Bolsonaro garantiu aos apoiadores que não irá contestar o resultado das urnas
O presidente da República e candidato derrotado à reeleição, Jair Bolsonaro (PL), pediu a aliados que ‘respeitem seu silêncio’, em relação ao resultado das urnas. Bolsonaro ainda não se manifestou sobre a derrota, nem cumprimentou o candidato eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“Estamos todos respeitando seu silêncio”, afirmou um aliado ouvido por Oeste.
Durante esta segunda-feira, 31, Bolsonaro esteve no Palácio do Planalto, onde esteve reunido com alguns ministros e auxiliares mais próximos da campanha. A pressão dos aliados era para que Bolsonaro fizessem uma manifestação pública ainda nesta segunda-feira. Bolsonaro, contudo, recuou, mas garantiu aos apoiadores que não irá contestar o resultado das urnas, mas também não irá parabenizar Lula.
No domingo, logo depois de o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Alexandre de Moraes, proclamar o resultado das eleições, Bolsonaro se isolou no Palácio da Alvorada e “foi dormir”, segundo mandou avisar a seus apoiadores. Nem mesmo os coordenadores da campanha conseguiram contato com Bolsonaro no domingo.
Dos aliados próximos, só filho e Michelle falaram
Mais cedo, o senador Flavio Bolsonaro (PL-RJ), primogênito do presidente Jair Bolsonaro (PL), usou as redes sociais nesta segunda-feira, 31, para se manifestar, pela primeira vez, sobre a vitória do presidente eleito Lula (PT). Foi a primeira vez que um integrante do clã bolsonarista se manifestou após a vitória de Lula. A aliados, Bolsonaro afirmou que vai se manifestar ainda nesta segunda, mas sem parabenizar Lula.
No domingo 30, com 99,99% das urnas apuradas, o petista conquistou 50,90% dos votos contra o atual presidente Jair Bolsonaro (PL) que obteve 49,10%.
“Obrigado a cada um que nos ajudou a resgatar o patriotismo, que orou, rezou, foi para as ruas, deu seu suor pelo país que está dando certo e deu a Bolsonaro a maior votação de sua vida”, escreveu no Twitter, o senador. “Vamos erguer a cabeça e não vamos desistir do nosso Brasil! Deus no comando.”
Ontem, depois da vitória petista, Bolsonaro e seus familiares permaneceram em silêncio. Até o momento, somente Flavio Bolsonaro e Michelle Bolsonaro, primeira-dama, se pronunciaram sobre a derrota.
Perspectivas para 2023 apontam para inflação global em alta e pouco espaço no Orçamento, segundo economistas Imagem: Isaac Fontana/CJPress/Estadão Conteúdo
O presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prometeu muitas melhorias na economia, mas deve enfrentar um cenário adverso, dizem especialistas ouvidos pelo UOL. As perspectivas para o próximo ano apontam para inflação global em alta e pouco espaço no Orçamento para o Poder Executivo investir em políticas públicas que estimulem a criação de empregos e o aumento da renda das famílias, afirmam.
Durante a campanha, Lula se comprometeu a manter o valor de R$ 600 do Auxílio Brasil e a promover outras ações de transferência de renda que foram reduzidas ao longo da gestão de Jair Bolsonaro (PL). Também falou em retomar a política de valorização do salário mínimo. O problema, dizem os economistas, é o quanto essas promessas vão custar e os desafios que vão gerar em termos orçamentários.
Segundo Maílson da Nóbrega, economista e ministro da Fazenda durante o governo de José Sarney (1985-1990), não há espaço no Orçamento, e insistir nos compromissos pode agravar o “já delicado” quadro fiscal do Brasil.
Marcelo Paixão, professor associado de Desigualdades Sociais e Raciais e Afroempreendedorismo da Universidade do Texas, nos Estados Unidos, diz que o Brasil não vai ficar de fora do impacto da inflação internacional, com efeitos da guerra na Ucrânia e dos preços globais de combustíveis.
Renan Pieri, professor de economia da FGV-SP (Fundação Getúlio Vargas), destaca que o programa de governo de Lula, assim como o de Bolsonaro, não detalhava seus planos econômicos “para a gente diferenciar os impactos da eleição de cada um”.
