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Especialistas afirmam que moeda comum seria risco para o Brasil e só traria benefícios para a Argentina
Foto: @alferdez/Twitter.

O anúncio da possível criação de uma moeda comum entre Argentina e Brasil despertou uma série de questões em relação a como o projeto funcionaria e se ele substituiria o real e o peso. Questionados sobre o assunto, o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e o líder argentino, Alberto Fernández, que se encontraram nesta semana para participar da 7ª cúpula da Comunidade de Estados Latinoamericanos e Caribenhos (Celac), realizada na Argentina, declararam que não têm muitas informações sobre o assunto. 

“Não sabemos como funcionaria a moeda comum entre a Argentina e o Brasil, mas sabemos o que acontece com as economias nacionais tendo a necessidade de funcionar com moedas estrangeiras, e sabemos como isso é nocivo”, disse Fernández. 

Lula, por sua vez, chegou a dizer que se soubesse sobre o projeto, seria ministro da Fazenda e não presidente, porém, também ressaltou a necessidade de acabar com a dependência do dólar. 

A moeda comum gerou controvérsias sobre a necessidade de sua criação, inclusive dentro da própria equipe econômica do governo brasileiro, que não chegou a um consenso sobre a viabilidade da medida. Em entrevista ao site Poder 360, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que a intensão da moeda é “driblar a dificuldade” dos argentinos com importações de produtos brasileiros, mas ressaltou que ela não irá substituir nem o peso nem o real. 

Em entrevista ao Portal Jovem Pan, a internacionalista pós-graduada em direito internacional Bárbara Paz enfatizou um ponto importante que tem sido confundido: a diferença entre moeda comum e moeda única. “Moeda única é a oficial no território dos países, caso isso acontecesse, acabariam as moedas de cada país, assim como acontece com o euro. A comum é uma unidade monetária para fazer negócios e negociações e não é utilizada nos territórios”, explica. “No caso de Brasil e Argentina seria moeda comum, mas ainda existiria o real e o peso”, acrescenta. 

Alberto Pfeifer, coordenador geral do DIS, grupo de análise de estratégia internacional da USP, falou sobre a complexidade do assunto. “A ideia de uma moeda única é ter uma moeda comum para todo tipo de transação, é como o euro na Europa. O que se fala para fazer aqui no Mercosul é algo inconcebível no presente momento, porque para ter uma moeda única comum entre vários estados soberanos, a gente tem que abrir mão da soberania”, explica o especialista, ressaltando que uma moeda é um atributo da soberania. 

“Nunca houve sucesso por falta de garantia dos bancos centrais, que preferem trabalhar com o dólar como moeda de referência”. 
Bárbara fala que o que muda dos dias de hoje para 15 anos atrás é que hoje a ideia está sendo trabalhada com mais ‘pé no chão’.  “Em 2008 já se falava em moeda única, mas era mais utópica, agora está com ideia de moeda comum, específica para transações comerciais”. 
Para o especialista em ciência política pela Universidade de São Paulo (USP) Amâncio Jorge de Oliveira, não tem muita diferença. “Esse projeto vem sendo falado desde Fernando Henrique Cardoso, mas com mais dificuldade hoje, porque a disparidade macroeconômica é maior agora. Só pegar o processo europeu para entender a dificuldade de convergência”, diz. “Se não for feito com o devido preparo, diria que nessas condições não tem nada de vantajosos e é ilusionário”, conclui.  

Os especialistas não veem com bons olhos a criação de uma moeda comum, pelo menos não agora. “Não traria benefícios para o Brasil, mas sim para Argentina. Para nós, seria mais um risco. Caso seja adotada essa moeda, o real seria o lacro da moeda e teríamos que absorver riscos atrelados a ela”, diz Bárbara, que considera esse projeto desnecessário porque já existe o dólar, além de não ser possível pensar em um projeto igual ao da União Europeia porque o cenário brasileiro é diferente, marcado por uma instabilidade política grande com muitos impeachments, golpes e histórico de ditadura. 

Créditos: Portal Grande Ponto/Com informações da Jovem Pan News.


