A vacinação contra a Covid-19 continua normalmente nesta segunda-feira, 15, com a aplicação da primeira dose para idosos com 77 anos ou mais e a segunda para os de 80 anos. As vacinas estão sendo aplicadas nas Unidade de Saúde da Família (USF), conforme agendamento.
Para fazer o agendamento, nas próprias USF, o idoso ou um familiar deve apresentar um documento com foto e um comprovante de endereço. Para quem vai tomar a segunda dose, além desses documentos, deve levar a caderneta de vacinação.
A campanha em Feira de Santana está seguindo o Plano Nacional de Imunização, sendo feita à medida que as vacinas são fornecidas ao município. Você pode acompanhar as fases de aplicação aqui.
Empresa quer limitar que as pessoas acessem a mesma conta em residências diferentes
Foto: Divulgação
Diferente do passado quando não se importava com o compartilhamento de senhas entre os usuários, a Netflix agora está tentando encontrar um jeito de impedir ou ao menos dificultar com que pessoas de residências diferentes do assinante consigam acessar a plataforma. A empresa começou a testar uma função em que pergunta a quem está assistindo se ele mora na mesma casa do assinante.
De acordo com o portal GammaWire, alguns usuários estavam recebendo mensagens que pediam a confirmação de um código enviado por e-mail para o assinante da conta. Sem a verificação, a pessoa fica impossibilidade de acessar o conteúdo.
A medida pode acabar não conseguindo impedir o compartilhamento de senhas, já que os códigos também podem ser compartilhados, mas devem dificultar a prática.
Após vencer o primeiro Ba-Vi da década por 1×0 no último sábado (13), no Barradão, o Vitória voltou aos trabalhos na manhã deste domingo. O técnico Rodrigo Chagas precisa montar a equipe para o próximo clássico, na quarta-feira (17), pelo Baiano.
Os titulares que enfrentaram o Bahia fizeram um trabalho regenerativo. O treinador ainda não definiu se utilizará os mesmos atletas no clássico. O Leão vem de uma maratona de jogos, com direito a viagem ao Mato Grosso do Sul para vencer o Águia Negra pela Copa do Brasil.
Como o Bahia vai utilizar o seu time de transição, comandado por Cláudio Prates, o Vitória pode revezar alguns atletas. Especialmente fazer estrear os reforços que chegaram à Toca do Leão ao longo da última semana.
São eles os laterais Raul Prata e Roberto, o zagueiro Marcelo Alves e os atacantes Walter, Wesley e Ygor Catatau. Esses dois últimos já entraram no duelo pela Copa do Nordeste com o tricolor.
Todos os contratados, além do atacante Alisson Farias, que se recupera de lesão, participaram de uma atividade com bola neste domingo sob os olhares de Rodrigo Chagas.
LUDHMILA HAJJAR Uma das cogitadas é a cardiologista e intensivista Ludhmila Hajjar, do Hospital Vila Nova Star e Hospital das Clínicas, em São Paulo. A médica é defendida por ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e por figuras políticas dos partidos DEM e PP. Seu nome surgiu na disputa já desde a saída do segundo ministro da Saúde do governo Bolsonaro, o oncologista Nelson Teich.
MARCELO QUEIROGA Presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia, Marcelo Queiroga é o preferido do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e de alguns deputados do Centrão.
LUIZ ANTÔNIO TEIXEIRA JR O médico e deputado Luiz Antônio Teixeira Jr (PP-RJ), mais conhecido como Doutor Luizinho, também está na disputa impulsionado pelo Centrão. O parlamentar é membro da Comissão de Enfrentamento da Covid-19.
CLAUDIO LOTTENBERG Claudio Lottenberg, oftalmologista do Hospital Albert Einstein também é cogitado, mas possui menos chance de vencer, devido a sua proximidade com o governador de São Paulo, João Doria.
JOSÉ ANTONIO FRANCHINI RAMIRES O cardiologista José Antonio Franchini Ramires é professor titular do Instituto do Coração (Incor) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, a Universidade de São Paulo, de onde já foi diretor. Ele confirmou à CNN Brasil que foi procurado neste domingo pela assessoria de Bolsonaro para “enviar curriculum”. respondeu.
O nome de Ramires tem sido defendido por aliados de Bolsonaro em São Paulo. Segundo eles, o médico é mais alinhado ao presidente do que Ludhmila Hajjar.