Veja a seguir uma análise dos principais pontos da economia para o próximo ano:
Pobreza: Os economistas ouvidos pelo UOLafirmam que o combate à pobreza, que aumentou na pandemia, será prioridade do governo Lula. Grande parte do investimento deve ser feito em programas de transferência de renda, como o Auxílio Brasil, que vai voltar a se chamar Bolsa Família.
O desafio, diz Pieri, é “criar políticas públicas para além de transferência de renda, especialmente aquelas com foco em educação, para que as pessoas saiam da armadilha da pobreza estrutural, que passa pelas gerações e limita o potencial de ganho econômico das famílias”.
Para especialistas, Lula deve manter a rede de cobertura, sem mexer tanto no número de beneficiários, mas sim em quem está sendo beneficiado. O valor mais alto, porém, é um “desafio orçamentário”, segundo Paixão.
Inflação: Para os economistas, pode haver uma aceleração na alta dos preços no início do novo governo. Essa inflação seria puxada pelo fim do teto do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) que incide sobre combustíveis e energia, medida adotada em junho e válida até dezembro, para conter a escalada dos preços.
Paixão afirma que uma mudança na política de preços da Petrobras, hoje atrelada ao mercado internacional, “pode fazer os combustíveis ficarem mais baratos no curto prazo e, por consequência, reduzir a inflação”.
Petrobras: A expectativa é de que a política de preços da Petrobras seja “abrasileirada” — isto é, deixe de ser atrelada às variações do petróleo no mercado internacional e à cotação do dólar.
Mas os especialistas dizem que a mudança pode resultar em queda no lucro e, consequentemente, uma distribuição menor de dividendos para os acionistas, o que impactaria nas ações da Petrobras na Bolsa.
“Acho que é uma maluquice”, diz Maílson da Nóbrega.
Lula também é contra a privatização da empresa e, por isso, deve fazer uma revisão no plano de venda das refinarias e subsidiárias. A medida foi apontada em seu programa de governo.
Ainda assim, Lula deve ter um olhar favorável às concessões, afirma Paixão: “É um modelo que tem a participação do setor privado por um tempo e ajuda a manter a taxa de investimentos mais alta”.
Combustíveis: Com o fim do teto do ICMS em dezembro, o preço dos combustíveis —já defasado— pode voltar a subir no início do governo Lula. Os economistas dizem que não há espaço no Orçamento para manter o imposto em patamar mais baixo. Além disso, é provável que a medida não tenha o mesmo apoio do Congresso, já que os estados dependem muito da receita que arrecadam com o ICMS.
Mudar a política de preços da Petrobras pode fazer o preço dos combustíveis cair no curto prazo, mas pode gerar “problemas de caixa” no médio e no longo prazo, diz Pieri, da FGV.
Os analistas dizem que não está claro de onde sairá o dinheiro para bancar esse aumento, exceto pelo fim da regra do teto de gastos.
Aposentadorias: Lula prometeu recriar o Ministério da Previdência e reajustar o salário mínimo acima da inflação, o que impacta diretamente nas aposentadorias e pensões. Assim, os economistas dizem que o tema depende da política definida para a nova regra fiscal e para o salário mínimo, que afeta os valores e pressiona o Orçamento.
Empregos: Espera-se que as políticas do governo Lula sejam focadas no emprego formal. Em paralelo, os economistas afirmam que a taxa de desemprego pode ser reduzida por meio de outras ações indiretas, como o controle das contas públicas e da inflação, que farão com que o país volte a crescer como um todo.
Funcionários públicos: Especialistas dizem que não haverá mudanças nas regras de remuneração do funcionalismo público ou na quantidade de vagas ofertadas, apesar de eventuais pressões da categoria. Na campanha, Lula prometeu “recomposição gradual” dos salários dos servidores públicos, atrelada ao crescimento da economia a partir de 2023.
Teto de gastos: Lula defende o fim do teto de gastos e, ao longo da campanha, foi muito cobrado a apresentar detalhes sobre a regra fiscal que vai substituí-lo. Até agora não se sabe o que o governo eleito deve fazer, mas é consenso entre os economistas que o modelo atual é inviável.
