Decisão vem após 10 aumentos seguidos. Taxa continua no maior nível em 16 anos.
Sede do Federal Reserv (Fed), Banco Central dos EUA. — Foto: REUTERS/Joshua Roberts
O Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, interrompeu o ciclo de alta de juros do país nesta quarta-feira (14), mantendo o referencial em uma faixa de 5% a 5,25%. A decisão veio após 10 altas consecutivas — o que elevou a taxa ao maior nível desde 2007.
A decisão veio em linha com as estimativas do mercado e, segundo a autarquia já vinha sinalizando, reflete os níveis ainda altos da inflação norte-americana.
“Indicadores recentes sugerem que a atividade econômica segue crescendo em ritmo modesto. Os ganhos de empregos foram robustos nos últimos meses e a taxa de desemprego permaneceu baixa. A inflação continua elevada”, disse o Fed em comunicado.
A autoridade monetária também afirmou que “manter o intervalo da meta estável nesta reunião permite ao Comitê avaliar informações adicionais e suas implicações para a política monetária”.
Em coletiva de imprensa após a divulgação da decisão, o presidente do Fed, Jerome Powell, destacou que todas as autoridades do Fed projetam mais aumentos de juros ainda este ano.
Ele também observou que a próxima reunião, em julho, será “ao vivo”, com uma possível nova alta na taxa.
Em comunicado, o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês), do Fed, voltou a fazer referência à turbulência que atingiu o sistema bancário norte-americano, diante da quebra dos bancos médios Silicon Valley Bank e Signature Bank e da crise enfrentada pelo First Republic Bank.
“O sistema bancário dos EUA é sólido e resiliente. Condições de crédito mais apertadas para famílias e empresas devem pesar na atividade econômica, nas contratações e na inflação. A extensão desses efeitos permanece incerta. O Comitê permanece altamente atento aos riscos de inflação”, afirmou.
O banco central norte-americano vinha aplicando altas sucessivas na taxa básica de juros para conter a alta inflação do país. Em termos simples, o arrocho monetário é uma forma de dificultar o acesso ao crédito, desaquecer a atividade econômica e, assim, incentivar a queda nos preços.
O objetivo do Fed é aplicar uma política monetária que reduza a inflação à casa dos 2% — marca que não é atingida desde fevereiro de 2021, quando chegou 1,7% no acumulado em 12 meses.
Desde então, foram sucessivas altas na inflação — atualmente na casa dos 4% — e, consequentemente, na taxa de juros, que vem em uma crescente desde março de 2022.
Jerome Powell apontou o setor de habitação como um dos desafios da inflação nos Estados Unidos. “A desinflação dos serviços desse setor será um pouco mais lenta do que esperamos”, disse.
“A inflação [geral] moderou um pouco desde meados do ano passado”, destacou Powell. “As pressões inflacionárias, no entanto, continuam altas.”
Presidente do Federal Reserve, Jerome Powell fala sobre as taxas de juros — Foto: Reuters
Alta taxa de juros nos Estados Unidos tende a se refletir em alta na cotação do dólar frente ao real, uma vez que há saída da moeda do Brasil, com o objetivo de buscar a melhor remuneração lá fora.
Os efeitos no país, contudo, também podem ser de longo prazo: juros altos nos EUA indicam uma desaceleração da economia mundial, já que os empréstimos e investimentos ficam mais caros.
Essa desaceleração tende a ter efeitos por aqui na forma de uma menor demanda pelos produtos e serviços brasileiros — que pode, no entanto, ajudar a reduzir a inflação doméstica.
Instituto Colombiano de Assistência à Família está cuidando das crianças, que foram hospitalizadas após passarem 40 dias sozinhas na selva.
Narciso Mucutuy, avô das crianças indígenas resgatadas, fala à imprensa da entrada do hospital. — Foto: AP Photo/Ivan Valencia
Uma batalha pela custódia das crianças indígenas que ficaram perdidas na Amazônia colombiana começou entre os parentes dos quatro irmãos, que foram encontrados na sexta-feira (9) após 40 dias de buscas.
O Instituto Colombiano de Assistência à Família (ICBF) informou na segunda-feira (12) que as autoridades ainda não decidiram se os irmãos ficarão sobre os cuidados dos avós ou do pai, que foi acusado de violência doméstica, segundo a AFP.
“Vamos conversar, investigar, saber um pouco da situação”, afirmou Astrid Cáceres, chefe do ICBF, em entrevista à rádio Blu. “O mais importante neste momento é a saúde das crianças, que não é só física, mas também emocional, a forma como os acompanhamos emocionalmente.”
