O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) chega a Salvador às 11h da sexta-feira (8) no Aeroporto de Salvador e, à tarde, segue para a Igreja Batista Caminho das Árvores, no Itaigara, onde participa de ato ao lado de pré-candidatos do partido para as eleições municipais de outubro. O evento será aberto ao público.
“Lá na igreja, o presidente Bolsonaro vai receber nossos filiados, simpatizantes, e vai colocar o que ele tem colocado para o Brasil inteiro”, anunciou o presidente estadual do PL, João Roma, em entrevista à Rádio Brado, nesta terça-feira (5). O ex-presidente da República participará, no sábado (9), no Centro de Convenções de Salvador, na Boca do Rio, de evento do PL Mulher que será capitaneado pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
“O evento do PL Mulher contará também com a participação do presidente Bolsonaro. Essa vinda do presidente à Bahia é muito esperada, pois mostra que não temos somente uma grande massa aqui que é conduzida pela esquerda”, disse Roma. Na entrevista, o dirigente apontou que o PL deve eleger quatro vereadores na capital baiana.
Também ciente de que a presença do ex-presidente causa muitas paixões, Roma pediu que os apoiadores se manifestem “de forma ordeira. É preciso saber se manifestar, saber chegar perto dele”. O ex-ministro da Cidadania também destacou a força pessoal de Bolsonaro diante da perseguição que vem sofrendo: “é impressionante como o presidente Bolsonaro é forte. Ele tem uma força pessoal imensa, apesar de tantos ataques, tantos absurdos”.
Ao ser questionado sobre uma possível prisão do ex-presidente, Roma declarou que “seria uma grande injustiça e também um grande erro político para o Brasil”. O dirigente afirma que o Judiciário faz operações de pescaria contra o ex-presidente, ou seja, incursões com uso de aparato policial em busca de provas que não estão no escopo das ações em tramitação. “Está de forma tão descarada esse tipo de procedimento que já criou um mal estar na população”.
Apesar de toda a perseguição contra o ex-presidente, João Roma aposta em uma mudança de cenário na Bahia, a exemplo do que ocorreu no Rio Grande do Sul. “O PT virou a terceira força para lá no Rio Grande do Sul. Teve uma hora que a população despertou e viu que o estado estava perdendo muito com as políticas atrasadas dessas pautas de esquerda. Virou a chave e hoje o Rio Grande do Sul não está mais dominado pelo PT. Cedo ou tarde, isso vai acontecer aqui na Bahia”, disse Roma.
Na segunda-feira (4 de março de 2024), a presidente do PT, deputada Gleisi Hoffmann, deletou a publicação feita no mesmo dia em seu perfil no X (antigo Twitter), na qual expressava críticas à contratação do técnico de futebol Cuca pelo Athletico Paranense. No texto, Hoffmann o acusava de envolvimento em um caso de estupro na Suíça, ressaltando que não havia uma sentença definitiva no caso (mais informações sobre o incidente podem ser encontradas abaixo). A remoção da postagem ocorreu após a congressista receber uma notificação extrajudicial dos advogados do treinador.
Segundo o documento, a publicação feita pela deputada contém “diversas informações completamente inverídicas e equivocadas que podem induzir a erro seus seguidores”. Gleisi deveria deletar o post “sob pena de serem tomadas todas medidas judiciais cabíveis na área civil e criminal com o ingresso de queixa crime por crimes de calúnia, difamação e injúria”.
Eis a notificação recebida por Gleisi:
Ao publicar no X o documento, Gleisi escreveu: “Em razão de Interpelação Extra-Judicial que recebi do treinador Cuca, afirmando que fiz considerações inverídicas quanto sua condenação, já que não foi condenado, quanto a prática criminosa e semelhança com casos de Daniel Alves e Robinho (documento abaixo), deletei o post anterior e o reescrevo a seguir: ‘É estarrecedor, na semana da mulher, saber que o Athletico Paranaense irá contratar Cuca, o homem que foi acusado pela Justiça Suíça por manter relações sexuais com uma criança de 13 anos, crime previsto no art. 187 do Código Penal Suíço”.
E continuou: “Esta situação nos faz relembrar dos recentes casos de Robinho e Daniel Alves. Embora sua condenação tenha sido anulada recentemente, consta no processo a afirmação de que havia sêmen de Cuca no corpo da vítima! Nos preocupa muito essa situação, pq o futebol serve de inspiração e referência para tantas crianças. Temos um longo caminho pela frente até que os homens também estejam comprometidos com o enfrentamento à violência contra a mulher. Vamos à luta! No dia 8 de março estaremos nas ruas!”.
