Andreza Cristina Lima Leitão foi presa na saída de um shopping na Zona Oeste da capital fluminense
Traficante Bibi Perigosa foi presa no Rio de Janeiro Foto: Reprodução/TV Globo
Uma das principais articuladoras dos ataques que afetaram diversas cidades do Rio Grande do Norte no último mês foi presa, no fim da tarde deste domingo (2), na saída de um shopping no bairro de Campo Grande, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Andreza Cristina Lima Leitão, conhecida como Bibi Perigosa, foi detida por agentes da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE).
A série de ataques em território potiguar começou no dia 14 de março e impactou a população do estado de forma intensa, com destruição de veículos e prédios públicos, ao menos até o dia 25 do último mês. Bibi Perigosa, uma das chefes da facção que controla o tráfico no Rio Grande do Norte, vivia escondida no Rio de Janeiro desde 2020.
– A Andreza criou um grupo de comunicação entre os criminosos que ela intitulou “Companhia dos Artilheiros”, que promoveu verdadeiros atos terroristas no Rio Grande do Norte, que incluíram assassinatos, roubos em série, depredação de prédios públicos e incêndios de veículos e residências – detalhou o delegado assistente da DRE, Rodrigo Coelho.
A DRE informou que já estava monitorando Bibi havia uma semana. As investigações apontaram que a traficante ficava escondida na Vila Kennedy, na Zona Oeste da capital fluminense. Contra ela havia um mandado de prisão expedido pela Justiça do Rio Grande do Norte.
Apesar do apelido, Andreza não foi a criminosa que serviu como fonte para a criação da personagem Bibi Perigosa, vivida pela atriz Juliana Paes na novela A Força do Querer. Aquela Bibi Perigosa em questão, na verdade, era Fabiana Escobar, ex-esposa de um traficante que comandou a Rocinha, favela do Rio de Janeiro, nos anos 2000.
O senador Marcos do Val (PODEMOS) declarou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tinha conhecimento sobre os atos de 8 de janeiro e havia preparado o pedido de intervenção federal dois dias antes dos prédios públicos serem depredados por manifestantes. Durante participação no programa Tá Na Roda, da Jovem Pan News, neste domingo, 2, o parlamentar cita um documento que teve acesso, guardado em um cofre no Senado Federal, que demonstra uma possível responsabilidade do governo federal nos atos de depredação no dia 8 de janeiro em Brasília. Do Val afirma que Lula sabia sobre os protestos desde 2 de janeiro.
“O relatório é tão detalhista que dá o número da placa dos ônibus, o nome de quem estava dentro dos ônibus, o nome das pessoas que já estavam sendo investigadas e que iriam entrar para destruir e quebrar, quem tinha dado treinamento, onde os ônibus pararam, quem foi para hotel e quem foi para o acampamento, quem se juntou ao núcleo que já estava planejamento a invasão. Em nenhum dia o relatório diz que a manifestação será pacífica. Pelo contrário, todos os dias informa que o grau de periculosidade”, exemplifica. O senador continua afirmando que na sexta-feira, 6 de janeiro, dois dias antes dos atos, Lula recebeu a minuta da intervenção federal.
Do Val ainda afirma definiu o trabalho do ministro da Justiça, Flávio Dino, na contenção dos atos como incompetente. Ele não foi o único a criticar a postura de Dino. O deputado federal Kim Kataguiri (União Brasil-SP) protocolou um requerimento na Procuradoria Geral da República (PGR) contra o ministro por crime de responsabilidade e ato de improbidade administrativa no episódio de 8 de janeiro, quando as sedes dos Três Poderes foram invadidas e depredadas. No documento, o parlamentar alega que o ministro do governo Lula “deixou de apresentar providências para impedir os ataques, uma vez que foi informado com antecedência sobre o ato realizado por cidadãos insatisfeitos com o resultado das eleições”. “Os ofícios comprovam que o ministro mentiu e, por isso, peço que o Procurador Geral da República apresente denúncia ao Supremo Tribunal Federal”, diz o deputado no requerimento.
