Foto: depositphotos.com / gints.ivuskans / Perfil Brasil
O presidente-eleito dos Estados Unidos, Donald Trump venceu com fortes discursos contra a imigração, prometendo mesmo a deportação em massa de milhões de estrangeiros morando ilegalmente no país — entre eles, brasileiros.
O que aconteceu
Brasileiros ilegais nos Estados Unidos são 230 mil, segundo pesquisa. Um levantamento do Pew Research Center publicado em julho deste ano aponta que 230 mil brasileiros estavam vivendo ilegalmente no país, em 2022. O número inclui um aumento de 30 mil em relação ao ano anterior.
EUA é país com o maior número de migrantes do Brasil. Dados do Ministério das Relações Exteriores apontam que vivem 1,9 milhão de brasileiros no país. O segundo destino mais procurado é Portugal, onde vivem 360 mil, e o Paraguai, com 254 mil imigrantes brasileiros.
Especialista defende que brasileiros estarão seguros nos EUA se mantiverem o status válido.Rodrigo Costa, CEO da Viva América e especialista em imigração, entende que os brasileiros vivendo nos EUA não precisam se preocupar com deportação, enquanto puderem provar que exercem o visto que recebeu, seja de trabalho ou de estudo. “O grande desafio da imigração é manter seu status válido”, complementa.
“Imigrantes não documentados vão sofrer pressão real”, diz especialista. Costa indica que estão sob risco aquelas pessoas que estão morando nos Estados Unidos sem documentos. Exemplos são estrangeiros que entraram no país com visto de turista ou de maneira ilegal, mas estabeleceram residência.
Costa defende que “Imigrante qualificado” será bem-vindo nos Estados Unidos. “Hoje há um número de vagas de trabalho disponíveis aqui nos Estados Unidos que não conseguem ser preenchidas por americanos. E a única maneira de se preencher essas vagas de trabalho é através do imigrante qualificado”, diz Rodrigo Costa, CEO da Viva América, empresa especializada em imigração de brasileiros aos Estados Unidos.
Em quais áreas os EUA precisam do trabalho de imigrantes? Tecnologia e Informação, engenharia, energia, logística e saúde são as áreas em que os brasileiros devem ser mais procurados, de acordo com a Viva América.
Plataforma republicana pode aumentar presença de brasileiros no país. Embora republicanos tenham criticado a presença de imigrantes no país durante a campanha, Costa vê que com a vitória generalizada do partido nas urnas, deve crescer o número de vagas de emprego.
Donald Trump prometeu “green card” a estudantes estrangeiros do país no primeiro dia como presidente. Em junho deste ano, Trump a um podcast disse que estudantes universitários estrangeiros deveriam receber um green card, ou um cartão de residência permanente, com o diploma. “Se isso vai acontecer ou não é outra história, mas isso é um discurso de campanha”, diz Rodrigo Costa.
Green card não representa cidadania. O cartão comprovaa que uma pessoa reside nos Estados Unidos de maneira permanente e para acessar alguns direitos, como educação pública e previdência social. Entretanto, o portador do documento não é cidadão americano. “O Green Card é a etapa anterior à cidadania”, explica Costa.
Em 2023, Brasil foi 10° país que mais recebeu green cards. Dados do Departamento de Segurança Interna dos EUA apontam que 28.050 documentos foram emitidos no último ano, o número mais alto na história.
Gráfico mostra aumento de recebimentos de green card no Brasil Imagem: Divulgação/Viva América
Trump quer deportação em massa de imigrantes
Trump prometeu a “maior operação de deportação doméstica na história americana”. O objetivo seria expulsar 11 milhões de imigrantes ilegais, estima artigo da revista Time. O método será encurtar os processos de deportação, realizando as expulsões sem a realização de audiências, exigidas por lei atualmente.
Republicano diz que a medida vai melhorar os salários de americanos, mas o resultado pode ser desastroso. A remoção abrupta de milhões de imigrantes provavelmente levaria à instabilidade econômica, particularmente em indústrias fortemente dependentes de mão de obra dos ilegais, como agricultura e turismo.
Para cumprir a promessa, Trump gastaria bilhões de dólares. O custo para deportar um milhão de imigrantes ilegais por ano custaria mais de US$ 88 bilhões (R$ 502,3 bilhões em valores de hoje), totalizando US$ 967,9 bilhões (R$ 5,5 trilhões) ao longo de mais de 10 anos, de acordo com relatório do Conselho Americano de Imigração.
Presidente-eleito quer usar o exército para expulsar imigrantes sem documentos. As tropas federais no exterior rumariam para a fronteira sul do país, que dá acesso à América Latina, onde os militares teriam autorização para prender imigrantes.
A intenção é criar uma presença militar sem precedentes na fronteira. A Guarda Nacional e polícia local de estados liderados pelos republicanos reforçariam a vigilância.
Trump também quer construir novos campos de detenção de imigrantes irregulares. A campanha de Trump disse que a medida acelerará o processo de expulsão, que também contará com a ajuda dos militares.
Em 2021, os Estados Unidos tinham centros de detenção que abrigavam mais de 20 mil crianças. Em uma reportagem, a BBC descobriu que esses menores enfrentavam baixas temperaturas, doenças, negligência, piolhos e sujeira.
19.jun.2018 – Abrigo para crianças de imigrantes ilegais em Tornillo, Texas (EUA) Imagem: Mike Blake/Reuters
Trump planeja invadir locais de trabalho para identificar e prender imigrantes ilegais. A estratégia desestimularia indústrias a contratarem essa mão de obra e beneficiaria trabalhadores americanos. A medida, porém, afetaria economias locais e resultariam em caos social, com a separação de famílias e piora da vulnerabilidade de populações inteiras de imigrantes.
