O ministro de Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, disse hoje que o Brasil não vai “dançar ao som dos Estados Unidos”. A declaração, segundo a agência de notícias russa Tass, foi dada em entrevista ao veículo de comunicação RT, ligado ao governo russo.
Na fala, Lavrov reclamava de sanções aplicadas pelos americanos e pela Europa contra a Rússia em razão da guerra que o país promove contra a Ucrânia. Hoje, o conflito entrou no 23º dia, com novos registros de ataques pelo país, inclusive no oeste ucraniano.
A Tass escreveu que Lavrov declarou que “vários países, incluindo China, Índia, Brasil, México, não dançarão ao som dos Estados Unidos”. O ministro havia apontado que “a Europa praticamente parou de tentar defender sua independência diante dos Estados Unidos”, segundo relato da agência. Para ele, a pressão das sanções sobre o governo do presidente russo, Vladimir Putin, continuará, mas a Rússia está acostumada com isso.
Há jogadores que nunca concordarão com a existência de uma ‘aldeia global’ sob a liderança de um ‘xerife’ da América –são China, Índia, Brasil, México. Tio Sam vai dizer para eles fazerem isso Sergei Lavrov, ministro das Relações Exteriores da Rússia
O ministro de Relações Exteriores da Rússia, Sergei LavrovImagem: 10.mar.2022 – Ozan Kose/AFP
O presidente Jair Bolsonaro (PL) visitou Putin poucos dias antes de o russo iniciar a invasão ao território ucraniano. O Brasil tem se colocado neutro no conflito entre Rússia e Ucrânia. Na quarta-feira (16), modificou sua posição nas votações do sistema da ONU (Organização das Nações Unidas) e optou por se abster em uma resolução contra a Rússia.
“Deve-se dizer que a Rússia não é de forma alguma um dos países que estaria pronto para saudá-la”, acrescentou o ministro.
Para ele, “os Estados Unidos estão lutando por um mundo unipolar”. “Não será uma ‘aldeia global’, será uma ‘aldeia americana’, talvez um salão americano onde todos dançam ao som dos mais fortes.”
“Se você olhar para o número de países que impuseram sanções contra a Rússia, verá que a maioria daqueles que se opuseram a nós o fizeram sob forte pressão, sob chantagem”, disse Lavrov
Segundo o relato da agência, para Lavrov, a Rússia “está pronta para cooperar com aqueles que estão prontos para agir com base no respeito mútuo”.
O ministro de Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, em entrevista à RT, da RússiaImagem: Reprodução/RT
Guerra entra no 23º dia
Nesta sexta-feira (18), um ataque com mísseis atingiu uma área próxima ao aeroporto de Lviv, cidade ucraniana 550 quilômetros a oeste de Kiev, já próxima à fronteira com a Polônia —que recebeu mais de 2 milhões de refugiados ucranianos.
Na capital Kiev, ao menos uma pessoa morreu em um ataque que atingiu um prédio residencial, segundo o serviço de emergências da Ucrânia.
Enquanto o conflito ainda acontece, lideranças internacionais tentam interceder para o seu fim. Hoje, os presidentes de Estados Unidos e China irão conversar sobre a guerra. Aliada da Rússia, China diz respeitar “soberania e integridade territorial de todos”.Imagem: Arte/UOL
Mísseis em Lviv
O prefeito de Lviv, Andriy Sadovyi, disse que uma fábrica de reparos de aeronaves que fica perto do aeroporto da cidade foi destruída pelo ataque, mas o terminal não foi atingido. Sadovyi afirmou ainda nas redes sociais que o trabalho na fábrica havia parado antes que os mísseis atingissem o local e não houve relatos de vítimas.
Segundo o Comando Aéreo “Oeste” da Força Aérea da Ucrânia, seis mísseis de cruzeiro foram lançados, “provavelmente, do Mar Negro”. “Dois mísseis foram destruídos por mísseis antiaéreos do Comando Aéreo Oeste”, diz comunicado do órgão. O Mar Negro está a cerca de 800 quilômetros de Lviv.
Chefe da administração militar regional de Lviv, Maksym Kozytsky disse que uma pessoa ficou ferida no ataque.
Fumaça é vista após explosão perto do aeroporto de Lviv, na Ucrânia Imagem: Yuriy Dyachyshyn/AFP
Prédio na capital
Em Kiev, “restos de foguete” causaram um incêndio em um prédio residencial de cinco andares no bairro de Podilskyi, segundo o serviço de emergências da Ucrânia.
