Garoto carregava apenas uma mochila, um saco plástico e o passaporte Imagem: Reprodução/Ministerstvo vnútra SR
Um menino de 11 anos cruzou ontem, sozinho, a fronteira da Ucrânia com a Eslováquia porque os pais precisaram permanecer no país. Ele foi chamado de “herói da noite” pelas autoridades eslovacas.
Segundo uma postagem do Ministério do Interior eslovaco no Facebook, o garoto de Zaporizhzhia, no sudeste da Ucrânia, carregava apenas uma mochila, um saco plástico, o passaporte e tinha um número de telefone escrito na mão. O nome dele não foi divulgado.
“Ele veio sozinho porque seus pais tiveram que ficar na Ucrânia. Voluntários cuidaram dele, o levaram para um lugar quente e lhe deram comida e bebida”, disse o ministério na publicação.
Segundo a pasta, ele conseguiu contatar parentes que foram buscá-lo e “toda a história acabou bem”. Não ficou claro se esses familiares vivem na Eslováquia.
O número de pessoas que fugiram do conflito na Ucrânia superou a barreira de 1,5 milhão, o que constitui a crise de refugiados mais acelerada desde a Segunda Guerra Mundial, anunciou a ONU (Organização das Nações Unidas) hoje, 11º dia do conflito.
“Mais de 1,5 milhão de refugiados da Ucrânia entraram nos países vizinhos em 10 dias. Esta é a crise de refugiados de crescimento mais rápido na Europa desde a Segunda Guerra Mundial”, tuitou o alto comissário da ONU para os refugiados, Filippo Grandi.
O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) havia anunciado no sábado um total de 1,37 milhão de refugiados.
As autoridades esperam um fluxo ainda mais intenso de refugiados nos próximos dias, consequência da ofensiva do exército russo, especialmente em Kiev, a capital ucraniana.
A Polônia é o principal país de recepção para os refugiados. Desde 24 de fevereiro, dia do início da invasão da Ucrânia pela Rússia, 922.400 pessoas que fugiram do conflito entraram no território polonês, segundo a Guarda de Fronteira.
Neste sábado (5), os Estados Unidos voltaram a pedir que seus cidadãos deixem a Rússia imediatamente. O pedido ocorre por causa da possibilidade de americanos sofram hostilidades por parte das forças de segurança russas, em meio a escalada de tensão decorrente da invasão da Ucrânia. As informações são da agência EFE.
O Departamento de Estado americano também solicitou, por meio de um comunicado, que não sejam feitas viagens para o território russo.
O órgão alertou que todos americanos que estiverem na Rússia podem estar expostos a provocações por parte das seguranças russas, em um momento que a embaixada dos EUA tem uma “capacidade limitada” para ajudar seus cidadãos.
A diplomacia americana também explicou que seus cidadãos podem ter problemas na Rússia para sacar dinheiro em bancos por causa das sanções que o Ocidente impôs à Moscou, que incluem a exclusão de algumas instituições financeiras russas ao sistema de transferências Swift.
Na semana passada, os EUA já tinham pedido que americanos que abandonassem a Rússia enquanto houvesse voos comerciais disponíveis.
Além disso, o Departamento de Estado autorizou a saída do pessoal não essencial e respectivos familiares da Embaixada americana em Moscou.
Visa e Mastercard suspendem operações na Rússia Foto: Pixabay
Neste sábado (5), as operadoras de cartão de crédito Mastercard e Visa anunciaram a suspensão de suas operações na Rússia. As empresas decidiram aumentar suas retaliações, embora já tivessem bloqueado parte das operações para instituições financeiras russas. As informações são do portal Metrópoles.
– Somos obrigados a agir após a invasão da Ucrânia e os eventos inaceitáveis que estamos testemunhando – disse a a presidente e CEO da Visa, Al Kelly, por meio de nota.
Com a nova decisão, todas as transações com cartões Visa e Mastercard, emitidas na Rússia, não funcionarão mais.
As duas operadoras são responsáveis por cerca de 74% das transações de pagamento em solo russo.
As empresas se comprometeram ainda a contribuir com 2 milhões de dólares, cada, em ajuda humanitária.
