Caciques do partido acreditam que o petista venceria a disputa. Se Tarcísio entrar no páreo, o cenário será outro
08 jan 2026 – 18h11

Dirigentes do Progressistas (PP) já trabalham com um cenário que, até pouco tempo atrás, seria impensável: a possibilidade de apoiar a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, caso a direita confirme o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como seu principal candidato ao Palácio do Planalto em 2026.
Se a disputa se desenhar entre Lula e Flávio, o PP considera que o petista largaria como favorito — e, diante disso, a estratégia mais racional seria garantir espaço no governo, pleiteando ministérios e preservando a proximidade com o presidente. A ideia é apoiar quem tem mais chances de vencer.
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Essa leitura, contudo, não é absoluta. Ela muda radicalmente se o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), decidir disputar a Presidência. Nesse caso, o PP tende a permanecer no campo da oposição e investir em uma aliança mais orgânica com o campo bolsonarista e o centrão.
Tarcísio fora do jogo — ao menos por ora
O problema para o PP é que, hoje, Tarcísio não parece disposto a entrar na corrida nacional. Segundo relatos de caciques do partido, o governador já deixou claro, tanto ao PP quanto ao União Brasil, que não pretende comprar uma briga com a família Bolsonaro. Se o nome da direita for Flávio, Tarcísio se compromete a apoiá-lo e a concentrar esforços na reeleição ao governo paulista.
Tarcísio só aceitaria disputar o Planalto se fosse o candidato de consenso de toda a direita, inclusive com o aval explícito do ex-presidente Jair Bolsonaro e dos filhos. De qualquer outra forma, o governador considera o movimento arriscado e politicamente desagregador.
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O posicionamento de Tarcísio diminuiu o entusiasmo que setores do PP ainda nutriam por uma candidatura presidencial do governador paulista. O próprio presidente da legenda, Ciro Nogueira, passou a tratar como praticamente descartada a hipótese de Tarcísio enfrentar Lula em 2026.
Flávio confiante
Nesse cenário, Flávio trabalha com a convicção de que será o candidato da direita. O senador aposta na manutenção de bons números nas próximas pesquisas eleitorais e na redução gradual da rejeição ao sobrenome Bolsonaro. Entre seus interlocutores, o argumento é que os escândalos do atual governo e o avanço da direita na América Latina criariam um ambiente mais favorável. Essa leitura ganhou força depois do colapso do regime de Nicolás Maduro.
A confiança de Flávio, contudo, impõe um dilema ao PP. Parte do partido avalia que o senador, apesar da base fiel, ainda carrega um teto eleitoral limitado. Daí a percepção de que, em uma disputa direta com Lula, o melhor caminho para preservar influência política seria negociar com o governo petista desde já, em vez de apostar todas as fichas em uma candidatura considerada frágil.
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São Paulo como moeda de troca
A indefinição nacional impacta diretamente a disputa pelo Palácio dos Bandeirantes. A formação das chapas estaduais, por exemplo, depende de quem será o candidato à Presidência apoiado pelo PP. Se Tarcísio permanecer fora da corrida nacional e disputar a reeleição, o partido tende a manter uma relação neutra, sem proximidade.
Se, por outro lado, Tarcísio resolvesse mudar de posição e concorrer ao Planalto, o PP não apenas o apoiaria como também usaria o prestígio do governador para eleger seu possível sucessor: o secretário de Segurança Pública do Estado, Guilherme Derrite (PP).
A pressão pública feita pelo partido, por meio de notas e críticas ao suposto distanciamento do governador em relação a prefeitos e parlamentares da sigla, é vista por aliados como instrumento de barganha. Começaram as eleições de 2026.
