Presidente brasileiro manifestou preocupação com ofensiva de Donald Trump na Venezuela

O ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, em encontro com Lula da Silva, seu aliado | Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
O ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, em encontro com Lula da Silva, seu aliado | Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

A captura de Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos provocou um recálculo estratégico imediato no governo de Luiz Inácio Lula da Silva. O presidente brasileiro convocou a cúpula das Forças Armadas para uma reunião de emergência no Palácio do Planalto, na qual demonstrou preocupação com a operação ordenada por Donald Trump e solicitou um diagnóstico detalhado sobre os riscos de uma ação militar estrangeira no Brasil. De acordo com informações do jornal Folha de S.Paulo, o cenário apresentado pelos comandos militares revela que o país carece de sistemas de defesa antiaérea capazes de dissuadir potências globais.

O panorama da defesa nacional sofreu mudanças drásticas nos últimos dois anos. No fim de 2023, as Forças Armadas mobilizaram aviões, blindados e tropas para a fronteira com a Venezuela logo que Maduro ameaçou invadir a região de Essequibo, na Guiana. Naquela ocasião, a manobra visava a evitar que o ditador venezuelano utilizasse o território brasileiro para sua ofensiva terrestre. Dois anos depois, os militares brasileiros migraram de uma estratégia de dissuasão regional para tratativas de urgência diante de uma intervenção direta de Washington no país vizinho.

O diagnóstico de vulnerabilidade e o plano de investimentos de Lula

Durante o encontro no Planalto, Lula ouviu dos comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica que o Brasil não possui equipamentos de proteção aérea para resistir a uma incursão como a verificada em Caracas em 3 de janeiro. Integrantes do governo relataram à Folha de S.Paulo que, na visão de militares de alta patente, o país estaria indefeso perante o poderio bélico dos Estados Unidos. Embora o petista não considere que o Brasil corra riscos imediatos de invasão, ele determinou a elaboração de projetos que garantam o mínimo de soberania militar.

Em resposta ao pedido presidencial, o Ministério da Defesa apresentou um plano de investimentos de longo prazo orçado em R$ 800 bilhões ao longo de 15 anos. A proposta prevê uma vinculação orçamentária anual de R$ 53,3 bilhões, valor que supera consideravelmente os atuais R$ 15 bilhões previstos para o programa de defesa nacional em 2026. Os militares aproveitaram o clima de tensão no continente para pressionar por uma ampliação inédita nos gastos em defesa, visando a modernizar tecnologias obsoletas.

Diplomacia e a relação com Donald Trump

Apesar do alerta militar, o governo Lula aposta no campo diplomático para evitar o isolamento ou o confronto com a nova gestão norte-americana. Ao contrário de Nicolás Maduro, que mantinha uma postura de constante embate com Washington, o presidente brasileiro busca evitar o estiramento das relações. Celso Amorim, assessor especial para assuntos internacionais, participou ativamente das discussões, mantendo o foco na estabilidade da América do Sul após a queda do regime chavista.

O horizonte para março indica uma mudança de tom. Lula e Donald Trump estabeleceram um canal de comunicação direta e devem se encontrar na Casa Branca para discutir a nova configuração geopolítica da região. Enquanto o plano de R$ 800 bilhões segue em análise pela equipe econômica, o governo tenta equilibrar o desejo de fortalecer as Forças Armadas com a necessidade de manter uma convivência pragmática com a administração Trump, motivada pelo interesse mútuo na estabilidade econômica e energética do continente.

Informações Revista Oeste


Correios informaram ao Metrópoles que correspondências têm sido recusadas pela administração da penitenciária; PM nega acusação

O ex-presidente Jair Bolsonaro: alvo de acusações sem fundamentos e provas, segundo o MPF | Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
O ex-presidente Jair Bolsonaro: alvo de acusações sem fundamentos e provas, segundo o MPF | Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Correspondências enviadas por apoiadores ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), atualmente detido na Papudinha, que faz parte do Complexo da Papuda, no Distrito Federal, não chegam ao destinatário desde meados de janeiro, segundo reportagem do portal Metrópoles publicada nesta sexta-feira, 20.

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O material, remetido via Correios, é encaminhado ao 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, responsável pela Papudinha, mas permanece sem entrega efetiva ao ex-presidente.