Cuca, de 60 anos, enfrentou uma condenação judicial na Suíça em 1989 por estupro e coação de uma menor de 13 anos em 1987, quando atuava como jogador de futebol. Contudo, em dezembro de 2023, a sentença foi revogada devido a irregularidades no processo ocorrido na década de 1980, e à impossibilidade de realizar um novo julgamento. Importante ressaltar que a anulação da sentença não implica na inocência do treinador.
Desde abril de 2023, Cuca estava afastado das atividades de treinador, tendo sua breve passagem pelo Corinthians interrompida apenas seis dias após sua contratação, devido à pressão da torcida e dos patrocinadores relacionada ao caso de 1987. Agora, ele retorna ao cenário futebolístico assumindo o comando do Athletico-PR.
ENTENDA O CASO
29 de julho de 1987 – Grêmio vence o Benfica por 2 a 1 no torneio Copa Phillips em Berna, capital da Suíça;
30 de julho de 1987 – polícia suíça prende 4 jogadores do Grêmio: Cuca, Henrique Etges, Fernando Castoldi e Eduardo Hamester no Hotel Metropole de Berna;
acusação – os jogadores teriam cometido ato sexual sob coerção –correspondentes ao crime de estupro pela lei atual do país– com a filha de 13 anos de um funcionário do hotel;
o que disse a adolescente – informou à polícia que foi ao quarto dos jogadores pedir autógrafos, camisas e flâmulas com 2 amigos e foi abusada ao ficar sozinha com os atletas. Segundo entrevista ao jornal suíço Blick, afirmou que 3 jogadores a imobilizaram e 1 a estuprou;
o que inicialmente disseram os jogadores – Henrique e Eduardo confessaram, Fernando e Cuca negaram participação. Ao Jornal dos Sports, Cuca disse que Sandra não aparentava ter 13 anos e que a jovem tinha ido ao quarto para fazer sexo com um dos jogadores;
prisão – jogadores foram presos em penitenciárias distintas e soltos depois de 1 mês da instrução inicial do processo;
fiança – cada um pagou a fiança de US$ 1.500 e voltaram ao Brasil com ajuda do advogado e então vice-presidente jurídico do Grêmio, Luiz Carlos Pereira Silveira Martins;
julgamento – em 15 de agosto de 1989, só Fernando tinha representação legal. Apesar de Martins ter dito que compareceu ao julgamento, sua presença não consta nos autos do processo;
advogado da jovem – declarou que ela reconheceu Cuca como o estuprador;
sêmen – trecho do processo mencionava laudo comprovando a existência de material genético de Cuca no corpo de Sandra, segundo o Globo Esporte;
condenação – Cuca, Henrique e Eduardo foram condenados em 1989 a 15 meses de prisão e multa de US$ 8.000. Fernando foi condenado a 3 meses e multa de US$ 4.000 como cúmplice, por ter monitorado a porta do quarto, de acordo com o juiz;
penas – os atletas não voltaram ao país e não cumpriram as penas;
reabertura do caso – em 22 de novembro de 2023, a Justiça da Suíça aceitou reabrir o processo a pedido da defesa de Cuca, que alegou que o técnico foi condenado à revelia, ou seja, não se apresentou nem teve representação durante o julgamento, e poderia ser inocentado;
anulação – processo foi anulado em 28 de dezembro de 2023 pela Justiça da Suíça com a alegação de irregularidade no julgamento, os fatos não foram reavaliados porque já estavam prescritos.
Governo e oposição disputam presidência de comissões com emendas mais turbinadas Imagem: 6.jul.2023 – Cláudio Reis/Estadão Conteúdo
O PT e o PL querem comandar as mesmas comissões na Câmara. Elas detêm quase metade das emendas de comissão aprovadas para este ano: R$ 5 bilhões dos R$ 11 bilhões totais.
O que aconteceu
Lira vai dar a palavra final. O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), busca um acordo entre as maiores bancadas, mas ainda tem de guardar lugar para as indicações de seu próprio partido e das outras legendas do centrão.
Na lista dos desejos, estão os quatro colegiados “mais ricos” e mais influentes politicamente. Petistas e liberais querem a presidência de Saúde, Educação, Segurança Pública e Fiscalização e Controle.
