Apuração amplia lista de ativos e inclui imóveis, aeronaves e obras de arte
Daniel Bueno Vorcaro, proprietário do Banco Master | Foto: Divulgação/Banco Master
O processo de liquidação do Banco Master avançou nos Estados Unidos e passou a mapear novos bens associados a Daniel Vorcaro. Documentos divulgados na última quinta-feira, 9, pelo Tribunal de Falências da Flórida mostram que o liquidante identificou ativos de alto valor, incluindo quatro aeronaves e seis imóveis. As informações são do portal Metrópoles.
Entre os bens listados aparece uma propriedade avaliada em cerca de R$ 385 milhões. O levantamento também menciona ativos que já não estão mais formalmente em nome do empresário, mas que teriam integrado seu patrimônio.
O liquidante enviou intimações a empresas norte-americanas com autorização judicial. Ele quer saber se essas companhias mantiveram relações comerciais com Vorcaro ou com dirigentes do Master atingidos pela indisponibilidade de bens determinada pelo Banco Central.
A estratégia busca rastrear transações envolvendo ativos e identificar eventuais compradores, vendedores e valores negociados. Parte das empresas notificadas está registrada em Delaware, Estado conhecido por regras societárias mais flexíveis e por permitir estruturas com maior grau de confidencialidade.
Imóveis e obras de arte ampliam lista de ativos
Os documentos citam propriedades localizadas em Sunny Isles Beach, Aspen, Sabal Palm, em Miami, além de outros endereços na mesma cidade.
A residência situada em Aspen, no Estado do Colorado, aparece com endereço detalhado e corresponde a um imóvel que teria sido negociado por US$ 77 milhões em 2024, segundo o site Zillow.
O levantamento também inclui quatro obras atribuídas a Jean-Michel Basquiat e Pablo Picasso, adquiridas em uma galeria de Nova York e já mencionadas no processo.
O liquidante também questionou empresas sediadas na Flórida sobre possíveis vínculos com quatro aviões. Apenas uma dessas aeronaves, um Gulfstream 700, já havia sido associada publicamente a Vorcaro.
O ex-prefeito de Salvador e pré-candidato ao Governo da Bahia ACM Neto (União Brasil) disse, nesta quinta-feira (9), desejar que o governador Jerônimo Rodrigues (PT) aceite um debate para que seja feito uma comparação entre ambos os legados. A fala foi feita à imprensa durante posse da nova diretoria da Federação das Indústrias do Estado da Bahia, realizada no auditório do SENAI Cimatec. A entidade seguirá sendo presidida pelo empresário Carlos Henrique de Oliveira Passos no quadriênio 2026-2030.
Antes deste evento, ACM Neto participou também da posse do desembargador Maurício Kertzman Szporer como presidente do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA). A solenidade foi realizada no auditório do órgão, no Centro Administrativo da Bahia (CAB), reunindo autoridades do Judiciário, membros do Ministério Público, secretários municipais e representantes de diversas instituições.
“Eu estou louco para o governador topar um debate comigo, tête-à-tête, e a gente ter a oportunidade de fazer uma comparação entre o que cada um fez, o legado, as ações, o que mudou de verdade na vida das pessoas, pelo trabalho de cada um. E deixa no final o eleitor julgar. Há quatro anos atrás, a gente venceu aqui em 65% dos votos, e eu tenho certeza que vai julgar novamente esse ano. Nada melhor do que o julgamento do povo”, afirmou.
O ex-prefeito respondeu às críticas feitas pelo governador, que o acusou de arrogância por classificar o petista como o pior gestor do estado. Neto rebateu afirmando que a avaliação negativa não parte dele, mas da população.
“Quem diz isso não sou eu, não. Quem diz isso é a população, são as pesquisas, é a avaliação do governo dele, um governo que não tem uma marca, um governador que prometeu muito há quatro anos atrás e não cumpriu praticamente nada. A rejeição de Jerônimo é maior do que a sua aprovação em quase todas as pesquisas, o que é absolutamente inédito para um governador da Bahia”, declarou.
Na sequência, ACM Neto citou áreas sensíveis da administração estadual para justificar as críticas. “A gente olha no que é essencial à vida dos baianos. Prometeu zerar a fila da regulação. Está aí o caos na saúde pública. Prometeu dar segurança ao cidadão. A Bahia é o estado mais violento do Brasil hoje. Prometeu gerar emprego. A Bahia é campeã em desemprego, campeã em pobreza. Essas são as marcas do governo Jerônimo Rodrigues”, disse.
