
com César Oliveira
tema: crise institucional

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tema: crise institucional
(ESPECIAL)

com Frei Jorge Rocha
tema: agradecimento

Por Manu Pilger
Ressignificar sentidos
O fim do ano chega trazendo luzes, festas e, junto com elas, balanços pessoais nem sempre confortáveis. É o tempo das comparações, das listas do que deu certo e do que ficou pelo caminho. Mas é preciso lembrar: nem tudo esteve sob o nosso controle.
O que dependeu de nós merece aprendizado e continuidade. O que não dependeu, não deve se transformar em um tribunal emocional de fim de ano.
Datas como o Natal carregam significados distintos. Para muitos, são momentos de afeto; para outros, despertam memórias difíceis. A vida, no entanto, permite algo essencial: ressignificar sentidos. Novas experiências, novos afetos e novas escolhas podem transformar a forma como enxergamos essas celebrações.
Sem romantizações, é preciso reconhecer que o Natal também escancara desigualdades. Em um país profundamente desigual, enquanto algumas mesas são fartas, outras lutam pelo básico. Fingir que isso não existe é negar a realidade.
Diante disso, cabe fazer a nossa parte. Ajudar quem está perto, com o que for possível: um gesto, um alimento, uma roupa, um cuidado. Pequenas ações têm força para aquecer quem recebe, e quem oferece.
O fim do ano não precisa ser um peso. Nem tudo deu certo. Nem tudo dependia de você. E tudo bem. Que esse tempo seja um convite à ressignificação, à paz interior e à esperança. Não sobre a mesa perfeita, mas sobre estar em paz com os outros ou consigo. Ressignificar sentidos é, talvez, o maior presente possível.

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Por Manu Pilger
Nos últimos dias, parece que a Bahia inteira só fala de uma coisa: a separação de Ivete Sangalo. Não é para menos. Ivete é quase um patrimônio afetivo do nosso estado, estrela do Carnaval, dona de uma energia que abraça, de um sorriso que ilumina até quem só a conhece de longe. E quando uma figura pública como ela vive uma ruptura, o assunto vira praça pública.
Mas, se a gente parar para pensar, enquanto o mundo comenta a separação de Ivete, quantas pessoas, nesse exato momento, não estão vivendo sua própria dor silenciosa? Quantos casais não estão, agora, tentando recolher os pedaços de uma história que um dia começou com tanta esperança?
Porque ninguém casa pensando em separar.
Ninguém junta os trapinhos, como diz o povo, imaginando o dia em que vai desfazer a mala.
A gente se une na expectativa do “juntos para sempre”. Do na saúde e na doença, na alegria e na tristeza. Esse juramento, tão repetido, carrega o desejo de dar certo, não apenas de durar.
Só que a vida, às vezes, tem planos estranhos.
E o amor também.
Separações podem ser traumáticas. Algumas cicatrizam rápido, outras ficam latejando por anos. Podem vir de uma traição, de uma perda, ou até daquela frase que parece um trovão em dia de sol:
“Eu não quero mais.” Quando você achava que estava tudo bem, que era lindo, que era sólido.
É duro. É complexo. Mas é real.
E é nessas horas que a vida devolve perguntas que evitamos:
O que temos feito, no cotidiano, para manter vivo aquele juramento? Estamos cuidando da relação ou apenas esperando que ela sobreviva por inércia? A promessa é bonita… mas e a prática?
O tempo, esse grande revelador, às vezes mostra comportamentos que não existiam lá no início. Gente que muda. Gente que revela quem sempre foi. Gente que se perde no caminho.
No fim, talvez o mais sensato seja desejar que aquilo que é eterno “enquanto dure” seja, ao menos, verdadeiro. Que dure o tempo que precisar durar, sem máscaras, sem promessas vazias, sem a obrigação do para sempre.
Porque o eterno, às vezes, cabe em meses.
E o fracasso, às vezes, está em anos.
Ivete vai se reinventar, como tantos outros anônimos que choram longe das manchetes. E cada um de nós, à sua forma, continua aprendendo que amar é bonito, mas não é simples. E que ninguém deveria ser julgado por tentar nem por desistir de tentar.

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