Nísia propôs amplo debate, mas disse que vai atuar para garantir que atual legislação seja cumprida
Lula e Nísia Fotos: Julia Prado/MS
A ministra da Saúde, Nísia Trindade, afirmou que “a delicadeza do tema” do aborto exige a participação de toda a sociedade em uma discussão sobre mudar a lei. Mas disse que o governo vai atuar para garantir que a atual legislação seja cumprida.
– Nos casos em que existe a permissão ao aborto no Brasil [risco à vida da gestante, violência sexual e anencefalia fetal], faremos com que o SUS [Sistema Único de Saúde] garanta a lei e o acolhimento – disse a ministra de Lula em entrevista ao jornal O Globo.
– Nosso objetivo é discutir o tema com dados e garantir o que a lei já estabelece – frisou.
Nísia teceu elogios ao presidente pela sua demonstração de sensibilidade ao buscar “um número maior de mulheres nos ministérios”. O governo petista tem 37 ministros, 26 homens e 11 mulheres.
A ministra é a primeira mulher a assumir a Saúde e confessa preocupação com seu pioneirismo.
– Mostra a dificuldade de nós, mulheres, atingirmos cargos de direção. Precisamos ter formas eficazes de furar esse teto. A visão do governo atual significa uma guinada – destacou.
Nísia argumentou que as mulheres atravessaram grandes adversidades desde o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e por esta razão, quando são convidadas a assumir cargos de liderança, devem aceitar.
– Nós, que passamos por reveses tão grandes desde o impeachment da presidenta Dilma, uma vez chamados, devemos dar a nossa contribuição. (…) Foi por meio de políticas sociais que me formei, é uma retribuição. E claro que me sinto em condições para isso – disse.
O ministro das Comunicações, Juscelino Filho, se reuniu com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na tarde desta segunda-feira (6), para se explicar sobre acusações de uso de recursos públicos para agendas de interesses particulares. Após a reunião, que ele classificou como “muito positiva”, o ministro postou no Twitter que segue no cargo e chegou a anunciar uma agenda com a participação do presidente ainda este mês, na Região Norte.
“Saí há pouco do Palácio do Planalto, onde tive uma reunião muito positiva com o presidente Lula. Na ocasião, esclareci as acusações infundadas feitas contra mim e detalhei alguns dos vários projetos e ações do Ministério das Comunicações. Temos muito trabalho pela frente!”, escreveu.
“Falamos de expansão do 5G, de conectividade em escolas e ações do Norte e do Nordeste Conectado. Boa notícia: ainda neste mês, o presidente Lula e eu vamos inaugurar a Infovia 01, entre as cidades de Manaus e Santarém, ampliando o acesso à internet na Região Amazônica”, acrescentou. O Palácio do Planalto não se manifestou sobre o encontro.
Acusações
O ministro, que é deputado federal pelo Maranhão e está licenciado do mandato, está sendo acusado de usar recursos de emendas parlamentares para a construção de estradas que dão acesso a fazendas de sua família na cidade de Vitorino Freire (MA). As emendas de mais de R$ 5 milhões foram repassadas à Prefeitura da cidade, que tem sua irmã como prefeita.
O ministro também está sendo questionado sobre uma viagem feita em aeronave oficial da Força Aérea Brasileira (FAB), de Brasília para São Paulo, no fim de janeiro, que incluiu reuniões de trabalho e participação em leilões de cavalos. Juscelino Filho é criador de cavalos de raça no Maranhão. Ele chegou a receber diárias durante todos os dias em que esteve na capital paulista, mas afirma já ter devolvido os recursos. As reportagens foram publicadas pelo jornal O Estado de S. Paulo.
Explicações
Horas antes da reunião com o presidente, Juscelino publicou um vídeo em suas redes sociais para se defender das acusações de uso indevido de verba pública. Sobre o recebimento das diárias, Juscelino apontou “erro no sistema de diárias”, que acabou incluindo valores relativos aos finais de semana, quando ele não teve agenda de trabalho. Ele cita a viagem a São Paulo, nos dias 27 e 28 de janeiro, e uma viagem anterior ao Maranhão.
