Segundo pesquisa de intenção de voto do instituo Sienna e do “The New York Times”, 49% dos entrevistados pretendem votar em Trump, e outros 43%, em Biden. Mais cedo, Joe Biden disse que permanecerá na disputa.
Donald Trump e Joe Biden em debate presidencial, em 27 de junho de 2024 — Foto: Gerald Herbert/AP
O ex-presidente dos EUA Donald Trump ainda lidera as intenções de votos para as eleições presidenciais, e a diferença percentual para o presidente Joe Biden aumentou após a realização do primeiro debate entre os dois, de acordo com uma pesquisa publicada nesta quarta-feira (3) pelo instituto Siena e o jornal “The New York Times”.
De acordo com a pesquisa, Trump lidera agora a corrida eleitoral com 49% dos votos, ante 43% de Biden. Em relação à semana passada, antes do debate, Trump aumentou a vantagem, segundo o jornal americano: de três para seis pontos de dianteira.
Antes do debate, Trump aparecia com 48% das intenções de voto na mesma pesquisa, contra 44% de Biden. Por uma questão de arredondamento, o jornal considerou a diferença entre os dois de três pontos percentuais.
Biden e Trump concorrem às próximas eleições dos EUA, em 5 de novembro.
Na comparação com eleitores já registrados para votar, o desempenho de Biden é pior, com 41% dos votos. Trump permanece com 49% nesse caso.
A sondagem ouviu 1.532 eleitores registrados — nos EUA, é preciso fazer um registro para votar — entre os dias 28 de junho e 2 de junho. O debate entre Biden e Trump, o primeiro da corrida presidencial de 2024, aconteceu em 27 de junho.
Outra pesquisa divulgada na terça-feira (2), no entanto, pelo Instituto Ipsos e a agência de notícias Reuters, mostrou que os dois seguem empatados na disputa mesmo após o debate eleitoral. A sondagem, feita também após o debate, mostrou que Biden tinha 40% das intenções de votos e Trump, outros 40% entre os entrevistados.
A sondagem da Reuters e do Instituto Ipsos ouviu 1.070 eleitores nos EUA também após o debate.
Pressionado a desistir, Biden disse nesta quarta-feira (3) que não está pensando em abandonar a candidatura.
“Eu estou concorrendo. Eu sou o líder do Partido Democrata. Ninguém vai me forçar a sair”, disse Biden, de acordo com um assessor seu.
A Casa Branca também afirmou que o presidente “não está pensando em desistir”. Questionada em uma entrevista à imprensa na Casa Branca sobre se o presidente estava considerando a possibilidade de abandonar a corrida eleitoral, a porta-voz do governo Biden, Karine Jean-Pierre, respondeu: “Absolutamente, não!”.
Mais cedo, uma reportagem do jornal norte-americano “The New York Times” afirmou que Biden disse a aliados políticos que tem dúvidassobre se deve continuar a disputar a reeleição. Jean-Pierre negou a informação.
Segundo fontes próximas a Biden ouvidas pelo jornal, o presidente tem dúvidas sobre se poderá se reerguer após odesempenho ruim no primeiro debate eleitoralcontra o candidato republicano, o ex-presidente Donald Trump, na semana passada. Biden disse quequase adormeceu durante o enfrentamento (leia mais abaixo).
Foi a primeira vez que fontes próximas ao candidato democrata revelam dúvidas por parte de Joe Biden sobre seguir ou não com sua candidatura.
Desde o debate, membros do Partido Democrata têm pressionado para que a sigla susbtitua Biden por outro candidato, segundo a imprensa dos EUA — pelas normas do partido, o próprio candidato deve retirar sua candidatura.
No entanto, Biden tem indicado que não desistirá da corrida à Casa Branca, embora já tenha admitido não ter ido bem no debate.
Os aliados do presidente ouvidos pelo The New York Times disseram também que Biden continua fortemente empenhado em tentar a reeleição, ainda segundo o jornal, mas sabe que pode ser difícil se recuperar após o debate.
Segundo outra reportagem, da agência de notícias Bloomberg, também publicada nesta quarta-feira, um grupo de deputados do Partido Democrata está considerando fazer uma carta conjunta pedindo que Biden desista da disputa. O presidente terá uma reunião nesta tarde com deputados democratas em Washington.
Na terça-feira (2), pela primeira vez, um deputado democrata defendeu abertamente a retirada do candidato do partido. Também na terça, umasondagem feita pela agência de notícias Reuters em parceria com o instituto de pesquisas Ipsos revelou que um em cada três eleitores democratas acha que Joe Biden deveria desistir de concorrer à presidência dos EUA.
A sondagem, que ouviu 1.070 pessoas em todo os EUA durante dois dias após o debate, também mostrou que a ex-primeira-dama Michelle Obama seria a única a vencer Donald Trump em um hipotético confronto, entre os nomes levantados para substituir Biden como candidato democrata.
Na tarde desta quarta, o presidente dos EUA se reunirá em Washington com uma série de deputados do Partido Democrata.
Na noite de terça-feira, Biden atribuiu ao jet lag — como é chamado o distúrbio que costuma acometer quem faz viagens longas com diferenças de fuso horário — o mau desempenho no debate.
Dias antes do entrentar Trump diante das câmaras, o presidente havia feito duas viagens internacionais, para a França e para a Itália. Em um evento de campanha no estado da Virgínia, ele disse que ignorou apelos de sua equipe para que evitasse viagens e, como consequência, “quase adormeceu no palco” do debate.
“Decidi viajar pelo mundo algumas vezes, passando por cerca de cem fusos horários antes do debate”, disse o presidente dos EUA. “Não dei ouvidos à minha equipe e voltei e quase adormeci no palco. Isso não é desculpa, mas é uma explicação”.
Veja os democratas que podem substituir Biden na corrida eleitoral nos EUA
Com voz rouca —atribuída a um resfriado—, pouco entusiasmo e hesitante, Biden, de 81 anos, perdeu o debate da semana passada para Donald Trump, de 78 anos, apontam quase todos os analistas políticos e o próprio Partido Democrata.
Trump, candidato do Partido Republicano à Casa Branca, despejou uma série de mentiras com calma e de forma assertiva, sem ser corrigido por Biden, que se confundiu algumas vezes e se mostrou pouco reativo na maioria delas.
