Foto: Reprodução de vídeo da Nasa/canal da Nasa no Youtube
A descoberta de planetas localizados fora do sistema solar, também chamados de exoplanetas, contribui para os estudos de possíveis sinais de vida pelo universo.
Nesta terça-feira (22), a Nasa alcançou um marco expressivo ao ultrapassar a contagem de mais de 5.000 exoplanetas descobertos pelos telescópios da agência espacial norte-americana. Segundo a Nasa, a jornada de 30 anos ampliou o conhecimento do universo, até então restrito aos planetas do sistema solar.
O contador planetário ultrapassou a marca com o último lote de 65 exoplanetas adicionados ao Arquivo de Exoplanetas da Nasa. O arquivo registra descobertas de exoplanetas que aparecem em artigos científicos revisados por pares e que foram confirmados usando vários métodos de detecção ou por técnicas analíticas.
De acordo com a Nasa, os mais de 5.000 planetas encontrados até o momento incluem mundos pequenos e rochosos como a Terra, gigantes gasosos muitas vezes maiores que Júpiter e os chamados “Júpiteres quentes”, que estão em órbitas extremamente próximas em torno de suas estrelas.
Na lista de achados, existem também as “super-Terras”, que são possíveis mundos rochosos maiores que o nosso, e “mini-Netunos”, versões menores do Netuno do nosso sistema. As descobertas incluem ainda planetas orbitando duas estrelas ao mesmo tempo e planetas orbitando os restos colapsados de estrelas mortas.
A pesquisadora Jessie Christiansen, líder de ciência do arquivo e cientista do Instituto de Ciência de Exoplanetas da Nasa, no Caltech em Pasadena, afirma que o marco vai além das estatísticas numéricas. “Cada um deles é um mundo novo, um planeta totalmente novo. Fico empolgada com cada um porque não sabemos nada sobre eles”, disse Jessie, em um comunicado.
Primeiras descobertas Estima-se que nossa galáxia contenha centenas de bilhões desses planetas. As descobertas ganharam impulso em 1992, com estranhos novos mundos orbitando uma estrela ainda mais estranha.
Segundo a Nasa, era um tipo de estrela de nêutrons conhecida como Pulsar, um cadáver estelar girando rapidamente que pulsa com rajadas de milissegundos de radiação abrasadora. A medição de pequenas mudanças no tempo dos pulsos permitiu que os cientistas revelassem planetas em órbita ao redor da estrela.
Encontrar apenas três planetas em torno desta estrela giratória essencialmente abriu as comportas, disse Alexander Wolszczan, o principal autor do artigo que, há 30 anos, revelou os primeiros planetas a serem confirmados fora do nosso sistema solar.
“Se você pode encontrar planetas ao redor de uma estrela de nêutrons, os planetas devem estar basicamente em todos os lugares”, disse Wolszczan. “O processo de produção do planeta tem que ser muito robusto”.
Nova era Com o avanço da tecnologia espacial, especialistas estimam que estamos diante de uma nova era de descobertas para além da identificação de novos exoplanetas.
O Transiting Exoplanet Survey Satellite (TESS), lançado em 2018, continua a fazer novas descobertas de exoplanetas. No entanto, em breve os telescópios de próxima geração e seus instrumentos altamente sensíveis, começando com o recém-lançado Telescópio Espacial James Webb, capturarão a luz das atmosferas dos exoplanetas, lendo quais gases estão presentes para identificar potencialmente sinais indicadores de condições habitáveis.
De acordo com a Nasa, o Telescópio Espacial Romano Nancy Grace, com lançamento previsto para 2027, fará novas descobertas de exoplanetas usando uma variedade de métodos. A missão Ariel da Agência Espacial Europeia (ESA), com lançamento em 2029, observará atmosferas de exoplanetas. Com parte da tecnologia da Nasa a bordo, chamada Case, a missão deve se concentrar em nuvens e neblinas de exoplanetas.
