Ao todo, prova mostrou que 4 em cada 10 formandos de medicina de faculdades particulares não têm o saber exigido

Dados recentes do Enamed mostraram que quatro em cada dez formandos de medicina oriundos de instituições privadas não atingiram o nível mínimo de proficiência exigido. O exame, realizado em outubro de 2025 com a participação de 39 mil estudantes, teve os resultados divulgados na segunda-feira 19, pelos ministérios da Educação e da Saúde.
Entre as 49 faculdades que alcançaram a nota máxima no Enamed, 40 são públicas, sendo 21 delas universidades federais. Apenas UFSCar e UFMS, ambas federais, registraram 100% de alunos aprovados.
Na contramão, das 28 escolas que receberam a nota mínima, 17 pertencem à rede privada e somente uma, a Universidade Federal do Pará, é federal.
Desempenho das instituições no Enamed 2025

Os dados revelam que 13,8 mil formandos vieram de cursos com conceitos 1 e 2, considerados de desempenho crítico ou insuficiente. O setor privado responde pela maioria dos novos médicos. Faculdades privadas com fins lucrativos formaram 15,4 mil, enquanto as sem fins lucrativos somaram pouco mais de 9 mil. Já as federais diplomaram 6,5 mil alunos.
Entidades médicas criticaram o resultado dos formandos no Enamed 2025. Em nota, a Associação Médica Brasileira (AMB) declarou “extrema preocupação com os números que foram apresentados, que revelam uma realidade gravíssima na formação médica do país”. O órgão exigiu respostas firmes das instituições e autoridades.
Entre as sugestões da AMB está a implantação imediata de um exame de proficiência como requisito para o exercício da profissão. “Sendo mais claro, não comprovada a proficiência médica pelos egressos dos cursos de medicina, não lhes seria concedido o registro profissional pelos CRM, impedindo-os, desta forma, de atender pacientes”.
O Conselho Federal de Medicina também defendeu, em nota, que todos os cursos mantenham nota mínima quatro, “para segurança da população”. A entidade destacou que 107 faculdades apresentam nível crítico e insuficiente e alertou para o risco de mais de 13 mil graduados exercerem a medicina sem competências mínimas, o que “coloca em risco a saúde e a segurança de milhões de brasileiros”.
Novas medidas do governo

O governo federal anunciou que o Enamed passará a ser anual e que haverá punições aos cursos com piores resultados. Oito faculdades com menos de 30% de aprovados terão ingresso suspenso, 13 cursos com índice entre 30% e 40% vão perder metade das vagas e outros 33, com desempenho entre 40% e 50%, sofrerão corte de 25% das vagas. Todos esses cursos ficarão de fora do Fies e de outros programas federais.
Além disso, 45 cursos com mais de 50% de concluintes proficientes não poderão ampliar o número de vagas. “Quanto maior for o risco ou ameaça ao interesse público e aos estudantes, mais graves serão as medidas adotadas”, declarou o governo em nota. O MEC notificou ou notificará as instituições mal avaliadas sobre a abertura de processos administrativos de supervisão.
O ministro da Educação, Camilo Santana, afirmou que “há uma grande preocupação nos ministérios da Educação e da Saúde em assegurar que os cursos oferecidos aos alunos brasileiros possam garantir a qualidade da formação médica nesse país, até porque são profissionais que cuidam da vida das pessoas”.
Informações Revista Oeste