De acordo com um denunciante, cuja identidade foi preservada, as cartas acabam retornando aos Correios sem nem sequer ser aceitas pelo batalhão responsável e sem que haja explicações oficiais sobre os motivos da recusa. O resultado é que dezenas de correspondências se acumulam e aguardam devolução aos remetentes, enquanto outras já foram encaminhadas de volta aos endereços originais.

Correios confirmam recusa sistemática

Em resposta, os Correios confirmaram que continuam tentando entregar as cartas no Núcleo de Custódia do 19º BPMDF no Complexo Penitenciário da Papuda, mas encontram recusa sistemática. “No entanto, os objetos postais destinados ao ex-presidente Jair Bolsonaro têm sido recusados no momento da entrega no destino”, afirmou a empresa em nota ao Metrópoles.

PM nega recusa

Já a Polícia Militar do Distrito Federal negou a recusa e declarou, em nota, que cumpre integralmente a legislação vigente, especialmente quanto ao direito dos detentos de receberem e enviarem correspondências.

“O Núcleo de Custódia da PMDF (NCPM) cumpre rigorosamente as disposições legais vigentes, bem como todas as determinações emanadas do Poder Judiciário”, ressaltou a corporação. “Até o presente momento, não há qualquer decisão judicial que imponha restrição ou retenção de correspondências destinadas ao custodiado.”

A PMDF ainda enfatizou que não administra o fluxo externo de correspondências, nem mantém acordos operacionais com os Correios para cartas endereçadas aos detentos, limitando-se ao recebimento formal do que é entregue. “O procedimento adotado pela Unidade limita-se ao recebimento formal das correspondências regularmente entregues em suas dependências, as quais são submetidas aos protocolos internos de inspeção e segurança e, estando em conformidade com as normas aplicáveis, são prontamente disponibilizadas ao destinatário.”

Informações Revista Oeste


Primeira-dama restringe visita de Lurian ao pai, Alckmin presencia conflito e ministros ficam à distância

Lurian (à direita) posa para fotos ao lado de Janja, do pai e do namorado, durante desfile no Rio de Janeiro | Foto: Divulgação/PR
Lurian (à direita) posa para fotos ao lado de Janja, do pai e do namorado, durante desfile no Rio de Janeiro | Foto: Divulgação/PR 

A festa para o presidente Lula da Silva no Sambódromo do Rio terminou com um enredo paralelo. No camarote da Prefeitura, a primeira-dama Janja da Silva e a filha do petista Lurian Cordeiro Lula da Silva se desentenderam na noite deste último domingo, 15.

Segundo o jornal Folha de S.Paulo, o atrito ocorreu durante o desfile da Acadêmicos de Niterói, que homenageou Lula e, dois depois, foi rebaixada da Especial para a Série Ouro do Carnaval carioca. Enquanto a escola exaltava a trajetória do petista na Marquês de Sapucaí, o clima pesava nos bastidores.

Janja restringe acesso

Autoridades, ministros e familiares foram convidados para o camarote oficial. No entanto, Lula permanecia em uma sala reservada, de acesso controlado. De acordo com relatos, a entrada dependia de autorização direta do presidente e da primeira-dama.

Janja da Silva, à frente da ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco | Foto: Reprodução X
Janja da Silva, à frente da ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco | Foto: Reprodução X

Lurian entrou no espaço para cumprimentar o pai. Ela estava acompanhada de Thiago, neto de Lula e filho de Marcos, o primogênito do presidente. O estresse teria começado quando, segundo pessoas presentes, Janja advertiu que o momento não comportava conversas prolongadas. 

Alckmin testemunha conflito

A orientação foi objetiva: beijo, cumprimento e saída estratégica. Lurian reagiu dizendo que desejava conversar com o pai. A resposta, segundo relatos, veio em tom mais firme: “Aqui não é lugar para isso”. A troca de palavras ocorreu na presença do vice-presidente Geraldo Alckmin e de sua mulher, Lu Alckmin. Com a porta aberta, assessores da Presidência e da Prefeitura teriam ouvido a discussão. 