“Na minha opinião, é inevitável que encontremos algum tipo de vida em algum lugar – provavelmente de algum tipo primitivo”, disse Wolszczan. Para ele, a estreita conexão entre a química da vida na Terra e a química encontrada em todo o universo, bem como a detecção de moléculas orgânicas generalizadas, sugere que a detecção da própria vida é apenas uma questão de tempo.
Democrata segue firme em austeridade ao país que invadiu a Ucrânia
Joe Biden em coletiva de imprensa Foto; EFE/EPA/OLIVIER HOSLET
O presidente dos Estados Unidos Joe Biden defendeu a expulsão da Rússia do Grupo dos Vinte (G20), durante coletiva de imprensa realizada nesta quinta-feira (24), após reuniões com líderes de Estado da União Europeu (UE) e do Grupo dos Sete (G7).
De acordo com Biden, a possibilidade foi discutida hoje, mas não será concretizada enquanto “a Indonésia e outros países” não concordarem.
Segundo o mandatário, as reuniões realizadas nesta quinta tiveram como objetivo central manter o Ocidente e demais aliados unidos em sua resposta contra a Rússia, de forma que as sanções continuem firmes ao menos até o fim de 2022. Para Biden, as medidas contra Moscou surtiram o efeito esperado e serão sustentadas.
O presidente americano também afirmou que medidas para melhorar a segurança energética estão sendo coordenadas junto ao G7 e a UE, e detalhes serão divulgados nesta sexta-feira (25).
Quanto à possibilidade de que os EUA e a Otan respondam militarmente a um eventual uso de armas químicas da Rússia, Biden disse que isso dependeria da escala do uso deste tipo de armamento.
Perguntado sobre a posição da China sobre o conflito, Biden disse que não fez ameaças ao país em sua reunião com o presidente Xi Jinping na semana passada, mas destacou que deixou claro que haverá consequências caso o país mantenha a neutralidade. Para Biden, a China entende que seu futuro econômico está mais ligado ao Ocidente do que à Rússia.
Líderes da aliança militar do Ocidente estão reunidos hoje (24) em Bruxelas. Após o encontro, ficou definido que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) vai incrementar o número de tropas em países ao Leste da aliança, mais especificamente na Eslováquia, Romênia, Bulgária e Hungria.
“Permanecemos unidos e decididos em nossa determinação de nos opormos à agressão russa, ajudar o governo e o povo da Ucrânia e defender a segurança de todos os aliados”, diz o comunicado assinado pelos líderes dos 30 países que formam a aliança.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, fez novamente um apelo aos países do Ocidente por uma zona de exclusão aérea, para que aviões russos pudessem ser abatidos durante voos sobre a Ucrânia.
Os líderes da Otan, no entanto, seguem com o entendimento de não intervenção direta no conflito, para evitar uma escalada de tensão e uma guerra de maiores proporções.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, discursa durante cerimônia do Dia Nacional e Europeu em Homenagem às Vítimas do Terrorismo na propriedade Grand Trianon, em Versalhes, França, em 11 de março de 2022. Imagem: Emmanuel Dunand/Reuters
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, declarou nesta terça-feira (21), que a “agressão” do presidente da Rússia, Vladimir Putin, ao invadir a Ucrânia tem consequências muito além da Europa. A afirmação foi dada em um Fórum Humanitário.
“As necessidades humanitárias” globais “já estão em alta, a guerra feita pelo Kremlin ameaça a segurança alimentar em todo o mundo”, disse Von der Leyer, de acordo com a CNN Internacional.
A presidente da Comissão também confirmou a contribuição de 2,5 bilhões de euros “até 2024 para lidar com a escassez mundial de alimentos em regiões mais afetadas”, além de criar “medidas especiais para aumentar a produção de alimentos na Europa”.
Na semana passada, a OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), avaliou que os impactos da guerra entre Rússia e Ucrânia, que se estende por quase um mês, na economia global exigirão que os governos forneçam subsídios para os consumidores mais pobres, impactados com a alta das contas de alimentos e energia.