Outra prioridade do presidente eleito é expandir o muro na fronteira com o México. Durante seu primeiro mandato, Trump construiu 804 km na fronteira de 3,1 mil km com o país vizinho. “Nós completaremos o muro da fronteira”, diz seu programa de governo, que pretende usar dinheiro militar para levantar a barreira.
Verdade ou retórica?
Embora Trump possa dificultar a vida de imigrantes, seu governo não deve cumprir todas as promessas. “Eu vejo muito mais uma retórica do Trump para conseguir voto na campanha”, diz Roberto Uebel, professor de relações internacionais da ESPM. “É logistica e economicamente impossível deportar 11 milhões de pessoas.”
Apesar de maior “perseguição ao imigrante indocumentado”, Trump não pode prejudicar a economia do país. “Os republicanos sabem que boa parte do motor da economia dos Estados Unidos e dos estados onde ele ganhou é baseado na economia do imigrante, seja ele irregular ou não”, diz o professor.
Os principais alvos devem ser os imigrantes que tentam cruzar a fronteira. “Ele vai endurecer a política de combate à imigração irregular, por meio de coiotes, o que os governos anteriores sempre fizeram.”
A gente vai ver um aumento de deportações dos imigrantes que já estão presos nos Estados Unidos, mas eu não vejo uma espécie de caça às bruxas, não pelo menos nesse primeiro ano de governo, porque ele sabe que o imigrante é fundamental para a economia dos Estados Unidos.”Roberto Uebel, da ESPM
Donald Trump, ex-presidente dos Estados Unidos, assegurou uma vitória significativa no estado do Arizona, acrescentando 11 delegados ao seu total no colégio eleitoral. Segundo a agência Associated Press, Trump conquistou 312 delegados ao todo, superando os 226 de Kamala Harris. Essa vitória no Arizona reforça o retorno de Trump à Casa Branca em janeiro de 2025.
O Arizona é conhecido por ser um estado-pêndulo, ou swing state, indicando uma tendência de alternância entre apoio republicano e democrata. Neste ciclo eleitoral, Trump acumulou vitórias não apenas no Arizona, mas também em outros estados-chave, como Carolina do Norte, Geórgia, Michigan, Nevada, Pensilvânia e Wisconsin, consolidando sua posição no colégio eleitoral.
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Como funciona o Sistema Eleitoral dos Estados Unidos?
O sistema eleitoral nos Estados Unidos diverge do brasileiro, tanto em estrutura como em execução. Nos EUA, cada estado organiza e gerencia suas próprias eleições, o que significa que a totalização dos votos e o anúncio dos resultados podem variar consideravelmente. Tal sistema contribui para a complexidade da eleição presidencial, onde o foco está na conquista do colégio eleitoral ao invés de uma votação geral direta.
Em 2024, a eleição reafirmou a importância estratégica dos estados-pêndulo, onde o resultado pode oscilar entre os principais partidos políticos, influenciando diretamente o desfecho eleitoral nacional. Trump perfomou bem nesses estados, superando suas próprias expectativas anteriores.
Veja a lista de estados-pêndulo:
Arizona – 11 delegados(Trump ganhou, aponta AP)
Carolina do Norte – 16 delegados (Trump ganhou, aponta AP)
Os estados-pêndulo desempenham um papel crucial nas eleições presidenciais dos Estados Unidos devido à sua indecisão política. Ao contrário dos estados com preferências claramente republicanas ou democratas, esses estados podem decidir o resultado de uma eleição ao desviar seu apoio entre os candidatos a cada ciclo eleitoral.
Influenciam na alocação de recursos de campanha.
Determinantes em eleições apertadas, onde poucos delegados podem decidir o resultado.
Servem como termômetro das políticas e do impacto dos candidatos em um público diversificado.
Impacto da vitória de Trump no cenário político
A vitória de Trump nas eleições de 2024 assinala não apenas seu retorno à presidência, mas também uma reafirmação do seu apoio significativo no colégio eleitoral dos EUA. Comparativamente, ele obteve uma margem ainda maior do que em sua primeira vitória em 2016 sobre Hillary Clinton, quando conquistou 304 delegados. Essa atual vitória marca um aumento de oito delegados, demonstrando um crescimento em sua base de apoio.
O cenário subsequente à vitória de Trump indica desafios e oportunidades tanto para republicanos quanto democratas nos próximos anos. Isso inclui a mobilização de eleitores, a adaptação de plataformas políticas e a preparação para futuras eleições que possam seguir padrões ainda indefinidos.
Quem é Donald Trump?
Donald John Trump, nascido em 1946 em Nova York, é uma figura proeminente tanto no mundo dos negócios quanto na política. Com um histórico que abrange desde o mundo dos negócios até a televisão, Trump alcançou a presidência em 2016. Ele emergiu como uma figura polarizadora, com slogans de campanha como “Make America Great Again”, que capturou a imaginação de muitos eleitores.
Antes de sua vitória em 2024, Trump havia perdido a eleição de 2020 para Joe Biden. No entanto, sua recente vitória revela uma forte resiliência e habilidade em reconquistar deleitores cruciais, impulsionando seu caminho de volta à Casa Branca.
Donald Trump se elege para um segundo mandato — Foto: Imagem: Reuters
Durante sua campanha para a reeleição dos Estados Unidos, Donald Trumpprometeu expurgar as Forças Armadas dos militares considerados “woke” (focados em justiça racial e social, mas usado de forma depreciativa pelos conservadores).
Agora que ele é o presidente eleito, a questão nos corredores do Pentágono é se ele pode ir além disso.
