A nova pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (13) aponta um cenário de equilíbrio em um eventual segundo turno da disputa presidencial entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). Segundo o levantamento, Lula aparece com 42% das intenções de voto, enquanto Flávio registra 41%, configurando empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.
O estudo mostra ainda que Lula mantém vantagem mais consolidada no Nordeste, entre mulheres, católicos, eleitores acima de 60 anos e beneficiários do Bolsa Família. Já Flávio Bolsonaro apresenta desempenho superior entre homens, evangélicos e moradores das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste/Norte. No recorte regional do cenário entre Lula e Flávio Bolsonaro, o petista lidera amplamente no Nordeste, onde alcança 61% contra 28% do senador.
Em contrapartida, Flávio aparece à frente no Sul, com 49% diante de 30% de Lula, além de vantagem no Centro-Oeste/Norte, por 50% a 36%. No Sudeste, os dois aparecem tecnicamente empatados. A pesquisa também indica melhora na avaliação do governo federal. De acordo com o levantamento, 46% dos entrevistados aprovam a gestão Lula, enquanto 49% desaprovam. No levantamento anterior, realizado em abril, os índices eram de 43% de aprovação e 52% de desaprovação.
O levantamento ouviu 2.004 brasileiros com 16 anos ou mais entre os dias 8 e 11 de maio de 2026, em entrevistas presenciais realizadas em 120 municípios do país. A margem de erro é de dois pontos percentuais e o nível de confiança é de 95%.
Questões relacionadas à saúde física e emocional dos motoristas, incluindo ausência de reação, sono, falta de atenção, transtornos mentais, mal súbito e uso de substâncias, além de consequências de doenças oculares e problemas motores e neurológicos, responderam por quase um terço dos sinistros de trânsito registrados em rodovias brasileiras entre 2014 e 2024. Os dados são da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet).
Com base em dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF), a entidade analisou 1.206.491 sinistros decorrentes de problemas de saúde ocorridos durante o período. O número representa 27,8% de um montante de 4.339.762 ocorrências registradas entre 2014 e 2024.
Os dados apontam que 49% dos sinistros, ou 2.144.175, estão relacionados ao comportamento dos condutores ao volante, incluindo situações de ultrapassagem em local proibido e excesso de velocidade, classificadas pela PRF como fator humano.
“Esses dois fatores – humano e saúde – estão relacionados a aproximadamente 80% de todas as ocorrências viárias em rodovias federais no período analisado. Esse cálculo só foi possível graças à metodologia adotada pela PRF, que registra o conjunto de informações que permite entender o contexto e as circunstâncias que levaram a cada sinistro”, destacou a Abramet.
O levantamento mostra que problemas relacionados às rodovias, como geometria inadequada da pista, defeitos no pavimento ou ausência de sinalização representam 8% dos sinistros.
Em seguida, com quase 7% das ocorrências, estão sinistros ligados à conservação do veículo (falha de freio, pneus carecas, problemas na suspensão e nos faróis).
Por último, aspectos ambientais, incluindo chuvas intensas, neblina e animais na pista, aparecem como responsáveis por 4% das ocorrências.
Distribuição geográfica
Ao analisar especificamente problemas de saúde física e mental causadores de sinistros, percebe-se que o fator tem peso diferente entre os estados brasileiros.
Em alguns estados, estas ocorrências superam, em termos proporcionais, os 30% do volume acumulado no período. Exemplo disso são áreas com grande fluxo de transporte de cargas e viagens de longa distância, regiões que aparecem com situações de fadiga, distúrbios do sono, uso de álcool e outras substâncias psicoativas nos relatos da PRF.
A média nacional de sinistros causados por questões de saúde, segundo a Abramet, é 28%. Dez estados, entretanto, aparecem acima dessa linha – em Roraima, por exemplo, fatores relacionados à saúde são responsáveis por 35,1% das ocorrências. O percentual também é mais representativo no Mato Grosso do Sul (32,1%), no Pará (30,3%), no Rio Grande do Sul (30,1%) e no Piauí (30%).
