Pontífice de 88 anos, internado devido à pneumonia, estende trabalho do Sínodo dos Bispos e planeja consultas globais nos próximos três anos
Foto: Vatican News/Vatican Media
O Vaticano anunciou neste sábado (15) que o papa Francisco aprovou um novo processo de três anos para considerar reformas na Igreja Católica, sinalizando que, apesar de sua luta contínua contra uma pneumonia bilateral, o pontífice de 88 anos tem a intenção de continuar no cargo.
Francisco decidiu expandir o trabalho do Sínodo dos Bispos, uma iniciativa de seu papado, que discutiu temas como a possibilidade de mulheres atuarem como diaconisas e a maior inclusão de pessoas LGBTQIA+ na Igreja.
O Sínodo, que realizou uma cúpula inconclusiva sobre o futuro da Igreja em outubro do ano passado, agora realizará consultas com católicos ao redor do mundo nos próximos três anos, antes de sediar uma nova cúpula em 2028.
A aprovação do novo processo de reformas foi feita por Francisco na terça-feira (11) no hospital Gemelli em Roma, onde está internado.
O papa está hospitalizado há mais de um mês, e sua ausência pública prolongada gerou especulações sobre a possibilidade de ele seguir os passos do antecessor Bento XVI e renunciar ao papado. No entanto, amigos e biógrafos insistem que ele não tem planos de renunciar, e a aprovação de um novo processo de três anos indica que ele pretende continuar, apesar das dificuldades para se recuperar da pneumonia, agravadas pela sua idade e condições médicas.
“O Santo Padre […] está ajudando a impulsionar a renovação da Igreja em direção a um novo impulso missionário”, afirmou o cardeal Mario Grech, líder do processo de reforma, ao meio de comunicação do Vaticano. “Este é realmente um sinal de esperança.”
Após a cúpula inconclusiva do Vaticano em outubro, que não resultou em decisões sobre reformas concretas, surgiram dúvidas sobre a força do pontificado de Francisco. Autoridades do Vaticano disseram que o papa ainda estava considerando mudanças e esperava receber uma série de relatórios sobre reformas em junho.
Os boletins médicos mais recentes do Vaticano informam que o papa está se recuperando e não corre mais risco imediato de morte, embora os médicos não tenham divulgado uma data para sua alta do hospital.
Simpatizantes se reuniram todos os dias em frente ao hospital para demonstrar apoio a Francisco durante sua recuperação.
Stefania Gianni, uma italiana em tratamento de câncer na unidade, elogiou Francisco neste sábado (15), dizendo: “Ele deu grandes passos para atualizar a Igreja com os tempos. Ele é um grande homem e um grande papa, e a Igreja ainda precisa dele.”
A porta-voz Karoline Leavitt deu a declaração depois das conversas entre Trump e Putin
Karoline Leavitt, porta-voz da Casa Branca, comentou as conversas que Trump tem tido com Putin, sobre a guerra entra a Rússia e a Ucrânia | Foto: Reprodução/Instagram/Karoline Leavitt
Karoline Leavitt, porta-voz da Casa Branca, afirmou que a paz na Ucrânia está mais próxima do que nunca. Ela deu a declaração nesta sexta-feira, 14, em entrevista a jornalistas.
“Ontem foi um dia produtivo para os Estados Unidos da América e para o mundo, em termos de paz”, disse Karoline. “Nunca estivemos tão perto da paz.”
Na quinta-feira 13, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, enviou uma mensagem ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a proposta de um cessar-fogo na Ucrânia. O russo enviou o comunicado por meio de Steve Witkoff, que viajou ao país do leste europeu como enviado especial dos EUA, nesta quinta-feira.
Rússia vê com “otimismo cauteloso” o acordo com a Ucrânia
O presidente russo afirmou ao republicano que Moscou vê com “otimismo cauteloso” um acordo entre os dois países em conflito.
Trump, por sua vez, escreveu na rede social Truth que teve uma conversa “muito boa e produtiva” com Putin. O presidente norte-americano tem afirmado repetidamente que deseja um cessar-fogo e a paz entre os dois países.
Trump tem afirmado repetidamente que deseja um cessar-fogo e que o conflito entre Rússia e Ucrânia acabe | Foto: Reprodução/Redes sociais
De acordo com o republicano, a invasão da Ucrânia pela Rússia já custou centenas de milhares de vidas de ambos os países.
