O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) confirmou o cenário de subida e empatou tecnicamente no 2º turno com o presidente Lula (PT) na pesquisa Datafolha divulgada neste sábado (7). Segundo o levantamento, o petista tem 46% das intenções de voto, contra 43% do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Eles empatam na margem de erro, que é de dois pontos para mais ou para menos.
O levantamento é o primeiro divulgado pelo instituto após Flávio confirmar que é pré-candidato à Presidência com o apoio de seu pai, Jair Bolsonaro (PL), que está preso na Polícia Federal em Brasília após ser condenado por tentativa de golpe de Estado.
A pesquisa identifica que Flávio Bolsonaro se firmou como principal opositor de Lula. Quando o eleitor é perguntado em quem pretende votar, sem ser apresentado a nomes, o senador fluminense surge com 12% das intenções de voto – ele não era mencionado no levantamento anterior, de dezembro.
O congressista vem se consolidando e já estava empatado com Lula em cenários de 2º turno nos últimos levantamentos da Paraná Pesquisas e da Real Time Big Data, ambas divulgadas no final de fevereiro. A Genial/Quest vai publicar uma nova pesquisa nesta semana.
O Datafolha entrevistou 2.004 eleitores em 137 municípios de 3 a 5 de março. A pesquisa está registrada na Justiça Eleitoral sob o código BR-03715/2026. A margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos.
O Datafolha ainda analisou também um cenário com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, como o candidato do PT. Ele marca 21% ante 33% de Flávio. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), também foi testado, e ficou com 21% das intenções de voto.
1º turno Na pesquisa estimulada Lula tem 36% das intenções de voto no primeiro turno e Flávio, 25%.
Entre os demais pré-candidatos e o governadores de Estado, o do Paraná, Ratinho Jr. (PSD) marca 7%, seguido pelo governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), com 5%. O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), tem 3%, mesmo patamar que o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD).
*Jovem Pan com informações do Estadão Conteúdo Foto: PR e Agência Senado
Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, de 43 anos, o “sicário” de Vorcaro, não apresenta indicação para o protocolo de morte encefálica, de acordo com o diretor do Hospital João XXIII, em Belo Horizonte (MG), para onde o réu foi levado nesta quarta-feira (4), após ter tentado tirar a própria vida na Superintendência Regional da Polícia Federal (PF), onde estava sob custódia.
Apesar do recuo com relação a informação inicialmente passada após o paciente dar entrada na unidade, o caso dele segue gravíssimo. O advogado da família confirma a informação de que ele permanece internado no CTI.
Nesta quinta (5), a PF abriu um inquérito para investigar as circunstâncias envolvendo a custódia de Luiz Philipi, preso durante a Operação Compliance Zero. A corporação afirma que ele atentou contra a própria vida enquanto estava preso.
O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, disse que toda a ação foi registrada por câmeras, sem pontos cegos. A instituição informou ainda que comunicou o caso ao ministro André Mendonça, relator do processo no Supremo Tribunal Federal (STF), e enviará os registros em vídeo.
*Pleno.News Foto: Reprodução/Print de Redes Sociais
Mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro, apreendido pela Polícia Federal (PF), indicam que o dono do Banco Master manteve contato frequente com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no dia em que foi preso pela primeira vez: 17 de novembro de 2025. As informações foram divulgadas pela colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo.
De acordo com registros obtidos a partir do aparelho do banqueiro, os dois trocaram comunicações ao longo de todo o dia por WhatsApp, quando Vorcaro tratou de temas como a negociação para a venda do banco e a situação de um inquérito sigiloso que tramitava na Justiça Federal de Brasília, que acabou resultando na prisão dele.
A conversa começou pela manhã, às 7h19, quando Vorcaro informou ao ministro que tentava antecipar uma negociação envolvendo o Banco Master, que estava em tratativas com o grupo Fictor. O executivo explicou que buscava “assinar e anunciar” ainda naquele dia uma parte do negócio, o que poderia levá-lo a “ir pra lá tentar assinatura dos demais investidores estrangeiros”, uma referência a uma possível viagem.