“[Lula] vai ser obrigado a recriar a âncora fiscal que foi destruída pelas seguidas violações do teto de gastos pelo governo Bolsonaro. É um dos grandes desafios do período. O novo presidente tem que ter consciência do tamanho do pepino que ele tem para resolver no ano que vem”, diz Maílson da Nóbrega.
Banco Central: Por ter autonomia, ao menos em tese, o Banco Central não deve sofrer influência do governo na política monetária.
Juros: O desafio, segundo especialistas, será reduzir os juros básicos da economia (Selic), hoje em 13,75% ao ano, a níveis pré-pandemia.
Economistas afirmam que será necessário um conjunto de ações para que os juros caiam. Além do controle da inflação, será importante adotar uma nova regra fiscal que diminua o tamanho da dívida, permitindo ao BC reduzir a Selic gradualmente. A campanha de Lula não adiantou detalhes sobre esses tópicos.
Dólar e Bolsa. É impossível prever como o mercado financeiro se comportará. Mas é consenso entre especialistas que a cotação do dólar e o desempenho da B3, a Bolsa de Valoresbrasileira, estará relacionado à capacidade de o presidente eleito resolver ou ao menos minimizar os problemas que vai herdar.
Adotar medidas “irresponsáveis”, diz Maílson da Nóbrega, pode levar a insegurança jurídica e queda da confiança, fazendo com que investidores deixem o Brasil. Essa fuga de capitais pressionaria o câmbio, fazendo o dólar disparar, o que também teria impacto na inflação.
Segundo colocado na eleição presidencial, Jair Bolsonaro (PL) conseguiu ampliar sua votação a ponto de virar sobre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no estado do Amapá e em 248 cidades onde o petista havia vencido no primeiro turno. Isso representa 4,5% dos 5.570 municípios brasileiros.
Lula, por sua vez, não teve maioria em nenhuma cidade onde Bolsonaro prevaleceu na primeira rodada. No geral, Bolsonaro conseguiu encurtar a desvantagem em relação ao adversário de 6,2 milhões de votos no primeiro turno para 2,1 milhões nesta segunda rodada.
O crescimento foi insuficiente para garantir uma virada inédita no pleito. O atual presidente tornou-se neste domingo (30) o primeiro a não conseguir a reeleição no cargo. Segundo a apuração do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Lula alcançou 50,90% dos votos válidos, e Bolsonaro, 49,10%. Foi a eleição mais apertada desde a redemocratização.
No primeiro turno, Lula havia sido o mais votado em 3.376 cidades. Bolsonaro, por sua vez, saiu na frente em 2.191— houve empate em Coronel Sapucaia (MS), Alecrim (RS) e Ribeirão do Sul (SP). Prova da elevada polarização desde o início da disputa, os outros candidatos não conseguiram sequer o segundo lugar em nenhum município do país.
Com a disputa restrita aos dois finalistas, o petista acabou como o mais votado em 3.123 municípios neste domingo, e o atual presidente, em 2.445. Houve também dois empates, em Guará (SP) e Irati (SC).
Estado considerado estratégico pelas duas campanhas, por ter o segundo maior colégio eleitoral e o maior número de municípios do país –além de ser um espelho histórico da eleição presidencial–, Minas Gerais foi palco de 66 viradas pró-Bolsonaro.
A principal reviravolta bolsonarista aconteceu em Grupiara, no Triângulo Mineiro, onde o presidente saltou de 46% dos votos válidos no primeiro turno para 59,4% no segundo.
Minas recebeu seis visitas presenciais de Bolsonaro durante a segunda parte da campanha. Além de Belo Horizonte, Uberlândia e Governador Valadares, apostou também em três localidades onde havia perdido para Lula: Montes Claros, Teófilo Otoni e Juiz de Fora, palco da facada sofrida por ele em 2018.
Destas, só conseguiu reverter o resultado do primeiro turno em Montes Claros. A votação do presidente subiu de 44,9% para 51,2% na cidade-polo do Norte mineiro, região com perfil similar ao Nordeste brasileiro e marcada por vitórias petistas desde 2006.