Lurian, ainda conforme os relatos, elevou o tom e afirmou que Janja não conhece uma estrutura familiar entre pais e filhos. Depois da confusão, pai e filha se despediram. Lurian voltou à área onde estavam ministros e convidados, visivelmente emocionada. Apesar da tentativa dos assessores de manter a discrição, a história se espalhou rapidamente pelo camarote. 

Nos corredores, ministros aguardavam a chance de falar com o presidente, mas enfrentavam o mesmo obstáculo: a sala reservada permanecia sob rígido controle. A justificativa era evitar tumulto em um espaço pequeno. A situação se agravou no caso da ministra da Cultura, Margareth Menezes. Incentivada por colegas a conversar com Lula, ela não conseguiu autorização para entrar na sala.

Enquanto isso, o secretário-executivo da pasta, Márcio Tavares dos Santos, permaneceu no ambiente restrito. Ele é próximo à primeira-dama e acompanhou Lula até a avenida para cumprimentar integrantes das escolas de samba. A assessoria da Cultura informou ao jornal que Margareth estava de férias e que o secretário trabalhava. 

Sobre o controle de acesso à sala privada, a pasta orientou que o tema fosse tratado com a Presidência. Procurada pela imprensa, Lurian disse não ter visto Janja. Apenas o pai. A assessoria da primeira-dama, que acompanha Lula ao exterior, evitou comentários.

Informações Revista Oeste


O ministro André Mendonça, novo relator do caso do Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que a Polícia Federal (PF) terá “carta branca” para trabalhar nas investigações. A declaração, feita pelo magistrado a interlocutores, foi confirmada à CNN Brasil pelo gabinete de Mendonça.

Segundo relatos, o ministro também tem dito que considera o inquérito o mais relevante de sua trajetória e que o desfecho deverá marcar sua biografia. Por isso, ele teria apontado que pretende conduzir o processo com extrema correção.

As declarações do magistrado, com o gesto de reforço à autonomia da PF, surgem como contraponto em comparação ao relator anterior do caso, o ministro Dias Toffoli. Na ocasião, decisões de Toffoli limitaram o acesso da corporação a materiais apreendidos, determinando que documentos permanecessem sob guarda do gabinete e que a análise fosse feita apenas por peritos designados pelo Supremo.

O posicionamento de Mendonça também foi visto como contraste em relação a críticas feitas por outros integrantes da Corte. Durante a reunião reservada no STF que tratou da relatoria do caso Master, o ministro Alexandre de Moraes teria afirmado que alertou o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, de que a investigação não poderia continuar se houvesse alguma descoberta sobre autoridades.

*Pleno.News
Foto: Victor Piemonte/STF


Decisão cita ausência de nexo causal em acusações que iam de ‘rachadinhas’ a genocídio

Foto: Clauber Cleber Caetano/PR

O Ministério Público Federal (MPF) decidiu arquivar a representação que solicitava a abertura de investigação contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e seus familiares por supostos crimes cometidos durante a pandemia de Covid-19 e por uso indevido da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Segundo o órgão, não há elementos mínimos nem comprovação documental que justifiquem a apuração.

De acordo com a decisão, a notícia de fato foi fundamentada em informações genéricas e inespecíficas, sem a apresentação de provas ou de fatos concretos. O despacho foi assinado pela procuradora da República Luciana Furtado de Moraes, do Núcleo Criminal da Procuradoria da República em Minas Gerais.

A representação atribuía a Bolsonaro e a familiares crimes como genocídio durante a pandemia de Covid-19, envolvimento com milícias, tráfico de drogas, corrupção, prática de “rachadinhas”, envenenamento de autoridades, perseguição política, uso indevido da Abin e atentados à ordem democrática.

Na decisão, o MPF afirmou que os conteúdos citados no pedido têm natureza jornalística ou opinativa e não possuem valor probatório, além de não especificarem fatos concretos a serem investigados. O órgão também destacou que as informações apresentadas são genéricas e baseadas em relatos pessoais e avaliações subjetivas.

“Tais passagens, contudo, não estabelecem nexo causal identificável com condutas atribuídas a agentes públicos federais, tampouco apresentam elementos que indiquem verossimilhança ou que permitam qualquer providência investigativa por parte do MPF”, afirmou a procuradora.