Recursos são cobertos por fundo mantido pelo Tesouro; banco de fomento federal nega que valores venham de impostos

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Na imagem, edifício sede do BNDES, no Rio de Janeiro 

As dívidas em atraso de financiamentos do BNDES(Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) a bens e serviços em Cuba e Venezuela somam US$ 909 milhões, ou seja, R$ 4,6 bilhões de acordo com a cotação do dólar nesta 5ª feira (26.jan.2023). Até o momento, US$ 855 milhões (R$ 4,3 bilhões) foram ressarcidos ao banco de fomento estatal por meio do FGE (Fundo de Garantia à Exportação).

Criado em setembro de 1997, o fundo é vinculado ao Tesouro Nacional. Em caso de inadimplência do importador –empresa ou país estrangeiro–, o dispositivo é acionado para ressarcir o débito. Na prática, quando alguma prestação não é paga pelo devedor, os recursos saem do Brasil.

O FGE repassará ao BNDES outros US$ 53 milhões (R$ 268,5 milhões) de prestações em atraso. Deste valor, cerca de US$ 40 milhões (R$ 202 milhões) correspondem a obras na Venezuela e US$ 13 milhões (R$ 65 milhões) a serviços em Cuba.

Esses débitos estão atrelados a exportações realizadas de 1998 até 2017, nos governos de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff (ambos do PT) e Michel Temer (MDB).

A lista de cada projeto financiado neste período está disponível no próprio site do BNDES. Uma das ações contempladas foi a construção do Porto Mariel, em Cuba, pela extinta empreiteira brasileira Odebrecht.

Em 2010, o governo de Cuba apresentou recebíveis da indústria estatal de tabaco do país, famosa pelos charutos, como garantia de empréstimo de US$ 176 milhões do BNDES. Foi parte do financiamento para a obra.

A Camex (Câmara de Comércio Exterior) do governo federal aprovou a proposta em reunião em 26 de maio de 2010 (leia trecho da ata), no 2º mandato de Lula.

DEMAIS PAÍSES

Segundo dados disponibilizados pelo banco de fomento estatal, Moçambique devia US$ 122 milhões –R$ 618 milhões na atual conversão– até 30 de setembro de 2022. Ao Poder360, no entanto, a assessoria do banco de fomento federal disse que o país africano resolveu as pendências.

O BNDES também financiou exportações de bens e serviços em outros 12 países.

BNDES

O banco de fomento federal reconhece que os recursos saem do Tesouro, mas diz que os valores não são de impostos pagos pelos brasileiros. Afirma que cobra prêmios dos importadores como um seguro para os valores desembolsados.

De acordo com o BNDES, a cobrança é proporcional ao “risco incorrido”“Caso haja inadimplência, indeniza o financiador [o BNDES] e busca recuperar o valor em atraso”, acrescenta.

“As receitas do FGE — esses prêmios pagos pelos próprios importadores — são sempre transferidas para a conta única do Tesouro Nacional. Por isso, quando é necessário emitir alguma indenização por conta de um não pagamento ou atraso, os recursos saem do Tesouro e precisam vir do Orçamento Geral da União”, declara.

O BNDES afirma que o Fundo de Garantia à Exportação é “fundo contábil amplamente superavitário”. O banco também nega que faça empréstimo diretamente a países.

“O que o BNDES faz é apoiar as exportações de empresas brasileiras para outros países. Acontece que, em alguns casos, o país importador assume a dívida da empresa brasileira exportadora.”

SECOM

Na 3ª feira (24.jan.2023), o ministro da Secom (Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República), Paulo Pimenta, negou prejuízos ao governo federal por financiamentos do BNDES para obras em outros países. Em seu perfil no Twitter, rebateu críticas sobre o assunto e disse que “não existe risco de calote” ao Brasil.

“Não existe risco de calote, uma vez que a garantia do pagamento são os recebíveis dos importadores, se eles não pagarem, o seguro cobre este prejuízo”, escreveu o ministro.

Ao rebater as críticas sobre a declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de que o Brasil voltará a bancar projetos de países vizinhos, Pimenta disse que o banco de fomento estatal financiará mão de obra brasileira para trabalhar no exterior. 

“O que é feito pelo BNDES é o financiamento para exportação de serviços de empresas brasileiras, com agregação de valor e geração de empregos qualificados no Brasil”, afirmou.

O ministro também disse que está “sobrando desinformação” a respeito do tema.