Além do próprio presidente, a primeira-dama Michelle Bolsonaro, a ex-ministra Damares Alves (Republicanos), eleita ao Senado pelo Distrito Federal, e o vereador de Belo Horizonte Nikolas Ferreira (PL), campeão de votos para a Câmara dos Deputados neste ano, foram algumas figuras que reforçaram a campanha do presidente no estado.
Bolsonaro também contou com o apoio engajado do governador reeleito Romeu Zema (Novo), escalado para mobilizar os prefeitos mineiros. “Nenhuma região e nenhuma parte desse estado ficará para trás”, declarou Bolsonaro ao lado de Zema em Montes Claros.
Mesmo com um crescimento de 6,2 pontos percentuais no estado, o presidente não conseguiu reverter a vitória petista. O estado manteve a sua tradição de refletir os resultados da disputa nacional, com vitória de Lula por apertados 50,2%.
No maior colégio eleitoral do Brasil, Bolsonaro conseguiu 10,5 pontos de vantagem neste domingo (55,24% a 44,76%), o equivalente a 2,7 milhões de votos a mais entre os paulistas.
Foi pouco para compensar os 12,6 milhões eleitores a mais conquistados pelo petista entre os nordestinos. Depois de vencer no primeiro turno em apenas 15 das 1.794 cidades na região, Bolsonaro conseguiu aumentar esse número para somente 20 municípios no maior reduto lulista.
Na capital paulista, Bolsonaro aumentou sua votação em relação ao primeiro turno, de 37,9% para 46,5% dos votos válidos, mas voltou a ser derrotado, desta vez com uma diferença de 486,4 mil eleitores paulistanos a mais para Lula.
O PT não virou o resultado em nenhuma das cidades conquistadas pelo PL na primeira rodada. Garantiu a vitória nacional com aumentos, ainda que menos expressivos, nos locais onde conseguiu repetir as vitórias do primeiro turno.
“Foi a campanha mais difícil da minha vida”, declarou Lula ao discursar para seus eleitores que comemoravam a vitória do ex-presidente na avenida Paulista, no centro de São Paulo.
O maior salto de Lula foi observado em Sobral (CE), berço político de Ciro Gomes (PDT), quarto colocado no primeiro turno. O petista já havia vencido na primeira parcial e aumentou sua votação na cidade, de 55,4% para 69% na segunda rodada.
Nova Pádua (RS) manteve o título de cidade mais bolsonarista do país, com aumento de 83,97% dos votos no primeiro turno para 88,99% no segundo. Guaribas (PI) também conservou o posto de município mais lulista do Brasil. A votação do novo presidente eleito subiu de 92,14% para 93,85% na cidade piauiense.
Em nível estadual, Lula saiu vitorioso em 13 unidades da federação, uma a menos que Bolsonaro, contando o Distrito Federal. Considerando os três maiores colégios eleitorais, o resultado deste domingo repetiu o do primeiro turno. O petista venceu em Minas Gerais, e o atual presidente, em São Paulo e Rio de Janeiro.
Em mais um capítulo da polarização regional, Lula foi o mais votado em todos os estados do Nordeste, e Bolsonaro, em todos das regiões Sul e Centro-Oeste.
O Amapá, que também vinha refletindo os resultados nacionais desde a redemocratização ao lado de Minas Gerais e Amazonas, saiu dessa lista ao ser o único estado com virada bolsonarista neste ano em relação ao primeiro turno.
Em nível nacional, nunca houve uma virada entre o primeiro e o segundo turno das eleições presidenciais. Fernando Collor (1989), Lula (2002 e 2006) e Dilma Rousseff (2010 e 2014) também conseguiram confirmar a vitória após terem largado em vantagem nas edições anteriores decididas em duas rodadas.
No pleito realizado há quatro anos, apenas 147 das 5.570 cidades brasileiras (3%) haviam registrado vencedores diferentes entre a primeira e a segunda rodada da eleição presidencial, com 121 viradas a favor do então candidato petista Fernando Haddad, derrotado na ocasião por Bolsonaro.