“O que aconteceu foi que o sistema gerou automaticamente as diárias para todo o período, um erro de sistema, sem diferenciar o final de semana”, afirmou. Em outra postagem no Twitter, o ministro exibe cópia de dois comprovantes de depósito na conta única do Tesouro Nacional. Um no valor de R$ 2.004,45, realizado no dia 28 de fevereiro e outro no valor de R$ 2.786, feito no dia 19 de janeiro.
Sobre seus investimentos no ramo de equinos de raça, que o levou a participar de um leilão na capital paulista, Juscelino Filho diz que tudo é declarado ao fisco. “Desde sempre declaro todos os meus bens na minha declaração de Imposto de Renda [IR], inclusive os meus cavalos. E faço questão de deixar claro: a Receita Federal sempre aprovou todas as minhas declarações de IR. E mais, a Justiça Eleitoral também aprovou as minhas contas”, afirmou. “Sou ficha limpa e não respondo a nenhum processo e é importante deixar isso bem claro”, defendeu-se.
Ainda no vídeo, o ministro se refere às acusações como “ataques distorcidos” e nega que tenha usado recursos de emendas parlamentares para obras que pavimentação de estradas que levam a propriedades de sua família. “Não houve obras nas proximidades da minha fazenda nem na via de acesso. E o projeto tem o objetivo de atender inúmeras comunidades que convivem com lama e com a poeira”, argumentou.
Grão-tucano, ex-senador manifestou decepção com a ‘linha radical’ adotada pelo presidente e chamou ideias de ‘ultrapassadas’
O ex-senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), que “fez o L” no segundo turno da eleição, está arrependido e assustado com o presidente Lula. “Estou muito surpreso”, disse Jereissati, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, publicada nesta segunda-feira, 6. “Eu não esperava que o Lula e sua equipe viessem nessa linha radical de política econômica. Não é radical só pelo fato de ser de esquerda, que tem propostas boas, mas pelas ideias ultrapassadas.”
Tasso Jereissati classificou o embate de Lula com o Banco Central como “desnecessário”. O grão-tucano observou que os ataques são prejudiciais à economia.
“Por outro lado, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, traz alguma moderação”, ponderou Jereissati. “Mas o conjunto traz uma linha agressiva, que volta atrás em conquistas de outros governos, do Michel Temer e até do Lula.”
Segundo o grão-tucano, ele esperava que o governo Lula governasse com a “frente ampla” que ajudou a eleger o petista. Hoje, contudo, Tasso Jereissati vê que isso não será possível.
Interpelado sobre o papel do PSDB, Jereissati defende a ideia segundo a qual o partido tem de estar na “oposição”. “Nossa expectativa não é ocupar o campo do Bolsonaro, mas do centro”, disse. “Não temos afinidade com o bolsonarismo radical (…) Esse espaço do centro estava muito enxertado pelo antipetismo. Nossa expectativa é ocupar a centro-direita e a centro-esquerda.”
Jereissati ampliou a lista de pessoas que fizeram o L e se arrependeram depois. É o caso do jurista Miguel Reale Júnior, dos economistas Armínio Fraga e Elena Landau.
Ao mesmo, disse Marcel van Hattem, governo chama manifestantes de terroristas
O deputado federal Marcel van Hattem (Novo-RS) criticou a postura do Partido dos Trabalhadores por exigir rigor máximo para manifestantes que estavam em Brasília em 8 de janeiro e, ao mesmo tempo, mostrar toda a disposição de negociar com invasores de terra, como declarou o ministro Paulo Teixeira, de Desenvolvimento Agrário.
Em uma postagem no Twitter neste domingo, 5, Van Hattem disse que há pessoas com deficiência, cuja condição é comprovada por laudo médico e auxílio-doença, presas por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Essas pessoas são chamadas de “terroristas pelo PT e pela imprensa”, escreveu ele. Mas, “o MST invade e o governo diz que deve ‘negociar’. País da injustiça e da inversão de valores!”
