O presidente da Rússia, Vladimir Putin - Alexey Nikolsky/Kremlin/Sputnik via Reuters
O presidente da Rússia, Vladimir Putin Imagem: Alexey Nikolsky/Kremlin/Sputnik via Reuters

A expansão da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) rumo ao Leste Europeu nas últimas três décadas criou um dilema estratégico entre a Rússia e as potências ocidentais, tendo à frente os Estados Unidos.

Para especialistas em relações internacionais ouvidos pelo UOL, nos últimos dez anos, o presidente russo, Vladimir Putin, mudou a postura do país em relação à Otan, apelando inclusive para manter o que considera a zona de influência russa.

Segundo Maurício Santoro, professor do Departamento de Relações Internacionais da Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), desde o fim da União Soviética, houve uma expansão simultânea da Otan e da União Europeia rumo aos países do Leste Europeu.

Em 2008, foram iniciadas tratativas para a inclusão na Otan da Geórgia e da Ucrânia —duas ex-repúblicas soviéticas que fazem fronteira com a Rússia. O Kremlin considerou o movimento inaceitável e interveio na Geórgia.Imagem: Arte/UOL

A causa estrutural dessa guerra é um conflito entre a Rússia, Estados Unidos e União Europeia pela delimitação de suas esferas de influência no leste da Europa.”Maurício Santoro, do Departamento de Relações Internacionais da Uerj

Ainda segundo Santoro, as agendas opostas de Putin e dos ucranianos —que buscam uma aproximação com o Ocidente desde o Euromaidan (onda de manifestações que levou à deposição do presidente Viktor Yanukovytch, em 2014)— representam o que a literatura acadêmica chama de dilema de segurança.

“Isso ocorre quando um determinado país ou conjunto de países está buscando se fortalecer, tentando apenas se proteger, mas essa busca vai ser vista pelos vizinhos como ameaça. Isso pode ocorrer mesmo que não haja nenhuma intenção agressiva”, explica.

Aliança contra a União Soviética

Criada em 1949, a Otan tinha como principal objetivo estratégico impedir a expansão da União Soviética rumo à Europa Ocidental. No entanto, esse objetivo chegou a ser rediscutido após o fim da potência socialista, no início dos anos 1990.

Apesar disso, a Rússia continuou sendo tratada como uma ameaça em potencial, segundo explica o geógrafo Tito Lívio Barcellos Pereira, mestre em Ciência Política pelo Instituto de Estudos Estratégicos da UFF (Universidade Federal Fluminense).

“Com o fim da União Soviética, de fato existia a esperança, inclusive do próprio governo russo, de que o país [Rússia] seria integrado a esse sistema internacional. De que seria integrado à Otan, à União Europeia e seria um interlocutor dos interesses americanos e europeus no espaço pós-soviético”, diz.

“Isso vai moldando a cabeça das elites russas. Em dado momento, essa desilusão com o Ocidente passa a se tornar uma desconfiança.”

Ainda segundo Pereira, nas negociações para a dissolução da União Soviética, as lideranças do Ocidente prometeram não avançar rumo ao Leste Europeu. Mas esse compromisso verbal não foi cumprido.

Em 1999, Polônia, Hungria e Chéquia (a antiga República Tcheca) ingressaram na Otan. O mesmo foi feito por Letônia, Estônia, Lituânia, Bulgária, Romênia, Eslováquia e Eslovênia em 2004 —todos os países tinham regimes comunistas na chamada Cortina de Ferro criada na Guerra Fria.

“À medida que os anos 2000 avançaram, no contexto da guerra ao terror, o presidente George W. Bush incentivava os países do Leste Europeu a entrarem na Otan como uma pré-condição para entrarem na União Europeia”, avalia.

“As demandas de Putin em relação à expansão da Otan são uma reclamação que existe desde o período [Boris] Iéltsin [presidente da Rússia entre 1991 e 1999], quando a Otan vai fazer sua primeira expansão pós-Guerra Fria, em 1999”.

