O senador Otto Alencar (PSD) voltou a descartar, em entrevista ao jornal A Tarde, a possibilidade de ser candidato a governador. A declaração dele foi publicada na edição deste sábado (26)
“Simplesmente isso (ser governador) não está em meu projeto de vida. Vou completar 75 anos agora em agosto, tenho dito e repito: eu quero é o Senado”, declarou.
Otto diz que não conversou com nenhum partido da base aliada do governo, nem PP, nem PSB, nem PCdoB, nem PT e nem nenhum outro, sobre a possível candidatura.
“Sabe por que eu não conversei? Porque não sou candidato ao governo. Não me preparei para isso”, assegurou.
“É lamentável que a ideologia esteja acima da dor”
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Neste sábado (26), o ex-juiz e pré-candidato à Presidência da República, Sérgio Moro (Podemos), disse através de publicação em suas redes sociais que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, apoia a invasão à Ucrânia e que não consegue criticar a Rússia.
“Lula não consegue criticar diretamente a Rússia. Não pode. Suas ditaduras aliadas apoiam a invasão, assim como o PT culpa os EUA. É lamentável que a ideologia esteja acima da dor, da perda de vidas e da covardia contra a população ucraniana”, escreveu.
Lula não consegue criticar diretamente a Rússia. Não pode. Suas ditaduras aliadas apoiam a invasão, assim como o PT culpa os EUA. É lamentável que a ideologia esteja acima da dor, da perda de vidas e da covardia contra a população ucraniana. https://t.co/KPDtXLiTLK
Bolsonaro concedeu uma entrevista coletiva à imprensa neste domingo
O presidente Jair Bolsonaro disse neste domingo (27) que o voto do Brasil em resolução da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre o conflito entre Rússia e Ucrânia é livre, com equilíbrio.
Ele acrescentou que o Brasil não defende “nenhuma sanção ou condenação ao presidente Putin”.
“Nossa posição tem que ser de bastante cautela, não podemos ao tentar solucionar um caso que é grave, ninguém é a favor de guerra em lugar nenhum do mundo, trazemos problemas gravíssimos para toda a humanidade e para o nosso país que também está nesse contexto”, afirmou em entrevista coletiva à imprensa, no Forte dos Andradas, no Guarujá, litoral de São Paulo..
Conversa com Putin
Bolsonaro lembrou ainda que conversou com presidente da Rússia, Vladimir Putin, sobre o conflito e questões comerciais, como a importação de fertilizantes pelo Brasil. “Estive conversando com o presidente Putin, mais de duas horas de conversa. Tratamos de muita coisa. A questão dos fertilizantes foi a mais importante. Tratamos do nosso comércio. E obviamente ele falou alguma coisa sobre a Ucrânia, mas me reservo a não entrar em detalhes da forma como vocês gostariam”, disse Bolsonaro.
Em nota, divulgada após a entrevista do presidente, a Assessoria de Imprensa do Gabinete do Ministério das Relações Exteriores disse que Bolsonaro se referia “às duas horas de conversa ao vivo, na visita a Moscou [no dia 16 deste mês]. Não houve telefonema”, neste domingo, para Putin.
Para o presidente, o conflito deve chegar, em breve, a uma solução. “Não acredito que vá se prolongar. Até pela diferença bélica de um país para outro. A gente espera que países da Otan [Organização do Tratado do Atlântico Norte] não potencializem esse problema que está para ser resolvido, no meu entender”, declarou.
Vários institutos de pesquisas mostram que Lula tem em média, 15 pontos na frente de Bolsonaro. Mostram também, que ele pode ganhar no primeiro turno, e se tiver o segundo, ele será imbatível. Quando os institutos de pesquisas divulgam os seus números, a grande mídia se encarrega da divulgação com estardalhaço.
É nesse momento que a Janela de Overton, também conhecida com Janela do Discurso, começa a se mover. A tese de Joseph P. Overton, consiste em dar condições de uma ideia de prosperar, mesmo que a princípio, a maioria da população não veja com bons olhos. Mas para que isso aconteça é preciso um aparato muito grande por trás do desejo de um grupo ou vários grupos.
