Ex-presidente da República cumpre pena na Papudinha, em Brasília
O ex-presidente Jair Bolsonaro, em registro de 14/9/2025, quando deixou o Hospital DF Star; neste sábado, 22, ele foi alvo de mais uma decisão de Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal | Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
Nesta sexta-feira, 30, a defesa de Jair Bolsonaro pediu autorização ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para o ex-presidente receber os deputados federais Nikolas Ferreira (PL-MG) e Ubiratan Sanderson (PL-RS), assim como os senadores Carlos Portinho (PL-RJ) e Bruno Bierrenbach Bonetti (PL-RJ).
Bolsonaro cumpre pena de quase 30 anos de prisão na Papudinha, em Brasília. Anteriormente, ele estava na Superintendência da Polícia Federal.
No ano passado, a 1ª Turma da Corte condenou Bolsonaro, em virtude de suposta tentativa de golpe de Estado.
Depois de uma reunião entre a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e ministros do STF, espera-se que o regime seja convertido para domiciliar.
Ontem, Moraes negou a solicitação de visita do presidente nacional do Partido Liberal, Valdemar Costa Neto, e do senador Magno Malta (PL-RS).
Moraes justificou o ato ao mencionar que Costa Neto está sendo investigado em procedimentos correlatos a Bolsonaro.
Já em relação a Malta, seria em razão de suposta desobediência a ordens do próprio STF.
Michelle chama Nikolas Ferreira de filho “06” de Bolsonaro
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, durante almoço com o presidente do PL, Valdemar Costa Neto — 12/3/2025 | Foto: Ton Molina/Foroarena/Estadão Conteúdo
No começo desta semana, Michelle chamou Ferreira de “filho 06” de Bolsonaro.
O post da ex-primeira-dama foi publicado depois da Caminhada pela Liberdade, liderada por Ferreira.
“O Brasil acordou, 06 — lembra que o Jair te adotou em Minas Gerais?”, escreveu Michelle no Instagram.
Negociações avançaram depois da visita técnica da Polícia Federal à Papudinha, no Distrito Federal
A mobilização envolve diretamente Michelle Bolsonaro, conta com o apoio reservado de nomes como Gilmar Mendes e Nunes Marques | Foto: Shutterstock
A costura por uma eventual transferência de Jair Bolsonaro ganhou força entre aliados, autoridades do Planalto e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). O jornal O Globo divulgou as informações nesta sexta-feira, 30.
A mobilização envolve diretamente Michelle Bolsonaro, conta com o apoio reservado de nomes como Gilmar Mendes e Nunes Marques e tem como trunfo um novo laudo médico produzido pela Polícia Federal (PF).
Gilmar convenceu Alexandre de Moraes, relator do inquérito sobre a suposta tentativa de golpe, a receber Michelle em seu gabinete no dia 15 de janeiro. Inclusive, o próprio Gilmar conversou com a ex-primeira-dama e, embora ressalte que a decisão cabe a Moraes, tem manifestado apoio à mudança de regime em razão das condições médicas de Bolsonaro.
Kassio Nunes, por sua vez, já transmitiu a Moraes sua concordância com a eventual transferência para o regime domiciliar.
Laudo médico embasa pedido por prisão domiciliar
Na semana passada, uma equipe de três peritos da PF esteve na Papudinha, Sala de Estado-Maior dentro do Complexo da Papuda, onde Bolsonaro está detido. O laudo médico ainda não foi finalizado, mas já se tornou peça central nas tentativas de revisão do regime.
Aliados e integrantes do Judiciário e do Executivo demonstram preocupação com um possível agravamento do estado de saúde do ex-presidente.
O temor ganhou força depois da morte de Cleriston Pereira da Cunha, ocorrida em 2023. Preso preventivamente pelos atos do 8 de janeiro, ele sofreu um mal súbito durante o banho de sol e morreu dentro da Papuda.
Inclusive, no dia 15 de janeiro, advogados e parlamentares acionaram a Organização dos Estados Americanos, por meio da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, com um pedido de concessão de medidas cautelares em favor de Bolsonaro.
De acordo com os signatários, o ex-presidente é idoso, possui comorbidades e enfrenta quadro clínico incompatível com a permanência no cárcere.
Nesse sentido, a petição sustenta que esse histórico “constitui parâmetro concreto de advertência acerca dos riscos associados à manutenção da custódia de pessoas clinicamente vulneráveis diante de alertas médicos reiterados”.