O MPF informou ainda que o autor da representação tem prazo de dez dias para recorrer da decisão. O processo tramita sob sigilo, a pedido do denunciante.

Informações Bahia.ba


A Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Unafisco) divulgou nota em que afirmou ver com “preocupação” as medidas adotadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), contra servidores suspeitos de vazamento de dados fiscais de parentes de integrantes da Corte.

Segundo a Unafisco, as investigações ainda são “preliminares” pela própria Receita Federal e, por isso, é preciso respeitar o devido processo legal e da presunção da inocência.

– A Unafisco Nacional manifesta preocupação com a adoção de medidas cautelares gravosas contra Auditor-Fiscal em contexto ainda classificado como análise preliminar pela própria Receita Federal – diz a nota.

A entidade diz ainda que “defende que eventuais irregularidades sejam rigorosamente apuradas, mas sempre com observância do devido processo legal, da presunção de inocência e da proporcionalidade das medidas adotadas” e que a “aplicação de sanções cautelares extremas exige fundamentação robusta e lastro probatório consistente”.

O órgão lembra que já houve caso anterior em que houve punições a servidores que depois se mostraram inocentes das acusações.

– Em 2019, também utilizando o Inquérito das Fake News, o ministro Alexandre de Moraes afastou dois auditores fiscais acusados de vazamento de informações fiscais de parentes de ministros do STF. Posteriormente a acusação mostrou-se sem nenhum lastro probatório, tendo sido os dois auditores fiscais reintegrados – disseram.

SOBRE O CASO
Na manhã desta terça, a Receita Federal informou que detectou violação de informações de autoridades protegidas por sigilo no curso da investigação.

A Receita não especificou oficialmente se os dados vazados pertencem a ministros do Supremo e seus parentes. Contudo, diversos veículos de imprensa apuraram que houve quebra de sigilo fiscal da esposa do ministro Alexandre de Moraes, Viviane Barci de Moraes, além do filho de um outro ministro da Corte.

O Supremo informou que “foram constatados diversos e múltiplos acessos ilícitos ao sistema da Secretaria da Receita Federal do Brasil, seguindo-se de posterior vazamento das informações sigilosas”.

A Corte divulgou os nomes de quatro servidores públicos, da “própria Receita ou cedidos por outros órgãos”, suspeitos de acessarem ilegalmente as informações: Luiz Antônio Martins Nunes, Luciano Pery Santos Nascimento, Ruth Machado dos Santos e Ricardo Mansano de Moraes.

Os investigados foram afastados das funções e tiveram os sigilos bancário, fiscal e telemático quebrados. Eles estão proibidos de saírem das cidades onde residem e obrigados ao recolhimento domiciliar no período noturno e aos finais de semana. Os suspeitos tiveram os passaportes retidos e estão proibidos de deixar o país e de ingressar nas dependências do Serpro – empresa pública de tecnologia – e da Receita.

Para a Unafisco, os servidores não podem ser transformados em “bodes expiatórios” para conflitos institucionais.

– Os auditores fiscais da Receita Federal não podem, mais uma vez, ser transformados em bodes expiatórios em meio a crises institucionais ou disputas que não lhes dizem respeito. A Receita Federal é órgão de Estado e seus servidores não podem ser submetidos a exposição pública ou constrangimentos institucionais antes da conclusão das apurações – completa.

*AE
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil


A Corte negou liminar para barrar homenagem a Lula, mas mantém processo aberto e vai avaliar ‘possíveis excessos’

Lula com dirigentes da escola de samba Acadêmicos de Niterói | Foto: Divulgação
Lula com dirigentes da escola de samba Acadêmicos de Niterói | Foto: Divulgação/Acadêmicos de Niterói

O desfile em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Marquês de Sapucaí, realizado na madrugada deste domingo, 15, vai ser analisado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O processo em tramitação apura eventual prática de propaganda eleitoral antecipada durante a apresentação.

Na semana passada, a Corte negou pedido de liminar para impedir a realização do desfile. A ação foi apresentada pelo Partido Novo, que apontou possível propaganda irregular e uso de recursos públicos no evento. 