Cerca de 98 pessoas foram evacuadas. O serviço relata ao menos uma morte e quatro feridos.
Incêndio atingiu prédio residencial em Podilsky, na capital, KievImagem: Serviço de Emergência do Estado da Ucrânia
“Medidas extremas”
O Ministério da Defesa da Ucrânia disse hoje que a Rússia tem apelado para “medidas extremas” após perder recursos e pessoal na guerra. “Eles estão realizando uma mobilização secreta”, disse, em comunicado, hoje, citando a atração de “voluntários” e também de “mercenários” da Síria.
Os russos, por sua vez, dizem estar “apertando o cerco” a Mariupol —cidade que teve 80% de suas residências destruídas e tem sido alvo de constantes ataques— com o apoio de separatistas do leste ucraniano.
O Ministério da Defesa da Ucrânia diz que os russos estão “tentando criar uma imagem positiva distribuindo alimentos para a população civil”.
“Ao mesmo tempo, eles estão ativamente procurando e detendo ativistas pró-ucranianos, funcionários públicos, membros da Operação Antiterrorista/Operação de Forças Conjuntas e membros de suas famílias, bem como outros cidadãos que possam organizar resistência à ocupação.”
Bombardeios da Rússia em Sievierodonetsk, na região de Luhansk, UcrâniaImagem: Reuters
Já o Ministério da Defesa da Rússia diz que conseguiu “libertar” cerca de 90% do território da “República Popular de Lugansk”, área separatista do leste ucraniano, e que tem avançado em Donetsk.
Na região de Lugansk, o governo ucraniano indicou que “mais de 20 instalações residenciais e de infraestrutura foram destruídas durante a noite em Sieverodonetsk e Rubezhnoye”. Já o chefe da Administração Militar Regional de Donetsk, Pavlo Kyrylenko, disse que, nesta sexta, os russos lançaram um ataque com mísseis em Kramatorsk, cidade da região.
“Eles atingiram um prédio residencial e um prédio administrativo”, informou, relatando ao menos duas mortes e seus feridos. “Os russos são incapazes de travar uma guerra honesta entre os exércitos. Então, continuam a bombardear civis.”
Ataque com mísseis em Kramatorsk, na região de Donetsk, atinge um prédio residencial e outro administrativoImagem: Pavlo Kyrylenko
Em Mariupol, a Rússia diz que “unidades da República Popular de Donetsk, com o apoio das Forças Armadas Russas, estão apertando o cerco e lutando contra os nacionalistas no centro da cidade”.
Capital da Ucrânia está sendo destruída por bombardeios russos Foto: EFE/EPA/Miguel A. Lopes
A Rússia intensificou o bombardeio em Kiev nesta terça-feira (15). A ação destruiu apartamentos e uma estação de metrô e ocorreu enquanto 2 mil carros de civis fugiram de Mariupol, por meio de um corredor humanitário. Acredita-se que essa possa ser a maior evacuação já feita do porto. Enquanto isso, os diplomatas iniciam uma nova rodada de negociações, via vídeo, para chegar a um acordo que coloque fim no conflito entre os dois países.
Grandes explosões ocorreram antes do amanhecer em Kiev. Segundo autoridades ucranianas, os barulhos se tratavam de ataques de artilharia, já que o ataque da Rússia à capital parecia se tornar mais sistemático e se aproximava da cidade. Ao todo, mais de 3 milhões de pessoas já deixaram o país desde o início dos conflitos.
O presidente ucraniano Volodymyr Zelenski disse que bombas atingiram quatro prédios de vários andares na cidade e mataram dezenas de pessoas. O bombardeio provocou um grande incêndio em um prédio de 15 andares.
ATAQUES A ÁREAS RESIDENCIAIS Os combates se intensificaram nos arredores de Kiev nos últimos dias, e sirenes de ataque aéreo soaram dentro da capital. O prefeito Vitali Klitschko anunciou um toque de recolher de 35 horas que se estendeu até a manhã de quinta-feira (10).
Um prédio de apartamentos de 10 andares no distrito de Podilsky, em Kiev, ao norte do bairro do governo, foi danificado. As forças russas também intensificaram os ataques durante a noite em Irpin e nos subúrbios de Hostomel e Bucha, no noroeste de Kiev, disse o chefe da região da capital, Oleksiy Kuleba.
Uma das situações mais desesperadoras é em Mariupol, cidade de 430 mil habitantes, onde autoridades dizem que um cerco de uma semana matou mais de 2.300 pessoas e deixou os moradores lutando por comida, água, calor e remédios.