Outros 15 estados ficaram abaixo da média nacional, enquanto o Acre mantém exatamente a média do país.
Em números absolutos, as rodovias federais de Minas Gerais registraram a maior quantidade de sinistros decorrentes de problemas de saúde (154.648).
Também se destacam nesse ranking, em ordem decrescente, Paraná, com 134.358 casos; Santa Catarina, com 120.665; Rio Grande do Sul, com 95.059; e São Paulo, com 84.250 registros. Dentre os estados, com menor número de ocorrências, estão Acre (4.219 casos), Amazonas (2.896) e Amapá (2.681).
Nesta segunda-feira (11), a primeira-dama Rosângela da Silva, conhecida como Janja, criticou apoiadores da direita que publicaram vídeos ingerindo detergentes da marca Ypê após a suspensão de produtos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
– Até quando a gente vai ver gente bebendo detergente contaminado? É muita ignorância! – afirmou.
A primeira-dama se refere aos vídeos que começaram a circular depois que a Anvisa determinou o recolhimento de lotes de lava-louças, sabão líquido para roupas e desinfetantes dos lotes com final 1. Alguns apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro passaram a gravar conteúdos consumindo os produtos para questionar a medida.
A fala aconteceu durante cerimônia no Palácio do Planalto para a sanção da lei que criou o Dia Nacional em Memória das Vítimas da Covid-19. Emocionada, Janja contou que sua mãe faleceu durante a pandemia e pediu que todos os culpados pelas mortes sejam punidos.
– Para mim, é sempre muito dolorido falar sobre a covid, aquele momento que eu perdi minha mãe. Ela tinha Alzheimer e eu tinha me preparado psicologicamente para perder ela pro Alzheimer. Eu sabia o que ia acontecer, mas ela ter sido arrancada de mim pela covid e ver aquelas 700 mil pessoas que foram arrancadas da gente pela irresponsabilidade, do desincentivo ao uso de máscara, por negar as vacinas, por tudo que aconteceu – declarou.
E continuou:
– Ainda falta um pedacinho dessa ponta que é a justiça. Ver pessoas que ajudaram esse quadro estarem andando livremente pelo país, inclusive eleitos, me causa muita revolta. E deveria causar muito mais indignação na sociedade brasileira.
O programa Desenrola 2.0, lançado pelo governo federal para renegociação de dívidas bancárias, está perto de atingir R$ 1 bilhão em débitos renegociados, disse nesta segunda-feira (11) o ministro da Fazenda, Dario Durigan.
De acordo com o ministro, cerca de 200 mil pedidos de renegociação foram enviados aos bancos participantes do programa. Desse total, aproximadamente 100 mil operações estão praticamente concluídas.
O programa é voltado para pessoas com renda mensal de até cinco salários mínimos, o equivalente hoje a R$ 8.105.
Durigan informou que o governo também prepara a ampliação do programa para estudantes inadimplentes do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). Segundo o ministro, a modalidade deve estar “totalmente operativa” ainda nesta semana.
Prêmio a adimplentes
O ministro também afirmou que o governo prepara uma versão do programa voltada para consumidores que mantiveram suas contas em dia.
Segundo Durigan, a ideia é criar uma espécie de estímulo ou “prêmio” para os adimplentes, mas a medida será anunciada em um segundo momento.
De acordo com ele, neste primeiro momento o foco está nos consumidores inadimplentes, que enfrentam maiores dificuldades financeiras.
Como funciona
O Desenrola 2.0 permite que consumidores renegociem dívidas atrasadas com bancos em condições mais favoráveis.
Podem entrar no programa dívidas:
Contratadas até 31 de janeiro de 2026;
Atrasadas entre 90 dias e dois anos;
Ligadas a cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal.
A proposta do governo é que os bancos concedam um novo empréstimo para quitar a dívida antiga, com desconto e juros menores.