Lucas Rezende, professor do Departamento de Ciência Política da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), diz que a postura das potências ocidentais em relação à expansão da Otan tem grande peso nas tensões que culminaram no conflito da Ucrânia.

Em sua avaliação, após a dissolução do bloco soviético o objetivo da Otan foi alterado, passando a servir como um braço dos interesses norte-americanos na região.

“Desde o fim da Guerra Fria, a Otan mudou seu propósito. De uma aliança para se proteger da União Soviética, passou a ser uma aliança para garantir mais apoios aos Estados Unidos no continente europeu”, afirma.

Rezende destaca que o mapa de países membros da Otan —que revela um crescente cerco da Rússia mesmo após o fim do regime comunista— teve o objetivo de isolar um potencial rival para os Estados Unidos.

No entanto, movido pelos recursos obtidos com a exploração de petróleo e gás na última década, Putin ampliou muito o poderio bélico russo e, neste momento, “tem capacidade para reagir”.

Por outro lado, ele vê a adesão dos países da antiga esfera soviética como um processo acertado. “O histórico expansionista da Rússia é notável, então tendo um gigante forte e com um histórico de ocupação, esses países quiseram garantir que continuariam estados independentes”.

Informações UOL


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Está encerrada a enquete realizada pelo programa “Entrelinhas” da Jovem Pan.

Os votantes deveriam responder a seguinte pergunta:

“Qual Brasil você prefere: o de Lula ou o de Bolsonaro?”

Participaram da votação 2.070.865 (dois milhões, setenta mil e oitocentos e sessenta e cinco pessoas).

Eis o resultado:

Bolsonaro: 1.378.087 (um milhão, trezentos e setenta e oito mil e oitenta e sete votos) ou 66,5% do total.

Lula: 692.778 (seiscentos e noventa e dois mil, setecentos e setenta e oito votos) ou 33,5% do total.

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A enquete está sendo escondida. Ninguém divulga. Ninguém fala nada. Ninguém publica nada. Silêncio total.

Então divulgue. Repasse aos seus amigos, conhecidos, familiares…

É o “DataPovo” falando.

Informações Jornal da Cidade


Críticas ocorrem após os dois países cogitarem ingressar na Otan

Presidente da Rússia, Vladimir Putin Foto: EFE/EPA/ALEXEI NIKOLSKY / SPUTNIK /KREMLIN POOL 

Nesta sexta-feira (25), após iniciar uma invasão à Ucrânia, a Rússia decidiu “ameaçar” mais dois países da Europa: a Finlândia e Suécia. Em ambos os casos, o posicionamento ocorre após os dois países cogitarem ingressar na Otan.

O anúncio da “operação militar no leste da Ucrânia” foi feito pelo presidente russo, Vladimir Putin, em um discurso transmitido na televisão na madrugada de quinta-feira (24). De acordo com ele, o “objetivo é proteger as pessoas que são submetidas a abusos, genocídio de Kiev durante oito anos, e, para isso, buscaremos desmilitarizar e desnazificar a Ucrânia e levar à Justiça aqueles que cometeram vários crimes sangrentos contra pessoas pacíficas, incluindo cidadãos russos”.

Ao comentar sobre a questão da Finlândia, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia falou em “sérias repercussões militares e políticas.

– Consideramos o compromisso do governo finlandês com uma política militar de não alinhamento [com a Otan] um fator importante para garantir a segurança e a estabilidade no norte da Europa. A adesão da Finlândia à Otan teria sérias repercussões militares e políticas – disse em comunicado.

Já sobre a Suécia, a “ameaça” partiu da porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Mariya Zakharova, que afirmou que, se a Suécia tentar ingressar na Otan, isto acarretaria “graves consequências político-militares” que poderiam “exigir que nosso país responda”.

