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25 de Setembro de 2025

Cinco Minutos

Manu Pilger é Mestra em Comunicação pela Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB)

Esses dias, no hortifruti, fiquei parada observando uma cena que me fez pensar. À minha frente, uma mulher com o carrinho lotado de frutas, verduras e congelados aguardava no caixa. De repente, o sistema do supermercado caiu. Cinco minutos de espera. Não foram dez, nem quinze, foram cinco minutos.

A moça do caixa avisou com calma que era preciso aguardar um pouco, que o sistema havia caído em todas as estações. E foi nesse momento que a mulher à minha frente simplesmente abandonou o carrinho cheio e foi embora.

O sistema voltou logo depois. O carrinho ficou ali, atravancando a fila, e os funcionários precisaram retirá-lo. E eu fiquei pensando: o que nos faz perder a paciência tão rápido? O que nos impede de esperar cinco minutos?

Não acredito que tenha sido preguiça. Foi impaciência. Uma impaciência que parece ter tomado conta da nossa vida moderna essa vida cada vez mais corrida, cheia de compromissos, trabalho, estudo, casa, filhos, marido, responsabilidades que não acabam nunca. E, para nós, mulheres, muitas vezes essa carga é ainda maior.

Mas aí eu pergunto: para onde estamos correndo? Se não conseguimos esperar cinco minutos numa fila de supermercado, como conseguimos esperar o tempo da vida? Como reagimos diante de uma provocação, de um conflito, de algo que exige calma e reflexão?

A verdade é que estamos acumulando tarefas e esquecendo que somos de carne e osso. Nosso corpo tem um “caixa interno” que também precisa ser cuidado. Porque, quando a conta chega, não dá para parcelar em doze vezes, nem passar no cartão de crédito ou no antigo cheque pré-datado. Quando a conta chega, ela chega inteira. E cobra caro: estresse, doenças, remédios… e, muitas vezes, o coração não aguenta.

Tenho refletido muito sobre isso, especialmente agora, aos 44 anos. Que caminhos eu quero percorrer? Onde eu quero chegar? E, principalmente, como eu quero chegar lá.

Cinco minutos de impaciência podem revelar um mundo de estresse que a gente carrega sem perceber. Talvez a pressa daquela mulher escondesse uma sobrecarga silenciosa. Talvez fosse só mais um sinal de que precisamos parar, respirar, reorganizar a vida e, acima de tudo, aprender a esperar.

Porque, no fim, cinco minutos não são nada. Mas podem dizer muito.

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