A comissão com mais recursos é a Saúde —e também a mais problemática. Ali se decide o destino de R$ 4,5 bilhões. O Ministério da Saúde é o principal alvo de crise com o centrão, que reclama da demora no pagamento das emendas fundo a fundo. Elas vão diretamente às prefeituras.
Esse dinheiro serve, por exemplo, para bancar obras regionais nas bases eleitorais. Esse tipo de emenda não precisa passar por um sistema burocrático de convênio do governo federal. Além do PT e do PL, o PP de Lira também quer chefiar essa comissão.
Aliados do presidente Lula buscam esvaziar o poder e o caixa do PL. Atualmente, a comissão da Saúde é comandada pelo deputado Zé Vitor (PL-MG). Em ano eleitoral, governistas querem minimizar o que chega aos redutos dos parlamentares do partido do ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Novo orçamento secreto”. O Congresso aprovou o orçamento para este ano com R$ 16,6 bilhões para as emendas de comissão. Lula vetou R$ 5,6 bilhões desse montante, sobrando R$ 11 bilhões. Não há tanta transparência no processo de destinação desse dinheiro.
O corte nas verbas irritou Lira e o centrão. Agora, o governo quer evitar a derrubada do veto e negocia uma maneira de recompor esse montante ou conseguir contornar a perda do dinheiro.
Menos desgaste na segurança pública. Esse colegiado também está a cargo do PL, mas o PT espera evitar as derrotas do ano passado quando o Ministério da Justiça e da Segurança Pública era liderado por Flávio Dino, hoje no STF(Supremo Tribunal Federal). O ministro foi convocado para dar explicações por diversas vezes, já que a oposição mantinha a presidência e a maioria das cadeiras na comissão.Continua após a publicidade
Veja os valores das comissões mais importantes
Saúde – R$ 4,538 bilhões
Educação – R$ 180,2 milhões
Fiscalização e Controle – R$ 5,961 milhões
Segurança Pública – R$ 4 milhões
Sucessão de Lira em jogo
Com a maior bancada da Casa, o PL tem direito a cinco presidências de comissões. A sigla cedeu uma delas no acordo pela relatoria da CMO (Comissão Mista de Orçamento).
A bancada também teria a prioridade no início da escolha das comissões, mas ainda não se sabe como será a ordem neste ano. Isso porque Lira pode escolher os critérios, baseado também no entendimento com as bancadas.
As conversas passam, principalmente, por apoio à sucessão dele na presidência da Câmara em 2025. Esse motivo coloca em perspectiva o acordo para a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), prioridade para o PL neste ano. Integrantes da bancada dizem que Lira havia prometido um rodízio —em 2023, o PT já havia comandado o colegiado.Continua após a publicidade
Lira, por sua vez, nega que tenha feito um compromisso para 2024. O PL quer emplacar a bolsonarista Caroline de Toni (PL-SC), mas o presidente da Câmara quer um nome de centro para ocupar a pasta, dizem aliados.
Todos os projetos que tramitam na Câmara passam pela CCJ, considerada a comissão mais importante da Casa. Não há um prazo específico para que as comissões voltem a funcionar, mas a expectativa é que as indicações saiam até a segunda semana de março.
Nesta segunda-feira, 4, o presidente Lula sancionou um projeto de lei que estabelece normas para o trabalho de motoristas de aplicativos. A nova categoria preserva a autonomia, mas impõe algumas diretrizes, como a obrigatoriedade da contribuição previdenciária e a limitação da jornada de trabalho. Embora tenha sido amplamente comemorada pelo governo, já que constituía uma das promessas de campanha de Lula, a proposta não foi bem recebida pelos motoristas.
Em um comunicado conjunto, a Federação Brasileira de Motoristas de Aplicativos (Fembrapp) e a Associação dos Motoristas de Aplicativos de São Paulo (Amasp) expressaram críticas à proposta. Elas argumentam que a remuneração dos motoristas será reduzida com a adoção do pagamento por hora em vez do pagamento por corrida. Além disso, pleiteiam que o recolhimento do INSS siga o modelo dos Microempreendedores Individuais (MEI), visando a simplificação da burocracia.
O modelo previdenciário estipulado pelo Projeto de Lei propõe uma contribuição de 7,5% do salário mensal por parte dos motoristas e 20% por parte das empresas, assemelhando-se às contribuições da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), que variam de 7,5% a 14% para os empregados, além da contribuição patronal. No regime de MEI, o recolhimento mensal é feito pelo titular do CNPJ, correspondendo a 5% do salário mínimo. Para profissionais autônomos, a contribuição varia entre 11% e 20%.