Espera-se que Trump tenha uma visão mais sombria dos líderes militares em seu segundo mandato.
No primeiro mandato, Trump enfrentou a resistência do Pentágono sobre diversos temas, desde seu ceticismo em relação à Otan até sua prontidão para enviar tropas para reprimir protestos nas ruas dos EUA.
Os ex-generais e secretários de Defesa de Trump estão entre seus críticos mais ferozes, alguns rotulando-o de fascista e declarando-o impróprio para o cargo.
Irritado, Trump sugeriu que seu ex-chefe do Estado-Maior Conjunto, Mark Milley, poderia ser executado por traição.
Autoridades dos EUA dizem que Trump priorizará a lealdade em seu segundo mandato e erradicará oficiais militares e funcionários públicos de carreira que ele considera desleais.
“Ele destruirá o Departamento de Defesa, francamente. Ele entrará e demitirá generais que defendem a Constituição”, disse Jack Reed, democrata que lidera o Comitê de Serviços Armados do Senado.
Questões de guerra cultural podem ser um gatilho para demissões.
Trump foi questionado pela Fox News em junho se ele demitiria generais descritos como “woke“, um termo para aqueles focados na justiça racial e social, mas que é usado pelos conservadores para depreciar as políticas progressistas.
“Eu os demitiria. Você não pode ter (um) militar ‘woke’”, disse Trump.
Alguns funcionários atuais e antigos temem que a equipe de Trump possa ter como alvo o general da Força Aérea C.Q. Brown, atual chefe do Estado-Maior Conjunto.
O Estado-Maior Conjunto reúne os líderes do Departamento de Defesa dos Estados Unidos que assessoram o secretário de Defesa, o Conselho de Segurança Interna, o Conselho de Segurança Nacional e o presidente em assuntos militares.
Brown é um ex-piloto de caça e comandante militar amplamente respeitado e que se afasta da política.
O general de quatro estrelas, que é negro, emitiu uma mensagem de vídeo sobre discriminação nas fileiras nos dias após o assassinato de George Floyd em maio de 2020 por um policial em Minneapolis.
Ele tem sido uma voz a favor da diversidade nas forças armadas dos EUA.
Solicitado a comentar, o porta-voz de Brown, capitão da Marinha Jereal Dorsey, disse: “O presidente, juntamente com todos os membros do serviço em nossas forças armadas, continua focado na segurança e defesa de nossa nação e continuará a fazê-lo, garantindo uma transição suave para a nova administração do presidente eleito Trump.”
JD Vance, vice-presidente eleito dos EUA — Foto: Matt Freed/AP
O vice-presidente eleito de Trump, J.D. Vance, votou como senador no ano passado contra a confirmação de Brown para se tornar o principal oficial militar dos EUA e tem sido um crítico da resistência percebida às ordens de Trump dentro do Pentágono.
“Se as pessoas em seu próprio governo não estão obedecendo, você tem que se livrar delas e substituí-las por pessoas que respondam ao que o presidente está tentando fazer”, disse Vance em uma entrevista com Tucker Carlson antes da eleição.
Durante a campanha, Trump prometeu restaurar o nome de um general confederado para uma importante base militar dos EUA, revertendo uma mudança feita após o assassinato de Floyd.
A mensagem “anti-woke” mais forte de Trump durante a campanha teve como alvo as tropas transgênero.
Trump já havia banido membros transgênero do serviço militar e postado um anúncio de campanha na rede social X retratando-os como fracos, com a promessa de que “Não teremos um exército ‘woke’!”
A equipe de transição de Trump não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.
Trump sugeriu que os militares dos EUA poderiam desempenhar um papel importante em muitas de suas prioridades políticas.
Essas prioridades incluem planos de usar a Guarda Nacional e possivelmente de tropas da ativa para ajudar a realizar uma deportação em massa de imigrantes sem documentos.
Também existe a possibilidade de usar as tropas para lidar com a agitação doméstica.
Tais propostas alarmam especialistas militares, que dizem que o envio de militares nas ruas americanas pode não apenas violar as leis, mas também colocar grande parte da população contra as ainda amplamente respeitadas forças armadas dos EUA.
Em uma mensagem às forças após a vitória eleitoral de Trump, o secretário de Defesa Lloyd Austin reconheceu os resultados da eleição e enfatizou que os militares obedeceriam a “todas as ordens legais” de seus líderes civis.
Mas alguns especialistas alertam que Trump tem amplo espaço para interpretar a lei e as tropas dos EUA não podem desobedecer a ordens legais que consideram moralmente erradas.
“Há uma percepção pública generalizada de que os militares podem optar por não obedecer a ordens imorais. E isso não é verdade”, disse Kori Schake, do conservador American Enterprise Institute.
Schake alertou que um segundo mandato de Trump pode ver demissões de alto nível à medida que ele avança com políticas controversas.
“Acho que haverá um enorme caosem um segundo mandato de Trump, tanto por causa das políticas que ele tentará promulgar quanto pelas pessoas que ele colocará em prática para promulgá-las em termos de nomeações”, disse ela.
Um oficial militar dos EUA minimizou essas preocupações, dizendo sob condição de anonimato que criar caos dentro da cadeia de comando militar dos EUA criaria reação política e seria desnecessário para Trump atingir seus objetivos.
“O que esses caras vão descobrir é que os oficiais militares geralmente estão focados na guerra, e não na política”, disse o oficial militar. “Eu sinto que eles ficarão satisfeitos com isso – ou pelo menos deveriam estar.”
Esvaziar as fileiras civis?