Segundo informações do jornal O Globo, a troca na pasta da Saúde se deve a problemas de saúde do ministro Eduardo Pazuello, que teria pedido para deixar o cargo a fim de se reabilitar.
Embora não haja previsão legal, relatora acatou o desejo da mulher
Foto: Marcello Casal Jr.
A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) autorizou uma mulher, que alegou abalo emocional e psicológico, a voltar a usar o nome de solteira por não terse adaptado ao nome de casada.
Embora não haja previsão legal para o procedimento, a relatora ministra Nancy Andrighi, destacou que, nesse tipo de caso, “deve sobressair, a toda evidência, o direito ao nome enquanto atributo dos direitos da personalidade”.
A relatora destacou que a mudança de nome não necessariamente prejudica a identificação da pessoa, que pode ser feita pelos números de documentos como CPF e RG, por exemplo.
À Justiça, a mulher alegou que a adoção do nome do marido lhe gerou desconforto por ter ocorrido em detrimento ao sobrenome do pai, que se encontra em vias de sumir, pois os últimos familiares que o carregam estão em grave situação de saúde. Por esse motivo, ela desejava retomar o uso do nome de solteira, para que ele não deixe de existir.
A mulher conseguiu uma primeira decisão favorável, mas que depois foi revertida em segunda instância, motivo pelo ela qual recorreu ao STJ.
Conforme o voto da relatora, o STJ reconheceu que as justificativas para a mudança de nome não eram frívolas e que o tribunal tem cada vez mais flexibilizado as regras que disciplinam as trocas de nome, de modo a amoldá-las a uma nova realidade social.
A ministra Nancy Andrighi reconheceu que ainda é comum as mulheres abdicarem de parte significativa de seus direitos de personalidade para incorporar o sobrenome do marido, devido a motivos diversos, entre os quais a histórica dominação patriarcal e o desejo de usufruir do prestígio social do nome. A evolução da sociedade, contudo, tem reduzido a fenômeno, acrescentou ela.
A adoção do nome do marido ao se casar é facultativa no Brasil desde os anos 1960. A partir do Código Civil de 2002, o marido também pode acrescentar o sobrenome da mulher ao seu. A legislação prevê que o nome de solteira pode voltar a ser adotado em alguns casos específicos, entre os quais o divórcio e a condenação do cônjuge na esfera criminal.
Procedimento pode ser feito totalmente pelo celular
Foto: Marcello Casal Jr.
Agência Brasil|Às vésperas de retomar o pagamento do auxílio emergencial, a Caixa Econômica Federal convida os usuários do aplicativo Caixa Tem a atualizar os dados cadastrais no aplicativo. O procedimento pode ser feito a partir deste domingo (14) pelos clientes nascidos em janeiro.
A atualização é feita inteiramente pelo celular, bastando o usuário seguir as instruções do aplicativo, usado para movimentar as contas poupança digitais. Segundo a Caixa, o procedimento pretende trazer mais segurança para o recebimento de benefícios e prevenir fraudes.
Ao entrar no aplicativo, o usuário deve acessar a conversa “Atualize seu cadastro”. Em seguida, é necessário enviar uma foto (selfie) e os documentos pessoais (identidade, CPF e comprovante de endereço).
O calendário de atualização seguirá um cronograma escalonado, conforme o mês de nascimento dos clientes. O cronograma continua na terça-feira (16) para os nascidos em fevereiro, na quinta-feira (18) para os nascidos em março, até encerrar em 31 de março, para os nascidos em dezembro.
Confira o cronograma completo abaixo:
Mês de nascimento
Data de atualização
Janeiro
14/3 (domingo)
Fevereiro
16/3 (terça)
Março
18/3 (quinta)
Abril
20/3 (sábado)
Maio
22/3 (segunda)
Junho
23/3 (terça)
Julho
24/3 (quarta)
Agosto
25/3 (quinta)
Setembro
26/3 (sexta)
Outubro
29/3 (segunda)
Novembro
30/3 (terça)
Dezembro
31/3 (quarta)
No ano passado, a Caixa abriu mais de 105 milhões de contas poupança digitais, das quais 35 milhões para brasileiros que nunca tiveram contas em banco. Além do auxílio emergencial, o Caixa Tem foi usado para o pagamento do saque emergencial do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e do Benefício Emergencial de Preservação do Emprego e da Renda (BEm).