Informações Pleno News


Paulo Maiurino (à esq.) foi substituído por Márcio Nunes de Oliveira - Arte/ UOL
Paulo Maiurino (à esq.) foi substituído por Márcio Nunes de Oliveira Imagem: Arte/ UOL

O ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira (PP), assinou portaria hoje (25) para trocar o diretor-geral da Polícia Federal, Paulo Maiurino, pelo secretário-executivo do Ministério da Justiça, Márcio Nunes de Oliveira. Ele era o número 2 da pasta comandada pelo ministro Anderson Torres.

A mudança significa que o comando da Polícia Federal vai ficar ainda mais próximo do ministro Torres. O titular da pasta da Justiça é delegado da PF, mas fontes da corporação viam a escolha de Maiurino como um aceno ao Judiciário, já que ele trabalhou em tribunais na capital federal.

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Esta é a terceira troca no comando da corporação na gestão de Jair Bolsonaro (PL). O primeiro chefe da PF foi Maurício Valeixo, que ficou de janeiro de 2019 a abril de 2020. Ele foi substituído por Rolando Souza, que assumiu em abril de 2020 e saiu em abril de 2021. Maiurino entrou em seguida.

Braço direito de ministro

Márcio Nunes de Oliveira, novo diretor da PF - Reprodução/Ministério da Justiça - Reprodução/Ministério da Justiça
Márcio Nunes de Oliveira, novo diretor da PFImagem: Reprodução/Ministério da Justiça

Oliveira era o chefe da unidade regional da PF em Brasília. Depois que Torres assumiu o ministério, ele se tornou seu braço direito.

A mudança foi confirmada via Twitter pelo ministro da Justiça. Segundo Torres, foi ele quem convidou Maiurino para trabalhar com na secretaria responsável pelo combate às drogas, a Senad.

“Ao Dr. Maiurino, meu reconhecimento pelo trabalho diário de reforçar o papel da Polícia Federal como instituição autônoma sim, mas com respeito a preceitos fundamentais da corporação, como hierarquia e disciplina. Sua experiência profissional será fundamental à frente da SENAD”, disse.

Torres também desejou a Márcio Nunes “votos de sucesso em mais essa desafiadora missão da sua valorosa carreira”. “Caberá ao senhor dar continuidade ao trabalho do Dr Maiurino, incrementando a eficiência e o profissionalismo da Polícia Federal, diariamente!”, completou.

Saída surpreende auxiliares

A saída de Maiurino surpreendeu até seus auxiliares mais próximos. Os que trabalham com ele no gabinete estavam em São Paulo e não sabiam da mudança.

Maiurino estava com assessores e diretores na capital paulista fazem acordos de cooperação com bancos e empresas de tecnologia para combate a crimes cibernéticos. Ele chegou à cidade na terça-feira (22) e tinha agenda até hoje. Ele estava acompanhando do diretor de Combate ao Crime Organizado, Luís Flávio Zampronha, e do diretor de recursos humanos, Oswaldo Gomide.

Currículo de Márcio Nunes Oliveira

Márcio Nunes Oliveira é delegado da PF. Ele assumiu da chefia da unidade regional da corporação em Brasília, uma das mais importantes do país, em 2018. Chegou ao cargo pelas mãos de Élzio Vicente da Silva, que havia sido escolhido para ser diretor de Combate ao Crime Organizado na gestão de Rogerio Galloro, em 2018

Discreto, Oliveira evita aparecer. Com isso, consegue andar sem ser muito assediado. Era comum vê-lo sair a pé da Superintendência da PF, no Setor Policial Sul de Brasília, para fazer um lanche à tarde na Enap (Escola Nacional de Administração Pública).

Ele ingressou na Polícia Federal em 2002, um ano depois de formar-se em direito. Dois anos depois, era chefe da repressão a drogas da corporação em Goiás. Entre 2011 e 2013, chefiou o serviço de inteligência contra tráfico de armas e crimes contra o patrimônio.

Em 2017, quando Élzio Vicente era chefe da PF em Brasília, tornou-se diretor-regional-executivo da unidade.