As entidades, que representam os motoristas desde 2015, não participaram das discussões e dizem “não reconhecer a legitimidade de sindicatos e representantes do grupo de trabalho”, além de afirmar que irão trabalhar junto ao Congresso durante a tramitação do projeto para reverter os pontos de discordância.“O pagamento por hora não leva em conta as variações de demanda (…). Os ganhos precisam levar em conta o quilômetro rodado e tempo, trânsito, distância e tempo de espera, que são fatores que influenciam diretamente na renda dos trabalhadores”, afirmaram as associações e nota. No projeto entregue pelo governo, há uma previsão de pagamento fixo de 32 reais por hora, que começa a contar a partir da primeira corrida aceita.
Os trabalhadores foram representados nas discussões junto ao governo por sindicatos dos motoristas de aplicativos ligados às centrais sindicais. “Os trabalhadores pediram pra gente a liberdade de trabalho, e nós defendemos isso no projeto de lei, mas não podemos deixar 1,5 milhão de trabalhadores no esquecimento”, disse, durante o evento de assinatura do projeto, o presidente do Sindicato dos Motoristas de Aplicativos de São Paulo, Leandro Medeiros.
O vice-presidente eleito do União Brasil e ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, criticou a declaração do governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), que classificou os analfabetos como “doentes”.
“Os analfabetos não são doentes, são vítimas do descaso com a educação. São vítimas de pessoas como o senhor, que, infelizmente, não consegue entender que, através da educação, a gente muda a sociedade. As pessoas mais pobres só terão condições de vencer na vida com uma educação pública de qualidade, que é o que defendo”, disse ACM Neto.
O ex-gestor soteropolitano lembrou que o estado é campeão em analfabetismo no país. “Governador, o senhor devia saber que o estado que o senhor governa é um dos campeões nacionais em analfabetismo. Um em cada 10 baianos é analfabeto, significando 1,5 milhão de pessoas em nosso estado. Não acho que essas pessoas são doentes, até porque o analfabetismo não é doença, é ausência. Ausência do poder público, ausência de prioridades para educação, ausência de um governador”, completou.
Na mesma fala, em uma coletiva de imprensa na última sexta-feira (1/3), Jerônimo disse que “quem ama não reprova”.
“Governador, o senhor só piora as colocações sobre a educação pública na Bahia. Recentemente, defendeu a aprovação em massa de alunos. Agora, ao invés de ajustar a portaria, o senhor insiste e aprofunda a gravidade do que está dizendo. Não é verdade que quem ama não reprova. Eu sou pai, o senhor também é pai; temos responsabilidade de educar nossos filhos, e não há pai que vai dizer sempre ‘sim’ ao seu filho. Ao contrário, a criança em formação precisa ser acompanhada, cobrada e testada, como acontece em todo lugar onde a educação funciona”, ponderou Neto.
O presidente da Fundação Índigo reafirmou que a aprovação em massa é uma forma de mascarar os dados da educação na Bahia. “O senhor está defendendo isso exclusivamente porque nos últimos 18 anos o PT da Bahia fracassou na educação, inclusive com o senhor como secretário de Educação do Estado, nos trazendo para as últimas posições do Brasil no Ideb. Agora, querem melhorar os números. E a solução, qual é? Aprova automaticamente. Não importa se ele aprendeu ou não. É por isso que a Bahia é um dos estados mais violentos do Brasil, com o maior número de desempregados e a maior quantidade de pessoas vivendo abaixo da linha de pobreza em todo o Brasil. Esse é o resultado de 18 anos de PT”, completou.
A Suprema Corte dos Estados Unidos votou que o nome do ex-presidente Donald Trump poderá voltar às urnas eleitorais do Colorado, decidindo que os estados não têm autoridade para rejeitar candidatos presidenciais sob o argumento de que eles se envolveram em rebelião ou insurreição contra os EUA. Dessa forma, o ex-chefe do Executivo poderá disputar as eleições presidenciais contra Joe Biden.
A decisão põe fim a uma série de contestações eleitorais que argumentavam que Trump seria inelegível em função de uma disposição constitucional que proíbe ex-funcionários públicos que se envolveram em insurreições ou rebeliões de ocuparem cargos públicos novamente. Trata-se da Seção 3 da 14ª Emenda da Constituição, que foi ratificada após a Guerra Civil.