Na mesma mensagem, ele mencionou que informações relacionadas a um caso sensível começavam a vazar, embora sem detalhes, e afirmou ter sido avisado por interlocutores de que jornalistas já buscavam informações.
Em tom de preocupação, o empresário disse que a divulgação antecipada seria negativa, mas poderia servir como “gancho para entrar no circuito do processo”, informação que, segundo Malu Gaspar, parecia ser uma referência ao inquérito sigiloso contra ele na 10ª Vara Federal de Brasília.
– De um lado, acho que o tema de que falamos começou a dar uma vazada, obviamente sem qualquer detalhe. Mas a turma do BRB me disse que tá tendo um movimento de sacanagem do caso. E que a mesma jornalista de antes estava fazendo perguntas lá – disse Vorcaro.
Segundo os dados extraídos do celular, Moraes respondeu cerca de uma hora depois, às 8h16, utilizando o mesmo método de comunicação adotado por Vorcaro: mensagens escritas no bloco de notas do celular, fotografadas e enviadas como imagens de visualização única, que desaparecem após serem abertas. Por causa desse formato, apenas as mensagens produzidas pelo banqueiro permaneceram armazenadas.
Horas mais tarde, por volta das 17h22, Vorcaro voltou a procurar o ministro. Ele relatou ter feito uma “correria” para tentar salvar a operação de venda do banco, afirmando que anunciaria apenas parte da transação. Pouco depois, perguntou diretamente se havia alguma novidade e se o ministro teria conseguido “bloquear” alguma medida, sem especificar qual.
– Fiz uma correria aqui pra tentar salvar. Fiz o que deu, vou anunciar parte da transação – diz o banqueiro.
– Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear? – pergunta Vorcaro a Moraes em seguida.
Moraes respondeu a mensagem alguns minutos depois, novamente por meio de mensagens temporárias. No início da noite, às 20h04, o banqueiro voltou a pedir atualizações. O ministro respondeu com duas mensagens de visualização única, tendo o último contato sido registrado às 20h48, pouco mais de uma hora antes da prisão.
Na mensagem final, Vorcaro comentou que o anúncio do negócio com investidores havia sido antecipado em relação ao planejamento inicial e sugeriu que a divulgação poderia “inibir” algum movimento, sem esclarecer qual. Também disse que viajaria para se reunir com investidores estrangeiros, o que acabou não acontecendo, já que ele foi preso enquanto se preparava para viajar.
– Foi. Seria melhor na sexta junto com os gringos mas foi o que deu pra fazer dentro da situação – escreveu.
– Acho que pode inibir – prosseguiu Vorcaro.
– Amanhã começam as batidas do [André] Esteves [dono do BTG Pactual]. Tô indo assinar com os investidores de fora e estou online – finalizou.
De acordo com os registros, Moraes não respondeu com nova mensagem, mas reagiu com um emoji de polegar levantado. Naquela noite, por volta das 22h, Daniel Vorcaro foi abordado pela Polícia Federal no Aeroporto Internacional de Guarulhos. A prisão ocorreu em investigação sobre um esquema bilionário de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master.
As conversas recuperadas do celular também revelaram outro contato entre os dois um mês antes, em 1° de outubro de 2025, além de registros de telefonemas, embora sem conteúdo preservado. Procurado, Alexandre de Moraes afirmou em nota que não recebeu as mensagens citadas e classificou a informação como uma tentativa de atacar o STF. Já a defesa de Daniel Vorcaro disse que não comentaria.
*Pleno.News Fotos: Reprodução/YouTube Esfera Brasil // Luiz Silveira/STF
E-mails mostram corrida para concluir negócio em SP, enquanto ex-banqueiro se reunia com o Banco Central
Ilustração do Vizcaya Itaim, em São Paulo, onde empresa de Daniel Vorcaro tem imóvel | Foto: Reprodução/Vizcaya Itaim
Mensagens encontradas pela Polícia Federal (PF) na caixa de e-mails de Daniel Vorcaro revelam uma tentativa acelerada de vender uma cobertura de luxo ainda em construção em São Paulo por R$ 60 milhões no mesmo dia em que o ex-banqueiro foi preso pela primeira vez, em 17 de novembro.