A avaliação foi apresentada em sua primeira análise abrangente sobre a crise econômica desencadeada pelo conflito no leste europeu.
A OCDE calcula que a Rússia e a Ucrânia respondem por 30% das exportações globais de trigo, e quase 15% das exportações de milho. Desde o início da invasão em 24 de fevereiro, os preços do trigo quase dobraram e os preços do milho subiram mais de 40%.
Dados divulgados pela FAO, a agência de alimentos da ONU, revelaram que o confronto militar entre duas potências agrícolas – Rússia e Ucrânia – deve levar ao aumento de mais de 20% em média nos preços de alimentos no mundo.
Segundo a FAO, mesmo antes da guerra eclodir, o mês de fevereiro já registrou a maior alta nos preços de commodities agrícolas. Mas, com o conflito, a previsão é de que a tendência seja de um aumento ainda maior a partir dos próximos meses, com até 30% das terras aráveis ucranianas não podendo ser utilizadas.
Outra preocupação da FAO se refere à fome nos países mais pobres. Hoje, cerca de 50 países pelo mundo dependem dos cereais russos e ucranianos. Sem esses produtos, a agência estima que entre 8 milhões e 13 milhões de pessoas podem ser incorporadas no exército de famintos pelo mundo.
O Ministério da Defesa da Ucrânia disse hoje que as forças russas estão ficando sem suprimentos para a guerra, que entra em seu 27º dia. “De acordo com as informações disponíveis, as forças de ocupação russas que operam na Ucrânia têm estoques de munição e alimentos para não mais de três dias”, disse, em comunicado, o ministério, que apontou “situação semelhante com combustível”.
O governo russo, por sua vez, disse que a Ucrânia “usa seus próprios cidadãos como ‘escudo humano'” e fez uma comparação com o nazismo. “As Forças Armadas da Ucrânia colocam armas pesadas nas áreas residenciais de Mariupol [cidade portuária na Ucrânia]. Os nazistas fizeram o mesmo em Berlim [capital da Alemanha] sitiada em 1945”, disse o Ministério de Relações Exteriores da Rússia. Mariupol, que é o principal foco de tensão nos últimos dias, terá corredores de evacuação a partir de áreas próximas à cidade.
As autoridades da Ucrânia não relataram ataques à capital, Kiev, nas últimas horas. Desde as 20h de ontem, horário local (15h, em Brasília), a cidade está sob um toque de recolher de 35 horas. Hoje, por ao menos seis vezes —até as 7h (horário de Brasília)—, as sirenes de alerta para ida a abrigos foram acionadas na capital.
Defesa ucraniana
O Ministério da Defesa da Ucrânia disse que ao menos 300 militares russos “se recusaram a cumprir a ordem de realizar hostilidades” na região de Okhtyrka, cerca de 350 quilômetros a leste de Kiev, perto da fronteira com a Rússia.
A Ucrânia também disse que em Donetsk e em Lugansk, áreas separatistas no leste do país, “o inimigo continua tentando avançar e se firmar, mas sem sucesso”. O Ministério da Defesa da Rússia, porém, disse que tem avançado nessas regiões, e que tem atingido instalações militares ucranianas pelo país.
Em Sievierodonetsk, na região de Lugansk, “o exército russo destruiu armazéns atacadistas com alimentos”, segundo Serhiy Haidai, chefe da administração militar local. “Eles acertaram o alvo porque sabem exatamente onde. Eles conseguiram infligir perdas ao comércio local, mas os moradores da cidade terão comida —nosso abastecimento foi ajustado”.
Hoje, em Druzhkivka, na região de Donetsk, a polícia local disse que por volta das 6h30, horário local (1h30, em Brasília), “as tropas russas lançaram um ataque com mísseis”. “Existem vítimas”, disse o órgão, sem dar detalhes. “O inimigo disparou contra civis de aeronaves, mísseis e artilharia pesada.”
