Donald Trump, ex-presidente dos Estados Unidos, foi condenado por fraude financeira ao ocultar um pagamento de US$ 130 mil para silenciar a atriz pornô Stormy Daniels durante a eleição de 2016, em que derrotou Hillary Clinton, do Partido Democrata. O júri em Nova York anunciou a decisão unânime nesta quinta-feira (30), declarando Trump culpado em todas as 34 acusações.
Perguntas e respostas sobre o caso:
1. Trump vai ser preso?
O juiz do caso, Juan Merchan, ainda vai determinar a pena, com a decisão esperada para 11 de julho. Na pior das hipóteses, Trump pode enfrentar até 4 anos de prisão. No entanto, analistas acreditam que é improvável que ele seja encarcerado. Circunstâncias que podem atenuar sua pena incluem:
Primeira condenação criminal.
Natureza não violenta do crime.
Idade de 77 anos.
Ex-presidente dos EUA e potencial candidato novamente. A condenação mais provável é uma multa e um período de liberdade condicional.
2. Legalmente, ele ainda pode ser presidente?
Nos EUA, uma pessoa condenada criminalmente pode concorrer à presidência, mesmo se estiver presa. A Constituição dos EUA estabelece as seguintes qualificações para a presidência:
Ser nascido nos EUA.
Ter pelo menos 35 anos.
Ter residido nos EUA por pelo menos 14 anos. Portanto, a Constituição não impede que uma pessoa condenada criminalmente seja presidente. Historicamente, pelo menos dois políticos concorreram à presidência apesar de condenações criminais:
Eugene Debs, cerca de 100 anos atrás, concorreu enquanto estava preso, como candidato do Partido Socialista, obtendo cerca de 1 milhão de votos.
Lyndon LaRouche concorreu em todas as eleições de 1976 a 2004, e em uma delas, mesmo preso, recebeu 26 mil votos. Esta é a primeira vez que um ex-presidente dos EUA é condenado criminalmente, e a reação do eleitorado é incerta. A eleição está marcada para 5 de novembro.
3. Como Trump reagiu ao veredito?
Trump alegou ser vítima de perseguição política, afirmando que o julgamento faz parte de uma campanha para impedir seu retorno à Casa Branca. Ao sair do tribunal, ele atacou o juiz e declarou que o “verdadeiro veredito” virá em novembro, durante a eleição: “Isso foi uma desgraça. Este foi um julgamento manipulado por um juiz em conflito de interesses e corrupto,” afirmou.
4. Quais outros casos criminais Trump enfrenta na Justiça?
Este foi o primeiro dos quatro casos criminais que Trump enfrenta. Nenhum dos outros três está previsto para julgamento neste ano. Trump espera retornar à Casa Branca para usar seu poder para se livrar desses problemas judiciais:
Caso da tentativa de reverter o resultado da votação na Geórgia: Trump é acusado de tentar reverter os resultados eleitorais no estado da Geórgia. A data do julgamento ainda não foi definida.
Caso dos documentos sigilosos: Após deixar o governo, Trump levou documentos sigilosos e foi processado por não os devolver.
Tentativa de se manter no poder após a derrota em 2020: Trump é réu por tentar se manter no poder ilegalmente após perder a eleição de 2020 para Joe Biden, com a invasão do Congresso em 6 de janeiro de 2021 sendo parte dessa campanha. A data do julgamento ainda não foi marcada.
Havia rumores sobre a saída de Nicolás Posse; renúncia foi confirmada na segunda-feira 27
O gabinete de Javier Milei informou que a renúncia de Nicolás Posse se deve à ‘diferença de critérios e expectativas no andamento do governo e nas tarefas que lhe foram confiadas’ | Foto: Reprodução/ Wikipedia
O presidente da Argentina, Javier Milei, aceitou a demissão de Nicolás Posse do cargo de chefe do Gabinete na segunda-feira 27. Guillermo Francos, atual ministro do Interior, assumirá a posição. A saída de Posse vinha sendo especulada havia alguns dias, com rumores de desentendimentos com Milei e sua irmã, Karina Milei, secretária-geral da Presidência.
