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A escalada de embates entre os Poderes revela impasse institucional e impulsiona propostas para limitar o alcance da Corte

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A atuação da Corte se espalha por três frentes: criminal, eleitoral e institucional | Foto: Reprodução/Flickr/Supremo Tribunal Federal 

As decisões do Supremo Tribunal Federal (STF)que interferem diretamente em mandatos parlamentares cresceram de forma exponencial nas últimas duas décadas. De 1988 a 2004, foram 36. Desde 2005, esse número saltou para 704, alta de 1.856%.

O levantamento do jornal O Estado de S. Pauloconsidera ações penais, disputas eleitorais e brigas internas do Legislativo levadas ao STF, como questionamentos sobre nomeações ou a posse de parlamentares.

O caso mais recente envolve o deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), acusado de participar de uma suposta tentativa de golpe de Estado. A 1ª Turma da Corte ignorou decisão da Câmara que havia suspendido o andamento do processo e manteve parte das acusações.

A reação foi imediata. Hugo Motta (Republicanos-PB), presidente da Casa, acionou o próprio STF para tentar reverter a decisão, além de intensificar a articulação pela aprovação da PEC que proíbe decisões monocráticas dos ministros.

A atuação da Corte se espalha por três frentes: criminal, eleitoral e institucional. Os ministros autorizam prisões, julgam cassações e interferem em decisões internas do Congresso.

O professor Luiz Esteves Gomes, do Insper, enxerga o início da guinada no julgamento do Mensalão, em 2005. Desde então, a Corte abandonou a postura discreta dos anos de redemocratização e passou a atuar com mais visibilidade.

A tensão se agravou com a Lava Jato e atingiu novo pico com as investigações sobre o 8 de janeiro.

“Essas ações também são acompanhadas por uma mudança na Constituição e por mudanças interpretativas do STF”, disse Luiz.

No caso Ramagem, os ministros decidiram que apenas parte das acusações poderia ser suspensa, considerando que crimes como a suposta tentativa de golpe teriam ocorrido antes do início do mandato.

O argumento da Câmara — de que todos os fatos aconteceram depois da posse, em dezembro de 2022 — foi desconsiderado.

Reação da Câmara inclui PECs e ofensiva jurídica

A resposta do Congresso seguiu dois caminhos. No campo jurídico, a Mesa Diretora entrou com ação para restabelecer a suspensão completa da ação penal. No político, ganhou força a Proposta de Emenda à Constituição que limita decisões individuais dos ministros da Corte.

O texto, já aprovado pelo Senado, agora avança na Câmara com apoio de parlamentares como Zucco (PL-RS) e Alfredo Gaspar (União-AL). Ambos enxergam a proposta como necessária para proteger a autonomia do Parlamento.

Oriovisto Guimarães (Podemos-PR), autor da PEC, diz que a Corte deve tomar decisões colegiadas, e não individuais.

Além disso, o caso da deputada Carla Zambelli (PL-SP), condenada a mais de dez anos de prisão por invadir o sistema do Conselho Nacional de Justiça, também acirrou os ânimos.

Embora a sentença não tenha transitado em julgado, o ministro Alexandre de Moraes sugeriu que a cassação de seu mandato poderia ocorrer por decisão da Mesa Diretora, sem votação em plenário — medida prevista para casos de ausência prolongada.

Deputados reagiram. O líder do PL, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), afirmou que apenas a Câmara tem poder de cassar mandato. Pela Constituição, a cassação só pode ocorrer depois do trânsito em julgado da condenação e exige voto da maioria absoluta do plenário.

Parlamentares defendem mandatos para ministros do STF

Para analistas, a reação da Câmara é um movimento de autodefesa. O cientista político Cláudio Couto, da Fundação Getulio Vargas, vê o conflito como parte de um padrão crescente de tensão.

“É um jogo de estica e puxa que, nos últimos anos, tem provocado fricções sucessivas”, disse Cláudio. “Está piorando cada vez mais.”

Já Leandro Consentino destaca que Hugo Motta age como representante da base, preocupado em proteger os colegas e reforçar sua própria liderança.

Consentino lembra que a decisão contra Ramagem provocou uma reação que também reflete outras disputas em andamento.

Ele cita como exemplo as ações relatadas pelo ministro Flávio Dino, que exigem mais transparência na execução das emendas parlamentares — hoje uma das principais moedas de troca política no Congresso.

