O Parlamento Europeu, único órgão da União Europeia cujos membros são escolhidos por voto direto, tem suas sedes em Estrasburgo e Bruxelas. Ele é o representante dos interesses de aproximadamente 450 milhões de cidadãos dos 27 países-membros do bloco, constituindo o segundo maior eleitorado entre as nações democráticas, perdendo apenas para a Índia.
Segundo informações da Folha de S. Paulo, a formação do Parlamento Europeu ocorre por meio de eleições realizadas a cada cinco anos desde 1979. No ano de 2024, serão eleitos 720 membros, tornando-o o maior Parlamento do mundo, superado apenas pelo Bundestag, na Alemanha.
No entanto, a distribuição de assentos não é proporcional à população de cada país: um eurodeputado alemão representa cerca de 850 mil pessoas, enquanto um eurodeputado de Malta representa apenas cerca de 70 mil.
Os eurodeputados se agrupam em bancadas supranacionais de acordo com ideologias e objetivos políticos específicos. Atualmente, a maior bancada é a dos democratas-cristãos, de orientação conservadora, com 176 membros. Em seguida, vêm os social-democratas, com 144 membros, e os liberais, com 102 assentos. Existem ainda verdes (71), ultradireitistas (64), conservadores nacionalistas (64) e esquerdistas (38).
O Parlamento Europeu tem como funções a aprovação de leis propostas pelo Conselho Europeu para todos os 27 Estados-membros. Além disso, o Parlamento pode aprovar, modificar ou rejeitar leis que vêm da Comissão Europeia, o órgão executivo da UE.
No que diz respeito ao controle orçamentário, o Parlamento decide sobre o Orçamento da UE, em conjunto com o Conselho, e supervisiona a execução dos gastos planejados, garantindo que o dinheiro do bloco seja usado de maneira eficiente e transparente. No entanto, o órgão não tem poder para criar novos impostos.
Em termos de controle democrático, o Parlamento fiscaliza as demais instituições europeias, especialmente a Comissão Europeia, podendo exigir explicações de seus representantes ou até mesmo forçá-los a renunciar por meio de uma moção de censura.
Macron disse que a ascensão de nacionalistas é um perigo para a Europa. “O resultado das eleições da União Europeia não é bom resultado para o meu governo”, afirmou o presidente.
“Decidi devolver-vos a escolha do nosso futuro parlamentar através da votação. Estou, portanto, dissolvendo a Assembleia Nacional.”
A nova votação acontecerá em dois turnos, em 30 de junho (1º turno) e 7 de julho (2º turno).
As eleições para o Parlamento Europeu deste ano revelaram uma mudança significativa para a direita em várias partes da Europa. Com um eleitorado de aproximadamente 370 milhões de pessoas convocadas para votar, a direita conservadora conquistou ganhos notáveis em vários países, enquanto os partidos de esquerda enfrentaram perdas significativas.
França: A vitória da direita
Jordan Bardella, candidato de direita, obteve entre 31,5% e 32,4% dos votos, praticamente o dobro do alcançado pelo partido do presidente Emmanuel Macron, que ficou em segundo lugar com apenas 15,2% dos votos. Os socialistas ficaram em terceiro lugar com cerca de 14%. A direita francesa conquistará entre 29 e 30 cadeiras no Parlamento Europeu.
Alemanha: A direita em segundo lugar
O partido conservador (CDU e CSU) ficou em primeiro lugar com entre 29,5% e 30% dos votos. O partido social-democrata (SPD) do chanceler Olaf Scholz obteve apenas 14%, ficando em terceiro lugar. O partido de direita Alternativa para a Alemanha (AfD) conquistou entre 16% e 16,5% dos votos, posicionando-se em segundo lugar.
Espanha: Conservadores e direita em ascensão
O Partido Popular (PP) liderou com 32,4% dos votos, conquistando entre 21 e 23 cadeiras. O Partido Socialista obteve entre 20 e 22 cadeiras com 30,2% dos votos. O partido de direita Vox deve conquistar entre 6 e 7 cadeiras com 10,4% dos votos. Um novo partido de direita, Se Acabó la Fiesta, deve entrar no Parlamento Europeu com entre 2 e 3 cadeiras (3,9% dos votos).