O Projeto de Lei 668/23 proíbe que devedores inadimplentes sejam impedidos de inscreverem-se em concursos públicos ou tenham a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e passaporte apreendidos por determinação da Justiça.
O texto em análise na Câmara dos Deputados insere essa proibição no Código de Processo Civil, que enumera diversas medidas que podem ser adotadas pelo juiz para viabilizar a execução de uma sentença, inclusive o uso de ações coercitivas em caso de inadimplência.
Nesse ponto, o autor do projeto, deputado Rafael Prudente (MDB-DF), defende que a decisão judicial deve permanecer vinculada exclusivamente à esfera patrimonial do inadimplente.
“Não é razoável que alcance medidas coercitivas que importem na restrição de outros direitos, especialmente o direito de locomoção, que é o primeiro de todas as liberdades”, sustentou.
Prudente criticou a recente decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que entendeu ser constitucional aplicar a devedores inadimplentes medidas não expressas na lei, como a apreensão de CNH e passaporte.
Tramitação A proposta ainda será despachada para análise das comissões da Câmara.
A brasileira Emmily Rodriguez, que morreu na Argentina, nasceu em Salvador. A baiana de 26 anos morreu ao cair do sexto andar de um prédio em uma área nobre de Buenos Aires, na quinta-feira (30). Ela foi encontrada nua, na área térrea do edifício.
O homem que é dono do apartamento onde ela estava, o empresário Francisco Sáenz Valiente, foi preso por suspeita de homicídio, mas a polícia ainda investiga o caso.
Segundo o canal argentino Todo Noticias, Emmily estava na Argentina há bastante tempo e tinha o Documento Nacional de Identidade (DNI) do país. Não há informações se ela tinha familiares no país.
De acordo com os jornais argentinos “Clarín” e “La Nación”, na quinta-feira Emmily jantou com o empresário e outros amigos. Depois do jantar, ela e pelo menos outras duas mulheres foram até o apartamento de Francisco, que fica no bairro do Retiro. Uma das mulheres foi identificada como a brasileira Juliana Magalhães Mourão, de 37 anos.
Na sexta-feira (31), por volta das 9h, um morador do prédio ligou para a polícia informando a presença de um corpo no andar térreo.
As investigações foram iniciadas, mas ainda não há informações se a baiana caiu ou se foi jogado do edifício.
A família informou que ainda não sabe se Emmily será enterrada na Argentina ou não Brasil. A data do velório também não foi confirmada.
Os presidentes Lula e Bolsonaro em seus primeiros mandatos. Faixa usada pelo petista em 2003 foi feita nos anos 1990. Bolsonaro usou uma versão mais atual da indumentária, fabricada em 2008 a pedido de Lula Imagem: Reprodução
Enquanto a sociedade e as famílias brigam por Lula e Bolsonaro, os políticos aliados deles se unem em torno de interesses comuns. Que fique bem claro, interesses dos políticos, não do Brasil.
Uma reportagem de Rainier Bragon na Folha de S. Paulo mostra em primeira mão a PEC 9/2023, que pretende reformar outra PEC, de 2022. Logo no primeiro artigo, ela proíbe qualquer punição a irregularidades na aplicação do Fundo Eleitoral até a promulgação da PEC.
Trocando em miúdos, a PEC teria de passar no Congresso, ser aprovada e promulgada para entrar em vigor. A partir desse momento, todas as irregularidades que existem e estão na Justiça simplesmente seriam desmanchadas no ar.
Entre elas, a destinação obrigatória do fundo partidário a candidaturas de mulheres e negros. Existe um percentual mínimo que, por lei, deve ser destinado exclusivamente a essas candidaturas. E aqui falamos de dinheiro público, que vem do contribuinte.
Há quem concorde com essas cotas e há quem não concorde. Mas foi o próprio Congresso Nacional, os políticos eleitos pelos partidos, que decidiram criar essas cotas. Agora eles próprios não cumprem e estão sujeitos às sanções que eles próprios criaram.
Diante dessa realidade, simplesmente somem todas as diferenças que os próprios políticos dizem ao eleitores ser irreconciliáveis. Na Câmara, deputados bolsonaristas e lulistas estão unidos em busca de uma anistia aos seus partidos.
