Maior fabricante de armas do Brasil depende do consumo norte-americano para se sustentar
O presidente dos EUA, Donald Trump, na Cúpula Vencendo a Corrida da IA, em Washington DC, EUA – 23/7/2025 | Foto: Kent Nishimura/Reuters
A imposição de tarifas de 50% sobre os produtos brasileiros, anunciada no começo deste mês pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pode provocar um abalo histórico na indústria de armas do Brasil.
A Taurus, maior fabricante nacional e uma das principais fornecedoras de pistolas para os EUA, admite que poderá transferir toda sua produção para o território norte-americano. As tarifas, segundo a empresa, ameaçam diretamente 15 mil empregos.
Oeste apurou que conselheiros e diretores da Taurus estão apreensivos com a iminente taxação dos produtos brasileiros. Como as leis do país dificultam o acesso de civis a armas, a maioria da produção de pistolas da Taurus (90%) é destinada aos norte-americanos, que consomem esses produtos com maior intensidade.
No ano passado, por exemplo, mais de 200 mil pistolas da Taurus foram vendidas para os EUA. Com o tarifaço, os custos de exportação ficariam proibitivos e comprometeriam a competitividade da empresa brasileira diante de concorrentes norte-americanos, como Smith & Wesson e Ruger. Em caráter reservado, uma fonte revelou a Oeste que as empresas de armas dos EUA aprovam a decisão de Trump.
O presidente dos EUA, Donald Trump, fala com repórteres ao embarcar para a Pensilvânia, partindo do gramado sul da Casa Branca em Washington, D.C. EUA (15/7/2025) | Foto: Reuters/Jonathan Ernst/Foto de arquivo
Por que a Taurus depende dos EUA
Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços mostram que, em 2024, cerca de 60% das exportações brasileiras de armas e munições foram para os Estados Unidos. Pouco mais de 50% dessas vendas se originaram no Rio Grande do Sul. O Estado concentra não apenas a planta da Taurus, mas também parte importante de sua cadeia de fornecedores.
O CEO global da empresa, Salésio Nuhs, alertou para o impacto das tarifas. “Se realmente perdurar essa questão da taxação de 50%, várias empresas e vários segmentos no Brasil ficarão inviabilizados”, disse o empresário, em entrevista ao site Berlinda. “Ela não significa simplesmente diminuir margem. Significa inviabilidade total. Não existe margem que possa cobrir uma taxação de 50%.”
Nuhs criticou a atuação do governo brasileiro na negociação com os EUA. “Essa falta de habilidade está trazendo uma insegurança jurídica muito grande para os empresários do Brasil e uma insegurança para o trabalhador, que pode perder seu emprego simplesmente porque o governo não conseguiu negociar”, observou.
‘Se realmente perdurar essa questão da taxação de 50%, várias empresas e vários segmentos no Brasil ficarão inviabilizados’, afirmou Salésio Nuhs | Foto: Divulgação/Taurus
Os efeitos do tarifaço de Trump
A eventual saída da Taurus do Brasil poderia desencadear uma crise econômica no município de São Leopoldo. De acordo com estimativas locais, R$ 520 milhões em exportações estão ligados ao mercado norte-americano, valor que representa quase 5% do PIB da cidade.
Analistas do setor armamentista afirmam que, sem os EUA, a Taurus dificilmente manteria a atual escala de produção. O mercado norte-americano é o maior do mundo para armas curtas e se constituiu ao longo de décadas como base principal da empresa brasileira. A tentativa de redirecionar a produção para outros países esbarra em barreiras comerciais e em menor potencial de consumo.
A eventual saída da Taurus do Brasil poderia desencadear uma crise econômica no município de São Leopoldo | Foto: Divulgação/Taurus
Taurus enfrenta queda nas vendas
Mesmo antes do tarifaço, a Taurus enfrentava desaceleração. Depois de crescer fortemente entre 2018 e 2021, com salto de vendas de 1,2 milhão para 2,3 milhões de armas, o volume voltou ao patamar de 1,2 milhão em 2024. A queda foi provocada pela normalização da demanda pós-pandemia nos EUA e pelo endurecimento da política de armas no Brasil sob o governo Lula.