Áustria: Vitória da direita
O Partido da Liberdade da Áustria (FPÖ), de direita, venceu com 27% dos votos, conquistando seis cadeiras no Parlamento Europeu. O Partido Popular Austríaco (ÖVP) ficou em segundo lugar com 23,5% dos votos, garantindo cinco cadeiras. O Partido Social-Democrata (SPÖ) e os Verdes conquistaram cinco e duas cadeiras, respectivamente.
Contexto e Implicações
Os resultados indicam uma transformação importante na política europeia, apontando para um Parlamento Europeu mais dividido e possivelmente menos inclinado a políticas progressistas. As questões econômicas e geopolítica, particularmente relacionadas ao conflito na Ucrânia, à migração e ao custo de vida, parecem ter estimulado o suporte a partidos de direita.
A eleição também pode enfraquecer líderes de centro-esquerda como Olaf Scholz na Alemanha e Emmanuel Macron na França, que enfrentaram derrotas significativas. Essa mudança de poder pode ter implicações duradouras para a política europeia, incluindo uma possível resistência a medidas ambientais mais rigorosas e um foco maior em políticas de imigração restritivas.
Em 5 de junho, o presidente da Argentina, Javier Milei, anunciou a demissão de mais de 50 mil funcionários públicos como parte de seu plano de ajuste das contas do Estado.
Durante o 10º Fórum Empresarial Latino-americano em Buenos Aires, Milei enfatizou sua determinação em manter o equilíbrio fiscal, vetando qualquer modificação legislativa que ameace esse objetivo.
Milei justificou a medida como uma busca pela “ordem” nas finanças do país, reduzindo o déficit em sete pontos percentuais do PIB argentino. Ele também destacou a necessidade de eliminar os passivos remunerados do Banco Central e as opções de venda para resolver questões relacionadas à taxa de câmbio.
Após a aprovação da reforma da previdência na Câmara dos Deputados, Milei reiterou sua postura firme em relação ao equilíbrio fiscal, afirmando que vetará qualquer tentativa de rompê-lo, independentemente das pressões políticas.
A decisão do governo de reduzir o quadro de servidores públicos foi alvo de críticas dos sindicatos ligados ao peronismo, que se mobilizaram contra a medida.
O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, anunciou nesta terça-feira (4) novas medidas para impedir a entrada ilegal de imigrantes pelo México. Atualmente, quem entra ilegalmente pode solicitar asilo se provar perseguição ou fuga de conflito. No entanto, as novas regras restringem a concessão de asilo para quem cruza a fronteira ilegalmente, exceto em condições especiais. Se o número de imigrantes cair para 1.500 por dia, a nova regra será temporariamente suspensa. Se subir para 2.500 por dia, em média, durante uma semana, a regra será reativada.
Biden explicou que a intenção é reduzir o fluxo de imigrantes para que o sistema dos EUA consiga gerenciar os pedidos. Quem tem uma entrevista formal agendada ainda poderá receber asilo, enquanto os demais poderão ser deportados em questão de dias ou até horas, sendo enviados de volta ao país de origem ou ao México.
Impacto no Brasil
Essas medidas afetarão os brasileiros que tentam entrar ilegalmente nos EUA. Segundo o Departamento de Segurança Interna dos EUA (DHS), 230 mil brasileiros entraram ilegalmente no país, colocando o Brasil em 8º lugar no ranking das nacionalidades com maior número de imigrantes não autorizados em 2022.
Ranking de imigrantes ilegais nos EUA em 2022:
México: 4,8 milhões
Guatemala: 750 mil
El Salvador: 710 mil
Honduras: 560 mil
Filipinas: 350 mil
Venezuela: 320 mil
Colômbia: 240 mil
Brasil: 230 mil
Índia: 220 mil
China: 210 mil
Deportação para o México ou Brasil
Desde que Biden assumiu, há um acordo entre EUA e México para que parte dos imigrantes ilegais seja devolvida ao México, mesmo se não forem mexicanos. No entanto, o México prefere receber pessoas da América Central, como cubanos, haitianos e venezuelanos. Por isso, os EUA precisam deportar rapidamente imigrantes de outras nacionalidades, como brasileiros, enfrentando desafios logísticos para acomodá-los e organizar voos de deportação.