As conversas ocorrem paralelamente a outros movimentos relevantes de Vorcaro naquele dia, como uma reunião com representantes do Banco Central e a divulgação da suposta compra do Banco Master pela gestora Fictor — operação que investigadores consideram uma possível cortina de fumaça para uma tentativa de fuga do empresário.
O imóvel negociado fica no empreendimento Vizcaya Itaim, na Avenida Horácio Lafer. A cobertura triplex projetada pelo arquiteto João Armentano possui 12 vagas de garagem. O complexo é incorporado, construído e administrado pela Lucio Engenharia e pela Bolsa de Imóveis.
O banqueiro Daniel Vorcaro, que está preso em Guarulhos (SP) | Foto: Divulgação/Esfera Brasil
Como o prédio ainda estava em construção, a transação exigia a intermediação dessas empresas. As informações foram divulgadas pelo jornal Folha de S.Paulo.
A troca de mensagens começa na sexta-feira anterior, 14 de novembro. Naquela tarde, Regiane Bernardes, da Victorino Imóveis, responsável pela negociação a pedido de Vorcaro, enviou um e-mail à Bolsa de Imóveis para organizar a venda.
Ela solicitou a confirmação da quitação do imóvel, a guia para pagamento do Imposto de Transmissão de Bens Imóveis (ITBI) e encaminhou o CNPJ do comprador. No mesmo e-mail, confirmou o valor da operação: “Informo que o valor da cessão é de R$ 60 milhões”.
Depoimentos de Daniel Vorcaro à PF revelam sua versão sobre imóveis nos EUA, relações políticas e a crise do Banco Master | Foto: Reprodução/Jornal Grande Bahia
Em seguida, ressaltou a urgência da negociação. “Sabemos que o prazo é curto para concluir ainda hoje, mas seguimos confiantes de que, com o alinhamento entre todos, será possível avançar da melhor forma.”
A mensagem foi respondida ainda naquela tarde por Bruno Bianco, que foi advogado-geral da União no governo Jair Bolsonaro e atuava na negociação para representar o comprador, cujo nome não aparece nas conversas.
“Estamos bem avançados na negociação, mas impedidos de seguir pela ausência do termo de quitação”, escreveu. “Peço a gentileza de nos encaminharem o quanto antes.”
Cobertura pertence a uma das principais empresas de Vorcaro
De acordo com os e-mails, o imóvel pertence à Viking, uma das principais empresas de Vorcaro. A companhia ficou conhecida por ser proprietária de três aeronaves utilizadas pelo banqueiro, incluindo o jato que ele pretendia usar para viajar ao exterior naquele 17 de novembro.
Vorcaro havia vendido 55% do controle da Viking para um fundo administrado pela Reag em 17 de setembro — dois meses antes da liquidação do banco. Na mesma operação, ele renunciou ao cargo de administrador e transferiu a função para um ex-despachante de Nova Lima (MG), movimento interpretado como uma tentativa de se distanciar formalmente de seu patrimônio.
Apesar disso, as mensagens agora reveladas mostram que Vorcaro ainda mantinha ligação direta com a empresa em novembro. Ele foi incluído na cópia das trocas de e-mails, e a corretora afirmou ter sido designada por ele para conduzir a negociação.
A Polícia Federal solicitou a transferência de Daniel Vorcaro e de outros investigados para o sistema prisional estadual de SP | Foto: Reprodução/TV Vanguarda
Na manhã de segunda-feira, 17 de novembro, antes das 8h, a representante voltou a cobrar agilidade da Bolsa de Imóveis. “Como houve mudança na administração da Viking e precisamos avançar imediatamente, peço com urgência o link digital para que o novo administrador realize a assinatura do compromisso de venda e compra quitado ainda esta manhã”, escreveu.