O ex-prefeito também mencionou dados de pesquisas de opinião para reforçar seu posicionamento. “A rejeição de Jerônimo é maior do que a sua aprovação em quase todas as pesquisas, o que é absolutamente inédito para um governador da Bahia”, declarou.
Alianças Questionado sobre a articulação política e a chegada de novos partidos à base de oposição, Neto destacou o fortalecimento do grupo. “Eu acho que a gente está muito bem composto agora com essa chegada importante do Podemos, a gente inclusive fazendo a maioria de partidos, a maioria de tempo de televisão, o que não é comum para quem disputa uma eleição na oposição, como é o nosso caso, contra o sistema de governo”, disse.
Ele ainda reforçou o sentimento de mudança crescente na Bahia. “Mas eu acho que é esse sentimento de mudança que reúne e junta esses partidos, que estão, ao meu ver, convencidos da necessidade de a gente construir uma nova história para a Bahia”, salientou.
Uma pesquisa realizada pelo Instituto Veritá entre os dias 13 e 19 de março mostra Flávio Bolsonaro (PL) à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na corrida eleitoral. A pesquisa ouviu 40.500 eleitores e colocou para escolha os pré-candidatos declarados ao cargo de presidente da República.
O representante da direita foi escolhido por 35,9% dos eleitores, enquanto o atual presidente foi escolhido por 33,2% dos participantes. Brancos e nulos totalizaram 20% dos votos. Os outros seis pré-candidatos mencionados somaram 11% das intenções de voto.
De acordo com o instituto, a pesquisa foi realizada por iniciativa própria, tem margem de erro de 1,0 ponto percentual e nível de confiança de 95%. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-02476/2026.
*Pleno.News Fotos: Edilson Rodrigues/Agência Senado e Andre Borges/EFE
Resolução para 2026 define critérios para candidaturas e prevê responsabilização de magistrados
O documento afirma que o candidato “compromete-se a defender a responsabilização de Ministros do STF” | Foto: Gustavo Moreno/STF
O partido Novo publicou nesta quarta-feira, 8, a Resolução 72, que estabelece diretrizes para as eleições de 2026. O texto determina que candidatos ao Senado pela sigla devem defender a responsabilização de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
A norma exige que o postulante ao cargo se comprometa a apoiar a abertura de processos de impeachment em casos previstos. O documento afirma que o candidato “compromete-se a defender a responsabilização de Ministros do STF, inclusive mediante apoio à instauração de processo de impeachment”.
A resolução lista condutas que podem motivar esse tipo de medida, como crime de responsabilidade, abuso de autoridade, quebra de decoro no exercício do cargo, atos de corrupção e envolvimento em escândalos. Segundo o texto, essas situações tornam incompatível a permanência na função.
Documento declara que o país “não precisa de mais parlamentares covardes” | Foto: Rosinei Coutinho/STF
Regras internas do Novo e diretrizes eleitorais
Além da diretriz sobre o STF, o documento define critérios para escolha de candidatos. Entre eles estão alinhamento com os princípios do partido, reputação ilibada, capacidade eleitoral e cumprimento das normas internas e da legislação vigente.
A resolução também trata da fidelidade partidária. O texto proíbe dirigentes, mandatários e candidatos de fazer campanha por voto nulo, em branco ou em adversários quando houver candidatura própria.
Outro ponto estabelece regras para coligações. O partido veda alianças com federações formadas por PT, PC do B e PV, além de PSOL e Rede, sob justificativa de incompatibilidade ideológica.
Em trecho do documento, a sigla afirma que a exigência “não é simbólica” e diz que responde a um cenário de “decisões arbitrárias, interferências políticas e abusos de autoridade”.
O texto também declara que o país “não precisa de mais parlamentares covardes, que baixam a cabeça para abusos por conveniência ou medo”.
A resolução entrou em vigor na data de publicação e orienta a atuação do partido na formação de candidaturas e alianças para as eleições gerais de 2026.
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), embarcou, em 1° de janeiro de 2025, em um avião operado pela Prime You, empresa da qual Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, era sócio. A viagem ocorreu após Gilmar participar, em Diamantino (MT), da posse de seu irmão, Chico Mendes (União Brasil), como prefeito da cidade. O voo teve como destino a cidade de Brasília (DF).