Oliveira tem pós-graduação lato sensu em Direito Penal e Processual Penal pela Universidade Cândido Mendes.

Ministro deve decidir se disputa eleições

Anderson Torres - Marcelo Camargo/Agência Brasil - Marcelo Camargo/Agência Brasil
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Anderson TorresImagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Anderson Torres deve decidir se fica no ministério ou se disputa as eleições. Cargos no legislativo são uma opção, mas não a única. Ele foi assessor parlamentar de deputado e da associação dos delegados da PF por muitos anos.

Com a possível saída do ministro, era ventilada a troca do comando na PF. Se essa troca acontece agora — como, de fato, ocorreu —, reduzem-se as chances de a polícia ser comandada por uma pessoa fora do raio de confiança de Torres mesmo que ele esteja em campanha eleitoral e o ministro da Justiça seja outra pessoa.

Por outro lado, o raciocínio inverso também é verdadeiro. Policiais ouvidos pelo UOL entendem que são maiores as chances de Anderson Torres permanecer no ministério em vez de se candidatar. Um experiente delegado vê esse cenário como um bom palpite.

Outro policial enxerga que Torres pode se tornar um ministro ainda mais importante no governo se ficar no cargo. O raciocínio é que a atuação dele na pasta da Justiça já lhe deu projeção política maior que a de muitos colegas. Quando os demais titulares da Esplanada deixarem seus postos para concorrer às eleições, Torres será ainda mais importante para o governo.

Mesmo que Jair Bolsonaro (PL) perca as eleições em 2023, esse policial entende que o ministro não será escanteado para uma fronteira ou algum posto menor da polícia. O primeiro motivo é que isso soaria como perseguição clara. O segundo é que o Torres poderia obter uma boa posição, como ex-ministro da Justiça, até em outros governos estaduais.

Informações UOL


Foto: Cleia Viana/Câmara dos Deputados

Começa na próxima quinta-feira (3) e vai até 1º de abril o prazo para deputados federais e estaduais mudarem de partido sem correr o risco de perder o mandato. Mesmo antes da chamada janela partidária, 39 deputados já deixaram a legenda pela qual foram eleitos em 2018. Por enquanto, o número é bem menor em comparação com a legislatura passada, quando 117 deputados mudaram de sigla no mesmo intervalo de tempo (entre 1º de fevereiro de 2015 e 24 de fevereiro de 2018).

Até o momento, o partido mais beneficiado com as trocas partidárias foi o PL, que ganhou 11 deputados e perdeu apenas 3. Em seguida, o Republicanos recebeu 4 deputados e perdeu 1.

Eleição, fusão e incorporação
O cenário eleitoral está entre os principais motivos para a troca de partido. É o que explicou o 1º vice-presidente da Câmara dos Deputados, Marcelo Ramos (PL-AM), ao anunciar neste mês sua filiação ao PSD. “O meu estado é diferenciado, tem um quociente de 230 mil votos para nove candidatos, o que não é nada fácil de ser atingido. Assim, qualquer decisão tem a ver com o projeto político, mas tem a ver também com a possibilidade eleitoral.”

A fusão ou incorporação de partidos é outra motivação para mudança de legenda, especialmente fora do período da janela partidária. Em 2019, quando a cláusula de barreira passou a vigorar, houve a incorporação do Partido Republicano Progressista (PRP) ao Patriota; e do Partido Pátria Livre (PPL) ao Partido Comunista do Brasil (PCdoB). Três deputados do PRP optaram por seguir para outras legendas: PSL, PL e PSD.

No ano passado, o TSE aprovou o pedido de incorporação do Partido Humanista da Solidariedade (PHS) ao Podemos (Pode). No entanto, seis deputados do PHS foram para outras legendas: três para o PL, dois para o PP e um para o DEM.