Enquanto deficiente com laudo médico e auxílio-doença foi preso pelo Alexandre de Moraes (como vi com meus próprios olhos na Papuda) e é chamado de terrorista pelo PT e a imprensa, o MST invade e governo diz que deve "negociar". País da injustiça e da inversão de valores! https://t.co/jybmZYqiie
— Marcel van Hattem (@marcelvanhattem) March 5, 2023
O ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, disse que está intermediando a negociação com integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e a fábrica de celulose Suzano, que teve áreas produtivas invadidas na Bahia. E também falou em diálogo com os invasores.
Em entrevistas, ele também não condenou as ações do grupo e tampouco disse que medidas serão adotadas para impedir novas invasões ou procedimentos para punir os invasores.
Em entrevista à Folha de S.Paulo, por exemplo, quando questionado sobre qual será a posição do governo em caso de invasões a áreas privadas e produtivas, ele afirmou apenas que “queremos acelerar o programa de reforma agrária, acelerar o atendimento às famílias que estão no campo”.
Teixeira, questionado sobre eventual punição para este tipo de ação, o ministro desconversou. “Na minha opinião, futuramente, quando tiver conflitos dessa natureza, eu vou colocar o ministério aberto para que o diálogo ocorra antes de qualquer tipo de ação.”
O governo deJair Bolsonaro (PL) interrompeu uma trajetória de crescimento dos gastos da União com folha de pagamento e encerrou o último ano de mandato com o menor nível de despesa com pessoal desde 1997, ano de início da série histórica do Tesouro Nacional.
Depois de atingir a proporção de 4,3% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2018, a despesa com o funcionalismo público e encargos sociais caiu para 4,2% em 2019 e 2020, 3,7% em 2021 e 3,4% em 2022. Além do congelamento na remuneração dos servidores, os números resultam de um enxugamento no quadro de funcionários, o que o ex-ministro da Economia, Paulo Guedes, chamou de “reforma administrativa silenciosa”.
Agora, a gestão de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve inverter novamente a tendência, elevando o custo da máquina pública, que tem nos salários do funcionalismo uma de suas maiores dotações. Além do aumento nas remunerações, o atual governo promete ampliar o número de servidores ao longo dos próximos anos por meio da abertura de concursos públicos.
A elevação nos gastos, em certa medida, é considerada inevitável, uma vez que a maior parte das categorias de servidores está com vencimentos defasados desde 2019, quando foi concedida a última parcela de reajuste negociada ainda no governo de Michel Temer (MDB).
Em 2020 e 2021, o funcionalismo teve os aumentos suspensos por força da Lei Complementar 173/2020, como contrapartida para o aumento de repasses para estados e municípios com o objetivo de enfrentar a pandemia de Covid-19.
À época da aprovação do texto, projetava-se uma economia de R$ 43 bilhões até o fim de 2021. “O congelamento de salários nos deu mais do que qualquer reforma administrativa daria”, disse Guedes meses após a entrada em vigor da medida.
No início de 2022, Bolsonaro chegou a anunciar em mais de uma ocasião que daria um aumento de 1% para todos os funcionários públicos, porcentual que depois foi ampliado para 5%. O ano acabou, no entanto, sem qualquer reajuste linear.
Em foto de 2017, Sérgio Cabral deixa a sede da Justiça Federal, no centro do Rio de Janeiro, após prestar depoimento Imagem: 10/07/2017 – FÁBIO MOTTA/ESTADAO CONTEUDO
O ex-governador do Rio de Janeiro, Sergio Cabral, disse ter recebido na prisão um recado de Jair Bolsonaro (PL), mas afirmou que torceu por Lula nas eleições de 2022.
Ao site Metrópoles, Cabral afirmou que o ex-presidente Bolsonaro lhe mandou um abraço:
Quando eu fui preso, o Marco Antônio, meu filho, tinha gabinete no mesmo corredor que o Bolsonaro. Isso antes de o Bolsonaro disputar a Presidência. Ele (Bolsonaro) fazia questão de perguntar ao Marco Antônio como eu estava. (Bolsonaro) Dizia para mandar um abraço para mim. Poucos fizeram isso, e o Bolsonaro fez.
Em relação à preferência política, porém, Cabral elogiou Lula e disse que o presidente “tem espírito público”:
Mas, em termos de governo, eu torci muito pelo Lula. E graças a Deus o Lula ganhou. O Lula é uma pessoa que tem espírito público. O Lula quer acertar, ele gosta do povo, tem a alma do povo. E o Lula gosta de projeto.