Primeiro presidente do Brasil a não conseguir nas urnas um segundo mandato desde que a reeleição foi instituída no país, em 1998, Jair Bolsonaro (PL, foto) recebeu no segundo turno deste ano uma votação maior que a obtida quando se elegeu em 2018, informa Malu Gaspar.
Bolsonaro obteve cerca de 58,2 milhões na votação de hoje, 400 mil votos a mais do que quando derrotou Fernando Haddad (PT) no pleito presidencial de quatro anos atrás.
De forma mais modesta, observa a colunista de O Globo, o presidente brasileiro repetiu o feito de Donald Trump: em 2020, o republicano foi derrotado pelo democrata Joe Biden mesmo com 13 milhões de votos a mais que os obtidos por ele em 2016.
Apoiado por Bolsonaro, Tarcísio de Freitas derrotou Haddad e foi eleito o novo governador paulista Imagem: Flickr/TF10 Campanha
Tarcísio de Freitas (Republicanos), 47, foi eleito hoje o novo governador do estado de São Paulo. Carioca e ex-ministro da Infraestrutura, ele venceu o segundo turno contra Fernando Haddad (PT), 59, numa disputa que repetiu a polarização entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula (PT) e o presidente Jair Bolsonaro (PL), apoiador de Tarcísio.
Por volta das 19h27, com 95,1% das urnas apuradas, Tarcísio tinha 55,3% dos votos, contra 44,7% de Haddad.
A eleição ao Palácio dos Bandeirantes foi a estreia de Tarcísio nas urnas — ele nunca havia concorrido a um cargo eletivo antes. Também é a primeira vez que o Republicanos, partido fundado por bispos da Igreja Universal do Reino de Deus, chega ao comando do estado mais rico do país, que está sob o domínio do PSDB há 28 anos.
Seu vice será o ex-prefeito de São José dos Campos Felício Ramuth (PSD), 53. Além da sigla de Ramuth, a coligação reuniu PL, PTB, PSC e PMN.
Perfil. Nascido no Rio de Janeiro — fato amplamente explorado por Haddad ao longo do segundo turno — Tarcísio é servidor público federal e serviu o Exército por 17 anos. É bacharel em ciências militares pela Aman (Academia Militar das Agulhas Negras) e mestre em engenharia de transportes pelo IME (Instituto Militar de Engenharia).
Entre 2005 e 2006, esteve na Missão das Nações Unidas para Estabilização no Haiti como chefe da seção técnica da Companhia de Engenharia.
Antes de chegar ao posto de ministro da Infraestrutura do governo Bolsonaro, em 2019, Tarcísio esteve à frente do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) no governo de Dilma Rousseff (PT) e foi secretário do PPI (Programa de Parcerias e Investimentos) no governo Michel Temer (MDB).
O governador eleito é casado com Cristiane Freitas e tem dois filhos. Ao registrar sua candidatura em agosto, ele declarou patrimônio de R$ 2,3 milhões.
‘A força do bolsonarismo’. Afilhado político de Bolsonaro, Tarcísio deixou o ministério em marçopara concorrer ao governo paulista, a pedido do presidente.
Bolsonaro e Tarcísio em agenda em Sorocaba (SP): candidatura a pedido do presidenteImagem: Flickr/TF10 Campanha
Haddad liderou as pesquisas de intenção de voto desde o início da corrida, um feito considerado único pelo PT até então, mas a vantagem em relação aos principais adversários diminuiu na reta final do primeiro turno. A primeira etapa do pleito terminou com Tarcísio na frente, com 42,32%, e Haddad em segundo, com 35,7%, contrariando os levantamentos eleitorais.
A campanha aumentou o número de agendas conjuntas com o presidente na reta final. A lógica por trás desta decisão foi a de que a eleição em São Paulo se tornou polarizada por causa da influência da corrida presidencial. A avaliação da equipe de Tarcísio era de que a associação entre os dois candidatos trazia benefícios mútuos porque um ganhava com a presença do outro.
Nomes para governo. Tarcísio já falou sobre possíveis nomes para integrar seu governo, como o médico Eleuses Paiva, coordenador de seu programa de saúde, para a respectiva pasta e Guilherme Afif Domingos (PSD), coordenador de seu plano de governo.