O processo movido por um grupo de eleitores republicanos e independentes no Colorado alegava que Trump estava desqualificado por ter incitado a invasão ao Capitólio americano de 6 de janeiro de 2021 com o objetivo de impedir a certificação do Congresso da eleição do atual presidente Joe Biden em 2020. A mais alta Corte do Colorado concordou em uma decisão de dezembro, mas o argumento foi derrubado pela Suprema Corte nesta segunda-feira (4).
Além do Colorado, o secretário de estado do Maine proibiu Trump de concorrer às eleições, e um juiz estadual em Illinois também concluiu recentemente que Trump deveria ser desqualificado, anulando o conselho eleitoral estadual.
Uma série de desafios tem se espalhado por outros estados. Algumas autoridades e juízes se recusaram a considerar Trump, o principal candidato republicano, inelegível, dizendo que não cabia a eles tomar essa decisão.
Trump foi acusado, mas não chegou a ser indiciado pelo crime federal específico de insurreição, que acarreta pena máxima de dez anos e proibição automática de ocupando cargo federal.
14 de fevereiro, 18 de fevereiro e 28 de fevereiro. Em quinze dias, a oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ganhou três munições que dialogam com os valores mais basais para a direita brasileira: família, religião e segurança pública.
Tudo começou com a fuga de dois criminosos ligados ao Comando Vermelho da penitenciária de segurança máxima de Mossoró, no Rio Grande do Norte, em plena madrugada de quarta-feira de cinzas.
O fato inédito colocou uma crise no colo do novo ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, empossado com pompa pelo presidente depois de sua saída do Supremo Tribunal Federal. Com 14 dias no cargo, o sucessor de Flávio Dino recebeu a notícia de que havia a intenção de convocá-lo à Câmara e ao Senado para dar explicações sobre o fato.
Apenas quatro dias depois, em meio às buscas pelos foragidos, Lula deu uma declaração em meio à viagem que fazia à Etiópia, na África, que se transformaria no mais graúdo pedido de impeachment contra ele até agora.
“O que está acontecendo na Faixa de Gaza com o povo palestino não existiu em nenhum outro momento histórico. Aliás, existiu. Quando Hitler resolveu matar os judeus”, disse o presidente.
Capitaneado pela deputada Carla Zambelli (PL-SP), o pedido reuniu 140 assinaturas na Câmara Federal. A acusação foi de crime de responsabilidade por “cometer ato de hostilidade contra nação estrangeira, expondo a República ao perigo da guerra, ou comprometendo-lhe a neutralidade”. Endossaram a ofensiva até mesmo deputados de partidos que têm ministérios na Esplanada.
O terceiro ato que movimentou a oposição foi a nota técnica sobre o aborto baixada pelo Ministério da Saúde. Revogada logo depois de sua publicação, o documento propunha mudar o prazo dos abortos legais de 21 semana para 9 meses.
A repercussão foi a pior possível porque, além de resgatar uma pauta adormecida desde setembro, quando Rosa Weber deu um voto para legalizar o aborto em sua despedida do STF, o governo também fez uma confissão pública de culpa ao dizer que a peça não tinha passado por todas as instâncias necessárias. Ou seja, a própria ministra Nisia Trindade poderia nem sequer ter sido avisada sobre o teor da nota.
Nísia já vinha se tornando alvo prioritário para os opositores de Lula pela disputa de cargos do Ministério da Saúde nos estados e por conta da situação da dengue no país. O orçamento da pasta é um dos maiores, com mais de R$ 200 bilhões no caixa em 2024.
Mesmo revogada, a nota técnica gerou tamanha repercussão que o próprio presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), chegou a tratar do assunto com representantes da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
Sem querer, o governo acabou ofuscando a nova fase da carreira de Lewandowski, a saga internacional de Lula se apresentando como mediador de conflitos no Sul Global e os esforços da Saúde no combate à dengue.
Aliados do presidente poderiam dizer que as declarações sobre Israel tiveram impacto calculado, que a fuga de Mossoró foi consequência de um sistema herdado em frangalhos e que a nota do aborto foi um equívoco pontual rapidamente corrigido.
O problema é que não dá para voltar atrás e, em um ano em que o governo tem pressa pra aprovar medidas cruciais, ter a oposição unida em atacá-lo pode ser um revés pesado. Faltam apenas quatro meses e meio para o recesso parlamentar do meio do ano — que será emendado com o início das campanhas nas cidades para as eleições –, quando Brasília deve funcionar em operação tartaruga, como de costume.