Bomba FAB-500 encontrada na cidade de Chernihiv, segundo as Forças Armadas da Ucrânia Imagem: Reprodução/Twitter
Há pelo menos 351 mortes confirmadas de civis na Ucrânia desde que as tropas russas invadiram o país em 24 de fevereiro, além de outros 707 feridos, embora os verdadeiros números sejam provavelmente “consideravelmente maiores”, afirmou uma missão de monitoramento da ONU neste sábado.
A maioria das mortes de civis foram causadas por armas explosivas com uma área de impacto ampla, incluindo bombas de artilharia pesada e sistemas de lançamentos múltiplos de foguetes, e de ataques aéreos ou de mísseis, disseram monitores do Gabinete para Direitos Humanos do Alto Comissariado da ONU.
“O Gabinete acredita que os verdadeiros números são consideravelmente maiores, especialmente no território controlado pelo governo e especialmente nos últimos dias, porque as informações de alguns locais onde houve hostilidades intensas atrasou e muitos relatos ainda dependiam de confirmação”, disse.
A missão afirmou que centenas de supostas mortes civis em Valnovakha —onde havia tentativas de abrir um corredor de retirada pelo meio das forças russas — ainda precisavam de confirmação.
Informação foi divulgada pelo chefe da bancada do partido do presidente ucraniano
A terceira rodada de negociações entre Rússia e Ucrânia, para buscar um cessar-fogo no conflito que ocorre no território ucraniano, acontecerá na próxima segunda-feira (7). A informação foi divulgada neste sábado (5), por David Arajamia, chefe da bancada do partido Servidor do Povo, do qual faz parte o presidente do país, Volodymyr Zelensky.
A reunião, segundo a fonte divulgou, por meio de postagem no Facebook, acontecerá na fronteira entre Belarus e Polônia.
A primeira rodada de negociações entre as delegações da Rússia e da Ucrânia aconteceu em 28 de fevereiro, e a segunda dois dias atrás, ambas no território bielorrusso.
Após o segundo encontro, as partes chegaram a um acordo para o estabelecimento de corredores humanitários para a evacuação de civis e a entrega de alimentos e medicamentos.
No entanto, a prevista abertura deste sábado de duas passagens, em Mariupol e Volnovaja, no sudeste da Ucrânia, para evacuar a população civil, anunciada pela Rússia, ficou suspensa.
A justificativa para a paralisação dos corredores foi a continuação de operações militares, de que ambas as partes se acusam mutuamente.
O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Dmytro Kuleba, pediu aos países da comunidade internacional que continuem aplicando sanções contra a Rússia, sobretudo econômicas. Diante do não envio de tropas estrangeiras para ajudar os soldados ucranianos contra a invasão russa, tem restado à Ucrânia contar com as sanções para enfraquecer o presidente da Rússia, Vladmir Putin.
“Pedimos uma nova rodada de sanções contra Rússia. Queremos todos os bancos os excluídos [do sistema internacional], é preciso interromper a compra de petróleo russo. O petróleo russo tem cheiro de sangue: o ucraniano. Vemos que muitas multinacionais saíram da Rússia, eu elogio essas decisões. Peço para que todas as empresas parem de investir na Rússia”, disse Kuleba, em entrevista concedida hoje (5). Segundo ele, 113 multinacionais já deixaram a Rússia.
No último sábado (26), países ocidentais já haviam anunciado o congelamento de reservas internacionais da Rússia. Além disso, bancos russos estão sendo desligados da plataforma Swift, um sistema de pagamentos entre instituições financeiras de mais de 200 países, coordenados pelos bancos centrais das dez maiores economias do mundo. Essa medida complica ainda mais o funcionamento do sistema financeiro russo, ao atrasar o pagamento de transações comerciais e financeiras.
Dias depois, os Estados Unidos anunciaram uma ampliação nas sanções. As medidas devem afetar empresas que atuam no setor de Defesa do país euroasiático. Além disso, serão impostas restrições às importações de bens tecnológicos do principal aliado russo, Belarus, cujo território tem sido usado pelas Forças Armadas da Rússia em ataques contra alvos ucranianos.