O anúncio de Trump, que relacionou as tarifas ao tratamento dado pela Justiça brasileira ao ex-presidente Jair Bolsonaro, acentuou a tensão no setor. Bolsonaro, antes de ser proibido de usar redes sociais, disse que não comemorava as tarifas, mas condicionou o fim delas a uma eventual anistia.
Jair Bolsonaro foi alvo de medidas do STF | Foto: Antonio Augusto/STF
Futuro incerto
Com fábricas no Brasil, nos EUA e uma joint venture na Índia, a Taurus avalia a transferência integral de sua operação para o mercado norte-americano. No entanto, especialistas duvidam da viabilidade do plano. A empresa poderia perder sua principal vantagem: preços mais competitivos em relação aos rivais norte-americanos, garantidos pelo custo de produção mais baixo no Brasil.
Se o cenário não mudar até 1º de agosto, a Taurus terá três opções: 1) substituir a demanda norte-americana por outro país, o que parece improvável; 2) receber subsídios do governo federal e operar em prejuízo; ou 3) apostar na flexibilização das leis brasileiras e contar com aumento no consumo nacional.
Segundo Al Hadath, determinação partiu do próprio grupo terrorista libanês
Manifestante exibe uma bandeira do grupo terrorista Hezbollah Foto: EFE/EPA/ABEDIN TAHERKENAREH
Uma fonte diplomática latino-americana afirmou ao canal saudita Al Hadath que aproximadamente 400 comandantes de campo do grupo terrorista Hezbollah estão deixando o Líbano para partir rumo a países sul-americanos. Entre os destinos, estão Brasil, Venezuela, Colômbia e Equador.
De acordo com a fonte, que pertence à embaixada argentina no Líbano, o próprio grupo terrorista libanês determinou que os comandantes partissem junto de suas famílias devido ao temor de que eles se tornem alvos em meio ao desmantelamento da infraestrutura militar do Hezbollah, após o cessar-fogo com Israel em novembro do último ano.
O governo do Líbano já manifestou sua intenção de desarmar o Hezbollah. Segundo o presidente do Líbano, Joseph Aoun, em 2025, as armas passarão a ficar centralizadas sob o controle do Estado, e o desarmamento do grupo terrotista ocorrerá via “diálogo” a fim de evitar uma guerra civil.
A fonte estima que cerca de 200 desses líderes já chegaram às nações latino-americanas, onde a organização já mantém laços com outras organizações criminosas, especialmente do tráfico de drogas. Os outros 200 devem chegar com suas famílias nos próximos dias.
Volodymyr Zelensky disse que está pronto para fechar um acordo
Volodymyr Zelensky Foto: EFE/EPA/STRINGER
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou que foi proposta à parte russa uma nova rodada de negociações para a próxima semana sobre a troca de prisioneiros, e sugeriu um encontro entre líderes visando a uma paz duradoura.
– A conversa com a parte russa sobre as trocas continua; seguimos cumprindo os acordos da reunião anterior em Istambul. A equipe está trabalhando atualmente em outra troca – escreveu o presidente ucraniano no Telegram.
Ele acrescentou que devem buscar todos os esforços e que a Rússia precisa ter boa vontade para negociar e pôr fim aos ataques.
– O secretário do Conselho de Segurança Nacional e Defesa, [Rustem] Umerov, ofereceu à parte russa outra reunião na próxima semana. É necessário intensificar a dinâmica das negociações. Devemos fazer todo o possível para alcançar um cessar-fogo. E a parte russa deve parar de se esquivar das decisões – acrescentou.
Em seguida, mencionou uma possível reunião entre líderes e frisou que a Ucrânia está pronta para dar esse passo.
– Precisamos de um encontro entre líderes para garantir uma paz verdadeiramente duradoura. A Ucrânia está pronta para essa reunião – assegurou.
Segundo informou a agência Ukrinform, a última troca de prisioneiros entre Ucrânia e Rússia ocorreu em 4 de julho e a maioria deles estava em cativeiro na Rússia desde 2022.