Também existem outras sanções que seriam anistiadas. Da mesma forma, todas elas foram criadas e aprovadas pelos políticos que agora querem se livrar do ônus.
O primeiro ponto que chama a atenção é a união de bolsonaristas e lulistas em torno do tema. São forças políticas que, durante as duas últimas eleições, se comportaram como se fossem absolutamente opostas. Essa movimentação política se fundiu a um fenômeno de polarização tóxica que está esgarçando completamente o tecido social.
Segundo o V-Dem, observatório de democracia da Universidade de Gotemburgo, na Suécia, polarização tóxica não é polarização política, um fenômeno comum. Trata-se de outra coisa, a desconfiança moral sobre os eleitores de outra tendência política. Cada grupo crê que o outro é a representação do mal. Mais grave ainda, cada grupo crê que é intrinsecamente bom e, por isso, encontra desculpas para as próprias ações de intolerância e violência.
Para além disso, o Congresso Nacional está pagando o preço da espetacularização legislativa. Não fazemos leis pensando em ciência e eficiência, mas em boa vontade e boas intenções. A moralização de quinta categoria domina o debate público e é uma fonte inesgotável de marketing gratuito para políticos.
Foi assim a decisão pelo fim do financiamento de campanhas por empresas. Sem que houvesse qualquer elemento concreto, foi assegurado à população que a medida conteria a corrupção. Acabou? Pois é.
A necessidade de incluir mulheres e negros na política também foi tratada da mesma forma. Existem diversas medidas estruturais para diversificar a realidade dos partidos e da representação política. Optaram pela canetada e apenas pela canetada, instituir cotas de candidaturas e destinação dos fundos públicos de campanha para elas.
É uma oportunidade de ouro para o discurso de mocinho e bandido. Uns dizem que os defensores das cotas irão resolver a desigualdade que não se supera assim. Outros farão o discurso de defesa do mérito pessoal, mesmo sabendo que isso não tem nada a ver com a navegação nas nossas estruturas partidárias.
São necessárias medidas para que o ambiente político deixe de ser tão violento especialmente para mulheres, mas não são tão simples nem rendem tanto marketing. É necessário implementar outras medidas para que negros tenham voz nas estruturas partidárias dominadas por caciques, mas é algo tão complexo que também não rende boa publicidade.
O ideal seria que o Congresso Nacional tivesse a coragem de atacar os problemas já conhecidos das estruturas partidárias e desigualdade. Tudo indica que continuaremos na mesma toada, decidindo com casuísmo e anistiando quando não dá certo.
76 países assinaram um documento que exige a retirada imediata das tropas russas do território ucraniano
Lula Foto: Ricardo Stuckert/PR
A Cúpula da Democracia apresentou uma declaração que condena a Rússia pela guerra na Ucrânia e pede a retirada imediata das tropas russas do território ucraniano.
O documento foi assinado por 76 países, mas o Brasil decidiu por não assinar. O evento virtual para endossar o documento aconteceu nesta quarta-feira (29) e o governo brasileiro enviou um representante, uma vez que o presidente Lula estava com viagem programada para China, antes de adoecer por pneumonia.
A carta enviada pelo petista, porém, faz defesa à democracia, desigualdade social, inclusão de minorias, mas não condena os ataques feitos pela Rússia contra a Ucrânia.
A guerra completou um ano em fevereiro, deixando mais de 100 mil soldados ucranianos mortos e mais de 30 mil civis mortos.
A Cúpula da Democracia é formada por mais de 100 países. Juntos, eles tentam isolar a Rússia e a China em nome do combate ao autoritarismo e a corrupção.
O documento assinado exige a “imediata, completa e incondicional” retirada dos soldados russos da Ucrânia.
– Pedimos às partes no conflito armado que cumpram suas obrigações sob o direito internacional, incluindo o direito internacional humanitário (…) Apoiamos fortemente a responsabilização pelos crimes mais graves sob o direito internacional cometidos no território da Ucrânia por meio de investigações e processos apropriados, justos e independentes ao nível nacional ou internacional, e para garantir justiça para todas as vítimas e a prevenção de crimes futuros – diz trecho do documento que não recebeu apoio do governo brasileiro.