A deputada federal Rosana Valle (PSD) é cotada para assumir a secretaria da Mulher. Pessoas próximas à campanha também dizem que Kassab terá influência no governo, por conhecer bem o funcionamento da máquina pública e ser um importante articulador político.
Apoio do ex-adversário e fator Kassab. Dois dias depois do primeiro turno, a candidatura de Tarcísio recebeu o apoio formal do governador de São Paulo Rodrigo Garcia (PSDB), que tentou a reeleição, mas ficou em terceiro lugar.
Ao longo do segundo turno, ele também recebeu o apoio de legendas que estavam inicialmente com Rodrigo, como o União Brasil, MDB, PP, Podemos e Cidadania. Os diretórios estadual e municipal do PSDB em São Paulo também anunciaram apoio ao candidato bolsonarista.
‘Renovação’ e antipetismo. Tarcísio pautou sua campanha na defesa de que o estado precisava de renovação, já que o PSDB governa o estado desde 1995, e no antipetismo, forte sobretudo no interior paulista.
Tenho dito que a minha gestão vai ser técnica, os espaços vão ser preenchidos por técnicos. O PSDB depois de 28 anos de governo, você tem em várias posições gente técnica, de carreira, que faz um bom serviço, que conhece a história de cada órgão (…) Pessoas técnicas, pessoas de carreira serão aproveitadas Tarcísio de Freitas em 25 de outubro, ao receber apoio do PSDB da cidade de São Paulo
As mortes por policiais militares caíram 80% no primeiro ano de uso de câmeras em uniformes, conforme apuração do UOL Notícias.
Tarcísio cumprimenta PMs durante campanha em SP: planos de rever câmeras nas fardas da corporaçãoImagem: Flickr/TF10 Campanha
Em fevereiro, quando ainda era ministro da Infraestrutura, Tarcísio prometeu privatizar a Sabesp caso fosse eleito, o que foi usado de munição por Haddad — a estratégia era passar a ideia de que a medida poderia acarretar aumento da conta de água.
Tarcísio abriu o debate da Globo, realizado na última quinta-feira (27), desmentindo a informação.
Preciso aproveitar esse espaço para restabelecer a verdade. A primeira delas: ‘Tarcísio vai aumentar a conta de água’. Mentira, não vou. Quando discuto privatização da Sabesp, estou querendo aumentar a eficiência, estou querendo fazer com que a gente invista mais em reúso, que a gente invista mais em diminuição das perdas, em recuperação dos mananciais e em ligação de esgotonone
Tiros em Paraisópolis. A campanha de Tarcísio no segundo turno sofreu com a repercussão de um tiroteio ocorrido na comunidade de Paraisópolis, na capital, durante uma agenda de campanha dele no local, no dia 17 de outubro.
Das cinco regiões do Brasil, Bolsonaro venceu em todas. No entanto, Lula precisou apenas de uma goleada no Nordeste para se sagrar vencedor na disputa presidencial.
A discrepância observada na região foi a maior registrada: quase 70% para Lula contra 30% de Bolsonaro.
No Sudeste e Norte a disputa foi apertada, mas com vitória de Bolsonaro.
Os melhores índices do derrotado foram observados no Sul e Centro-Oeste. No entanto, essas regiões possuem eleitorado inferior numericamente ao nordestino.
Dentre os estados nordestinos, Piauí e Bahia foram onde Lula teve a maior vantagem.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informou, através do segundo boletim divulgado neste domingo (30), em Brasília, que, em todo o país, 1.883 urnas eletrônicas precisaram ser substituídas após apresentarem algum tipo de mau funcionamento. Foram contabilizadas ocorrências até as 11h30. As informações são da Agência Brasil.
A substituição de urnas eletrônicas é considerado um procedimento normal a cada eleição, e a Justiça Eleitoral já prepara previamente milhares de equipamentos reserva que podem ser colocados em operação de imediato.
Como última opção, caso não se possa substituir uma urna eletrônica por outra, é possível que seja adotada a votação manual, com cédulas de papel em urna de lona. Até o momento, isso não foi necessário em nenhuma seção eleitoral do país, informou o TSE.