Mais cedo, Manuel Ardoni, porta-voz da Casa Rosada, havia negado a possibilidade de saída de Posse quando questionado por jornalistas. No entanto, a Casa Rosada divulgou um comunicado em que confirma a substituição, destacando que Francos assumirá “com profissionalismo, experiência e capacidade política”.
O comunicado também ressaltou que a chefia de Gabinete absorverá as funções do Ministério do Interior, que será transformado em uma Secretaria do Interior sob a liderança de Lisandro Catalán. A nota sublinhou que a mudança visa a dar “maior volume político” ao governo.
Outro comunicado, emitido pela chefia do Gabinete e divulgado na imprensa argentina, afirmou que a renúncia de Posse foi motivada por “diferença de critérios e expectativas no andamento do governo e nas tarefas que lhe foram confiadas”.
Chefe do Gabinete continua apoiando ideias do governo Milei
Apesar de deixar o cargo, Posse continuará apoiando as ideias de Milei. “Posse continuará acompanhando, como faz desde o primeiro dia, as ideias de liberdade, a defesa da vida e da propriedade e o projeto de uma Argentina livre promovido pelo presidente Milei. Ele o fará a partir de uma nova função, que será anunciada nos próximos dias”, informou a nota.
Em uma entrevista coletiva na segunda-feira 27, Ardoni também anunciou que o governo vai fazer novas demissões de funcionários públicos federais. A segunda rodada de demissões está prevista para entrar em vigor em 30 de junho.
Desde que Javier Milei assumiu a Presidência, em dezembro do ano passado, mais de 11 mil funcionários federais foram dispensados, segundo a Associação de Trabalhadores do Estado (ATE). Em 26 de dezembro, Milei já havia demitido 5 mil funcionários por decreto.
Ardoni afirmou que as demissões são um “processo permanente e eterno” e que é importante “rever o funcionamento de determinadas áreas, qual o valor que acrescentam”. Ele destacou que essa medida se aplica a todos os ministérios e demais funcionários do governo. “A convocatória para a avaliação dos ministérios ocorre desde 10 de dezembro de 2023, e já houve funcionários que saíram”, disse Ardoni.
Após perder disputa na Justiça, o presidente Javier Milei terá que distribuir alimentos, armazenados em dois depósitos desde dezembro, a refeitórios comunitários administrados por organizações sociais. O governo já adiantou que irá recorrer da decisão.
De acordo com o jornal argentino Clarín, a decisão do juiz federal Sebastián Casanello ordenou ao Ministério do Capital Humano que informe a quantidade de alimentos armazenados e elabore um plano para sua “distribuição imediatamente”. A pasta interrompeu o abastecimento dos refeitórios no fim do ano passado argumentando que seriam auditados.
“Nós sempre fomos respeitosos e continuaremos sendo com a Justiça e com o que os juízes determinarem, o que não significa que não utilizaremos os instrumentos legais ao nosso alcance em questões com as quais não concordamos, como é o caso”, afirmou o porta-voz presidencial, Manuel Adorni, ao ser questionado em entrevista coletiva desta segunda-feira (27).
“Obviamente, vamos recorrer da decisão porque consideramos que isso não é uma questão judicial, mas uma definição de política pública, e a Justiça não pode interferir na política pública”, acrescentou Adorni.
Segundo ele, os alimentos armazenados nesses depósitos são destinados à resposta a eventuais catástrofes e não à assistência aos refeitórios comunitários.
Alguns dos mais proeminentes capitalistas do Vale do Silício estão planejando uma angariação de fundos para o ex-presidente Donald Trump no próximo mês. Essa iniciativa ocorre à medida que os republicanos buscam conquistar terreno na comunidade de doadores de tecnologia, que historicamente tem sido esmagadoramente democrata.