Os irmãos, com idades entre 1 e 13 anos, sobreviveram sozinhos na floresta da Colômbia após o avião em que elas estavam cair. A mãe dos jovens, o piloto e um líder indígena que também estavam na aeronave morreram.
As crianças foram hospitalizadas e devem permanecer internadas por mais alguns dias para se recuperar. Cáceres disse que, enquanto isso, as autoridades estão avaliando os cenários para decidirem com quem ficarão os pequenos.
“Eles me abraçaram dizendo ‘pai, pai, vamos pra casa’. Eu disse a eles que os médicos precisavam examiná-los porque eles passam muito tempo na selva, então eles permaneceriam sob os cuidados do ICBF e depois chegaríamos a um acordo para que elas fossem entregues a nós”, disse Narciso Mucutuy, avô materno das crianças, à Reuters.
Pai acusado de violência doméstica
No domingo (11), o avô materno, Narciso Mucutuy, acusou o pai de dois dos jovens, Manuel Ranoque, de bater na mãe das crianças, que morreu no acidente. Falando com a imprensa, Ranoque reconheceu que o casal tinha problemas, mas caracterizou isso como um assunto privado e não “fofoca para o mundo”.
Questionado se havia agredido a esposa, Ranoque disse: “Verbalmente, às vezes, sim. Fisicamente, muito pouco. Tivemos mais brigas verbais”, de acordo com a AFP.
Outro ponto que pode interferir na decisão das autoridades é o fato de que Ranoque disse ter sido ameaçado por um grupo dissidente das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).
Manuel Ranoque, pai das crianças, conversa com repórteres em frente ao hospital onde os jovens estão. — Foto: Raul ARBOLEDA / AFP
“Acho que vou viver em tempo integral em Bogotá porque tenho problemas com a frente de Carolina Ramirez que está procurando por mim para me matar”, afirmou à Reuters. “Fui ameaçado. Para eles, sou um alvo, pois conheço toda a área. Tenho medo que essas pessoas sem-vergonha comecem a me pressionar por causa dos meus filhos, e não permitirei isso enquanto estiver vivo.”
O ex-grupo das Farc está envolvido com o narcotráfico e é conhecido por recrutar indígenas à força. Ranoque disse que teme por sua vida e de seus filhos e pediu ao governo colombiano que garanta sua segurança.
O pai das crianças também disse que não teve permissão para ver os dois filhos mais velhos no hospital. Cáceres se recusou a comentar o motivo.
“As crianças estão com uma defensora do ICBF, ela é quem acompanha a família e eles organizaram turnos de acompanhamento. A defensora tem feito determinações em relação a esses turnos”, disse a diretora do instituto à Radio W.
Colômbia divulga novas imagens do resgate das crianças sobreviventes de acidente aéreo
Ambiente seguro é essencial para recuperação
Robert Sege, pediatra e diretor do Centro Médico Tufts, em Boston, nos Estados Unidos, disse à AFP que ter um ambiente seguro para falar abertamente sobre o que aconteceu e sobre quaisquer emoções que possam estar sentindo, seja tristeza ou orgulho por ter sobrevivido, será a chave para a recuperação dos irmãos. Além disso, como as crianças processam o trauma pode variar de acordo com a idade.
“Nossos cérebros estão sempre tentando entender as coisas”, disse Sege. “E se estivermos em diferentes estágios de desenvolvimento, a maneira como fazemos sentido será diferente.”
Parentes e autoridades elogiaram Lesly, a irmã mais velha, por guiar os mais novos durante os 40 dias na selva.
“Deus me livre que a maioria dos adolescentes seja colocada nessa posição, mas ela claramente foi capaz de reunir seu juízo e descobrir o que precisava ser feito”, afirmou Sege. “É muito importante manter isso. As crianças, à medida que crescem, precisam se lembrar não apenas da tragédia, mas de como mantiveram o bebê vivo.”
O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está em uma posição vantajosa em relação aos outros candidatos presidenciais republicanos, apesar de enfrentar acusações relacionadas ao suposto manuseio inadequado de documentos confidenciais.
De acordo com uma pesquisa da CBS News-YouGov, Trump lidera com 61% dos votos entre os prováveis eleitores primários do Partido Republicano. O governador Ron DeSantis, da Flórida, aparece em segundo lugar com 23%, enquanto nenhum outro candidato alcança uma porcentagem de dois dígitos.