A resposta legislativa à atuação do STF vem ganhando forma em diferentes frentes. Além da PEC contra decisões monocráticas, parlamentares defendem o estabelecimento de mandatos para os ministros da Corte, algo hoje inexistente.

Desde 2016, mais de 90 pedidos de impeachmentcontra os magistrados foram protocolados. A PEC 50/2023, em análise na Comissão de Constituição e Justiça, permite que o Congresso anule decisões do STF caso entenda que houve abuso de poder.

Há ainda propostas para restringir ordens de prisão e busca e apreensão contra congressistas. A motivação por trás dessas medidas não é apenas política: reflete o receio de que a Corte esteja extrapolando sua função constitucional.

Judicialização da política expõe falhas do sistema

Apesar da resistência, especialistas reconhecem que o protagonismo do STF também decorre da paralisia do sistema político.

Em um cenário de alta corrupção, baixa capacidade de articulação e fragilidade institucional, o Judiciário acaba ocupando espaço. A judicialização da política virou reflexo da dificuldade dos demais Poderes em arbitrar conflitos, resolver impasses e construir consensos.

Com isso, o Senado se tornou peça-chave nas estratégias para 2026. Como única Casa com prerrogativa de julgar ministros do STF, passou a ser alvo tanto de quem defende quanto de quem tenta conter a Corte.

Não à toa, Jair Bolsonaro tem repetido sua estratégia: “Me deem metade do Senado que eu movo o Brasil.”

Informações Revista Oeste


Ministro da Suprema Corte acompanhou o parece da Procuradoria-Geral da República para conceder liberdade a Mustafa Göktepe

Ministro Flávio Dino, em sessão da Primeira Turma do STF
Ministro Flávio Dino, em sessão da Primeira Turma do STF | Foto: Antonio Augusto/STF

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu pela soltura do empresário turco naturalizado brasileiro Mustafa Göktepe. Ele estava preso desde 30 de abril, em resposta a um pedido de extradição do governo turco, liderado por Recep Tayyip Erdogan.

O país estrangeiro solicitou a extradição em razão da oposição de Göktepe ao presidente Erdogan. No entanto, a defesa apresentou documentos que levaram à revisão da decisão. A Procuradoria-Geral da República (PGR), que inicialmente apoiara a prisão, mudou sua posição, depois de receber esses documentos. Dino acompanhou o novo parecer do órgão.

Conforme STF, Constituição impede extradição

Fachada do Supremo Tribunal Federal (STF)
Fachada do Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília | Foto: Divulgação/STF

Os documentos comprovaram que Göktepe reside no Brasil desde 2004 e obteve cidadania por naturalização em 2012. A Constituição brasileira impede a extradição de cidadãos naturalizados por crimes cometidos depois da naturalização, salvo em casos de tráfico de drogas. 

“Os crimes que lhe são imputados teriam sido praticados em 10 de abril de 2017, ou seja, em período posterior à naturalização, ocorrida em 2012, razão pela qual incide o óbice constitucional à extradição”, afirmou a PGR.

Dino ressaltou que a Carta Magna brasileira estabelece que “nenhum brasileiro será extraditado, salvo o naturalizado, em caso de crime comum, praticado antes da naturalização, ou de comprovado envolvimento em tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, na forma da lei”. 

A decisão de revogar a prisão ocorreu com base na verossimilhança dos argumentos apresentados pela defesa.

Göktepe responde a acusações de ter relação com o Hizmet, organização fundada pelo clérigo muçulmano Fethullah Gülen, acusado por Erdogan de instigar uma tentativa de golpe de Estado em 2016. Gülen vivia em autoexílio nos Estados Unidos e morreu em 2024. Ele negava o envolvimento no golpe e condenava a ação.

Informações Revista Oeste


Presidente do STF tomou a decisão com base em súmula da Corte

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O presidente do STF, Luís Roberto Barroso, durante uma sessão plenária – 23/4/2025 | Foto: Ton Molina/Fotoarea/Estadão Contéudo

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF),Luís Roberto Barroso, rejeitou o pedido do advogado Paulo Faria, conhecido por defender o ex-deputado Daniel Silveira, para afastar o ministro Alexandre de Moraes.