Para os ministros, a proibição prévia poderia configurar censura, já que a Justiça Eleitoral não pode impedir manifestações artísticas nem punir ilícitos ainda não consumados. Apesar disso, os magistrados alertaram para o risco de ilegalidades e decidiram manter o processo aberto para examinar eventuais irregularidades depois do evento.

A relatoria está com a ministra Estela Aranha, indicada por Lula em 2025. Com o desfile já realizado, os autores da ação podem requerer a juntada de novas provas contra o presidente, o PT e a Acadêmicos de Niterói. 

Em seguida, será aberta a fase de manifestação das partes acusadas, e o Ministério Público Eleitoral deve emitir um parecer. O julgamento depende da inclusão do caso na pauta do tribunal, definida atualmente pela presidente, ministra Cármen Lúcia. 

Em junho, o comando da Corte será assumido por Kássio Nunes Marques, indicado por Jair Bolsonaro. 

Público e autoridades sentados no plenário do Tribunal Superior Eleitoral durante sessão de julgamento, em ambiente formal e institucional.
O TSE é responsável por garantir a lisura e a legalidade das eleições no Brasil | Foto: Agência Brasil/Divulgação.

Ministros citaram preocupação com “possíveis excessos” antes do desfile

Na sessão da última quinta-feira, 12, quando foi analisado o pedido de liminar, os ministros demonstraram preocupação com possíveis excessos. Nunes Marques afirmou que a Justiça Eleitoral acompanhará atentamente o caso e ressaltou que a negativa da liminar não representa um salvo-conduto. 

Cármen Lúcia classificou o desfile como um “ambiente muito propício a excessos, abusos e ilícitos”, comparando-o a uma “areia movediça”. Já o ministro André Mendonça ponderou que, embora a homenagem possa ser entendida como manifestação artística, o uso intensivo de elementos que remetam à disputa eleitoral pode comprometer a paridade de armas e confundir expressão cultural com propaganda vedada.

Pela legislação, a propaganda eleitoral só é permitida a partir de 5 de julho do ano da eleição. Antes disso, qualquer ato que busque influenciar o eleitorado e angariar votos pode ser enquadrado como propaganda antecipada.

A caracterização da irregularidade não é objetiva e depende da análise do caso concreto, com base na interpretação dos juízes e na jurisprudência da Justiça Eleitoral. Um dos entendimentos consolidados é que não pode haver pedido explícito de voto. Também podem indicar irregularidade referências ao processo eleitoral, exaltação de qualidades de eventual candidato, menção a número de urna e ataques a adversários.

No desfile da Sapucaí, um trecho do samba-enredo menciona “13 dias e 13 noites”, o que pode ser interpretado como alusão ao número do PT. A penalidade prevista é multa entre R$ 5 mil e R$ 25 mil, ou valor equivalente ao custo da propaganda, se superior. A sanção pode atingir tanto quem promoveu o ato quanto o beneficiário.

Para evitar questionamentos, o diretório do PT no Rio divulgou orientações à militância, recomendando que não houvesse pedido de voto, uso de número de urna ou slogan eleitoral, nem impulsionamento com conteúdo de caráter eleitoral. Também orientou a não utilização de roupas, bandeiras ou símbolos associados ao número 13 ou às eleições de 2026, além de evitar expressões como “Lula 2026” e ofensas a adversários.

Informações CNN Brasil e Revista Oeste


O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), disse a interlocutores que recebeu valores da empresa Maridt, que integrou o quadro de proprietários do Tayayá Resort, por ser sócio do negócio ao lado de familiares. A explicação surgiu após a Polícia Federal (PF) passar a investigar repasses financeiros ligadas ao caso.

Segundo Toffoli, a Maridt é uma empresa familiar da qual ele participa há anos. O nome dele não aparece em registros públicos porque a companhia é uma sociedade anônima em um modelo no qual a lista de acionistas não é divulgada. Apenas dois irmãos do ministro figuram formalmente como administradores.

A empresa possuía 33% do Tayayá Resort e vendeu sua participação em 2021 ao fundo Arleen, ligado à estrutura financeira associada ao Banco Master. De acordo com o magistrado, os valores recebidos decorrem dessa operação e foram lícitos, declarados à Receita Federal e com origem e destino rastreáveis.