Presidente dos EUA ataca bloco durante evento sobre regulamentação de criptomoedas e defende supremacia do dólar
Atento às articulações dos países aderentes a regimes ditatoriais, Trump reforça ofensiva ao Brics em defesa do dólar | Foto: Reprodução/Twitter/X
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a criticar os países do Brics nesta sexta-feira, 18. Ele reiterou sua disposição de impor tarifas econômicas ao grupo, que reúne algumas das principais economias emergentes do mundo. A declaração ocorreu durante a cerimônia de sanção de uma nova lei que estabelece um regime regulatório para as criptomoedas com lastro no dólar norte-americano.
“Quando ouvi sobre esse grupo do Brics — seis países, basicamente — eu os ataquei com muita, muita força. E se algum dia eles realmente se formarem de modo significativo, isso acabará muito rapidamente”, afirmou Trump, sem citar diretamente os países integrantes do bloco.
Trump defende dólar e rejeita moeda digital
Durante o evento na Casa Branca, Trump reafirmou seu compromisso com a preservação do status global do dólar como principal moeda de reserva internacional. Do mesmo modo, descartou mais uma vez qualquer hipótese de criar uma moeda digital de banco central (CBDC, na sigla em inglês) nos Estados Unidos. “Jamais permitiremos uma moeda digital do governo. Isso seria uma ferramenta de controle e vigilância inaceitável para os americanos”.
O Brics, que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, anunciou em 2024 a inclusão de novos membros, como Irã e Etiópia. Isso, em tese, ampliou principalmente o alcance político e econômico do grupo. A aliança tem buscado encontrar sobretudo alternativas ao dólar no comércio internacional. Assim, ambiciona criar um sistema financeiro multipolar.
A fala de Trump contra o bloco ocorre num instante em que se registra um aumento da intensidade no nível de tensão comercial entre os Estados Unidos e países emergentes. Além disso, o posicionamento do republicano coincide com um suposto fortalecimento de alianças econômicas alternativas e sob as lideranças da China e da Rússia.
Presidente dos Estados Unidos exige liberação judicial das declarações em juízo e acusa democratas de manipulação
Donald Trump, presidente dos EUA, na Casa Branca, em Washington, D.C. – 22/5/2025 | Foto: Evelyn Hockstein/Reuters
Depois de uma série de questionamentos sobre a condução das investigações que envolvem Jeffrey Epstein, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, determinou a apresentação ao júri de todos os depoimentos relevantes relacionados ao caso, desde que haja autorização judicial. A ordem foi dada à procuradora-geral Pam Bondi e comunicada pelo próprio presidente, nesta quinta-feira, 17, por meio de sua rede Truth Social.
Trump expressou sua insatisfação com o que chamou de “publicidade absurda” em torno de Epstein e classificou o processo como “golpe perpetuado pelos democratas”. “Este GOLPE, perpetuado pelos democratas, deve acabar agora mesmo!”, escreveu Trump.
Pouco depois, Pam Bondi publicou no X que o Departamento de Justiça solicitará ao tribunal, nesta sexta-feira, 18, a divulgação das transcrições do grande júri.
Divisão na base de Trump
Na quarta-feira 16, Trump criticou apoiadores que, segundo ele, se deixaram influenciar por teorias dos democratas sobre Epstein, acusado de tráfico sexual. O presidente disse que não deseja mais o apoio de quem acredita nessas versões.
Desde a morte de Epstein, em 2019, teorias da conspiração circulam, sobre o suposto acobertamento de informações. O Departamento de Justiça já afirmou, no início de julho, que não encontrou provas de uma “lista de clientes” de Epstein e descartou a hipótese de assassinato na prisão. Também houve a divulgação de dez horas de imagens de segurança que mostram que ninguém entrou na cela do empresário no dia do suicídio.
Jeffrey Epstein, empresário do setor financeiro, construiu sua carreira em Nova York e mantinha relações com figuras influentes, incluindo o príncipe Andrew, Bill Clinton e o próprio Trump.