De acordo com Faria, Moraes tem de sair do cargo para “cuidar da saúde mental”. Em uma ação obtida por Oeste, em primeira mão, o advogado afirmou que o magistrado tem tido “condutas inapropriadas e desprovidas de legalidade, além de práticas de violações sistemáticas a leis, perseguições implícitas, ausência de empatia com o próximo e atitudes explosivas”.

Para Barroso, contudo, a solicitação não deve prosperar. O presidente do STF afirmou que o pedido de Faria é de “difícil compreensão”.

“A petição inicial não permite a exata compreensão da controvérsia ou está acompanhada de documentos comprobatórios que permitam a elucidação das alegações”, argumentou Barroso, na decisão assinada na quarta-feira 23. “Além disso, o caso atrai a incidência da diretriz fixada na Súmula nº 606/STF: ‘Não cabe habeas corpus (HC) originário para o Tribunal Pleno de decisão de Turma, ou do Plenário, proferida em HC ou no respectivo recurso.”

Ação contra Alexandre de Moraes

8 de janeiro
O ministro Alexandre de Moraes, durante uma sessão plenária no STF – 13/03/2025 | Foto: Ton Molina/Estadão Conteúdo

Ainda segundo Faria, as decisões de Moraes têm gerado “incidentes diplomáticos” com outros países, entre eles, Estados Unidos, com a suspensão do X no Brasil em agosto do ano passado, e, recentemente, com a Espanha, em virtude de o juiz do STF ter negado a deportação de um traficante.

“Até o progressista britânico The Economist vem desnudando as condutas autoritárias de Moraes, em mais de dez reportagens, nos últimos cinco dias”, observou o advogado. “Atuações por ‘impulso’ e, claramente, sem amparo legal por muitos percebida, nítida ‘implicância’, ‘birra’, ‘desejo pessoal’ ou, possivelmente, ‘sadismo’ não podem ser aceitas nesta honrosa Suprema Corte. Inúmeros são os atos praticados pelo aludido ministro que precisam se avaliados por médico/equipe médica especialista imparcial, e que poderá ser diagnosticada a transcendência do normal.”

Informações Revista Oeste


O advogado Hélio Júnior afirmou que a decisão do 1ª Turma do STF desconsidera a ausência de provas

O advogado Hélio Júnior disse que não há comprovação de que Débora dos Santos tenha participado de atos violentos durante a manifestação de 8 de janeiro | Foto: Reprodução/Redes sociais
O advogado Hélio Júnior disse que não há comprovação de que Débora dos Santos tenha participado de atos violentos durante a manifestação de 8 de janeiro | Foto: Reprodução/Redes sociais

O advogado Hélio Júnior, que integra a defesa de Débora dos Santos, afirmou que recorrerá da decisão da 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) que formou maioria para condenar a cabeleireira a 14 anos de prisão.

Júnior alega que a decisão dos magistrados foi baseada em “premissas que desconsideram a ausência de provas individualizadas”. Ele ainda disse que não há comprovação de que Débora tenha participado de atos violentos durante a manifestação de 8 de janeiro.

“A única conduta admitida e comprovada pela ré foi a inscrição da frase “perdeu, mané”, com batom sobre a Estátua da Justiça”, afirma o advogado de Débora.

Fux defende uma pena de um ano e seis meses para Débora dos Santos

A esperança da defesa de Débora está na decisão do ministro Luiz Fux. O magistrado votou pela absolvição da cabeleireira na maioria das acusações referentes aos atos que ocorreram em Brasília.

Gravado em novembro de 2024, vídeo de Débora dos Santos veio a público depois da retirada de sigilo por parte do STF: cabeleireira chora e pede que se 'compadeçam de mim'
Gravado em novembro de 2024, vídeo de Débora dos Santos veio a público depois da retirada de sigilo por parte do STF: cabeleireira chora e pede que se ‘compadeçam de mim’ | Foto: Reprodução/Twitter/X

Para ele, não há provas suficientes para justificar a maioria dos crimes imputados à mulher. Ele defendeu uma pena de um ano e seis meses de reclusão.

Dúvidas em relação às acusações

O advogado de Débora afirmou que o voto de Fux reforça a existência de dúvidas em relação às acusações. “Sua posição é clara ao afirmar que não há elementos técnicos que justifiquem a pena imposta pela maioria da Turma.”

Débora está presa há mais de dois anos. Ela foi transferida para prisão domiciliar em 28 de março. A Polícia Federal não encontrou provas de que Débora invadiu os prédios públicos. A cabeleireira pediu desculpas ao STF. Ela disse que agiu pelo “calor da situação”.