Questionado sobre o que diria ao atual presidente caso pudessem se falar hoje, Cabral afirmou que parabenizaria pela vitória. O último contato de ambos foi em 2015, contou o ex-governador, “quando ele [Lula] me convidou para tomar uma cachaça na casa que ele estava em Portugal”.
Cabral dá primeira entrevista pós-prisão
Essa foi a primeira entrevista concedida pelo ex-governador após passar seis anos preso. Cabral foi detido durante a Operação Lava Jato do Rio e estava na cadeia desde o dia 17 de novembro de 2016.
Ao portal Metrópoles, Sergio Cabral disse ainda ter “distorcido” uma acusação feita contra o ministro Dias Toffoli, do STF, que foi acusado pelo político, em um acordo de delação premiada, de ter recebido propina em troca de uma decisão no TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
Um seleto grupo de 61 ex-senadores custa aos cofres públicos mais de R$ 14 milhões por ano.
Isso porque, mesmo aposentados, nomes como José Sarney (MDB-AP), Delcídio do Amaral (PTB-MS) e Jorge Viana (PT-AC) continuam cobertos pelo plano de Previdência do Congresso Nacional. Veja lista completa ao final do texto.
O maior montante é pago a Eduardo Suplicy (PT), atualmente vereador em São Paulo, de R$ 38.395,18 mensais. Em seguida, vem José Agripino Maia (União Brasil-RN), com R$ 38.282,91.
O ex-presidente José Sarney (MDB-AP) é o terceiro maior beneficiário e recebe R$ 33.792,25 por mês. Esses valores são quase quatro vezes maiores do que o teto do INSS, atualizado para R$ 7.507,49 em 2023.
Os dados foram obtidos no Portal da Transparência do Senado e consideram os valores de janeiro de 2022 a janeiro de 2023. Portanto, não incluem ex-senadores que tenham deixado o Congresso neste ano. A atual legislatura tomou posse em 1º de fevereiro.
O Senado foi procurado para comentar sobre as aposentadorias, mas disse apenas que o direito é regulamentado pela Lei nº 9.506/1997. Sarney, Suplicy e Agripino Maia também foram contatados, mas não responderam. O espaço está aberto para manifestações.
Parlamentares podem acumular gratificações
O valor total de R$ 14,3 milhões não inclui outras regalias que os senadores aposentados possam receber, como gratificações natalinas, planos de saúde e mais pensões do poder público.
Como exemplo, Sarney recebe mensalmente mais R$ 14.278,69 como ex-analista jurídico do Maranhão. Já Antônio Carlos Valadares (PSB) ganha R$ 28.178,92 como ex-senador e R$ 26.589,68 como ex-governador do Sergipe.
Atual presidente do BNDES, Aloizio Mercadante também recebe aposentadoria no valor de R$ 17.962,66, correspondente ao seu único mandato no Senado, que ocorreu de 2003 a 2010. No banco estatal, Mercadante tem salário de R$ 80.838,38.
Há ainda outros três senadores que têm o benefício suspenso por estarem em cargos no Legislativo: a deputada federal Benedita da Silva (PT-RJ) e os senadores Esperidião Amin (PP-SC) e Jader Barbalho (MDB-PA).
Os reajustes nos contracheques de atuais senadores também são revertidos nas aposentadorias. O atual salário de deputados federais e senadores no Brasil é de R$ 39.293,32. O valor está em vigor desde 1º de janeiro de 2023, quando foi reajustado e equiparado ao salário dos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal).
Há dois planos vigentes de aposentadoria de senadores.
O Instituto de Previdência dos Congressistas (IPC) foi instituído em 1963 e vale para senadores eleitos até 1997.
Nessa modalidade, o benefício é proporcional aos oito anos de mandato. Os aposentados nesse plano têm direito a pensão de 26% do salário como senador, após oito anos de contribuição e ao alcançar 50 anos de idade.