David Sacks e seu colega investidor de tecnologia, Chamath Palihapitiya, coanfitriões do popular podcast “All-In”, estão liderando esse esforço. Eles estão organizando um evento de angariação de fundos para Trump em San Francisco, marcado para o dia 6 de junho, conforme revelado por um convite obtido pelo jornal Financial Times.
Essa movimentação sinaliza uma mudança de lealdade entre os líderes do Vale do Silício, que tradicionalmente apoiaram o presidente Joe Biden. No entanto, alguns desses influentes empresários estão agora expressando críticas ao atual governo e considerando realinhar seu apoio a Trump.
Os ingressos para a angariação de fundos “All-In” têm um preço inicial de $50.000 por pessoa, mas benefícios VIP adicionais, como lugares privilegiados no jantar e a oportunidade de tirar uma foto com o ex-presidente, podem ser adquiridos por $300.000.
Jacob Helberg, um alto executivo da Palantir que anteriormente doou centenas de milhares de dólares para a campanha de Biden em 2020, recentemente anunciou uma doação de $1 milhão para a campanha de Trump. Ele citou as políticas de fronteira do ex-presidente e sua postura pró-Israel e anti-China como motivos para essa mudança de aliança partidária.
Essa mudança cultural no Vale do Silício, há muito considerado um bastião progressista, está sendo impulsionada por preocupações relacionadas à liberdade de expressão, regulação tecnológica e questões fiscais.
Além disso, há um esforço por parte de líderes tecnológicos pró-Trump para persuadir Elon Musk, o proprietário da X, Tesla e SpaceX, a endossar o ex-presidente. Musk, que já apoiou Biden, Hillary Clinton e Barack Obama, tem se manifestado cada vez mais nas redes sociais, criticando a chamada “política desperta”, a imprensa tradicional e expressando opiniões controversas sobre temas como imigração, cuidados transgênero e a acuidade mental de Biden.
Muitos no círculo íntimo de Musk veem Trump como uma vítima e acreditam que a administração Biden tem sido excessivamente hostil em relação a ele. Esses líderes tecnológicos temem que seus próprios interesses possam estar em risco sob o atual governo.
Nativo Wixarika participa de ‘dia de treinamento’ para eleições do México, que serão realizadas em 2 de junho Imagem: ULISES RUIZ / 18.mai.2024-AE / AFP
O México vai às urnas no próximo domingo (2) eleger o próximo presidente do país, que ocupará a vaga do progressista Andrés Manuel López Obrador do Movimento Regeneração Nacional (Morena). Leia, abaixo, os principais desafios debatidos para estas eleições.
O que aconteceu
Duas mulheres lideram as intenções de voto para corrida presidencial. A governista Claudia Sheinbaum, do Morena, tem 64% das pretensões. A conservadora Xóchitl Galvez, do Partido de Ação Nacional (PAN), tem 28%, segundo pesquisa do De las Heras Demotecnia.
Apoiada por López Obrador, Claudia Sheinbaum é uma candidata progressista, que deve seguir com as políticas sociais do atual governo. Ela tem 61 anos e é ex-prefeita da Cidade do México, capital do país.
Da oposição, Xóchitl Galvez, é considerada conservadora. Ela também tem 61 anos, é descendente de povos indígenas, senadora e ex-prefeita de Miguel Hidalgo, que fica na região da Cidade do México.
Além de presidente, 128 senadores e 500 deputados federais também serão escolhidos pelo pleito. Se as projeções se concretizarem, esta será a primeira vez em que uma mulher presidirá o México.
À esquerda, candidata Claudia Sheinbaum, que lidera pesquisa eleitoral no México; à direita, opositora Xochitl Galvez, que está em segundo lugar Imagem: REUTERS/Quetzalli Nicte-Ha
País lida com onda de violência ligada ao narcotráfico
Mais de 200 assassinatos por motivação política foram registrados no México desde 2023. Na “reta final” para a corrida eleitoral, o número de candidatos assassinados chega a 27. O problema da segurança pública nas eleições tem relação direta com o narcotráfico no país, explica o professor de direito internacional João Amorim, da Unifesp.