A principal preocupação está com os movimentos previstos entre reservistas no Rio de Janeiro
Foto: José Cruz/Agência Brasil
O exército irá punir oficiais que comemorarem o aniversário do golpe militar nesta sexta-feira (31), declarou o comandante do Exército, general Tomás Paiva a interlocutores, segundo informações do jornal Folha de S. Paulo. De acordo com relatos, a orientação foi repassada a oficiais-generais. A principal preocupação está com os movimentos previstos entre reservistas no Rio de Janeiro.
Para isso, oficiais da Força ficarão atentos à movimentação no Clube Militar —grupo de integrantes da reserva que promoverá um almoço, no Rio, para celebrar o golpe de 1964.
O evento é convocado sob a alcunha “Movimento Democrático de 1964”, com ingresso a R$ 90 e restrito a sócios e convidados. Ainda de acordo com o jorjal Folha de S. Paulo, generais afirmam que não é rara a presença de oficiais da ativa em eventos do Clube Militar, especialmente pelo fato de reservistas terem familiares na ativa.
A iniciativa de Tomás não decorre de orientação direta do ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, mas foi tomada após decisão da pasta de manter-se em silêncio diante do aniversário do golpe de 1964.
Somente o plano de ignorar a data foi acertado entre Múcio e os comandantes Tomás Paiva (Exército), Marcos Olsen (Marinha) e Marcelo Damasceno (Aeronáutica), em conversas informais.
A pasta confirmou ao jornal que não emitirá notas sobre o dia. “O ministério não divulgará nenhum comunicado ou ordem do dia sobre a data”, disse a assessoria.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), arquivou duas notícias-crime apresentadas pelo senador Rogério Marinho (PL-RN) e pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Os dois parlamentares queriam que Lula fosse investigado por dito que havia o plano de sequestro do senador Sergio Moro (União Brasil-PR) era uma “armação” do ex-juiz.
Nos dois casos, Moraes determinou o “arquivamento imediato” das ações, “em razão da ausência de indícios mínimos da ocorrência de ilícito penal”. A decisão foi tomada sem parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR).
Na semana passada, um dia após a realização de uma operação contra um grupo suspeito de planejar ataques contra Moro e outras autoridades, Lula declarou que era “visível que é uma armação do Moro”, apesar de admitir que não tinha provas.
Ao STF, Rogério Marinho pediu que o presidente seja incluído no chamado inquérito das fake news, acusando-o de “atentar contra as instituições republicanas”. Nikolas, por sua vez, apontou que Lula teria cometido incitação ao crime.
A Unicred do Nordeste, uma das maiores cooperativas de crédito da Região Nordeste, anunciou a inauguração de uma nova agência em São Luís (MA), nesta sexta-feira (31). A cerimônia de abertura será às 9h e contará com a presença de autoridades locais, membros da diretoria da Unicred e diversos cooperados. O presidente da Unicred Nordeste, João Batista de Cerqueira, confirmou presença na abertura da unidade, a 14º do Nordeste.
De acordo com o Sistema Nacional de Crédito Cooperativo, a participação das cooperativas de crédito no sistema bancário brasileiro, é de 10%, com a meta de atingir 20% em dez anos. Segundo o diretor de negócios da Unicred Nordeste, Ângelo Borges, a cooperativa que está entre os maiores sistemas de cooperativas do País trabalha com taxas de crédito bem competitivas em comparação aos bancos e taxas de aplicação acima de 120% do CDI e taxas de juros para consignado público de 1,47%.
“A Unicred do Nordeste tem se destacado nos últimos anos como uma das cooperativas de crédito mais sólidas e confiáveis do mercado, com atuação em vários estados do Nordeste e em outras regiões do país. Com a inauguração da nova agência em São Luís, a cooperativa reforça sua presença no Maranhão e amplia sua oferta de serviços para um número ainda maior de clientes”, destaca Ângelo Borges. A Unicred do Nordeste já atua em Alagoas, Bahia, Ceará, Paraíba e Pernambuco.