Medida mais drástica de Biden
A nova medida de Biden, a mais radical em sua política migratória até agora, visa atrair eleitores insatisfeitos com o aumento de imigrantes. Implementada por meio de uma ordem executiva, a medida só pode ser derrubada judicialmente. No início de seu mandato, Biden reabriu as fronteiras com o México, fechadas por Trump durante a pandemia, e congelou as deportações.
As ações só entrarão em vigor quando o número de chegadas na fronteira sul exceder a capacidade de recebê-las. A Casa Branca argumenta que o pacote “facilitará a imigração legal para remover aqueles sem base legal” para entrar no país.
A ordem executiva será assinada nesta tarde em uma cerimônia na Casa Branca com a presença de prefeitos, incluindo republicanos, de cidades fronteiriças no Texas. Essa é a segunda tentativa de Biden de regular a imigração nas fronteiras com o México. A primeira tentativa, um acordo bipartidário, não foi aprovada após deputados republicanos desistirem a pedido do ex-presidente Donald Trump.
A opinião pública sobre a entrada de imigrantes mudou após o recorde histórico de chegadas em dezembro de 2023, com cerca de 250 mil pessoas tentando entrar nos EUA pelo México. Esse número caiu pela metade em abril deste ano, mas Biden quer evitar um aumento até as eleições de novembro.
A candidata governista Claudia Sheinbaum é a primeira mulher presidente do México após obter entre 58,3% e 60,7% dos votos nas eleições deste domingo (2), segundo a contagem preliminar do Instituto Nacional Eleitoral do México (INE), em comparação com uma faixa entre 26,6% e 28,6% da sua principal adversária, a oposicionista Xóchitl Gálvez.
O candidato do opositor Movimento Cidadão, Jorge Álvarez Máynez, deve receber entre 9,9% e 10,8% dos votos, segundo a presidente do INE, Guadalupe Taddei.
A contagem rápida do INE é a primeira apuração formal do órgão autônomo, que se baseia “em uma amostra estatística representativa” de 5.651 centros de votação com um nível de confiança de “ao menos 95%”, o que permite “uma projeção robusta” de quem vai ganhar.
– Quero enfatizar que estes resultados são preliminares, tal como os que estão sendo divulgados através do Programa de Resultados Eleitorais Preliminares (PREP) e estão sujeitos à confirmação das contagens distritais que terão início na próxima quarta-feira, dia 5 de junho – esclareceu a chefe do INE.
Desta forma, Sheinbaum, ex-chefe do Governo da Cidade do México (2018-2023), se tornará a sucessora do atual presidente, Andrés Manuel López Obrador, no dia 1° de outubro. Cientista de 61 anos, ela foi secretária de Meio Ambiente do Distrito Federal (2000-2006) quando Obrador era chefe de governo da capital.
O INE estimou uma participação entre 60% e 61,5% nas eleições deste domingo, as maiores da história do país, com mais de 98 milhões de pessoas que foram chamadas a renovar cargos como a presidência, os 500 deputados e os 128 senadores. A campanha eleitoral para estas eleições, por outro lado, foi a mais violenta da história do México, com ao menos 30 candidatos assassinados.
O ex-promotor federal americano Elie Honig publicou um artigo intitulado “Trump foi condenado — mas os promotores distorceram a lei” na New York Magazine nesta sexta-feira, 31. No texto, Honig analisa que, apesar da condenação de Donald Trump ser justa do ponto de vista do júri, o processo apresentou várias falhas estruturais e legais.
Honig inicia mencionando sua experiência como promotor, ressaltando a importância de respeitar o veredito do júri: “O veredito do júri é sacrossanto. Se uma condenação é favorável, os promotores não comemoram, nem mesmo discretamente. E quando o veredito é desfavorável, não lamentamos. Qualquer reação emocional desrespeitaria o juiz, o júri e, principalmente, a pessoa cuja liberdade estava em jogo.”
Ele reconhece o esforço e a seriedade do júri que condenou Trump: “o júri de nova-iorquinos que considerou o ex-presidente Donald Trump culpado em todas as 34 acusações fez seu trabalho e o fez bem.” Honig destaca que o júri foi dedicado e atento durante as seis semanas de testemunhos, merecendo respeito por sua atuação.
No entanto, Honig argumenta que a condenação de Trump não elimina os problemas fundamentais do caso. Ele afirma que “uma vitória não justifica um caso mal fundamentado”. Critica a parcialidade do juiz, que fez uma doação de US$ 35 para uma organização política anti-Trump, e a postura do promotor Alvin Bragg, que fez campanha prometendo processar Trump.
