favorito por ser um intermediário entre os dois grupos. O titular da Serin, todavia, teve que escolher entre a campanha da companheira, Ivoneide, a Câmara dos Deputados e a corrida pelo governo, terminando a disputa interna ao ceder apesar do favoritismo. O acordo para que Jerônimo fosse alçado à condição de candidato petista foi selado com o aval tanto do governador quanto do senador, que teriam interesses distintos ao longo dos últimos dias.
Um flagrante do jornalista Victor Pinho, do BNews, em Brasília, amplia as especulações sobre o futuro político de José Ronaldo em 2022.
O ex-prefeito de Feira de Santana foi clicado almoçando com a alta cúpula do PDT nacional – incluindo o presidente da legenda, Carlos Lupi. No restaurante Fogo de Chão, José Ronaldo experimentou um bom churrasco – com pouca gordura – e fez o que mais sabe e gosta: dialogar.
Apesar das especulações de uma possível saída do União Brasil (ex-DEM) para outra legenda, de olho em uma vaga na chapa majoritária de ACM Neto na sucessão baiana, José Ronaldo, como sempre reservado, disse que foi, “apenas, um almoço de cortesia”.
O fato é que José Ronaldo não para. Tem sido importante no projeto eleitoral liderado por ACM Neto. Ex-candidato a senador e a governador pelo DEM, tem escancarado portas ao grupo no interior. Sempre bem recebido. Maior liderança da região, é, sim, forte candidato a uma vaga na chapa majoritária, estando ou não no União Brasil.
Ferramenta busca universalizar o acesso à educação
O Senado aprovou nesta quarta-feira (9) o Projeto de Lei Complementar (PLP) 235/2019, que cria o Sistema Nacional de Educação (SNE). A ideia da proposta é universalizar o acesso à educação básica harmonizando políticas, programas e ações da União, do Distrito Federal, de estados e de municípios. A meta do SNE é, entre outras, erradicar o analfabetismo; cumprir os planos de educação em todos os níveis da Federação e valorizar os profissionais da educação. Agora, o projeto segue para a Câmara.
O relator do projeto no Senado, Dario Berger (MDB-SC), comparou a função do SNE com a exercida pelo Sistema Único de Saúde (SUS) na gestão de saúde pública do país. “Se o SNE em si mesmo não é a panaceia universal, capaz de resolver o tremendo desafio da qualidade da educação no país, por outro lado se torna cada vez mais evidente o potencial de contribuição que apresenta, assim como outros sistemas em vigência no país, como o Sistema Único de Saúde e o Sistema Único de Assistência Social [SUAS]”, afirmou em seu relatório.
O texto apresenta uma série de princípios e diretrizes do SNE. Dentre outros, a igualdade de condições para o acesso e a permanência na escola; a equidade na alocação de recursos e na definição de políticas; e a articulação entre a escola, o trabalho e as práticas sociais.
Além disso, o SNE terá como diretrizes a garantia de políticas inclusivas para os alunos com deficiência, transtornos globais e altas habilidades e o atendimento às necessidades específicas das populações do campo e das comunidades tradicionais, indígenas e quilombolas.
Berger disse que foram dois anos de debate até chegar ao texto final. Ele afirmou que o SNE é uma forma de honrar a luta de tantos educadores brasileiros por uma educação de qualidade mais acessível para toda a população. Como exemplo, ele citou o professor Anísio Teixeira (1900-1971), que defendia a escola pública como promotora da democracia.
Valorização dos professores
Segundo o relator, o texto aprovado fortalece e valoriza “o papel dos profissionais da educação e a integração da educação escolar pública com a sociedade, por meio da gestão democrática”. Nesse sentido, o projeto cria o Fórum de Valorização dos Profissionais de Educação, com representantes dos governos e da sociedade civil organizada. Um dos focos desses fóruns será a atualização progressiva do piso salarial nacional da educação básica.
Presidente fez comentário “sincerão” sobre a rotina intensa de comandar o país
Presidente Jair Bolsonaro se reuniu com lideranças evangélicas Foto: PR/Isac Nóbrega
O presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou, nesta terça-feira (8), que mal pode esperar a hora de “entregar o bastão da Presidência” e ter “paz” para retomar sua rotina com atividades de que gosta, como pescar e tomar caldo de cana. A declaração do presidente, que é pré-candidato à reeleição, ocorreu durante uma reunião com lideranças evangélicas, no Palácio da Alvorada.
– Eu não vejo a hora de um dia entregar o bastão da Presidência para poder ir para a praia, tomar um caldo de cana na rua, voltar a pescar na Baía de Angra, ter paz. Mas eu creio que uma coisa fala por tudo isso aqui. Quem estaria no meu lugar se a facada fosse fatal? Como estaria o Brasil nessa pandemia? – questionou o presidente.
Ainda assim, Bolsonaro destacou que seu nome é a “oportunidade do momento”.
– Não vai ser uma canetada que vai me tirar daqui. Quem me tira daqui é somente Deus. Não existe um ato meu, um discurso, uma ação, uma MP fora das quatro linhas [da Constituição]. Será que é tão difícil fazer algumas pessoas entenderem que essa é a maneira civilizada de nós convivermos aqui no Brasil? Nós vamos vencer esse obstáculo. Existe gente melhor do que eu? Milhares de pessoas melhores do que eu. Mas é a oportunidade do momento, o nome que está aí é o meu – afirmou.
Na tarde desta terça-feira, Bolsonaro teve um encontro com dezenas de representantes evangélicos. Esta foi a primeira agenda do presidente com lideranças cristãs, que fazem parte de sua base eleitoral.