Uma lei sancionada no fim de outubro autorizou a ampliação do uso das contas poupança digitais para o pagamento de outros benefícios sociais e previdenciários. Desde dezembro, os beneficiários do Bolsa Família e do abono salarial passaram a receber por essa modalidade.
Estão prorrogadas as medidas restritivas de enfrentamento à Covid-19 em Feira de Santana. A informação consta em publicação no Diário Oficial Eletrônico deste domingo, 14.
O Toque de Recolher foi prorrogado e segue entre os dias 15 e 22 de março, das 20h às 5h, com restrições de locomoção noturna. Salvo algumas exceções. (Confira aqui)
Durante o Lockdown, a partir das 20h do dia 19 às 5h do dia 22, estão autorizados apenas o funcionamento de serviços essenciais. Casas lotéricas estão autorizadas a funcionar no sábado, 20, ate as 12h.
Quanto as atividades comerciais, estão autorizadas a funcionar de acordo com o escalonamento dos setores, entre os dias 15 e 19, desde que cumpram as medidas de segurança contra a Covid-19. As atividades desenvolvidas nas feiras livres devem encerrar às 14h, e no Centro de Abastecimento, às 15h.
Culto, celebrações e eventos religiosos estão permitidos até as 19h30, em respeito à liberdade de culto, desde que garantidos o distanciamento e demais restrições estabelecidas nos protocolos de medidas sanitárias em vigor.
Continua restrita, temporariamente, a utilização do transporte coletivo urbano aos estudantes beneficiários do Passe Estudantil, podendo utilizar somente entre 09h e 16h, em decorrência da suspensão das aulas escolares.
Os bares, restaurantes e similares que comercializem bebida alcoólica podem funcionar com atendimento presencial de 15 a 19 até as 18h. Está vedada a venda de bebidas alcóolicas em quaisquer estabelecimentos, inclusive por sistema de entrega em domicílio (delivery), durante toque de recolher e lockdown.
O decreto mantém ainda a proibição de inaugurações de estabelecimentos comerciais com o incremento de eventos, promoções ou liquidações de produtos e serviços. Assim como eventos e atividades com a presença de público, ainda que previamente autorizados, que envolvam aglomeração de pessoas.
Os estabelecimentos comerciais que descumprirem as normas do decreto poderão ser interditados, com a suspensão de suas atividades, bem como a cassação dos respectivos alvarás de funcionamento.
Quanto aos estabelecimentos comerciais localizados em praças públicas ou espaços públicos administrados pelo Município, que descumprirem as normas, poderão perder as autorizações administrativas para funcionamento.
Capitais como Rio de Janeiro, Brasília, Salvador e Campo Grande realizaram atos nesta manhã
Diversas cidades brasileiras realizaram, na manhã deste domingo (14), manifestações em protesto contra medidas de lockdowndecretadas pelos governos estaduais e municipais espalhados pelos quatro cantos do país. Em alguns estados, como em São Paulo, os manifestantes também pediram o impeachment do gestor local, no caso, João Doria.
No Rio de Janeiro, apoiadores do governo Bolsonaro e contra o lockdown decretado em diversas regiões do país reuniram-se na praia de Copacabana e caminharam pela pista usada como área de lazer. Ao som do Hino Nacional e com camisetas da seleção brasileira de futebol, alguns pediam a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Em Brasília, também houve críticas às medidas de restrições impostas pelo governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), e contra o Supremo Tribunal Federal (STF). Muitos carros, motociclistas e ciclistas participaram da manifestação, com bandeira do Brasil penduradas. Os manifestantes se concentraram no Museu da República.
Capitais como Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, e Salvador, na Bahia, também registraram forte movimento de veículos em carreata. Nas duas, os manifestantes se posicionaram contra medidas de lockdown, especialmente na capital baiana, onde decretos restritivos impactaram fortemente a economia local.
Cidades importantes do interior de São Paulo, como São José do Rio Preto, São Carlos e Araçatuba, por sua vez, registraram carreatas contra o governador João Doria e as medidas de restrição determinadas por ele. Faixas penduradas em viadutos pediam o impeachment do tucano.
Na capital paulista, atos estão programados para a tarde deste domingo. Na maior cidade do país, o movimento está previsto para sair do Parque do Ibirapuera em direção à Avenida Paulista, onde tradicionalmente são realizadas manifestações com dezenas de milhares de pessoas vestidas com camisas do Brasil.