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Ministro do STF promove encontros e revê decisões enquanto cresce ofensiva de aliados de Bolsonaro

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Ministro do STF tem realizado jantares e participado de eventos com políticos | Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil 

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), tem ampliado os contatos com políticos em meio ao avanço do movimento que pede anistia para condenados pelos atos de 8 de janeiro. A iniciativa inclui encontros com lideranças, visitas ao Congresso e decisões vistas como sinal de flexibilização nas punições.

De acordo com o jornal O Globo, parlamentares e ministros do STF avaliam, nos bastidores, que Moraes busca reforçar apoio institucional diante da pressão de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro. Relator das ações sobre a suposta tentativa de golpe, o ministro é o principal alvo da oposição.

Na Corte, o ministro busca manter apoio dos colegas. Apesar de divergências pontuais, os julgamentos sobre o 8 de janeiro na 1ª Turma têm ocorrido por unanimidade.

Moraes e Temer
Moraes foi indicado por Temer ao STF | Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

Indicado ao STF pelo ex-presidente Michel Temer (MDB), Moraes tem histórico de atuação política. Ao O Globo, Temer disse que o ministro “sempre foi de muito diálogo, especialmente com a classe política”.

Jantares, visitas e decisões reforçam articulação de Moraes

Há três semanas, Moraes recebeu em seu apartamento, em Brasília, autoridades dos Três Poderes para um jantar. Participaram os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB). O evento homenageou o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG).

No dia 1º de abril, Moraes apareceu de surpresa no Congresso para o lançamento de um livro organizado por Pacheco. Já em em fevereiro, o ministro participou de jantar na casa de Temer com o ministro do STF Kássio Nunes Marques, indicado por Bolsonaro.

Em março, Moraes revogou a prisão de Débora dos Santos, que manchou de batom a estátua da Justiça, em frente ao STF, durante os atos de 8 de janeiro. A revogação ocorreu depois de questionamento do ministro Luiz Fux sobre a pena de 14 anos.

O ministro também autorizou a visita de 24 parlamentares ao ex-ministro Walter Braga Netto, preso em unidade militar no Rio de Janeiro. Antes, havia restringido visitas a outros detidos.

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Protocolado pelo deputado Zucco (PL-RS), o pedido buscava a concessão de prisão domiciliar para idosos, pessoas com doenças graves e responsáveis por crianças menores de 12 anos

Ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), durante sessão plenária da Casa - 20/02/2025
Ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), durante sessão plenária da Casa – 20/02/2025 | Foto: Antonio Augusto/STF

Nesta sexta-feira, 4, o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), rejeitou um pedido de habeas corpus coletivo apresentado pelo deputado federal Luciano Zucco (PL-RS). A solicitação, protocolada no STF, buscava a concessão de prisão domiciliar para os detidos do 8 de janeiro de 2023.

O pedido visava a beneficiar os investigados que ainda não têm uma sentença definitiva. Em sua decisão, Zanin destacou que “não cabe habeas corpus originário para o Tribunal Pleno de decisão da turma”. 

O pedido de Zucco incluía grupos específicos, como idosos, pessoas com doenças graves, gestantes, mulheres com filhos menores de 12 anos e homens responsáveis por crianças nessa faixa etária.

A fundamentação do pedido mencionava o caso de Débora Rodrigues dos Santos, que teve sua prisão preventiva convertida em domiciliar. Ela é acusada de vandalizar a estátua “A Justiça” em frente ao STF, escrevendo “Perdeu, mané” com batom.

Zucco se manifesta sobre rejeição de habeas corpus para presos do 8 de janeiro

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O líder da oposição na Câmara, deputado Luciano Zucco (PL-RS) | Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

Em nota, Zucco manifestou sua decepção com a decisão do ministro Zanin. Em seu pronunciamento, o parlamentar afirmou que ainda havia esperança de que o magistrado designado para analisar o pedido demonstrasse maior “sensibilidade”.

“Infelizmente, a política domina a mais alta corte jurídica do país”, disse. “Sempre é preciso lembra que no caso do senhor Cleriston Pereira da Cunha, mais do que uma violação aos direitos humanos, a negativa de seu habeas corpus pela Suprema Corte representou sua sentença de morte.”