No documento, parlamentar destaca que a não divulgação desse compromisso contraria os princípios da moralidade administrativa
A senadora Damares Alves foi ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos no governo de Jair Bolsonaro | Foto: Clarice Castro/MMFDH
Questionamentos sobre transparência motivaram a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) a encaminhar à Procuradoria-Geral da República (PGR), na última terça-feira, 27, um pedido de investigação referente à falta de registro em agenda oficial de um encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, e Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, realizado em dezembro de 2024.
No documento, a parlamentar destaca que a não divulgação desse compromisso contraria os princípios da moralidade administrativa, estabelecidos pela Constituição Federal. O pedido classifica a reunião como um “compromisso secreto”.
Damares questiona consultoria de Lewandowski
Damares Alves também solicita que Ricardo Lewandowski, ex-ministro da Justiça e Segurança Pública do governo Lula, esclareça detalhes sobre sua atuação como consultor do Banco Master. A parlamentar pede que seja apurado se essa consultoria ocorreu durante seu período no ministério.
Entre as medidas sugeridas, Damares propõe a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático dos envolvidos. Além disso, pede outros procedimentos que possam contribuir para o esclarecimento completo dos fatos.
Haddad detalha conversa de Lula com Toffoli sobre Master
Haddad é um dos cotados para suceder a Lula nas próximas eleições I Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, revelou detalhes de um almoço realizado em dezembro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF). Em entrevista ao portal Metrópoles nesta quinta-feira, 29, o titular da pasta afirmou que Lula deu um “recado conceitual” sobre a oportunidade de entregar um país melhor.
Segundo o ministro, o presidente citou como exemplo as investigações integradas entre a Polícia Federal, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras e o Ministério Público. Fernando Haddad destacou que o STF pode sair fortalecido se agir com a altivez necessária diante da gravidade do caso que envolve o Banco Master. O Banco Central (BC) determinou a liquidação extrajudicial da instituição.
Sobre o proprietário do banco, Daniel Vorcaro, o ministro declarou que o empresário enganou pessoas que agiram de boa-fé. “O cara levou muita gente no bico. Quem agiu de má-fé tem de responder”, disse o chefe da Fazenda. Por causa da quebra da instituição, o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) precisará ressarcir credores em um montante de R$ 40,6 bilhões.
O Brasil terá, pela primeira vez, datas diferentes para a posse do presidente da República e dos governadores. A partir do próximo mandato, o presidente do Brasil assumirá o cargo em 5 de janeiro, enquanto os governadores tomarão posse no dia 6. A alteração rompe uma tradição mantida por décadas e busca tornar o processo mais organizado e acessível.
O que mudou e por quê
Desde 1988, a Constituição fixava o 1º de janeiro como data oficial das posses. Essa regra vigorou por mais de 30 anos, até ser modificada por uma emenda constitucional aprovada em 2021, válida para os próximos ciclos eleitorais. O principal motivo foi evitar conflitos com as festas de Ano Novo e ampliar a presença de autoridades nos eventos oficiais.
Antes da mudança, presidentes e governadores eram empossados no mesmo dia. Isso dificultava a participação dos governadores nas solenidades realizadas em Brasília, já que precisavam estar simultaneamente em seus estados. Com o novo calendário, as cerimônias foram separadas para facilitar a logística e garantir maior representatividade institucional.
Contexto histórico das posses
A posse em 1º de janeiro passou a ser adotada apenas em 1995, com Fernando Henrique Cardoso. Antes disso, presidentes assumiam em março, como ocorreu com Fernando Collor de Mello (1990), Juscelino Kubitschek (1956), Jânio Quadros (1961) e João Goulart (1961, após renúncia de Jânio). Ao longo da história republicana, o país teve 39 presidentes, somando 43 mandatos, considerando reeleições e governos em períodos distintos.
Subtítulo: Proposta em análise na Câmara quer garantir dia de descanso remunerado para celebração
Foto: Antonio Cruz/ Agência Brasil
A Câmara dos Deputados recebeu uma proposta que prevê folga remunerada no dia do aniversário do trabalhador. A proposta em análise na Câmara dos Deputados altera a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
A medida sugere mudanças na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) para que o benefício seja oferecido.
A proposta, Projeto de Lei 886/25, é de autoria do do deputado Duda Ramos (MDB-RR). O parlamentar defende que uma folga remunerada na data do aniversário é algo almejado pelos trabalhadores, que “desejam poder ter um dia de tranquilidade, descanso e celebração nesse marco tão simbólico da passagem da vida”.
