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Podcast Super Sincera
16 de Dezembro de 2025

Por Manu Pilger

Ressignificar sentidos
O fim do ano chega trazendo luzes, festas e, junto com elas, balanços pessoais nem sempre confortáveis. É o tempo das comparações, das listas do que deu certo e do que ficou pelo caminho. Mas é preciso lembrar: nem tudo esteve sob o nosso controle.
O que dependeu de nós merece aprendizado e continuidade. O que não dependeu, não deve se transformar em um tribunal emocional de fim de ano.
Datas como o Natal carregam significados distintos. Para muitos, são momentos de afeto; para outros, despertam memórias difíceis. A vida, no entanto, permite algo essencial: ressignificar sentidos. Novas experiências, novos afetos e novas escolhas podem transformar a forma como enxergamos essas celebrações.
Sem romantizações, é preciso reconhecer que o Natal também escancara desigualdades. Em um país profundamente desigual, enquanto algumas mesas são fartas, outras lutam pelo básico. Fingir que isso não existe é negar a realidade.
Diante disso, cabe fazer a nossa parte. Ajudar quem está perto, com o que for possível: um gesto, um alimento, uma roupa, um cuidado. Pequenas ações têm força para aquecer quem recebe, e quem oferece.
O fim do ano não precisa ser um peso. Nem tudo deu certo. Nem tudo dependia de você. E tudo bem. Que esse tempo seja um convite à ressignificação, à paz interior e à esperança. Não sobre a mesa perfeita, mas sobre estar em paz com os outros ou consigo. Ressignificar sentidos é, talvez, o maior presente possível.


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Por Manu Pilger

Nos últimos dias, parece que a Bahia inteira só fala de uma coisa: a separação de Ivete Sangalo. Não é para menos. Ivete é quase um patrimônio afetivo do nosso estado, estrela do Carnaval, dona de uma energia que abraça, de um sorriso que ilumina até quem só a conhece de longe. E quando uma figura pública como ela vive uma ruptura, o assunto vira praça pública.

Mas, se a gente parar para pensar, enquanto o mundo comenta a separação de Ivete, quantas pessoas, nesse exato momento, não estão vivendo sua própria dor silenciosa? Quantos casais não estão, agora, tentando recolher os pedaços de uma história que um dia começou com tanta esperança?

Porque ninguém casa pensando em separar.
Ninguém junta os trapinhos, como diz o povo, imaginando o dia em que vai desfazer a mala.

A gente se une na expectativa do “juntos para sempre”. Do na saúde e na doença, na alegria e na tristeza. Esse juramento, tão repetido, carrega o desejo de dar certo, não apenas de durar.

Só que a vida, às vezes, tem planos estranhos.
E o amor também.

Separações podem ser traumáticas. Algumas cicatrizam rápido, outras ficam latejando por anos. Podem vir de uma traição, de uma perda, ou até daquela frase que parece um trovão em dia de sol:
“Eu não quero mais.” Quando você achava que estava tudo bem, que era lindo, que era sólido.

É duro. É complexo. Mas é real.

E é nessas horas que a vida devolve perguntas que evitamos:

O que temos feito, no cotidiano, para manter vivo aquele juramento? Estamos cuidando da relação ou apenas esperando que ela sobreviva por inércia? A promessa é bonita… mas e a prática?

O tempo, esse grande revelador, às vezes mostra comportamentos que não existiam lá no início. Gente que muda. Gente que revela quem sempre foi. Gente que se perde no caminho.

No fim, talvez o mais sensato seja desejar que aquilo que é eterno “enquanto dure” seja, ao menos, verdadeiro. Que dure o tempo que precisar durar, sem máscaras, sem promessas vazias, sem a obrigação do para sempre.

Porque o eterno, às vezes, cabe em meses.
E o fracasso, às vezes, está em anos.

Ivete vai se reinventar, como tantos outros anônimos que choram longe das manchetes. E cada um de nós, à sua forma, continua aprendendo que amar é bonito, mas não é simples. E que ninguém deveria ser julgado por tentar nem por desistir de tentar.


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por Emanueli Marques Pilger

Dizem que a solidão é uma senhora elegante. Anda devagar, pisa macio, não faz barulho quando entra. E talvez seja por isso que a gente só percebe sua presença quando ela já está sentada no sofá, tomando o nosso café e perguntando, com aquela voz mansa: “Como você tem vivido?”

E, como lembra Noreena Hertz, economista britânica e uma das principais estudiosas da solidão contemporânea, vivemos num tempo em que a conexão é abundante, mas o vínculo humano é raro.

Talvez por isso nossas sociedades tenham se tornado progressivamente mais solitárias.

A gente coleciona seguidores, mas falta quem nos siga de verdade. Florestas de contatos no celular, desertos de afeto na vida real. É curioso… nunca estivemos tão conectados, e ainda assim tão desconectados uns dos outros. É como se o mundo tivesse perdido o hábito de conversar devagar, olhar nos olhos, ouvir o silêncio do outro sem querer preenchê-lo.

Talvez seja culpa da pressa essa velha ditadora que manda mais do que deveria. Talvez seja culpa do medo esse guardião que não nos deixa atravessar a ponte da vulnerabilidade. Ou, quem sabe, seja só o tempo dizendo que precisamos reaprender a estar juntos.

O fato é que a solidão virou companheira diária: nos acompanha no trânsito, na fila do banco, no supermercado e até no meio da multidão. Ela se esconde nas notificações que chegam, mas não tocam. Nos abraços que damos correndo. Nos “como você está?” ditos sem intenção de ouvir a resposta.

A verdade é que ninguém precisa ser ilha. Somos arquipélagos e pontes podem ser construídas todos os dias. Talvez seja esse o convite da vida agora: desacelerar, reaprender a tocar as pessoas, ainda que com palavras, ainda que com cuidado. Relembrar que vínculos não se fazem com curtidas, mas com presença.

E, no final das contas, quando a solidão insistir em bater à porta porque ela sempre volta que ela encontre a casa cheia de vozes, memórias e afetos. Que encontre a gente cercada de gente. E de nós mesmas.

Porque solidão existe, sim. Mas pertencimento também.

E, quando ambos se encontram, a vida fica mais leve, mais humana, mais nossa.


No episódio de hoje (24), Manu Pilger conversou com Lucas Nascimento, Professor Adjunto de Linguística da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) e Pós-Doutor em Língua Portuguesa pela USP, para discutir como a comunicação se tornou uma das competências mais estratégicas da liderança contemporânea.


🔊 Dê o play e descubra o poder transformador da comunicação na liderança.

Entrevista com Lucas Nascimento – professor

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