Toffoli também afirmou que, posteriormente, o próprio fundo teria revendido as ações do resort a terceiros, obtendo lucro. O ministro ressaltou ainda que, no exercício de sua função no Supremo, deferiu pedidos da Polícia Federal em investigações relacionadas ao Banco Master, incluindo medidas como buscas e apreensões.

SOBRE OS REPASSES
Mensagens encontradas pela Polícia Federal (PF) no celular do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, mencionam supostos pagamentos ao ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF). A informação, que consta em perícia concluída nesta quarta-feira (11), foi divulgada pelo jornalista Caio Junqueira, da CNN Brasil.

De acordo com apuração da CNN Brasil, autoridades públicas aparecem citadas em conversas extraídas dos aparelhos do banqueiro. Em alguns trechos, o cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, que também é investigado, faz referência a transferências de valores que estariam relacionadas ao magistrado.

Investigadores relataram à CNN que o próprio Toffoli também teria feito menções a pagamentos, mas de forma cifrada. A linha de apuração da PF busca esclarecer se eventuais repasses teriam origem em uma empresa que foi sócia de um fundo ligado ao Banco Master no resort Tayayá, empreendimento frequentado pelo ministro e que pertenceu a seus irmãos.

O gabinete de Dias Toffoli se manifestou e afirmou que o pedido de suspeição do ministro, formulado no contexto das investigações sobre o banco, se baseia em “ilações” e não possui respaldo jurídico. Segundo a nota, a Polícia Federal não teria legitimidade para requerer a medida por não ser parte no processo, conforme o artigo 145 do Código de Processo Civil.

A defesa de Daniel Vorcaro também se pronunciou e demonstrou preocupação com o que classificou como vazamentos seletivos de informações. Em nota, os advogados afirmam que a divulgação de trechos das investigações gera “constrangimentos indevidos”, favorece “a construção de narrativas equivocadas” e prejudica o direito de defesa.

– A defesa reafirma sua confiança nas instituições e no regular funcionamento da Justiça, destacando que o esclarecimento completo das questões em análise depende de apuração técnica, equilibrada e conduzida com respeito às garantias fundamentais – dizem os advogados de Vorcaro.

Confira, na íntegra, a nota emitida pelo ministro sobre o caso na manhã desta quinta-feira (12):

A Maridt é uma empresa familiar, constituída na forma de sociedade anônima de capital fechado, prevista na Lei 6.404/76, devidamente registrada na Junta Comercial e com prestação de declarações anuais à Receita Federal do Brasil. Suas declarações à Receita Federal, bem como as de seus acionistas, sempre foram devidamente aprovadas.

O Ministro Dias Toffoli faz parte do quadro societário, sendo a referida empresa administrada por parentes do Ministro. De acordo com a Lei Orgânica da Magistratura, no artigo 36 da Lei Complementar 35/1979, o magistrado pode integrar o quadro societário de empresas e dela receber dividendos, sendo-lhe apenas vedado praticar atos de gestão na qualidade de administrador.

A referida empresa foi integrante do grupo Tayaya Ribeirão Claro até 21 de fevereiro de 2025. A participação anteriormente existente foi integralmente encerrada por meio de duas operações sucessivas, sendo a primeira a venda de cotas ao Fundo Arllen, em 27 de setembro de 2021, e a segunda a alienação do saldo remanescente à empresa PHD Holding, em 21 de fevereiro de 2025.

Deve-se ressaltar que tudo foi devidamente declarado à Receita Federal do Brasil e que todas as vendas foram realizadas dentro de valor de mercado. Todos os atos e informações da Maridt e de seus sócios estão devidamente declarados à Receita Federal do Brasil sem nenhuma restrição.

A ação referente à compra do Banco Master pelo BRB foi distribuída ao Ministro Dias Toffoli no dia 28 de novembro de 2025. Ou seja, quando há muito a Maridt não fazia mais parte do grupo Tayaya Ribeirão Claro.

Ademais, o Ministro desconhece o gestor do Fundo Arllen, bem como jamais teve qualquer relação de amizade e muito menos amizade íntima com o investigado Daniel Vorcaro. Por fim, o Ministro esclarece que jamais recebeu qualquer valor de Daniel Vorcaro ou de seu cunhado Fabiano Zettel.