Condições oferecidas
As renegociações podem incluir:
Descontos entre 30% e 90%
Juros máximos de 1,99% ao mês
Prazo de até 48 meses para pagamento
Primeira parcela em até 35 dias
Limite de R$ 15 mil renegociados por pessoa em cada banco
Desconto varia conforme o tipo da dívida e o tempo de atraso
Uso do FGTS
O programa também permite que trabalhadores utilizem parte do saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para pagar dívidas.
Será possível usar até 20% do saldo do FGTS ou até R$ 1 mil, prevalecendo o maior valor.
A medida busca reduzir o endividamento das famílias e evitar que consumidores recorram a linhas de crédito mais caras.
Quatro frentes
O Novo Desenrola Brasil foi dividido em quatro modalidades:
O governo pretende realizar uma mobilização nacional de 90 dias para estimular renegociações e reduzir a inadimplência no país.
Fies liberado
Em relação ao Fies, as condições variam conforme o perfil do estudante e o tempo de atraso da dívida.
Para débitos vencidos há mais de 360 dias:
estudantes fora do CadÚnico poderão ter desconto de até 77%;
estudantes inscritos no CadÚnico poderão obter abatimento de até 99% da dívida.
Em alguns casos, haverá possibilidade de parcelamento em até 150 vezes.
O governo estima beneficiar mais de 1 milhão de estudantes com a renegociação.
Cenário econômico
O lançamento do programa ocorre em meio ao elevado endividamento das famílias brasileiras.
Dados do Banco Central mostram que boa parte da renda dos consumidores segue comprometida com dívidas, especialmente em modalidades com juros altos, como cartão de crédito e cheque especial.
Segundo o Ministério da Fazenda, a expectativa é renegociar até R$ 42 bilhões em dívidas ao longo do programa.
Empresa disponibilizou novos telefones e criou canal digital para orientar consumidores sobre lotes afetados
Detergentes Ypê com o lote finalizado em 1 devem ser recolhidos (Foto: reprodução/ Revista Forum)
A Ypê informou neste sábado (9) que ampliou os canais de atendimento do Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) após clientes relatarem dificuldades para entrar em contato com a empresa. A medida acontece em meio à crise envolvendo produtos suspensos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária.
Segundo comunicado divulgado nas redes sociais, a empresa passou a oferecer três números para atendimento telefônico: 0800 002 6071, com funcionamento 24 horas; 0800 278 0024, disponível diariamente das 9h às 18h; e 0800 130 0544, de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h.
Além disso, a marca criou um novo canal digital para orientar consumidores sobre os procedimentos relacionados aos produtos afetados. O serviço pode ser acessado pelo site Ypê.
Na noite de sexta-feira (8), a Anvisa manteve a recomendação para que consumidores não utilizem produtos dos lotes suspeitos de contaminação pela bactéria Pseudomonas aeruginosa, mesmo após a suspensão temporária da decisão que proibia a venda dos itens.
A medida da agência determinou o recolhimento de detergentes lava-louças, sabões líquidos para roupas e desinfetantes fabricados pela empresa, todos de lotes com numeração final 1. A decisão foi tomada após inspeções apontarem falhas nos sistemas de controle de qualidade e risco de contaminação microbiológica.
Representação demonstra uso de conta da paróquia para quitar taxas de processo
O padre Júlio Lancellotti, durante um evento | Foto: José Cruz/Agência Brasil
O vereador Thomaz Henrique (PL), de São José dos Campos (SP), apresentou na última quinta-feira, 7, uma representação canônica à Arquidiocese de São Paulo contra o padre Júlio Lancellotti. No documento, o parlamentar acusa o sacerdote de utilizar recursos da Paróquia São Miguel Arcanjo, na Mooca, zona leste da capital paulista, para pagar despesas de um processo judicial movido em nome próprio.