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, também se manifestou. Por meio do X, ele afirmou que apoia a proposta dos EUA por um “cessar-fogo incondicional de 30 dias”.
Libertação dos reféns
Segundo Zelensky, contudo, o primeiro passo em direção à paz justa e duradoura deve incluir a libertação dos reféns ucranianos.
“O mundo inteiro quer a paz”, afirmou Zelensky. “Contudo, a Rússia não está disposta a acabar com a guerra. Em vez disso, busca condições para prolongá-la. Devemos tomar medidas em direção à paz e exercer pressão sobre a única razão pela qual a guerra ainda está em andamento.”
Decisão reflete o novo direcionamento de Trump na política ambiental
O Secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, descreveu as pesquisas climáticas como ‘lixo’ | Foto: Reprodução/Instagram/Pete Hegseth
O Departamento de Defesa dos Estados Unidos anunciou, nesta terça-feira, 11, o cancelamento de mais de 90 estudos sobre mudanças climáticas e ciências sociais. A decisão reflete um novo direcionamento na política ambiental e de segurança sob a administração do presidente Donald Trump.
No X, o secretário de Defesa norte-americano, Pete Hegseth, descreveu as pesquisas climáticas como “lixo”. Anteriormente, os militares e os oficiais dos EUA afirmavam que as supostas mudanças climáticas seriam “uma ameaça à segurança nacional” do país. Agora, sob a nova administração Trump, há outro direcionamento sobre o tema.
Decisão do governo dos EUA visa à economia de US$ 30 mi
Entre os estudos cancelados estavam pesquisas sobre a vulnerabilidade a riscos climáticos na África, relacionados à escassez de alimentos. A decisão do governo norte-americano, de cancelar os estudos, visa à economia de US$ 30 milhões em um ano.
A medida está alinhada com outras ações da administração Trump. Recentemente, o presidente norte-americano se afastou de iniciativas multilaterais e acordos climáticos internacionais. Inclusive, o republicano retirou os EUA do conselho do fundo de danos climáticos da Organização das Nações Unidas.
Durante o governo do ex-presidente Joe Biden, o Pentágono havia dito que incluiria o risco de mudanças climáticas em simulações militares e jogos de guerra. Trump, ao assumir o poder, cancelou a iniciativa.
A partir de agora, cabe ao presidente Marcelo Rebelo de Sousa decidir se dissolve a Assembleia da República e convoca um novo pleito
Luís Montenegro é presidente do PSD de Portugal | Foto: Reprodução/Instagram/@luismontenegropsd
O primeiro-ministro de Portugal, Luis Montenegro, sofreu uma derrota no Parlamento nesta terça-feira, 11 de março, ao perder uma moção de confiança. Com isso, seu governo, que estava no poder havia cerca de um ano, foi derrubado, e o país pode enfrentar eleições antecipadas.
A queda de Montenegro ocorreu em meio a um escândalo de conflito de interesse e contou com o apoio de uma coalizão improvável no Parlamento. Partido Socialista (PS), Chega! (de direita) e deputados da esquerda votaram contra o governo.
A partir de agora, cabe ao presidente Marcelo Rebelo de Sousa decidir se dissolve a Assembleia da República e convoca um novo pleito. A imprensa portuguesa revelou que o presidente chamou os partidos para audiências nesta quarta-feira, 12, e marcou uma reunião do Conselho de Estado para a quinta-feira 13. O decreto de dissolução do Parlamento pode ser publicado na sexta-feira 14.
Escândalos e acusações contra Montenegro
A crise política se intensificou depois que o Partido Socialista apresentou um pedido formal para investigar Montenegro e alegou que ele favoreceu uma empresa de sua família em contratos públicos e privados. O primeiro-ministro negou qualquer irregularidade e enviou respostas por escrito à oposição, mas isso não foi suficiente para conter as suspeitas.
Montenegro já havia superado duas moções de censura, mas a revelação de que uma empresa de sua esposa e filhos mantinha contratos com empresas privadas dependentes de concessões públicas agravou a situação. Diante da repercussão, ele anunciou que os filhos assumiriam o controle exclusivo da empresa familiar, mas a medida não foi suficiente para evitar sua queda.