O criticado desempenho fez crescer uma questão de se é possível substituí-lo como candidato do Partido Democrata à presidência?
As eleições dos EUA acontecem em 5 de novembro. A convenção dos democratas, que vai confirmar Biden como candidato à reeleição, será entre 19 de agosto e 22 de agosto —daqui a menos de dois meses.
A decisão, considerada uma vitória para Trump, deve atrasar os julgamentos em curso e, assim, proporcionar-lhe um alívio temporário enquanto ele concorre novamente à presidência nas eleições de 5 de novembro.
Embora a decisão não conceda imunidade automática, ela reconhece que ex-presidentes têm o direito de solicitar essa proteção. A partir dessa orientação, os tribunais de segunda instância deverão reavaliar os três processos pendentes contra Trump para determinar se ele é, ou não, imune em cada caso específico.
Com seis votos a favor e três contra, os juízes da Suprema Corte afirmaram, pela primeira vez, que ex-presidentes podem ter imunidade absoluta em casos criminais, desde que os atos em questão tenham sido cometidos durante o exercício do cargo.
Decisão relevante para Trump
Essa decisão é relevante para o processo em que Trump é acusado de conspirar para permanecer no poder e de incentivar a invasão do Capitólio em 6 de janeiro de 2021, enquanto ainda ocupava a presidência, antes da posse de Joe Biden.
Agora, cabe aos tribunais inferiores aplicar essa nova diretriz e decidir sobre a imunidade em cada um dos casos contra Trump. Anteriormente, um tribunal de segunda instância havia rejeitado o pedido de imunidade do republicano – decisão que levou seus advogados a recorrerem à Suprema Corte.
Em sua rede social, Truth Social, Trump celebrou a decisão, chamando-a de “grande vitória para a nossa Constituição e a democracia”.
Nos processos, Trump argumenta que suas ações, como incitar a invasão do Capitólio e pressionar autoridades eleitorais na Geórgia para recontagem de votos, foram tomadas enquanto ele ainda era presidente, o que justificaria sua imunidade.
A Suprema Corte dos EUA, que possui uma maioria conservadora, incluindo três juízes indicados pelo próprio Trump, foi a responsável por essa decisão.
Vice-presidente é a preferida entre os democratas para entrar na disputa nas eleições, após debate desastroso entre Biden e Donald Trump.
Joe Biden e Kamala Harris em imagem de março de 2022 — Foto: Nicholas Kamm/AFP
Kamala Harris, vice-presidente dos EUA, está entre os nomes favoritos para a corrida presidencial, caso Joe Biden deixe a disputa. A possibilidade de substituição é aventada após o debate entre o presidente e Donald Trump, na quinta-feira (28), ter sido considerado um desastre para o Partido Democrata.
De acordo com o instituto de pesquisa Morning Consult, 30% dos democratas apoiam o nome de Kamala caso Biden seja substituído. O governador da Califórnia, Gavin Newsom, aparece em seguida, com 20%.
A vice-presidente passou boa parte do seu mandato tentando se destacar em seu papel e naturalmente se tornar a titular para a corrida à Casa Branca em 2024. No entanto, sua popularidade é relativamente baixa e seu nível de aprovação é muito próximo de Biden.
Quem é Kamala Harris
Kamala, de 59 anos, é a primeira mulher a se tornar vice-presidente dos EUA. Formada em Direito e Ciências Polícias, ela foi procuradora da cidade de São Francisco e depois do estado da Califórnia. Kamala também foi senadora pelo estado entre 2017 e 2020.
Ela chegou a se apresentar como pré-candidata à Casa Branca para as eleições de 2020 e liderou em algumas pesquisas dentro do Partido Democrata, mas perdeu apoio e desistiu da corrida por falta recursos financeiros.
Filha de mãe indiana e pai jamaicano, ela foi escolhida para integrar a chapa democrata para atrair minorias, sendo ela mulher, negra e filha de imigrantes.
A opção por Harris foi fundamental para a eleição de Biden porque funcionou como um chamariz para convencer eleitores negros a votar no pleito de 2020 e alçada a mulher politicamente mais poderosa do país.
Vice-presidente
Existia uma expectativa em relação ao seu papel no mandato de Biden. Ela era considerada a sucessora natural de Biden para as eleições de 2024, porém, seu desempenho foi abaixo do esperado e as pesquisas indicaram fraca popularidade.
Antes mesmo de completar um ano no cargo, Kamala foi considerada a vice-presidente americana mais impopular da história em 50 anos. Na ocasião, apenas 28% dos americanos aprovavam seu desempenho, tornando-a praticamente invisível.
Foram poucos os momentos que Kamala conseguiu chamar atenção para si. Ainda em 2021, a vice-presidente foi designada para ficar à frente na diplomacia com o México e países da América Central, para encontrar uma forma de diminuir o gargalo migratório na fronteira.
Em sua primeira viagem oficial para a região, durante um encontro com o presidente da Guatemala, Alejandro Giammattei, ela pediu que os migrantes “não venham” ao seu país de forma ilegal. Na ocasião, sua performance foi considerada desastrosa.
Direito ao aborto e Gaza
Ainda que com baixa popularidade, Kamala conseguiu dobrar alguns de seus críticos. Em 2022, ela se colocou como a voz da Casa Branca em defesa ao direito ao aborto.
No ano passado, durante a Conferência de Segurança de Munique, foi Kamala quem subiu o tom contra a Rússia, na guerra da Ucrânia. Foi a primeira vez que os EUA acusou abertamente a Rússia de ter cometido crimes contra a humanidade.
Em maio deste ano, a vice-presidente fez as declarações mais incisivas da liderança dos EUA ao criticar o governo de Israel. Ela direcionou sua fala a Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro israelense, para o cessar-fogo e impedir uma “catástrofe humanitária.”
Baixa popularidade
Durante seu período no cargo, Kamala não conseguiu a projeção suficiente para se alçar candidata em 2024. Uma pesquisa publicada em junho pela Redfield & Wilton Strategies indicou que a vice-presidente era desaprovada por 44% dos americanos e aprovada por 39%.
A base do Partido Democrata ainda tem resistência em relação ao seu nome por causa de seus números fracos, de acordo com o site Politico.