Domínio do narcotráfico tem crescido desde o começo do século. Segundo a professora de relações internacionais Regiane Bressan, da Unifesp, o controle territorial do crime organizado acaba infiltrando grupos na política e refletindo nos assassinatos de quem se mostra como contrário ao crime organizado.
Cidades do interior são as mais afetadas pela violência política. O professor de história econômica Leonardo Trevisan, da ESPM, afirma que, apesar de ser um problema de todo o país, o interior do México é a região mais afetada pela violência relacionada ao narcotráfico.
Domínio dos cartéis também causa fragilidade das instituições. Movimentando bilhões de dólares ao ano, principalmente com o tráfico de cocaína e fentanil para os EUA, o narcotráfico se tornou um negócio poderoso, cada vez mais infiltrado em instituições não só da política, mas também da segurança pública do país.
Candidatas têm soluções diferentes para o problema do narcotráfico. Enquanto Sheinbaum defende a punição do narcotráfico aliada a uma política de paz, Galvéz prega um combate de “linha dura” contra o crime, respeitando o estado de direito.
Assim como em outros lugares do mundo (Brasil inclusive), a violência política exercida pelo crime organizado contra agentes políticos está relacionada à presença, cada vez maior e mais ampla, do crime organizado na gestão política estatal dos territórios onde atuam. João Amorim, professor de Direito Internacional da Unifesp
Eles dominam algumas áreas para operar o tráfico de drogas e fazem, de fato, extorsão, sequestros, atividades ilegais. Isso, claro, acaba comprometendo qualquer tentativa democrática de eleição de um prefeito, que não seja do grupo deles, ou mesmo alguém que se oponha a essa situação. Regiane Bressan, professora da Escola Paulista de Política, Economia e Negócios da Unifesp
No interior do México, há visões políticas muito fortes e arraigadas, principalmente em relação à proximidade com os narcotraficantes. A maioria desses assassinatos, são de políticos que prometem, no interior do país, linha dura contra o narcotráfico. Leonardo Trevisan, professor do curso de Relações Internacionais da ESPM
Desigualdade social
A luta contra a desigualdade também é um tema debatido pelas candidatas. Sheinbaum deve seguir com políticas públicas assistencialistas de Obrador, o que para especialistas explica parte da liderança dela no pleito.
Galvéz, por sua vez, deve seguir uma linha mais conservadora, remetendo aos anos sequenciais de governo de direita do México. Apesar disso, ela tende a manter, segundo projeção da professora Regiane Bressan, algumas políticas de Obrador, como o Sistema Universal de Proteção Social, uma espécie de “INSS”.
Se eu tenho uma economia instável, pobreza ou desemprego, eu abro muita margem para o emprego informal e para gente envolvida no tráfico de drogas. Então acho que a desigualdade é um ponto importante para o debate. Regiane Bressan, professora da Escola Paulista de Política, Economia e Negócios da Unifesp
Relação comercial e fronteiriça com os EUA
A aliança comercial com o país presidido por Joe Biden é um ponto importante a ser ministrado pelo próximo presidente. Os Estados Unidos são hoje o país que mais importa produtos do México, um reflexo da briga comercial de Washington com Pequim e do Tratado Norte-Americano de Livre-Comércio.
Candidatas têm visões diferentes sobre como lidar com os EUA. Economicamente, enquanto Claudia Sheinbaum tem pouco interesse em alterar as relações estáveis com o país, Xóchitl Gálvez adota um tom nacionalista à economia, que pode sinalizar um leve distanciamento entre as nações. As análises são do professor Leonardo Trevisan, da ESPM.