Os demais nomes mencionados na pesquisa, o ex-vice-presidente Mike Pence e o senador Tim Scott, ambos obtêm 4% cada, enquanto a ex-governadora da Carolina do Sul, Nikki Haley, possui 3%. Outros postulantes registra, 1% de intenção de voto.
Quando questionados sobre quais candidatos eles estão considerando votar nas primárias, 75% dos prováveis eleitores republicanos mencionaram Trump, 51% mencionaram DeSantis, 21% mencionaram Scott, 16% mencionaram Pence e 15% mencionaram Haley.
A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos irá analisar denúncias de um veterano da força Aérea de que o governo norte-americano teria recuperado e abrigado naves extraterrestres
Os Estados Unidos são o alvo de um novo foco de investigações sobre a existência de vida extraterrestre e a possibilidade de eles terem entrado em contato com a humanidade. A Câmara dos Representantes do país irá analisar denúncias de que o governo norte-americano teria abrigado secretamente diversas naves especiais extraterrestres.
De acordo com o presidente do Comitê de Supervisão da Câmara, James Comer, um grupo irá analisar a denúncia de um veterano da Força Aérea, que apresentou informações sobre o que ele afirma serem naves extraterrestres recuperadas e mantidas em segredo pelo governo dos EUA. Ele confirmou a informação ao site NewsNation.
David Grusch, ex-membro da National Geospatial-Intelligence Agency, falou à NewsNation sobre o assunto. “Eles estão recuperando veículos técnicos de origem não humana – chame-os de espaçonaves, se quiser – veículos de origem exótica não humana que pousaram ou caíram”.
Isso inclui espaçonaves de várias outras espécies, de acordo com Grusch, que alega que o governo dos EUA recuperou essas naves não humanas por décadas. “Tenho muitos ex-oficiais de inteligência sênior que vieram até mim, muitos dos quais conheci quase toda a minha carreira, que me confidenciaram que faziam parte de um programa”, disse o denunciante.
Esta é a segunda notícia relacionada a investigação sobre OVNIs divulgada nos Estados Unidos em junho, no dia 1o, a Nasa informou que uma equipe de 16 especialistas e cientistas pretende publicar seu primeiro relatório sobre fenômenos anômalos não identificados até o meio do verão.
“Fenômenos anômalos não identificados realmente chamaram a atenção do público, da comunidade científica e, atualmente, também do governo dos EUA, e nós da Nasa acreditamos fortemente que é nossa responsabilidade trabalharmos juntos para investigá-los com o escrutínio científico pelo qual a Nasa é bem conhecida”, disse Dan Evans, vice-administrador adjunto para Pesquisa e Direção de Missões Científicas da agência.
Segundo meteorologistas ouvidos pelo g1, a expectativa é de que no ano de 2023 se configure um Super El Niño, com temperaturas até 2,5°C acima da média em alguns locais do mundo.
Foto: William Patzert/Divulgação
A Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOAA) declarou nesta quinta-feira (8) que as condições para a formação do fenômeno El Niño estão oficialmente confirmadas.
A ocorrência do evento de variação climática já era amplamente esperada. Há expectativa de especialistas de que ele possa até mesmo se configurar como um Super El Niño.
A confirmação de que o “El Niño” está entre nós foi divulgada por Emily Becker, uma cientista do clima e comunicadora da NOAA. Segundo ela, “as chances dele se tornar um evento forte em seu pico são de 56%, enquanto as chances de termos pelo menos um evento moderado são de aproximadamente 84%“.
ONU alerta para a volta do El Niño e o risco de calor recorde
“Embora as condições do El Niño tenham se desenvolvido, ainda há uma pequena chance (4-7%) de que as coisas desapareçam. Claramente, achamos que isso é improvável, mas não é impossível”, afirmou Emily Becker.
Já a cientista do clima Michelle L’Heureux, chefe do escritório de previsão de El Niño da NOAA, disse que o fenômeno se formou 2 meses antes da maioria dos outros El Ninõs e que ainda há chances de o evento crescer. As estimativas indicam que há 25% de chance de termos um Super El Niño.
O El Niño é um dos fatores que pode influenciar na previsão de recordes de temperaturas nos próximos quatro anos. De acordo com a Organização Mundial Meteorológica (OMM), há uma probabilidade de 66% de a média anual de aquecimento ultrapassar 1,5°C entre 2023 e 2027.