Para o segundo turno, a Justiça Eleitoral mobilizou 537 mil urnas eletrônicas, das quais 64.918 são de contingência, ou seja, ficam de reserva para serem acionadas em caso de necessidade. As 1.883 substituídas até o momento representam 0,35% do total.
Neste ano, pela primeira vez, todas as seções eleitorais do Brasil ficam abertas das 8h às 17h no horário de Brasília. Nas localidades com outro fuso, portanto, o horário é adaptado de acordo com o horário local.
Presidente foi um dos primeiros a registrar o voto neste domingo
O presidente Jair Bolsonaro (PL) votou na manhã deste domingo, 2, no Rio de Janeiro. O candidato à reeleição compareceu à zona de votação, na Escola Municipal Rosa da Fonseca, na zona Oeste da cidade. Ele foi um dos primeiros a iniciar a votação, por volta das 8h. Assim como no primeiro turno, Bolsonaro usou uma camiseta amarela com a inscrição “Brasil” no peito.
Bolsonaro deixou o local onde estava hospedado por volta das 7h40 e seguiu para a Vila Militar. Assim que os portões do local de votação se abriram, ele se dirigiu para a seção eleitoral para registrar o voto.
Hoje, diferentemente do primeiro turno, Bolsonaro não concedeu entrevista aos jornalistas que acompanhavam a votação. Ao deixar o colégio, ele acenou para o público e conversou apenas com apoiadores que estavam no local.
“A expectativa é de vitória pelo bem do Brasil e só temos boas notícias, e seremos vitoriosos, ou melhor, o Brasil será vitorioso”, disse brevemente Bolsonaro.
Bolsonaro deve seguir para o aeroporto do Galeão para recepcionar o Flamengo, tricampeão da Libertadores. Em seguida, ele deve embarcar para Brasília, de onde acompanhará a apuração dos votos.
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Alexandre de Moraes, proibiu a Polícia Federal (PF) e a Polícia Rodoviária Federal (PRF) de realizarem qualquer operação envolvendo o transporte público disponibilizado a eleitores, seja ele gratuito ou não, sob pena de responsabilização criminal dos diretores-gerais de ambas corporações.
A decisão se baseia no suposto uso político das corporações para gerar fatos que beneficiem a candidatura de Jair Bolsonaro (PL) e prejudiquem a de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), segundo o TSE. O pedido foi apresentado pelo deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP), após notícias de que as polícias estariam realizando operações especiais em estradas, o que no dia das eleições poderia prejudicar a locomoção de eleitores até o local de votação.
Moraes entendeu que as informações das polícias com dados sobre apreensões feitas nestas operações “não foram suficientes a refutar as notícias amplamente divulgadas, não havendo até o momento, indicação sobre as razões que justificam as operações específicas implementadas no segundo turno das eleições, exceto a coibir a compra de voto.” “O processo eleitoral, como um dos pilares da democracia, deve ser resguardado”, acrescentou.
O ministro ressaltou o papel de intervir nesta situação em caráter emergencial faltando poucas horas para o início do pleito. “No dia da votação, há de imperar a ordem, a regularidade, a austeridade. A liberdade do eleitor depende da tranquilidade e da confiança nas instituições democráticas e no processo eleitoral”.
A decisão vale até o fim do segundo turno. A CNN procurou a PF e PRF, que ainda não se manifestaram.
Presidente da República se manifestou por meio das redes sociais, neste sábado
Presidente Jair Bolsonaro Foto: EFE/Joédson Alves.
Neste sábado (29), o presidente Jair Bolsonaro (PL) divulgou nas redes sociais uma lista com 22 compromissos a serem cumpridos se ele for reeleito. Ele destacou que “é preciso compreender aqueles que ainda não decidiram e lhes oferecer segurança para que façam a melhor escolha para o futuro da nossa nação”.