Eis a publicação do ministro sobre o tema:

O perfil oficial no Twitter da Secom também fez publicações sobre o tema. A pasta endossou as declarações do ministro e destacou que “não há risco de prejuízo”. 

O argumento citado pelo órgão é que, além de os acordos do BNDES terem garantias e seguro, há “uma larga tradição de receber o que emprestou”.

O perfil da pasta compartilhou outras 4 imagens. Veja abaixo:

LULA

Na 2ª feira (23.jan), em visita oficial à Argentina, Lula citou o BNDES como possível financiador do gasoduto argentino de Vaca Muerta. Para o chefe do Executivo, as críticas ao apoio financeiro do Brasil ao empreendimento são “pura ignorância”.

Mesmo antes de o presidente confirmar a decisão do Brasil, o governo da Argentina já havia se antecipado em 2022, depois da eleição de Lula, dizendo que receberia aporte brasileiro para o gasoduto em questão.

A secretária de Energia da Argentina, Flavia Royón, disse em 12 de dezembro de 2022 que seu país contava com US$ 689 milhões de financiamento do BNDES para concluir a construção de trecho da obra.

Informações Poder 360


A partir deste ano, caberá ao órgão comprovar situação do beneficiário

Foto: Divulgação / Agência Brasil

Anunciado há dois dias pelo ministro da Previdência, Carlos Lupi, o novo sistema de prova de vida de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) passa a valer a partir de hoje (26), com a regulamentação da medida. Entre os procedimentos que podem ser usados para comprovar a situação do beneficiário, estão vacinação, emissão de passaporte e renovação de carteira de motorista.

Esses e outros documentos constam em portaria publicada nesta quinta-feira no Diário Oficial da União. A partir deste ano, a prova de vida deixará de ser responsabilidade do beneficiário, sendo obtida por meio de cruzamento de bases de dados do governo e dos bancos.

A portaria estabelece uma escala de pontuação a cada procedimento de coleta de dados, conforme a integridade da informação. Os dados serão armazenados por tempo indeterminado e formarão um banco de pontuação.

Como anunciado pelo ministro Carlos Lupi, a partir do mês de aniversário do beneficiário, o INSS terá dez meses para comprovar que o titular está vivo, por meio do cruzamento de dados. Se o governo não obtiver informações suficientes, o segurado receberá uma notificação – pela rede bancária, pelo aplicativo Meu INSS ou pelo telefone 135 – para fazer a prova de vida.

Bloqueio
A partir de então, o beneficiário terá mais 60 dias para comprovar que está vivo. Se, após esse prazo, o segurado não atingir a pontuação mínima, o INSS enviará um servidor ao local onde a pessoa mora. Para evitar transtornos, o aposentado ou pensionista deve manter o endereço atualizado no aplicativo Meu INSS.

Se o empregado do INSS não encontrar a pessoa no endereço que consta na base de dados, o benefício será bloqueado por 30 dias. Nesse período, o segurado ainda pode comprovar a vida fazendo biometria em um caixa eletrônico ou indo a uma agência bancária ou a uma unidade do INSS.

Após os 30 dias, se não houver manifestação por parte do segurado, o benefício será suspenso. Depois de mais seis meses, a aposentadoria ou pensão será definitivamente cancelada.

Neste ano, o INSS terá de comprovar que cerca de 17 milhões de beneficiários continuam vivos. No entanto, se o segurado quiser comprovar que está vivo pode ir a qualquer agência bancária ou usar o aplicativo Meu INSS nos dez meses posteriores ao aniversário. A diferença é que a ação do beneficiário passará a ser voluntária, não mais obrigatória.

Informações Bahia.ba


Justiça manda apreender e-mails dos últimos dez anos de diretores e conselheiros da Americanas

A juíza Andrea Palma, da 2ª Vara de Competência Empresarial de São Paulo, acaba de determinar a busca e apreensão de “todas as caixas de e-mail institucionais” dos diretores, dos integrantes do conselho de administração  e dos funcionários da área de contabilidade e de finanças da Americanas, “dos atuais e dos que ocuparam tais cargos pelos últimos dez anos”. 

A juíza atendeu a um pedido do Bradesco, a quem a empresa deve R$ 4,7 bilhões. 