Na entrevista, Kuleba também pediu para que a China e Índia se juntem aos esforços para parar a guerra e convençam Putin a encerrar o conflito. Para o ministro, a guerra é contra os interesses da China, por afetar o comércio internacional. Já a Índia, segundo ele, é prejudicada porque é um dos principais compradores de produtos agrícolas da Ucrânia e a guerra compromete as próximas colheitas.
“A Índia tem que pedir ao Putin para parar essa guerra. Estamos lutando porque Putin não reconhece o nosso direito de existir”. Tanto Índia como China evitaram se colocar contra a Rússia no Conselho de Segurança das Nações Unidas e se abstiveram de aprovar uma Resolução condenando o ataque.
Ele também afirmou que a invasão russa não afasta o desejo da Ucrânia de fazer parte da União Europeia. “Putin pode jogar bombas sobre nós, mas isso não vai mudar a posição do povo ucraniano de querer ser parte da União Europeia”. O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, já pediu uma adesão imediata ao bloco.
O chanceler ucraniano também agradeceu a ajuda humanitária que tem sido enviada ao país. Segundo ele, a comunidade ucraniana no exterior conseguiu arrecadar US$ 7,5 milhões. Além disso, ele registrou o recebimento de 183 toneladas de ajuda humanitária.
Kuleba negou impedir a saída de estudantes estrangeiros da Ucrânia. Afirmou que o país está prestando assistência a esses estudantes e criou uma linha de emergência para que eles peçam socorro às embaixadas de seus respectivos países. Por fim, o chanceler pediu que o mundo aprenda com os erros do passado e evite uma nova guerra no continente europeu.
“Os líderes do mundo precisam mostrar que isso não pode acontecer de novo. Provem que vocês querem que isso nunca mais aconteça, aprendam com as lições do passado. Isso [a invasão russa] pode levar o continente inteiro a uma devastação”.
Autoridades do governo alegam disseminação de “fake news”
Presidente russo Vladimir Putin determinou bloqueio de redes sociais Foto: EFE/EPA/Andrey Gorshkov/Sputnik/Kremlin Pool
O regulador de comunicações da Rússia, Roskomnadzor, bloqueou o Twitter pouco depois de fazer o mesmo com o Facebook.
De acordo com um documento publicado no site do órgão, a mudança atende um pedido do Ministério Público russo feito em 24 de fevereiro, data do início da ofensiva militar russa na Ucrânia.
O Roskomnadzor já tinha anunciado o bloqueio de acesso na Rússia à rede social Facebook. A medida foi tomada em resposta ao que o órgão chamou de “censura” de contas da imprensa russa.
– Em 4 de março foi decidido bloquear o acesso à rede social Facebook, controlada pela Meta, no território da Federação Russa – disse o Roskomnadzor em um comunicado.
O regulador russo já havia restringido e reduzido parcialmente o acesso ao Facebook e ao Twitter pela disseminação do que chamou de “informações falsas” sobre as ações das forças russas na Ucrânia.
A medida foi tomada depois que a empresa de tecnologia dos EUA restringiu as contas oficiais de quatro veículos de comunicação russos: o canal de televisão militar Zvezda, a agência de notícias oficial RIA Novosti, o portal Lenta e o jornal Gazeta.ru.
A Procuradoria Geral da Rússia alegou que o Facebook “restringiu ilegalmente a divulgação por usuários de internet de informações socialmente importantes no território da Federação Russa, incluindo mensagens e materiais de veículos registrados, em conexão com a imposição de sanções políticas e econômicas por países estrangeiros em relação à Rússia”.
As autoridades russas consideram que isso viola o direito dos cidadãos contido no artigo 29 da Constituição russa de “acessar, receber, transmitir, produzir e divulgar livremente informações de forma lícita”, disse a Procuradoria.
O Roskomnadzor informou ter solicitado à empresa matriz do Facebook, Meta, que suspendesse as restrições e explicasse as razões de sua introdução, mas ela teria ignorado o pedido.
De acordo com a Coreia do Sul, esse já é o nono disparo norte-coreano realizado apenas neste ano
Kim Jong-Un, líder supremo da Coreia do Norte Foto: EFE/EPA/KCNA
A Coreia do Norte lançou, neste sábado (5), pelo fuso horário local, o que autoridades sul-coreanas acreditam ser um míssil balístico em direção ao mar do Japão (também conhecido como mar do Leste). O Estado-Maior Conjunto da Coreia do Sul (JCS) relatou o lançamento, o nono até agora realizado neste ano por Pyongyang.