“Nesse sentido, a presente proposição busca incluir na legislação trabalhista esse direito, promovendo o bem-estar e o fortalecimento da saúde mental dos trabalhadores”, defendeu o deputado.
O projeto tramita em caráter conclusivo, quando a proposta é votada apenas pelas comissões designadas a analisar o texto. A medida será analisada pelas comissões de Trabalho; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para virar lei, terá de ser aprovado pela Câmara e pelo Senado.
Em simulação de 1º turno, a diferença do petista para o liberal cai para menos de 7 pontos porcentuais
Lula e Flávio Bolsonaro são pré-candidatos à Presidência da República | Foto: Montagem da Revista Oeste, Agência Brasil e Agência Senado
Levantamento do instituto Paraná Pesquisas divulgado na manhã desta quinta-feira, 29, mostra que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) estão em condição de empate técnico em eventual segundo turno na disputa pela Presidência da República.
Na simulação de confronto direto entre os dois, Lula registra 44,8% das intenções de voto. Flávio, por sua vez, surge com 42,2%. Com essa configuração, 8,3% formam o bloco de nenhum/branco/nulo. Além disso, 4,7% não souberam responder ou não quiseram participar.
A diferença do petista para o liberal é inferior à margem de erro do levantamento, que é de 2,2 pontos porcentuais para mais ou para menos. Dessa forma, o atual presidente poderia ter de 42,6% 47%. A pontuação do senador fluminense variaria de 40% a 44,4%.
O Paraná Pesquisas mostra a evolução da pré-candidatura de Flávio. Em outubro, por exemplo, ele alcançaria 37% das intenções de voto num segundo turno contra Lula, que na ocasião registraria 46,7%.
Levantamento mostra evolução de Flávio Bolsonaro em eventual confronto contra Lula | Foto: Reprodução/Paraná Pesquisas
Outras simulações de 2º turno
Para o material desta quinta-feira, o Paraná Pesquisas realizou outros dois eventuais cenários de segundo turno, com Lula, mas sem Flávio Bolsonaro.
Em confronto com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o petista também aparece numericamente à frente, mas em condição de empate técnico: 43,9% contra 42,5%. Do total de entrevistados, 9,1% disseram que não votariam em nenhum dos dois, votaria em branco ou anularia. Já 4,6% não souberam ou não quiseram responder.
O instituto também simulou como seria um segundo turno entre o presidente e o governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD). Enquanto o petista ficaria com 44,7%, o pessedista somaria 38,9% — diferença fora da margem de erro. Nesse caso, a parcela de nenhum/branco/nulo é de 11,4%, com outros 5% constando como não souberam responder ou não opinaram.
Conforme o Paraná Pesquisas, Lula também estaria tecnicamente empatado com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), se o segundo turno da disputa presidencial fosse hoje | Foto: Reprodução/Paraná Pesquisas
1º turno: diferença de Lula para Flávio cai, mostra Paraná Pesquisas
O instituto Paraná Pesquisas apresentou dois cenários para o primeiro turno. Na simulação de número 1, há lista com sete pré-candidatos à Presidência da República:
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) — 39,8%;
Flávio Bolsonaro (PL) — 33,1%;
Ratinho Júnior (PSD) — 6,5%;
Ronaldo Caiado (PSD) — 3,7%;
Romeu Zema (Novo) — 2,8%;
Renan Santos (Missão) — 1,5%; e
Aldo Rebelo (Democracia Cristã) — 1,1%.
Nenhum/branco/nulo: 6,8%. Não souberam/não opinaram: 4,7%.
O levantamento desta quinta-feira demonstra a diminuição da diferença entre Lula e Flávio no primeiro turno, que passa a ser de 6,7 pontos porcentuais. Há três meses, a diferença era de 18,4% pontos porcentuais a favor do petista: 37,6% a 19,2%.
Tabela mostra diminuição da diferença de Lula sobre Flávio no primeiro turno | Foto: Reprodução/Paraná Pesquisas
No outro cenário de primeiro turno, o Paraná Pesquisas tirou os nomes de Flávio e Ratinho e incluiu Tarcísio na lista. Medida que ocorre mesmo com o governador paulista dizendo publicamente que não irá disputar a Presidência. Ele já declarou apoio ao senador do PL do Rio de Janeiro.
