De acordo com as empresas, as ordens do ministro Alexandre de Moraes, do STF, ferem a Constituição americana | Foto: Rosinei Coutinho/STF
A Truth Social, rede social do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e a plataforma de vídeo Rumble adicionaram novas informações a uma ação contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, em um tribunal federal da Flórida.
No documento, os advogados pedem a responsabilização civil de Moraes e querem que a Justiça norte-americana obrigue o ministro a compensar os danos causados às empresas por suas decisões.
A compensação pedida pelas empresas inclui reparação por “danos à reputação, receita perdida e oportunidades de negócios perdidas resultantes da interferência do ministro”.
Na petição, as empresas classificam as decisões do magistrado como “ordens da mordaça” e o acusam de censura.
As empresas protocolaram a ação em fevereiro deste ano. A Truth Social e o Rumble pedem que a Justiça declare como inexequíveis nos Estados Unidos as ordens de Moraes contra as duas plataformas.
Os advogados das empresas também pedem que a Justiça norte-americana impeça Moraes de obrigar a remoção dos aplicativos da Truth Social e do Rumble de lojas de outras empresas, como a Apple.
Ordem de Moraes contra Allan dos Santos motivou reação
A ação apresentada em fevereiro pelas empresas gira em torno, principalmente, de uma decisão em que Moraes manda o Rumble banir a conta do jornalista Allan dos Santos. O ministro também manda a plataforma impedir a criação de novos perfis.
A ordem não se restringe ao Brasil. Moraes ordenou o banimento da conta do jornalista na plataforma para o mundo inteiro.
Como o Rumble não cumpriu a decisão, Moraes ordenou a suspensão da plataforma de vídeo no Brasil. No despacho, o magistrado ainda impôs uma multa diária de R$ 50 mil enquanto o Rumble não cumprir as ordens.
Na nova petição da sexta-feira 6, as empresas não informam o valor que esperam receber do ministro. O montante deverá ser discutido na próxima fase do processo em que será formado um júri para o julgamento, conforme solicitação do Ramble.
De acordo com a plataforma de vídeo, as decisões de Moraes ferem os dispositivos da Constituição norte-americana que tratam sobre liberdade de expressão.
Moraes enviou as ordens sigilosas às plataformas por e-mail, sem passar pelos caminhos legais.
Presidente dos EUA criticou bilionário após troca de acusações sobre projeto de lei e contratos governamentais
Foto: Reprodução/Instagram
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (6) que “não está particularmente interessado” em reatar com o bilionário Elon Musk, a quem chamou de “o homem que perdeu a cabeça”. A declaração ocorre após Musk sinalizar disposição para “fazer as pazes” com o presidente.
A troca de críticas começou na quinta-feira (5), quando Musk fez duras críticas a um projeto de lei que Trump tenta aprovar no Senado. Em resposta, o presidente disse estar desapontado com o dono da X (antigo Twitter).
“Estou muito desapontado com Elon”, afirmou Trump a repórteres na Casa Branca.
O projeto de lei, batizado de One Big Beautiful Bill Act, propõe uma revisão orçamentária que inclui cortes de impostos, reduções significativas em programas sociais e políticas climáticas, e aumento dos gastos com segurança nacional.
Elon Musk criticou publicamente a proposta, afirmando que as políticas comerciais do governo Trump podem causar uma recessão. O bilionário também mencionou as ligações do presidente com Jeffrey Epstein, condenado por abuso sexual de menores.
Em resposta, Trump ameaçou cancelar contratos governamentais com as empresas de Musk, incluindo a nave espacial Dragon, utilizada pela NASA. Musk reagiu afirmando, em uma publicação no X, que poderia aposentar a nave, mas depois recuou ao dizer: “Bom conselho. Ok, não vamos desativar a Dragon.”
Embora tenha sido cogitada a possibilidade de um telefonema entre Musk e a Casa Branca nesta sexta-feira, fontes ouvidas pelo Washington Postafirmaram que não há planos para uma ligação de Trump ao bilionário.
Um relatório do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA relata os casos acumulados na gestão democrata
O ex-presidente dos EUA Joe Biden durante as cerimônias de posse de Donald Trump, na Rotunda do Capitólio dos EUA em 20 de janeiro de 2025 em Washington, DC. | Foto: Reuters/Chip Somodevilla
A administração de Joe Biden deixou de investigar mais de 7,3 mil denúncias de tráfico humano de crianças migrantes e dezenas de milhares de outras denúncias igualmente graves, de acordo com dados divulgados na última quinta-feira, 28, pelo Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA (HHS).