Ao ser procurado, o ministro afirmou que não sabia da ligação entre a aeronave e a empresa associada a Vorcaro. Segundo Gilmar, ele apenas aceitou uma carona oferecida pelo empresário Marcos Molina, presidente do conselho de administração da MBRF, grupo formado a partir da fusão entre BRF e Marfrig.
Por meio de assessoria, a companhia confirmou que a viagem aconteceu. A empresa informou ainda que Molina possui uma cota da aeronave utilizada no trajeto, mas negou que exista qualquer relação comercial ou pessoal entre o empresário e Daniel Vorcaro.
Registros do Aeroporto de Brasília apontam que a aeronave, identificada pelo prefixo PT-PVH, deixou Diamantino às 16h38 com destino à capital federal. O avião é um Phenom 300, da Embraer. Embora a aeronave pertença à empresa PT-PVH Administração de Bem Próprio, ela é operada pela Prime You. A companhia é presidida por Marcus Vinícius da Mata.
Com esse deslocamento, sobe para quatro o número de ministros do STF que utilizaram aeronaves ligadas a Daniel Vorcaro. Além de Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Nunes Marques também fizeram viagens em aviões operados por empresas relacionadas ao empresário.
Segundo levantamento baseado em registros de entrada no terminal executivo do Aeroporto de Brasília e no histórico de voos das aeronaves, ministros do Supremo e familiares realizaram ao menos 11 trajetos em aviões vinculados a Vorcaro.
Alexandre de Moraes e a esposa foram os que mais utilizaram essas aeronaves. Eles fizeram oito viagens entre Brasília e aeroportos de São Paulo, como Congonhas e Catarina. Uma delas ocorreu em 7 de agosto de 2025, após uma sessão do STF. No dia seguinte, Moraes encontrou Daniel Vorcaro em São Paulo, conforme mensagens atribuídas ao banqueiro.
Toffoli, por sua vez, aparece em três deslocamentos ligados a empresários. Um dos voos foi feito em aeronave da Prime Aviation, empresa que tinha participação de Vorcaro. Nunes Marques, por sua vez, viajou em novembro para Maceió acompanhado da esposa e de amigos em uma aeronave da Prime You. O trajeto foi custeado pela advogada Camilla Ewerton Ramos, que atua para o Banco Master.
Nunes Marques reconheceu que participou do voo e disse que a viagem foi paga pela advogada. Alexandre de Moraes afirmou que costuma contratar serviços de diferentes empresas de táxi aéreo, e Dias Toffoli não se manifestou.
Escritórios de figuras políticas conhecidas receberam repasses do banco
Temer, Lewandowski e Mantega Fotos: PR/Isac Nóbrega // PR/Ricardo Stuckert // PR/Roberto Stuckert Filho
Documentos do Imposto de Renda do Banco Master enviados à CPI do Crime Organizado, no Senado, registram pagamentos feitos pela instituição a empresas e escritórios ligados a ex-ministros, dirigentes partidários e até ao ex-presidente Michel Temer (MDB). Segundo os dados, os repasses somam R$ 65 milhões entre 2023 e 2025.
Entre os beneficiários está o escritório de Temer, que aparece com R$ 10 milhões recebidos no período. Em nota, o ex-presidente confirmou que seu escritório prestou serviços ao Banco Master, mas afirmou que o valor do contrato foi menor, de R$ 7,5 milhões, que teriam sido pagos por uma “atividade jurídica de mediação”.
As empresas dos ex-ministros da Fazenda Henrique Meirelles e Guido Mantega também aparecem nos registros. A empresa de Meirelles recebeu R$ 18,5 milhões, enquanto a de Mantega recebeu R$ 14 milhões. Mantega informou que prestou consultoria econômica e financeira ao Banco Master em 2024 e durante parte de 2025.
– Quando firmei o contrato não tinha conhecimento de nenhuma irregularidade eventualmente cometida por essa instituição financeira – afirmou.
Meirelles igualmente confirmou a relação comercial.
– Mantive um contrato de serviços de consultoria sobre macroeconomia e mercado financeiro com o Banco Master, em caráter opinativo, entre março de 2024 e julho de 2025 – disse.
Os documentos também apontam o pagamento de R$ 5,4 milhões a uma empresa de consultoria ligada ao ex-prefeito de Salvador e pré-candidato ao governo da Bahia, ACM Neto (União Brasil). Em nota, ele afirmou que os serviços prestados foram lícitos e que nenhum dos sócios da empresa ocupava cargo público na época do contrato. Ele não comentou os valores.