Ele também afirmou que é importante que se reforce a necessidade de atender os diversos pedidos feitos pelos advogados, que apontam para a “urgente necessidade de se olhar para os casos de pessoas gravemente doentes, mães e idosos”.

“Seguiremos trabalhando em busca de Justiça e avançando na pauta da Anistia”, prosseguiu o deputado. “Teremos a oportunidade de fazer uma atuação mais técnica e aprofundada a partir da instalação da Subcomissão Especial dos Presos do 8 de Janeiro, criada para investigar as denúncias de abusos e irregularidades nos processos em questão.”

Esforços pela anistia 

A oposição continua seus esforços para que o projeto de anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro seja pautado e votado no plenário da Câmara dos Deputados. Para acelerar o processo, o grupo reúne assinaturas para um requerimento de urgência.

Além disso, para pressionar o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), a incluir o projeto na pauta, o Partido Liberal (PL) tem adotado estratégias de obstrução dos trabalhos parlamentares. O objetivo é criar um ambiente favorável à discussão do projeto.

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Ministro do STF acatou a um pedido do PGR, Paulo Gonet

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Léo Índio e seu tio Bolsonaro | Foto: Reprodução/Instagram

Nesta quarta-feira, 2, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a prisão preventiva de Leonardo Rodrigues de Jesus, o Léo Índio, réu por envolvimento no 8 de janeiro.

Moraes atendeu a um pedido feito pelo procurador-geral da República (PGR), Paulo Gonet. No parecer, Gonet afirmou que, “ao se evadir para a Argentina, Léo Índio descumpriu deliberadamente medida cautelar alternativa à prisão, a evidenciar sua insuficiência, o descaso com a aplicação da lei penal e desrespeito às decisões emanadas pelo STF”.

“A evidente fuga do distrito da culpa em virtude do recebimento da denúncia em face do réu, demonstra a legitimidade da imposição da prisão preventiva para assegurar a aplicação da lei penal”, observou Moraes, ao mencionar trecho da solicitação da PGR e citar que havia cancelado o passaporte de Índio, em 19 de janeiro.

Em uma gravação enviada à rádio Massa FM, de Cascavel (PR), Índio revelou estar na Argentina há quase um mês. Além disso, ele contou que precisa renovar a sua permissão provisória no país a cada três meses. Sobrinho do ex-presidente Jair Bolsonaro, Índio desabafou ainda ter medo de ir às autoridades de imigração para tornar o documento válido novamente. Isso porque há notícias de presos do 8 de janeiro que acabaram detidos no momento do ato no país vizinho.

STF recusa recurso de Léo Índio

Alexandre de Moraes participa da sessão plenária do STF - 13/3/2025| Foto: Ton Molina/FotoArena/Estadão Conteúdo
Alexandre de Moraes participa da sessão plenária do STF – 13/3/2025| Foto: Ton Molina/FotoArena/Estadão Conteúdo

Na quinta-feira 27, o STF rejeitou um recurso da defesa de Índio e manteve a decisão de abrir uma ação penal contra ele, pela participação no protesto.

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Decisão veio depois de parecer favorável da PGR pela soltura; cabeleireira de Paulínia (SP) vai ter de usar tornozeleira eletrônica

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A cabeleireira Débora dos Santos, de 38 anos, com a família | Foto: Reprodução

Nesta sexta-feira, 28, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF),concedeu prisão domiciliar para a cabeleireira Débora dos Santos, de 39 anos, presa por causa do 8 de janeiro. A decisão veio depois de parecer favorável à soltura da paulista de Paulínia, pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

“Diante de todo o exposto, com fundamento no art. 318, V, do Código de Processo Penal, substituo a prisão preventiva de Débora dos Santos pela prisão domiciliar, a ser cumprida em seu endereço residencial, acrescida da imposição das seguintes medidas cautelares (art. 318-B, do Código de Processo Penal): (1) uso de tornozeleira eletrônica, nos termos do inciso IX do Artigo 319 do Código de Processo Penal, a ser imediatamente instalada como condição de saída da presa das dependências da unidade prisional”, determinou Moraes.

Débora ficou conhecida por escrever, com batom, a frase “perdeu, mané”, na Estátua da Justiça, em frente ao STF.