O HHS está analisando 65,6 mil denúncias acumuladas desde o governo anterior, como parte de uma força-tarefa entre agências para investigar casos de menores desacompanhados que podem ter sido abusados por predadores sexuais ou traficados por gangues como a MS-13.
Desde o início da investigação, em fevereiro, o departamento analisou quase 19 mil casos. No entanto, ainda restam 1,68 mil situações nas quais possíveis receptores pagaram para receber as crianças, 7,34 mil denúncias de tráfico humano e outras 46,31 mil denúncias feitas por funcionários, prestadores de serviço e pelos próprios menores desacompanhados.
Até agora, essas investigações resultaram em 528 pistas relevantes, 36 processos abertos por promotorias federais, 25 mandados de prisão, 11 prisões, sete denúncias formais e três condenações. Cerca de 28% dos casos acumulados foram resolvidos no governo Trump.
“Isso é uma falha sistêmica da administração Biden”, afirmou o HHS em nota divulgada em 22 de abril, veiculada na reportagem do jornal dos EUA The New York Post. “Estamos falando de vidas de crianças em risco.”
O senador republicano Chuck Grassley, de Iowa, publicou esses dados em uma carta enviada ao secretário Robert F. Kennedy Jr. na última terça-feira, 27, e pediu “uma atualização urgente sobre os esforços do governo para localizar e resgatar crianças colocadas em situação de risco”.
Crianças imigrantes na fronteira dos EUA | Foto: Reprodução/X
“Minha investigação revelou que o governo Biden-Harris colocou crianças migrantes desacompanhadas sob a responsabilidade de patrocinadores perigosos e ainda tentou impedir a atuação da polícia e do Congresso para resgatar essas crianças vulneráveis”, afirmou Grassley.
“Reconheço o governo Trump por agir com rapidez para proteger essas crianças, enquanto o governo anterior ignorou denúncias sérias”, disse ainda o senador. “Espero trabalhar com o secretário Kennedy para garantir que a justiça seja feita.”
Senador republicano cobra explicações sobre destino de crianças
De acordo com um relatório da Controladoria-Geral do Departamento de Segurança Interna (DHS), até maio de 2024, ao menos 291 mil crianças migrantes estavam sob custódia de receptores nos EUA. Outras 32 mil eram consideradas desaparecidas por não comparecerem às audiências na Corte de imigração.
Documentos internos mostram que o Escritório de Reassentamento de Refugiados (ORR) do HHS ignorou sinais evidentes de risco e priorizou liberar rapidamente os menores — com o então secretário do HHS, Xavier Becerra, comparando o processo ideal de liberação a uma “linha de montagem”, segundo o jornal norte-americano TheNew York Times.
Mais tarde, denunciantes relataram ao Congresso que muitas dessas crianças acabaram nas mãos de criminosos e traficantes sexuais.
O gabinete de Grassley investiga o ORR há mais de dez anos e, nos últimos anos, identificou diversos casos de tráfico, contrabando e exploração infantil por parte de patrocinadores nos EUA. Ele encaminhou as denúncias à Imigração e Alfândega (HSI) e ao FBI.
O HSI confirmou que “mais de 100 patrocinadores apresentavam indícios suficientes para investigações aprofundadas, apenas em um centro de acolhimento emergencial do HHS”. Pelo menos 14 desses centros foram criados entre março e junho de 2021, no início do mandato de Biden, diante do aumento no número de imigrantes na fronteira.
Policiais do serviço de imigração (ICE) acompanhados de outros agentes ao realizarem prisões de imigrantes | Foto: Divulgação/ICE
Apesar de o HSI ter emitido intimações solicitando mais informações, o secretário Becerra “não atendeu totalmente a dois terços” dos pedidos relacionados a patrocinadores suspeitos, conforme escreveu Grassley na carta de 27 de maio.
“O HSI conseguiu localizar apenas alguns patrocinadores e crianças, em parte porque o HHS não forneceu os dados exigidos por intimação. Isso é inaceitável”, criticou o senador. “Becerra também instruiu prestadores de serviço e contratados a não responder às minhas solicitações, direcionando tudo ao secretário-assistente de assuntos legislativos, que também não deu nenhuma resposta.”