Ônibus com migrantes estacionam perto da casa da vice-presidente dos EUA, Kamala Harris
O partido considera qualquer um dos outros governadores para uma possível substituição, como Gavin Newsom, da Califórnia, e Gretchen Whitmer, de Michigan, mais populares que Kamala.
O que dizem os veículos dos EUA
De acordo com a revista britânica “The Economist”, Kamala seria a escolha óbvia para substituir Biden. “Infelizmente, ela não inspira confiança nos grandes democratas, e os eleitores sentem isso”.
Ainda segundo a publicação, uma sondagem recente da The Economist/YouGov sugere que ela é apenas uma opção ligeiramente mais favorável do que o presidente.
Para o site “Politico”, o maior trunfo da vice-presidente é a “realidade política”. Se Biden abandonasse a corrida presidencial, qualquer outro candidato teria desafios significativos.
“Apenas Harris, por exemplo, teria acesso aos cofres da campanha da qual já faz parte. Qualquer outro candidato enfrentaria a difícil tarefa de construir uma infraestrutura em questão de meses.”
“The Washington Post” também coloca a vice-presidente como a substituta natural. “Harris é o vice-presidente, a pessoa já escolhida pelo partido para ser o próximo na linha de sucessão à presidência. A menos que ela também tenha optado por não ser presidente, ela é a pessoa a quem a nomeação iria.”
A crise na campanha de Biden, diz o “The New York Times”, renovou o foco na vice-presidente, enquanto ela tenta acalmar os ânimos entre os democratas, defendendo o presidente.
Segundo a publicação, seu discurso de sexta-feira (28), se colocando ao lado de Biden, era “exatamente o que eles queriam ver no debate em Atlanta”, disseram democratas ao jornal.
Mudança de estratégia
Desde o início do ano, Kamala tem viajado em campanha para fortalecer a chapa e mobilizar principalmente eleitores negros, base essencial para os democratas.
Segundo o site Politico, aliados e assessores de Kamala acreditam que ela conseguiu demonstrar mais habilidade e confiança nestes últimos meses e, com isso, revigorar seu perfil.
Após o debate de quinta, Kamala fez uma defesa enfática de Biden, em uma viagem por Nevada, que chamou atenção e a colocou novamente como alternativa ao posto de candidato.
Não há planos, de acordo com seus assessores, para a vice-presidente fazer uma campanha para defender Biden.
Ela estaria focada na captação de recursos nos próximos dias, em áreas onde estará em contato com doadores, o que não deixa de ser uma oportunidade para causar boa impressão e se colocar à disposição como substituta à vaga de Biden.
Neste domingo, a França testemunhou uma reviravolta política marcante nas eleições legislativas antecipadas, com a direita conservadora emergindo como a força dominante no cenário eleitoral. De acordo com informações do Le Monde, o partido RN (Reunião Nacional), liderado por Marine Le Pen, conquistou uma vitória decisiva ao obter 34% dos votos no primeiro turno, segundo dados dos institutos de sondagem.
A performance robusta do RN coloca-o à frente da coalizão conservadora, representada pela Nova Força Popular (NFP), que alcançou 28,1% dos votos, e do campo presidencial liderado por Emmanuel Macron, que ficou com 20,3% dos votos. A taxa de participação eleitoral foi significativamente alta, estimada entre 65,5% e 69,7%, refletindo um forte engajamento dos eleitores franceses.
Emmanuel Macron, enfrentando um desafio político considerável, convocou uma “grande reunião, claramente democrática e republicana” para o segundo turno das eleições, na tentativa de consolidar apoios contra o avanço da direita conservadora. O segundo turno, marcada para o próximo domingo, será crucial para determinar a composição final da Assembleia Nacional da França.
A vitória da direita conservadora nas eleições legislativas sinaliza uma mudança significativa no equilíbrio de poder político na França, com potenciais repercussões tanto para a política interna quanto para a posição do país na arena internacional. Os resultados do segundo turno serão aguardados com expectativa, pois delineiam o curso futuro da governança e da representação parlamentar na nação europeia.
Por sua performance confusa, atual presidente enfrenta críticas e especulações sobre sua candidatura e busca reafirmar sua capacidade de liderança
Joe Biden fez discurso na Carolina do Norte depois de debate | Foto: Reprodução/Instagram
O presidente Joe Biden, em um comício em Raleigh, Carolina do Norte, depois de um debate difícil contra Donald Trump, buscou tranquilizar os eleitores democratas sobre sua capacidade para continuar na disputa presidencial,.
Segundo o O Globo, com base em agências, ele destacou sua habilidade para liderar o país e ser honesto. “Sei dizer a verdade”, afirmou o presidente de 81 anos.
Ao se dirigir para uma plateia animada, na sexta-feira, 28, Biden parecia mais enérgico do que na noite anterior, apesar de uma tosse persistente, conforme informado por seus assessores. Ele usou o tempo no palco para criticar Trump duramente, descrevendo-o como uma ameaça à democracia americana.
“Eu sei que não sou um homem jovem, para dizer o óbvio”, afirmou o presidente. “Sei que não caminho tão facilmente como antes, não falo tão bem como antes, não debato tão bem como antes, mas sei o que sei. Eu sei dizer a verdade. Dou minha palavra como Biden. Eu não estaria concorrendo novamente se não acreditasse de todo o meu coração e alma que posso fazer esse trabalho. Porque, francamente, os riscos são muito altos.”
Biden, em contraste com seu desempenho no debate, foi mais incisivo nas críticas, ao chamar Trump de “onda de crimes de um homem só”, referindo-se aos problemas legais enfrentados pelo ex-presidente. Ele reiterou que a eleição é uma escolha entre integridade e criminalidade.
Debate e acusações
Durante o debate, Trump minimizou suas questões legaise comparou sua situação à de Hunter Biden, filho do presidente, que foi condenado por mentir sobre o uso de drogas ao comprar uma arma. Trump também acusou Biden de ser um criminoso.
“O único criminoso condenado no palco ontem à noite foi Donald Trump”, disse Biden no comício. “Quando pensei em suas 34 acusações por crimes graves, sua agressão sexual a uma mulher em um lugar público e sua multa de US$ 400 milhões por fraude empresarial, pensei comigo mesmo: Donald Trump não é apenas um criminoso condenado.É uma onda de crimes de um homem só.”