Bancadas
A expectativa é que as trocas durante a janela partidária alterem a composição das bancadas na Câmara dos Deputados. O partido União Brasil, resultante da fusão do PSL com o DEM, conta atualmente com a maior bancada, de 81 integrantes. Antes da fusão, o PSL tinha a maior bancada, com 55 deputados. O segundo lugar permanece com o PT, com 53 deputados.

Nas eleições de 2018, 30 partidos elegeram representantes para a Câmara dos Deputados. Com a fusão recente e outras incorporações e trocas de legenda, o número de siglas caiu para 23.

Com informações da Agência Câmara de Notícias


Em sua live semanal, Jair Bolsonaro lembrou que ele é o presidente da República

Presidente Jair Bolsonaro em sua live semanal Foto: Reprodução/Print de vídeo publicado por Jair Bolsonaro nas redes sociais

Nesta quinta-feira (24), durante sua tradicional live pelas redes sociais, o presidente Jair Bolsonaro falou sobre a questão envolvendo a Rússia e a Ucrânia e repreendeu o vice-presidente, Hamilton Mourão, por declarações sobre o conflito. Bolsonaro explicou que a Constituição determina que ele é quem se pronuncia sobre esse tipo de assunto.

A invasão ocorreu na madrugada desta quinta-feira (24), após semanas de tensão na fronteira da Rússia com a Ucrânia. O anúncio da “operação militar no leste da Ucrânia” foi feito pelo presidente russo, Vladimir Putin, em um discurso transmitido na televisão. De acordo com ele, o “objetivo é proteger as pessoas que são submetidas a abusos, genocídio de Kiev durante oito anos, e, para isso, buscaremos desmilitarizar e desnazificar a Ucrânia e levar à Justiça aqueles que cometeram vários crimes sangrentos contra pessoas pacíficas, incluindo cidadãos russos”.

Ao comentar o ataque russo, Mourão disse à imprensa que o “Brasil não está neutro. O Brasil deixou muito claro que ele respeita a soberania da Ucrânia. Então, o Brasil não concorda com uma invasão do território ucraniano. Isso é uma realidade”.

Ao falar sobre as declarações de seu vice, no entanto, Bolsonaro lembrou que ele é o presidente.

– Uma matéria aqui. ‘Brasil, tal, tal, não concorda com invasão da Ucrânia’. Vou deixar uma coisa bem clara. O artigo 84 da Constituição diz que quem fala sobre assunto é o presidente. E o presidente é Jair Messias Bolsonaro. E ponto final – ressaltou.

Ele então disse que Mourão estava “falando algo” que não devia e que não era da “competência dele”.

– Com todo respeito a essa pessoa que falou isso. E eu vi as imagens, falou mesmo. Está falando algo que não deve. Não é de competência dela. É de competência nossa (…) Quando é que fala-se qualquer coisa sobre esse problema Rússia e Ucrânia? Eu falo depois de ouvir o ministro de Relações Exteriores, Carlos França, e o ministro da Defesa, Braga Netto. E ponto final (…) A decisão é minha, mas quero ouvir as pessoas que são ministros para tratar desses assuntos – explicou.

Por fim, Bolsonaro afirmou que o Brasil quer a paz.

– Somos da paz. Nós queremos a paz. Viajamos em paz para a Rússia. Fizemos um contato excepcional com o presidente [Vladimir] Putin. Acertamos a questão de fertilizantes para o Brasil. Somos dependentes de fertilizantes da Rússia, da Bielorrússia (…) E o país mais importante no mundo chama-se Brasil. E eu sou presidente do Brasil. Tudo que estiver ao nosso alcance, faremos pela paz. Quem fala dessas questões chama-se Jair Messias Bolsonaro. E quem tem dúvida disso, basta procurar na Constituição. E quem fala disso está dando “piruada” – destacou.

Informações Pleno News


Foto: José Cruz/Agência Brasil
Foto: José Cruz/Agência Brasil

Foto: José Cruz/Agência Brasil

Entre os candidatos alinhados com o projeto presidencial do ex-condenado Lula, Jacques Wagner é o segundo a desistir da candidatura a governador.