Nesse cenário, o parlamento ucraniano votou pela prorrogação da lei marcial por mais um mês, até 24 de abril. De acordo com a medida, solicitada por Zelenski, homens entre 18 e 60 anos estão impedidos de deixar o país para que possam ser convocados para lutar.
Foto:: EFE/EPA/ALEKSEY NIKOLSKYI/SPUTNIK/KREMLIN POOL / POOL
A Rússia decidiu abandonar o Conselho da Europa e renunciar ao Convênio de Direitos Humanos, segundo informou o gabinete da secretária-geral do organismo, a croata Marija Pejcinovic. A decisão russa é baseada no artigo 7, do Estatuto do Conselho da Europa, que permite a qualquer membro “se retirar, notificando a decisão ao secretário-geral”.
O anúncio de Moscou foi tornado público durante audiência extraordinária da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, que iria submeter à votação uma declaração para cobrar que a Rússia se retirasse. Caso o país decidisse permanecer na organização, seria colocada em pauta a expulsão.
Dessa forma, poderia se repetir o que aconteceu 53 anos atrás, quando a Câmara do Conselho recomendou a expulsão da Grécia, devido a um golpe de Estado. No entanto, Atenas se adiantou e pediu a saída. A Rússia poderia prolongar a permanência até o fim do ano, se houvesse a aplicação literal do artigo 7.
O Comitê de Ministros do Conselho da Europa havia decidido, em 25 de fevereiro, pela suspensão da participação da Rússia na organização, logo após a invasão da Ucrânia. O Ministério das Relações Exteriores russo confirmou a decisão, alegando que o país foi obrigado “a dar esse passo”.
– Nos separamos sem pesar desse Conselho da Europa – indica a nota oficial.
Posição do país ocorreu durante reunião do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas
Presidente da Rússia, Vladimir Putin Foto: EFE/Michael Klimentyev-Sputnik Kremlin
A Rússia se comprometeu, nesta segunda-feira (14), com a cooperação internacional na não proliferação de armas nucleares, no âmbito do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). Em reunião do organismo sobre o tema, o país reforçou a resolução 2622 do Conselho, que trata sobre uma extensão do mandato no Comitê de monitoramento da posse de armas nucleares, químicas e biológicas.
O represente russo na ocasião, Dmitry Polyanskiy, afirmou que o país busca o principio do consenso, especialmente levando em conta a intenção de prevenir armas de destruição de massa em posse de atores não estatais. O
Para o representante do Brasil Ronaldo Costa Filho, o Comitê vem conseguindo evitar que atores não estatais consigam acesso à armas nucleares, químicas e biológicas. Segundo ele, é necessário se adaptar aos desafios futuros no tema.
Ainda assim, o diplomata afirmou que a “forma mais efetiva de combater proliferação de armas de destruição em massa é o desarmamento”, e visou a eliminação irreversível de equipamentos.
No geral, os outros países apoiaram a resolução 2622, que foi aprovada em fevereiro por unanimidade e se comprometeram com a não proliferação de armas de destruição em massa. Outro ponto destacado foi a necessidade de prevenir grupos terroristas de terem acesso aos equipamentos.
Um ataque contra um edifício residencial deixou ao menos uma pessoa morta e 12 feridos
Foto: Reprodução, redes sociais
Líderes da Rússia e Ucrânia se reúnem nesta segunda-feira (14) para uma nova rodada de negociações. Encontro, por videoconferência, ocorre em meio a bombardeios na cidade de Mariupol, no sul do país, e ataques a capital Kiev.
Um ataque contra um edifício residencial em Kiev, que deixou ao menos uma pessoa morta e 12 feridos, marcou as primeiras horas do conflito nesta segunda. Três dos feridos foram hospitalizados.
As equipes de resgate informaram que o prédio fica no distrito Obolon, zona norte da capital ucraniana, e que um incêndio foi controlado pelos bombeiros depois que foi alvo de um “disparo de artilharia” durante a madrugada.
O governo local também afirmou que a fábrica de aviões Antonov foi bombardeada em Kiev.
Combates se alastravam nos arredores de Kiev neste sábado (11) e autoridades ucranianas disseram que o forte bombardeio e ameaças de ataques aéreos da Rússia colocam em risco as tentativas de retirar civis desesperados de cidades sitiadas em outros locais.
O presidente ucraniano Volodymyr Zelenskiy disse que a Rússia enviaria novas tropas, após as forças ucranianas tirarem de ação 31 dos seus batalhões de grupos táticos, no que ele chamou de a pior baixa do Exército russo em décadas.