China pode desestabilizar relação entre os dois países. Marcas chinesas têm adotado uma prática de “nearshoring”, entrando no México para vender produtos mais baratos aos EUA. Apesar do resultado dessa prática ser a produção de “produtos 100% mexicanos” com tecnologia chinesa, a Casa Branca começa a sinalizar incômodo com a manobra, o que pode amargar a relação econômica entre os dois países, afirma o professor.
Os Estados Unidos reclamam muito dessa medida, mas o México não pode abrir mão da entrada de capital chinês no país. O quanto o México vai permitir a entrada da China e o quanto o México vai, de alguma forma, se indispor com os Estados Unidos por causa disso, é o ponto mais sensível da escolha do futuro governo. Leonardo Trevisan, professor do curso de Relações Internacionais da ESPM
O controle da fronteira com os Estados Unidos também é outro tema delicado que envolve México e Estados Unidos. Somente em dezembro de 2023, 250 mil imigrantes tentaram entrar no país pelo México, segundo dados da Fiscalização de Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA.
Sheinbaum fala em “construir pontes” para a migração legal entre os dois países. Em entrevistas, a candidata alegou que países como os EUA precisam de mão de obra mexicana e citou que trabalharpa para uma “relação de iguais”, sem submetimentos aos EUA.
Para a opositora Galvéz, um novo acordo migratório com o país vizinho é necessário. Em campanha, ela afirmou que o México precisa de mais recursos econômicos para lidar com a questão e criticou a violência com que o Instituto Nacional de Migração trata aqueles que vêm da América Central e América do Sul para tentar cruzar a fronteira.
Mesmo com a diferença entre as candidatas, a relação entre México e EUA será influenciada por quem for eleito “do lado de lá” da fronteira. Para todos os especialistas, a escolha de Joe Biden deve manter as relações dos dois países aprazível, mas a possível (e provável) escolha de Donald Trump pode fortalecer o estremecimento das relações.
Relação com o Brasil seguirá estável. Nenhum dos professores ouvidos pelo UOL apontou grande risco às relações entre os dois países, que, segundo os especialistas, foi construída de forma sólida ao longo de anos.
Acho que, em um governo Biden, a tendência é a relação continuar próspera, até porque independente da mulher que ganhar, que for a próxima presidente do México, ela sempre vai ter interesses importantes com os Estados Unidos. Então, não vai mudar muito partindo do México, mas, partindo dos Estados Unidos, pode mudar bastante. Regiane Bressan, professora da Escola Paulista de Política, Economia e Negócios da Unifesp
Javier Milei, o atual presidente da Argentina, é o destaque da edição de 10 de junho da renomada revista norte-americana Time. As informações são do Infomoney.
Com o título “Como Javier Milei está chocando o mundo”, a matéria explora a trajetória do autoproclamado “anarco-capitalista” até a presidência da Argentina.
“Milei se vê como um pioneiro em uma abordagem que se tornará um modelo global. ‘A Argentina se tornará um exemplo de como transformar um país em uma nação próspera’, ele afirma. ‘Não tenho dúvidas disso’”, relata a matéria.
A revista Time detalha a “terapia de choque”, como Milei nomeou suas medidas para recuperar a economia argentina. Essas medidas incluem o congelamento de projetos públicos, a desvalorização do peso em mais de 50% e a demissão de mais de 70 mil funcionários públicos.
No entanto, a revista também aborda como o pacote de austeridade está impactando os argentinos mais pobres, que enfrentam uma das inflações mais altas do mundo, chegando a quase 300% ao ano.
“Muitos argentinos foram forçados a carregar sacos de dinheiro, mesmo para pequenas transações; algumas lojas desistiram totalmente das etiquetas de preços. As medidas de Milei – cortando a ajuda federal, os subsídios aos transportes e à energia, e eliminando os controles de preços – fizeram com que o custo de vida disparasse”, diz a reportagem.