Ao sair do Parlamento, Montenegro declarou que seu governo tentou até o último momento evitar a necessidade de novas eleições. No entanto, a oposição argumenta que seu governo estava politicamente esgotado.
Possíveis eleições e cenário político em Portugal
Caso o Parlamento seja dissolvido, um novo pleito pode ocorrer em 11 ou 18 de maio. Montenegro confirmou que será candidato novamente, caso haja eleições antecipadas.
O atual primeiro-ministro assumiu o cargo no ano passado, depois da renúncia do socialista António Costa, investigado por suposto tráfico de influência. Costa, agora presidente do Conselho Europeu, sempre negou as acusações.
A ascensão do partido Chega!, de direita, também marcou a eleição que levou Montenegro ao poder. A legenda cresceu de 12 para 50 cadeiras no Parlamento, atingiu 18% dos votos e tornou-se a terceira maior força política do país.
Pontífice está respondendo bem ao tratamento medicamentoso
Foto: Divulgação/Vatican News
O papa Francisco, de 88 anos, não corre risco imediato de morte. De acordo com o Vaticano nesta segunda-feira (10), o pontífice está respondendo bem ao tratamento no hospital em um sinal de progresso, enquanto luta contra uma pneumonia dupla.
“As melhoras registradas nos dias anteriores se consolidaram ainda mais, conforme confirmado por exames de sangue e avaliações clínica, bem como uma resposta aos tratamentos medicamentosos”, diz o comunicado.
Apesar dos médicos terem suspendido um prognóstico cauteloso anterior, o Vaticano disse que ainda espera que o pontífice “continue o tratamento com medicamentos em um ambiente hospitalar por mais dias”. Não ficou definido um prazo exato para o papa receber alta. A condição dele foi definida como estável ou melhorando na última semana, após duas crises de “insuficiência respiratória aguda” no último dia 3.
Francisco está internado no hospital Gemelli, em Roma, desde o dia 14 de fevereiro. Ele deu entrada na casa de saúde com uma infecção respiratória grave, que exigiu tratamento contínuo.
Ahmad Sharaa fez um discurso em uma mesquita no sábado 8, quando pediu ‘paz’ aos envolvidos nos conflitos
Ahmad Sharaa, presidente interino da Síria | Foto: Reprodução/Redes sociais
O presidente interino da Síria, Ahmad Sharaa, fez um pedido por “unidade nacional” e “paz civil” no terceiro dia de confronto entre as forças de segurança do país e os apoiadores do ditador deposto Bashar Assad. Em dois dias, o conflito interno já deixou mais de mil mortos. As vítimas são principalmente alauítas, uma minoria étnico-religiosa apoiadora de Assad.
“O que está acontecendo no país são desafios que eram previsíveis”, declarou Sharaa durante discurso em uma mesquita de Damasco. O atual presidente liderou a coalizão islâmica que derrubou Assad.
Os alauítas são uma minoria xiita que apoiava o ditador Bashar al-Assad, deposto em dezembro. O grupo que assumiu o poder é sunita e é acusado de promover uma “limpeza étnica sistemática”. Sharaa continuou afirmando que é preciso “preservar a unidade nacional, a paz civil, tanto quanto possível e, se Deus quiser, seremos capazes de viver juntos neste país”.
Ex-ditador sírio, Bashar al-Assad assumiu o poder em 2000 | Foto: Valery Sharifulin/TASS/Kremlin
Organização fala em perseguição
O Observatório Sírio para os Direitos Humanos, um monitor de guerra baseado no Reino Unido, afirmou no sábado 8 que os dois dias de combates na região costeira do Mediterrâneo representaram alguns dos episódios de violência mais graves em anos no conflito civil que já dura 13 anos.
Os confrontos continuaram durante a noite em várias cidades, onde grupos armados dispararam contra as forças de segurança e emboscaram veículos em rodovias que levam às principais cidades da região costeira, disse uma fonte de segurança síria à Reuters neste domingo.
Organizações de direitos humanos denunciaram o assassinato de centenas de civis da minoria alauíta pelas forças de segurança do novo governo da Síria. A Federação de Alauítas na Europa diz que há “limpeza étnica sistemática” na região.
A versão do governo
Segundo o governo sírio, o Exército fazia uma operação na região de Latakia, quando teria sido atacado. A ofensiva seria um levante de forças ligadas ao antigo regime do ditador Bashar Assad.