Daniel Silveira deixa presídio e segue para cumprir prisão domiciliar Foto: Reprodução/ CNN Brasil
Após 26 dias de prisão, o deputado federal Daniel Silveira (PSL-RJ) deixou o Batalhão Especial Prisional (BEP) de Niterói, na Região Metropolitana do Rio, às 16h38 deste domingo (14). A Polícia Militar interditou a rua para que o parlamentar passasse.
Silveira foi para casa, em Petrópolis, onde passará a cumprir prisão domiciliar.
A decisão judicial que libertou Silveira do BEP foi emitida pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, que também é o autor da ordem de prisão do deputado, depois ratificada em votação na Câmara dos Deputados.
Em nota, a defesa de Silveira reclamou da decisão deste domingo. Segundo o advogado Jean Cleber Garcia, o decreto de prisão domiciliar é “desprovido de fundamentação idônea”.
– Os argumentos usados pelo ministro (Alexandre de Moraes) não guardam relação com o objeto da prisão levada a termo ao arrepio do Comando Constitucional – alegou a defesa de Silveira, que diz que vai recorrer da ordem de prisão domiciliar.
Segundo a nota, a nova prisão gera constrangimento ilegal. “Os tempos são estranhos”, segue a nota, que termina reproduzindo uma frase da juíza da Suprema Corte norte-americana Sandra O’Connor: “um sistema de detenção sem questionamento carrega consigo o potencial de se tornar um meio de opressão e de abuso”.
Elas tendem a subvalorizar suas conquistas e suas capacidades e a dizer não quando recebem a oferta de espaços de representação. Muitas se autoexcluem e deixam de ocupar espaços que poderiam ser delas
Michelle Obama, em Nova Déli, com meninas participantes do seu projeto Deixemos que as Meninas Aprendam, em 2010.Chuck Kennedy
A última vez que a psicoterapeuta Anne de Montarlot se sentiu paralisada pela síndrome da impostora foi justamente quando começou a redigir, com a jornalista Élisabeth Cadoche, um livro chamado A Síndrome da Impostora, que acaba de ser publicado na Espanha pela editora Península. “Mesmo tendo muita experiência e já termos feito mais de 100 entrevistas sobre o tema e muita pesquisa, imediatamente comecei a questionar minha habilidade para escrever este livro. Menos mal que nós duas conversamos e pude seguir adiante”, reflete.
No momento de procurar depoimentos para esta reportagem, surgiu várias vezes a mesma resposta: “Claro que sofro da síndrome da impostora, mas não sei se sou a pessoa mais indicada para falar. Certamente outra pessoa pode fazê-lo melhor”. Isso foi dito por mulheres de âmbitos profissionais muito diferentes e de idades diversas, alinhadas com a tese principal do livro de Cadoche e Montarlot, que afirma que essa sensação de inadequação perpétua, de sentir-se pouco preparado para assumir uma responsabilidade seja ela qual for, é feminina e transversal. “Quando uma mulher fracassa em algo pensa que não tem valor e, se triunfa, pensa que teve sorte. Quando os homens fracassam, por outro lado, têm uma lista de desculpas, seja um chefe rígido e que há uma crise mundial. Os homens externalizam o fracasso e as mulheres externalizam o sucesso”, resume Cadoche por videoconferência.
O conceito foi criado por duas psicólogas clínicas norte-americanas em 1978. Pauline Rose Clance e Suzanne Imes condensaram a ideia de que, apesar de acumular conquistas acadêmicas e profissionais, as mulheres continuam a acreditar que na verdade não são tão brilhantes e que foi tudo armado para enganar os que pensam o contrário. Mais tarde, autoras como Jessamy Hibberd e Valerie Young finalizaram a definição do conceito. Hibberd incidiu na diferença entre a falta de confiança em si mesmo e a síndrome do impostor – para quem sofre da segunda, escreveu, “a queda é inevitável. Quando atingir seu objetivo, subvalorizará seu sucesso”. A síndrome é sistêmica, opinam várias especialistas, faz parte do arcabouço patriarcal: as mulheres são condicionadas com a socialização – se espera delas menos agressividade e uma ambição menos óbvia – e por sua vez não são representadas em âmbitos de poder.
