O Ministério da Saúde quase quintuplicou a distribuição de cloroquina e hidroxicloroquina a estados e municípios durante a pandemia.
Dados obtidos pela Folha por meio da Lei de Acesso à Informação mostram que, de março a julho deste ano, já foram enviados 6,3 milhões de comprimidos de cloroquina, na dosagem de 150mg, para abastecer as unidades do SUS (Sistema Único de Saúde).
É 455% a mais do que o repassado no mesmo período do ano passado (1,14 milhão), quando a aplicação se dava apenas em terapias contra a malária e outras doenças.
Até julho, cerca de 5 milhões de comprimidos foram remetidos pela pasta só para uso em pacientes com o novo coronavírus — já são 5,6 milhões agora.
Alçado ao cargo, o ministro interino da Saúde, general Eduardo Pazuello, atribui o aumento na distribuição às demandas de estados e municípios.
Após turbinar a oferta de cloroquina no SUS, o governo federal se prepara agora para tentar distribuir 3 milhões de comprimidos de hidroxicloroquina. Desse total, 2 milhões vieram do governo de Donald Trump e 1 milhão da Novartis.
A doação havia sido anunciada em maio, mas a distribuição emperrou por causa de um imbróglio com estados e municípios.
A doação foi em caixas com 100 e 500 comprimidos, o que exige custos para o fracionamento de doses para uso contra a Covid-19. A orientação federal prevê, em média, 12 unidades.
Sem conseguir dividir os remédios em laboratórios oficiais, o governo federal quer repassá-los a estados e municípios que manifestarem interesse e tenham condições de fazê-lo em farmácias próprias e de manipulação.
Em nota, o Ministério da Saúde diz que a distribuição da cloroquina ocorreu “de acordo com os pedidos e planejamento prévio da pasta”, “com base em estudos existentes no Brasil e no mundo, parecer do Conselho Federal de Medicina, além de experiência da rede pública na utilização”.
Informações: Folhapress