Mulher se prepara para descansar em abrigo improvisado na cidade de Sievierodonetsk, na região de LuganskImagem: Reuters
Recado com ameaça
Em comunicado, o ministro da Defesa da Ucrânia, Oleksiy Reznikov, com um tom de ameaça, fez um “apelo aos residentes dos distritos russos temporariamente ocupados das regiões de Donetsk e Lugansk”. “Nos últimos dias, o exército ucraniano tem capturado cada vez mais pessoas que foram mobilizadas à força pelos ocupantes russos e jogadas na batalha como bucha de canhão”.
Ainda os consideramos cidadãos da Ucrânia. Nós consideramos você como nosso. Se você não cometeu um crime, você está seguro. Vamos lidar com algumas diferenças mais tarde. Podemos nos dar ao luxo de ser diferentes porque somos uma nação livre. Mas nós somos um. Tente evitar a mobilização violenta de qualquer forma. Isso salvará a tua vida Oleksiy Reznikov, ministro da Defesa da Ucrânia
Para os ucranianos que cometeram crimes no conflito, Reznikov dá duas alternativas: fugir ou desistir. “O verdadeiro arrependimento será levado em consideração”, disse, dando um exemplo: “se você capturar um oficial russo, pode contar com uma pena reduzida.”
“Após as atrocidades da Rússia em Mariupol, Kharkiv, Sumy, Chernihiv, nossos soldados estão prontos para queimar todos os intervencionistas e seus auxiliares com ferro em brasa. Não estará entre eles. Não cometa erros”, completou.
Moradores de Mariupol entram em ônibus na cidade de Berdyansk para pegar o corredor de evacuaçãoImagem: Comitê Executivo de Berdyansk
Mariupol sitiada
O governo ucraniano disse hoje que está “trabalhando duro na evacuação de Mariupol”. “Entendemos que não haverá assentos suficientes para todos, portanto, venha até os ônibus de maneira organizada, de acordo com as instruções de nossa equipe local”, disse a vice-primeira-ministra, Iryna Vereshchuk.
A Ucrânia se recusou ontem a atender uma exigência russa para a rendição de Mariupol, que é considerada uma posição estratégica no conflito. A cidade está cercada pelos russos, que negam impedir a saída de civis da região.
“Deteremos todos os bandidos e fascistas. Os militares russos não criam barreiras para a população civil, mas ajudam a sobreviver, fornecem alimentos e remédios”, disse o Ministério das Relações Exteriores da Rússia. Os russos disseram que, “para evitar operações de sabotagem dos batalhões nacionais ucranianos”, seus militares “inspecionam cuidadosamente os veículos que se dirigem para regiões seguras”.
“É do interesse de todos os países do mundo desarmar os jovens fascistas e levá-los à justiça. As forças armadas russas salvarão a população civil e destruirão os nazistas”, disse o ministério.Imagem: Arte/UOL
Cidade pede que pessoas saiam
Volodymyr Borysenko, prefeito de Boryspil, cidade a 40 quilômetros de Kiev, pediu para que os cidadãos deixam a região.
“Não há necessidade urgente de estar na cidade agora. A luta já está acontecendo por aí”, disse, em vídeo, que publicou nas redes sociais, informando que a cidade providenciará transporte para quem não tiver veículo próprio. “Quanto menos civis na cidade, mais fácil é para as Forças Armadas operarem”, justificou.
Volodymyr Borysenko, prefeito de Boryspil, cidade a 40 quilômetros de Kiev, pediu para que os cidadãos deixem a regiãoImagem: Reprodução / Facebook
Porto atacado
A infraestrutura portuária de Mykolaiv, a cerca de 490 quilômetros a sudeste de Kiev, foi atingida por um ataque, segundo a Administração de Portos Marítimos da Ucrânia.
“A infraestrutura portuária sofreu danos significativos. Segundo informações preliminares, não há vítimas”, disse a instituição no Facebook.