Jeffrey Epstein foi um financista norte-americano envolvido em acusações de tráfico sexual de menores. Sua trajetória profissional começou como professor de matemática, mas logo ele passou a ocupar cargos influentes nos meios econômicos e políticos dos Estados Unidos, especialmente em Nova York.
Pressão de aliados por transparência
Jeffrey Epstein e Donald Trump | Foto: Redes sociais/Reprodução
Aliados de Trump, entre eles o vice-presidente J.D. Vance, já questionaram publicamente a transparência da investigação. Em 2021, ele perguntou: “Que possível interesse o governo dos EUA teria em manter os clientes de Epstein em segredo?”.
Já em 2023, Patel afirmou: “Vistam suas calças de garotão e nos contem quem são os pedófilos”. No mesmo ano, Dan Bongino, atual vice-diretor do FBI, comentou: “Escutem, essa história do Jeffrey Epstein é um grande negócio”.
“Quem está nessas fitas?”, indagou Bongino, em fevereiro. “Quem está nesses registros secretos? Por que estão escondendo isso?”
‘Os exportadores brasileiros sofrerão grande impacto. Empresas que vendem para os EUA podem enfrentar enormes perdas’
O presidente dos EUA, Donald Trump; republicano determinou aplicação de taxa de 50% sobre os produtos exportados pelo Brasil | Foto: Reprodução/Wikimedia Commons
Eduardo Berbigier*
A recente declaração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre tarifas de 50% em produtos brasileiros, a partir de 1º de agosto, é uma medida drástica com sérias implicações. Vai além da questão comercial.
A decisão do republicano reflete a percepção de Washington de um afastamento do Brasil de sua esfera de influência, com aproximação de China, Rússia e demais países-membros do Brics. Essa postura de Trump provavelmente deriva também das constantes manifestações e ataques do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a ele e seu governo.
Em carta a Lula, Trump justificou as tarifas como resposta ao tratamento dado ao ex-presidente Jair Bolsonaro. O norte-americano citou que ordens judiciais do Supremo Tribunal Federal “censuram” redes sociais norte-americanas, inibindo a liberdade de expressão de cidadãos dos EUA, entre outros inúmeros motivos.
A reação do governo brasileiro, defendendo a soberania do país e prometendo corresponder a iniciativa com base na Lei Brasileira de Reciprocidade Econômica, pode elevar a tensão.
Contudo, é importante que o público compreenda o que significa uma tarifa de 50% sobre os produtos brasileiros. Na prática, nossos produtos se tornam proibitivamente caros para o consumidor norte-americano, aniquilando sua competitividade.
O presidente Lula, em discurso na edição 2025 da reunião da cúpula do Brics, que ocorreu neste mês no Rio de Janeiro | Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
Situação de exportadores diante da nova tarifa
Os exportadores brasileiros sofrerão grande impacto. Empresas que vendem para os EUA podem enfrentar enormes perdas. Essas corporação terão que reavaliar imediatamente suas estratégias: buscar novos mercados, otimizar custos para tentar absorver parte da tarifa ou, em um horizonte mais longo, considerar a transferência de produção para dentro dos EUA.
Produtos como café, suco de laranja, aço e petróleo, nos quais o Brasil é um fornecedor-chave, terão seus preços inflacionados nos EUA. Isso forçará os norte-americanos a buscarem outros fornecedores, o que pode gerar desafios logísticos e de custo para eles.
Investidores devem estar cientes de que a volatilidade do mercado financeiro tende a aumentar, com provável queda do real e das ações de empresas brasileiras com exposição aos EUA. Será o reflexo direto das incertezas.
Com novas tarifas, o cafézinho brasileiro ficará mais caro para os consumidores norte-americanos | Foto: KamranAydinov/Freepik
Algumas sugestões
Seguem, abaixo, algumas sugestões básicas para que empresários, produtores rurais, exportadores e cidadãos naveguem por esse momento em que a informação e a preparação são as melhores ferramentas.
Volatilidade
A volatilidade é natural em momentos de incerteza. Então, a primeira recomendação é evitar decisões precipitadas baseadas no medo, pois essas tendem a causar prejuízos.