Mas o que é o El Niño? Qual a sua diferença para o La Niña? Os dois fenômenos determinam mudanças nos padrões de transporte de umidade e, portanto, variações na distribuição das chuvas em algumas partes do mundo — inclusive o Brasil.
Segundo o International Research Institute for Climate and Society, os dois fenômenos, El Niño (EN) e La Niña (LN), tem as seguintes características:
tendem a se desenvolver entre abril e junho
atingem o pico entre outubro e fevereiro
duram entre 9 e 12 meses,
podem persistir por até aproximadamente 2 anos
recorrem em intervalos de 2 a 7 anos
Quando o El Niño está ativo a água do oceano na zona equatorial está mais quente — Foto: William Patzert/Divulgação
Ou seja, acontecem de maneira alternada e periódica, com um período de neutralidade entre eles. Bruno Kabke Bainy, meteorologista do Cepagri/Unicamp, explica que eles não impactam o mundo todo.
Para determinar que um dos dois fenômenos está em curso é preciso haver persistência na alteração de temperatura no Oceano Pacífico por, pelo menos, cinco ou seis meses de registros de altas ou quedas para que um dos fenômenos se consolide de fato.
Mais abaixo, você verá as respostas para algumas perguntas sobre os dois fenômenos respondidas por dois meteorologistas. São elas:
O que é o El Niño
O que é a La Niña?
Por que eles acontecem?
Tem relação com o aquecimento global?
Quais os impactos no clima do Brasil?
Quais os impactos em outros lugares do mundo?
2023: ano de El Niño
O El Niño é a fase positiva do fenômeno chamado El Niño Oscilação Sul (ENOS). Ou seja, quando ele está em atuação, o calor é reforçado no verão e o inverno é menos rigoroso. Isso ocorre porque ele dificulta o avanço de frentes frias no país, fazendo com que as quedas sejam mais sutis e mais breves.
O ar se torna mais seco e passa a circular para baixo, o que dificulta a formação de chuva e está associado a períodos de secas.
De acordo com o meteorologista Bruno Bainy, ele se caracteriza como temperaturas acima da média na região do Pacífico Equatorial, na região leste, invertendo a circulação normal do ar (como demonstrado no infográfico mais abaixo).
“Só que isso não fica só no oceano. Como oceano e atmosfera são sistemas que atuam em conjunto, isso acaba repercutindo também na situação geral da atmosfera e causa variabilidade climática em várias partes do mundo”, explica.
Esse mecanismo por meio do qual a temperatura da superfície das águas interage com o ar atmosférico e muda o comportamento das chuvas é chamado de teleconexão.
El Niño e La Niña — Foto: Arte g1/Luisa Rivas
Já no caso da La Niña, é reforçada a circulação do ar atmosférico e o processo é inverso. Ou seja, enquanto o El Niño aumenta as temperaturas, La Niña derruba.
“Fica em torno de 0,5ºC abaixo da média”, explica Estael Sias, meteorologista do MetSul. Ela relembra que, durante o carnaval deste ano vivemos dias frios, o que é um reflexo do fenômeno.
O efeito, especialmente no Centro-sul do país, é aumentar o período da chegada de massas de ar frio, que alcançam o continente mais cedo e se prologam durante a primavera e verão, fora de época. Consequentemente, as chuvas são reduzidas e isso pode provocar problemas de abastecimento de água, como já ocorreu na Argentina e Uruguai.
E vale ressaltar que não necessariamente um fenômeno não vai produzir efeito contrário do outro nos lugares cujos climas são influenciados por eles.
3- Por que eles acontecem?
Por causa do aquecimento e resfriamento das águas do Oceano Pacífico, que é o maior oceano do planeta.
Estael explica que eles também são chamados de “fenômenos acoplados” porque começam no oceano, com resfriamento ou aquecimento, e depois de um tempo começam a impactar na atmosfera.
Nesse exato momento, já está sendo observada uma mudança no oceano, no entanto ainda não há nenhum dos dois na configuração clássica porque isso exige um período de consistênciapara consolidar a formação do fenômeno.
Daqui a quatro ou cinco semanas essa alteração oceânica começará a gerar consequências na atmosfera, o que posteriormente demarcará o surgimento do EN.
“Quando falamos da configuração básica, o patamar mínimo é 0,5°C grau de resfriamento ou aquecimento, e para isso demanda muita energia porque é o maior oceano do planeta”, explica a meteorologista sobre o porquê demora para poder confirmar a atuação do fenômeno.