O banco impetrou uma ação para a produção antecipada de provas contra a Americanas. O objetivo é o de promover “a realização de provas periciais na companhia com o objetivo de esclarecer a origem dos vícios observados na contabilidade e, sobretudo, verificar a participação de administradores e acionistas da ré (por ação ou omissão) na alegada fraude contábil”. 

Na sentença, a juíza escreve que “diante da magnitude do fato e potencial responsabilização individual dos agentes envolvidos nas fraudes suspeitas, é razoável supor que provas relevantes e necessárias para verificar a ocorrência de fatos ilícitos correm risco de perecimento” . 

A decisão de hoje é o avanço em relação aos problemas que a Americanas vem enfrentando na Justiça.

O Globo 


BNDES diz que não há demanda para financiar obra no exterior
Foto: Sergio Lima/Poder360

O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) disse nesta terça-feira (24) que não há demanda para financiar obra no exterior.

O comunicado foi publicado um dia depois de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) confirmar que a estatal financiará parte da obra estatal do gasoduto Néstor Kirchner, Argentina.

Não existe demanda ou previsão, por parte do BNDES, de financiar projeto de serviços de infraestrutura no exterior. Qualquer alteração nessa política passará necessariamente por um entendimento com o TCU [Tribunal de Contas da União], uma vez que o presidente do tribunal, Bruno Dantas, tem reforçado o papel de acompanhamento colaborativo das políticas públicas por parte da referida instituição”, disse o banco em comunicado.

A estatal não citou o projeto da Argentina na nota. O banco disse que os esforços do BNDES são no sentido de alavancar a exportação de produtos e bens produzidos no Brasil para criar empregos e renda, além de fortalecer a integração regional das cadeias produtivas com escala, competitividade e valor agregado.

A presidência do BNDES é ocupada de forma interina por Alexandre Corrêa Abreu, que foi presidente do Banco do Brasil de 2015 a 2016, durante o governo de Dilma Rousseff (PT). Ele foi convidado pelo ex-ministro Aloizio Mercadante para assumir a diretoria financeira do banco.

Lula já confirmou que Mercadante comandará a estatal, mas ele ainda não tomou posse. Por enquanto, o conselho de administração do BNDES nomeou 4 novos integrantes na sexta-feira (20): Carlos Nobre, Izabella Teixeira, Jean Keiji Uema e Robinson Barreirinhas, que é secretário da Receita Federal.

Poder 360


Em comunicado, o CEO da empresa fala em reestruturação e promete o pagamento de benefícios

Spotify Foto: Smartmockups

Nesta segunda-feira (23), o Spotify anunciou que demitirá cerca de 600 pessoas, o que representa aproximadamente 6% do quadro global de funcionários.

O comunicado da empresa fala em “reestruturação organizacional mais ampla” diante de um “ambiente econômico desafiador”.

– Em um ambiente econômico desafiador, a eficiência assume maior importância. Assim, em um esforço para gerar mais eficiência, controlar custos e agilizar a tomada de decisões, decidi reestruturar nossa organização – diz a nota assinada por Daniel Ek, CEO do Spotify.

A empresa anunciou algumas mudanças. Entre elas, a saída da diretora de conteúdo e publicidade, Dawn Ostroff, e a promoção de Gustav Söderström, que deixa de ser líder de produtos e tecnologia e passa a ser diretor de produtos. Já Alex Norström passa a ser diretor de negócios.

Sobre os demitidos, a plataforma de streaming garante que cada um será chamado para conversas individuais e que todos serão indenizados de acordo com as leis locais.

O Spotify fala no pagamento de aviso prévio, estabilidade do empregado e indenizações por cinco meses. Gastos com saúde também fazem parte do que é prometido pela empresa.

Informações Pleno News


A empresa Alvarez & Marsal irá ajudar a coordenar o processo de recuperação judicial da varejista

Reprodução: Divulgação

A Americanas contratou a Alvarez & Marsal para ajudar a coordenar o processo de recuperação judicial da varejista. Segundo o G1, a empresa é a mesma responsável pela recuperação da construtora Odebrecht após a crise da empresa desencadeada com a Operação Lava Jato.

A Americanas afirmou que a Alvarez & Marsal “atuará em coordenação com o Rothschild como interlocutor da companhia na renegociação da dívida financeira”.