Uma advogada da incorporadora respondeu com pedido de paciência e explicou que a Lucio Engenharia, parceira no empreendimento, precisava aprovar todos os documentos. A corretora insistiu novamente: “Estamos aguardando o envio e sabemos que o tempo está bem curto e a operação deve ser concluída ainda hoje.”
Bruno Bianco reforçou a cobrança. “Gostaria de reiterar a urgência do termo de quitação. Isso é premissa para a negociação”, afirmou.
Daniel Vorcaro e sua namorada, Martha Graeff | Foto: Reprodução/Instagram/Martha Graeff
Procurado pela Folha, o ex-advogado-geral da União disse que atuou apenas como advogado de um interessado no imóvel, tendo acesso apenas a informações fornecidas pelas partes ou de natureza pública. Ele afirmou ainda que não tinha conhecimento prévio sobre eventual ação do Banco Central, prisão ou bloqueio de bens.
“Nem Bruno Bianco, nem qualquer outro advogado do país com responsabilidade e ética profissional conduziria ou recomendaria a aquisição de um apartamento cujo domínio estivesse sujeito a indisponibilidade previamente conhecida”, declarou.
A Bolsa de Imóveis informou que não pode comentar transações das quais participa sem autorização expressa das partes ou determinação judicial. Regiane Bernardes foi procurada pelo jornal, mas não respondeu.
Na hora do almoço de 17 de novembro, a corretora voltou a pressionar pelo envio do documento e lembrou que Vorcaro a havia incumbido da negociação.
Às 16h35, o dono do Master confirmou por e-mail que ela tinha acesso completo e autonomia para agir em seu nome. Um minuto antes, porém, a Justiça Federal já havia expedido o mandado de prisão contra ele, segundo informações apresentadas pela defesa em um pedido de habeas corpus.
Mais cedo naquele dia, Vorcaro havia se reunido com diretores do Banco Central e, segundo seus advogados, informou que viajaria aos Emirados Árabes Unidos para assinar o contrato de venda do Banco Master à Fictor e a investidores internacionais. A notícia da negociação foi divulgada à imprensa por volta das 17h.
Executivo da financeira Fictor durante apresentação a investidores | Foto: Divulgação/Fictor
Enquanto isso, a corretora seguia tentando acelerar a venda da cobertura. “Estamos o dia todo no aguardo dos documentos”, escreveu Regina. Quando finalmente recebeu a comprovação de quitação, pediu com urgência o link para assinatura digital do compromisso de compra e venda — que acabou não sendo enviado.
Segundo pessoas próximas à negociação, a venda não foi concluída. Vorcaro foi preso naquela mesma noite, e o Banco Master acabou liquidado pelo Banco Central na manhã seguinte.
O ministro invalidou a aprovação em bloco de 87 requerimentos da Comissão, repetindo o que já havia feito na quarta-feira 4, ao suspender a quebra de sigilo bancário e fiscal da lobista Roberta Luchsinger
Flávio Dino, em sessão no STF – 11/02/2026 | Foto: Victor Piemonte/STF
A decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), de anular a votação dos requerimentos da CPMI do INSS, marca um contraste em relação a posicionamentos anteriores do próprio tribunal sobre práticas do Congresso.
Na quinta-feira 5, ao revogar a quebra de sigilo de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula, Dino invalidou a aprovação em bloco de 87 requerimentos. Ele repetiu o que já havia feito na quarta-feira 4, ao suspender a quebra de sigilo bancário e fiscal da lobista Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha. A medida também abrangeu outros 86 pedidos aprovados durante a mesma sessão.
Contraste com decisões anteriores do STF
O precedente do STF, porém, vai em direção oposta: em 2021, o ministro Dias Toffoli manteve o método de votação em bloco na CPI da Pandemia, ao negar solicitação semelhante feita pela empresa VTCLog contra a quebra de seus sigilos bancário e fiscal.