– Imperativo relembrar que foi apresentada petição à PGR e ao STF na qual a A&M [empresa de ACM] se coloca à disposição para prestar eventuais esclarecimentos e detalhes dos serviços prestados, assim como requereu que se apurasse o vazamento de dados fiscais sigilosos – informou.
Outro pagamento identificado foi de R$ 6,1 milhões a um escritório utilizado por familiares do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal e ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski. A equipe de Lewandowski afirmou que, após deixar o STF em abril de 2023, ele voltou a atuar na advocacia e prestou consultoria jurídica ao Banco Master.
Também há registro de R$ 6,4 milhões pagos ao escritório de Antonio Rueda, presidente nacional do União Brasil. A defesa de Rueda declarou que não confirma informações baseadas em dados fiscais “supostamente vazados”, mas afirmou que todos os serviços prestados foram legais. Segundo a nota, os trabalhos incluíram pareceres, reuniões, audiências, manifestações em processos e acordos judiciais.
– Os serviços jurídicos prestados ao conglomerado Master tiveram caráter estritamente técnico, com atuação relevante e devidamente documentada – afirmou.
A solicitação envolvia também dados de investigações da Polícia Federal sobre fraudes no Banco Master
O ministro André Mendonça, durante uma sessão plenária no STF – 11/03/2026 | Foto: Ton Molina/Fotoarena/Estadão Conteúdo
O Supremo Tribunal Federal (STF), por meio do ministro André Mendonça, barrou o envio de informações sobre a morte de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como Sicário, à CPI do Crime Organizado. A solicitação envolvia também dados de investigações da Polícia Federal sobre fraudes no Banco Master, instituição associada ao banqueiro Daniel Vorcaro.
Em resposta formal encaminhada ao senador Fabiano Contarato (PT), presidente da CPI, Mendonça explicou que os dados requisitados permanecem sob sigilo, pois as diligências policiais ligadas aos dois casos seguem em andamento. O ministro destacou que o compartilhamento das informações dependerá da conclusão das investigações conduzidas pela PF.
Sigilo das investigações e Operação Compliance Zero
“Nada obstante a superlativa relevância que possui a Comissão Parlamentar de Inquérito instaurada para apurar e investigar a estrutura, o funcionamento e a expansão de organizações criminosas em território nacional, considerando que os pedidos contidos nos Requerimentos nº 211 e nº 237, de 2026, aprovados no âmbito do colegiado legislativo investigativo, buscam o compartilhamento de dados e elementos informativos colhidos nos processos judiciais em trâmite neste Supremo Tribunal Federal, sob minha relatoria, atinentes à Operação Compliance Zero, e, de modo mais específico, quanto às investigações promovidas sobre o Banco Master S.A., e o óbito de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão”, afirmou André Mendonça.
O magistrado acrescentou que, “em relação a ambos os fatos remanescem diligências instrutórias pendentes, estando ainda em curso as respectivas investigações, resta inviabilizado, no presente momento, o compartilhamento dos elementos informativos que lhes são correlatos, sem prejuízo de que, em momento ulterior, com o exaurimento das medidas instrutórias ainda em andamento, seja possível promover a reanálise da solicitação de Suas Excelências”.
O caso Sicário e sua ligação com o Banco Master
Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, apelidado Sicário, havia sido preso pela Polícia Federal no início de março. Ele tentou tirar a própria vida enquanto estava custodiado na Superintendência da PF em Minas Gerais e veio a falecer dois dias depois do ocorrido.
As investigações apontam Sicário como membro da chamada “A Turma”, de Daniel Vorcaro, grupo que seria responsável por ameaças e intimidações contra opositores do banqueiro, segundo apuração policial.
Pré-candidato a vice-governador na chapa liderada por ACM Neto afirma que interior sofre com a falta de planejamento do governo estadual
Ex-prefeito de Jequié e pré-candidato a vice-governador da Bahia, Zé Cocá Crédito: Divulgação
Anunciado como pré-candidato na chapa liderada por ACM Neto (União Brasil) ao governo da Bahia em março, Zé Cocá (PP) não quer ser um vice decorativo. Para isso, possui um objetivo claro: aproximar ainda mais o interior durante a campanha eleitoral e garantir que todas as regiões sejam priorizadas se for eleito. Em entrevista ao CORREIO, o ex-prefeito de Jequié abriu o jogo sobre o rompimento com o grupo governista, criticou a falta de planejamento de Jerônimo Rodrigues (PT) e disse acreditar que a eleição será definida em primeiro turno.