Há poucos dias, o relator do processo, Alexandre de Moraes, votou para condenar a mulher a 14 anos de cadeia. Flávio Dino seguiu o mesmo entendimento. Na sequência, o ministro Luiz Fux pediu vista (mais tempo para análise) e suspendeu o julgamento, por 90 dias. Durante uma sessão na 1ª Turma, Fux revelou que vai pedir redução da pena para Débora. Dessa forma, a defesa da cabeleireira solicitou prisão domiciliar para ela.

Débora dos Santos está há dois anos em prisão preventiva

O caso de Débora Rodrigues dos Santos é repleto de crimes judiciários que expõem a falta de sensatez do STF | Foto: Montagem Revista Oeste

Em 17 de março, a prisão preventiva de Débora completou dois anos. Na data, ela foi detida pela Polícia Federal (PF), durante a 8ª fase da Lesa Pátria, operação da PF contra envolvidos no protesto em Brasília.

Por mais de 12 meses, a cabeleireira ficou presa sem denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR). A PGR só formalizou a acusação, em 7 de julho de 2024, depois de Oeste revelar que a mulher estava enjaulada sem queixa da Procuradoria.

Em 9 de agosto, a 1ª Turma do STF tornou Débora ré. Há poucas semanas, os advogados de Débora apresentaram as alegações finais.

Informações Revista Oeste


Não cabe ao juiz levar provas ao processo — isso subverte a lógica da Constituição Federal e do Direito brasileiro

Moraes vídeos
Alexandre de Moraes, durante julgamento do recebimento da denúncia contra Bolsonaro – 26/03/2025 | Foto: Reprodução/YouTube

Juristas se mostraram perplexos com a atuação do ministro Alexandre de Moraes, que exibiu vídeos no julgamento do recebimento da denúncia de suposta tentativa de golpe contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e aliados. 

O caso esteve em pauta na 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) na terça-feira 25 e na quarta-feira 26. Moraes, durante a leitura de seu voto, exibiu vídeos dos atos de 8 de janeiro, imagens que nem faziam parte do processo.

O criminalista Sérgio Rosenthal afirmou que o ministro “não poderia ter exibido esses vídeos a não ser que eles tivessem sido juntados previamente aos autos por alguma das partes”.

Ele explicou que no Brasil vigora o sistema acusatório, ou seja, “cabe ao Ministério Público produzir as provas da acusação”. “Aqui [no julgamento da 1ª Turma] o vídeo é exibido e é dito isso expressamente pelo ministro, que esse vídeo constitui prova da materialidade do delito. Então isso não pode partir do julgador. O julgador é o destinatário da prova, não é o produtor da prova. E pouco importa se esse vídeo é notório, se esse vídeo é público ou qualquer coisa nesse sentido, não cabe ao julgador trazer isso aos autos, cabe ao Ministério Público”, ensinou Rosenthal.

Por isso, para ele, “a exibição desses vídeos, sem que os mesmos tenham sido juntados aos autos anteriormente, constitui, sim, uma ilegalidade, juridicamente falando, tecnicamente falando”. E finalizou: “Lamentavelmente esse tipo de atitude, de um modo ou de outro, inclusive descredibiliza o julgamento, porque demonstra, eventualmente, ou pode demonstrar para alguns, certa parcialidade do julgador”.

Juiz não apresenta provas fora do autos, dizem advogados sobre exibição de vídeos por Moraes

Advogado criminalista, Fabricio Rebelo também fulminou a atuação de Moraes, lembrando as críticas ostensivas contra o então procurador da República Deltan Dallagnol, que, durante uma entrevista coletiva sobre a Lava Jato, fez uma apresentação sobre o esquema de corrupção. No episódio do Power Point, Deltan era procurador — e não juiz — e tinha, portanto, legitimidade para demonstrar publicamente a prova contra os acusados.

“Se uma apresentação em Power Point exibida pelo Ministério Público Federal (legítimo órgão acusador) foi criticada, o que dizer de um julgador (teoricamente imparcial) que, na sessão de mero recebimento ou não da denúncia, exibe fotos e vídeos sobre a acusação?”, questionou Rebelo.

“Em QUALQUER tribunal, uma decisão de recebimento de denúncia nesse contexto seria anulada por excesso de linguagem (eloquência acusatória)”, afirmou o advogado, explicando que isso é “causa de suspeição, por caracterizar pré-julgamento do caso”.