Funcionários públicos de carreira no Pentágono podem ser submetidos a testes de lealdade, dizem empregados atuais e antigos.
Os aliados de Trump adotaram publicamente o uso de ordens executivas e mudanças de regras para substituir milhares de funcionários públicos por aliados conservadores.
Um alto funcionário da Defesa dos EUA, falando sob condição de anonimato, disse à agência Reuters que havia uma preocupação crescente dentro do Pentágono de que Trump expurgaria funcionários civis de carreira do departamento.
“Estou profundamente preocupado com suas fileiras”, disse o funcionário, acrescentando que vários colegas expressaram preocupação com o futuro de seus empregos.
Funcionários públicos de carreira estão entre os quase 950 mil empregados não uniformizados que trabalham nas Forças Armadas dos EUA e, em muitos casos, têm anos de experiência especializada.
Trump prometeu durante a campanha dar a si mesmo o poder de destruir a força de trabalho federal em todo o governo.
Durante seu primeiro governo, algumas das sugestões controversas de Trump a conselheiros, como potencialmente disparar mísseis no México para destruir laboratórios de drogas, nunca se tornaram política em parte por causa da resistência de funcionários do Pentágono.
“Este será 2016 com esteroides e o medo é que ele esvazie as fileiras e a experiência de uma forma que causará danos irreparáveis ao Pentágono”, disse o funcionário.
Presidente eleito quer demitir estadistas que apoiaram censura em plataformas digitais e interromper o financiamento federal para ONGs que promovem repressão
Donald Trump é o 47º presidente dos Estados Unidos | Foto: Reprodução/Redes sociais
Donald Trump, presidente eleito dos Estados Unidos, divulgou um plano abrangente destinado a fortalecer a liberdade de expressão no país. Em pronunciamento publicado no Twitter/X, Trump classificou a censura nas plataformas digitais como uma ameaça direta à democracia americana.
“Se não temos liberdade de expressão, então simplesmente não temos um país livre”, disse. “É tão simples quanto isso.”
Trump enfatizou que a liberdade de expressão é a base de todas as outras liberdades individuais e alertou que sua erosão pode desencadear um efeito dominó, afetando outros direitos fundamentais.
Durante seu discurso, ele mencionou a existência de um grupo composto por burocratas do Estado, empresas de tecnologia e a mídia, que, segundo ele, estaria suprimindo informações essenciais para o público.
De acordo com Trump, essas informações são especialmente críticas em temas como eleições e saúde pública. Como parte de suas propostas, Trump anunciou que, caso retome a presidência, assinará uma ordem executiva proibindo qualquer colaboração entre agências federais e organizações externas para censurar discursos legais.
Trump também quer demitir estadistas que apoiaram censura
Donald Trump em comício de campanha | Foto: Reprodução/Instagram/@teamtrump
Essa medida visa a assegurar que as opiniões e informações dos cidadãos não sejam suprimidas sob o pretexto de desinformação. Além disso, ele pretende cortar qualquer financiamento federal que esteja sendo utilizado para rotular discursos como desinformação, garantindo que o governo não apoie práticas de censura.
Outra proposta de Trump é identificar e demitir funcionários públicos que tenham participado de censura interna. Ele destacou que essa ação incluiria agentes de órgãos como o Departamento de Justiça, o FBI, a CIA, entre outros.
Trump pretende instruir o Departamento de Justiça a investigar minuciosamente todos os envolvidos no que chamou de “novo regime de censura online”, prometendo processar violações relacionadas a direitos civis, financiamento de campanha, leis antitruste e a Lei Hatch.
Entre suas propostas está a reforma da Seção 230 do Communications Decency Act. Trump argumenta que a imunidade atualmente concedida às plataformas deve ser condicionada ao cumprimento de padrões rígidos de neutralidade, transparência e justiça, evitando discriminação contra os usuários.
Corte de financiamento de ONGs
Ele também propôs cessar o financiamento federal para ONGs e programas acadêmicos que sustentem práticas censórias. O discurso de Trump também abordou as universidades que, ao participarem de censura digital ou interferência eleitoral, perderiam acesso a financiamentos federais para pesquisas e empréstimos estudantis.
O presidente eleito sugeriu implementar um período de quarentena de sete anos antes que ex-funcionários de agências de inteligência possam trabalhar em empresas com grandes volumes de dados de usuários americanos, evitando assim possíveis conflitos de interesse.
Outro ponto central do plano de Trump é a criação de uma “Carta de Direitos Digitais”. Esta carta garantirá o “processo devido digital”, onde funcionários governamentais terão que obter uma ordem judicial antes de remover qualquer conteúdo online.
Além disso, usuários terão o direito de serem notificados sobre a remoção de seus conteúdos, receber uma explicação específica sobre o motivo e ter a oportunidade de apelar de forma tempestiva. Trump concluiu seu discurso afirmando que, sob sua administração, o sistema de censura e controle de informação será eliminado completamente.
Para Trump, a restauração da liberdade de expressão é crucial não apenas para a democracia americana, mas também para a sobrevivência da civilização ocidental. Em sua visão, revalorizar a liberdade de expressão ajudará o país a reconquistar sua democracia e proteger a nação de influências autoritárias.
Chefe de Estado argentino também deve se encontrar com Elon Musk
Montagem publicada por Milei prevê seu futuro encontro com Trump | Foto: Reprodução/TwitterX
O presidente da Argentina, Javier Milei, se reunirá com o presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, na próxima semana. A informação foi publicada por um porta-voz do governo argentino nesta quinta-feira, 7.
Na viagem aos EUA, Milei também se encontrará com o empresário Elon Musk, CEO da Tesla e proprietário da plataforma Twitter/X.
