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Podcast Super Sincera
30 de Dezembro de 2025

Ensaios da superstição

Final de 2025.
E, como manda o figurino, as pessoas já começaram os ensaios da superstição.

É a cor da roupa que vai “chamar” o que se deseja para o ano seguinte. Branco para a paz, amarelo para o dinheiro, vermelho para o amor — como se o destino obedecesse ao guarda-roupa. Tem quem pule sete ondas, quem guarde doze caroços de uva na carteira, quem faça questão de entrar o ano com o pé direito… ou discuta se vale o esquerdo, ou se os dois ao mesmo tempo não dariam mais garantia.

Há quem coma lentilha, quem evite andar para trás, quem não coma aves porque elas ciscam para trás — afinal, ninguém quer retroceder logo na virada. Uma coleção de rituais que, além de alimentar a esperança, movimenta também o mercado das festas de Réveillon, das promessas, das viradas cinematográficas.

Mas, passada a contagem regressiva e os fogos, talvez a pergunta mais honesta seja outra:
em que cenário, de fato, estamos entrando?

2026 não será apenas mais um ano. Será um ano eleitoral no Brasil, com eleições para deputados estaduais e federais. Será também ano de Copa do Mundo, com o Brasil em busca do tão sonhado hexa. E, paralelamente a tudo isso, haverá você — tentando organizar a própria vida.

Você que quer tirar o nome do SPC, começar uma dieta, iniciar uma faculdade, concluir uma pós-graduação. Você que pensa em transformar namoro em noivado, noivado em casamento. Você que carrega sonhos silenciosos e metas que só você conhece. Planos absolutamente legítimos de qualquer pessoa em sã consciência.

Mas não adianta começar um ano novo tentando criar uma vida nova apenas pela roupa escolhida no Réveillon.

Sonhos exigem mais do que simpatias.
Metas pedem mais do que rituais.

Vida nova requer planejamento. Pode ser simples, feito à mão mesmo: caneta, papel, agenda. Algo que acompanhe seus passos ao longo do ano, não só na empolgação da virada, mas nos dias comuns — aqueles em que ninguém está olhando, em que não há fogos nem contagem regressiva.

Com saúde, o resto a gente constrói.
Mas construção exige coragem.

Coragem para enfrentar o que precisa ser enfrentado para alcançar os resultados que se deseja. Não adianta o ano mudar se você permanece na inércia. Movimento é condição básica para qualquer virada real.

E lembre-se: nem tudo depende exclusivamente de você. Para aquilo que não depende, não se magoe, não se martirize, não se perca em culpas inúteis. Mas, para aquilo que depende só de você, entregue o seu melhor.

Não apenas na noite da virada.
Mas em todos os outros 364 dias de 2026.

Que seja um ano de prosperidade, de realizações — e, sobretudo, de coragem.

Feliz Ano Novo.
Em 2026, seguimos juntos no Super Sincera, aqui no Rotativo News.


com César Oliveira
tema: crise institucional


(ESPECIAL)

com Frei Jorge Rocha
tema: agradecimento

Podcast Super Sincera
16 de Dezembro de 2025

Por Manu Pilger

Ressignificar sentidos
O fim do ano chega trazendo luzes, festas e, junto com elas, balanços pessoais nem sempre confortáveis. É o tempo das comparações, das listas do que deu certo e do que ficou pelo caminho. Mas é preciso lembrar: nem tudo esteve sob o nosso controle.
O que dependeu de nós merece aprendizado e continuidade. O que não dependeu, não deve se transformar em um tribunal emocional de fim de ano.
Datas como o Natal carregam significados distintos. Para muitos, são momentos de afeto; para outros, despertam memórias difíceis. A vida, no entanto, permite algo essencial: ressignificar sentidos. Novas experiências, novos afetos e novas escolhas podem transformar a forma como enxergamos essas celebrações.
Sem romantizações, é preciso reconhecer que o Natal também escancara desigualdades. Em um país profundamente desigual, enquanto algumas mesas são fartas, outras lutam pelo básico. Fingir que isso não existe é negar a realidade.
Diante disso, cabe fazer a nossa parte. Ajudar quem está perto, com o que for possível: um gesto, um alimento, uma roupa, um cuidado. Pequenas ações têm força para aquecer quem recebe, e quem oferece.
O fim do ano não precisa ser um peso. Nem tudo deu certo. Nem tudo dependia de você. E tudo bem. Que esse tempo seja um convite à ressignificação, à paz interior e à esperança. Não sobre a mesa perfeita, mas sobre estar em paz com os outros ou consigo. Ressignificar sentidos é, talvez, o maior presente possível.


com César Oliveira
tema: “a frequência do nosso cérebro”


com Frei Jorge Rocha
tema: “por ora, sim”


com César Oliveira
tema: medidas do STF, espanto dos brasileiros


com Frei Jorge Rocha
tema: a gente e agente


Por Manu Pilger

Nos últimos dias, parece que a Bahia inteira só fala de uma coisa: a separação de Ivete Sangalo. Não é para menos. Ivete é quase um patrimônio afetivo do nosso estado, estrela do Carnaval, dona de uma energia que abraça, de um sorriso que ilumina até quem só a conhece de longe. E quando uma figura pública como ela vive uma ruptura, o assunto vira praça pública.

Mas, se a gente parar para pensar, enquanto o mundo comenta a separação de Ivete, quantas pessoas, nesse exato momento, não estão vivendo sua própria dor silenciosa? Quantos casais não estão, agora, tentando recolher os pedaços de uma história que um dia começou com tanta esperança?

Porque ninguém casa pensando em separar.
Ninguém junta os trapinhos, como diz o povo, imaginando o dia em que vai desfazer a mala.

A gente se une na expectativa do “juntos para sempre”. Do na saúde e na doença, na alegria e na tristeza. Esse juramento, tão repetido, carrega o desejo de dar certo, não apenas de durar.

Só que a vida, às vezes, tem planos estranhos.
E o amor também.

Separações podem ser traumáticas. Algumas cicatrizam rápido, outras ficam latejando por anos. Podem vir de uma traição, de uma perda, ou até daquela frase que parece um trovão em dia de sol:
“Eu não quero mais.” Quando você achava que estava tudo bem, que era lindo, que era sólido.

É duro. É complexo. Mas é real.

E é nessas horas que a vida devolve perguntas que evitamos:

O que temos feito, no cotidiano, para manter vivo aquele juramento? Estamos cuidando da relação ou apenas esperando que ela sobreviva por inércia? A promessa é bonita… mas e a prática?

O tempo, esse grande revelador, às vezes mostra comportamentos que não existiam lá no início. Gente que muda. Gente que revela quem sempre foi. Gente que se perde no caminho.

No fim, talvez o mais sensato seja desejar que aquilo que é eterno “enquanto dure” seja, ao menos, verdadeiro. Que dure o tempo que precisar durar, sem máscaras, sem promessas vazias, sem a obrigação do para sempre.

Porque o eterno, às vezes, cabe em meses.
E o fracasso, às vezes, está em anos.

Ivete vai se reinventar, como tantos outros anônimos que choram longe das manchetes. E cada um de nós, à sua forma, continua aprendendo que amar é bonito, mas não é simples. E que ninguém deveria ser julgado por tentar nem por desistir de tentar.


com César Oliveira
tema: Operação da PF sobre Monjaro

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