Lula é o político mais detestado pela sociedade. Foi um presidente que roubou e deixou roubar. Um homem que dentro de uma sociedade minimamente séria, estaria em um presídio pelo resto da vida. Mas, não no Brasil. Um país que tem uma Suprema Corte como a nossa, convenhamos, não pode ser uma nação séria.
O Mecanismo, que tem pavor de Bolsonaro, sabe que a eleição dele não foi um bom negócio para uma elite que estava acostumada e usar o estado em favor das suas demandas. Coloque nessa cesta: banqueiros, empreiteiros, narcotraficantes, a grande mídia e funcionários públicos do alto escalão. Portanto, precisavam de um candidato contra o atual presidente. Já em 2020, o Mecanismo soube que precisava de um plano B, para caso a chamada terceira via não vingasse, seria colocado em ação. Então, foi assim que o plano foi colocado em marcha.
O Plano do Mecanismo
Quando Bolsonaro assumiu a presidência em 2019, o Mecanismo soltou as rédeas da mídia tradicional, para durante todo dia e o dia todo, desconstruir o governo. O presidente, filhos, amigos e o governo passaram a ser alvo de todo tipo de matéria.
Começou a busca por um nome para a terceira via. Wilson Witzel e João Doria, foram os primeiros. Witzel, sofreu impeachment, enquanto Dória, a falta de carisma e de política, misturada com canalhice e falta de caráter, se mostrou ser um político nanico. Chegaram até mesmo pensar em Henrique Mandetta, o Senhor: “só procure o hospital quando sentir falta de ar”. Levando várias pessoas a morte. Lembrando que Sérgio Moro, a princípio, não estava no radar.
Já que não vingou um nome para a terceira via, então, vamos ao plano A. É preciso tirar Lula da cadeia. Mas não só basta tirá-lo da cadeia. E as condenações? Para qualquer cidadão que tenha o mínimo de ética e inteligência, o plano A já teria nascido morto. Só que o Mecanismo tem inteligência e muito dinheiro, ética é para quem tem consciência, coisa ultrapassada nos tempos de hoje.
Foi com a mão no Bolso e a outra na lama que o Mecanismo começou a mover de fato ‘A Janela de Overton’. A primeira coisa foi tornar nula a prisão em segunda instância. Assim, tiraria Lula das grades. Depois dar um jeito de tirar o caso de Curitiba, isso anularia as condenações. A imparcialidade do juiz faria o resto.
Pronto, um homem que comandou o maior esquema de corrupção do planeta, condenado em três instâncias, agora estava livre para ser o candidato do Mecanismo. Só estar livre não basta. É preciso fazer com que seja competitivo. É preciso vender o mantra que os petistas fanáticos sempre usaram: Lula é inocente! Culpado é o juiz, o Ministério Público Federal e a Polícia Federal. É preciso vender a imagem, envernizar o produto para ver se os otários compram. E para se vender um produto é preciso de marketeiros e da imprensa. E para vender um produto nacionalmente, é preciso da grande mídia.
Lula praticamente foi inocentado graças a ação de um agente importante nesse processo, o aliado STF. Depois vieram os grandes veículos de comunicação, marketeiros, institutos de pesquisas e especialistas que dão o ar de um produto relativamente honesto. A Janela de Overton é uma ferramenta bastante usada na política, tanto para o bem, quanto para o mal. No caso específico de Lula, tenho certeza que está a serviço do que de pior já existiu na política brasileira. Mesmo movendo a Janela com uma boa dose de competência, o Mecanismo tem enfrentado um grande problema, a dura realidade dos fatos. A narrativa criada não consegue fazer com que Lula crie coragem de sair as ruas, para testar a popularidade, que os institutos contratados a peso de ouro, dizem que ele tem e que os órgãos da velha mídia fazem questão de divulgar.
Lula é uma grande fraude, qualquer pessoa que tenha o mínimo de ética sabe disso. A última Janela será movida e aberta no dia 02 de outubro, quando acontece as eleições. Espero que ela esteja fechada para Lula e sua gang. O país só tem a ganhar.