Os alauítas negam essa versão do governo, dizendo que têm sido alvo de perseguição dos sunitas radicais que tomaram o poder em dezembro passado e que são vistos por esses radicais como “hereges”.
A Síria é majoritariamente sunita, mas foi governada por cinco décadas pela família Assad, que segue a linha alauíta. Bashar al-Assad ficou no poder por 24 anos até ser deposto por integrantes do HTS, um dos grupos que lutavam na longa guerra civil do país.
Na sexta, o ex-comandante do HTS e hoje presidente da Síria, Ahmed al-Sharaa, disse: “Vamos continuar a perseguir os remanescentes do regime que querem continuar a opressão e tirania, aqueles que cometeram crimes contra a população e ameaçam a segurança e a paz. Eles serão submetidos a julgamento”.
Quem governa a Síria?
O grupo Hayat Tahrir al-Sham, cujo nome significa Organização para a Libertação do Levante, foi a principal milícia rebelde à frente da ofensiva que derrubou rapidamente o ditador Bashar Assad. Agora, a organização está liderando um processo de transição para um novo governo sírio.
O líder rebelde Mohammed al-Bashir, afiliado ao Hayat Tahrir al-Sham, foi nomeado primeiro-ministro interino até 1º de março. Ele serviu anteriormente como chefe do governo em Idlib, um território controlado pelos rebeldes no noroeste.
O histórico do Hayat Tahrir al-Sham em Idlib pode oferecer algumas pistas sobre como o grupo deverá controlar um território muito maior. A organização manteve uma força de segurança interna robusta para confrontar outras facções militares e críticos internos, provocando protestos regulares contra seus métodos autoritários e as duras condições em suas prisões.
Explosão na Síria | Foto: Reprodução/Agência Brasil
A aliança governista afirmou que concederá anistia a funcionários do governo e soldados de escalão inferior, mas prometeu caçar e punir funcionários de alta hierarquia do regime anterior envolvidos em torturas e outros abusos.
“Não vamos deixar de responsabilizar criminosos, assassinos, autoridades de segurança e militares envolvidos na tortura do povo sírio”, disse Al-Shara, o líder do movimento rebelde, que era conhecido anteriormente pelo nome de guerra Abu Mohammad al-Jolani.
A Hayat Tahrir al-Sham foi afiliada da Al-Qaeda e rompeu com a rede terrorista internacional anos atrás, passando a dominar Idlib, o último reduto da oposição da Síria durante a guerra civil de 13 anos.
O governo norte-americano pretende encerrar representações diplomáticas em vários países, reduzir funcionários e cortar até 20% do orçamento do Departamento de Estado
O presidente dos EUA, Donald Trump, citou Brasil em discurso no Congresso americano | Foto: Reuters/Kent Nishimura
O governo dos Estados Unidos estruturou um plano para encerrar mais de dez consulados no exterior ainda neste semestre e avalia a possibilidade de reduzir ainda mais sua presença diplomática. Entre as representações dos EUA que podem ser afetadas está o consulado norte-americano em Belo Horizonte.
A informação foi divulgada pelo jornal The New York Times. Apesar disso, o Departamento de Estado ainda não confirmou se a unidade em Belo Horizonte será de fato fechada. Além da redução de consulados, o governo norte-americano planeja demissões de funcionários locais que atuam em missões diplomáticas. Esses trabalhadores representam dois terços da força de trabalho da pasta e, em muitos países, são fundamentais para fornecer informações estratégicas aos diplomatas.
A decisão pode comprometer os esforços dos EUA para fortalecer parcerias internacionais e coletar informações relevantes. A lista de representações diplomáticas que podem ser encerradas inclui, além de Belo Horizonte, unidades em Rennes, Lyon, Estrasburgo e Bordeaux, na França; Dusseldorf, Leipzig e Hamburgo, na Alemanha; Florença, na Itália; e Ponta Delgada, em Portugal.
Política de cortes e redução da presença global
Os fechamentos fazem parte da estratégia do governo Donald Trump dentro da política “América Primeiro”, que busca diminuir a presença internacional dos Estados Unidos.
Enquanto os EUA reduzem sua presença global, a China aumentou sua rede diplomática, e ultrapassou os norte-americanos no número de postos no exterior. Segundo um estudo do Instituto Lowy, os Estados Unidos mantêm 271 postos diplomáticos, enquanto a China opera 274. O país asiático fortaleceu laços com nações da Ásia, África e organismos internacionais.