“O juiz doou dinheiro — uma pequena quantia, US$ 35, mas em clara violação de uma regra que proíbe juízes de Nova York de fazer doações políticas de qualquer tipo. […] Bragg, bizarra e falsamente, se gabou na campanha, ‘É um fato que processei Trump mais de 100 vezes.’”
A principal crítica de Honig recai sobre a estrutura legal do caso: “as acusações contra Trump estendem os limites da lei e do devido processo. Isso não é culpa do júri. É culpa dos promotores que escolheram trazer o caso e do juiz que permitiu que ele se desenrolasse dessa maneira.” Ele aponta que as acusações de falsificação de registros comerciais, comuns em casos de fraude, foram infladas para se enquadrarem em um crime mais grave e contornar a prescrição.
Honig destaca a singularidade e a complexidade das acusações: “nenhum promotor estadual — em Nova York, ou Wyoming, ou qualquer lugar — jamais acusou leis eleitorais federais como um crime estadual direto ou subjacente, contra qualquer pessoa, por qualquer coisa. Nenhum. Nunca.” Ele explica que, para aumentar a gravidade das acusações de falsificação de registros comerciais, que por si só seriam apenas contravenções, os promotores alegaram que Trump cometeu esse crime com a intenção de cometer outro crime, sem especificar claramente quais eram esses crimes até o final do julgamento.
Honig conclui que o caso contra Trump foi construído de maneira artificial e pode ser revertido após apelação: “em certos aspectos chave, as acusações contra Trump não são apenas incomuns. Elas são sob medida, aparentemente criadas individualmente para o ex-presidente e para mais ninguém.”
Quem é Elie Honig
Elie Honig é um ex-promotor federal americano, conhecido por seu trabalho na Procuradoria do Distrito Sul de Nova York, onde lidou com casos de crime organizado. Além de seu trabalho como promotor, Honig é autor de livros sobre justiça criminal e comentarista em diversos veículos de mídia, incluindo a CNN. Ele também contribui regularmente para o New York Magazine e outros meios de comunicação, oferecendo análises detalhadas sobre temas legais e políticos.
Candidata do atual presidente Andrés Manuel López Obrador obteve entre 58,3% e 60,7% dos votos
Claudia Sheinbaum deve ser a primeira mulher presidente do México | Foto: Fotos Públicas
No México, Claudia Sheinbaum, da coligação Sigamos Haciendo Historia (centro-esquerda), foi projetada como a nova presidente, de acordo com a contagem preliminar de votos divulgada pelo Instituto Nacional Eleitoral (INE) na madrugada desta segunda-feira, 3.
A candidata do atual presidente, Andrés Manuel López Obrador, obteve entre 58,3% e 60,7% dos votos. Em segundo lugar, ficou Xóchitl Gálvez, da coligação Fuerza y Corazón por México (centro), com 26,6% a 28,6% dos votos.
Se confirmada a projeção, Sheinbaum será a primeira mulher a governar o México.
“Pela primeira vez em 200 anos de República, haverá uma mulher presidente e será transformador”, escreveu a presidente eleita em post no X/Twitter. “Obrigada a cada mexicano. Hoje demonstramos com o nosso voto que somos um povo democrático”, completou.
Por primera vez en 200 años de la República, habrá una mujer presidenta y será transformadora. Gracias a todas y todos los mexicanos. Hoy demostramos con nuestro voto que somos un pueblo democrático. Les invito a seguir la transmisión.#EnVivohttps://t.co/kjKUkFOQnf
— Dra. Claudia Sheinbaum (@Claudiashein) June 3, 2024
Em pronunciamento, o presidente López Obrador celebrou a vitória.
“Hoje é um dia de glória, porque o povo do México decidiu livre e democraticamente que Claudia Sheinbaum se tornaria a primeira mulher presidente em 200 anos de vida independente da nossa República. Parabéns a todos nós que temos a alegria de viver nestes tempos estelares de orgulho e transformação”, disse.
Quem é Claudia Sheinbaum
Nascida em 24 de junho de 1962 na Cidade do México, Claudia Sheinbaum Pardo, de 61 anos, vem de uma família de cientistas judeus. Ela é apoiada por López Obrador, que não pode se reeleger, e faz parte do Movimento Regeneração Nacional (Morena), partido que lidera a coligação Sigamos Haciendo Historia, juntamente com o Partido del Trabajo (PT) e Partido Verde Ecologista do México (PVEM).