Diagnóstico urgente de impacto
Empresas exportadoras devem realizar um cálculo imediato do impacto da tarifa de 50% em seus custos, preços e margens de lucro. É fundamental saber qual será o novo custo do seu produto no mercado americano.
Análise da cadeia de suprimentos
Verificar se seus fornecedores ou insumos são afetados indiretamente por essa tarifa. Preparar-se para buscar alternativas ou renegociar contratos, se necessário.
Diversificação de mercados
Esta é a oportunidade, ou a necessidade, de acelerar a busca por novos mercados consumidores: países do Brics, da América Latina, da Europa e da Ásia podem se tornar destinos ainda mais estratégicos para exportações.
Revisão de contratos
Analisar cuidadosamente seus contratos de exportação e importação, verificando a existência de cláusulas de força maior ou de revisão de preços que possam ser acionadas diante dessa mudança drástica nas condições comerciais.
Diálogo com órgãos e associações
Manter um canal aberto com associações setoriais (agronegócio, indústria e comércio) e órgãos governamentais (Ministério das Relações Exteriores e Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), que são os principais centros de informação e de articulação para medidas de apoio ou contrapartida.
Monitoramento contínuo
A situação é extremamente fluida e dominada pela política. Mudanças podem ocorrer a qualquer momento. Acompanhar o noticiário por fontes confiáveis e consultar especialistas regularmente.
Preparação legal
As empresas podem precisar de assessoria jurídica especializada para contestar a aplicação de tarifas (se houver base legal) ou para navegar por processos aduaneiros e de comércio exterior mais complexos que possam surgir.
Racionalidade
É um momento de ação estratégica, planejamento cuidadoso e busca por orientação qualificada para mitigar riscos e, quem sabe, identificar novas oportunidades que possam surgir desse cenário adverso.
Em suma, a imposição de tarifas por Trump é um desafio complexo para o Brasil. Isso exige uma reorientação estratégica por parte do governo e do setor privado.
Nesta quarta-feira (1º), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enviou uma carta ao presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O americano anunciou uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros. A nova taxa deverá entrar em vigor em 1º de agosto.
Ao justificar o aumento da tarifa sobre o Brasil, Trump citou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Ele disse ser “uma vergonha internacional” o julgamento do ex-presidente no Supremo Tribunal Federal (STF).
No documento, Trump afirmou ainda que a decisão de aumentar a taxa foi tomada “em parte devido aos ataques insidiosos do Brasil contra eleições livres e à violação fundamental da liberdade de expressão dos americanos”.
De acordo com a carta, a tarifa de 50% será aplicada sobre “todas e quaisquer exportações brasileiras enviadas para os EUA, separada de todas as tarifas setoriais existentes”. As informações são do G1.
Leia, a carta na íntegra:
9 de julho de 2025 Sua Excelência Luiz Inácio Lula da Silva Presidente da República Federativa do Brasil Brasília
Prezado Sr. Presidente:
Conheci e tratei com o ex-Presidente Jair Bolsonaro, e o respeitei muito, assim como a maioria dos outros líderes de países. A forma como o Brasil tem tratado o ex-Presidente Bolsonaro, um líder altamente respeitado em todo o mundo durante seu mandato, inclusive pelos Estados Unidos, é uma vergonha internacional. Esse julgamento não deveria estar ocorrendo. É uma Caça às Bruxas que deve acabar IMEDIATAMENTE!
Em parte devido aos ataques insidiosos do Brasil contra eleições livres e à violação fundamental da liberdade de expressão dos americanos (como demonstrado recentemente pelo Supremo Tribunal Federal do Brasil, que emitiu centenas de ordens de censura SECRETAS e ILEGAIS a plataformas de mídia social dos EUA, ameaçando-as com multas de milhões de dólares e expulsão do mercado de mídia social brasileiro), a partir de 1º de agosto de 2025, cobraremos do Brasil uma tarifa de 50% sobre todas e quaisquer exportações brasileiras enviadas para os Estados Unidos, separada de todas as tarifas setoriais existentes. Mercadorias transbordadas para tentar evitar essa tarifa de 50% estarão sujeitas a essa tarifa mais alta.