*Pleno.News
Fotos: Nelson Jr./SCO/STF // Divulgação/Tayayá (site)


Alfredo Gaspar disse que ‘o Brasil não aguenta mais esse tráfico de influência’

Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, ministros com relação direta com o Master | Foto: Reprodução/X

O deputado federal Alfredo Gaspar (União-AL), relator da CPMI do INSS, comentou as recentes revelações sobre troca de mensagens entre o ministro Dias Toffoli, relator do caso do Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF), e Daniel Vorcaro, dono da instituição bancária. 

Além disso, o celular do banqueiro, periciado pela Polícia Federal, mostra pagamentos do Master a Toffoli — admitidos pelo ministro. Ele disse que se referem à venda do Tayayá Resort, de sua família, a fundo ligado a Master. 

Para Alfredo Gaspar, “essa relação não institucional está devidamente explicada no pedido de suspeição” feito pelo PF ao presidente do STF, Edson Fachin. O pedido foi formulado depois que os agentes encontraram as mensagens que comprometem Toffoli. 

Até agora, Dias Toffoli tem se recusado a deixar a relatoria do caso. Ele tem sido criticado por medidas adotadas no caso, como a decretação de sigilo absoluto. Gaspar lembrou que o ministro impediu a CPMI do INSS de acessar as provas do caso. “É um absurdo que o ministro Dias Toffoli não tenha permitido o acesso da CPI aos dados telemáticos do senhor Vorcaro, o presidente do Banco Master”, declarou. 

Toffoli até mesmo impediu que as provas recolhidas na segunda fase da operação sobre o Master — quando o celular de Vorcaro foi apreendido — fossem levadas para a PF. Mandou a Procuradoria-Geral da República (PGR), comandada por Paulo Gonet, ficar com o material e escolheu os peritos da PF que participariam da análise do material. 

Gonet, mesmo com os fortes indícios, revelados pela imprensa, de que Toffoli tinha relação com Vorcaro por meio do Tayayá, não pediu a suspeição do ministro. Ele arquivou pedidos com esse teor. 

“Mais ministro envolvido”, diz Gaspar

O relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar | Foto: Carlos Moura/Agência Senado
O relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar | Foto: Carlos Moura/Agência Senado

No vídeo no qual comentou a relação de Toffoli com o Master, Alfredo Gaspar também disse que “tem mais ministro envolvido”. “O Brasil não aguenta mais esse tráfico de influência e tem mais ministro envolvido”, declarou, sem citar nomes. “Nós precisamos esclarecer os fatos e passar os poderes constituídos a limpo.”

Outro nome de ministro relacionado ao Master é o de Alexandre de Moraes, cuja mulher, Viviane Barci de Moraes, tem um contrato de prestação de serviços com o banco de Vorcaro no valor de R$ 129 milhões, valor considerado inexistente na advocacia brasileira. Além disso, há apenas duas ações judiciais nas quais Viviane atuou para o Master.

Paralelamente a isso, Moraes teria se reunido com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, para tratar sobre a liquidação do banco cliente de sua mulher. O portal Metrópoles afirmou que o ministro visitou a mansão de Vorcaro em Brasília ao menos duas vezes. A suspeita é de que Moraes atuou como lobista, e os pagamentos foram feitos ao escritório de advocacia da família.

Informações Revista Oeste


O pré-candidato à presidência pelo PL disse, em conferência, que não acredita na possibilidade de o PSD chegar ao segundo turno

Flávio Bolsonaro conferência BTG
Flávio Bolsonaro participou de evento do BTG | Foto: Saulo Cruz/Agência Senado

O senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), afirmou, nesta quarta-feira, 11, que a próxima eleição presidencial vai representar a escolha entre o “caminho da prosperidade” e o “caminho das trevas”, referindo-se ao governo do atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). 

Segundo ele, sua eventual vitória poderia encerrar a polarização política por falta de novas lideranças no campo petista. Flávio comparou Lula a um “Opala velhão”, afirmando que o presidente representaria um modelo “atrasado e ultrapassado”.