No dia 24 de agosto de 2023, a CPI do 8 de Janeiro aprovou, por votação simbólica, 57 requerimentos em bloco, incluindo 45 quebras de sigilo, como a da ex-deputada Carla Zambelli (PL-SP), atualmente presa em Roma.
O Rogério Corrêa (PT-MG) — que agora se insurge contra a aprovação da quebra de sigilo em bloco e chegou a partir para a violência durante a votação — apoiou a prática naquele momento, quando era sobre o 8 de janeiro.
O clima de tensão marcou a votação recente na CPMI do INSS. Depois da aprovação dos requerimentos, Rogério Corrêa chegou a agredir fisicamente o deputado Luiz Lima (Novo-RJ) no plenário.
Histórico das votações em bloco no Congresso
A votação em bloco já havia ocorrido em outras comissões, como na CPI da Pandemia, em 19 de agosto de 2021, quando 187 requerimentos foram aprovados em uma única sessão, incluindo 123 pedidos de quebra de sigilo. Naquele momento, a sugestão partiu do relator Renan Calheiros (MDB-AL) e foi aceita pelo presidente Omar Aziz (PSD-AM).
“Eu sugiro, para maior celeridade, tendo em vista termos um depoimento importante logo em seguida, que apreciemos os requerimentos em globo”, sugeriu Renan Calheiros na época, conforme as notas da comissão transcritas agora pelo Metrópoles. Em outra reunião, em 3 de agosto de 2021, 128 novos requerimentos foram aprovados de uma só vez, sendo 64 solicitações de quebra de sigilo.
Entre os pedidos de quebra de sigilo estava o da VTCLog, empresa prestadora de serviços ao Ministério da Saúde. A empresa recorreu ao STF, mas o ministro Dias Toffoli, em 25 de agosto de 2021, manteve a decisão da CPI, restringindo o acesso aos dados aos integrantes do colegiado e delimitando o período investigado.
Na fundamentação, Toffoli declarou: “O requerimento (…), é documento público, previamente distribuído aos parlamentares e disponibilizado para acesso geral (…), e, durante a sessão de votação, não se levantou qualquer objeção à sua aprovação, já que a medida, devidamente motivada, mostrou-se essencial aos trabalhos da comissão”.
Mensagens encontradas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro indicaram críticas feitas por ele ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) após uma publicação do líder conservador nas redes sociais sobre o Banco Master. O conteúdo foi obtido a partir das investigações contra Vorcaro e divulgado por diversos veículos de imprensa.
Em uma conversa com sua namorada, Martha Graeff, Vorcaro reclamou da repercussão provocada por uma postagem de Bolsonaro relacionada a uma reportagem sobre operações financeiras do banco. No diálogo, o empresário afirmou ter recebido mais de mil mensagens no Instagram depois da publicação e chamou o ex-presidente de “beócio”, termo usado para se referir a alguém considerado ignorante.
– O pior de ontem foi ter o Bolsonaro postado – escreveu o banqueiro.
– Postou aonde? – perguntou Martha.
– No Twitter dele. Idiota – respondeu Vorcaro.
A postagem mencionada por Vorcaro, feita por Bolsonaro, fazia referência a uma reportagem do jornal O Globo que relatava a demissão de gerentes da Caixa Econômica Federal após eles barrarem uma operação de aproximadamente R$ 500 milhões envolvendo compra de títulos ligados ao Banco Master. Segundo a matéria, a transação foi classificada internamente como atípica e arriscada.
– Os senhores não leram errado. Impediram de acontecer e foram demitidos. Não é mais questão de todo dia, mas sim a cada hora. Por isso o sistema está agindo com tanto afinco em suas ações – escreveu o ex-presidente na postagem, feita em 12 de julho de 2024.
Nas mensagens trocadas com Martha, Vorcaro comenta que, após a repercussão, recebeu ligações de aliados políticos, entre eles o senador Ciro Nogueira (PP-PI). Ele também afirmou que não havia como retirar a reportagem do ar e sugeriu que Bolsonaro teria feito a postagem por acreditar que o assunto envolvia interesses do PT. Em resposta, Martha comentou que o Twitter seria um ambiente sem controle.