Recuperação judicial

A Americanas pediu recuperação judicial na semana passada, com uma dívida de R$ 43 bilhões, após ter detectado “inconsistências contábeis” de R$ 20 bilhões mais cedo neste mês.

Informações Bahia.ba


Venezuela e Cuba ainda devem mais de R$ 2,7 bi por empréstimos do BNDES

Mesmo o total já quitado não foi pago por Cuba e Venezuela, que acabaram dando o calote.

Quem vai pagar essa conta? Venezuela e Cuba ainda devem US$ 529 milhões ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A quantia, se convertida, ultrapassa R$ 2,7 bilhões.

O valor representa cerca de 25% do total emprestado aos dois países durante os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, ambos do PT. Os dados estão disponíveis no site do banco estatal.

Mesmo o total já quitado não foi pago por Cuba e Venezuela, que acabaram dando um verdadeiro calote no Brasil, de modo que o BNDES precisou acionar as garantias contratuais e o Tesouro Nacional cobriu o rombo.

No caso de Cuba, um documento da Câmara de Comércio Exterior (Camex) divulgado no mandato de Jair Bolsonaro (PL) mostra que o governo federal aceitou charutos cubanos como garantia para o empréstimo que ajudou a construir o Porto de Mariel.

Os dados do BNDES revelam que, dos US$ 656 milhões emprestados a Cuba, US$ 407 milhões ainda estão por vencer. São 214 prestações em atraso indenizadas pelo Fundo de Garantia à Exportação (FGE), que é custeado pelo Tesouro, e 13 ainda a pagar.

No caso da Venezuela, o débito em aberto é menor: US$ 122 milhões de um total de US$ 1,5 bilhão. Já foram 641 prestações indenizadas ao BNDES pelo FGE, ou seja, pelo pagador de impostos brasileiro, e 41 ainda a indenizar.

Esses empréstimos haviam sido interrompidos após os escândalos de corrupção revelados pela Operação Lava Jato, mas devem retornar agora em 2023 com a chegada de Lula ao Palácio do Planalto para seu terceiro mandato.

Conexão Política


Itaú é um “banco de papel”, distribui dividendos e irresponsavelmente não paga o que deve na praça

Quando você deve mais do que possui de patrimônio a luz vermelha acende nas finanças. E no mercado isso é catastrófico. Foi o que, simplificando, ocorreu no caso das Lojas Americanas, a maior fraude financeira da história recente que ainda está em andamento, agora com pedido de ‘recuperação judicial’, em outras palavras, ganhar tempo para pagar os credores que vão entrar em uma longa lista de espera. 

Os bancos já estão se movimentando para receberem primeiro. O BTG conseguiu liminar e o Itaú, um dos maiores caloteiros do país, também só quer liberar os recursos que tem em caixa com ordem judicial.

O Itaú está sendo afetado pelo golpe das Americanas. 

No caso do Itaú a situação também é suspeita, e se o Brasil fosse um país sério, a CVM já teria feito uma auditoria profunda nas contas do banco. 

O Itaú deve milhares de ações a um investidor, que ganhou em todas as instâncias do judiciário o direito de reaver pouco mais de R$ 6 bilhões em papéis preferenciais do banco, as ações ITUB4

Ocorre que o banco não tem ações em estoque, tampouco dinheiro em suas contas para pagar o que deve. Abaixo o balanço atual do banco, que também pode ser visto CLICANDO AQUI

O Itaú foi condenado por vender, sem autorização, lotes de ações que eram do investidor e embolsou o dinheiro.

Em setembro de 2020, a juíza Rosana Lúcia de Canelas Bastos, determinou o bloqueio de R$ 2,09 bilhões nas contas do banco, e não encontrou nada. Zero. O Itaú numa manobra típica de caloteiro, alegou ‘falha no sistema’ e não cumpriu a ordem judicial. E para ganhar tempo, acusou a juíza ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) de ter sido ‘parcial’ por não ter comunicado o banco sobre o bloqueio.

https://www.youtube.com/watch?v=_pG8tztUStM

E a defesa do Itaú, contratada após a ordem de bloqueio, está sendo feita pela BFBM Advogados, que pertence a família do ministro do Supremo, Luís Roberto Barroso, que magicamente conseguiu com que o CNJ acatasse uma reclamação tão absurda. Na época, o colegiado era comandado por Luiz Fux. No fim do ano passado, sob novo comando, o CNJ arquivou a absurda denúncia.