4- Tem relação com o aquecimento global?
Não. Bruno explica que essa variabilidade climática é diferente de mudança climática(que é definitiva, quando o regime climático como um todo se altera e cria um novo padrão).
“Elas são perturbações, como ondas, causando uma alteração temporária no regime climático, na ordem de algo entre 1 a 2 anos”, diz.
No entanto, as mudanças climáticas devem afetar inclusive esses mecanismos de variabilidade porque a propria circulação dos oceanos deve mudar e afetar como o clima vai repercutir ao redor do globo.
“Um ano de Super El Niño pode reforçar o aquecimento global. É um bate volta, se retroalimentam”, explica Estael.
5- Quais os impactos no clima do Brasil?
causa secas no Norte e Nordeste do país (chuvas abaixo da média), principalmente nas regiões mais equatoriais;
provoca chuvas excessivas no Sul do país e no sudeste do país.
as temperaturas ficam mais baixas no Sudeste, principalmente nos meses de verão;
no Sul são esperadas secas;
nas regiões mais equatoriais do Norte e Nordeste são esperadas chuvas acima da média.
6- Quais os impactos em outros lugares do mundo?
A tendência é que sejam produzidos efeitos durante o verão. Na Oceania e Indonésia, quando ocorre EN, o tempo fica mais seco. Quando ocorre LN, o clima se torna mais chuvoso.
Em partes do leste da África, fica mais seco e quente. Na costa leste da África, na região mais equatorial, a tendência q o EN deixe mais chuvoso e mais ao sul do continente mais seco e quente. Já nos EUA, o principal efeito é nas temperaturas, o inverno fica mais quente, menos rigoroso.
7- 2023: ano de El Niño
Entre os anos de 2015 e 2016 aconteceu o que é chamado de Super El Niño e, atualmente, a configuração observada indica que em 2023 é possível que ele ocorra novamente em grande intensidade.
A escala do fenômeno é medida de acordo com os seguintes parâmetros:
até 0,9°C de mudança na temperatura é considerado fraco,
a partir de 1,4°C é médio;
de 1,5°C até 2°C é forte;
um aquecimento ou resfriamento de 2,5°C ou mais é classificado como super.
Durante praticamente três anos de LN, os impactos foram sentidos principalmente no centro e Norte do Brasil entre dezembro e fevereiro. Agora, é esperado que o EN se instale oficialmente em junho, antes do previsto. Em geral, ele começa a ocorrer em setembro.
“Esse outono mais quente já pode ser um efeito dele”, diz Bruno. E, se confirmado esse cenário, grandes volumes de chuva são esperados.
Ainda segundo o meteorologista, conhecer como esses mecanismos afetam o clima é essencial, uma vez que eles atuam a longo prazo e provocam mudanças que, embora sejam temporárias, persistem e alteram padrões de chuva e de temperatura em muitas áreas do Brasil.
Lidar bem com isso requer o planejamento de recursos hídricos e diversas atividades. É importante o conhecimento disso e o acompanhamento para melhor gerenciamento de risco e de atividades no geral
O criminoso foi detido pela polícia logo depois do ataque | Foto: Foto: Reprodução
Um ataque com faca na França deixou seis crianças e dois adultos feridos nesta quinta-feira, 8. Eles estavam em um parque em Annecy, no sudeste do país. Segundo as autoridades, um suspeito foi detido.
De acordo com as informações da agência de notícias Reuters, o agressor é um sírio. Algumas testemunhas falaram que ele usava um turbante no momento do ataque com faca.publicidade
As crianças, entre três e cinco anos de idade, estavam brincando no parque de uma praça da cidade na companhia dos adultos quando o agressor se aproximou.
Entre as vítimas, três foram socorridas em estado grave. Não há informações sobre o estado de saúde delas.
Reação na França
O presidente do país, Emmanuel Macron, disse que “a nação está em choque” depois do ataque com faca.
“Covardia absoluta esta manhã em um parque em Annecy. Crianças e adultos estão entre a vida e a morte. A nação está em choque. Nossos pensamentos estão com eles, suas famílias e os serviços de emergência”, publicou Macron nas redes sociais.
Attaque d’une lâcheté absolue ce matin dans un parc à Annecy. Des enfants et un adulte sont entre la vie et la mort. La Nation est sous le choc. Nos pensées les accompagnent ainsi que leurs familles et les secours mobilisés.
A primeira-ministra francesa, Elisabeth Borne, viajará para Annecy com o ministro do Interior, Gérald Darmanin, ainda hoje, de acordo com o governo francês.