Segundo a denúncia, duas guias do Documento de Arrecadação de Receitas Estaduais (DARE) teriam sido pagas com dinheiro da conta bancária da paróquia. Uma delas, no valor de R$ 450, foi quitada em fevereiro de 2025. A outra, de R$ 1.200, foi paga em novembro do mesmo ano.
Os pagamentos estão relacionados a uma ação judicial movida por Lancellotti contra a vereadora Janaina Ballaris (União Brasil), de Praia Grande. O padre entrou com pedido de indenização de R$ 30 mil por danos morais, sob a alegação de calúnia e difamação depois de declarações da parlamentar em entrevista. O Tribunal de Justiça de São Paulo negou o pedido de indenização.
De acordo com a representação, a primeira guia foi emitida em fevereiro de 2025, em nome de Lancellotti, com CPF do sacerdote e referência ao processo judicial. O documento ressalta que o pagamento teria sido feito por meio de conta corrente da paróquia.
A segunda guia, referente ao preparo de recurso de apelação, foi emitida em novembro daquele ano e também estaria vinculada ao mesmo processo. Conforme os documentos anexados, o valor de R$ 1,2 mil foi igualmente pago a partir da conta da paróquia. Os comprovantes anexados à representação mostram que ambos os DAREs estavam em nome de Lancellotti e faziam referência direta ao processo judicial movido contra Janaina Ballaris.
A representação também anexou documentos da Receita Federal que comprovam que o CNPJ utilizado nos pagamentos pertence à filial da Mitra Arquidiocesana de São Paulo correspondente à Paróquia São Miguel Arcanjo.
Além disso, o vereador incluiu imagens e capturas de tela do site da paróquia e do perfil de Lancellotti no Instagram, nos quais aparecem dados bancários da igreja para recebimento de doações. O site informa que a chave Pix para doações corresponde ao mesmo CNPJ citado na denúncia.
Polêmicas envolvem a atuação de Júlio Lancellotti
Oeste revelou denúncias graves contra Lancellotti. Em janeiro de 2020, o site publicou a existência de vídeos em que o religioso se masturba durante uma ligação com um menor de idade. Laudos periciais concluíram que não há indícios de adulteração dos arquivos e identificaram o padre como o homem que aparece nas imagens.
O caso chegou a ser investigado, mas acabou arquivado pelo Ministério Público sob a justificativa de “falta de materialidade”. Perícias posteriores reafirmaram conclusões anteriores, e o material foi encaminhado à Arquidiocese de São Paulo, ao Ministério Público e a outras instâncias.
Oeste também publicou depoimentos de testemunhas que relataram abusos em contextos ligados ao trabalho do padre com dependentes químicos e população de rua. Ao menos três relatos foram apresentados à Arquidiocese de São Paulo, que mantém apuração interna sob sigilo.
No fim do ano passado, o cardeal arcebispo de São Paulo, dom Odilo Scherer, determinou que Lancellotti suspendesse transmissões de missas ao vivo e suas atividades em redes sociais. A Arquidiocese de São Paulo também ordenou uma auditoria financeira na paróquia de São Miguel Arcanjo, liderada por ele há cerca de 40 anos.
senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), defendeu nesta quinta-feira (7) a realização de uma CPI do Banco Master, com transparência e sem blindagem política aos envolvidos no caso.
Flávio defendeu a atuação do ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), e ressaltou a gravidade das denúncias.
— As denúncias do caso Master são muito graves e o ministro André Mendonça agiu corretamente ao autorizar a operação. Eu acredito que, se há qualquer suspeita, ela tem que ser investigada. Agora, o que o Brasil espera é que tudo seja apurado até o fim, sem blindagem, sem acordão, sem proteção política — disse o senador.
O parlamentar também convocou o Congresso Nacional a cumprir o seu papel e defende que sejam esclarecidos todos os envolvidos e, principalmente, os beneficiários do escândalo.
