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Acordo envolveria concessão de terras raras brasileiras para exploração norte-americana, fim da censura contra mídias sociais e colaboração mútua no combate ao crime organizado

O ministro Alexandre de Moraes participa da sessão plenária do STF um dia depois de concluir a ação contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e demais réus do núcleo 1 da suposta tentativa de golpe - 26/11/2025 | Foto: Ton Molina/FotoArena/Estadão Conteúdo
O ministro Alexandre de Moraes participa da sessão plenária do STF um dia depois de concluir a ação contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e demais réus do núcleo 1 da suposta tentativa de golpe – 26/11/2025 | Foto: Ton Molina/FotoArena/Estadão Conteúdo

O governo dos Estados Unidos cogita revogar a aplicação da Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e Viviane Barci de Moraes, mulher do magistrado.

Segundo fontes do governo norte-americano, o pedido de revogação da Lei Magnitsky chegou à Casa Branca e está em fase de análise.

O cancelamento das sanções estaria condicionado a um acordo entre Lula e Trump. A negociação envolve a concessão de terras raras brasileiras para exploração norte-americana, o fim da censura contra as mídias sociais, o cancelamento de impostos contra as big techs, a colaboração brasileira no combate ao crime organizado e o término de qualquer cooperação do Brasil com a China no setor de satélites. Neste último caso, a empresa Starlink, do empresário Elon Musk, poderia se beneficiar.

O canal de negociação entre o governo norte-americano e o governo brasileiro foram os irmãos Joesley e Wesley Batista, controladores da JBS. Eles viajaram diversas vezes para os EUA nos últimos meses, onde se encontraram com o presidente Donald Trump. A partir dali, intermediaram a mais recente conversa entre Trump e Lula, na Malásia.

A JBS é a maior produtora de carne bovina nos EUA, com mais de 25% de participação de mercado e mais de US$ 40 bilhões de ativos globais, boa parte dos quais em território americano. A empresa foi a maior doadora da cerimônia de posse do segundo mandato de Trump, com contribuição de mais de US$ 5 milhões.

Para ajudá-los nas articulações com a Casa Branca, os irmãos Batista teriam contratado quatro empresas de lobby. Os encontros ocorreram em meio à abertura de uma investigação federal nos EUA contra a JBS por formação de cartel. Segundo os investigadores, o frigorífico brasileiro teria se juntado a três empresas do setor de carnes para manter o preço dos produtos artificialmente elevado. Esse assunto é particularmente importante para Trump, que vê diminuir sua popularidade por causa da inflação no país. Na última viagem aos EUA, na semana passada, os Batista teriam se reunido com o secretário de Comércio, Howard Lutnick, e aceitado reduzir os preços no mercado norte-americano.

Os irmãos Wesley e Joesley Batista, donos da JBS | Foto: Montagem Revista Oeste/Divulgação

A exploração de terras raras

Desde novembro do ano passado, os Estados Unidos firmaram um compromisso financeiro sem precedentes para tornar o Brasil um pilar das cadeias de suprimento de terras raras do Ocidente, o que alteraria radicalmente a dinâmica da segurança energética global.

Por meio da Corporação Financeira de Desenvolvimento dos EUA (DFC), os EUA toparam investir US$ 465 milhões para expandir a operação de mineração de Serra Verde, em Goiás. Esse é um dos maiores compromissos já assumidos pela DFC com infraestrutura crítica de mineração, o que demonstra uma estratégia geopolítica coordenada para reduzir a dependência norte-americana dos monopólios chineses de processamento mineral.

As terras raras são um conjunto de 17 minerais essenciais para a produção de tecnologias estratégicas, como baterias de carros elétricos, turbinas eólicas, celulares, fibras ópticas, semicondutores, mísseis guiados e outros equipamentos militares. Por isso, são consideradas insumos críticos tanto para a indústria de alta tecnologia quanto para a defesa nacional.

Local de operação da Serra Verde | Foto: Divulgação/Serra Verde Pesquisa e Mineração
Local de operação da Serra Verde | Foto: Divulgação/Serra Verde Pesquisa e Mineração

As big techs na mesa de negociação

Outro assunto em pauta envolve o Projeto de Lei das Big Techs, que o governo brasileiro enviou ao Congresso em setembro. Durante as conversas, interlocutores de Trump teriam pedido o arquivamento dessa proposta e de qualquer outra que tenha a mesma finalidade.

O governo Lula, por meio dos Batista, também teria aceitado “congelar” o acordo de colaboração entre a empresa brasileira Telebras e a empresa chinesa de satélites SpaceSail, firmado em novembro de 2024. Nesse caso, a SpaceSail daria lugar à Starlink.

O CEO da Tesla, Elon Musk, em uma cerimônia em memória do ativista conservador Charlie Kirk, no Estádio State Farm, em Glendale, Arizona - 21/9/2025 | Foto: Daniel Cole/Reuters
O CEO da Tesla, Elon Musk, em uma cerimônia em memória do ativista conservador Charlie Kirk, no Estádio State Farm, em Glendale, Arizona – 21/9/2025 | Foto: Daniel Cole/Reuters

Combate ao narcotráfico

Lula também teria aceitado a proposta de colaborar com autoridades norte-americanas no combate ao narcotráfico e ao crime organizado.

Em setembro, os EUA estavam prestes a incluir o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital na lista de organizações terroristas, como fizeram com o cartel venezuelano do Tren de Aragua. A ideia não avançou por causa dos irmãos Batista, que intercederam por Lula. Em troca, o governo brasileiro topou passar informações sobre facções criminosas brasileiras para os norte-americanos.

Não por acaso, na última terça-feira, 2, Lula teria telefonado para Trump — fora da agenda oficial de ambos — para informá-lo sobre a operação contra a refinaria Refit, acusada de lavagem de dinheiro e financiamento de organizações criminosas, e cujo controlador, Ricardo Magro, estaria em Miami. Como demonstração de fidelidade, Lula teria ordenado que os documentos da operação fossem traduzidos e enviados para os norte-americanos.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante encontro com o presidente da República do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, durante o 47ª Cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático - Asean, em Kuala Lampur, Malásia - 25102025) | Foto: Ricardo Stuckert/PR
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante encontro com o presidente da República do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, durante o 47ª Cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático – Asean, em Kuala Lampur, Malásia – 25102025) | Foto: Ricardo Stuckert/PR

Por último, o governo Lula teria garantido aos EUA a colaboração para a mudança de regime na Venezuela. A ideia seria emissários do governo brasileiro convencerem o ditador Nicolás Maduro a renunciar ao cargo sem resistência militar, o que dispensaria o uso da força pelos norte-americanos. Esse é o desejo de Trump, que prefere evitar combates longos para que não haja repercussões negativas na imprensa, na opinião pública e entre os republicanos. Essa é a razão pela qual os irmãos Batista viajaram para a Venezuela recentemente.

Existe a possibilidade de as sanções impostas a Moraes e a Viviane serem suspensas em breve, apesar da resistência do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, que prefere mantê-las em vigor.

Oeste indagou o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o jornalista Paulo Figueiredo, que tiveram conversas com o governo norte-americano para aplicação da Lei Magnitsky contra Moraes e Viviane. Até a publicação desta reportagem, não houve resposta.

Informações Revista Oeste

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