Sheinbaum tem uma sólida carreira acadêmica, formada em física, com mestrado e doutorado em engenharia energética pela Universidade Nacional Autônoma do México (Unam). Seu trabalho em questões ambientais trouxe reconhecimento e oportunidades em projetos de sustentabilidade e mudança climática.
Carreira política
Iniciou sua trajetória política em 2000 como secretária do Meio Ambiente da Cidade do México, no governo de López Obrador. Em 2015, foi eleita delegada de Tlalpan, promovendo segurança e desenvolvimento urbano sustentável. Em 2018, tornou-se a primeira mulher chefe de governo da Cidade do México, focando mobilidade urbana, sustentabilidade, segurança pública e igualdade de gênero, enfrentando desafios como a pandemia de covid-19.
Neste ano, Sheinbaum lançou sua candidatura à Presidência ao propor a continuidade das políticas de López Obrador. Na segurança, defende o reforço da Guarda Nacional, criada pelo presidente para combater a violência e a criminalidade.
Sheinbaum também enfatiza a manutenção da “austeridade republicana”, política de López Obrador que busca reduzir gastos públicos, combater a corrupção e promover a eficiência governamental. Isso inclui cortes em despesas operacionais do governo, como veículos oficiais, viagens, telefonia e outros serviços administrativos.
Ela ainda defende o aumento dos gastos sociais e investimentos públicos para erradicar a pobreza e reduzir a desigualdade.
Desafios econômicos e de segurança no México
Na economia, Sheinbaum enfrenta o desafio do nearshoring, aproximando a produção dos consumidores nos EUA, um movimento impulsionado pela tensão entre Washington e Pequim.
A segurança pública também é um desafio para Sheinbaum, que herda o sexênio com mais homicídios da história mexicana, apesar de uma ligeira queda no último ano. López Obrador apostou na militarização, aumentando o poder e os recursos dos militares, que controlam aeroportos e obras de infraestrutura.
A imigração é outra questão crucial, com um aumento significativo no número de pessoas que tentam cruzar a fronteira para os EUA. O México prendeu 481 mil imigrantes entre janeiro e abril deste ano, um aumento de 230% em relação ao mesmo período de 2023.
A ex-senadora Xóchitl Gálvez, que representava uma coalizão de oposição, foi derrotada. Mesmo com a promessa de continuidade de Sheinbaum, a analista Sofía Fuentes acredita que a nova presidente deve operar um “governo descafeinado”, com maior abertura privada e menos ataques a opositores.
O México tem altos índices de violência contra a mulher. Sheinbaum defende a retirada do agressor da casa da família e apoio financeiro mensal para mulheres de 60 a 64 anos. Durante o domingo, a votação ocorreu com relativa tranquilidade em algumas regiões, mas com casos de violência armada em outras.
Antes que 12 cidadãos de Nova York rotulassem Donald Trump como criminoso, um júri diferente, reunido no suntuoso Hotel Pierre na Quinta Avenida, chegou ao seu próprio veredicto. Mesmo que o júri do Tribunal Criminal de Manhattan considerasse o ex-presidente culpado das acusações, os abastados de Wall Street concluíram que ele ainda seria a escolha deles para a Casa Branca, segundo informações do jornal O Globo. Essa reunião, 16 dias antes do veredicto histórico de quinta-feira, revelou o cálculo frio que está agora em jogo no mundo financeiro dos EUA.
Desde apoiadores de longa data até relutantes aliados circunstanciais, um número crescente de figuras proeminentes no mundo dos negócios e das finanças dos EUA está abraçando a possibilidade de um retorno de Trump, sem se importar com a condenação criminal.
— Este veredicto terá menos que zero impacto no meu apoio — disse Omeed Malik, presidente da 1789 Capital e coanfitrião da arrecadação de fundos para Trump no Hotel Pierre, enquanto processava a notícia da condenação. Ecoando o ex-presidente e os líderes republicanos, Malik caracterizou todo o julgamento como uma instrumentalização do sistema legal.