Demissões e cortes orçamentários nos EUA
Nos últimos meses, o Departamento de Estado registrou um aumento expressivo de pedidos de demissão. Nos dois primeiros meses de 2025, cerca de 700 funcionários, entre eles 450 diplomatas de carreira, deixaram seus cargos. Até 2024, a média anual era de 800 desligamentos.
As reduções fazem parte de um esforço para cortar até 20% do orçamento operacional do Departamento de Estado. O processo foi acelerado por uma equipe liderada por Elon Musk, que promove cortes em várias agências governamentais sob o argumento de eliminar desperdícios.
Telegrama alerta sobre revisão de contratos
O Departamento de Estado notificou o Congresso sobre os fechamentos no mês passado. Além disso, representantes do órgão informaram que pretendem encerrar o consulado em Gaziantep, na Turquia, unidade estratégica para a gestão da crise de refugiados sírios.
Na quarta-feira, um telegrama enviado de Washington instruiu funcionários das embaixadas a identificarem “desperdício, fraude e abuso”, justificativa usada por Musk para promover cortes. Os servidores foram orientados a revisar contratos que variam de US$ 10 mil a US$ 250 mil.
Ministério das Relações Exteriores do país emitiu um comunicado
Nicolás Maduro, ditador da Venezuela Foto: EFE/ Ronald Peña R.
A Guiana anunciou, nesta quinta-feira (6), que entrou com um pedido urgente na Corte Internacional de Justiça (CIJ) para interromper os planos eleitorais da Venezuela na disputada região do Essequibo.
De acordo com um comunicado do Ministério das Relações Exteriores do país, os planos da Venezuela de eleger um governador para esse território em 25 de maio afetarão diretamente tanto o povo do Essequibo quanto a integridade territorial da Guiana.
Por esse motivo, o governo guianense pediu à CIJ que “intervenha com urgência e ordene à Venezuela que cesse qualquer ação para continuar reivindicando o Essequibo, assim como que se abstenha de qualquer atividade que possa alterar a situação atual da região”.
Esta é a segunda vez que a Guiana solicita medidas provisórias à CIJ. Em seu primeiro pedido, apresentado no final de 2023, o órgão decidiu a favor de Georgetown e ordenou que Caracas “se abstivesse de tomar qualquer medida que alterasse a situação atualmente prevalecente no território disputado”.
A Guiana acredita que as eleições planejadas pela Venezuela violariam diretamente essa ordem, pois resultariam em uma “alteração clara e injustificada do status quo”.
– Estamos buscando preservar nossos direitos e garantir que as ações da Venezuela não se intensifiquem de forma a prejudicar a soberania da Guiana. Nosso pedido à Corte é um chamado urgente à ação para impedir que a Venezuela tome medidas que possam minar o controle da Guiana sobre a região de Essequibo – diz o comunicado.
Na última quarta-feira (5), o líder venezuelano Nicolas Maduro advertiu que seu governo tomará medidas para impedir o que ele considera uma “ação ilegal” da Guiana em uma zona marítima que, segundo ele, ainda está “pendente de delimitação internacional”.
Maduro acusou o governo guianense de “ter à sua disposição um mar territorial pendente de delimitação internacional para atividades de exploração de petróleo” com a empresa americana ExxonMobil.
No último sábado (1º), o presidente da Guiana, Irfaan Ali, expressou sua “grave preocupação” com a presença de embarcações da Venezuela em uma plataforma da ExxonMobil.
Essequibo é uma região de quase 160 mil quilômetros quadrados, rica em petróleo e minerais, administrada pela Guiana, mas reivindicada pela Venezuela.
As disputas sobre a fronteira do Essequibo começaram com o Laudo Arbitral de Paris de 1899, que concedeu a soberania do território à então Guiana Britânica. Décadas depois, a Venezuela declarou essa decisão nula e assinou com o Reino Unido o Acordo de Genebra de 1966, que estabeleceu uma comissão para resolver a disputa histórica, que não se concretizou.
Conforme o presidente ucraniano, o acordo sobre minerais está pronto para ser assinado
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, assumiu o cargo em 2019 | Foto: RS Zelensky/Fotos Publicas
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, declarou neste domingo, 2, que o acordo sobre minerais está pronto para ser assinado, apesar do encontro conturbado com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na semana passada.