O ministro da Saúde, François Braun, também se manifestou. “Todos os meus pensamentos vão imediatamente para as pessoas feridas por um indivíduo armado com uma faca em Annecy e para seus entes queridos”, escreveu Braun.
O Papa Francisco, de 86 anos, passará por uma cirurgia de emergência sob anestesia geral, na tarde desta quarta-feira no hospital Gemelli, em Roma, devido ao risco de obstrução intestinal, informou o Vaticano em comunicado. A operação acontece por causa do agravamento dos sintomas apresentados pelo pontífice, que deverá ficar internado por “vários dias” para se recuperar do pós-operatório.
De acordo com o comunicado do Vaticano, ele será operado na parede abdominal sob anestesia geral. Mais cedo, o pontífice participou da audiência semanal na praça São Pedro, no Vaticano, onde não fez nenhuma menção à operação planejada.
“A operação agendada nos últimos dias pela equipe médica que assiste o Santo Padre, tornou-se necessária devido a uma laparocele que está causando síndromes suboclusivas recorrentes, dolorosas e agravadas. A permanência na unidade de saúde durará vários dias para permitir o curso normal do pós-operatório e a recuperação funcional completa”, diz a nota divulgada à imprensa.
Ataque ocorreu na região de Kherson, no sul, em área controlada pela Rússia. Cerca de 22 mil pessoas podem ser afetadas, segundo a agência estatal russa RIA. Moscou e Kiev se acusam mutuamente pela autoria do ataque.
Imagem de satélite mostra trecho onde barragem foi rompida após explosão em Nova Kakhova, no sul da Ucrânia, em 6 de junho de 2023. — Foto: Reuters
Um ataque no sul da Ucrânia rompeu nesta terça-feira (6) a barragem de uma usina hidrelétrica, inundando a cidade de Nova Kakhovka e ameaçando o funcionamento da usina de Zaphorizhzhia, a maior central nuclear da Europa.
A cidade e toda a região são controladas atualmente pela Rússia. Os dois países trocaram acusações sobre a autoria do ataque.
A explosão aconteceu na barragem de Nova Kakhovka, na região de Kherson. Segundo a agência estatal russa RIA, 22 mil pessoas podem ser afetadas. Já o governo da Ucrânia disse que 80 povoados podem ser inundados.
A barragem alvo do ataque foi construída em 1956 e possui um reservatório de 18 km³. Esse reservatório fornece água para a península da Crimeia e para a usina de Zaporizhzhia – a maior central nuclear da Europa – ambas em territórios ucranianos controlados pela Rússia.
O nível da água subiu 5 metros depois da explosão, e moradores do entorno do rio Dnipro, por onde passa a barragem, já deixaram suas casas, que ficaram alagadas.
Barragem é atingida durante ataque à Ucrânia; moradores estão sendo retirados do local
Imagem de câmera de segurança mostra rompimento de barragem em Nova Khakova, no leste da Ucrânia, após uma explosão, em 6 de junho de 2023. — Foto: Reprodução via Reuters
O governador de Kherson, ligado ao governo da Ucrânia, disse que a água pode atingir níveis críticos nas próximas horas.
Imagem aérea mostra inundação após barragem ser explodida na Ucrânia — Foto: Reuters
A agência estatal de energia atômica da Ucrânia disse que a explosão da barragem coloca em risco a usina nuclear de Zaporizhzhia, que usa a água do reservatório para segurança da operação. No entanto, segundo a agência, a situação está sob controle.
De acordo com a agência estatal de energia hidrelétrica da Ucrânia, a usina de Kakhovka foi totalmente destruída depois de uma explosão na sala de máquinas, não podendo ser restaurada.
Imagens de satélite mostram dano em barragem de usina da Ucrânia — Foto: Maxar Technologies/Reuters
Após a Ucrânia anunciar que a barragem havia sido alvo de um bombardeio russo, o prefeito da cidade onde fica a usina, ligado ao governo russo, negou a explosão e disse que tudo estava “quieto e calmo”.
No entanto, o prefeito mudou a versão momentos depois, afirmando que a barragem tinha sido alvo de um bombardeio. Ele classificou o caso como um “sério ato terrorista”, acusando a Ucrânia.
Agências de notícias da Rússia afirmam que a barragem foi destruída por uma série de bombardeios ucranianos.
Já as autoridades ucranianas afirmaram que o presidente Volodymyr Zelensky convocou uma reunião de emergência para discutir a destruição da barragem.