Flávio deu as declarações durante o encerramento da CEO Conference 2026, organizada pelo banco BTG Pactual, da qual participou por teleconferência. Ele também apresentou diretrizes de seu plano de governo. Em sua explanação, para a jornalista Amanda Klein, o senador conciliou os conceitos da gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro, seu pai, com a promessa de um diálogo entre as instituições.

O parlamentar analisou as articulações partidárias para as próximas eleições. Ele não vê a terceira via, no caso o PSD, com força para se tornar uma opção à polarização entre o campo de aliados do ex-presidente Bolsonaro e o do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

“Todo mundo está vendo que há uma clara opção, por parte da grande maioria do eleitorado, que coloca Flávio Bolsonaro e o candidato ‘das trevas’ com pisos muito altos”, declarou Flávio. “Mas, tenho certeza de que essa possível terceira via, não estando, não passando para o segundo turno, não vai caminhar com o Lula também.”

O senador considera que partidos do Centrão com os quais mantém interlocução não deverão se alinhar ao PT. Ele citou conversas com dirigentes como Ciro Nogueira (PP), Antônio Rueda (União Brasil), Gilberto Kassab (PSD), Renata Abreu (Podemos) e Marco Pereira (Republicanos). Segundo ele, as legendas ainda avaliam os impactos de eventuais alianças nacionais sobre suas estratégias regionais.

O pré-candidato destacou que o processo de definição de apoios segue o calendário político, lembrando do prazo de 5 de abril. Trata-se da data-limite para a desincompatibilização de chefes do Executivo, como momento decisivo para maior clareza sobre o quadro eleitoral. 

Flávio disse que vai respeitar partidos que optarem por candidaturas próprias e trabalhar para ampliar sua base de apoio, descrevendo o movimento como uma “caminhada da vitória”. Ele considerou “acertada” a escolha de seu nome como candidato a presidente, defendida por seu pai, em lugar de Tarcísio. Baseou-se, para tanto, nos resultados das últimas pesquisas, que, segundo ele, indicaram um crescimento “consistente e irreversível” de sua candidatura.

Na pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira, por exemplo, ele é o candidato com menor diferença em relação a Lula no segundo turno, com 43% para o presidente e 38% para Flávio. A diferença, que era de sete pontos em janeiro e de dez pontos em dezembro, caiu para cinco. Flávio disse que espera pelo apoio de Tarcísio, a quem chamou de “genial.”

“Todo mundo estava apostando que o Tarcísio seria o candidato indicado pelo presidente Bolsonaro”, ressaltou. “Ele aparecia nas pesquisas com números melhores do que os do Flávio Bolsonaro. Só que se passaram esses dois meses e várias pesquisas já mostram isso com relação a mim.”

Sobre a possibilidade de Romeu Zema (Novo) ser candidato a vice-presidente em sua chapa, Flávio disse não ter conversado sobre isso com o atual governador de Minas Gerais. Ele admitiu que o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) terá participação na definição do nome de um aliado de Bolsonaro ao governo daquele Estado, apesar de não ter confirmado que Nikolas será o candidato.

Flávio Bolsonaro e o plano de governo

Em relação ao seu plano de governo, Flávio combinou a defesa de uma agenda liberal com um discurso rigoroso na segurança pública. Ele falou em corte de gastos. “Nossa proposta é um tesouraço”, afirmou Flávio. “O Brasil precisa de previsibilidade. O atual arcabouço fiscal é baseado em mentiras que visam apenas aumentar a arrecadação para sustentar gastos populistas.”

Outra meta de Flávio é ampliar sua projeção para além do eleitorado tradicional dos aliados do ex-presidente Bolsonaro. Em sua apresentação, Flávio realçou ainda a importância do investimento em Educação básica, como solução para que jovens não sejam recrutados pelo crime e encontrem uma “rampa de saída” social.

O senador acrescentou que pretende introduzir uma diplomacia pragmática. Ele não se referiu a expectativas de apoio do presidente Donald Trump, dos Estados Unidos (EUA). No entanto, destacou que busca dialogar com todas as potências (EUA, China, Israel e mundo árabe). Definiu, nesta estratégia, o Brasil como o “celeiro do mundo”, em função também do potencial de receber investimentos árabes em infraestrutura caso, segundo ele, a segurança jurídica seja restaurada.

Informações Revista Oeste