Veja abaixo a decisão da corregedoria do TJPA sobre a mesma reclamação:

O processo, que já transitou em julgado, cujos valores foram confirmados pelo Superior Tribunal de Justiça, segue parado aguardando o julgamento de um agravo, que não tem efeito suspensivo, tampouco vai modificar a sentença, trata-se apenas de enrolação. E é esse agravo que o banco alega a seus acionistas que está ‘aguardando o desfecho’, mesmo sabendo que trata-se de decisão definitiva.

O Itaú deve na praça mais de R$ 40 bilhões, e seu patrimônio líquido é de pouco mais de R$ 20 bilhões. Se apenas a União resolvesse cobrar uma multa de mais de R$ 30 bilhões que foi aplicada ainda em 2008,‘perdoada’ pelo CARF de Michel Temer em 2017 e judicializada pela Receita Federal, o banco teria sérios problemas para se manter.

O banco deve ainda mais de R$ 6 bilhões (corrigidos) à prefeitura de São Paulo por multa aplicada em um caso de fraude fiscal. 

O Itaú é um banco de papel.

Informações Painel Político


Beto Sicupira, Jorge Paulo Lemann e Marcel Telles, sócios da 3G Capital - Divulgação
Beto Sicupira, Jorge Paulo Lemann e Marcel Telles, sócios da 3G Capital Imagem: Divulgação

A descoberta de “inconsistências contábeis” da ordem dos bilhões e o subsequente pedido de recuperação judicial das Lojas Americanas, aceito pela Justiça do Rio na quinta-feira (19), abriram um novo capítulo na história de Jorge Paulo Lemann. Entretanto, quem acompanha de perto a trajetória do empresário e filantropo brasileiro não se surpreendeu.

Credores fizeram questão de lembrar que o rombo na rede varejista não é a estreia de Lemann e seus sócios, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira, na área das escorregadas e escândalos corporativos.

Ainda em 2021, a Stone, “unicórnio” (startup que vale mais de US$ 1 bilhão) da qual o grupo detém 4% das ações, teve problemas enormes de concessão de crédito, por “erros de experiência com recebíveis”, segundo o CEO da empresa. Naquele ano, a fintech perdeu 80% de valor de mercado.

Na noite de domingo (22), o trio de acionistas divulgou nota em que afirmam que, “assim como todos os demais acionistas, credores, clientes e empregados da companhia, acreditávamos firmemente que tudo estava absolutamente correto”. Para boa parte das fontes, contudo, é improvável que o trio não soubesse o que estava acontecendo nas Americanas. O estrago na imagem de “empresário do bem”, cultivada por Lemann ao longo de décadas, parece ser irreversível.

Grupo das Lojas Americanas descobre rombo de R$ 20 bilhões - Reuters - Reuters
Imagem: Reuters

‘Semideuses do capitalismo’

Lemann, Telles e Sicupira controlaram as Americanas por quase 40 anos (de 1982 a 2021) e detêm juntos pouco mais de 30% das ações da empresa — são seus maiores acionistas. Por isso, são chamados de “acionistas de referência”, com grande poder de negociação no conselho administrativo.

No final de 2022, logo após o anúncio da contratação de Sérgio Rial, ex-Santander, como novo CEO das Americanas, o BTG Pactual estava otimista com a companhia. A recomendação do banco era de compra de ações da varejista, com perspectiva de alta. O preço-alvo, para o BTG, era R$ 29. Na época, os papéis das Americanas oscilavam abaixo dos R$ 10.

Mas, diante do pedido de demissão de Rial em 12 de janeiro, alegando que R$ 20 bilhões em dívidas não apareciam no balanço da empresa, advogados do BTG passaram a tratar os empresários como ardilosos fraudadores. Na petição enviada à Justiça para tentar reter R$ 1,2 bilhão em dívidas da varejista, as inconsistências no balanço foram classificadas como “fraudes”, feitas de “má-fé” e de forma premeditada por “semideuses do capitalismo” “dando uma de malucos”.