Uma consequência da síndrome é que as mulheres se autoexcluem e deixam de ocupar espaços que poderiam caber a elas. Carlos Orquín foi produtor em várias etapas em programas da Rádio Barcelona. Um de seus trabalhos é encontrar participantes nos debates. Quer fazer conversas paritárias, mas os números não batem. Quando chama homens, quase 100% dizem que sim. Elas respondem que se veem capacitadas para falar da área em que são especialistas, mas não de abordar qualquer tema de atualidades que apareça, como é exigido nas conversas generalistas. “É exigido uma opinião abalizada, impor sua visão de como deveriam ser as coisas, e os homens estão mais acostumados a fazê-lo”, opina.
Laura Gómez é uma dessas mulheres que disseram “não” muitas vezes. Gestora de redes, jogadora e especialista em videogames, costuma recusar ir a encontros de sua área, entrevistas e apresentações de livros coletivos dos quais participa. “O sentimento de não estar suficientemente preparada é uma das razões pelas que abandonei o setor de videogames. Nas esferas masculinizadas, a sensação de não ser suficiente se multiplica por mil: exigem das mulheres o triplo de rendimento e o triplo de capacidade. Exigem que sejamos pioneiras e excelentes para ganharmos o status de iguais”, diz.
A produtora de cinema Esther Fernández recebeu a oferta de dar aulas na escola em que ela mesma estudou, a ESCAC. Aceitou, mas entrou em pânico. “Tinha insônia, suava. Inventei uma desculpa para que colocassem minhas aulas para o próximo semestre. Sentia que não tinha nada a oferecer porque não havia produzido filmes de 30 milhões de euros (198 milhões de reais). Por fim, precisei falar com um coach para que me ajudasse a processar e conseguir fazê-lo”. Por outro lado, Esther Lozano, caça-talentos da Zinettica, empresa que seleciona candidatos para postos de direção que costumam superar os 100.000 euros (660.000 reais) de salário, não costuma encontrar mulheres que se autoexcluam dos processos de seleção. “O fato de que elas possam verbalizar dúvidas quando pedem conselhos em privado é outra coisa, mas quando contatamos mulheres para postos importantes, sempre expressam de maneira muito clara que se sentem capazes”. Nos últimos dois anos, diz, encontrou trabalho a 56 cargos, 27 deles mulheres. Segundo Cadoche, isso se deve a que as mulheres com a síndrome sequer chegam a estar nesse processo. “Pensam: ‘Pedem seis requisitos e só cumpro cinco. Não falo norueguês fluentemente’.
Cadoche e Montarlot incluem em seu livro citações da ex-ministra da Saúde e filósofa francesa Simone Veil – convencida de que qualquer dia a tirariam do Governo (“Vou cometer um grande erro e me enviarão de volta à magistratura”) –, Michelle Obama e Sheryl Sandberg, número dois do Facebook e autora de Faça Acontecer – Mulheres, Trabalho e a Vontade de Liderar(Companhia das Letras), considerado o manifesto fundacional do ramo mais corporativo e liberal do feminismo na década passada. A ex-chanceler alemã Angela Merkel, a atriz Meryl Streep e a escritora Margaret Atwood também confessam ter se sentido impostoras. Para as autoras de A Síndrome da Impostora, esse foi um ponto de partida: se até elas algumas vezes haviam se sentido uma fraude, o que as outras não pensariam.
Existem, entretanto, vozes que questionam a ênfase nessa questão. “A síndrome da impostora dirige nosso olhar às mulheres, em vez de centrar-se em consertar os locais de trabalho”, argumentam as ativistas e jornalistas Ruchika Tulshyan e Jodi-Ann em um artigo de fevereiro na revista Harvard Business Review. A chamada síndrome, afirmam, não é uma espécie de patologia psicológica: se deve a que o sistema está projetado para excluir as mulheres, principalmente se não são brancas, de classe média e de capacidades padrão, e é diagnosticada especialmente em entornos tóxicos que valorizam o individualismo antes das conquistas coletivas.
Fazer esforços para superar o complexo, argumenta Christina Bard, especialista em história dos feminismos, não deveria ser mais uma tarefa na longa lista de coisas por fazer que costumam atrelar às mulheres. “Elas não só sofrem discriminação como as culpamos ao insinuar que, se tivessem mais arrojo e confiança em si mesmas, não teriam esses problemas”. Talvez seja o sistema, conclui, que precisa de coaching.