Além disso, tivemos anos para discutir nosso relacionamento comercial com o Brasil e concluímos que precisamos nos afastar da longa e muito injusta relação comercial gerada pelas tarifas e barreiras tarifárias e não tarifárias do Brasil. Nosso relacionamento, infelizmente, tem estado longe de ser recíproco.
Por favor, entenda que os 50% são muito menos do que seria necessário para termos igualdade de condições em nosso comércio com seu país. E é necessário ter isso para corrigir as graves injustiças do sistema atual. Como o senhor sabe, não haverá tarifa se o Brasil, ou empresas dentro do seu país, decidirem construir ou fabricar produtos dentro dos Estados Unidos e, de fato, faremos tudo o possível para aprovar rapidamente, de forma profissional e rotineira — em outras palavras, em questão de semanas.
Se por qualquer razão o senhor decidir aumentar suas tarifas, qualquer que seja o valor escolhido, ele será adicionado aos 50% que cobraremos. Por favor, entenda que essas tarifas são necessárias para corrigir os muitos anos de tarifas e barreiras tarifárias e não tarifárias do Brasil, que causaram esses déficits comerciais insustentáveis contra os Estados Unidos. Esse déficit é uma grande ameaça à nossa economia e, de fato, à nossa segurança nacional!
Além disso, devido aos ataques contínuos do Brasil às atividades comerciais digitais de empresas americanas, bem como outras práticas comerciais desleais, estou instruindo o Representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, a iniciar imediatamente uma investigação da Seção 301 sobre o Brasil.
Se o senhor desejar abrir seus mercados comerciais, até agora fechados, para os Estados Unidos e eliminar suas tarifas, políticas não tarifárias e barreiras comerciais, nós poderemos, talvez, considerar um ajuste nesta carta. Essas tarifas podem ser modificadas, para cima ou para baixo, dependendo do relacionamento com seu país. O senhor nunca ficará decepcionado com os Estados Unidos da América.
Muito obrigado por sua atenção a este assunto!
Com os melhores votos, sou, Atenciosamente, DONALD J. TRUMP PRESIDENTE DOS ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA
Premiê reconheceu os feitos do presidente para pacificar o conflito com o Irã
Aliado de Trump, Netanyahu apoia ofensiva e cobra firmeza contra regime iraniano | Foto: Reprodução/Wikimedia Commons
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, entregou ao presidente dos Estados Unidos Donald Trump uma carta de recomendação à Comissão do Prêmio Nobel, o que formaliza sua indicação para o Nobel da Paz. O encontro entre os dois líderes ocorreu nesta segunda-feira, 7, em Washington.
Netanyahu afirmou que a nomeação se deve aos esforços de Trump no Oriente Médio. “Temos bons resultados no passado e teremos ainda mais”, declarou o presidente norte-americano ao lado do premiê. Na reunião, Netanyahu exibiu um documento enviado ao comitê norueguês responsável pelo prêmio, no qual ressalta a importância da atuação de Trump em processos de paz na região.
Durante o encontro, Trump reiterou seu posicionamento sobre a guerra na Faixa de Gaza: “Quero acabar com guerras, não gosto de ver pessoas morrendo”, afirmou. A Casa Branca já havia anunciado anteriormente o fim do conflito em Gaza como prioridade do presidente.
O processo de indicação ao Nobel é sigiloso e conduzido por um comitê de cinco membros nomeados pelo Parlamento norueguês. As candidaturas devem ser submetidas até 1º de fevereiro de cada ano. Os vencedores são anunciados em outubro e recebem o prêmio em cerimônia realizada em 10 de dezembro, aniversário da morte de Alfred Nobel, criador da distinção.
Trump já foi indicado outras vezes
A carta de Netanyahu foi entregue depois do prazo de 2025, o que sugere que sua indicação se refere à edição de 2026. O comitê não divulga publicamente a lista de indicados, mas os proponentes podem optar por tornar pública sua recomendação.
Trump já havia sido nomeado anteriormente por congressistas norte-americanos e parlamentares europeus. Em 2018, foi indicado por seu trabalho para reduzir tensões nucleares com o regime socialista da Coreia do Norte. Em 2021, recebeu novas indicações por sua atuação no Oriente Médio.