O presidente Jair Bolsonaro disse hoje (26) que o Brasil tem sido claro sobre sua posição “em defesa da soberania, da autodeterminação e da integridade territorial dos Estados”, e que o país já retirou cerca de 50 brasileiros para países vizinhos à Ucrânia, incluindo jornalistas, estudantes, empresários e atletas.
“Volto a afirmar que eu e meu governo estamos focados em garantir a segurança do nosso país, proteger os interesse do nosso povo, auxiliar os cidadãos brasileiros que se encontram nas regiões conflagradas e contribuir para uma resolução pacífica do conflito”, disse Bolsonaro, em uma sequência de três publicações em sua conta no Twitter.
Sem citar os nomes dos países, Bolsonaro destacou que o Brasil tem expressado bem sua posição em pronunciamentos no Conselho de Segurança da ONU e em pronunciamentos oficiais.
Um dos membros temporários do Conselho de Segurança, o Brasil votou ontem (25) a favor de uma resolução do colegiado para condenar a invasão da Ucrânia pela Rússia. A iniciativa acabou barrada pelo poder de veto dos próprios russos, um dos cinco membros vitalícios do conselho.
Zé Chico é pré-candidato a deputado federal e tem fortes laços com o homem do campo
O Parque de Exposições de Feira de Santana transformado em um grande vetor de crescimento do agronegócio na região. Esta é a proposta do pecuarista, empresário e pré-candidato a deputado federal, Zé Chico, que será levada ao próximo governador da Bahia.
Com fortes laços com o homem do campo, Zé Chico vê no Parque de Exposições de Feira de Santana o equipamento ideal para abrigar uma série de atividades de projeção até internacional. “Vamos sugerir ao próximo governador que o Parque de Exposições de Feira seja estadual ou até mesmo a construção de um novo Parque, sendo ele estadualizado, para a realização de feiras estaduais, nacionais e até internacionais, contemplando o agronegócio, com leilões, exposições e shows artísticos”, sugere.
Ainda segundo Zé Chico, Feira de Santana como um dos maiores entroncamentos rodoviários do país, facilita o acesso dos produtores e do público em geral. “Teremos um grande avanço para toda a Bahia, a partir do Parque estadual em Feira. A ampliação ou construção de um novo Parque vai atrair novos investimentos e gerar emprego e renda. Todos saem ganhando. Tenho caminhado em outros municípios e dialogado com produtores que acreditam nesta iniciativa”, projeta Zé Chico.
Embora se dê como líquido e certo que o cabeça da chapa governista é o senador Otto Alencar, está tudo indicando que faltou combinar com a torcida, no caso, ele. É categórico ao descartar:
– Simplesmente isso não está em meu projeto de vida.
Vou completar 75 anos agora em agosto, tenho dito e repito: eu quero é o Senado.
Ele diz que não conversou com nenhum partido da base aliada do governo, nem PP, nem PSB, nem PCdoB, nem PT e nem nenhum outro:
– Sabe por que eu não conversei? Porque não sou candidato ao governo. Não me preparei para isso.
O preço – Otto fechou o papo aí, mas a amigos tem dito que se preparar para isso significa também forrar o caixa para aguentar o tranco de tornar-se o desaguadouro natural das cobranças de sete partidos da base aliada.
Ele já foi ‘sondado’, mas desde sempre está com o mesmo discurso. Para além do intenso desgaste que o cargo de governador impõe, com agenda pesada todo dia o dia todo, ainda tem o lado da grana. Correr atrás seria uma agonia. Ou arriscar-se numa velhice endividada.
Avaliação política nem fez, inclusa aí as reações de petistas. De ter sido carlista, assume. Diz que só fez pacto de aliança com o PT depois que ACM morreu.
Em suma, da trajetória, nada a corrigir. Do futuro, o Senado é um bom lugar, ou a porta do céu, como dizem. E o governo é fonte de agonia.
E vai rolar a federação PSB-PT? Lídice vê cenário ainda confuso
Federação de partido, um dispositivo novo da lei, é algo nunca visto na história do Brasil. Os partidos que a integram são obrigados a fechar aliança no Brasil de ponta a ponta. E é exatamente nisso que pega a formação da federação entre PT, PSB, PV e PCdoB.