Presidente dos EUA disse que a Rússia sabe das “consequências” do uso de armas químicas na Ucrânia
Presidente dos EUA, Joe Biden Foto: EFE/EPA/Oliver Contreras
Nesta segunda-feira (21), o presidente dos Estados Unidos (EUA), Joe Biden, voltou a falar sobre a guerra na Ucrânia e disse que o presidente da Rússia, Vladimir Putin, “está encurralado”. De acordo com ele, Putin sabe das “consequência” caso utilize armas químicas.
A declaração ocorreu durante um pronunciamento feito na Casa Branca.
– Ele está encurralado contra a parede e sabe das consequências – apontou.
O ataque russo à Ucrânia ocorreu na madrugada do dia 24 de fevereiro. O anúncio da “operação militar no leste da Ucrânia” foi feito pelo presidente russo, Vladimir Putin, em um discurso transmitido na televisão. De acordo com ele, o objetivo era “proteger as pessoas que são submetidas a abusos, genocídio de Kiev durante oito anos”, e, para isso, ele buscaria “desmilitarizar e desnazificar a Ucrânia e levar à Justiça aqueles que cometeram vários crimes sangrentos contra pessoas pacíficas, incluindo cidadãos russos”.
Durant seu pronunciamento, Biden ainda afirmou que os atos russos acabaram por unir mais a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).
– Ele [Putin] se surpreendeu. A Otan nunca esteve tão unida como hoje – destacou.
Vídeo mostra momento em que shopping center em Kiev foi destruído por um ataque de mísseis russos, que deixou ao menos oito mortos. As imagens foram divulgadas pelo Ministério da Defesa da Rússia.
Não está claro que tipo de míssil foi usado, mas o impacto foi forte o suficiente para explodir todas as janelas do shopping e danificar a estrutura, além de incinerar veículos no estacionamento.
Os militares da Rússia alegaram que havia no local lançadores de mísseis ucranianos. A Ucrânia não menciona existência de tropas no local comercial.
Em meio à guerra na Ucrânia, a participação de cidadãos brasileiros como voluntários nas forças de defesa do país foi vetada pelas autoridades locais.
De acordo com informações da coluna de Guilherme Amado, no portal Metrópoles, um grupo de 35 brasileiros já estava de malas prontas para lutar pela Ucrânia, mas teve que cancelar a viagem após serem informados que não são bem-vindos.
Eles tomaram conhecimento do veto ao trocar e-mails com representantes ucranianos para combinar um encontro na Polônia. Na ocasião, segundo a coluna, o grupo foi informado de que o Brasil está incluído em uma lista de países cujos cidadãos não são aceitos na legião de voluntários.
Apesar da exclusão, não foram expostos os motivos para o Brasil figurar entre países como a própria Rússia, Belarus e todo o continente africano.
Segundo a publicação, um dos coordenadores do grupo de voluntários, Bruno Bastos, avalia que o posicionamento do presidente Jair Bolsonaro sobre o conflito poderia ser a razão. “Nem como voluntários para médico e socorrista eles estão aceitando. É vergonhoso. Que aperto de mão foi aquele entre Bolsonaro e Putin? Por que Bolsonaro não se pronuncia, não fala? O que está havendo?”, questionou.
A posição oficial do Brasil com relação à guerra é mesmo dúbia. Enquanto o Itamaraty condenou a invasão russa na ONU, Bolsonaro se absteve. Antes disso, em encontro com Vladimir Putin, quando a guerra ainda não havia sido instaurada, o mandatário disse ser “solidário à Rússia”.
O governo ucraniano disse a seus cidadãos hoje que, “em locais onde seja possível e seguro, vale a pena voltar ao trabalho”. “Se você pode trabalhar, trabalhe”, disse Oleksandr Tkachenko, ministro da Cultura e Política de Informação da Ucrânia. “Ao pausar todos os processos de trabalho no país, corremos o risco de piorar significativamente nosso nível econômico.”
Segundo Tkachenko, “apesar do apoio humanitário internacional, a guerra está de alguma forma esgotando a economia”. “Algumas vilas e cidades foram forçadas a fechar seus negócios devido às hostilidades, os trabalhadores foram forçados a sair e alguns perderam seus empregos por causa dos ocupantes.”