Zelenskiy afirmou que entre 500 e 600 soldados russos haviam se rendido apenas na sexta-feira e que cerca de 1.300 soldados ucranianos foram mortos desde que o conflito começou. Não foi possível verificar suas afirmações.
Zelenskiy também disse que havia conversado com o chanceler alemão, Olaf Scholz, e o presidente francês, Emmanuel Macron, sobre pressionar a Rússia para libertar o prefeito da cidade de Melitopol, que, segundo a Ucrânia, foi sequestrado na sexta-feira por forças russas.
Mais de 2.000 moradores da cidade no sul, que agora está sob controle da Rússia, protestaram no lado de fora do prédio da administração municipal para exigir a libertação do prefeito, Ivan Fedorov, disse o vice-chefe de gabinete do escritório da Presidência, Kyrylo Tymoshenko.
A Rússia não comentou sobre o destino de Fedorov, que segundo autoridades ucranianas foi sequestrado pelas forças russas sob falsas acusações de terrorismo.
Scholz e Macron pediram que o presidente russo, Vladimir Putin, declarasse um cessar-fogo imediato em uma ligação telefônica de 75 minutos neste sábado, disse o porta-voz de Scholz. O Kremlin disse que Putin os atualizou sobre as negociações e respondeu as suas preocupações com a situação humanitária.
Zelenskiy disse que por causa do conflito algumas pequenas cidades ucranianas não existem mais e que qualquer negociação precisa começar com um cessar-fogo. As negociações em andamento começaram a abordar tópicos concretos, em vez de apenas trocar ultimatos, disse.
As informações do Kremlin sobre a ligação com Macron e Scholz não mencionam um cessar-fogo e acusam a Ucrânia de usar civis como escudos humanos.
Zelenskiy afirmou que a Ucrânia não poderia parar de lutar, mas defende um cessar-fogo em torno de um “corredor humanitário” que foi concordado no porto de Mariupol, no sul, e pediu que a Rússia fizesse o mesmo.
Moscou havia culpado anteriormente Kiev pelo fracasso da retirada de pessoas.
Putin lançou a invasão em 24 de fevereiro em uma operação que foi quase universalmente condenada ao redor do mundo e que atraiu duras sanções do Ocidente contra a Rússia.
Artefato em questão é composto por foguetes de grande poder de devastação
Bomba termobárica tem um forte poder de destruição Foto: Reprodução/TV Zvezda
O Ministério da Defesa da Rússia teria admitido o uso das chamadas bombas termobáricas contra a Ucrânia, de acordo com informações divulgadas pelo Ministério da Defesa do Reino Unido, na quarta-feira (9), pelo Twitter. O artefato em questão é composto por foguetes de grande poder de devastação, causando grandes incêndios, explosões e podendo até vaporizar seres humanos.
Em sua conta oficial no Twitter, a pasta de defesa britânica afirmou que os russos teriam confirmado o uso do sistema de armas TOS-1A. O governo do Reino Unido, porém, não especificou quando e onde elas teriam sido usadas. Nem como teria sido feita a confirmação do uso pela Rússia. O governo russo, por sua vez, não se manifestou.
Na prática, as bombas termobáricas “sugam” oxigênio do ar circundante para gerar uma explosão de alta temperatura. A polêmica em torno da utilização do armamento é que esse tipo de bomba é proibido por acordos internacionais. Além de ser amplamente condenado por organizações de direitos humanos.
Os artefatos termobáricos dispersam combustível em uma nuvem que pode entrar em edifícios ou objetos ao redor. Na sequência, a bomba acende a nuvem que causa uma enorme bola de fogo e suga o oxigênio das áreas próximas, causando uma onda de pressão e calor. Essas bombas têm capacidade destrutiva semelhantes a de uma explosão causada por armas nucleares.
Esse tipo de armamento, desenvolvido na década de 60, foi utilizado durante a Guerra do Vietnã. Desde a última semana, a Rússia tem sido acusada de usar esse tipo de artefato. A explosão de uma refinaria de petróleo em Okhtyrka, na região de Sumy, na segunda-feira (7), teria sido causada por uma arma do tipo.
Ministério da Economia informou que vai assumir o controle de empresas com participação estrangeira que abandonaram o país
O governo da Rússia vai tomar o controle e até nacionalizar multinacionais que estão deixando o país devido à invasão da Ucrânia, de acordo com comunicado do Ministério da Economia nesta quinta-feira, 10.
Essa é a primeira resposta do governo à fuga de multinacionais, como Coca-Cola, McDonald’s, Starbucks e Ikea.