— O Congresso Nacional tem a obrigação de fazer a sua parte. É por isso que a CPI do Banco Master precisa sair do papel. O povo brasileiro merece saber toda a verdade. Como esse banco cresceu? Quem estava por trás? Quem se beneficiou? E quais são as ligações do Master com a alta cúpula do PT nacional e da Bahia? Não podemos deixar que empurrem esse assunto para debaixo do tapete. CPI do Master já — destacou.
Mais cedo, o pré-candidato à Presidência já havia defendido a apuração completa do caso, após o senador Ciro Nogueira (PP-PI) ter se tornado alvo da Operação Compliance Zero, que apura fraudes envolvendo o Master.
Agentes da Polícia Federal cumpriram mandados de busca e apreensão em endereços do parlamentar. Além das medidas de busca, a decisão judicial também autorizou o bloqueio de bens, direitos e valores que somam R$ 18,85 milhões.
Proposta do ex-banqueiro omite informações e funciona mais como peça de defesa do que como colaboração premiada
O empresário Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master| Foto: Reprodução/Instagram/Martha Graeff
Os investigadores responsáveis pelo caso que envolve o ex-banqueiro Daniel Vorcaro consideram insuficiente a proposta de delação apresentada por ele às autoridades. Integrantes da apuração avaliam que o empresário estaria “escolhendo alvos” para entregar, ao mesmo tempo em que preserva figuras consideradas centrais nas investigações.
Na lista de aliados protegidos, estaria o senador Ciro Nogueira, alvo de busca e apreensão da Polícia Federal (PF) nesta quinta-feira, 7, sob suspeita de corrupção e lavagem de dinheiro. As informações são da coluna de Malu Gaspar ao jornal O Globo.
Segundo relatos de investigadores envolvidos na análise do material, a colaboração entregue no início da semana omite informações já reunidas pela PF, incluindo suspeitas de pagamentos mensais de até R$ 500 mil ao senador em troca da defesa de interesses do banqueiro no Congresso.
Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes e outros membros do STF tomaram uísque escocês da marca Macallan, no refinado George Club, em Londres. Tudo pago por Vorcaro | Foto: Reprodução/X
Nos anexos relacionados ao senador, haveria apenas referências genéricas e consideradas favoráveis ao político. Internamente, o trecho ganhou entre investigadores o apelido de “a beatificação de Ciro”.
O material entregue por Vorcaro às autoridades foi armazenado em dois pendrives, apresentados por seus advogados no início da semana. Investigadores afirmam que os arquivos não trazem novos elementos sobre personagens considerados estratégicos na apuração nem esclarecem vínculos políticos e jurídicos mantidos pelo banqueiro.
A avaliação predominante entre delegados e procuradores é que Vorcaro ainda aposta na rede de influência construída entre políticos e autoridades para buscar alternativas à colaboração premiada. Para integrantes da investigação, o conteúdo entregue se aproxima mais de uma estratégia de defesa do que de uma tentativa efetiva de cooperação com as autoridades.
Segundo a PF, o senador do PP teria “instrumentalizado o exercício do mandato parlamentar em favor dos interesses privados” do controlador do Master.
Ciro Nogueira | Foto: Lula Marques/ Agência Brasil
Proposta de delação de Vorcaro também protege Moraes
Além de Ciro Nogueira, investigadores afirmam que a proposta também deixa de aprofundar relações do banqueiro com outras autoridades citadas nas apurações, como o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, e Jhonatan de Jesus, do Tribunal de Contas da União.
As suspeitas relativas a Moraes também aparecem nas investigações. Em mensagens obtidas pela PF, Vorcaro questionou o ministro horas antes de sua prisão, em 17 de novembro do ano passado, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, quando tentava embarcar para Dubai com escala em Malta.
“Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?”, escreveu o banqueiro ao magistrado, segundo documentos da investigação.
Viviane ao lado do marido, Alexandre de Moraes | Foto: Antonio Augusto/Secom/TSE
Outro ponto sob análise envolve contrato firmado entre o Master e a advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro do STF. O acordo previa pagamentos de R$ 3,6 milhões mensais ao longo de três anos para atuação com órgãos como Receita Federal, Banco Central (BC), Conselho Administrativo de Defesa Econômica e Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional.