Alguns financiadores que abandonaram Trump depois da invasão do Capitólio em 6 de janeiro de 2021 estão agora apoiando o republicano novamente. Um grande motivo, em uma palavra: dinheiro. Trump prometeu cortar impostos para os ricos e eliminar regulamentações, enquanto o presidente Joe Biden quer o oposto.
A arrecadação de fundos no hotel, organizada pelo bilionário Howard Lutnick, atraiu as classes altas de Manhattan mesmo enquanto o julgamento histórico de Trump se desenrolava. Malik duvidava que o veredicto de culpado mudasse a opinião de uma única pessoa que estava lá — ou as mentes de muitos outros.
Menos de duas semanas após essa reunião, Stephen Schwarzman, magnata de private equity e doador republicano, anunciou que novamente apoiava Trump. O cofundador da Blackstone Inc. está entre as 40 pessoas mais ricas do mundo, com uma fortuna de US$ 41 bilhões (R$ 213,5 bilhões).
Na quinta-feira, antes do veredicto repercutir, o investidor bilionário Bill Ackman demonstrou inclinação para apoiar o ex-presidente. Em uma postagem no X (antigo Twitter), Ackman repercutiu um tuíte de Ron DeSantis sugerindo que o sistema judicial americano havia sido cooptado para objetivos políticos. Afirmações semelhantes repercutiram nas redes sociais.
Os acontecimentos e seu momento ressaltam a mudança na dinâmica entre Trump e alguns dos líderes financeiros do país. Em nenhum lugar isso é mais aparente do que em Manhattan, onde Trump se lançou em busca de fama e fortuna. Agora, a apenas cinco meses das eleições, as promessas de Trump em matéria de impostos e regulamentação estão conquistando os executivos, apesar de sua condenação no primeiro julgamento criminal de um presidente dos EUA na História do país.
— Wall Street nunca foi conhecida por seu caráter e valores elevados — disse Dan Lufkin, cofundador do banco de investimento Donaldson, Lufkin & Jenrette. — Existe vontade de apoiar Trump se parecer que ele está no caminho certo? Sim. Não tenho orgulho disso e também não faço parte disso.
Após dois dias de deliberação, o júri considerou Trump culpado de falsificar registros comerciais para ocultar um pagamento clandestino a uma estrela pornô. O veredicto coroou um julgamento de sete semanas repleto de escândalos.
Trump, o presumível candidato do Partido Republicano, entra agora na reta final de uma corrida à Casa Branca com uma marca que poria fim à carreira de praticamente qualquer outro candidato presidencial. Previsto para ser sentenciado pouco antes da convenção do partido, ele certamente apelará. A forma como os eleitores reagirão é incerta.
Mas os apoiadores do ex-presidente já começaram a se unir em torno dele. Na verdade, Trump capitalizou seus problemas legais para angariar dinheiro de doadores abastados. Sua campanha arrecadou US$ 25 milhões (R$ 130 milhões) a mais do que Biden em abril.
Poucos minutos após o veredicto, a campanha de Trump divulgou um e-mail de arrecadação de fundos caracterizando o ex-presidente como um “prisioneiro político” e questionando: “Será este o fim da América?” Scott Bessent, ex-diretor de investimentos da Soros Fund Management, disse estar “pessoalmente decepcionado” com o veredicto, mas não acha que isso terá importância em novembro.
Mesmo alguns líderes de Wall Street que anteriormente atacaram Trump moderaram suas atitudes. Jamie Dimon, em uma reunião de ex-alunos do JPMorgan Chase & Co. na Morgan Library & Museum, destacou que o ex-presidente teve 74 milhões de votos em 2020 e enfatizou a necessidade de respeitar isso.
Privadamente, os apoiadores de Trump em Wall Street insistem que se trata de mais do que dinheiro. Alguns apontam para o que consideram uma tolerância crescente ao antissemitismo entre os Democratas progressistas. Outros queixam-se de que os progressistas com uma visão negativa do capitalismo cooptaram Biden e o Partido Democrata. Outros ainda temem que Biden, de 81 anos, seja velho demais para ser presidente (Trump tem 77 anos).
O sentimento amargo em relação a Biden deixa pessoas como Whitney Tilson, que dirigia a Kase Capital Management, perplexas.
— Para as pessoas no ramo de investimentos, a Presidência de Joe Biden foi extraordinariamente boa — disse Tilson. — É realmente intrigante para mim como as mesmas pessoas que obtiveram resultado melhor sob Joe Biden parecem ser as mais insatisfeitas com essa Presidência.