A multidão respondeu com gritos de “prendam-no!”, ecoando os comícios de Trump em 2016, quando ele atacava Hillary Clinton.
Apoio da primeira-dama
A primeira-dama, Jill Biden, iniciou o comício com elogios ao desempenho do presidente no debate, apesar das preocupações dos democratas. “Não há ninguém que eu preferisse ter no Salão Oval agora além do que meu marido”, afirmou ela.
“O que vocês viram ontem à noite no palco do debate foi Joe Biden, um presidente com integridade e caráter, que disse a verdade. E Donald Trump falou mentira atrás de mentira atrás de mentira.”
O discurso de Biden, que durou cerca de 15 minutos, foi recebido com aplausos e gritos. Ele deixou o palco ao lado de Jill, acenando para a plateia. Entretanto, o pronunciamento não teve a mesma audiência do debate na CNN, que atraiu 48 milhões de telespectadores, segundo o Instituto Nielsen.
Especulações sobre troca de candidato
O comício ocorreu em meio a receios entre os democratas depois do desempenho fraco de Biden no debate, o que aumentou a especulação sobre uma possível troca de candidato antes das eleições de novembro. Embora possível, essa substituição é difícil sem a vontade de Biden de desistir antes da convenção do partido, prevista para agosto.
Em Chesapeake, Virgínia, Trump descartou a possibilidade de Biden abandonar a disputa.
“Muitas pessoas estão dizendo que, depois do desempenho de ontem à noite, Joe Biden está deixando a disputa”, ressaltou o candidato.
“Mas eu realmente não acredito nisso porque ele se sai melhor nas pesquisas do que qualquer um dos democratas sobre os quais eles estão falando.”
A campanha republicana explorou a fragilidade de Biden no debate nas redes sociais e reforçou a tese de que ele não tem condições de governar o país.
Recepção entusiasmada em Atlanta
Na noite anterior, Biden foi recebido com entusiasmo em Atlanta, Geórgia, depois do debate. Ele preferiu focar nas falhas de Trump, que aproveitou o formato do debate para apresentar sua narrativa.
“Não consigo pensar em nada que ele tenha dito que fosse verdade”, observou Biden. “Vamos vencer esse cara. Precisamos vencer esse cara e preciso de vocês para vencê-lo.”
Apesar do otimismo no comício, democratas em Washington e outros centros expressaram preocupação com o desempenho de Biden. Van Jones, ex-assessor de Barack Obama e comentarista da CNN, descreveu o desempenho do presidente como “doloroso” e sugeriu sua substituição.
“Eu amo Joe Biden”, ressaltou o ex-assessor. “Trabalhei para Joe Biden. Ele não se saiu nada bem. Ele está fazendo o melhor que pode. Mas ele tinha um teste para realizar esta noite para restaurar a confiança do país e da base. E ele falhou em fazer isso.”
Em seguida, Jones deu a sua sugestão.
“Acho que muitas pessoas vão querer vê-lo considerar um curso diferente agora”, avaliou ele. “Ainda estamos longe de nossa convenção, e há tempo para este partido descobrir um caminho diferente a seguir, se ele nos permitir fazer isso.”
Pressão para a saída de Biden
Jones estava mais alinhado à reação pós-debate do que à euforia do evento em Atlanta. Colunistas do New York Times opinam que Biden deve deixar a disputa ou enfrentar forte pressão para tal.
Thomas L. Friedman, influente analista político, escreveu um artigo em que pediu a saída de Biden, classificando o debate como “o momento mais doloroso da campanha presidencial americana” em sua vida.
As insatisfações, por enquanto, não têm efeito prático. Biden já deixou claro que não pretende desistir e conta com o apoio de líderes importantes do partido. Em uma postagem no Twitter/X, o ex-presidente Barack Obama minimizou as dificuldades de Biden no debate.
“Noites de debate ruins acontecem”, escreveu Obama. “Esta eleição ainda é uma escolha entre alguém que lutou pelas pessoas comuns durante toda sua vida e alguém que só se preocupa consigo mesmo. Entre alguém que fala a verdade; que distingue o certo do errado e o transmitirá diretamente ao povo americano, e alguém que mente descaradamente em seu próprio benefício.”
Membros da ala radical do Partido Republicano também reagiram ao debate. Nikki Haley, ex-embaixadora dos EUA na Organização das Nações Unidas, questionou a intenção de Biden de disputar as eleições em uma publicação no Twitter. “Guardem minhas palavras… Biden não será o candidato democrata. Republicanos, mantenham-se atentos!.”
Robert F. Kennedy Jr., candidato da chamada “terceira via” à Presidência dos Estados Unidos, disse estar disposto a substituir Joe Biden, pelo Partido Democrata, na eleição presidencial.
Sergio Flores/AFP
O que aconteceu
Declaração ocorreu após desempenho ruim de Biden em debate contra Donald Trump, na CNN, nesta quinta (27).Kennedy Jr. ficou fora do encontro, mas esteve em um programa transmitido pelas redes sociais, simultaneamente.
Em uma das perguntas, o apresentador Chris Cuomo questionou. “Você estaria aberto para conversar com eles [os democratas] se entrassem em contato com você?”. O candidato respondeu: “É claro que eu falaria com eles. Isso me colocaria nas urnas sem que ninguém tentasse me tirar”.
Assessor diz que Biden não pensa em desistir. Embora tenha sido alvo de críticas por desempenha fraco, no debate da CNN, um colaborador da campanha de Biden afirmou à rede de TV ABC News que ele não pensa em desistir das eleições e que está comprometido com um segundo debate.
Em comício na Carolina do Norte, mais cedo, o chefe da Casa Branca reconheceu o desempenho ruim no debate. “Não ando com tanta facilidade como antes, não falo com tanta fluidez como antes, não debato tão bem como antes, mas sei o que sei: sei dizer a verdade”, disse ele.
Eu sei como fazer este trabalho. Eu sei como fazer as coisas. Eu sei, como milhões de americanos sabem, que quando te derrubam, você se levanta. Joe Biden, em comício com eleitores
Quem é RFK Jr.?