O bicho pega entre os dois primeiros. Segundo a deputada Lídice da Mata, presidente do PSB na Bahia, além de ajustes estaduais complicados como em São Paulo e Pernambuco, há também a questão da governança.
– Fechada federação com a configuração de mandatos atual, o PT ficaria com 55%, muito hegemônico. Um dos desafios é encontrar mecanismos de equilíbrio.
Outra questão: a federação vale para 2024?
– Nós sabemos que no Brasil cada eleição tem uma nova legislação, mas temos que trabalhar com base na legislação atual. É mais um complicador.
União e MDB, sem acordo
Também correm em Brasília negociações para fazer a federação entre o PSDB e o MDB. Se emplacar, afeta o painel baiano, onde os emedebistas inclinam-se por fechar com o governo e os tucanos são fechados com ACM Neto.
Cogitou-se também uma federação que inclui os dois e mais o União Brasil, que resulta da fusão entre o PSC de Luciano Bivar e o DEM de ACM Neto.
Ontem, a ideia com o União foi descartada.
Bebeto, torcedor número 1 da candidatura de Wagner
Duas vezes deputado federal, hoje vice-prefeito de Ilhéus, sua terra, Adalberto Galvão, o Bebeto (PSB), é um dos olhares mais atentos aos movimentos da política estadual. Quando a cotação de Wagner como candidato ao governo era única, virou o grande torcedor. Quando surgiu o nome de Otto, ele, que já era chamado de ‘senador’ nas rodas de amigos, esfriou.
O vai e vem dos anseios de Bebeto tem uma explicação simples. Além de vice-prefeito, ele também é o primeiro suplente de Jaques Wagner no Senado. Ou seja, Wagner governador, ele ganharia quatro anos de mandato de senador sem delongas.
Com Otto no governo ainda teria a chance de assumir se Wagner virar ministro. Atualmente a cotação está meeira.
POLÍTICA COM VATAPÁ
Os opostos
Contam nos meios petistas que certa vez Walter Pinheiro, então senador, estava para viajar num avião teco-teco de Jacobina para Salvador junto com o deputado federal Afonso Florence.
Já era fim de tarde e estava chovendo, Florence olhou os lados, sugeriu:
– Acho melhor nós adiarmos esse voo.
Pinheiro rebateu:
– Levanta voo. Está tudo tranquilo.
– Mas Pinheiro, está pingando dentro do avião!
– Pingueira só é problema dentro de submarino, em avião é problema zero.
Florence falou forte:
– Pinheiro, você é evangélico e acredita em Deus, e eu sou ateu! Não acredito nas suas opiniões.
Fizeram um acordo, esperar um pouco. Esperaram, a chuva passou, voaram e chegaram em Salvador
na mais absoluta paz.
Mas os presentes dizem que o acordo acabou aí. Pinheiro acha que houve interferência divina para tudo correr bem e Florence acha que foi precavido.
PSOL será o primeiro partido político a veicular mensagens
Foto: Divulgação / Ascom / TSE
Começa neste sábado (26) a veiculação da propaganda partidária gratuita em emissoras de rádio e televisão. A veiculação, em âmbito nacional, será das 19h30 às 22h30, às terças, quintas e aos sábados, por iniciativa e sob a responsabilidade dos partidos.
Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o PSOL será o primeiro partido político a veicular propaganda. Nos dias 1º e 10 de março, serão divulgadas as propagandas do PDT e do MDB, respectivamente. A íntegra do calendário está disponível no site do TSE.
A divisão do tempo de cada partido foi feita de acordo com o desempenho das siglas nas eleições de 2018. Ao todo, serão 305 minutos de propaganda divididos entre 23 partidos. Legendas como o PT, MDB, PL e PSDB terão acesso ao maior tempo de exposição: 20 minutos e 40 inserções para cada partido.
Os partidos que elegeram mais de 20 deputados federais terão direito a 20 minutos semestrais para inserções de 30 segundos nas redes nacionais e a igual tempo nas estaduais. Para essa veiculação, no entanto, é necessária a solicitação formal dos partidos.