O BTG foi o banco que se posicionou de forma mais agressiva, mas não foi o único que se sentiu traído. Segundo reportagem do Valor Econômico, sete instituições financeiras credoras das Americanas tentaram reverter a decisão da Justiça, que suspendeu a cobrança de dívidas, antes da recuperação judicial.

Executivos de bancos ouvidos pelo Valor classificaram a postura do trio como “arrogante” e chegaram a afirmar que não fariam mais negócios com nenhum dos três empresários. A dívida atual da companhia está na casa dos R$ 43 bilhões. As consequências do rombo para 16,3 mil credores e os cerca de 40 mil empregados ainda são incertas.

Sede da AB Inbev em Leuven, na Bélgica: o grupo deve vender ativos na Ásia para reduzir a dívida - Jasper Juinen/Bloomberg - Jasper Juinen/Bloomberg
Sede da AB Inbev em Leuven, na BélgicaImagem: Jasper Juinen/Bloomberg

Culto à ambição

A fama de Lemann foi construída sobre um modelo de gestão inovador para os padrões brasileiros e também por ações ousadas e grandiosas, com ampla repercussão nos mercados brasileiro e internacional.

Na década de 1970, o Garantia foi um dos pioneiros na adoção de remuneração segundo desempenho. A estratégia permitia à empresa atrair gente competente e com gana de enriquecer. Era o início de um culto à ambição e à meritocracia que influenciaria mais de uma geração de empresas brasileiras.

Em 1982, com Sicupira e Telles já como sócios, Lemann entrou nas Lojas Americanas. A companhia passava por dificuldades, mas tinha imóveis próprios. O trio comprou o controle da empresa (70%) e iniciou uma série de ajustes. As ações subiram e eles recuperaram o investimento vendendo uma fração das ações.

Foi com a fusão entre as rivais Brahma e Antártica, no final dos anos 1990, que Lemann ganhou fama fora do mundo corporativo. O negócio daria origem à Ambev, que nos anos seguintes fundiu-se a outras até se tornar a maior do mundo (AB Inbev), a partir da compra da Anheuser-Busch, dona da Budweiser.

Foi de Lemann a iniciativa de criação da primeira empresa de “private equity” do país, a GP Investimentos. Com ela, o trio entrou no capital de empresas como Telemar, Gafisa e ALL, nos anos 2000. Depois de vender a GP a um grupo de empregados, os três empresários criaram a 3G Capital, com foco no mercado internacional. Adquiriram o Burger King, em 2010, e o fundiram com a Tim Hortons, dando origem à Restaurant Brands International. Também se associaram ao megainvestidor Warren Buffett para comprar a marca de ketchup Heinz. Em 2015, em um de seus últimos grandes movimentos, a 3G fundiu a Heinz à Kraft, criando a Kraft Heinz.

Envolvidos em negócios cada vez maiores, Lemann, Telles e Sicupira passaram a frequentar as listas dos mais ricos do Brasil. Na edição de 2022 do ranking brasileiro da Forbes, os três ocupavam o primeiro, o terceiro e o quarto lugares, com fortunas estimadas em R$ 72 bilhões, R$ 48 bilhões e R$ 39,85 bilhões, respectivamente.

Mas o estilo de administração do grupo, baseado em uma rígida gestão de custos e ganhos de escala, tem perdido apelo com a economia digital. Para se alinhar à nova realidade, Lemann tem se aproximado de startups e investido em fundos de “venture capital” — a compra de ações da Stone foi um deles.

Efeito dominó

Com o escândalo das Americanas, a expectativa é que acionistas de outras empresas controladas pelo trio peçam auditorias para saber se o problema não é maior do que parece.

Embora se especulasse, na semana passada, que Lemann e seus sócios colocariam recursos próprios na companhia para que ela continue a operar normalmente, nada foi dito a respeito. Na nota, dizem que, como acionistas, também foram “alcançados por prejuízos”.

Até aqui, o fascínio gerado por grandes transações, investimentos em filantropia e livros exaltando a trajetória do trio vinham sendo suficientes para eclipsar os tropeços. Daqui para frente, será preciso mais que isso para retomar a confiança do mercado. Lemann, aos 83 anos, ocupa agora o centro de um dos maiores escândalos corporativos do país.

Informações UOL

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