Zé Cocá foi prefeito de Lafaiete Coutinho, cidade baiana de 4 mil habitantes, em 2008, tendo sido reeleito quatro anos depois. Se elegeu deputado estadual e permaneceu no cargo até 2020, quando venceu a eleição para a prefeitura de Jequié. Em 2024, foi reeleito com 92% dos votos válidos. A trajetória política consolidada aliada à presença no interior foram alguns dos fatores determinantes para compor a chapa oposicionista.
O ex-prefeito de Jequié se afastou da base governista após constatar a quebra de promessas feitas durante a última campanha. Ainda entrevista, ele defende o combate rápido e eficaz ao crime organizado.
Em declarações passadas, o senhor afirmou que decidiu aderir à oposição após o descumprimento de promessas do grupo governista. Em que medida isso pesou para o seu ingresso na chapa de oposição ao PT?
A gestão pública é muito dinâmica. O governador fez vários compromissos com a nossa região e não vemos essas coisas acontecendo. Não tem como construir uma aliança quando isso acontece. Quando eu falei com Neto vi, além da determinação, uma pessoa altamente focada e planejada. E não se faz gestão pública sem planejamento. O que vemos no governo de Jerônimo é uma total falta de planejamento, uma desorganização, e quem perde é a população que está na ponta.
O interior do estado tem sido priorizado na atual gestão?
Creio que não. As ações no interior foram muito pequenas. Qual foi a grande obra estruturante de Jerônimo Rodrigues nesses quatro anos? Você não vê uma. Só vê pequenas obras em poucos lugares, muitas que já eram da gestão passada e não do governo dele. Então, o governador ganhou a eleição por conta do interior, perdeu nas grandes cidades e ganhou nas pequenas, mas não há planejamento para melhorar a vida das pessoas.
Para mim, quem fica com a maior responsabilidade é Jerônimo. Há quatro anos atrás, ele disse que ele e Lula iriam trazer a ponte, caso Lula ganhasse. Ele se escondeu atrás da chapa majoritária nacional, dizendo que se Lula ganhasse, a Bahia iria mudar. Mas eu me pergunto, o que mudou na Bahia nos últimos quatro anos? A ponte não saiu, a ferrovia Oeste-Leste também não. Não vemos obras estruturantes que melhorem a vida das pessoas sendo feitas em parceria com o governo federal.
Qual deve ser o impacto do cenário nacional nas eleições deste ano?
Essa polarização só é interessante para Jerônimo porque ele vai querer novamente se esconder atrás de Lula de novo. Mas dessa vez não tem como porque ele governou nos últimos quatro anos e precisa dizer o que fez no mandato. Na última eleição, ele era uma promessa, mas agora é realidade. Eu acho que a polarização é real, e a gente precisa discutir isso com muita sabedoria, com muita paciência para ver quem é o melhor candidato para a Bahia.
Um dos principais temas que devem ser debatidos nas eleições deste ano é a segurança pública. Por que o governo não consegue solucionar esse problema, na sua avaliação?
É uma questão de falta de planejamento e eficiência na gestão. Se o governo não tem um plano de gerenciamento de crise, não vai acontecer nunca. O governo, hoje, vive de tapar buracos. O que vemos nos presídios é falta de estrutura e segurança, além de indicações políticas, em sua maioria. Desse jeito, não tem como funcionar.
A Polícia Militar está querendo trabalhar, mas sem condições porque o Estado não tem um projeto de segurança arrojado e equilibrado. Então, os policiais sentem medo. Há uma perseguição mais aos policiais do que aos bandidos. Isso tudo deixa a polícia desmobilizada e desacreditada. Então, precisa de um projeto de governo bem organizado, ordenado, rápido e eficiente para gerenciar a crise. Goiás, por exemplo, fez isso, mas a Bahia, infelizmente, até hoje não conseguiu fazer.
Qual deverá ser o seu papel como vice-governador, caso seja eleito?
Quero participar com mérito, atraindo principalmente o interior para mais perto da gestão. Aquelas pessoas que mais precisam, que não tiveram acesso a emprego, renda, educação e à segurança pública de qualidade. Então, é aproximar de fato, para gerar riqueza para essas pessoas que não conseguem evoluir devido à distância das políticas públicas. Vamos mostrar, em um futuro próximo, que a gestão de Neto chegou em todos os quatro cantos da Bahia.