Membro de dinastia política. RFK Jr. é sobrinho do ex-presidente John Fitzgerald Kennedy, que foi ocupou a Casa Branca de 1961 até 22 de novembro de 1963, quando foi assassinado durante um evento público em Dallas em uma das histórias mais famosas da política. JFK, como era conhecido, é até hoje um dos mais presidentes mais populares da história do país.
Pai também foi morto em crime político. Robert Francis Kennedy foi procurador-geral dos Estados Unidos e depois se elegeu senador. Em 1968, ainda como integrante do Congresso, fazia campanha para as eleições presidenciais quando foi assassinado em um hotel em Los Angeles.
Candidato tem formação de elite, é ambientalista e ativista antivacina. Bacharel na Universidade de Harvard e doutor em direito pela London School of Economics, o candidato sempre advogou pela defesa do meio-ambiente, indígenas e fontes de energia renováveis. Desde 2005, ele espalha desinformação sobre vacinas e imunizantes.
Especialista em política norte-americana vê RFK como “outsider” sem chances de vencer. Pedro Costa Júnior, cientista político e pesquisador da USP, aponta que Robert Kennedy não pode nem ser considerado uma “terceira via” real, por não apresentar perigo aos Democratas ou Republicanos. “É mais um manifesto que uma candidatura”, observa.
RFK Jr. é considerado um “conspiracionista”. Várias vezes ele já comparou a vacinação com um “holocausto” e afirmou que os imunizantes “causam autismo” em crianças, o que é falso. Em 2021, o Instagram suspendeu a conta dele por “repetidamente compartilhar informações falsas sobre a Covid-19”.
Candidato disse que verme comeu parte de seu cérebro, em 2012. Kennedy Jr. afirmou em um depoimento que descobriu que um parasita entrou em sua cabeça, comeu parte de seu cérebro e morreu. Ao New York Times, ele afirmou que não sofre efeitos de ambos os problemas. No X (antigo Twitter), ainda brincou com a situação, se oferecendo para “comer mais 5 vermes cerebrais e ainda assim vencer o presidente Trump e o presidente Biden em um debate”.
Afastamento de Clã Kennedy se deu por declarações na pandemia. Em um discurso de 2022, RFK Jr. sugeriu que as medidas de distanciamento promovidas pelo governo Biden deixava os americanos com menos liberdade do que judeus na Alemanha nazista. As falas não foram bem-recebidas pelo resto da família, que publicou uma carta de repúdio. Mais tarde, ele se desculpou.
Kennedy acumula votos de insatisfeitos com favoritos. Costa Jr. observa que, no geral, o voto em Kennedy surge a partir da falta de boas opções nos pleitos. “Tanto Biden como Trump são o passado. Mas Trump passou do limite, e Biden decepciona muito. Americanos desejam um candidato fora do bipartidarismo, mas sabem que não vai acontecer”, diz.
Família Kennedy apoia a candidatura de Joe Biden. Em declaração conjunta, membros da Família Kennedy anunciaram que não apoiariam Robert Kennedy. Para Pedro Costa Jr., isso se dá pela família “ir atrás do poder”, e não ver a candidatura de Kennedy como algo realista ou que contribua com seu status político.
Robert Kennedy recebeu o apoio de Elon Musk.Em 2023, o bilionário realizou um evento em prol de Kennedy que durou duas horas e meia. Entretanto, os resultados das pesquisas não são atraentes para ele. Com apenas 10% das intenções de voto, Robert F. Kennedy tem poucas chances de ser competitivo no pleito. No entanto, ele é o candidato independente mais relevante desde Ross Perot, que conseguiu 18,9% dos votos na eleição de 1992.
Trump criticou Kennedy diretamente. Em 11 de maio, o ex-presidente afirmou que RFK era “falso”, e um “liberal de esquerda radical” cuja candidatura foi anunciada para ajudar Joe Biden. Trump insultou também a família de Kennedy, chamando-os de “um bando de lunáticos”.
No primeiro debate presidencial das eleições de 2024, o ex-presidente demonstrou muita energia, enquanto Biden teve muita dificuldade de se expressar e pareceu ter problemas de linha de raciocínio, segundo analistas.
Foto: AP Photo
Performance de Biden foi ‘catastrófica’, diz Guga Chacra
O ex-presidente Donald Trump saiu vencedor no primeiro debate presidencial de 2024 e o desempenho do presidente Joe Biden preocupa os democratas, analisam comentaristas da GloboNews.
Trump e Biden fizeram o primeiro debate das eleições de 2024 em Atlanta nesta quinta-feira (27) — a disputa foi marcada por um tom agressivo e troca de ofensas. A performance de Biden na disputa foi “catastrófica”, enquanto Trump foi o “Trump de sempre, falando uma série de inverdades, mas demonstrando muita energia”, analisou o comentarista Guga Chacra.
“Desesperador. O Biden não conseguia concluir uma linha de raciocínio. Ele teve muita dificuldade de se expressar e de projetar a voz, gaguejou muito. Hoje não era um problema apenas de articulação, era um problema de linha de raciocínio. Quem assistiu ao debate para entender as políticas de cada um dos candidatos não conseguiu entender o que o presidente Biden falou hoje à noite”, disse Sandra Coutinho.
A avaliação dos comentaristas foi corroborada pela imprensa americana e por uma pesquisa de opinião feita pela rede norte-americana canal “CNN”, que realizou o debate. Segundo a pesquisa, 67% dos espectadores acreditam que Trump venceu o debate, enquanto 33% acharam que Biden foi melhor. A consulta tem margem de erro de 5,5 pontos percentuais para mais ou para menos.
Sandra afirmou ainda que Trump foi bem nas perguntas delicadas, como sobre a invasão ao Capitólio, em 6 de janeiro de 2021, e se iria respeitar o resultado das eleições de novembro. Esquivou-se delas, e quando pressionado deu respostas que não o comprometeram perante o eleitor.
Segundo Marcelo Lins, talvez seja hora dos democratas pensarem em um substituto para concorrer no lugar do presidente, que não conseguiu rebater as mentiras de Trump, fazendo com que resultado fosse claro: vitória do ex-presidente e derrota de Biden. “Eu não vejo como o Biden pode se recuperar”, disse Jorge Pontual.