O IPC foi extinto em 1999 por ser muito deficitário. No lugar dele, foi criado o Plano de Seguridade Social dos Congressistas (PSSC), que instituiu um teto ao benefício (R$ 39.293,32) e estabeleceu que o segurado deve ter 60 anos de idade e 35 anos de contribuição em qualquer regime de Previdência (os anos de mandato podem ser somados com o tempo de serviço em outra atividade).
Contribuindo 35 anos nesse plano, o ex-senador tem direito a 100% do salário.
O IPC abrange atualmente 19 senadores, enquanto o PSSC tem 46 ex-congressistas. Mas havia uma manobra muito usada pelos congressistas ao se aposentar. O senador que cumpria mandato no momento da extinção do IPC podia continuar contribuindo para o PSSC e, ao sair, pedia a aposentadoria pelas regras antigas.
No entanto, quem não ingressou em nenhum desses planos não pode ingressar mais. Isso porque a reforma trabalhista de 2019 alterou algumas regras do PSSC:
mudou a idade mínima: 62 anos para mulheres e 65 para homens;
impediu o ingresso no PSSC de novos senadores que já estavam no exercício do mandato, mas nunca contribuíram para o plano;
proibiu a criação de novos regimes de aposentadoria de ex-congressistas.
Essas são as mesmas regras atuais da iniciativa privada. Aqueles que não optaram por um regime de previdência até 2019 têm o direito de migrar o tempo de contribuição como senador para o regime ao qual esteja vinculado, sendo que estes terão as mesmas regras da iniciativa privada.
Os últimos a aderir ao PSSC foram os ex-senadores Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), Alvaro Dias (Podemos-PR) e Maria do Carmo Alves (PP-SE). Eles passaram a receber em fevereiro.
Os servidores públicos federais, que contribuem para o Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) da União devem ter pelo menos 25 anos de contribuição, 10 anos de serviço e 5 anos no cargo em que se obtém a aposentadoria. Há também a possibilidade de aposentadoria por sistema de pontos, que é a da soma da idade e do tempo de contribuição dos trabalhadores —atualmente em 90 anos para as mulheres e de 100 anos para os homens.
Viúvas
As mulheres dos senadores também têm o direito de receber as aposentadorias depois da morte dos titulares. Há 75 beneficiárias que recebem mensalmente os salários de senadores mortos entre 1966 e 2022.
A mais antiga é Regina de Barros Carvalho, viúva de Antônio de Barros Carvalho, eleito senador pelo PTB em 1958 e morto em agosto de 1966. A mais recente é Myriam de Mello, viúva de Milton Bezerra Cabral, eleito em 1971 e morto em outubro do ano passado.
Há também pensionistas viúvas de ex-senadores militares e que apoiaram a ditadura militar. São 15 congressistas oriundos da Arena e outros oito do PDS.
Não há divulgação dos valores individuais das pensões, mas em 2022 o montante destinado às viúvas foi de mais de R$ 8 milhões.
Qual a diferença na aposentadoria antiga dos senadores
podem se aposentar com 50 anos
têm aposentadoria reajustada de acordo com o salário dos parlamentares na ativa
podem pedir aposentadoria após um único mandato, com duração de oito anos
viúvas têm direito a pensão após morte do titular
Confira o ranking*
Eduardo Suplicy (PT-SP) – R$ 38.395,18
José Agripino Maia (União Brasil-RN)** – R$ 38.282,91
José Sarney (MDB-AP) – R$ 33.792,25
Francisco Rollemberg (Podemos-SE)** – R$ 31.120,30
O ministro poderá esclarecer sua versão sobre o uso de um avião da FAB e diárias para assuntos pessoais
Juscelino Filho Foto: Isac Nóbrega / MCom
O presidente Lula (PT) terá um encontro com o ministro das Comunicações, Juscelino Filho (União), nesta segunda-feira (6) onde ele poderá se defender das acusações de usar um avião da FAB e diárias pagas com dinheiro público para participar de um leilão de cavalos em São Paulo.
Filho retornará de viagem neste domingo (5), ele está na Espanha cumprindo compromissos oficiais em nome do governo brasileiro.
Ao confirmar que estará em reunião com o presidente, o ministro disse que irá “prestar todos os esclarecimentos” e que não fez nada de errado.