Entidade acusada de abuso sexual recebeu recursos do governo Biden
O senador Grassley também exigiu uma atualização sobre os resultados da investigação interagências, a falta de intimações da imigração para os menores e “cópias de toda a correspondência” com entidades federais que acolheram essas crianças — tudo com prazo até 10 de junho.
A maior dessas organizações acolhedoras de menores desacompanhados recebeu US$ 3 bilhões do governo Biden — e aumentou os salários de seus executivos em até 139% — entre 2021 e 2024, segundo registros fiscais.
A organização sem fins lucrativos Southwest Key Programs, com sede em Austin, Texas, foi processada em julho de 2024 pelo próprio Departamento de Justiça de Biden, devido a alegações de estupro e abuso sexual “graves e generalizados” de crianças entre 2015 e 2023 por parte de funcionários e supervisores.
O Departamento de Justiça de Trump havia encerrado esse processo civil em março, e o HHS anunciou que deixaria de financiar a organização. A Southwest Key havia recebido metade de seus US$ 6 bilhões em fundos federais entre 2003 e 2024. A maior parte desses recursos foi paga durante o governo Biden.
Anúncio foi feito nesta terça-feira, 27, pelo secretário de Saúde do governo Trump e sua equipe
Marty Makary, comissário da Administração de Alimentos e Medicamentos (FDA, na sigla em inglês); Robert F. Kenndy Jr., secretário de Saúde dos EUA; e Jay Bhattacharya, presidente Institutos Nacionais de Saúde | Foto: Reprodução/X
O governo dos EUA anunciou nesta terça-feira, 27, o fim da recomendação de vacinação contra covid para gestantes e crianças saudáveis. Há uma semana, o governo de Donald Trump já havia anunciado mudanças nas indicações da vacina contra covid, restringindo a recomendação de uso apenas a grupos de risco.
Essas medidas alinham a política sanitária dos EUA à de países europeus, que já não recomendam a vacina contra a covid apenas para pessoas saudáveis. No Brasil, o governo Lula vai na direção contrária e obriga pais a vacinarem seus filhos de 6 meses a 5 anos contra a covid. Na Edição 263, Oeste mostrou, na reportagem “O absurdo da vacinação obrigatória de crianças“, as sanções para quem deixa de vacinar crianças e os efeitos colaterais dos imunizantes disponíveis no Brasil para essa faixa etária.
Nos EUA, o anúncio do fim da recomendação de vacinação contra crianças e gestantes saudáveis partiu do secretário de Saúde e Serviços Humanos, Robert F. Kennedy Jr., que divulgou a decisão em um vídeo publicado nas redes sociais.
“Hoje, a vacina contra a covid para crianças e gestantes saudáveis foi removida do calendário de imunização recomendado pelo CDC”, postou Kennedy, referindo-se ao Centro de Controle e Prevenção de Doenças. “Resumindo: é bom senso e ciência comprovada. Estamos agora um passo mais perto de concretizar a promessa do presidente de tornar a América saudável novamente.”
No vídeo, o diretor dos Institutos Nacionais de Saúde, Jay Bhattacharya, defendeu a decisão: “É senso comum e é boa ciência”. Já Marty Makary, comissário da Administração de Alimentos e Medicamentos, afirmou que “não há evidências de que crianças saudáveis precisem disso hoje, e a maioria dos países parou de recomendar para crianças”.
Segundo a nova diretriz, vacinas só podem ser aprovadas para pessoas que pertençam a grupos de alto risco, como idosos com 65 anos ou mais e indivíduos com problemas de saúde. Crianças e gestantes saudáveis ficam fora do novo cronograma recomendado.
Críticas ao fim da recomendação da vacina contra covid nos EUA
Uma das críticas ao fim da recomendação da vacina nos EUA partiu do presidente do Comitê de Doença Infecciosas da American Academy of Pediatrics, Sean O’Leary. Para ele, a decisão é “realmente preocupante”, porque a ausência da recomendação poderia gerar confusão “não apenas para os pais, mas também para os profissionais de saúde pública e médicos”.