Para Daniel Sousa, Trump apostou no mesmo formato já utilizado por ele em outras eleições, provocando medo na população. Por outro lado, analisa o comentarista, o desempenho de Biden provocou vergonha alheia em quem assistiu.
Sandra Coutinho acredita que a performance de Biden no debate deve aprofundar o racha nos democratas. “Apresentar aos EUA outro candidato agora significa também dizer que o partido falhou, errou em não detectar esse problema mais cedo”, disse Sandra.
“Biden se autodestruiu diante do público americano e do mundo. (…) Biden debateu desesperadoramente mal”, afirmou Demétrio Magnoli. Magnoli disse ainda que o debate confirmou 100% o temor dos eleitores, de que ele perdeu a aptidão para exercer a presidência dos EUA. No caso de Trump, que tem apenas três anos a menos, ele ainda tem vivacidade e demonstra rapidez de raciocínio necessários.
Sandra Coutinho
Primeiro debate presidencial
O presidente dos EUA, Joe Biden, e o ex-presidente Donald Trump fizeram nesta quinta-feira (27) o primeiro debate presidencial das eleições no país, que acontecem em novembro deste ano.
Em um cara a cara com uma série de ineditismos (o cara a cara, que durou uma hora e meia, tem também uma série de ineditismos: esta é a primeira vez que um presidente e um ex-presidente ficam cara a cara em um debate eleitoral nos EUA. Trump passou também a ser o único candidato a chegar a um enfrentamento desse tipo com uma condenação nas costas, além de outros três processos que ele ainda responde como réu.
Donald Trump e Joe Biden no 1º debate presidencial das eleições de 2024, nos Estados Unidos — Foto: Gerald Herbert/AP
Neste ano, a CNN também impôs regras pela primeira vez. (Leia mais abaixo)
As eleições para presidente nos Estados Unidosacontecem em 5 de novembro. Joe Biden tenta a reeleição, enquanto Donald Trump quer voltar à Casa Branca — ele presidiu os EUA de 2017 a 2021 e perdeu as últimas eleições para Biden.
As pesquisas de opinião mais recentes mostram umaligeira vantagem para Trump.
O debate começou com um tema sensível para Biden: a inflação. Um dos moderadores questionou o presidente sobre o que ele tem a dizer a eleitores que sentem que a economia piorou na comparação com a gestão de Trump.
O presidente respondeu com o argumento de que o mundo pós-pandemia prejudicou a economia em diversos países e atacou seu adversário, a quem acusou de causar uma situação de “caos” na economia.
Trump rebateu e acusou Biden de apenas favorecer imigrantes ilegais. “Os únicos empregos que ele criou foram para imigrantes ilegais”, disse o ex-presidente, que repetiu também o discurso de que imigrantes que entram nos EUA de forma ilegal são “terroristas que estão vivendo em hotéis de luxo de Nova York” e acusou Biden de “simplesmente deixá-los entrar”.
Biden, que começou o debate em temperatura morna, subiu o tom ao chamar Trump de “otário” e “perdedor”.
O presidente acusou o adversário de já ter chamado veteranos de guerra de “otários e perdedores” e, ao falar de seu filho Beau Biden, que lutou no Iraque e morreu de câncer no cérebro em 2015, disse a Trump:
“Meu filho não é otário. Você é um otário e um perdedor”.
Trump exigiu um pedido de desculpas.
Ataques pessoais
Os dois candidatos também investiram em uma série de ataques pessoais ao longo do debate — o que não costumava ser a estratégia de Biden em debates nas últimas eleições.
Joe Biden chamou Donald Trump de criminoso condenado e o acusou de fazer sexo com a ex-atriz pornô Stormy Daniels — pivô do processo em que Trump foi condenado em maio — enquanto sua então esposa estava grávida. O adversário negou.
Questionado sobre se aceitará resultado das eleições, Trump — que é julgado por tentar reverter o resultado do pleito de 2020 — tentou desviar da questão. Pressionado pela apresentadora do debate, respondeu então que, “sem dúvida, vou aceitar o resultado das eleições se o resultado for justo e legal”.
Biden, ao receber o direito de fala, disse duvidar de que Trump aceitaria esse resultado, “porque você um reclamão”.
‘Um palestino ruim’
Ao debater a guerra em Israel, Trump acusou Biden de não ter pulso firme na guerra entre Israel e Hamas e chamou o presidente de um “palestino ruim”.
Trump disse ainda que vai terminar a guerra na Ucrânia antes mesmo de tomar posse, caso eleito.
Estratégias
Como previsto, Trump investiu em ataques nos pontos fracos do atual governo de Biden, como o recorde de entrada de imigrantes nos EUA, os períodos de inflação alta e o prolongamento das guerras na Ucrânia e em Israel.
Trump em debate nos EUA — Foto: Brian Snyder/Reuters
Joe Biden durante debate presidencial, nos Estados Unidos, em 27 de junho de 2024 — Foto: REUTERS/Brian Snyder
Reedição de 2020
Donald Trump (à esquerda) e Joe Biden fazem o primeiro debate presidencial das eleições de 2024 nesta quinta-feira (27) — Foto: AP Photo
O debate desta noite também reeditou os históricos enfrentamentos travados por Biden e Trump em 2020, quando os dois também concorreram à presidência. Em debates daquele ano, os dois adversários protagonizaram longos bate-bocas. O ex-presidente republicano interrompeu diversas vezes o democrata, que chegou a mandar o adversário “calar a boca”.
Biden, que venceu o pleito na ocasião, seguiu a estratégia de tentar descredibilizar o adversário e suas falas, ignorando Trump e falando diretamente para as câmeras.
Regras
Neste ano, a organização do debate estabeleceu uma série de regras para tentar evitar interrupções e que os candidatos falem fora de hora, além da interferência de terceiros. Entre elas, estão:
Microfones desligados — pela 1ª vez, o debate entre candidatos dos EUA terá microfones silenciados enquanto o adversário tiver a palavra;
Sem acessórios — os candidatos não poderão levar papéis, pastas ou qualquer outro acessório para auxiliá-los no debate;
Também não haverá público nem jornalistas. Apenas os dois moderadores estarão no auditório;
Haverá dois intervalos comerciais, e, nesses momentos, os candidatos não poderão ter nenhum contato com assessores.