Milei será um dos palestrantes da Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC), que ocorrerá nos dias 14 e 15 de novembro em Mar-a-Lago, clube privado do futuro líder dos EUA, na Flórida.
Além de Donald Trump, estarão presentes no evento o vice-presidente eleito dos EUA, J.D. Vance, o provável secretário de Estado, Ric Grenell, e o provável procurador-geral, Matt Whitaker.
Milei e Trump já haviam se cruzado em fevereiro, durante a edição anterior da CPAC, em Maryland, nos EUA. Na ocasião, o presidente argentino classificou o norte-americano como um “grande presidente” e que torcia pela sua vitória, o que se concretizou nesta semana.
A conversa terminou com o tradicional slogan“MAGA”, mas com uma ligeira adaptação: “Make Argentina Great Again” (Faça a Argentina Grande Novamente), ao que Milei respondeu com o seu famoso “Viva la libertad, carajo”.
O presidente argentino, Javier Milei, vai se encontrar com Trump na próxima semana | Foto: Reprodução/Redes sociais
Milei é antigo apoiador de Trump
Depois da confirmação da vitória de Donald Trump, Milei foi um dos primeiros presidentes a parabenizá-lo e afirmar que “pode contar com a Argentina para cumprir com a tarefa de engrandecer novamente a América”. “Faça a América Grande de Novo. Sabe que pode contar com a Argentina para realizar a sua tarefa.”
Milei deverá ser o único presidente latino-americano a ser recebido por Trump antes de sua posse, em 20 de janeiro de 2025. Pela proximidade ideológica, o presidente argentino busca se tornar a principal referência de Trump entre os líderes da América Latina, em oposição ao presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva. O petista havia anunciado apoio à candidatura de Kamala Harris, que perdeu a disputa contra o republicano.
“Trump é um expoente do mundo livre, ocidental e capitalista”, disse o porta-voz de Milei, Manuel Adorni. “A sua liderança vai encontrar um apoio incondicional do nosso país para defender a vida, a liberdade e a propriedade. Tanto a Argentina quanto os Estados Unidos são um farol de liberdade num mundo que perdeu o rumo devido a ideias errôneas.”
O chanceler argentino, Gerardo Werthein, também comentou a diferença nas relações diplomáticas e destacou que, enquanto com o presidente Joe Biden a relação de Milei era boa e formal, com Trump a conexão é mais estreita e afinada. “Sempre as relações pessoais contribuem.”
Em discurso à nação, presidente também falou em ‘reduzir a temperatura’ entre democratas e republicanos
Joe Biden vai deixar a Presidência dos EUA depois de vitória de Trump | Foto: Reprodução/Redes sociais
O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, dirigiu-se à nação com um pronunciamento nesta quinta-feira, 7. No discurso, o democrata destacou que o processo eleitoral que elegeu Donald Trump foi conduzido de maneira justa, honesta e transparente.
“Todos nós caímos, o que importa é quão rápido nos levantamos”, afirmou Biden na Casa Branca, em Washington.
“Nós aceitamos a escolha que o país fez”, acrescentou. Você não pode amar seu país só quando você vence.”
O presidente enfatizou a importância de “reduzir a temperatura”, referindo-se à acirrada disputa entre democratas e republicanos. “Para algumas pessoas, é um momento de vitória, para outros, de derrota”, afirmou.
Ele mencionou ainda as legislações que conseguiu aprovar durante seu governo e afirmou que os efeitos delas vão ser sentidos por anos. O democrata disse ainda que vai deixar uma economia forte ao encerrar seu governo. “Reveses são inevitáveis, mas desistir é imperdoável”, disse.
O presidente afirmou que conversou com o presidente eleito, Donald Trump, para parabenizá-lo pela vitória e reafirmar seu compromisso com uma transição pacífica.
Ele elogiou a vice-presidente Kamala Harris pela “campanha inspiradora” e destacou que sua equipe deve se orgulhar do trabalho realizado.
Trump teve vitória histórica neste ano
Trump, que retorna à Casa Branca, teve mais força nas urnas neste ano do que em sua primeira eleição.
Com os resultados confirmados em quase todos os Estados, o republicano tinha 51% dos votos populares, contra 47,6% de Kamala. O valor representa quase 5 pontos porcentuais a mais do que ele recebeu oito anos atrás.
É também a melhor votação para um candidato republicano desde 2004, quando George W. Bush venceu o democrata John Kerry, com 50,7% dos votos.
O novo cargo teria como objetivo combater as censuras nas redes sociais
O nome do titular da função, no entanto, não foi definido por Donald Trump | Foto: Alan Santos/PR
Aliados de Donald Trump, presidente eleito dos Estados Unidos, avisaram a apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro que está em discussão a possibilidade de os EUA terem um “embaixador da liberdade de expressão”. O jornal Folha de S.Paulodivulgou as informações nesta quinta-feira, 7.
O novo cargo teria como objetivo combater as censuras nas redes sociais. No Brasil, várias pessoas, inclusive jornalistas, tiveram as contas de redes sociais suspensas por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Combater a censura seria uma das prioridades do governo republicano.
Trump não definiu o nome do titular da função
O nome do titular da função, no entanto, não foi definido. Contudo, há uma possibilidade de que seja o empresário Elon Musk, dono do Twitter/X.
Além disso, aliados de Bolsonaro dizem que Trump tem muita gratidão ao ex-presidente brasileiro por ele ter sido um dos últimos chefes de Estado do mundo a reconhecer a vitória de Joe Biden em 2020.