O ministério traçou novas políticas para assumir o controle temporário de companhias que estão saindo do país que tenham mais de 25% de participação estrangeira. Os proprietários teriam cinco dias para retomar a atividade ou recorrer a outras opções, como vender sua participação.
De acordo com as propostas, um tribunal de Moscou analisaria pedidos de membros do conselho e outros para trazer gerentes externos. O tribunal poderia então congelar ações de empresas estrangeiras como parte de um esforço para preservar propriedades e funcionários.
O Ministério da Economia disse ainda que as medidas se aplicariam a empresas cuja administração, incluindo acionistas, efetivamente encerrou o controle da atividade em violação às leis russas. As empresas cuja administração deixou a Rússia ou transferiu ativos a partir de 24 de fevereiro também podem estar sujeitas às novas regras.
Ainda de acordo com o ministério, as empresas que passam por aquisições externas podem ser reembaladas e vendidas em leilão após três meses. Os novos proprietários teriam que preservar dois terços dos empregos e manter as empresas funcionando na Rússia por um ano. As medidas, no entanto, ainda não foram aprovadas.
A lista de marcas globais que estão abandonando a Rússia está crescendo a cada dia, à medida que algumas das maiores corporações do mundo, de energia a bens de consumo e eletrônicos, suspendem as operações no país.
O Ministério da Economia sugeriu que suas medidas seriam mais voltadas para o leilão de ativos do que para a nacionalização.
“O projeto visa a incentivar as organizações sob controle estrangeiro a não abandonar suas atividades no território da Federação Russa”, explicou o governo.
Wali, famoso por sua atuação recorde no Afeganistão, tem sido usado como propaganda pela mídia do país
Wali, o atirador mais letal de todosFoto: Karine Dufour/Radio-Canada
Em um país com uma força militar razoável, lutando uma guerra contra uma das maiores potências bélica do mundo, qualquer ajuda é muito bem-vinda. É por isso que a chegada de um atirador famoso, chamado Wali, está sendo explorada pela mídia ucraniana em meio aos conflitos com a vizinha Rússia.
Conhecido como o atirador “mais letal” de todos, Wali é capaz de entregar “40 inimigos mortos por dia”. Além disso, o sniper detém um recorde que tem sido explorado como propaganda na Ucrânia, nação que precisa de uma moral alta para combater seus vizinhos russos, atuais detentores da hegemonia nuclear.
Em 2009, na Guerra do Afeganistão, Wali eliminou um adversário no campo de batalha com um tiro disparado a uma distância de 3,5 km. Na ocasião, ele lutava no Oriente Médio pelo Regimento Real do Canadá.
Em entrevista ao La Presse, Wali explicou que viajou para a guerra na Ucrânia em resposta a um chamado do próprio presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenski. “Ele precisava de um franco-atirador. Eu tive que ir. É como um bombeiro que ouve uma sirene tocando”, resumiu Wali.
Medida ocorre como forma de protesto contra o conflito na Ucrânia
McDonald’s anuncia fechamento de 850 restaurantes na Rússia (Imagem ilustrativa) Foto: Pixabay
Nesta terça-feira (8), a rede de fast-food McDonald’s, criada nos Estados Unidos, anunciou o fechamento temporário de 850 unidades na Rússia. A medida ocorre como forma de protesto contra o conflito na Ucrânia.
Em nota, a companhia indicou que seguirá pagando os salários dos 62 mil funcionários contratados no país, assim como fornecedores e outros parceiros.
A rede McDonald’s relembrou que atua há mais de 30 anos no território russo. E conta com “milhões” de consumidores russos todos os dias.
O comunicado da companhia sobre o fechamento das franquias foi enviado para cada um dos estabelecimentos afetados e seus empregados.
A rede americana indicou que, desde o início da guerra na Ucrânia, a prioridade principal “são as pessoas”.
– Como empresa, nos unimos ao mundo para condenar a agressão e a violência, e rezar pela paz – destacou.
O texto ainda ressalta que os restaurantes da rede na Ucrânia ficaram impossibilitados de funcionar, em grande parte. Mas os salários dos funcionários seguem sendo pagos.
O McDonald’s e a Coca-Cola, outra marca tradicionalmente ligada à cultura dos Estados Unidos, vinham recebendo fortes pressões para interromper as atividades na Rússia.
Nos últimos dias, outras companhias, de diferentes setores, anunciaram a paralisação do funcionamento e de serviços na antiga república soviética, que invadiu a Ucrânia.