– Assim que chegar em Brasília, irei procurar o presidente Lula para esclarecer todos os fatos. Eu sou o maior interessado nessa reunião, porque quero deixar claro que não fiz nada de errado, e que as denúncias são infundadas. Estou tranquilo, pois não houve qualquer irregularidade nas viagens. Está tudo documentado. Agradeço ao presidente Lula a oportunidade de ser ouvido com isenção e serenidade. E, como disse o ministro Padilha, tenho direito à presunção de inocência – disse o ministro.
As polêmicas envolvendo o polícia, que é deputado federal reeleito, está prejudicando a imagem do governo. Até a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, defendeu que o ministro se afaste da pasta.
– Olha, em situações como essa, eu acho que o ministro devia pedir um afastamento para poder explicar, justificar, se for justificável o que ele fez. Isso impede o constrangimento de parte a parte – comentou.
Ex-presidente negou que tenha praticado qualquer ilegalidade
Presidente Jair Bolsonaro Foto: Isac Nóbrega/PR
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) falou neste sábado (4) sobre as joias trazidos da Arábia Saudita e que ficaram retidas pela Receita Federal no Aeroporto de Guarulhos em outubro de 2021. À CNN Brasil, o ex-chefe do Executivo negou que tenha cometido qualquer ilegalidade e disse que está sendo acusado por algo que sequer pediu.
– Estou sendo acusado de [receber] um presente que eu não pedi, nem recebi. Não existe qualquer ilegalidade da minha parte. Nunca pratiquei ilegalidade. Veja o meu cartão corporativo pessoal. Nunca saquei, nem paguei nenhum centavo nesse cartão – disse o ex-presidente à CNN.
FABIO WAJNGARTEN ESCLARECE O CASO O ex-secretário de Comunicação Social do governo federal, Fabio Wajngarten, esclareceu, nesta sexta-feira (3) e neste sábado (4), a notícia sobre as joias trazidas do país do Oriente Médio. De acordo com Wajngarten, a história é uma “narrativa fantasiosa”.
Pelo Twitter, o ex-secretário publicou a foto de um ofício de Marcelo da Silva Vieira, ex-chefe do Gabinete Adjunto de Documentação Histórica (GADH), endereçado ao Ministério de Minas e Energia. No documento, Vieira diz que os presentes recebidos na Arábia deveriam ser encaminhados ao GADH para análise sobre a incorporação ao acervo público da Presidência ou privado do presidente da República.
Ofício sobre a destinação das joias para acervo Foto: Reprodução/Twitter Fabio Wajngarten
As joias chegaram ao país no dia 26 de outubro de 2021, dentro de uma mochila de Marcos André dos Santos Soeiro, que acompanhava o então ministro Bento Albuquerque, de Minas e Energia, na viagem de retorno ao Brasil. O material, porém, ficou apreendido pela Receita Federal no Aeroporto Internacional de Guarulhos.
O ex-chefe da Secom também compartilhou um ofício emitido pelo gabinete do ministro Bento Albuquerque, no dia 3 de novembro de 2021, e endereçado ao gabinete do secretário Especial da Receita Federal. O assunto era justamente a liberação dos itens para que eles fossem encaminhados ao “destino legal adequado”.
Ofício do Ministério de Minas e Energia à Receita Federal Foto: Reprodução/Twitter Fabio Wajngarten
Em outra imagem publicada por Wajngarten em seu Twitter está a cópia de uma mensagem enviada à Arábia Saudita pelo ministro Bento Albuquerque, datada de 22 de novembro de 2021, em que o Brasil agradece pelo presente e comunica que as peças seriam incorporadas à coleção oficial do Brasil, conforme a legislação.
Além das postagens, o ex-secretário de Comunicação Social escreveu: “Novamente outra ‘narrativa fantasiosa de milhões’ será amplamente desmascarada. A era dos cliques, a tentativa de destruição da honra e bons costumes das pessoas não pode prosperar da forma como está. Dessa vez não veio de blogs ou pessoas físicas”.