Zelensky havia ido à Casa Branca com o objetivo de firmar um acordo que permitiria aos EUA explorarem terras raras da Ucrânia, mas uma discussão entre os dois presidentes resultou no cancelamento do acordo, de acordo com informações de Washington.
Dois dias depois, o presidente ucraniano falou que ainda está aberto a um “diálogo construtivo” com os EUA, mas ressaltou: “Só quero que a posição ucraniana seja ouvida”. “Se formos construtivos, o resultado positivo virá”, afirmou em uma entrevista transmitida pela rede britânica BBC.
O presidente da Ucrânia diz ter viajado por “12 horas de trem e depois mais 11 horas de avião” para atender ao convite do presidente dos EUA. Segundo ele, os Estados Unidos são um dos principais parceiros da Ucrânia. “Para mim, estar na Casa Branca quando sou convidado é um gesto de respeito.”
Zelensky enfatizou que nunca teve a intenção de “insultar” ninguém e que sempre procurou promover negociações bipartidárias com todas as forças políticas dos EUA. Ele, no entanto, recusou-se a pedir desculpa a Trump depois do confronto de sexta-feira, 28, no Salão Oval. Ele afirmou que a discussão “não trouxe nada de positivo” para a paz na Ucrânia.
Zelensky comenta bate-boca com Trump
Em entrevista a jornalistas depois de sua visita ao Reino Unido, Zelensky disse que negociações delicadas, quando expostas publicamente, podem ser exploradas por inimigos. Mesmo assim, expressou esperança de que o episódio com Trump seja superado.
Volodymyr Zelensky e Donald Trump discutiram durante encontro na Casa Branca | Foto: Reprodução/Redes sociais
O líder ucraniano evitou comentar se se sentiu emboscado ao ser repreendido por Trump e pelo vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, mas garantiu que estaria disposto a conversar novamente com Trump caso fosse “convidado para resolver os problemas reais”.
O encontro da última sexta-feira, 28, foi marcado por tensões e terminou sem avanços. Durante a reunião, Zelensky foi acusado de ingratidão pelo apoio militar dos EUA e informado de que a Ucrânia não conseguiria vencer a guerra.
Desde então, não houve novas comunicações diretas entre o presidente ucraniano e a Presidência dos EUA, segundo Zelensky. Ele também evitou comentar o que aconteceu depois de as câmeras serem desligadas no Salão Oval, antes de sua saída abrupta da Casa Branca, sem almoço ou assinatura do acordo de minerais.
O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, e o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky – 1/3/2025 | Foto: Reprodução/Redes sociais
Fontes revelam que a equipe de Trump teria solicitado que Zelensky se retirasse, mas o presidente ucraniano preferiu minimizar o episódio. Ele disse que seria melhor “deixar isso para a história”.
Apesar das tensões, Zelensky se mostrou otimista em relação a uma iniciativa de paz liderada pelo Reino Unido e pela França, discutida em Londres no domingo. Ele acredita que essa iniciativa trará resultados “nas próximas semanas” e já conta com o apoio de países como Turquia, nações bálticas e nórdicas.
Durante a conferência em Londres, também foram debatidas “garantias de segurança para a Ucrânia”, e Zelensky descreveu as discussões como “um começo muito positivo”. O presidente antecipou que vários países devem se posicionar oficialmente sobre o tema em breve.
Quando questionado sobre uma proposta britânica e francesa de trégua temporária, o presidente ucraniano evitou dar uma resposta direta. Ele se limitou a dizer, em inglês, que está “ciente de tudo”.
Zelensky também reiterou que a Rússia é a parte agressora no conflito e alertou contra qualquer tentativa de reescrever a narrativa da guerra para insinuar uma falsa equivalência entre os dois países. Ele escolheu falar por meio de um intérprete e recusou-se a se expressar em inglês.
O presidente ucraniano também rejeitou a ideia de assinar um acordo de paz que envolvesse a entrega dos territórios ocupados pela Rússia e disse que isso representaria uma “separação forçada de nossas terras” e seria uma forma de coerção, o que poderia abrir margem para mais hostilidades no futuro.