O constitucionalista Andre Marsiglia disse que nunca viu em toda a sua vida um juiz apresentar prova. “O pior do vídeo apresentado por Moraes não é ser prova surpresa, sem prévio informe às partes, não é ser editado, não é ser motivo para anular julgamento em qualquer país democrático do mundo, mas ser uma prova surpresa apresentada por um juiz. Nunca vi isso em toda minha vida”, escreveu Marsiglia. 

A advogada Érica Gorga, doutora em Direito pela USP, considerou a atitude de Moraes inconcebível e passível de causar nulidade no processo. “Não cabe ao juiz anexar novas provas que não estão no processo. Isso em si é motivo para nulidade processual”, explicou.

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Corte continua análise para decidir se torna réus o ex-presidente e outros sete em ação penal sobre suposta tentativa de golpe de Estado

Primeira Turma do STF julga denúncia sobre o núcleo 1 do suposto golpe de Estado, do qual o ex-presidente Jair Bolsonaro faz parte
Primeira Turma do STF julga denúncia sobre o núcleo 1 do suposto golpe de Estado, do qual o ex-presidente Jair Bolsonaro faz parte | Foto: Rosinei Coutinho/STF

A 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) interrompeu o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e outros sete envolvidos, acusados de uma suposta tentativa de golpe de Estado. A sessão foi pausada nesta terça-feira, 25, a e será retomada nesta quarta-feira, 26, às 9h30.

Há grande expectativa no país sobre a decisão da Corte em aceitar ou não a denúncia. Caso seja aceita, uma ação penal será instaurada para apurar a culpa dos acusados, e o relator, o ministro Alexandre de Moraes, agendará os interrogatórios dos réus. Depois dessa fase, haverá cinco dias para as defesas apresentarem suas argumentações prévias.

Durante o processo, tanto o Ministério Público quanto a defesa podem solicitar novas provas ou perícias em documentos. Além disso, testemunhas indicadas por ambas as partes serão ouvidas em sessões subsequentes. 

Na primeira sessão, o STF rejeitou todas as oito questões preliminares apresentadas pelos advogados de defesa, que incluíam a suspeição de ministros e questionamentos sobre a competência do tribunal.

Os advogados pediram que o processo corresse na primeira instância ou, se permanecesse na Corte, tivesse análise do plenário completo, em vez da 1ª Turma. As discussões também abordaram o “fatiamento” do julgamento dos 34 denunciados em “núcleos”. Além disso, houve alegações de falta de acesso às provas e questionamentos sobre a origem das investigações, ligadas a um inquérito sobre milícias digitais.

Defesa e alegações dos acusados

Bolsonaro está acompanhando o julgamento no plenário da Suprema Corte | Foto: Reprodução/Flickr/STF
Bolsonaro está acompanhando o julgamento no plenário da Suprema Corte – 25/3/2025 | Foto: Reprodução/Flickr/STF

A defesa de Bolsonaro alegou que ele foi alvo de uma “pesca probatória”, uma investigação genérica para encontrar crimes, e sugeriu a aplicação das regras do juiz de garantias. Os advogados do ex-presidente e do general Braga Netto pediram a anulação da delação premiada do tenente-coronel Mauro Cid.

O julgamento começou com a leitura do resumo do caso pelo ministro Moraes. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, apresentou a acusação, seguido pelas sustentações orais dos advogados dos oito réus, que levantaram as questões preliminares. Esta etapa se encerrou às 12h30, com a sessão sendo retomada à tarde para análise das preliminares.

Interrupção e retomada do julgamento pelo STF

Fachada do Supremo Tribunal Federal (STF)
Fachada do Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília | Foto: Divulgação/STF

De acordo com o Regimento Interno do STF, as reuniões das Turmas devem encerrar-se às 18h, mas o presidente pode ser prorrogá-las, se necessário. Entretanto, o presidente Zanin interrompeu o julgamento por volta das 17h30, depois da discussão das preliminares, e adiou os votos sobre o mérito para a quarta-feira.

Entre os acusados, além de Bolsonaro, estão Walter Braga Netto (ex-ministro da Defesa), Augusto Heleno (ex-ministro do GSI), Alexandre Ramagem (ex-diretor da Abin), Anderson Torres (ex-ministro da Justiça), Almir Garnier (ex-comandante da Marinha), Paulo Sérgio Nogueira (ex-ministro da Defesa) e Mauro Cid (ex-ajudante de ordens da Presidência).

Todos enfrentam acusações como organização criminosa, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado com uso de violência e deterioração de patrimônio tombado.

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