MICHELLE BOLSONARO IRONIZA REPORTAGEM Em seu perfil no Instagram, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro ironizou a reportagem e publicou nos stories a seguinte mensagem: “Quer dizer que, ‘eu tenho tudo isso’ e não estava sabendo? Meu Deus! Vocês vão longe mesmo hein?! Estou rindo da falta de cabimento dessa imprensa vexatória”.
Michelle Bolsonaro ironizou reportagem sobre joias da Arábia Foto: Reprodução/Instagram
‘Querem desestabilizar a relação dos deputados bolsonaristas com o público’, diz deputada
A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) tornou-se alvo de críticas da direita depois de uma entrevista ao jornal Folha de S.Paulo nos últimos dias. Ela foi acusada de traição, tentar acordo com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, e acabou comparada aos ex-aliados de Bolsonaro, como Alexandre Frota e Joice Hasselmann. A reportagem foi reproduzida por outros veículos de comunicação de esquerda sugerindo que Zambelli estaria “pulando do barco que está afundando”.
Tudo porque a manchete “Zambelli critica Bolsonaro, diz que pode ser presa e pede trégua ao STF e foco em Lula”, segundo a deputada, foi distorcida. Em entrevista a Oeste, Zambelli fala da relação com o ex-presidente, a tal conversa com Moraes — que não aconteceu — e a situação da direita no país.
Como está a sua relação com o Bolsonaro?
Como sempre esteve, normal. Nem melhor nem pior, do mesmo jeito que sempre esteve.
A mídia insinuou que ele não teria gostado da sua entrevista à Folha. Você chegou a falar com ele?
Não cheguei a telefonar. Tento perturbar o presidente o mínimo possível. Mas quando ele disse que não ia ler é porque ele não lê a Folha, não é que não ia ler a reportagem. Ainda bem que a gente tem jornalistas sérios, como o Paulo Figueiredo, para desmentir essa história de traidora porque a Folha, com a Mônica Bergamo, inventou. Essa história de “interlocutores” do presidente. O Bolsonaro não é de falar sobre o que ele pensa de outras pessoas, então quando eu vi aquela matéria na coluna da Mônica Bergamo, já tinha certeza que era mentira e que foi colocada para tentar desestabilizar minha relação com os bolsonaristas. Na verdade, a esquerda quer, a todo custo, desestabilizar as relações dos deputados bolsonaristas com o nosso público. Eu continuo sendo xingada pela esquerda, ou seja, se a esquerda fala que eu sou traidora do Bolsonaro, teoricamente, a esquerda deveria passar a gostar de mim, né? E obviamente que não, continua me xingando do mesmo jeito, me ameaçando e mandando mensagem diariamente, eu sofro isso.
Você fez algum acordo com o Alexandre de Moraes, esteve ou conversou com ele?
Eu não estive com ele nem conversei com ele nem uma vez na minha vida. Eu tentei conversar sobre os presos do dia 8. Eu liguei para tentar me aproximar porque eu acho que não adianta agora a gente estressar a relação com o STF. Óbvio que o coração fala uma coisa e a cabeça outra, mas a gente agora tem que fazer de tudo para que a população brasileira não sofra. Como que a gente faz isso? Tentando minimizar os problemas para a população, por exemplo, os presos do dia 8. Por que a gente vai continuar estressando a relação com o STF se a gente precisa que o STF relaxe as prisões dos inocentes? Então não adianta eu continuar com “raivinha” porque fui prejudicada pessoalmente por ele e não resolver o problema. Dar murro em ponta de faca nunca resolveu o problema de ninguém. Mas eu não tive nenhum acordo com ele, nunca estive e nunca conversei com ele. O que eu fiz foi mandar um e-mail pedindo uma conversa e obviamente eu ia tocar no assunto também das redes sociais, porque eu fui a única deputada que teve todas as redes bloqueadas. Alguns eleitos na época e agora deputados e reeleitos tiveram Instagram ou Twitter cortados, eu tive todas as nove redes sociais. Até o LinkedIn que é uma rede profissional, quer dizer, não tinha sentido nenhum cortar essa rede e eles cortaram.
A mídia sugere que você estaria “saindo do barco antes de afundar” e até fez uma comparação com Alexandre Frota e Joice Hasselmann.