Antes, Randolfe Rodrigues havia tomado a mesma iniciativa, sob a alegação de que seria mais útil na coordenação da campanha do petista.

Com o recuo de Wagner, os aliados políticos estão em polvorosa em busca de um substituto.

O senador Otto Alencar, do PSD, é tido como o favorito, pois é considerado um nome ‘confiável’.

Para tanto, Otto terá que desistir de sua reeleição para o senado.

Por sua participação na CPI da Covid, onde saiu com a imagem bastante desgastada, o senador tem pouquíssimas chances de êxito eleitoral.

Por outro lado, Lula não gostou da decisão de Wagner. O meliante petista sente que isso prejudica o seu palanque no estado.

Informações Jornal da Cidade


Por J. R. Guzzo

Será que o ministro Luís Roberto Barroso se esquece, de tempos em tempos, que é um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) do Brasil, e não um militante político individual, que pode ir aonde quiser e falar o que bem lhe der na telha? Não há nenhuma hipótese de acontecer nada parecido. Barroso faz questão de se exibir como ministro da “Suprema Corte” 24 horas por dia, 60 minutos por hora, sem dar descanso a ninguém – e, se por acaso, alguém se esquecer disso por um instante, lá estará ele para lembrar: “Atenção aí: eu sou ministro do STF.”

Ele sabe perfeitamente o que está fazendo, portanto, e faz isso perfeitamente de propósito, quando vai a um seminário nos Estados Unidos cujo tema é: “Como se livrar de um presidente” – ou “How to ditch a president”, no título oficial em inglês. Agora, honestamente: pode uma coisa dessas? Barroso é membro de um dos três poderes constitucionais do Estado brasileiro; é inaceitável, dos pontos de vista ético, moral e político que vá a um país estrangeiro e participe de um evento que discute a eliminação de presidentes da República. Sua desculpa, pelo que se imagina, é que o seminário fala sobre esse assunto no “genérico”; não diz, com todas as letras, “como se livrar do presidente Jair Bolsonaro”. Só faltava que dissesse. Uma criança de dez anos de idade entende muito bem do que estão falando, e porque Barroso foi lá.

O ministro e muitos dos seus colegas de STF estão jogando de maneira cada vez mais aberta na desordem política. Jamais passou pela cabeça de nenhum juiz da Suprema Corte americana, ou de qualquer outro supremo tribunal de país democrático, vir ao Brasil, ou a Cochinchina, para falar em derrubar um presidente da República constitucionalmente eleito; a mera noção disso é um absurdo integral.

Mas Barroso nem liga. É isso mesmo o que quer: criar tumulto num ano eleitoral decisivo. Um magistrado do STF, pelo que manda a Constituição, tem como obrigação fiscalizar a legitimidade constitucional das leis e decisões de governo deste país – só isso. Não pode ser um militante político; é, além de ilegal, falta de decoro no exercício da função. Se Barroso faz o que faz, e sabe perfeitamente que não pode fazer o que está fazendo, é porque vê a si próprio como a figura número 1 da oposição brasileira – e porque acredita, sem dúvida, que o seu comportamento ilegal não pode ser julgado por ninguém. Nenhum ministro do STF tem esse direito.


Foto: REUTERS/Antonio Bronic

Aumento das pressões inflacionárias e redução das perspectivas de crescimento econômico serão alguns dos efeitos da guerra entre Rússia e Ucrânia na economia brasileira, segundo especialistas consultados pela Forbes.

Na madrugada de hoje (24), o presidente russo Vladimir Putin ordenou uma invasão total da Ucrânia por terra, ar e mar, dando início ao maior conflito armado na Europa desde a Segunda Guerra Mundial. Putin disse que não tinha outra opção a não ser ordenar o que chamou de uma operação especial contra a Ucrânia, dizendo que todas as tentativas anteriores de Moscou para alterar a situação de segurança não deram em nada.