– Mas não tinha como tirar. Cara é um beócio. Alguém falou que era coisa [do] PT [e] ele postou – declarou Vorcaro.
– Ah, entendi. Twitter é terra de ninguém – respondeu Martha.
Outros trechos de conversas com Martha também mencionaram Bolsonaro. Em uma troca de mensagens de agosto de 2024, Vorcaro relata que seu cunhado, Fabiano Zettel, decidiu fechar os comentários do próprio perfil no Instagram por causa de discussões relacionadas ao ex-presidente.
*Pleno.News Fotos: Reprodução/YouTube Esfera Brasil e EFE/Andre Borges
Investigadores da Polícia Federal (PF) avaliam que a nova fase da Operação Compliance Zero, que mira o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, tem um ponto central que ainda não veio totalmente à tona: a possível participação de integrantes do alto escalão da República no esquema investigado.
A menção aparece na própria decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso. No documento, ele cita indícios de que a organização criminosa investigada teria conseguido captar servidores públicos “dos mais altos escalões da República”. Apesar da referência, até agora os nomes que surgiram publicamente estão ligados a cargos de segundo ou terceiro nível.
Esse detalhe é considerado relevante por investigadores. A presença de autoridades com foro privilegiado poderia explicar a razão pela qual o inquérito continua tramitando no STF. Até o momento, Mendonça não indicou a possibilidade de enviar o caso para a primeira instância nem de desmembrar a investigação, o que reforça a suspeita de que nomes de maior peso político ou institucional ainda possam aparecer.
Além desse ponto, a operação tem dois focos principais. Um deles é revelar como funcionava a estrutura montada por Vorcaro para monitorar adversários e acessar informações sensíveis e o segundo trata da suspeita de corrupção envolvendo servidores do Banco Central.
Nos bastidores, outro tema que ganhou força é a possibilidade de delação premiada. Ao assumir a relatoria do caso, Mendonça tem atendido aos pedidos apresentados pela Polícia Federal, diferentemente de momentos anteriores do processo, quando havia embates com o então relator, ministro Dias Toffoli.
Uma das decisões recentes foi determinar que Daniel Vorcaro seja transferido para o sistema prisional estadual, em vez de permanecer em uma carceragem da Polícia Federal. Para investigadores, a medida pode aumentar a pressão sobre o empresário e abrir espaço para negociações de colaboração com a Justiça.
Caso isso aconteça, a expectativa é que uma eventual delação traga informações justamente sobre quem estaria acima na hierarquia do esquema, o que poderia revelar, de fato, quais integrantes do chamado alto escalão da República teriam ligação com o caso.
A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) defendeu, em audiência pública realizada nesta terça-feira (3) na Câmara dos Deputados, a criação de regras mais rígidas contra passageiros indisciplinados, incluindo a possibilidade de impedir que eles embarquem em qualquer companhia aérea que opere voos domésticos.
O diretor-presidente da Anac, Tiago Faierstein, explicou que a proposta tem como foco situações em que o comportamento do passageiro coloque em risco a segurança do voo, da tripulação ou de outros viajantes.
De acordo com a agência, em casos considerados leves, a companhia aérea poderá aplicar advertência verbal. Se o passageiro não obedecer às orientações, medidas mais severas poderão ser adotadas, como a retirada da aeronave com apoio policial.
Já nas ocorrências classificadas como graves ou gravíssimas, a primeira providência seria o encerramento do contrato de transporte, desobrigando a empresa de concluir o trajeto do passageiro. Além disso, a Anac poderá aplicar multa de até R$ 17.500.
Nos casos mais extremos, a proposta prevê ainda a inclusão do nome do infrator em uma “no fly list”, cadastro que impediria a compra de passagens em outras companhias aéreas no território nacional. A restrição, se aprovada, valerá apenas para voos domésticos, já que atualmente a agência não tem competência para barrar embarques internacionais.