Hoje, a guerra entrou no 26º dia com a capital da Ucrânia anunciando que terá mais um toque de recolher de 35 horas, como foi feito na semana passada. O anúncio foi feito hoje pela prefeitura de Kiev após a cidade ter sido alvo de novos ataques. Para a inteligência do Ministério da Defesa do Reino Unido, o cerco à capital deve ser a prioridade das forças russas.
Nesta segunda (21), a Ucrânia rejeitou a proposta russa de rendição em Mariupol, cidade portuária que está sitiada e é considerada estratégica no conflito. Agora, a Rússia prevê mais uma semana para tomar a cidade, segundo um líder separatista. O chefe da diplomacia da União Europeia, Josep Borrell, afirmou que o cerco e os ataques a Mariupol constituem um “enorme crime de guerra”.
O governo russo diz que as negociações de paz ainda não tiveram um progresso significativo; novos diálogos acontecem nesta segunda. Principal negociador ucraniano e conselheiro da Presidência, Mykhailo Podolyak mencionou hoje os mais de 3 milhões de pessoas que tiveram de deixar a Ucrânia em razão do conflito para fazer uma crítica sobre a atuação de outros países. “A Rússia destrói a vida de milhões de pessoas. Ainda não é uma catástrofe humanitária global?”
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, pediu que a UE (União Europeia) interrompa “todo o comércio” com a Rússia. Hoje, novos corredores para evacuação foram abertos no país.
Shopping em Kiev destruído por míssil russoImagem: Reuters
Toque de recolher
A partir das 20h de hoje, horário local (15h, em Brasília), Kiev terá um novo “toque de recolher intensificado” com duração de 35 horas, terminando às 7h de quarta (23). Um período de restrição tão amplo havia sido adotado na semana passada após uma série de ataques à capital.
“As viagens pela cidade serão proibidas sem passes especiais! Você só pode sair para chegar ao abrigo mais próximo”, disse a prefeitura de Kiev em comunicado. “Lembramos que os civis que estiverem na rua durante o toque de recolher sem passe especial serão considerados membros de grupos de sabotagem e reconhecimento!”
Segundo o serviço de emergências da Ucrânia, ao menos oito pessoas morreram e uma ficou ferida em um ataque a um centro comercial em Kiev na noite de domingo (20). As chamas foram extintas por volta das 11h40, horário local (6h40, em Brasília), segundo as equipes de resgate.
Prédios de apartamentos e escolas também foram danificados, segundo a prefeitura da capital. “Devido aos incêndios após ataques aéreos na capital e na região, observa-se a poluição do ar. Portanto, não abra as janelas”, disse hoje o prefeito de Kiev, Vitali Klitschko.
Prédios danificados e carros queimados são vistos após um ataque aéreo em KievImagem: Reuters
Ataque a área militar
A Rússia disparou dois mísseis em um dos campos de treinamento militar na região de Rivne, que fica a cerca de 340 quilômetros de Kiev.
Segundo o chefe da administração regional de Rivne, Vitaliy Koval, o ataque aconteceu hoje. Há relatos de pessoas feridas, segundo as informações iniciais.
O Ministério da Defesa da Rússia disse que “mísseis de cruzeiro de alta precisão lançados do ar atacaram o centro de treinamento para mercenários estrangeiros e formações nacionalistas ucranianas”. Os russos falam em ter atingido “80 mercenários e nacionalistas”, uma informação que não pôde ser confirmada neste momento.
Tanque de amônia
Por volta das 4h, horário local (23h, em Brasília), tanques de amônia em uma fábrica na região de Sumy —a cerca de 360 quilômetros a leste de Kiev, já perto da fronteira com a Rússia— foram danificados por bombardeios.
“Houve um vazamento. O raio do dano é de cerca de 2,5 quilômetros”, disse o Centro de Comunicações Estratégicas e Segurança da Informação, que indicou que “não há ameaça para a população”. Ao menos uma pessoa ficou ferida.