Com apoio do Banco Central e demais órgãos, o fenômeno chamado Cooperativismo de Crédito, têm se expandido gradativamente, proporcionando que milhares de pessoas tenham acesso aos serviços financeiros, com taxas justas que de fato contribuem com o desenvolvimento do consumidor.
Localização
A nova agência da Unicred do Nordeste em São Luís está localizada em uma região estratégica da cidade, próxima a importantes centros empresariais e comerciais. Com uma infraestrutura moderna e acolhedora, a agência oferecerá serviços financeiros completos para pessoas físicas e jurídicas, incluindo empréstimos, investimentos, cartões de crédito, seguros e outros produtos.
Inauguração Dia – Sexta-feira – Dia 31 de março Hora – 9h Local – Avenida dos Holandeses, quadra 05, nº 02. Ed. Marcus Barbosa Intelligent Office, térreo, loja 05 .
Golpistas passaram a usar redes sociais, como o Twitter, para atrair interessados em comprar e alugar cartões clonados. Por meio de apps como WhatsApp e Telegram, eles divulgam relatos de supostos clientes satisfeitos com a aquisição e exibindo produtos comprados com o dinheiro extraviado, segundo mensagens vistas por Tilt.
“Quem compra nunca se arrepender. Material tá puro lucro, vamos pra cima (sic)”, diz o dono do perfil “Professor do 7 cartão clonado” no Twitter, que soma 2.711 seguidores.
Segundo especialistas consultados pela reportagem, as práticas descritas caracterizam diversos crimes, como:
fraude eletrônica;
roubo de identidade;
acesso não autorizado a computadores;
lavagem de dinheiro;
conspiração.
Por meio das contas, os criminosos oferecem os seguintes pacotes:
Cartão clássico com R$ 300 de saldo por R$ 35;
Tipo Black com R$ 900 de saldo por R$ 80;
Outros com saldo entre R$ 5 mil e R$ 8 mil custam em torno de R$ 460.
Para seduzir clientes, exibem “casos de sucesso”: celulares, aparelhos de ar-condicionado, placas de vídeo e TV Smart comprados com os cartões e colocados nas contas de outras pessoas.
Em publicação de 4 de outubro de 2022, o perfil “Lobo Mal CCS (cartao clonado)”, também no Twitter, exibe um print do WhatsApp em que clientes comemoram o sucesso da compra de um celular Xiaomi Redmi 10 por R$ 1.185,49, uma transação realizada com cartão clonado.
Seguido por 1.598 contas e ativo desde novembro de 2019, o perfil indica em sua descrição um link para um número no WhatsApp em que é possível negociar os cartões. A permanência desse perfil no ar por mais quase quatro anos é fato raro.
Um vendedor de cartões clonados afirmou à Tilt que as páginas de comércio do tipo nas redes sociais são derrubadas recorrentemente, fazendo com que tenham que construir uma nova identidade sempre que necessário. A tendência é comprovada pelas outras cinco contas que foram abordadas, mas não toparam falar. A constante troca de perfis, diz ele, atrapalha o lucro mensal, que varia entre vendedores. Ele não quis revelar quanto costuma faturar.
O vendedor, que pediu para não ter nome e negócio expostos, mas possui um dos perfis mais populares, com 3 mil seguidores, explica que os cartões comercializados têm três origens:
Por meio de extravios a partir de agências bancárias;
Das ruas após golpes da maquininha aplicados por ambulantes;
De dados financeiros vazados; o comércio costuma acontecer em sites da dark web (espécie de internet invisível).
Varejo de contas alugadas
Grupo no Telegram usado para vender cartões clonados Imagem: Reprodução/Telegram
No grupo do Telegram “CC’s e Laranjas”, o vendedor que se apresenta como Braga explica diariamente que os cartões e as laranjas (contas que podem ser alugadas para despistar a origem e, por vezes, o ponto final de uma transação econômica) têm recursos e disponibilidade finitos. Portanto, os usuários devem esperar para acioná-lo.