Investigadores afirmam, contudo, que a proposta de colaboração não aprofunda nem apresenta novos elementos sobre essa relação.
Uma fonte próxima das negociações afirmou ao O Globo que, “sempre que alguém delata ministro do STF, as coisas desandam”, em referência a acordos anteriores, como a colaboração do ex-governador Sérgio Cabral, que mencionou pagamentos ao ministro Dias Toffoli. A delação acabou anulada pelo Supremo em 2021, com voto do próprio Toffoli.
Daniel Vorcaro durante depoimento à Polícia Federal – 28/12/2025 | Foto: Reprodução/YouTube
Antes do início das negociações, a defesa de Vorcaro sinalizou às autoridades que o banqueiro apresentaria uma colaboração “séria e completa”, sem preservar aliados. A avaliação interna da PF, porém, é que a promessa não se concretizou.
Em uma conversa interceptada pela PF com a então namorada, a influenciadora Martha Graeff, Vorcaro comparou o sistema bancário a uma organização mafiosa.
“Esse negócio de banco sempre falei que é igual máfia. Não dá pra sair. Ninguém sai. Bem não sai. Só sai mal”, escreveu o ex-banqueiro em 7 de abril de 2025, período em que tentava obter aprovação do BC para a venda do Master ao BRB — operação posteriormente barrada pela autoridade monetária.
Para os investigadores, o teor da proposta revela que o banqueiro ainda acredita na possibilidade de atravessar a crise sem romper completamente com figuras influentes do meio político e institucional.
O aumento nas exportações de soja e de petróleo fez a balança comercial registrar o superávit mais alto para meses de abril desde o início da série histórica, divulgou nesta quinta-feira (7) o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). No mês passado, as exportações superaram as importações em US$ 10,537 bilhões.
O resultado representa alta de 37,5% em relação ao mesmo mês de 2025, quando o superávit ficou em US$ 7,664 bilhões. Desde o início da série histórica, em 1989, o superávit é o terceiro maior para todos os meses, só perdendo para maio de 2023 (US$ 10,978 bilhões) e março de 2023 (US$ 10,751 bilhões).
O valor das exportações e das importações ficou o seguinte:
Exportações: US$ 34,148 bilhões, alta de 14,3% em relação a abril do ano passado;
Importações: US$ 23,611 bilhões, alta de 6,2% na mesma comparação.
Tanto no caso das exportações como das importações, os valores também são recordes para meses de abril desde o início da série histórica.
Acumulado
Nos quatro primeiros meses do ano, a balança comercial registra superávit de US$ 24,782 bilhões, valor 43,5% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. Além da recuperação das commodities (bens primários com cotação internacional), o crescimento deve-se à importação de uma plataforma de petróleo em fevereiro de 2025, operação que não se repetiu em 2026.
A composição ficou a seguinte:
Exportações: US$ 116,552 bilhões, alta de 9,2% em relação ao registrado no mesmo período do ano passado;
Importações: US$ 91,770 bilhões, alta de 2,5% na mesma comparação.
O superávit acumulado é o segundo maior da série histórica, só perdendo para o primeiro quadrimestre de 2024 (US$ 26,925 bilhões).
Setores
Na distribuição por setores da economia, as exportações em abril variaram da seguinte forma:
Agropecuária: +16,1%, com alta de 12,7% no volume e de 3,2% no preço médio;
Indústria extrativa: +17,9%, puxada pelo petróleo, com alta de apenas 0,6% no volume e crescimento de 17,2% no preço médio;
Indústria de transformação: +11,6%, com alta de 6,8% no volume e de 4,1% no preço médio.