Com Tarcísio, as intenções de voto ficam da seguinte forma:
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) — 40,7%;
Tarcísio de Freitas (Republicanos) — 27,5%;
Ronaldo Caiado (PSD) — 6,6%;
Romeu Zema (Novo) — 4,4%;
Renan Santos (Missão) — 2%; e
Aldo Rebelo (Democracia Cristã) — 1,4%.
Nenhum/branco/nulo: 10,8%. Não sabem/não opinaram: 6,6%.
Dados do levantamento
Para mapear as intenções de voto em diferentes cenários de primeiro e segundo turnos da disputa pela Presidência da República, a equipe do Paraná Pesquisas entrevistou 2.080 eleitores em potencial, no Distrito Federal e nos 26 Estados brasileiros. As entrevistas ocorreram de 26 a 28 de janeiro.
Fora a já mencionada margem de erro, de 2,2 pontos porcentuais, o instituto afirma que o grau de confiança do material é de 95%.
Corporação aponta que o ex-presidente é um “custodiado sensível” em razão das funções públicas que exerceu, repercussão do caso e do risco de hostilidades
A Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) encaminhou ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), um pedido de adequações operacionais e de segurança relacionadas à custódia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no 19º Batalhão da PMDF, conhecido como Papudinha.
No ofício, enviado nesta terça-feira (28), a corporação solicita autorização para alterar o dia de visitas do ex-presidente, permitir a realização de caminhadas em locais controlados da unidade e ampliar o acesso à assistência religiosa.
Segundo a PMDF, Bolsonaro é um “custodiado sensível” em razão das funções públicas que exerceu, da repercussão do caso e do risco potencial de hostilidades. A corporação afirma que o tratamento diferenciado não configura privilégio, mas medida preventiva voltada à segurança e à integridade física do preso, de visitantes e do efetivo policial.
Entre os pedidos, a PM solicita que o dia de visitação de Bolsonaro seja transferido, de forma excepcional, da quinta-feira para o sábado. A justificativa é que, nos dias úteis, há intenso fluxo de servidores, custodiados e atividades administrativas na Papudinha, além de coincidência com o dia de visitas dos demais presos da unidade.
De acordo com o documento, aos sábados o fluxo interno é reduzido, não há expediente administrativo regular e não ocorre visitação dos outros presos, o que permitiria maior previsibilidade operacional, controle de acesso e segregação dos ambientes.
A PMDF também pede autorização para que o ex-presidente realize caminhadas de forma controlada e restrita, sob escolta e supervisão permanente. As atividades ocorreriam em locais previamente definidos, como o campo de futebol ou a pista asfaltada nos fundos do núcleo.
O pedido, segundo o ofício, foi feito com base em recomendações médicas e tem como objetivo a preservação da saúde física de Bolsonaro. A corporação afirma que a medida não envolve contato com outros presos nem uso de equipamentos, além de apresentar baixo impacto operacional.
Outro ponto apresentado ao ministro é a extensão da assistência religiosa. A PMDF informou que o atendimento é prestado pela Capelania da corporação, nas vertentes evangélica e católica, sempre sob supervisão do efetivo responsável e observadas as condições de segurança da unidade.
Bolsonaro foi transferido para a Papudinha no dia 16 deste mês, por determinação do ministro Alexandre de Moraes. Antes, ele estava custodiado na Superintendência da Polícia Federal (PF) em Brasília. O ex-presidente cumpre pena de 27 anos e 3 meses de prisão pelos crimes de organização criminosa armada, golpe de Estado, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, deterioração de patrimônio tombado e dano qualificado contra o patrimônio da União.
Comentaristas da GloboNews afirmaram, nesta segunda-feira (26), durante o programa Estúdio I, que o STF enfrenta uma crise que afeta a credibilidade da Corte e deve repercutir no cenário político.
O jornalista Merval Pereira disse que a situação tende a se agravar e que ministros precisam se preparar para um período difícil.
– É inevitável que o Supremo enfrente este problema, porque se continuar assim, vai continuar afetando a credibilidade do Supremo enquanto as novidades aparecerão. Não há dúvida nenhuma. Ninguém pense que isso vai acabar. Não pense que não tem gente querendo fazer delação premiada, não tem gente querendo contar mais história. Não há como escapar a não ser com censura. Os ministros do Supremo têm que se preparar para um ano muito duro.
Merval também afirmou que, por ser ano eleitoral, o tema do impeachment de ministros deve ser explorado nas campanhas, com apoio popular, pois a população quer saber quem roubou e quem está defendendo o Banco Master.