Inserções
As siglas que têm entre dez e 20 deputados eleitos poderão utilizar dez minutos por semestre para inserções de 30 segundos, tanto nas emissoras nacionais quanto nas estaduais. Bancadas compostas por até nove parlamentares terão cinco minutos semestrais para exibição federal e estadual do conteúdo partidário.
Nessas eleições, segundo norma estabelecida pelo tribunal, ao menos 30% do tempo devem ser destinados à participação feminina na política. As transmissões vão ocorrer em bloco, por meio de inserções de 30 segundos no intervalo da programação das emissoras.
Será permitida a veiculação de, no máximo, três inserções nas duas primeiras horas e de até quatro na última hora de exibição. Além disso, poderão ser reproduzidas até dez inserções de 30 segundos por dia para cada rede.
É vedada, entretanto, a divulgação de inserções sequenciais, devendo ser observado o intervalo mínimo de dez minutos entre cada uma delas.
Propaganda partidária
A propaganda partidária é exibida no primeiro e no segundo semestre dos anos não eleitorais e apenas no primeiro semestre dos anos em que houver eleição. Esse tipo de propaganda tem por finalidade incentivar filiações partidárias, esclarecer o papel das agremiações e promover participação política e filiações.
Para tanto, difunde mensagens sobre a execução do programa da legenda, bem como divulga atividades congressuais do partido e a posição em relação a temas políticos e ações da sociedade civil.
Já a propaganda eleitoral, que tem como objetivo a conquista de votos, começará a ser veiculada em agosto, também em âmbito nacional. No caso dela, não há necessidade de solicitação formal para a veiculação do horário eleitoral gratuito.
Após o pedido de registro das candidaturas, que termina em 15 de agosto, será possível definir o tempo a que cada partido, coligação majoritária e federação terá direito. A definição é feita pelo TSE até o dia 21 de agosto.
Com a utilização de recursos publicitários, as peças serão exibidas – em âmbito nacional – nas campanhas para presidente e vice-presidente da República, e estadual quando os cargos em disputa são para senador, governador, deputado federal, deputado estadual e deputado distrital.
A distribuição do tempo de propaganda entre as candidaturas registradas é de competência das legendas, federações e coligações. As siglas devem respeitar os percentuais destinados às candidaturas femininas (mínimo de 30%) e de pessoas negras (definidos a cada eleição).
Proibições
Está proibida a divulgação de propaganda de candidatos a cargos eletivos e a defesa de interesses pessoais ou de outros partidos, bem como a utilização de imagens ou de cenas incorretas ou incompletas, de efeitos ou de quaisquer outros recursos que distorçam ou falseiem os fatos ou a sua comunicação.
O TSE também proibiu a utilização de matérias que possam ser comprovadas como falsas ou a prática de atos que resultem em qualquer tipo de preconceito racial, de gênero ou de local de origem, além de qualquer prática de atos que incitem a violência.
Além disso, é vedada a veiculação de propaganda com o objetivo de degradar ou ridicularizar candidatas e candidatos, assim como a divulgação ou compartilhamento de fatos sabidamente inverídicos ou gravemente descontextualizados que atinjam a integridade do processo eleitoral.
Segundo o TSE, eventuais mentiras espalhadas intencionalmente para prejudicar os processos de votação, de apuração e totalização de votos poderão ser punidas com base em responsabilidade penal, abuso de poder e uso indevido dos meios de comunicação.
O presidente da Rússia, Vladimir Putin Imagem: Alexey Nikolsky/Kremlin/Sputnik via Reuters
A expansão da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) rumo ao Leste Europeu nas últimas três décadas criou um dilema estratégico entre a Rússia e as potências ocidentais, tendo à frente os Estados Unidos.
Para especialistas em relações internacionais ouvidos pelo UOL, nos últimos dez anos, o presidente russo, Vladimir Putin, mudou a postura do país em relação à Otan, apelando inclusive para manter o que considera a zona de influência russa.
Segundo Maurício Santoro, professor do Departamento de Relações Internacionais da Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), desde o fim da União Soviética, houve uma expansão simultânea da Otan e da União Europeia rumo aos países do Leste Europeu.