Soldados bolivianos protegem palácio presidencial na Praça Murillo em La Paz, na Bolívia, em 26 de junho de 2024. — Foto: AP Photo/Juan Karita
Presidente da Bolívia denuncia golpe do Exército
A Bolívia sofreu nesta quarta-feira (26) uma tentativa de golpe de Estado, segundo afirmou o presidente do país, Luis Arce.
Tanques do Exército e militares armados invadiram o palácio presidencial, e ainda estavam no local até a última atualização desta reportagem, segundo testemunhas da agência de notícias Reuters. Algumas unidades do Exército foram vistas agrupadas em praças e ruas de La Paz também nesta quarta.
Em pronunciamento, Arce destituiu o comandante do Exército, Juan José Zuñiga, a quem acusou de ter arquitetado o golpe. O novo comandante, segundo a agência de notícias Reuters, desmobilizou as tropas e ordenou que os soldados voltassem aos quartéis.
Zuñiga, que foi à praça Murillo, em frente ao palácio presidencial, disse a TVs locais que o movimento era uma “tentativa de restaurar a democracia” na Bolívia e de libertar prisioneiros políticos.
Um vídeo que circula nas redes sociais mostra Arce, que estava no palácio presidencial, discutindo com Zuñiga após a invasão ao palácio.
Veja o que se sabe até agora sobre o episódio:
O presidente, Luis Arce, e o ex-presidente Evo Morales falaram em golpe de Estado.
Em comunicado em suas redes sociais, Arce também pediu que a democracia seja respeitada.
Algumas unidades do Exército foram vistas agrupadas em praças e ruas da capital.
Segundo testemunhas da agência de notícia Reuters, um tanque do Exército foi visto entrando no palácio presidencial, em La Paz.
O presidente da Bolívia, Luis Arce, afirmou nesta quarta (26) que as Forças Armadas de seu país estão fazendo “mobilizações irregulares”.
O ex-presidente da Bolívia Evo Morales, querompeu com Arce no ano passado mas faz parte do mesmo movimento do atual presidente, afirmou tratar-se de um golpe de Estado. Segundo Morales, um regimento do Exército colocou francoatiradores em uma praça de La Paz. O ex-presidente o general Juan José Zuñiga de estar por trás da mobilização.
“Convocamos uma mobilização nacional para defender a democracia diante do golpe de Estado que o general Zuñiga está gestando”, disse Morales. “Não permitiremos que as Forças Armadas violentem a democracia e amedrontem o povo”.
Em comunicado, Zuñiga falou que “as coisas vão mudar”, embora não tenha confirmado o golpe de Estado.
“Os três chefes das Forças Armadas vieram expressar a nossa consternação. Haverá um novo gabinete de ministros, certamente as coisas vão mudar, mas o nosso país não pode continuar assim”, disse o general Juan José Zuniga a uma estação de televisão local.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva expressou apoio a Luis Arce e disse condenar a tentativa de golpe.
“A posição do Brasil é clara. Sou um amante da democracia e quero que ela prevaleça em toda a América Latina. Condenamos qualquer forma de golpe de Estado na Bolívia e reafirmamos nosso compromisso com o povo e a democracia no país irmão”, declarou Lula.
O presidente de Honduras, atualmente na presidencia da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), também falou em golpe de estado e pediu uma reunião de emergência dos Estados membros — o Brasil é um deles.
A Organização dos Estados Americanos (OEA) condenou a movimentação e pediu respeito à democracia.
A ex-presidente da Bolívia, Jeanine Añez — de oposição a Arce — também condenou a movimentação dos militares.
“Repúdio total à mobilização de militares na praça Murillo (em frente ao palácio presidencial) pretendendo destruir a ordem constitucional”, disse. “Nós boliviamos defendemos a democracia”.
Em um comunicado em suas redes sociais, Arce também pediu que a democracia seja respeitada.
Nos últimos cinco anos, a Bolívia viveu diversos momentos de turbulência política.
Em 2019, o terceiro mandato de Evo Morales foi interrompido por um golpe de estado que se seguiu a um movimento de protesto e greves reunindo setores populares, de classe média e empresariais. Evo havia acabado de ser eleito no primeiro turno das eleições presidenciais, em outubro, para um quarto mandato –que não tinha cobertura institucional. Ele renunciou à presidência e deixou a Bolívia.
Após Morales deixar o cargo, Jeanine Áñez Chávez se autoproclamou presidente interina da Bolívia. Ela os apoiadores do golpe foram presos em 2021, junto com o excomandante do Exército boliviano Jorge Pastor Mendieta Ferrufino, que liderou o golpe em 2019, segundo a Agência Boliviana de Informação.
Em 2008 também houve tentativa de golpe, mas que fracassou. O governo da Bolívia denunciou o início de um “golpe civil” realizado pela oposição conservadora do Departamento de Santa Cruz, mas descartou a possibilidade de decretar um estado de sítio para diminuir a tensão política.
Arce e Evo Morales, que eram aliados, agora são adversários por causa das eleições presidenciais de 2025. Morales será o candidato do MAS.
A legenda governista que Morales lidera afastou Arce por ele se recusar a participar do congresso do (MAS), realizado entre terça e quinta-feira em Cochabamba.
O ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, está diante de um momento crucial que determinará o destino de seu governo e o futuro do país. Em 28 de julho, ele enfrentará seu mais difícil desafio eleitoral desde que assumiu o cargo em 2013.
As pesquisas indicam que seu principal oponente, o ex-diplomata discreto Edmundo González, está à frente. González conta com o apoio de María Corina Machado, líder da oposição, que promete restabelecer a democracia e reunir famílias separadas pela migração.
Maduro, habilidoso operador político, historicamente inclinou as urnas a seu favor para superar sua impopularidade. No entanto, há riscos. Ele pode perder e negociar uma saída pacífica, mas poucos venezuelanos esperam que isso aconteça.
Analistas políticos e ex-funcionários do governo de Maduro acreditam que ele considera várias opções para manter o poder. Ele poderia desqualificar González ou os partidos que ele representa. Ou, usando sua experiência em manipulação eleitoral, permitir a votação, mas suprimir a participação e confundir os eleitores para vencer.