A inteligência militar da Ucrânia disse que o caso é um crime de guerra.
“Os ocupantes explodiram a represa do reservatório de Kakhovka em pânico – este é um ato óbvio de terrorismo e um crime de guerra, que será provado em um tribunal internacional”, disse em comunicado.
Concebido em meio à Guerra Fria, o Tupolev Tu-144 voou antes mesmo do famoso Concorde. Mas uma carreira de mistérios, problemas operacionais e até suspeitas de espionagem levaram o modelo, apelidado de ‘Concorski’, ao esquecimento.
Tupolev Tu-144, apelidado de ‘Concordski’, com as bandeiras da Rússia e dos EUA pintadas na cauda, é exibido em aeroporto em Moscou, em 17 de março de 1996 — Foto: AP/Arquivo
No dia 31 de dezembro de 1968, em um aeroporto nos arredores de Moscou, um grupo de engenheiros soviéticos estava em êxtase: pela primeira vez, um avião de passageiros mais rápido que a velocidade do som havia saído do chão. Eles haviam largado à frente no que imaginavam ser a próxima fronteira da aviação.
Essa aeronave era o que de mais moderno havia em seu tempo. Alguns de seus feitos jamais foram superados – e, no entanto, o Tupolev Tu-144 fez pouco mais de 100 voos oficiais antes de ser aposentado, caindo no esquecimento em seguida.
Por que uma das máquinas mais pioneiras da história é tão desconhecida? E por que ela provou ser um fracasso retumbante?
A história do Tu-144 se mistura com a da Guerra Fria e envolve suspeitas de espionagem, propaganda e mistérios até hoje não esclarecidos.
“A gente pode afirmar que o Tu-144 foi usado como uma tremenda de uma ferramenta de propaganda”, define o consultor em aviação Gianfranco Beting.
Nos anos 1960, havia uma disputa entre a União Soviética e as potências ocidentais pela supremacia tecnológica. Enquanto EUA e Moscou tomavam a frente na corrida espacial em direção à conquista da Lua, engenheiros também desenvolviam aviões de passageiros maiores e mais velozes.
“Havia duas correntes de pensamento”, afirma Beting. “Uma que apontava para o incremento da velocidade, enquanto outra dizia que o futuro estava no incremento de tamanho [dos aviões].”
Os EUA tentaram, mas fracassaram em criar um avião de passageiros mais rápido que o som. Na Europa, as empresas British Aircraft Corporation e a francesa Sud Aviation uniram esforços para desenvolver o que seria o Concorde.
No bloco soviético, os engenheiros da Tupolev tomaram as rédeas do projeto – e, para a surpresa dos ocidentais, conseguiram fazer um protótipo levantar voo cerca de dois meses antes dos europeus. A semelhança motivou o apelido jocoso do modelo: ‘Concordski’.
O sucesso até hoje motiva debates sobre o possível roubo de informações do projeto do Concorde por espiões russos – algo que Beting, autor de diversos livros sobre aviação, contesta.
“Até por uma questão de guerra mesmo, de propaganda entre nações, foi muito conveniente dizer que o Tupolev 144 era uma cópia do Concorde”, ele diz.
“Mas quando a gente analisa os projetos de perto, a gente vê que não é bem assim. O 144 era mais rápido, maior, tinha uma série de soluções de engenharia muito diferentes”, explica Beting, apontando para pontos cruciais, como a posição dos motores na asa.
Tupolev Tu-144 é exibido nas cores da Aeroflot à frente de Concorde, da Air France, em museu na Alemanha — Foto: Daniel Maurer/AP/Arquivo
Em 1970, ainda em fase de testes, o Tu-144 se tornou o primeiro avião de passageiros a superar Mach 2 – ou seja, duas vezes a velocidade do som (para fins de comparação, isso seria o equivalente a quase 2.500 km/h a nível do mar). Atualmente, um avião em velocidade de cruzeiro raramente ultrapassa os 1.000 km/h.
Os avanços no projeto do Tupolev, porém, escondiam uma série de problemas que iriam se tornar fatais mais adiante.
Para Beting, as inovações de um avião supersônico estavam muito à frente das capacidades tecnológicas e industriais da União Soviética na época. A vontade política de mostrar pioneirismo fez com que o Tupolev levantasse voo com um desenho menos refinado e motores mais “beberrões” que o Concorde. Até a qualidade da borracha soviética impedia que um trem de pouso mais leve fosse instalado, por exemplo.