Ditadura oprime dissidentes e volta a ameaçar vizinha Guiana
Apesar da baixa participação, o chavismo tenta apresentar a votação como um sinal de força | Foto: Reprodução/Wikimedia Commons
O regime da Venezuela promoveu neste domingo, 25, uma eleição regional esvaziada, marcada pelo boicote da maioria opositora e pela tentativa do regime de Nicolás Maduro de consolidar ainda mais seu poder.
A votação para governadores e deputados ocorreu sob denúncias de repressão política, ameaças à Guiana e seções eleitorais praticamente desertas.
De acordo com o instituto Delphos, apenas 16% dos mais de 21 milhões de eleitores compareceram às urnas. O número confirma o impacto do chamado à abstenção feito pela líder opositora María Corina Machado, que classificou o processo como “propaganda chavista”.
Apesar da baixa participação, o chavismo tenta apresentar a votação como um sinal de força. O regime já domina 253 das 277 cadeiras da Assembleia Nacional e 19 dos 23 governos estaduais. O cenário foi consolidado depois do boicote opositor às eleições legislativas de 2020.
Neste domingo, a apatia tomou conta de Caracas e de outras cidades, como San Cristóbal, Maracaibo e Barinas.
Jornalistas constataram seções praticamente desertas, mesmo em horários de pico. Em depoimento à imprensa internacional, eleitores afirmaram não reconhecer legitimidade no processo.
Além de buscar consolidar o poder interno, Maduro aproveitou o dia de votação para renovar ameaças à Guiana.
Em discurso transmitido depois de depositar seu voto, o ditador afirmou que o país vizinho terá de “aceitar a soberania da Venezuela” sobre o território de Essequibo — área rica em petróleo e alvo de disputa centenária entre as duas nações.
O presidente guianense, Irfaan Ali, reagiu com firmeza e disse que a eleição promovida pelo regime bolivariano representa “uma ameaça” e faz parte da “propaganda chavista”. A Venezuela, em contrapartida, criou um Estado simbólico para Essequibo e realizou eleições para um governador e deputados regionais, mesmo sem controle efetivo da área.
Prisões, repressão e propaganda na Venezuela
A votação ocorre dias depois da prisão de cerca de 70 opositores, acusados de envolvimento em um suposto plano terrorista.
Entre os detidos está Juan Pablo Guanipa, aliado de María Corina. O regime também restringiu a circulação na fronteira e suspendeu voos com a Colômbia, alegando risco de sabotagem por “mercenários”.
Em Caracas, o ministro da Defesa, Vladimir Padrino, declarou que “nenhum incidente relevante” havia sido registrado, mesmo diante da forte presença militar nas ruas — mais de 400 mil homens foram mobilizados.
Enquanto a maior parte da oposição boicotou a votação, um grupo dissidente decidiu participar. Liderado por Henrique Capriles, ex-candidato presidencial, o bloco defende a ocupação de espaços institucionais como estratégia de resistência.
População deve comparecer em número reduzido às urnas
Chavismo avança no país a contragosto da população | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Neste domingo, 25, a Venezuela voltará às urnas menos de um ano depois de uma eleição presidencial repleta de fraudes.
A nova disputa definirá os governadores dos 24 Estados, os 285 deputados federais e os legisladores estaduais.
Eleição na Venezuela para governador de Essequibo
A disputa inclui, pela primeira vez, a eleição do governador da região de Essequibo — território controlado pela Guiana, mas reivindicado pela Venezuela.
Diante da previsão de abstenção em massa, o Partido Socialista Unido da Venezuela, do ditador Nicolás Maduro, deve vencer com ampla vantagem. A líder opositora María Corina Machado convocou a população a boicotar a eleição. Segundo ela, votar serviria apenas para “legitimar uma ditadura mascarada de democracia”.
Enquanto a oposição abandonou a disputa, Maduro intensificou a campanha nas ruas. O ditador tenta eleger o próprio filho, Nicolás Maduro Guerra, como deputado em Caracas.
Baixo quórum para votar
Uma pesquisa da empresa venezuelana Delphos, feita entre 29 de abril e 4 de maio, apontou que apenas 15,9% dos eleitores têm alta probabilidade de comparecer às urnas. Desses, 74,2% pretendem votar nos candidatos do PSUV. Outros 13,8% apoiarão partidos oposicionistas que rejeitaram o boicote sugerido por Machado.
Chavismo avança mesmo com suspeita de fraudes
Esta será a primeira eleição desde a disputa presidencial de julho de 2024, marcada por denúncias de fraude. Maduro se declarou vencedor, embora contagens paralelas e relatórios independentes tenham indicado vitória da oposição.