Outra possibilidade é cancelar ou adiar a votação, inventando uma crise, como uma disputa latente na fronteira com a vizinha Guiana. Maduro também poderia corrigir a contagem de votos, como ocorreu em 2017 durante a votação para reescrever a constituição.
Os EUA observam de perto a eleição, buscando promover a democracia e proteger interesses no negócio do petróleo. O governo Biden enfrenta desafios econômicos na Venezuela, enquanto centenas de milhares de venezuelanos migram para o norte.
Maduro, aos 61 anos, chegou ao poder após a morte de Hugo Chávez, fundador do projeto socialista do país. Independentemente do resultado, o cenário é crítico, e seus oponentes certamente acusarão fraude se ele declarar vitória.
Representantes do Ministério das Comunicações e do Conselho Eleitoral não responderam aos pedidos de comentários.
Nicolás Maduro, ex-vice-presidente e sucessor escolhido a dedo por Chávez em 2013, enfrenta um momento decisivo em sua liderança. Muitos venezuelanos previram seu fracasso, mas ele sobreviveu a crises econômicas, protestos, tentativas de golpe e sanções dos EUA.
Apesar de números desfavoráveis nas pesquisas, Maduro se fortaleceu, mantendo laços comerciais com Irã, Rússia e China. No entanto, a eleição, realizada a cada seis anos, é seu maior desafio.
O governo manipula a votação a seu favor, dificultando o registro de milhões de venezuelanos no exterior. Especialistas estimam que de 3,5 a 5,5 milhões de votantes vivem fora do país, mas apenas 69.000 conseguiram se registrar.
Internamente, esforços para minar a votação incluem mudanças nos nomes de escolas usadas como locais de votação. Além disso, a figura popular da oposição, María Corina Machado, foi impedida de concorrer, mas ainda apoia o candidato opositor Edmundo González.
O monitoramento eleitoral independente será mínimo, com o Centro Carter como única organização observadora. A eleição já é considerada uma das mais falhas do país em 25 anos.
Enquanto Maduro aumentou salários e melhorou a economia, sua campanha inclui dançar com eleitores e zombar dos céticos. O resultado será observado de perto pelos EUA e pela comunidade internacional.
O argumento persistente é que as sanções dos EUA estão no cerne dos problemas econômicos da Venezuela. Apesar das dificuldades econômicas, o movimento socialista do país ainda mantém profundas raízes.
Durante seus anos de maior sucesso, o movimento socialista tirou milhões de pessoas da pobreza e possui um poderoso aparato de comunicação. Muitos ainda votarão na causa socialista, mesmo reconhecendo falhas em Maduro. Como disse Giovanny Erazo, 42 anos, em um recente evento de divulgação do voto: “Não se trata apenas de um homem, mas de um projeto”.
Outros podem votar em Maduro acreditando que isso trará ajuda para suas famílias. Há muito tempo, os leais são recompensados com caixas de alimentos.
Apesar das preocupações de sabotagem por parte de Maduro, não está claro se isso resultaria na agitação necessária para tirá-lo do poder.
Desde 2013, pelo menos 270 pessoas foram mortas em protestos, segundo a organização de direitos humanos Provea, deixando muitos temerosos de sair às ruas. A frustração com Maduro levou muitos a votarem com os pés, fugindo do país.
Se Maduro não conseguir permanecer no cargo até 28 de julho, alguns analistas acreditam que ele poderia trabalhar com González para negociar uma saída favorável. No entanto, o presidente é procurado nos Estados Unidos por acusações de tráfico de drogas e está sob investigação do Tribunal Penal Internacional por crimes contra a humanidade. Ele busca um país onde possa estar protegido de processos judiciais.
Manuel Christopher Figuera, ex-diretor do Serviço Nacional de Inteligência da Venezuela, considera esse cenário improvável. Ele afirma: “Maduro sabe que, se entregar o poder, o restante desse grupo de criminosos não escapará impune”.
Luisa Ortega, ex-procuradora-geral do país durante os governos de Chávez e Maduro, alerta contra o “triunfalismo fatal” entre os opositores. Ela ressalta que uma “avalanche de votos contra Maduro” nas urnas não necessariamente resultará em vitória para eles.
Com informações da Folha de SP e The New York Times
A pouco mais de um mês para a eleição presidencial na Venezuela, marcada para 28 de julho, o jornal venezuelano El Nacional publicou nesta quinta-feira (20) um resumo de pesquisas que mostram, na maioria, o principal candidato oposicionista, Edmundo González, à frente do atual presidente Nicolás Maduro. As informações são da Gazeta do Povo.
No levantamento com a maior diferença entre os dois candidatos, realizado pelo instituto Megaanálise, González tem 61%, enquanto Maduro tem apenas 10%, uma diferença de 51 pontos percentuais. Maduro tenta se eleger presidente pela terceira vez, embora as eleições na Venezuela sejam frequentemente criticadas pela falta de transparência, indícios de fraude e veto a candidatos da oposição.
Entretanto, conforme descrito pelo El Nacional como uma “guerra de pesquisas”, alguns levantamentos também colocam Maduro à frente. Confira os números reunidos pelo jornal, organizados por instituto:
Megaanálise: 61% para Edmundo González – 10% para Nicolás Maduro
Hercón: 61% para Edmundo González – 23% para Nicolás Maduro
MBResearch: 57% para Edmundo González – 19% para Nicolás Maduro
Delphos: 55% para Edmundo González – 30% para Nicolás Maduro
ORC: 51% para Edmundo González – 13% para Nicolás Maduro
Datincorp: 50% para Edmundo González – 18% para Nicolás Maduro
Datanálisis: 50% para Edmundo González – 20% para Nicolás Maduro
Consultores21: 36% para Edmundo González – 25% para Nicolás Maduro
Insight: 52% para Nicolás Maduro – 16% para Edmundo González
IdeaData: 52% para Nicolás Maduro – 22% para Edmundo González
Em entrevista ao El Nacional, Saúl Cabrera, presidente do instituto Consultores21, afirmou que “na Venezuela tem sido muito difícil desde 2010 acertar nas pesquisas porque o sistema [eleitoral] não é perfeitamente justo e equilibrado”. Ele destacou que 80% da população venezuelana quer uma mudança, 50% se identifica politicamente com a oposição e apenas 30% com o chavismo.