Milei lançou: “Hoje, ele (Sánchez) é motivo de piada na Europa em questões diplomáticas”. Durante uma reunião no domingo em Madri, com líderes de extrema-direita organizada pelo partido espanhol Vox, ele se referiu à esposa de Sánchez, Begoña Gómez, como uma “mulher corrupta”, sem mencioná-la diretamente. No final de abril, a Justiça espanhola abriu uma investigação preliminar contra Gómez por suspeitas de tráfico de influência e corrupção, mas o Ministério Público pediu o encerramento do caso pouco depois.
As declarações de Milei provocaram a Espanha a exigir um pedido de desculpas e a chamar de volta sua embaixadora em Buenos Aires. Yolanda Díaz, a número três do governo Sánchez, acusou o presidente argentino de disseminar “ódio”, enquanto o ministro dos Transportes, Oscar Puente, sugeriu que ele consumia drogas em seus discursos.
“Ele mandou os ministros dele me atacarem, nem teve coragem de fazer isso. Depois, com o revés que recebeu o ministro dos Transportes, ele covardemente mandou mulheres me atacarem, para tentar enquadrar isso em uma questão de misoginia”, continuou Milei em uma entrevista à TV.
O presidente argentino voltou a definir Sánchez como “um incompetente, um mentiroso, um covarde”. A intensa troca de acusações entre Madri e Buenos Aires tornou-se a pior crise diplomática do governo do líder argentino de extrema-direita, que já teve confrontos com os líderes da Colômbia, Venezuela e México. Em seus quase seis meses no cargo, Milei difamou quase todos os líderes de esquerda da região.
Neste domingo (19), a embaixadora espanhola em Buenos Aires, María Jesús Alonso Jiménez, foi convocada de volta à Espanha pelo governo do país. A decisão veio após o presidente argentino, Javier Milei, acusar a esposa do presidente espanhol, Pedro Sánchez, de ser “corrupta”.
No mundo diplomático, a convocação de um representante de um país por outro é um indicativo de que as relações entre as duas nações estão seriamente comprometidas.
Segundo informações do UOL, o ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, declarou que a acusação de Milei ultrapassou todas as diferenças políticas ou ideológicas existentes.
Albares enfatizou que o respeito mútuo e a não interferência em assuntos internos são princípios fundamentais das relações internacionais. Ele considerou inaceitável que um presidente em exercício insulte a Espanha e seu presidente durante uma visita ao país.
O chanceler espanhol também afirmou que o comportamento de Milei levou as relações entre a Espanha e a Argentina ao “ponto mais crítico de nossa história recente”. Albares exigiu um pedido público formal de desculpas de Milei.
Caso essas desculpas não sejam feitas, Albares garantiu que a Espanha tomará todas as medidas necessárias para defender sua soberania e dignidade. Ele também revelou que solicitou o apoio da União Europeia contra Milei.
Pouco tempo depois, Josep Borrell Fontelles, Alto Representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros, defendeu o presidente espanhol em uma rede social.
Fontelles condenou os ataques contra familiares de líderes políticos, especialmente quando partem de parceiros.
Milei fez a acusação contra Begoña Gómez, esposa de Sánchez, durante um evento do partido de extrema direita Vox, em Madri. O presidente argentino ainda não se pronunciou diretamente sobre o caso, embora tenha compartilhado vários comentários de terceiros em defesa dele em uma rede social.
Entenda o caso
Begoña Gomez foi alvo de uma denúncia de corrupção e tráfico de influência que fez com que o presidente espanhol considerasse renunciar ao cargo. No entanto, Sanchéz decidiu não renunciar para não dar espaço para campanhas difamatórias.
De acordo com a Reuters, os promotores espanhóis pediram o arquivamento do caso por falta de provas. O grupo que denunciou Begoña admitiu que não sabe se as informações são verdadeiras e que baseou sua ação apenas em reportagens da imprensa.
O presidente Javier Milei enfrenta uma semana de desafios, mas também recebe boas notícias. Além de elogios do Fundo Monetário Internacional (FMI), a inflação na Argentina desacelerou pelo quarto mês consecutivo.