Os mercados acionários globais amanheceram em território de baixa, e até mesmo o bitcoin caiu para seu menor nível em um mês, a US$ 34.324, refletindo o movimento de venda de ativos mais arriscados.

Confira os demais efeitos da guerra entre Rússia e Ucrânia.

Aumento dos preços do petróleo

A Rússia é o terceiro maior produtor e segundo maior exportador de petróleo do mundo, e um conflito envolvendo o país prejudica o fornecimento da commodity. Os efeitos da diminuição da oferta podem ser ainda mais devastadores por conta do crescimento da demanda por combustíveis com a reabertura das economias pós-pandemia.

Hoje, os preços dos petróleos Brent e WTI atingiram os níveis mais altos desde agosto e julho de 2014, respectivamente. O Brent subia 5,37% para US$ 102,25 o barril às 15h35 do horário de Brasília, enquanto o WTI avançava 3,65% para US$ 95,46 o barril.

O aumento dos preços impulsionou os papéis da Petrobras (PETR3 e PETR4), que registram ganhos na tarde de hoje.

Roberto Dumas, professor de economia internacional do Insper, aponta que o repasse desses aumentos deve encarecer ainda mais os combustíveis no Brasil, o que, por sua vez, pode reforçar argumentos para a privatização da petroleira.

“Podemos ter uma pressão maior do Executivo para intervir na Petrobras, principalmente por causa das eleições”, argumenta ele. Desde o ano passado, o presidente Jair Bolsonaro expressa interesse em privatizar a estatal e alterar a política de preços de combustíveis da petrolífera.

Cláudio Mastella, diretor-executivo de comercialização e logística da Petrobras, afirmou nesta manhã que a empresa avaliará os impactos da alta volatilidade da commodity no mercado internacional antes de tomar qualquer decisão sobre os preços domésticos.

Sobem os preços do gás natural e, consequentemente, dos alimentos

A Rússia é a maior fornecedora de gás natural para a Europa – o país é responsável por cerca de 35% da oferta ao continente. Por isso, o início de um conflito, bem como a imposição de sanções a Moscou, terá efeitos negativos sobre o setor energético da zona do euro.

Apesar de não depender do fornecimento russo, o Brasil também fica suscetível à redução da oferta de gás natural.

Pedro Brites, professor da escola de relações internacionais da FGV (Fundação Getulio Vargas), explica que a maior parte dos fertilizantes importados pelo Brasil vem da Rússia. Esses produtos são produzidos a partir de gás natural – especialmente os nitrogenados, fosfatados e o cloreto de potássio.

O gás natural chegou a registrar alta de 40% na Europa no pregão de hoje. Com o repasse desses aumentos, a agricultura brasileira também deve ser impactada, e os preços dos alimentos devem subir.

Brites também chama atenção para o fato de o Brasil possuir uma participação significativa no mercado de importação de trigo. “Mais de 80% do trigo importado pelo nosso país vem da Argentina. Mas como esses preços são cotados internacionalmente, surge uma pressão inflacionária sobre os alimentos também.”

A Rússia e a Ucrânia respondem por 29% das exportações globais de trigo, 19% do fornecimento mundial de milho e 80% das exportações mundiais de óleo de girassol.

Busca por ativos de maior segurança

Tradicionalmente, períodos de incerteza na economia mundial elevam a busca por mercados e ativos considerados mais seguros, como ações de empresas norte-americanas, dólar e ouro.

Após acumular perdas de 2,5% no início da semana, o dólar voltou a subir frente ao real, e opera em alta de mais de 2% nesta tarde. O mesmo avanço foi observado em outros países emergentes, como a Turquia, que viu a lira cair mais de 5% frente à divisa norte-americana neste pregão.

Esse movimento interrompe o recente fluxo de entrada de recursos estrangeiros na Bolsa brasileira. “A narrativa da busca por ativos de ‘valor’, a despeito da fuga de tecnologia e empresas ainda sem lucro, contribuiu para que o Brasil recebesse um fluxo muito positivo nos últimos meses”, comenta João Beck, economista e sócio da BRA.