A regulamentação está fundamentada na Lei 14.368/2022, que autoriza a restrição na venda de passagens quando houver risco à segurança aérea.
Crescimento das ocorrências
Segundo Faierstein, os episódios de indisciplina aumentaram 70% nos últimos dois anos, chegando a uma média de quase seis registros por dia. Ele afirmou que é necessário agir antes que ocorram consequências mais graves.
Entre as situações relatadas estão agressões a tripulantes, danos a equipamentos aeroportuários, importunação sexual e até ameaças de bomba.
Dados da Associação Brasileira de Empresas Aéreas indicam que, em 2025, foram contabilizados 1.764 casos de passageiros indisciplinados. Desse total, 288 envolveram risco direto à segurança, incluindo agressões físicas.
Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o “Sicário” de Vorcaro, morreu nesta quarta-feira (4). Ele estava internado no Hospital João XXIII, em Minas Gerais, para onde foi levado depois de ser preso em uma investigação que apura um esquema bilionário de fraudes financeiras relacionadas ao Banco Master. Segundo a Polícia Federal, ele se suicidou na prisão e a morte encefálica foi constatada no hospital. Uma investigação interna será aberta pela Polícia Federal para apurar o caso e vídeos que mostram a dinâmica do que aconteceu serão entregues ao gabinete do ministro André Mendonça, relator do processo no Supremo Tribunal Federal (STF). A PF disse que policiais iniciaram procedimento de reanimação e acionaram o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que encaminhou “Sicário” para o hospital.
(Alerta: esta reportagem trata de temas como suicídio e saúde mental. Se você está passando por problemas, veja ao fim do texto onde buscar ajuda.)
As investigações apontam que Sicário tinha papel central na organização criminosa e executava ordens de monitoramento de alvos, extração ilegal de dados em sistemas sigilosos e ações de intimidação física e moral. Também foi preso na Operação Compliance Zero Daniel Vorcaro, banqueiro apontado como chefe da organização criminosa estruturada em diferentes núcleos. Conversas obtidas pela Polícia Federal mostram o banqueiro Vorcaro mandando Mourão levantar dados de uma empregada, intimidar funcionários e planejar agressão ao jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo.
Nesta quarta-feira (4), a Polícia Federal (PF) informou que Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão tentou se matar enquanto estava preso na Superintendência Regional de Minas Gerais (MG). Conhecido como “Sicário”, ele é apontado pela corporação como um dos responsáveis por articular medidas contra desafetos do banqueiro Daniel Vorcaro, preso em operação da PF após decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
“Sicário” foi preso na mesma operação e estava sob custódia de agentes quando tentou tirar a própria vida. Em nota, a PF informou que “ao tomarem conhecimento da situação, policiais federais que estavam no local prestaram socorro imediato, iniciando procedimentos de reanimação e acionando o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU)”.
– A equipe médica deu continuidade ao atendimento no local, e o custodiado será encaminhado a rede hospitalar para avaliação e para atendimento médico – disse a corporação em nota.
Uma investigação interna sobre o episódio deve ser aberta e os resultados devem ser entregues a Mendonça.
Veja a íntegra da nota da PF:
A Polícia Federal lamenta informar que Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, um dos presos na Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quarta-feira (4/3), atentou contra a própria vida, enquanto se encontrava sob custódia da instituição na Superintendência Regional da Polícia Federal em Minas Gerais.
Ao tomarem conhecimento da situação, policiais federais que estavam no local prestaram socorro imediato, iniciando procedimentos de reanimação e acionando o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU). A equipe médica deu continuidade ao atendimento no local, e o custodiado será encaminhado a rede hospitalar para avaliação e para atendimento médico.
A Polícia Federal comunicou o ocorrido ao gabinete do ministro relator no Supremo Tribunal Federal e entregará todos os registros em vídeo que demonstram a dinâmica do ocorrido.
Será aberto procedimento apuratório para esclarecer as circunstâncias do fato.
*Pleno.News Foto: Reprodução/Print de Redes Sociais