Nesta semana, o Novo, partido presidido no estado pelo ex-deputado federal José Carlos Aleluia, declarou apoio à pré-candidatura do grupo de oposição. Como avalia a ampliação da base de apoio?
É uma pauta muito importante. Aleluia vinha pontuando em todas as pesquisas, e a candidatura dele, polarizando entre o PT e a oposição, poderia fazer com que tivéssemos segundo turno, assim como aconteceu com (João) Roma na eleição passada. Ele foi muito responsável quando se sentou com a gente e discutiu para que a gente faça uma eleição competitiva, que seja de um único turno.
O senhor prevê, então, que a eleição seja decidida em primeiro turno? Por quê?
Sim. Essa eleição será definida em um único turno porque ficaram dois candidatos, além do candidato do PSOL, que na passada teve 0,5% dos votos. Não desmerecendo o candidato, mas não estamos vendo muita possibilidade de crescimento. Se na eleição passada tivesse sido (ACM) Neto, Jerônimo e o candidato do PSOL, teria terminado em primeiro turno. Então, a soma da oposição, todo mundo falando a mesma língua, cristaliza e fortalece ainda mais o voto a ACM Neto na Bahia.
Sergio Lima vai comandar a comunicação do pré-candidato à Presidência pelo Avante
O pré-candidato a presidente da República Augusto Cury (Avante) | Foto: Reprodução/YouTube/augustocury
Recém-lançado pré-candidato à Presidência da República, o psiquiatra e escritor Augusto Cury (Avante) já definiu o responsável por sua estratégia de comunicação. O marqueteiro será Sergio Lima, que até março deste ano integrava a equipe digital da pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL).
Lima também colaborou nas campanhas presidenciais de Jair Bolsonaro em 2018 e 2022, com atuação voltada principalmente aos meios digitais. Ele integrou ainda o grupo que tentou viabilizar, em 2019, a criação do partido Aliança pelo Brasil, projeto patrocinado pelo então presidente, mas que acabou não saindo do papel por falta de assinaturas para o registro.
Cury: busca de engajamento online
Além disso, o marqueteiro trabalhou em campanhas de outras legendas e projetos políticos, com foco na produção de conteúdo para redes sociais e posicionamento digital de candidatos. A partir de agora, ele deve iniciar a elaboração do material da pré-campanha de Cury, com prioridade para vídeos, peças gráficas e estratégias de engajamento online.
O marqueteiro Sérgio Lima, reforço na pré-campanha de Augusto Cury | Foto: Reprodução/Redes sociais
O objetivo inicial será apresentar o escritor a um público mais amplo do que o formado por seus leitores habituais. Aliados avaliam que o alcance já consolidado nas redes sociais pode servir como ponto de partida relevante para a campanha. Apenas no Instagram, o autor de best-sellers de autoajuda soma mais de 8 milhões de seguidores.
No YouTube, considerada a plataforma de maior penetração para conteúdos mais densos e explicativos, Cury reúne mais de 1,5 milhão de pessoas inscritas. No canal, o agora pré-candidato se apresenta como “fundador da escola da inteligência, programa educacional para gestão emocional, com mais de 400 mil alunos”.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem 40,4% das intenções de voto e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), 37%, segundo pesquisa Meio/Ideia publicada nesta quarta-feira (8). O resultado significa que os dois estão empatados tecnicamente. A margem de erro é de 2,5 pontos percentuais.
Os dados são relativos ao cenário estimulado de primeiro turno, mas o empate técnico se repete no segundo turno: Flávio, com 45,8%, ultrapassa numericamente Lula, que tem 45,5%.
O levantamento aponta também para uma disputa estabilizada neste momento. Na rodada anterior, em março, Lula tinha 40,3% e Flávio, 35%, no primeiro turno – ambos oscilaram dentro da margem.
No segundo pelotão, três nomes estão empatados tecnicamente. Ronaldo Caiado (PSD) tem 6,5% e Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo), registraram 3% das intenções de voto cada.
Indecisos são 8,5% e brancos e nulos, 1%. Aldo Rebelo (DC) tem 0,6%.
A pesquisa Meio/Ideia entrevistou 1.500 pessoas entre os dias 3 e 7 de abril. O nível de confiança é de 95%. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-00605/2026-BRASIL.
*AE Fotos: Sebastiao Moreira/EFE e Edilson Dantas/Agência O Globo