Em 2008, foram iniciadas tratativas para a inclusão na Otan da Geórgia e da Ucrânia —duas ex-repúblicas soviéticas que fazem fronteira com a Rússia. O Kremlin considerou o movimento inaceitável e interveio na Geórgia.Imagem: Arte/UOL
A causa estrutural dessa guerra é um conflito entre a Rússia, Estados Unidos e União Europeia pela delimitação de suas esferas de influência no leste da Europa.”Maurício Santoro, do Departamento de Relações Internacionais da Uerj
Ainda segundo Santoro, as agendas opostas de Putin e dos ucranianos —que buscam uma aproximação com o Ocidente desde o Euromaidan (onda de manifestações que levou à deposição do presidente Viktor Yanukovytch, em 2014)— representam o que a literatura acadêmica chama de dilema de segurança.
“Isso ocorre quando um determinado país ou conjunto de países está buscando se fortalecer, tentando apenas se proteger, mas essa busca vai ser vista pelos vizinhos como ameaça. Isso pode ocorrer mesmo que não haja nenhuma intenção agressiva”, explica.
Aliança contra a União Soviética
Criada em 1949, a Otan tinha como principal objetivo estratégico impedir a expansão da União Soviética rumo à Europa Ocidental. No entanto, esse objetivo chegou a ser rediscutido após o fim da potência socialista, no início dos anos 1990.
Apesar disso, a Rússia continuou sendo tratada como uma ameaça em potencial, segundo explica o geógrafo Tito Lívio Barcellos Pereira, mestre em Ciência Política pelo Instituto de Estudos Estratégicos da UFF (Universidade Federal Fluminense).
“Com o fim da União Soviética, de fato existia a esperança, inclusive do próprio governo russo, de que o país [Rússia] seria integrado a esse sistema internacional. De que seria integrado à Otan, à União Europeia e seria um interlocutor dos interesses americanos e europeus no espaço pós-soviético”, diz.
“Isso vai moldando a cabeça das elites russas. Em dado momento, essa desilusão com o Ocidente passa a se tornar uma desconfiança.”
Ainda segundo Pereira, nas negociações para a dissolução da União Soviética, as lideranças do Ocidente prometeram não avançar rumo ao Leste Europeu. Mas esse compromisso verbal não foi cumprido.
Em 1999, Polônia, Hungria e Chéquia (a antiga República Tcheca) ingressaram na Otan. O mesmo foi feito por Letônia, Estônia, Lituânia, Bulgária, Romênia, Eslováquia e Eslovênia em 2004 —todos os países tinham regimes comunistas na chamada Cortina de Ferro criada na Guerra Fria.
“À medida que os anos 2000 avançaram, no contexto da guerra ao terror, o presidente George W. Bush incentivava os países do Leste Europeu a entrarem na Otan como uma pré-condição para entrarem na União Europeia”, avalia.
“As demandas de Putin em relação à expansão da Otan são uma reclamação que existe desde o período [Boris] Iéltsin [presidente da Rússia entre 1991 e 1999], quando a Otan vai fazer sua primeira expansão pós-Guerra Fria, em 1999”.
Lucas Rezende, professor do Departamento de Ciência Política da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), diz que a postura das potências ocidentais em relação à expansão da Otan tem grande peso nas tensões que culminaram no conflito da Ucrânia.
Em sua avaliação, após a dissolução do bloco soviético o objetivo da Otan foi alterado, passando a servir como um braço dos interesses norte-americanos na região.
“Desde o fim da Guerra Fria, a Otan mudou seu propósito. De uma aliança para se proteger da União Soviética, passou a ser uma aliança para garantir mais apoios aos Estados Unidos no continente europeu”, afirma.
Rezende destaca que o mapa de países membros da Otan —que revela um crescente cerco da Rússia mesmo após o fim do regime comunista— teve o objetivo de isolar um potencial rival para os Estados Unidos.
No entanto, movido pelos recursos obtidos com a exploração de petróleo e gás na última década, Putin ampliou muito o poderio bélico russo e, neste momento, “tem capacidade para reagir”.
Por outro lado, ele vê a adesão dos países da antiga esfera soviética como um processo acertado. “O histórico expansionista da Rússia é notável, então tendo um gigante forte e com um histórico de ocupação, esses países quiseram garantir que continuariam estados independentes”.