Esta será a primeira eleição desde a disputa presidencial de julho de 2024, marcada por denúncias de fraude. Maduro se declarou vencedor, embora contagens paralelas e relatórios independentes tenham indicado vitória da oposição.
Eleitorado sem confiança
A descrença predomina entre os eleitores. “Perdemos a confiança no voto. Em 28 de julho zombaram da gente”, disse Carmen Medina, vendedora de bijuterias em Caracas, à agência Associated Press. “Não pretendo votar.”
Para o sociólogo Roberto Briceño, diretor do Laboratório de Ciências Sociais, muitos venezuelanos deixaram de ver o voto como ferramenta de mudança. “As pessoas vivem com uma tristeza persistente. Sentem que fizeram a sua parte e não adiantou”, afirmou.
O primeiro-ministro israelense comentou o assassinato de dois funcionários da embaixada israelense nos EUA por um militante pró-palestina
Benjamin Netanyahu autorizou retomada de ajuda humanitária em Gaza | Foto: Reprodução/Instagram/PMO
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, reagiu às críticas internacionais à guerra em Gaza durante um pronunciamento sobre o assassinato de dois funcionários da embaixada israelense em Washington por um militante pró-palestina.
Ele acusou a ONU de divulgar informações falsas sobre o risco de morte por fome entre crianças palestinas e afirmou que França, Reino Unido e Canadá estariam incentivando o Hamas ao pressionarem pelo fim da ofensiva.
Netanyahu criticou especialmente uma declaração da ONU, posteriormente corrigida, sobre a possibilidade de 14 mil crianças morrerem de desnutrição em Gaza em apenas dois dias. Ele também se dirigiu a líderes como Emmanuel Macron, Keir Starmer e Mark Carney, que ameaçaram impor sanções a Israel devido à escalada do conflito.
Em vídeo divulgado nas redes sociais, Netanyahu condenou o atentado que matou Yaron Lischinsky e Sara Milgrim perto do Museu Judaico, nos EUA. Ele relacionou o ataque ao atentado do Hamas em Israel e usou o episódio como argumento para rebater críticas a seu governo.
“O terrorista que os assassinou cruelmente o fez por um único motivo — ele queria matar judeus. E, enquanto era levado, gritava: ‘Palestina livre!’”, disse o premiê israelense. “Esse é exatamente o mesmo grito que ouvimos em 7 de outubro.” Netanyahu também comparou o grito “Palestina Livre” com a saudação nazista “Heil Hitler”.
Netanyahu, então, voltou suas críticas contra aliados que pressionam por um cessar-fogo. Ele acusou França, Reino Unido e Canadá de, ao ameaçarem sanções a Israel, sustentarem a permanência do Hamas no poder. “Querem que Israel recue e aceite que o exército de assassinos em massa do Hamas sobreviva.”
Yaron Lischinsky, assistente de pesquisa, e Sarah Milgrim, organizadora de missões diplomáticas para Israel | Foto: Reprodução/Redes sociais
Mais cedo, o ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, havia responsabilizado líderes europeus e de organizações internacionais por alimentarem um clima de hostilidade contra Israel, que teria culminado no ataque em Washington. A França respondeu com a afirmação de que condena e continuará a condenar o antissemitismo.
No começo da semana, Emmanuel Macron, Keir Starmer e Mark Carney disseram que Israel tem o direito de se defender do terrorismo, mas que a escalada da guerra é desproporcional. Eles disseram que não ficarão de braços cruzados diante das “ações escandalosas” em Gaza e ameaçaram impor sanções, caso Israel não suspendesse a nova ofensiva terrestre e as restrições à ajuda.
A declaração sucedeu a autorização de Israel à assistência “mínima” para a Faixa de Gaza, depois de quase três meses de bloqueio. Aliados de Israel alertaram que não poderiam apoiar a ofensiva militar israelense diante das imagens de fome na região.
Entidades internacionais haviam alertado sobre uma crise humanitária em Gaza, onde a escassez de alimentos atinge cerca de 2 milhões de pessoas, segundo a Organização Mundial da Saúde.