Os dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec) nesta terça-feira (14) revelam que a inflação mensal de abril ficou em 8,8%. Essa é a primeira vez desde outubro passado que o índice atinge um dígito, cumprindo uma das promessas de Milei.
O presidente ultraliberal assumiu o cargo em um momento de alta inflação: em dezembro passado, o índice mensal chegou a 25,5%. Desde então, houve uma trajetória de queda, com taxas de 20,6% (janeiro), 13,2% (fevereiro) e 11% (março). A meta de alcançar um dígito era amplamente divulgada pelo governo.
No primeiro quadrimestre deste ano, a variação de preços acumulou 65%. Nos últimos 12 meses, a inflação subiu para 289,4% (em abril, estava em preocupantes 287,9%). Os maiores aumentos no último mês ocorreram nas contas básicas de casa, como água e luz, com 35,6%.
O anúncio da inflação em abril coincidiu com o FMI declarando que as negociações da dívida argentina estão progredindo bem. Com base nos resultados melhores do que o esperado, o organismo internacional deve aprovar a liberação de US$ 800 milhões (R$ 4,1 bilhões) em junho.
Apesar dos elogios aos dados macroeconômicos, o governo de Milei herdou uma Argentina empobrecida e exausta após décadas de crises econômicas. Os últimos números oficiais indicam que 41,7% da população estava abaixo da linha da pobreza no segundo semestre do ano passado.
Projeções mais recentes apontam que esse número já ultrapassou 60%, evidenciando os desafios sociais enfrentados pelo país.
O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mantém uma liderança estreita sobre o atual presidente, Joe Biden, em dois dos seis Estados considerados decisivos para as eleições de novembro, os chamados “swing states”. Em outros três Estados, Trump está numericamente à frente, mas dentro da margem de erro.
A pesquisa, encomendada pelos jornais New York Times e Philadelphia Inquirer e conduzida pelo Siena College, aponta uma disputa acirrada. Trump lidera em Nevada e Geórgia, enquanto Biden tem uma vantagem estreita em Wisconsin, embora também dentro da margem de erro.
Aqui estão os resultados por Estado entre eleitores registrados:
Arizona: Trump 49% X 42% Biden;
Geórgia: Trump 49% X 39% Biden;
Nevada: Trump 50% X 38% Biden;
Pensilvânia: Trump 47% X 44% Biden;
Michigan: Biden 49% X 42% Trump;
Wisconsin: Trump 47% X 45% Biden.
A pesquisa também revelou um aumento no apoio a Trump entre os eleitores jovens e não brancos em comparação com 2020. No entanto, os eleitores hispânicos estão divididos entre os dois candidatos.
Esses resultados são consistentes com pesquisas anteriores, sugerindo que eventos recentes, como o julgamento criminal de Trump em Nova York por supostamente encobrir um pagamento à atriz pornô Stormy Daniels, podem não ter alterado significativamente as intenções de voto.
Apesar da vantagem de Trump na corrida presidencial, os candidatos democratas ao Senado estão à frente de seus oponentes republicanos nos mesmos Estados.
Metodologia:
Foram entrevistados 4.097 eleitores registrados entre 28 de abril e 9 de maio de 2024, por telefone, em inglês e espanhol, sendo quase 95% das entrevistas realizadas por celular.
Os eleitores foram selecionados a partir de uma lista de eleitores registrados, garantindo uma representação equilibrada de partidos, raças e regiões. Foram feitas cerca de 500.000 chamadas para alcançar 410.000 eleitores.
Para refletir melhor a população eleitoral, mais peso foi dado aos entrevistados de grupos demográficos sub-representados, como pessoas sem diploma universitário.
A margem de erro entre os eleitores registrados é de aproximadamente 1,8 ponto percentual quando os Estados são agrupados. Cada pesquisa estadual tem uma margem de erro específica, variando de cerca de 3,6 pontos na Pensilvânia a cerca de 4,6 pontos na Geórgia.