Bolsonaro teve um rápido contato com Trump por intermédio de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) | Foto: Alan Santos/PR
Na terça-feira, dia da eleição deste ano, Bolsonaro teve rápido contato com Trump por intermédio de Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que, na ocasião, estava junto do presidente eleito comemorando a vitória.
Ernesto Araújo afirma que o bloco democrático sai fortalecido com a vitória do republicano
Ernesto Araújo diz que Trump traz a concepção de que é preciso resistir às políticas autoritárias de países como a China e a Rússiah | Foto: Reprodução/Twitter/X | Foto: Reprodução/Twitter/X
O ex-ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo afirmou que Donald Trump, vencedor das eleições norte-americanas, vai “fortalecer o braço de Israel na luta contra os terroristas do Hamas”. O ex-chanceler deu a declaração na edição desta quarta-feira, 6, do Jornal da Oeste.
Segundo o diplomata, a vitória de Trump fortalece os países democráticos na luta contra “a onda totalitária que varre o mundo”. Ele disse que os EUA trazem a concepção de que é preciso resistir às políticas autoritárias de países como a China e a Rússia.
Antes das eleições, Lula disse que a vitória de Trump seria a ascensão do “nazismo”
No entendimento do ex-ministro, contudo, o governo brasileiro terá dificuldades em firmar parcerias com o governo Trump, em virtude das recentes declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ao defender o voto em Kamala Harris, o petista deu a entender que a vitória do republicano seria a ascensão do “fascismo” e do “nazismo” no país.
O ex-ministro afirmou que o governo Trump representa “a liberdade de expressão, principalmente com a presença do empresário Elon Musk em sua equipe”.
Segundo Ernesto Araújo, a linguagem diplomática do mundo atual é a política da fala, da comunicação e do pensamento. O ex-ministro disse que Trump vai fazer dessa política, que representa a liberdade, a sua prioridade. “O Brasil, em contrapartida, caminha para o lado contrário”, disse. “Ou seja, pelo lado da censura e do controle.”
Ernesto Araújo afirma que o Brasil ‘se alinha como um ator secundário dentro de um bloco totalitário, comandado por China e Irã’ | Foto: José Cruz/Agência Brasil
Lula parabeniza o republicano pela vitória
O petista parabenizou Trump pela vitória, na manhã desta quarta-feira. Em sua conta no Twitter/X, Lula afirmou que a “democracia é a voz do povo e ela deve ser sempre respeitada”.
“O mundo precisa de diálogo e trabalho conjunto para termos mais paz, desenvolvimento e prosperidade”, escreveu Lula. “Desejo sorte e sucesso ao novo governo.”
24.abr.2018 – Emmanuel Macron e Donald Trump em encontro na Casa Branca Imagem: Ludovic Marin/AFP Photo
Líderes internacionais começaram a parabenizar publicamente Donald Trump pela vitória projetada pela imprensa norte-americana na disputa pela Presidência dos EUA.
O que aconteceu
O presidente da França, Emmanuel Macron, falou em trabalhar junto com o republicano. “Pronto para trabalharmos juntos como fizemos por quatro anos. Com suas convicções e as minhas. Com respeito e ambição. Por mais paz e prosperidade”.
Keir Starmer, primeiro-ministro do Reino Unido, disse estar “ansioso” para trabalhar com Donald Trump. “Estamos lado a lado na defesa dos nossos valores partilhados de liberdade, democracia e negócios. Do crescimento e da segurança à inovação e à tecnologia, sei que a relação especial entre o Reino Unido e os EUA continuará a prosperar”.
Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, reforçou o discurso de Trump sobre o “maior retorno da história”. “Seu retorno histórico à Casa Branca oferece um novo começo para a América e um poderoso compromisso com a grande aliança entre Israel e a América”.
Javier Milei, presidente da Argentina, comemorou a vitória de Trump. “Faça a América grande novamente. Você sabe que pode contar com a Argentina para executar sua tarefa”.
O secretário-geral da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), Mark Rutte, reforçou a aliança com a entidade. “Sua liderança será novamente a chave para manter nossa aliança forte. Estou ansioso para trabalhar com ele novamente para promover a paz através da força através da Otan”.
Na campanha, Trump chegou a dizer que incentivaria os russos a fazerem “o que quiser” com aliados da Otan que não pagam pela defesa conjunta. Os aliados ocidentais também temem que uma presidência do republicano signifique uma redução da ajuda militar à Ucrânia por parte dos Estados Unidos, que impulsionou o apoio de toda a Otan a Kiev e foi seu maior apoiador.
Volodymyr Zelensky, presidente da Ucrânia, foi outro líder internacional a se parabenizar Trump. “Lembro-me do nosso grande encontro com o presidente Trump em setembro, quando discutimos em detalhes a parceria estratégica Ucrânia-EUA, o Plano de Vitória e maneiras de pôr fim à agressão russa contra a Ucrânia”.
A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, disse que os EUA e a Itália são nações “irmãs”.“A Itália e os Estados Unidos são nações ‘irmãs’, ligadas por uma aliança inabalável, valores comuns e uma amizade histórica. É um vínculo estratégico, que estou certo que iremos agora reforçar ainda mais. Bom trabalho, presidente”.
Outros líderes internacionais também parabenizaram o republicano pela projeção de vitória (veja mais abaixo). Entre eles, Viktor Orban, primeiro-ministro da Hungria, e Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia.
‘Era de ouro dos EUA’
Donald Trump disse, na madrugada desta quarta-feira (6), que inaugurará uma “era de ouro nos EUA”. Ele iniciou o discurso em um centro de convenções na Flórida após a emissora Fox News projetar sua vitória.
O republicano também disse que irá “curar” os EUA. “Vamos ajudar nosso país a se recuperar. Nosso país precisa de ajuda, precisa muito. Vamos resolver nossa fronteira e todos os outros problemas”.