O setor financeiro não tem falta de oportunistas. E Tilson suspeita que isso se estende aos apoiadores de Trump nos escalões superiores da comunidade empresarial.
— Eles concluíram que Trump vai vencer — disse Tilson. — E se ele for o próximo presidente, então é do interesse deles apoiá-lo desde o início.
“E acho que é uma vergonha”, disse a jornalistas depois da decisão da Corte. “E continuaremos lutando — lutaremos até o fim e venceremos, porque nosso país foi para o inferno.”
Trump disse ainda que os Estados Unidos não são o mesmo país e que se tornaram “uma bagunça dividida”. “Somos uma nação em declínio, em sério declínio”, acrescentou.
O ex-presidente foi condenado por ocultar o pagamento de US$ 130 mil (R$ 675 mil) para a atriz pornô Stormy Daniels. O caso teria acontecido na reta final das eleições de 2016, e o objetivo do republicano seria comprar o silêncio da artista. A sentença foi anunciada nesta quinta-feira, 30.
Trump foi considerado culpado de forma unânime em 34 acusações criminais. É a primeira vez que um presidente norte-americano é condenado criminalmente. A pena será determinada pelo juiz Juan Merchan nos próximos dias.
“Este foi um julgamento fraudado por um juiz em conflito que era corrupto, um julgamento fraudulento e uma vergonha”, disse.
Ele afirmou ainda que o verdadeiro veredito será dado pelo povo em 5 de novembro.
“Não fizemos nada de errado”, acrescentou. “Sou um homem muito inocente. E está tudo bem. Estou lutando pelo nosso país. Estou lutando pela nossa Constituição. Todo o nosso país está sendo fraudado agora.”
O ex-presidente acrescentou ainda que os Estados Unidos estão passando por “grandes apuros”.
“Milhões e milhões de pessoas estão entrando em nosso país neste momento, vindas de prisões e de instituições mentais, terroristas”, afirmou. “E estão assumindo o controle de nosso país.”
“Isto ainda está longe de acabar”, concluiu Trump.
Trump foi julgado e condenado por 34 crimes leves no Estado de Nova York, classificados na “categoria E”. As penas previstas variam, com máximo de quatro anos.
Essa condenação marca a primeira vez que Trump é criminalmente responsabilizado. Considerando sua idade, 77 anos, e seu histórico como ex-presidente, é improvável que ele vá para a prisão.
Nos Estados Unidos, discute-se a possibilidade de Donald Trump conceder um perdão presidencial a si mesmo caso seja eleito novamente. Contudo, juridicamente, não está claro se isso é viável. Como a condenação ocorreu na Justiça de Nova York, caberia ao governador do Estado conceder um perdão.
Donald Trump teria comprado o silêncio de atriz pornô
A promotoria, liderada por Alvin Bragg, afirmou que Trump cometeu interferência eleitoral em 2016 ao “comprar o silêncio” de Stormy Daniels na reta final da campanha para presidente naquele ano. Trump, do Partido Republicano, venceu Hillary Clinton, do Partido Democrata.
Trump e assessores tinham um acordo com David Pecker, diretor da revista National Enquirer, para ajudar o republicano na campanha eleitoral de 2016. O jornalista afirmou que pagou para “capturar e matar” histórias ruins para Trump.
O esquema funcionava assim: surgindo uma fonte com notícia negativa, o National Enquirer pagava pela exclusividade, mas não a publicava.
Stormy Daniels afirmou ter tido uma relação sexual com Trump em 2006, depois de um torneio de golfe. Ele nega o ocorrido. A atriz pornô relatou que conheceu o ex-presidente em julho de 2006 e que ele a convidou para jantar em sua suíte.
O ex-presidente ainda é réu por tentar se manter no poder ilegalmente depois de perder para Joe Biden, em 2020. A invasão do Congresso dos EUA em 6 de janeiro de 2021 foi parte dessa campanha. Ainda não há data marcada para o julgamento.
Ele é acusado de tentar reverter o resultado da eleição na Geórgia. Depois de deixar o governo, Trump levou documentos sigilosos e não os devolveu, sendo processado criminalmente por isso. Os julgamentos dos casos ainda não foram marcados.