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“Pessoas constroem mitos falsos para justificar posturas irresponsáveis”, disse o presidente

Luiz Inácio Lula da Silva Foto: EFE/EPA/HANNIBAL HANSCHKE

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) colocou em dúvida nesta segunda-feira (20) que o Irã esteja tentando fabricar armas nucleares e defendeu a reforma do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) para evitar mais guerras.

– Em 2016 ressurgiu a velha história de que o Irã está preparando uma bomba atômica. Não dou crédito. Assim como não dei crédito quando alegaram, em relação ao Iraque, que Saddam Hussein tinha armas nucleares – disse Lula em entrevista coletiva em Hannover ao lado do chanceler alemão, Friedrich Merz, após as terceiras consultas governamentais entre os dois países.

– De vez em quando as pessoas constroem mitos falsos para justificar posturas que são irreconhecíveis e irresponsáveis. O mundo não precisava disso. O mundo não precisa disso. O mundo precisa de mais diálogo, mais conversa, mais multilateralismo – acrescentou.

Lula alegou ser injustificável que, em nível global, tenham sido gastos no ano passado 2,7 trilhões de dólares em armas e em conflitos quando há milhões de pessoas que morrem de fome, fogem de guerras ou carecem de água potável e escolas.

Nesse contexto, defendeu a reforma do Conselho de Segurança da ONU, que não pode ser nem um “monopólio” nem o “privilégio de cinco pessoas que não se preocupam com a paz”, em alusão aos membros permanentes – Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido – com direito a veto.

– Precisamos que participem mais países. Por que não participa a Alemanha? Por que não participa o Brasil? Por que não participa a Índia? Por que não participa o Japão? Por que não participa um país como a Nigéria, com 240 milhões de pessoas? – questionou Lula.

O presidente argumentou que, ou “lutamos para mudar a carta da ONU, mudar o estatuto da ONU e garantir uma renovação”, ou caso contrário “seguiremos a bordo deste barco à deriva, sem ninguém no comando”, em um mundo no qual “as guerras são ditadas pelas decisões unilaterais dos que têm armas”.

Por sua vez, o chanceler alemão lamentou que, com o novo fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã, após o recrudescimento das tensões com os Estados Unidos neste fim de semana, os preços do petróleo tenham disparado novamente.

Merz reiterou, por isso, seu apelo ao Irã para que cesse as hostilidades, também contra Israel e os países do Golfo, embora tenha também pedido aos EUA para “buscarem caminhos para uma solução negociada, uma solução diplomática”, enquanto se aguarda a retoma das conversas de paz em Islamabad.

– Tudo isso coloca em perigo agora mesmo o desenvolvimento econômico do mundo inteiro e pode levar a uma desestabilização política adicional, além do Oriente Médio – alertou.

*EFE

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