O último teste desse tipo realizado pela Coreia do Norte aconteceu menos de uma semana depois de o regime alegar ter realizado outro lançamento de um projétil como parte do desenvolvimento de um satélite de reconhecimento e quatro dias antes das eleições presidenciais na Coreia do Sul.
– Nossos militares detectaram um projétil que acreditamos ser um míssil balístico lançado no mar do Leste a partir da região de Sunan por volta das 8h48 (20h48 de sexta-feira em Brasília) – diz o comunicado enviada pelos chefes do JCS.
Sunan é o distrito de Pyongyang onde fica o aeroporto internacional da cidade e é o local a partir do qual o regime lançou outro míssil balístico há uma semana. Naquele teste anterior, o regime alegou ter testado um projétil como parte do desenvolvimento de um satélite de reconhecimento.
O governo japonês disse também acreditar que o lançamento de hoje envolveu um míssil balístico, como na semana passada, e que o projétil parece ter caído fora da chamada Zona Econômica Exclusiva (ZEE) do Japão. O escritório presidencial em Seul convocou uma reunião do Conselho Nacional de Segurança (NSC) para discutir o lançamento.
O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Jens Stoltenberg, alertou nesta sexta-feira, 4, que os próximos dias “provavelmente serão piores” na guerra da Ucrânia, à medida que o aumento da ofensiva militar russa provoca “mais mortes, mais sofrimento e mais destruição”.
Em coletiva de imprensa, Stoltenberg exortou o presidente russo, Vladimir Putin, a encerrar o conflito “imediatamente”, retirar as tropas do país vizinho e se engajar em esforços diplomáticos. Segundo ele, Moscou está pagando um “alto preço” pela invasão, mas a Otan está disposta a manter abertos os canais diplomáticos com o Kremlin.
O norueguês defende que a Otan “não é parte do conflito”, mas sim uma aliança defensiva.
– Não há conflito com a Rússia, mas, ao mesmo tempo, temos que garantir que não haja mal-entendidos. Reforçamos que a presença no leste, é uma presença defensiva – afirmou.
Local foi bombardeado e havia a suspeita de vazamento radioativo no local
Diretor da Agência Internacional de Energia Atômica explica situação em Zaporizhzhya Foto: EFE/EPA/Christian Bruna
Por meio das redes sociais, uma autoridade ucraniana informou que forças militares russas tomaram o controle da usina nuclear de Zaporizhzhya, a maior da Europa. A informação também foi passada em comunicado do Ministério da Defesa russo. A usina foi bombardeada e chegou a pegar fogo, causando alerta sobre a possibilidade de vazamento radioativo.
O fogo que atingiu a usina acabou sendo controlado pelo serviço de emergência estatal da Ucrânia, nesta sexta-feira (4). O bombardeio havia atingido um prédio de treinamento e um laboratório do complexo nuclear de 6 mil megawatts.
De acordo com a secretária de Energia dos EUA, Jennifer Granholm, não havia indicação de níveis elevados de radiação na usina nuclear, que fornece mais de um quinto da eletricidade total gerada na Ucrânia. Antes da declaração de Granholm, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) já havia informado que o incêndio não afetara equipamentos “essenciais”.
O Ministério da Defesa da Rússia, também em comunicado, atribuiu o ataque no local da usina a sabotadores ucranianos, chamando o ato de uma provocação monstruosa. A informação sobre o fogo na usina foi divulgada primeiramente pelo prefeito da cidade de Energodar, Dmytro Orlov, em um vídeo postado no Telegram. Ele citou o que chamou de ameaça à segurança mundial,.
Mais cedo, Orlov já tinha afirmado que uma coluna de soldados russas se direcionava para a usina nuclear, relatando que “tiros altos podiam ser ouvidos na cidade”. Autoridades ucranianas também informaram que as tropas russas aumentaram os esforços para tomar o controle da usina e que haviam entrado na cidade com tanques.