Eles querem enfraquecer quem está bem na mídia. Veja os meus números de alcance de rede social nos últimos dois anos, antes de cortarem… Eu era a primeira colocada em nível de interações e alcance no Congresso inteiro; pela segunda vez fui a deputada eleita como a Melhor do Brasil, pelo voto popular no concurso Congresso em Foco; um mês antes de me cortarem eu tive um bilhão de interações no Instagram; segundo um levantamento do Globo, dos 10 deputados mais influentes do Facebook, por exemplo, eu sozinha tive 20% das interações de toda a Câmara dos Deputados. Se fizer uma projeção, é interação suficiente para 88 deputados. Então, pegar uma pessoa dessa forma, que teve quase um milhão de votos, foi a mulher mais votada do Brasil, e querer colocar essa deputada no mesmo rol de pessoas traidoras é muito fácil. A única coisa que eles não tiveram é consciência de que o barco não está afundando, muito pelo contrário, a eleição do Lula só vai fazer com que a direita se reforce no Brasil. Eu sei que é estranho pensar assim agora, e obviamente eu não queria isso, eu preferia que a direita fosse sendo construída a partir do amor e não com a dor, mas a gente tem duas formas de aprender na vida: com amor ou com a dor. Infelizmente, com a faixa sendo entregue para o Lula, a gente vai aprender com a dor, haja vista os R$ 18 de aumento do salário mínimo, o maior desmatamento do mês de fevereiro da história desde que começou a ser contabilizado, a inflação sendo 11 vezes revista para cima. Em dois meses, foram só notícias ruins. Tudo o que ele tem feito é pelo plano de poder.
Na campanha eleitoral você trabalhou o tema lealdade. E agora é acusada de traição. Acha que é uma provocação?
Com certeza. Logo depois que eu recuperei minhas redes, simplesmente querem me colar a pecha do que eu mais aprecio numa pessoa. Lealdade é você conforme você prometeu, ter constância. Eu tenho 12 anos de carreira pública, antes com o Movimento Nas Ruas, durante sete anos, e agora estou no quinto ano de legislatura. Então, me chamar de traidora é a pior coisa que pode acontecer. Jamais faria isso, tenho consciência de que o número de um milhão de votos que recebi foi pela lealdade que eu tive com o presidente Bolsonaro durante os quatro anos e esse barco não está afundando. Eu preferia que o Bolsonaro tivesse ganhado. Engraçado porque vi quantas pessoas não eram Bolsonaro em 2018 e quantas acabaram gostando do governo dele. Então a gente não diminuiu, a gente está aumentando, o barco não está afundando, o barco está se tornando cada vez mais forte.
A manchete foi feita para chamar a atenção, causar confusão?
Eu acho que não só faltou profissionalismo como faltou também esperteza, porque o grande problema que eu tive é que as pessoas leram o título, mas não clicaram na entrevista. Por exemplo, o Fernando Holiday, no começo do dia, falou que eu era traidora porque eu tinha criticado o Bolsonaro, e no final do dia ele pede desculpas — porque a Folha levou ele a pensar mal de mim. Pediu desculpas publicamente e claro foi desculpado, porque esse tipo de erro é normal. Mas quando as pessoas veem esse tipo de manchete pronta elas não clicam. Além de antiético, porque eu não critico o presidente, muito pelo contrário, eu digo que estou sentindo falta do presidente estar no Brasil liderando a oposição, mas eu compreendo a falta dele, porque sei dos problemas que ele está vivendo. Isso aí não é uma crítica, estou exaltando a figura do presidente, dizendo o quanto ele é importante para direita e para o conservadorismo no Brasil. Eles não só deturparam o que eu falei, distorceram e colocaram exatamente o contrário. Foram burros, né? Porque perderam cliques.
Por que a senhora deu a entrevista ao jornal sabendo dos riscos de ter sua fala distorcida?
A intenção de dar entrevista para a Folha, como todos os anos eu faço, é sair da bolha, chegar até as pessoas que a gente não alcança pelas redes sociais. É como se fosse um desafio, e até me coloco na posição de eventualmente ter problemas, eu sei que é um prejuízo calculado, digamos assim, mas pode ser uma forma de trazer pessoas para as nossas redes sociais.