Para a opinião pública, a defasagem do Tupolev foi atestada com uma tragédia durante um voo de exibição em frente aos olhos do Ocidente.
Durante o Paris Air Show de 1973, no aeroporto francês de Le Bourget, Concorde e Tupolev ficaram lado a lado. Nenhum deles havia entrado em operação regular, mas a expectativa era grande no setor.
No dia 3 de junho – há exatos 50 anos -, pouco após a demonstração do Concorde, o Tupolev Tu-144 decolou, fez um rasante sobre a pista e, em seguida, entrou em uma série manobras bruscas, que fizeram a aeronave se desintegrar em pleno ar.
Vilarejo de Goussainville, na França, em meio a escombros após a queda do Tupolev Tu-144, em 1973 — Foto: Michel Lipchitz/gk/AP/Arquivo
Todos os seis ocupantes morreram, além de outras oito pessoas em solo, no vilarejo de Goussainville.
Nem as autoridades francesas, nem as soviéticas foram completamente transparentes quanto à fatalidade. Especula-se que a França tenha posicionado um caça Mirage para voar perto do Tupolev – possivelmente para coletar informações do projeto, resultando em manobras evasivas do piloto russo.
“Isso é uma questão muito difundida. O fato é que foram excedidos os limites estruturais do avião, levando à ruptura da asa. Isso está filmado, muita gente viu, muita gente testemunhou o acidente”, conta Gianfranco Beting.
O mais perigoso de todos os tempos
Uma vez em operação, também antes do Concorde, os pontos fracos do Tu-144 ficaram claros até para as autoridades soviéticas e os operadores da aeronave.
O risco era tal que, antes de levar passageiros, o primeiro avião comercial supersônico do mundo passou anos levando somente carga e correspondência entre Moscou e a cidade de Almaty, que fica no atual Cazaquistão. A rota, inclusive, foi a única em que o modelo operou em toda a sua vida útil.
Para Beting, “o 144 foi sendo produzido e testado num ritmo alucinante em relação ao desenvolvimento tecnológico. Muita coisa ficou pelo caminho e, quando o avião ficou pronto pra voar, ele começou a mostrar uma série de problemas”.
Segundo o pesquisador, foram feitos somente 55 voos com passageiros entre 1977 e 78. Contando os voos de carga, foram 103 no total: “Um projeto completamente fracassado, sob vários aspectos”.
“Isso é uma coisa incrível”, completa. “Foram 181 horas voadas e, dentro delas, foram registradas 226 falhas – oitenta delas em voo. Isso é o que está, pelo menos, guardado nos livros. Esse número pode ser ainda maior.”
Isso é o suficiente, segundo Beting, para colocar o Tu-144 no topo da lista de aviões de passageiros mais perigosos para se voar.
O voo supersônico não era nem ao menos agradável: a fricção do ar com a fuselagem criava um barulho ensurdecedor dentro da cabine. Passageiros relataram que não era possível sequer conversar com quem estava na poltrona do lado.
Depois de outros dois acidentes com mortos, o Tu-144 jamais voltou a ser usado na aviação civil. Ele conseguiu uma sobrevida como aeronave de teste no programa espacial soviético, nos anos 80 – e, por ironia, os americanos usaram o modelo para testes para um novo avião supersônico, na década seguinte. Mais uma vez, este acabou não saindo do papel.
Enquanto o Tupolev permanecia no chão, o Concorde permaneceu em operação até 2003, antes de ser aposentado por seus altos custos operacionais. Caso sirva de consolo para os engenheiros soviéticos, porém, ele não chegou nem perto de fazer o sucesso que se esperava.
“A despeito da qualidade dos projetos”, afirma Beting, “quando esses aviões estavam sendo projetados, o preço do petróleo era um, e quando entraram em serviço, era outro”.
Com o preço do combustível nas alturas e pressões de ambientalistas por conta do ruído e do gasto energético, a operação do Concorde também ficou muito restrita. Para que desse lucro para as empresas aéreas, os supersônicos tinham passagens caríssimas, e ficaram famosos por transportar magnatas e voos regados a champanhe – principalmente entre Londres e Nova York, num trecho que durava cerca de três horas.
Hoje, com o Concorde e o Tu-144 parados em museus, fica claro que estavam certos aqueles que, lá nos anos 1960, apostaram que o futuro estava nos grandes aviões de passageiros – mesmo que eles cruzem os céus um pouco mais devagar.