A ONU chegou a divulgar, na última terça-feira, 20, que 14 mil crianças poderiam morrer em 48 horas, mas corrigiu a estimativa posteriormente. A projeção referia-se, na verdade, a mortes por desnutrição ao longo de um ano, entre crianças de seis meses a cinco anos.
Netanyahu também mencionou esse erro para acusar a ONU de propagar mentiras do Hamas. “A propaganda do Hamas que diz que Israel está matando de fome crianças palestinas. E não é só o Hamas espalhando essa mentira.”
Parentes e apoiadores dos reféns sequestrados no ataque mortal de 7 de outubro de 2023 contra Israel pelo Hamas, vindo de Gaza, participam de um jantar simbólico de Seder no início do feriado judaico da Páscoa, em Tel Aviv, Israel (12/4/2025) | Foto: Reuters/Joyce Zhou
Netanyahu reforça prosseguimento do apoio dos EUA a Israel
Apesar da entrada de caminhões com suprimentos em Gaza, organizações humanitárias afirmam que apenas uma pequena parte dessa ajuda foi entregue de fato aos palestinos. O governo israelense propôs um novo plano, que prevê a distribuição de alimentos por entidades dos EUA com proteção do Exército de Israel.
O premiê israelense afirmou ter discutido a proposta com os EUA. No entanto, a iniciativa foi criticada internacionalmente, pois poderia forçar deslocamentos internos de palestinos.
Em comunicado divulgado nesta quinta-feira, 22, o governo israelense destacou que os EUA continuam a apoiar os objetivos de Netanyahu, inclusive a libertação dos reféns, a eliminação do Hamas e o avanço do chamado “plano Trump”.
Esse plano, apresentado em fevereiro, prevê a saída de 2 milhões de palestinos de Gaza para países vizinhos, como Egito e Jordânia, com a proposta de transformar o território em uma espécie de “Riviera do Oriente Médio”.
Donald Trump, presidente dos EUA Foto: EFE/EPA/FRANCIS CHUNG/POLITICO / POOL
O governo dos Estados Unidos proibiu a Universidade de Harvard de matricular estudantes estrangeiros, em uma grave escalada no conflito que o presidente do país, Donald Trump, tem tido com a instituição há várias semanas.
A decisão foi comunicada em uma carta enviada a Harvard e assinada pela secretária de Segurança Interna, Kristi Noem.
– Estou escrevendo para notificá-los de que, com efeito imediato, o programa de estudantes estrangeiros e visitantes da Universidade de Harvard foi revogado. Isso significa que Harvard não pode mais matricular estudantes estrangeiros e que os atuais devem ser transferidos ou perderão seu status legal – disse, em comunicado, o Departamento de Segurança Interna dos EUA (DHS).
O departamento frisou que a universidade “criou um ambiente inseguro no campus ao permitir que agitadores antiamericanos e pró-terroristas assediassem e agredissem fisicamente indivíduos, inclusive muitos estudantes judeus”.
– É um privilégio, não um direito, para as universidades matricularem estudantes estrangeiros e se beneficiarem de seus pagamentos de mensalidades mais altas para aumentar suas dotações multimilionárias. Harvard teve muitas oportunidades de fazer a coisa certa. Ela se recusou – declarou Noem.
A secretária de Segurança Interna justificou a perda da certificação do Programa de Estudantes e Visitantes de Intercâmbio “por não ter cumprido a lei”.
– Que isso sirva de advertência para todas as universidades e instituições acadêmicas do país – acrescentou.
A matrícula em Harvard é de 59.320 dólares para o ano letivo que se inicia no final de 2025, e os custos podem chegar a quase 87 mil dólares se o alojamento e a alimentação estiverem incluídos, de acordo com o jornal The New York Times.
Além disso, os estudantes estrangeiros tendem a pagar uma proporção maior dos custos educacionais em comparação a outros estudantes, de acordo com o jornal.
Homem com bandeira de Israel perto de onde funcionários foram mortos Foto: EFE/EPA/WILL OLIVER
Na noite desta quarta-feira (22), dois funcionários da Embaixada de Israel foram mortos a tiros nas imediações do Museu Judaico em Washington, D.C., onde ocorria um evento do Comitê Judaico Americano (AJC). As vítimas, um homem e uma mulher, estavam fora do prédio no momento em que foram atacadas.