Trump ressaltou a vitória do Partido Republicano no Senado, que voltou a comandar a casa. “Os EUA nos deu um mandato poderoso. Voltamos a controlar o senado”, disse ele, que ainda destacou a possibilidade de que mantenha o controle sobre a Câmara dos Deputados.
“Foi aparentemente o maior movimento político de todos os tempos”, disse Trump. Ele se referia ao movimento “Faça a América Grande Novamente” (Maga, na sigla em inglês).
Num discurso improvisado, o presidente eleito ainda defendeu que Elon Musk, dono do X, seja “protegido”. “Temos de proteger nossos gênios, não temos tantos deles”, afirmou Trump.
Após instrumentalizar ódio em sua campanha, Trump agora indicou que está “na hora de reunir” o país. Ele falou em “colocar um fim às divisões dos últimos quatro anos”. Indicando que não vai começar nenhuma guerra, Trump ainda lembrou dos atentados e ameaças que sofreu. “Deus me salvou por um motivo”, disse.
O vice na chapa, JD Vance, também discursou no evento. Ele destacou a “maior volta política da história dos EUA” e prometeu que haveria a “maior recuperação econômica da história”.
Projeção do resultado não é oficial, mas é historicamente aceita pela sociedade americana em eleições presidenciais. Trump será o 47º presidente dos Estados Unidos e terá maioria republicana na Câmara e no Senado. Ele assume o cargo em 20 de janeiro de 2025.
O candidato republicano Donald Trump, 78 anos, venceu as eleições de terça-feira (5) ao garantir votos suficientes para um novo mandato como presidente dos Estados Unidos, aponta projeção da Associated Press desta quarta-feira (6).
A vitória foi anunciada após ser atingida uma margem segura de votos em que não é mais possível que ele seja superado pela democrata Kamala Harris, ainda que a contagem de cédulas pelo país não tenha sido totalizada. Sua vitória repercutiu no mundo todo e líderes mundiais parabenizaram Trump nesta quarta.
Ele já discursou na Flórida, mesmo antes de Kamala reconhecer a derrota. Trump falou sobre imigração ilegal, afirmou que seu slogan será ‘promessas feitas serão cumpridas’ e pregou a união entre todos os americanos.
A projeção do resultado feita por estatísticos a serviço de institutos e meios de comunicação não é oficial, mas é historicamente aceita pela sociedade americana em eleições presidenciais. Entenda como funciona.
Os Estados Unidos não têm um tribunal eleitoral de âmbito nacional, como o Brasil, e a apuração é de responsabilidade de cada estado. A contagem pode demorar semanas, e a projeção permite saber com antecedência quem será o vencedor.
Há 178 anos, a AP é uma das fontes mais confiáveis para contabilizar os votos das eleições americanas.
A vitória de Trump marca o retorno do republicano ao poder após quatro anos, quando perdeu para o democrata Joe Biden em 2020. É a segunda vez que um presidente volta ao cargo na história, depois de Grover Cleveland (1893-1897 e 1885-1889).
Trump assume o cargo em 20 de janeiro de 2025. Ele terá nos dois primeiros anos de governo a Câmara e o Senado de maioria republicanas.
A eleição dele representa uma situação totalmente inédita na história dos Estados Unidos: Trump será o primeiro presidente já condenado na Justiça.
Em maio deste ano, ele foi condenado por fraude contábil ao declarar como gasto de campanha um pagamento feito a uma ex-atriz pornô. O dinheiro, segundo a acusação, foi pago para comprar o silêncio de Stormy Daniels para que ela não tornasse público o suposto caso que tiveram durante a campanha presidencial de 2016, da qual ele saiu vencedor.
O republicano ainda é réu em três processos diferentes, com dezenas de acusações. E, mesmo reeleito, ele terá de ir a julgamento e pode até governar atrás das grades se for condenado à prisão em algum deles.
Em um dos processos, Trump é acusado de tentar reverter de forma ilegal as eleições presidenciais de 2020. Ele sistematicamente contesta a sua derrota nas urnas naquele pleito, que culminou na invasão do Capitólio (o prédio do Congresso dos EUA) em janeiro de 2021.
O republicano é acusado ainda por 18 mulheres de crimes sexuais — três deles estupros — segundo um levantamento da rede de TV norte-americana ABC. Ele nega todos os casos.
Veja em quais processos Donald Trump é réu nos EUA
Trump entrou na política em 2016 já no posto máximo de seu país, a Presidência da República, ao vencer a democrata Hillary Clinton, e empurrou a sua sigla para uma direita ainda mais radical. Na campanha deste ano, foi além e prometeu a maior deportação de imigrantes na história do seu país.
Logo no começo da sua primeira gestão, Trump iniciou a construção de umpolêmico muro em algumas áreas da fronteira entre EUA e México— mas o projeto foi abandonado e ainda está sem conclusão.
Ele também retirou os EUA de uma série de tratados e acordos internacionais. Um deles foi o acordo nuclear histórico com o Irã que seu antecessor, o democrata Barack Obama, havia conseguido costurar. Trump aplicou uma série de sanções ao país rival, que retomou seu programa nuclear e, atualmente, ameaça usá-lo para fins militares, em meio às tensões com Israel.
Ao longo do seu governo, Trump repetiu ameaças de que retiraria os EUA da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), alegando que outros países-membro, principalmente os europeus, deveriam aumentar seus gastos militares para engordar o arsenal da aliança. Na campanha deste ano, voltou a criticar a Otan.