Ou o governo se concentra em não errar ou pode ficar difícil para recuperar o tempo perdido.
Deltan Dallagnol, ex-procurador e atual pré-candidato do partido Novo à prefeitura de Curitiba, marcou o aniversário de 10 anos da Operação Lava Jato visitando o triplex do Guarujá, local envolvido em investigações relacionadas ao ex-presidente Lula. Em suas redes sociais, Dallagnol compartilhou sua presença no local e fez declarações sobre o impacto da operação.
“Pessoal, olhem onde a gente está. Este aqui é o triplex do Guarujá do Lula que me custou mais de 100.000 reais de multa por fazer o meu trabalho”, disse Dallagnol, acrescentando que, apesar das condenações em três instâncias da Lava Jato, o STF anulou as sentenças contra Lula.
Ao mencionar o aniversário da Lava Jato, Dallagnol destacou que a operação foi a primeira no Brasil a causar temor em políticos corruptos. No entanto, ele expressou descontentamento, afirmando que atualmente esses políticos não temem serem presos devido à decisão do STF de, segundo ele, abraçar a impunidade no país.
Quanto à sua pré-candidatura à prefeitura de Curitiba, o partido Novo enviou um comunicado a institutos de pesquisa solicitando a inclusão exclusiva de Dallagnol como pré-candidato. Cassado em maio passado, Dallagnol perdeu seu mandato com base na Lei da Ficha Limpa, mas a decisão do TSE não mencionou se ele estaria impedido de concorrer nos próximos oito anos.
A incerteza sobre sua elegibilidade levou o Novo a oficializar sua pré-candidatura para avaliar se será impugnada. Caso isso ocorra, outros nomes, como Fernanda Dallagnol, esposa do ex-deputado, e as vereadoras Amália Tortato e Indiara Barbosa, estão prontos para entrar na disputa.
O partido Novo tem investido no capital político de Deltan Dallagnol para impulsionar o número de filiados e anunciar seus pré-candidatos, visando o crescimento nas eleições municipais. Desde a perda do direito ao tempo de televisão em 2023, o partido tem se mantido com recursos do fundo partidário e espera que as eleições municipais contribuam para seu fortalecimento.
As razões que tornaram o PL o maior partido do Brasil estão sendo apresentadas em comerciais veiculados no rádio e na tevê. Deputados e filiados destacam, nas inserções do horário político na mídia, as prioridades da legenda, como a política de menos impostos e mais empregos, executada com sucesso na gestão do presidente Jair Bolsonaro.
A segurança pública, que teve os índices de violência reduzidos no período em que o líder do PL estava na presidência da República, é outra bandeira identificada com a legenda exposta nos comerciais, criados pelo marqueteiro Bruno Cartaxo.
O intenso trabalho do partido de atrair as mulheres a participarem da política também ganhou espaço nas inserções. A presidente estadual do PL mulher, a deputada federal Roberta Roma, assinala a importância do maior engajamento num país onde prepondera a população feminina.
Para o presidente do PL Bahia, João Roma, os comerciais ratificam a grandeza de um partido que elegeu 99 deputados federais porque, quando teve a chance de governar o país com o presidente Jair Bolsonaro, não enganou o povo. “Assumiu a responsabilidade de trabalhar pela solução dos problemas brasileiros”.
A centenária revista britânica The Economist, com linha editorial liberal-progressista e historicamente simpática a Lula, criticou os polêmicos posicionamentos do presidente do Brasil nos últimos dias e suas consequências nas relações internacionais do país.
A recente matéria “Gafes de Lula ofuscam brilho do Brasil no G20” mostra claramente que Lula, a despeito do que dizem analistas e influenciadores alinhados, não está agradando internacionalmente. Na impossibilidade de justificar o injustificável, como a absurda comparação da guerra em Gaza com o Holocausto, os aliados de Lula optaram por relativizar e minimizar as declarações, enquanto dobram a aposta nos ataques verbais a Israel. Não está funcionando.
O tom da crítica da The Economist, que serve de voz para o sentimento majoritário das elites mundiais, ainda é leve e amistoso, classificando as diatribes incendiárias de Lula como “gafes”, mas o texto traz diversos avisos e recados para o Brasil que, segundo a matéria, ainda não decidiu “que país quer ser”.