“Acho que esses países… que nos apoiam, ou talvez queiram ser intermediários nesta guerra, [que] entendem que se a guerra terminar de forma injusta, então será uma questão de tempo até que as pessoas tentem obter essa justiça”, disse Zelensky na entrevista. “Não queremos nada que não nos pertença”, enfatizou.
Em reportagem do jornal norte-americano The Guardian, Zelensky também respondeu questões sobre as falas do senador Lindsey Graham, que sugeriu que o ucraniano deveria considerar renunciar depois do desentendimento com Trump. A resposta do presidente foi irônica. Ele disse que poderia oferecer a Graham a cidadania ucraniana e que, somente então, suas sugestões “ganhariam peso”.
Zelensky reforçou que, até lá, o presidente da Ucrânia vai continuar a ser escolhido exclusivamente pelo povo ucraniano. Em outro momento, ele declarou que estaria disposto a trocar sua Presidência pela adesão da Ucrânia à Otan, por considerar que isso seria a melhor garantia de segurança para o país.
Visita ao Reino Unido incluiu reuniões com líderes europeus
Em sua passagem pelo Reino Unido, Zelensky se reuniu com o rei Charles III, na casa de campo real Sandringham, em Norfolk, Inglaterra. O encontro aconteceu depois da cúpula com outros líderes europeus, que discutiram a guerra na Ucrânia, o fortalecimento das defesas do país e os esforços para um acordo de paz.
De acordo com informações da Sky Newsatribuídas ao Palácio de Buckingham, a reunião durou pouco menos de uma hora, e Zelensky viajou de helicóptero de Londres para Sandringham, onde o rei e a rainha passam a maior parte do tempo.
A cúpula deste domingo foi organizada pelo primeiro-ministro britânico, Keir Starmer. Outros 19 líderes também estiveram presentes, em sua maioria europeus, mas também o primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, e o secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Mark Rutte.
Além da reunião coletiva, Zelensky teve encontros individuais com vários líderes europeus, como o rei Charles e a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni. Neste segundo caso, o presidente ucraniano disse em sua conta no X que a reunião foi produtiva, com foco no desenvolvimento conjunto de um plano de ação para acabar com a guerra.
Ele escreveu que “ninguém além de Putin está interessado na continuação e no rápido retorno da guerra” e reforçou a importância de manter a unidade em torno da Ucrânia e fortalecer a posição do país em cooperação com seus aliados. Ele agradeceu à Itália pelo apoio contínuo e pela parceria na busca pela paz.
Zelensky não fez declarações públicas sobre o encontro com o rei Charles. O presidente ucraniano chegou a Londres no último sábado, 1º, quando se encontrou com o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, antes de participar das reuniões posteriores ao fracasso das negociações com Trump, na sexta-feira.
Os EUA classificaram como inaceitáveis as ameaças de embarcações navais venezuelanas próximas à unidade flutuante de produção, armazenamento e descarregamento (FPSO) da ExxonMobil
Novas provocações à Guiana podem acarretar consequências para Nicolás Maduro | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Os Estados Unidos classificaram como inaceitáveis as ameaças de embarcações navais venezuelanas próximas à unidade flutuante de produção, armazenamento e descarregamento (FPSO) da ExxonMobil na Guiana
Segundo o governo norte-americano, essas ações representam uma clara violação do território marítimo internacionalmente reconhecido do país vizinho. Washington reafirmou seu compromisso com a integridade territorial da Guiana e alertou que novas provocações podem acarretar consequências para o regime de Nicolás Maduro.
O posicionamento dos EUA reforça a validade da sentença arbitral de 1899, que delimita as fronteiras da Guiana e refuta as reivindicações venezuelanas sobre a região de Essequibo. O governo norte-americano destaca que qualquer tentativa de intimidação militar por parte da Venezuela fere o direito internacional e ameaça a estabilidade regional.
O apoio à Guiana segue a política externa dos EUA
O Bureau of Western Hemisphere Affairs (WHA), parte do Departamento de Estado dos Estados Unidos, é responsável por formular e implantar a política externa do país para a América Latina e o Caribe. No caso da Guiana, o WHA reafirma o compromisso dos EUA com a soberania guianense e a proteção dos interesses estratégicos na região. O apoio à Guiana segue a política externa dos EUA de defesa da soberania dos países aliados e do respeito às decisões arbitrais reconhecidas globalmente.