A secretária de Segurança Nacional dos Estados Unidos, Kristi Noem, confirmou o ocorrido por meio das redes sociais:
“Dois funcionários da embaixada de Israel foram assassinados sem razão esta noite perto do Museu Judaico em Washington, D.C. (…) Estamos investigando ativamente e trabalhando para reunir mais informações para compartilhar com vocês.”
A polícia local orientou a população a evitar a área do ataque, que fica próxima à sede regional do FBI, e informou que está colaborando com a Embaixada de Israel nas investigações. O diretor do FBI, Kash Patel, também declarou que a agência federal está em contato com a Polícia Metropolitana para reunir mais dados.
Segundo veículos da imprensa americana, o suspeito do atentado teria gritado “Palestina livre” ao ser detido pela polícia. Uma das vítimas chegou a ser levada a um hospital em estado grave, mas acabou não resistindo.
O FBI, por meio de uma postagem nas redes sociais, assegurou que “não há nenhuma ameaça à segurança pública” na área neste momento.
O porta-voz da embaixada israelense, Tal Naim Cohen, confirmou em sua conta oficial que os dois funcionários “foram baleados à queima-roupa”.
Já o embaixador de Israel na ONU, Danny Danon, classificou o episódio como um ato de ódio:
“Prejudicar a comunidade judaica é cruzar uma linha vermelha. Confiamos que as autoridades americanas tomarão medidas enérgicas contra os responsáveis por este ato criminoso. Israel continuará a agir de forma decisiva para proteger seus cidadãos e representantes em todo o mundo.”
A procuradora-geral dos Estados Unidos, Pam Bondi, informou que esteve no local do crime junto com a procuradora-assistente Jeanine Ferris Pirro. Em publicação no X, Bondi declarou:
“Rezamos pelas vítimas desta violência enquanto trabalhamos para entender melhor o que aconteceu.”
O evento promovido pelo AJC tinha como público-alvo jovens profissionais judeus entre 22 e 45 anos e buscava aproximá-los da comunidade diplomática. O diretor executivo da entidade, Ted Deutch, lamentou o ocorrido:
“Estamos devastados pelo ato hediondo de violência que ocorreu fora do campus.”
O Museu Judaico da Capital, onde tudo aconteceu, é reconhecido como o único da região dedicado à história da comunidade judaica em Washington, com o objetivo de “construir uma comunidade e inspirar ação social”, segundo sua própria definição institucional.
Agentes foram descobertos com identidades falsas, trabalhando em diferentes áreas
Vladimir Putin Foto: EFE/EPA/ALEXANDER KAZAKOV/SPUTNIK/KREMLIN/POOL
O jornal The New York Times publicou, nesta quarta-feira (21), que a Rússia enviou espiões para o Brasil com a intenção de criar identidades, laços e negócios no país para depois usá-los para operações ilegais nos Estados Unidos, na Europa e até no Oriente Médio.
Esses espiões teriam como função se infiltrar para poder atuar em ofensivas de interesse do governo russo sem chamar atenção. Como prova, o jornal identificou Artem Shmyrev, membro da inteligência russa, que criou uma empresa de impressões 3D no Rio de Janeiro.
Com um relacionamento com uma brasileira, o espião russo usava uma identidade falsa, tendo inclusive uma certidão de nascimento e passaporte com o nome de Gerhard Daniel Campos Wittich, que seria um “brasileiro” de 34 anos.
Ainda segundo a reportagem, Shmyrev teria uma esposa na Rússia que também é espiã e ele vivia essa vida dupla no Brasil há seis anos, esperando o momento para entrar em ação. Em uma troca de mensagens entre o casal, o russo teria afirmado à esposa que “ninguém quer se sentir como um perdedor” e continuava “trabalhando e com esperança”.
Mas este não era o único agente russo que está no Brasil aguardando ordens. O jornal diz que a Rússia usou o Brasil para abrigar uma linha de montagem de espiões, através de operadores de elite, considerados até mesmo ilegais. Outro agente russo teria atuado em venda de joias e uma agente atuava como modelo.
Agentes de contra-inteligência do Brasil teriam descoberto esses disfarces e cada um dos espiões foram encontrados nos últimos três anos. A Polícia Federal teria deflagrado a Operação Leste, prendendo duas pessoas e encontrando, ao todo, nove russos que estavam em operação no Brasil.
A investigação brasileira foi estendida para oito países, contando com a colaboração das inteligências dos Estados Unidos, Israel, Holanda e Uruguai.