Produtos
Os principais produtos responsáveis pela alta das exportações em abril foram os seguintes:
Agropecuária: soja (+18,8%), algodão (+43,7%); e animais vivos, exceto pescados e crustáceos (+148,4%);
Indústria extrativa: óleos brutos de petróleo (+10,6%); minério de ferro (+19,5%); e minérios de cobre (+55%);
Indústria de transformação: carne bovina fresca, refrigerada ou congelada (+29,4%); ouro não-monetário, excluindo minérios de ouro e concentrados (+75,9%); e bombas, centrífugas, compressores de ar e ventiladores (+321,5%).
Em valores absolutos, os dois itens que mais puxaram o crescimento mensal foi a soja, com alta de US$ 1,105 bilhão nas exportações em relação a abril do ano passado, motivada pela safra e pela alta nos preços. Em seguida, vem o petróleo bruto, com alta de US$ 458,98 milhões.
No caso do petróleo, o volume exportado caiu 10,6%, mas o preço médio subiu 23,7% por causa da guerra no Oriente Médio. A queda no volume está relacionada à alíquota temporária de 12% de Imposto de Exportação de petróleo, imposta em meados de março como medida para segurar a alta dos combustíveis após o início da guerra no Oriente Médio.
Apesar do crescimento das exportações agropecuárias, as vendas de café despencaram em março. No mês passado, o Brasil vendeu US$ 177,44 milhões a menos que em abril de 2025 (-14,2%). A queda deveu-se à redução de 13,4% no preço médio.
Importações
Em relação às importações, a alta está vinculada principalmente a veículos, cujas compras do exterior subiram US$ 654,33 milhões em abril na comparação com o mesmo mês de 2025.
Na divisão por categorias, os principais produtos são os seguintes:
Agropecuária: soja (+165,3%); pescados (+11,1%); e frutas não oleaginosas (+8,9%);
Indústria extrativa: óleos brutos de petróleo (+26,4%); e linhita e turfa (+147,9%);
Indústria de transformação: automóveis de passageiros (+109,9%); combustíveis (+37,3%); e válvulas e tubos termiônicos (+27,3%).
Projeções
Para este ano, o Mdic projeta superávit comercial de US$ 72,1 bilhões, alta de 5,9% em relação ao resultado positivo de US$ 68,1 bilhões em 2025.
Segundo o ministério, as exportações deverão encerrar o ano em US$ 364,2 bilhões, alta de 4,6% em relação a 2025. As importações deverão chegar a US$ 280,2 bilhões em 2026, aumento de 4,2% na comparação com o ano passado.
As projeções oficiais para a balança comercial são atualizadas trimestralmente. Segundo o Mdic, novas estimativas mais detalhadas sobre exportações, importações e saldo comercial de 2026 serão divulgadas em julho. O recorde de superávit foi registrado em 2023, quando o resultado positivo ficou em US$ 98,9 bilhões.
As estimativas do Mdic estão menos otimistas que a das instituições financeiras. Segundo o boletim Focus, pesquisa semanal do Banco Central com analistas de mercado, a balança comercial encerrará o ano com superávit de US$ 75 bilhões, projeção que subiu após o início da guerra no Oriente Médio.
O banqueiro Daniel Vorcaro admitiu, em delação premiada, que assinou um contrato milionário com o escritório de Viviane Barci de Moraes para se aproximar de seu marido, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
O contrato com Viviane previa o valor total de R$ 129 milhões por três anos de trabalho. O acordo foi interrompido em novembro de 2024, após 22 parcelas, devido à liquidação do banco. Viviane recebeu cerca de R$ 80 milhões.
Apesar da confissão sobre o interesse em uma aproximação com o magistrado, Vorcaro nega que tenha havido troca de favores. O banqueiro também disse que esse não foi o maior contrato assinado em nome do Banco Master.
Durante o período, o escritório de Viviane afirma que realizou 94 reuniões, 36 pareceres e opiniões legais, totalizando 267 horas de trabalho. O valor mensal recebido era de R$ 3,6 milhões, dez vezes maior que o pago a outros advogados do banco.