Trump usou o mesmo pressuposto, o de que os EUA pagam mais que outros países, para também abandonar o Acordo de Paris sobre as mudanças climáticas, alegando que as metas impostas aos norte-americanos eram muito altas. A retirada do acordo do clima foi uma das maiores polêmicas da gestão do republicano, que passou a presidência negando o aquecimento global.
Em paralelo, o ex-presidente conseguiu entregar uma série de vitórias para a ala mais conservadora do Partido Republicano no período. Ele nomeou três juízes da Suprema Corte, impulsionou cortes de impostos favoráveis a empresas e revogou uma série de regulamentações governamentais.
Seus quatro anos à frente da Casa Branca foram permeados ainda por dois impeachments, críticas por sua gestão na pandemia e, nos últimos dias, a invasão no Capitólio.
Três casamentos, cinco filhos
Donald Trump ao lado da mulher, Melania, e dos filhos Tiffany, Donald Jr., Eric e Ivanka, em entrevista à TV americana. — Foto: Reprodução/Youtube/CBS Evening News
Trump está no terceiro casamento, tem cinco filhos e dez netos. Com a primeira esposa, Ivana Trump, que nasceu na República Tcheca, ele ficou casado por 13 anos e teve três filhos: Donald Jr., Ivanka e Eric. O divórcio aconteceu ainda na década de 1990.
Trump tem outros dois filhos, frutos de duas relações diferentes: Tiffany, do casamento com sua segunda esposa, a atriz e modelo Marla Maples, e Barron Trump, seu caçula e único filho com sua atual esposa, a ex-modelo Melania Trump.
De origem eslovena, Melania é casada há mais de 20 anos com Trump. Os dois se conheceram durante uma festa em Nova York em 1998. Ela participou pouco da campanha do marido, e ficou na residência da família em Nova York a maior parte do tempo.
Como primeira-dama, durante a gestão de Trump entre 2017 e 2021, também manteve a discrição e deu poucas entrevistas, embora acompanhasse com frequência o marido em eventos e viagens internacionais.
O republicano tem uma fortuna estimada em cerca de US$ 6,5 bilhões (cerca de R$ 32 bilhões), fruto de seu conglomerado de empresas que inclui redes de hotéis, resorts, cassinos e campos de golfes dentro e fora dos Estados Unidos. E de uma carreira como personalidade da TV, que o alçou à fama antes de se tornar presidente dos EUA, em 2017.
Ao contrário do que já disse algumas vezes, Donald Trump não construiu sua fortuna do zero. Seus primeiros passos e milhões de dólares foram proporcionados por seu pai, Fred Trump, filho de um imigrante alemão que investiu no incipiente mercado imobiliário de Nova York na década de 1950.
Fred Trump escolheu Donald, o quarto dos cinco filhos que teve, como seu sucessor na carreira. Após se formar em economia na Universidade da Pensilvânia, em 1968, ele assumiu oficialmente a imobiliária da família.
Seu primeiro passo foi tentar ampliar os negócios do pai, focados em residências para famílias brancas no Queens, bairro de Nova York onde o ex-presidente nasceu, em 1946, viveu durante a infância e a adolescência.
Trump filho queria construir prédios altos em Manhattan e hotéis, campos de golfe e cassinos fora dos EUA. Para isso, pegou um empréstimo de cerca de US$ 500 milhões de seu pai, segundo o jornal “The New York Times”, e foi se firmando no mercado imobiliário da cidade ao longo da década de 1970 com construções que ele sempre batizava com o sobrenome da família.
Em 1980, veio seu primeiro processo judicial: foi acusado de discriminar famílias negras em aluguéis de apartamentos em um de seus prédios. Trump, que herdou uma empresa focada em famílias brancas, negou, mas o caso ganhou repercussão, e ele foi, então, em busca de um nome forte para sua defesa.
Bateu na porta do advogado Roy Cohn, uma dasfiguras mais polêmicas da história recente dos Estados Unidos que acabou por se tornar o grande mentor de Trump e responsável por moldar a personalidade política do então jovem empreendedor.
Roy Cohn foi advogado de grandes mafiosos de Nova York e assessorou o senador Joseph McCarthy na caça aos comunistas que marcou a década de 1950 nos EUA.
No processo em que foi acusado de discriminar famílias negras, Trump chegou a um acordo, mas, seguindo o lema de Cohn, declarou vitória alegando que em nenhum momento reconheceu culpa e acusou o governo de perseguição, seguindo a estratégia de ataque que marcaria o resto de sua carreira profissional e política.
Foi também com a ajuda de Cohn que o hoje candidato republicano construiu a Trump Tower,sua famosa torre residencial em Manhattan onde tem uma de suas residências, nos três últimos andares — atualmente, Trump vive com a família em uma mansão de 126 quartos no complexo residencial de Mar-a-Lago, na Flórida, do qual também é o dono.
“O Aprendiz” mostra como Donald Trump se transformou em um grande empresário
Foi também com a ajuda de seu mentor Roy Cohn que o então magnata migrou para a TV, já nos anos 2000.
Cohn, bem relacionado com a mídia local, intermediou para que o então magnata conseguisse fechar um contrato para estrelar o programa “O Aprendiz”, reality show no qual Trump escolhia um participante para trabalhar com ele — os outros todos eram “demitidos”.
E, apesar de que imprimia o sobrenome de seu pai em todas as suas construções, o nome Trump se consolidou como marca empresarial com o programa, que durou 14 temporadas e foi exportado para diversos outros países, inclusive o Brasil.
Além de alçar seu nome de forma nacional, a carreira na TV também salvou Trump de dívidas que ele havia acumulado em suas empresas, apesar dos milhões que herdou do pai.