“Essa narrativa foi reforçada pela alta das taxas de juros globais, que prejudicou empresas com previsão de lucro mais à frente e reforçou a busca por empresas de valor – característica mais presente no Ibovespa”, complementa.

Às 15h35 do horário de Brasília de hoje, o Ibovespa registrava queda de 2,16%.

Juros em alta e crescimento em baixa

Segundo os especialistas, diante das pressões inflacionárias observadas principalmente no setor energético, a guerra entre a Rússia e a Ucrânia deve intensificar ainda mais a política monetária contracionista no Brasil.

Em sua última reunião, no início do mês, o Copom (Comitê de Política Monetária) elevou a Selic, taxa básica de juros, em 1,5 ponto percentual pela terceira vez consecutiva, a 10,75% ao ano. Economistas esperam, agora, que ela chegue a 12,25% no final de 2022, enquanto analistas do Citi citam 12,75% como o patamar máximo do atual ciclo de aperto monetário.

“Se nós víamos um PIB [Produto Interno Bruto] estável em 2022, ou com avanço de 0,3%, agora eu já aposto em um recuo de 0,5% diante desse cenário contracionista”, afirma Dumas.

Os conflitos no leste europeu não devem trazer benefícios ao cenário macroeconômico brasileiro, embora algumas empresas de exportação, que têm receita em dólar, possam encontrar algumas vantagens.

“Não temos muitos precedentes recentes de guerras que aconteceram no coração da Europa”, comenta Brites. “Mas podemos citar o conflito entre o Irã e os EUA há alguns anos, que também provocou a elevação do barril de petróleo.”

O professor explica que os demais impactos econômicos vão depender do agravamento da crise: “Se houver uma participação mais efetiva dos países europeus e dos Estados Unidos no conflito, por exemplo, o cenário pode ficar mais crítico.”

Informações Forbes


Forças Armadas também convocaram cidadãos para defender o país

Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky Foto: EFE/EPA/SERGEY DOLZHENKO

Nesta quinta-feira (24), o governo da Ucrânia utilizou as redes sociais para pedir à população do país que ajude o Exército a economia. A iniciativa ocorre após a Rússia invadir o país.

A invasão ocorreu na madrugada desta quinta-feira (24), após semanas de tensão na fronteira da Rússia com a Ucrânia. O anúncio da “operação militar no leste da Ucrânia” foi feito pelo presidente russo, Vladimir Putin, em um discurso transmitido na televisão. De acordo com ele, o “objetivo é proteger as pessoas que são submetidas a abusos, genocídio de Kiev durante oito anos, e, para isso, buscaremos desmilitarizar e desnazificar a Ucrânia e levar à Justiça aqueles que cometeram vários crimes sangrentos contra pessoas pacíficas, incluindo cidadãos russos”.

– Não cometa erros. Os ucranianos prevalecerão. Lutamos contra os impérios russo e soviético no passado e — sempre — a liberdade e a democracia venceram. Nós precisamos do seu apoio agora. Apoie o exército e a economia ucranianos. Vamos #ParaaAgressãodaRússia juntos – disse a Ucrânia em sua publicação.

Na mesma publicação, o governo ucraniano colocou um link pedindo doações financeiras. Os recursos serão destinados ao “apoio logístico e médico das Forças Armadas da Ucrânia”.

Já em outra publicação, as Forças Armadas ucranianas convocaram cidadãos para a luta contra a Rússia. “Quem estiver pronto para manter as armas, junte-se às fileiras das Forças Armadas da Ucrânia. Simplificamos todos os procedimentos. Tudo o que precisa é de um passaporte. Apenas um passaporte. Damos as armas a todos os patriotas que estão prontos para usá-las contra o inimigo sem hesitação! Mantendo a calma!”, disse o ministro da Defesa, Oleksii Reznikov.

Informações Pleno News