A comentarista Andréia Sadi concordou e disse que o impeachment de ministros deixou de ser uma pauta restrita à chamada “extrema-direita”.
Já Octavio Guedes comentou a declaração do ministro Gilmar Mendes sobre o caso, mesmo com a Lei Orgânica da Magistratura vetando esse tipo de posicionamento público.
Lula participou da inauguração da fábrica de insulina da farmacêutica Biomm, que tem o Banco Master como acionista
Lula durante inauguração da fábrica da Biomm, em Minas, em 2024 Foto: Ricardo Stuckert / PR
Antes do encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o banqueiro Daniel Vorcaro, realizado fora da agenda oficial no Palácio do Planalto em 4 de dezembro de 2024, houve um episódio que ajuda a contextualizar a relação entre os personagens envolvidos. Meses antes, em abril daquele ano, Lula participou da inauguração da fábrica de insulina da farmacêutica Biomm, em Nova Lima (MG).
A Biomm tem como principal acionista o Banco Master, por meio do Fundo Cartago, com 25,86% do capital. Apesar de o Master deter a maior fatia da companhia, Vorcaro não esteve presente na cerimônia de abril de 2024. Na ocasião, Lula dividiu o palco com outros sócios da Biomm, como Walfrido dos Mares Guia, que possui 5,53% da empresa, e Lucas Kallas, da Cedro Participações, acionista com 8%.
Kallas, por sinal, também é um nome que já esteve nos noticiários por ter sido citado em investigações da Polícia Federal, como as operações Parcours e Rejeito. Empresário do setor de mineração, ele nega irregularidades. Um ponto de convergência entre Vorcaro e Kallas, aliás, é que ambos figuram em inquéritos sob relatoria do ministro Dias Toffoli, no Supremo Tribunal Federal.
Toffoli é responsável na Suprema Corte tanto pelo caso do Banco Master, relacionado à Operação Compliance Zero, quanto pelo inquérito da Operação Rejeito, no qual o nome de Kallas aparece como citado.
A proximidade de Lula com Lucas Kallas, porém, não se restringe à inauguração da fábrica da Biomm em abril de 2024. Em fevereiro de 2025, o petista elogiou o empresário durante a assinatura do contrato de concessão do terminal ITG-02, no Porto de Itaguaí (RJ). O Grupo Cedro arrematou a área por R$ 1 milhão e assumiu o compromisso de investir cerca de R$ 3 bilhões ao longo de três anos.
Na ocasião, Lula afirmou que Kallas era sério, comprometido com o desenvolvimento do país. O empresário, no entanto, tem um histórico de menções em investigações. Em 2008, foi preso durante a Operação João de Barro, que apurava desvios de recursos do PAC no segundo mandato de Lula. Em entrevista à Agência Pública, ele afirmou que a maioria das ações foi encerrada com reconhecimento de sua inocência.
Em março de 2025, voltou a ser citado pelaOperação Parcours, que investigou supostas irregularidades ambientais na Mina Curumi, em Minas, atribuídas à Empresa de Mineração Pau Branco. Segundo a PF, o prejuízo ambiental estimado chegaria a R$ 832 milhões. Kallas afirmou que sua inclusão no inquérito era “completamente descabida”.
Já em setembro de 2025, seu nome apareceu citado em documentos da Operação Rejeito, que apurou crimes ambientais, corrupção e lavagem de dinheiro com lucro estimado em ao menos R$ 1,5 bilhão. A investigação chegou ao STF após menção ao senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), ficando sob relatoria do ministro Dias Toffoli.
A reunião aconteceu logo após a escolha do ex-procurador Wellington César Lima como novo ministro da Justiça
Foto: Agência Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teve um almoço reservado com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes recentemente em Brasília, segundo a coluna de Igor Gadelha, do portal Metrópoles.
O encontro ocorreu em meio à crise envolvendo magistrados e o Banco Master, e não constou nas agendas oficiais de nenhum dos dois. De acordo com três fontes do governo e do Judiciário ouvidas pela coluna, Lula e Moraes almoçaram a sós.
Aliados afirmam que a pauta principal foi segurança pública. A reunião aconteceu logo após a escolha do ex-procurador Wellington César Lima como novo ministro da Justiça.
Este foi o segundo encontro entre os dois em janeiro. No dia 15, Lula havia recebido Moraes, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e outros integrantes do governo em uma reunião ampliada.