Donald Trump e Xi Jinping, no G20, em 2019 | Foto: Reprodução/Xinhua
Conforme o testamento de Alfred Nobel, o prêmio da paz deve ser concedido à pessoa que tiver realizado “o melhor trabalho pela fraternidade entre as nações, pela abolição ou redução de exércitos permanentes e pela promoção de congressos de paz”. Entre os laureados anteriores estão os ex-presidentes norte-americanos Barack Obama (2009), Jimmy Carter (2002) e Theodore Roosevelt (1906).
Na noite desta terça-feira, 8, uma nova reunião em Washington dá continuidade às tratativas do dia anterior. As conversas entre Trump e Netanyahu os dois líderes têm como foco central o conflito em curso na Faixa de Gaza, bem como as condições para um eventual cessar-fogo.
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou que Israel tentou assassiná-lo durante uma reunião de altos comandantes em uma data não especificada, mas que a inteligência iraniana conseguiu frustrar o plano. A declaração foi feita em entrevista exclusiva concedida ao jornalista Tucker Carlson.
A entrevista foi divulgada na noite deste domingo (6) na conta de Carlson na rede social X. Na conversa, Carlson perguntou a Pezeshkian se seria verdade que Israel tentou assassiná-lo.
– Sim, eles tentaram e agiram para tanto, mas falharam. Foi durante uma reunião. Estávamos discutindo como poderíamos seguir em frente, mas graças aos serviços de inteligência, e aos indícios que tinham, [soubemos que] tentaram bombardear a região onde estávamos reunidos -declarou.
Na entrevista, Pezeshkian apressou-se em esclarecer um detalhe.
– É claro que não foram os Estados Unidos que tentaram acabar com a minha vida, foi Israel (…). Peço aos Estados Unidos que não se deixem enganar por [o primeiro-ministro israelense] Netanyahu, que não se deixem arrastar para essa espécie de guerra – complementou.
Carlson também perguntou a Pezeshkian se seria verdade que o Irã planejou atentar contra Trump ou se tem “células adormecidas” prontas para atacar em solo americano, mas o iraniano desqualificou ambas as afirmações.
– É o que Netanyahu quer fazer vocês acreditarem, o presidente do seu país, mas é falso, porque Netanyahu tem a própria agenda, que é empurrar os EUA para uma guerra interminável – finalizou.
Líderes estavam desaparecidos há mais de dois meses
As oito vítimas foram localizadas em vala Foto: Divulgação/Ministério Público da Colômbia
As autoridades colombianas localizaram, na última terça-feira (1º), os corpos de oito líderes religiosos em uma vala comum na zona rural de Calamar, no departamento de Guaviare. As vítimas atuavam em ações humanitárias e de evangelização na região quando desapareceram, meses atrás.
De acordo com o Ministério Público, os cristãos teriam sido convocados por integrantes dissidentes das extintas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), especificamente pela Frente Armando Ríos, sob o comando de um líder conhecido como Iván Mordisco.
A principal linha de investigação aponta que o crime teria sido motivado por uma tentativa de impedir o surgimento de uma célula do Exército de Libertação Nacional (ELN) no local. No entanto, não há evidências de que as vítimas mantinham qualquer vínculo com grupos armados.
A descoberta dos corpos ocorreu após a prisão, em maio, de um membro do grupo guerrilheiro. O celular do detido continha imagens que ajudaram a identificar os religiosos e confirmaram o crime.
As vítimas foram identificadas como James Caicedo, Óscar García, Máryuri Hernández, Maribel Silva, Isaid Gómez, Carlos Valero, Nixon Peñaloza e Jesús Valero. Todos pertenciam às organizações evangélicas Alianza de Colombia e Cuadrangular.
A Confederação Evangélica da Colômbia (CEDECOL) divulgou nota condenando o assassinato e manifestando solidariedade às famílias. No comunicado, a entidade pediu celeridade nas investigações e proteção efetiva aos líderes religiosos que atuam em regiões vulneráveis.