A amônia é um gás incolor, bastante tóxico, que se dissolve na água. Ela pode ser usada pela indústria como fertilizante.
A Rússia nega envolvimento com o caso. “Na cidade de Sumy, uma provocação planejada por nacionalistas ucranianos foi implementada à noite”, disse o Ministério da Defesa russo, que disse ter verificado, em 19 de março, que “nacionalistas ucranianos” planejavam “cometer uma provocação com o objetivo de acusar a Rússia de supostamente usar ‘armas químicas'”.
“Quero enfatizar mais uma vez que as Forças Armadas da Federação Russa não planejaram e não estão infligindo nenhum ataque às instalações ucranianas para armazenamento ou produção de substâncias tóxicas”, disse o ministério em comunicado. “O regime nacionalista de Kiev é diretamente responsável por quaisquer possíveis incidentes com instalações ucranianas de armazenamento de substâncias venenosas.
Sumiço de grãos
Cinco navios com dezenas de milhares de toneladas de grãos desapareceram do porto de Berdyansk, cidade a cerca de 750 quilômetros de Kiev, e que fica próxima a Mariupol, sitiada pelos russos. “Testemunhas oculares dizem que eles foram levados por rebocadores russos”, relatou o Centro de Comunicações Estratégicas e Segurança da Informação.
Autoridades locais informaram que havia cinco navios no porto, sendo que alguns totalmente carregados. “Alguns dias atrás, esses navios desapareceram do porto de Berdyansk”, disse Alexander Starukh, chefe da região de Zaporizka.
“As pessoas dizem que foram levadas por rebocadores russos. Havia dezenas de milhares de toneladas de grãos ucranianos lá”, acrescentou Starukh.
“Aterrorizando”
O Ministério da Defesa da Ucrânia disse hoje que “os ocupantes continuam aterrorizando a população local e saqueando os territórios temporariamente ocupados”. “Não é incomum que os ocupantes russos coloquem pessoal, armas e equipamentos na infraestrutura civil.”
O ministério acusa as forças russas de fazerem uma “mobilização forçada” em Lugansk e Donetsk, áreas separatistas, que os ucranianos dizem estar “temporariamente ocupados”. Segundo o governo, homens de 18 a 60 anos deverão, em 1º de abril, fazer um registro na polícia local. “As razões para este ‘registro’ não são explicadas”, diz o ministério.
Rodízio em Chernobyl
A central nuclear de Chernobyl iniciou ontem o primeiro rodízio de funcionários desde o início da invasão russa à Ucrânia, anunciou a AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica). As forças russas tomaram o controle da central nuclear em 24 de fevereiro e mais de 100 técnicos ucranianos que estavam no fim do serviço noturno prosseguiram com as operações cotidianas na usina, que mantém os resíduos radioativos da catástrofe nuclear de 1986, a pior da história.
Antes do rodízio, a mesma equipe de trabalho estava na central desde o dia anterior à entrada das tropas russas na área, o que “coloca em risco um dos pilares” da segurança nuclear.
Banco Central da Rússia Imagem: REUTERS/Maxim Shemetov
O Banco Central da Rússia decidiu retomar nesta segunda-feira, 21, as negociações de títulos de empréstimos federais na Bolsa de Moscou. A decisão marca a reabertura parcial da bolsa de valores local depois da suspensão determinada no dia 24 de fevereiro, quando a Rússia iniciou a invasão da Ucrânia, que nesta semana completa um mês.
As negociações passam a ocorrer em dois períodos: pela manhã no horário local, entre 10 horas e 11 horas (das 4 horas às 5 horas no horário de Brasília), em “modo de leilão separado”, e à tarde em Moscou, das 13 horas às 17 horas (das 7 horas às 11 horas de Brasília), “no formato habitual”, segundo informou o BC russo em comunicado.
Conforme informou a instituição, vendas a descoberto serão proibidas, e os horários de operação para os próximos dias serão anunciados “em breve”. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.