Por volta das 12h de 7 de março, Braga anunciou no grupo: “VOU ENCERRAR AS VENDAS MAIS CEDO HOJE!”. Em seguida, liberou a tabela de preços, prometendo que vem com “Nome completo, CPF, Data de Nascimento…” e que dá uma garantia caso o cartão não funcione. Antes que algum comprador desatento o chamasse, ele avisou: se não souber usar, melhor nem comprar.
As negociações ocorrem no privado, mas ele mostra, por meio de prints que não mostram o rosto de seus clientes, o sucesso das vendas e como funcionam as coisas. Numa conversa recente, um cliente, por volta das 22h, pede para comprar uma conta com saldo, para o que recebe, na manhã seguinte, uma resposta explicando que “já tinha encerrado as vendas”.
Em outros grupos, como o “Cartão de crédito CLONADOS E PIX ON”, que conta com 14 mil membros, o usuário identificado como Johnny Bravo Consultáveis, que se apresenta como gerente do grupo, republica diariamente o mesmo aviso: o grupo é voltado à venda de cartões e notas falsas, e a única pessoa autorizada a fazer isso é ele.
“Não negociem com esses parasitas que chamam no privado. Quem chama no privado tá desesperado para dar golpe. Não negociem com terceiros”, anuncia.
O vendedor ouvido por Tilt conta que, na mesma proporção que o comércio corre solto, há aqueles que fazem ofertas falsas para extorquir os possíveis clientes.
“São os famosos lotters: enganam os clientes afirmando fazer a entrega do material, e na hora eles somem”, explica.
Como combater a prática?
Para o delegado Thiago Chinellato, da Divisão de Crimes Cibernéticos na Polícia Civil de São Paulo, as fraudes online aumentaram assim que o covid-19 fez diversos serviços migrarem para a internet.
São diversos os crimes cibernéticos, mas com certeza, após o advento da pandemia e a migração ou aumento dos serviços e atividades na internet, observamos um aumento das fraudes nesse cenário Thiago Chinellato, da Divisão de Crimes Cibernéticos na Polícia Civil de São Paulo
Na avaliação da advogada Adriana Cansian, especializada em segurança digital, explica que os setores público e privado ampliaram os investimentos em tecnologia e aparato legal nos últimos anos para proteger cidadãos de golpes e vazamentos de dados, como os que são comercializados no Telegram e e Twitter.
Consultada pela reportagem, a Abesc (Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços) afirma que o Brasil avançou na segurança e diminuiu física, mas que o mundo digital representa um desafio.
Mais de 98% das compras presenciais feitas com cartões no Brasil são por meio de cartões com chip, e toda a base de terminais de captura (POS) está preparada para receber esse tipo de transação. Em consequência desse investimento, o setor eliminou a clonagem de cartões no ambiente físico, uma vez que as informações do chip não podem ser copiadas Abecs
Eduardo Pires, gerente geral da Incognia no Brasil e especialista em prevenção à fraude e segurança digital, explica que os criminosos brasileiros se diferenciam dos de outros lugares por serem mais inventivos e especializados. “O país se destaca como um dos campeões mundiais quando o assunto é criatividade e mesmo conhecimento técnico para aplicar técnicas de engenharia social.”
Para driblar os golpistas, algumas empresas apelam à tecnologia. Empresas como Banco BMG, Serasa Experian, iFood e Rappi recorrem a uma ferramenta que usa geolocalização para validar compras. Ela cruza o padrão de comportamento do usuário com a localização em que a transação está sendo feita. A partir daí, indica a possibilidade de o cliente estar sendo vítima de um golpe. Isso ajuda a evitar roubos de contas.
Já na esfera pública, Adriana Cansian explica que o desafio para combater esse tipo de fraude é implementar os aparatos legais criados para resguardar a privacidade dos usuários e punir quem vaza dados ou os utiliza sem o consentimento deles. Ela cita a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais) e a criação da ANPD (Autoridade Nacional de Proteção de Dados) como estruturas positivas, mas que ainda não surtiram o efeito esperado.