– Mais do que promessas vazias e abstratas, o Brasil precisa de um caminho sólido, pautado em ações concretas e, sobretudo, em princípios. A partir de 2023, com um Congresso em sintonia com o nosso Governo, será possível avançar não apenas em novas propostas, mas naquelas boas medidas que foram travadas pelo caminho. Dito isso segue abaixo 22 COMPROMISSOS que farão do Brasil um país mais próspero, mais livre e mais seguro para todos os brasileiros – defendeu.
Bolsonaro se comprometeu a reduzir a maioridade penal para crimes hediondos, como estupro, homicídio e latrocínio; e endurecer penas para crimes violentos e os critérios para progressão de regime. Veja a lista completa, abaixo:
1. Reduzir maioridade penal para crimes hediondos, como estupro, homicídio e latrocínio; 2. Acabar com a audiência de custódia, hoje um dos maiores estímulos à impunidade no país; 3. Endurecer penas para crimes violentos e os critérios para progressão de regime; 4. Criar o Estatuto de Direitos das Vítimas, em contrapartida à crescente inversão de valores percebida nas últimas décadas, onde o bandido é a vítima e a polícia e os cidadãos são os vilões; 5. Garantir retaguarda jurídica e excludente de ilicitude para agentes de segurança, respaldando nossos policiais no combate ao crime; 6. Aumentar o Fundo Nacional de Segurança Pública para garantir a aparelhagem e a modernização das forças de segurança; 7. Com as medidas de combate à impunidade apresentadas acima, buscaremos reduzir em mais 20% os homicídios nos próximos 4 anos, chegando a uma queda de 50% do pico de mortes violentas atingido no último ano de governo do PT; 8. Implementar uma Política Nacional de Fortalecimento dos Laços Familiares, um conjunto de medidas e diretrizes que visam incentivar a criação e preservação das famílias, que são a base da sociedade; 9. Garantir o bônus de produtividade de 200 reais adicionais para beneficiários do Auxílio Brasil permanente de no mínimo 600 reais, para estimular o trabalho produtividade e a ascensão dos mais pobres; 10. Entregar no mínimo mais 2 milhões de moradias a famílias de baixa renda; 11. Democratizar os serviços digitais, por meio da isenção de impostos para compra de aparelhos celulares populares e do estabelecimento de uma tarifa social para planos de dados; 12. Aumentar o salário mínimo para 1400 reais em 2023 e acima da inflação todos os anos até 2026; 13. Seguir indicando de forma independente nomes técnicos e de Ficha Limpa para Ministérios, bancos públicos e estatais, impedindo que interesses escusos façam florescer a corrupção sistêmica no Governo; 14. Manter uma política econômica pautada no livre mercado e na responsabilidade fiscal, propiciando um ambiente favorável à atração de investimentos e à geração de pelo menos mais 6 milhões de empregos; 15. Criar e implementar o SUS Online: Modernização dos serviços de saúde pública, com agendamento, pré-triagem e prontuário digital, visando reduzir e zerar as filas nos hospitais (Zap da Saúde); 16. Promover a desoneração da folha de pagamento para profissionais de saúde e buscar a desoneração gradual para os demais profissionais; 17. Corrigir Tabela do IRPF; com isenção para quem ganha até cinco salários mínimos; e implementar o IRPF familiar, que permite um imposto de renda menor para quem realizar a declaração em família; 18. Fazer do Nordeste o centro mundial de geração de energia verde e converter os royalties em benefícios sociais para a população, como o Auxílio Brasil; 19. Implementar o FIES/TEC, para financiar cursos técnicos e profissionalizantes, permitindo aos brasileiros uma inserção maior no mercado de trabalho e um retorno financeiro mais rápido ao estudante; 20. Implementar o Programa Educação para o Futuro, que pretende, com base no sucesso que tivemos com os cursos de alfabetização, disponibilizar para a população também o ensino de Programação, Inglês e Educação Financeira, essenciais para o crescimento profissional; 21. Não controlar nem interferir na imprensa e preservar a liberdade de expressão, inclusive na Internet; 22. Não ampliar o número de ministros do Supremo Tribunal Federal; indicar ministros comprometidos com a Proteção da Vida desde a concepção e a Liberdade; e respeitar a independência entre os poderes e a Constituição Federal, a nossa Carta da Democracia.