Investigadores acreditam que restos mortais seriam de pelo menos 17 vítimas mortas por assassino em série
Investigação encontrou quase 4 mil pedaços de ossos Foto: Reprodução
A polícia do México afirmou ter encontrado 3.787 pedaços de ossos humanos, no último sábado (12), embaixo da casa de um homem acusado de ser um assassino em série. De acordo com a agência de notícias Associated Press, a suspeita é de que o homem, que supostamente pratica canibalismo, teria guardado os restos mortais de pelo menos 17 vítimas.
Os investigadores estavam escavando o chão da casa do suspeito desde o último dia 17 de maio. Além dos pedaços pequenos de ossos, os agentes afirmam ter encontrado sapatos femininos, maquiagens, oito telefones celulares, uma lista de nomes e gravações de áudio e vídeo, sugerindo que ele pode ter gravado suas vítimas.
O homem de 72 anos, que é açougueiro aposentado, já foi condenado pelo assassinato da mulher de um policial em serviço. Questionado, o homem chegou a dizer em um tribunal que arrancou a pele do rosto de uma mulher pois a achava “muito bonita”.
Não há informações de homens que teriam sido vítimas do suposto assassino em série. Por outro lado, os policiais dizem ter encontrado carteiras de identidade de mulheres desaparecidas há anos durante as investigações na casa dele.
Os promotores do caso trabalham com a possibilidade de o açougueiro ter matado suas vítimas em parte de um ritual para comê-las. Apesar dos milhares de fragmentos de ossos encontrados, a polícia ainda não investigou a casa inteira do suspeito. Por conta disso, não há uma estimativa do total de vítimas que ele teria assassinado.
Presidente americano disse que seu país responderá a ‘ações danosas’
Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden Foto: EFE/Chris Kleponis
O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, afirmou nesta segunda-feira (14), que “não quer conflito” com a Rússia, mas garantiu que seu país responderá, caso Moscou mantenha “ações danosas”. Durante entrevista coletiva, ele disse que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) defenderá a “integridade territorial” da Ucrânia, reafirmando seu apoio “à soberania” desse país.
Biden se reúne nesta semana com o presidente russo, Vladimir Putin. A Rússia ocupou a Crimeia e agora controla a península no sul ucraniano.
O presidente americano disse que a cúpula da Otan realizada nesta segunda discutiu as “ameaças da Rússia”. Ele disse que “deixará claro” a Putin que há áreas em que é possível cooperar, como Putin já fez no passado, em questões de cibersegurança e “algumas outras atividades”. Biden ainda afirmou que deixará claro o que ele considera os limites que não podem ser cruzados, no comportamento russo.
O presidente americano afirmou que vários líderes de países da Otan elogiaram o fato de que ele pretende falar com Putin. Ainda na política externa, Biden afirmou estar confiante de que ainda será possível fazer “avanços reais” na relação com a Turquia. Ele revelou ter tido mais cedo conversas “positivas e produtivas” com o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan.
Questionado se a Ucrânia poderia entrar na Otan, Biden disse que isso poderá ocorrer no futuro, mas que o país precisa antes atender a requisitos do grupo, como enfrentar a corrupção interna.
Durante sua fala, Biden ainda voltou a insistir para que os americanos se vacinem contra a Covid-19. Segundo ele, a média atual de mortes nos EUA está em 370. O presidente americano lembrou que isso é bem inferior aos picos do país, mas considerou que “ainda é uma tragédia”, pedindo que os não vacinados se apressem para conseguir se imunizar.
Compromisso consta em documento final da reunião de líderes do grupo
Foto: Raquel Portugal/FioCruz
Os líderes do G7, grupo de países que reúne sete das maiores economias do planeta, oficializaram neste domingo (13) a promessa de doar um total de 2 bilhões de doses de vacina contra a covid-19 para países pobres e em desenvolvimento, sendo 1 bilhão distribuídas até o final de 2022.
O compromisso consta na declaração finaldo encontro de cúpula, ocorrido na Baía de Carbis, na Cornualha, sudoeste do Reino Unido. O G7 é formado por Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido. A reunião do G7 começou na última sexta-feira (11) e terminou hoje.
“Tenho o prazer de anunciar que os líderes do G7 prometeram mais de 1 bilhão de doses para os países mais pobres do mundo – outro grande passo para vacinar o mundo”, afirmou o primeiro-ministro britânico Boris Johnson, anfitrião do encontro, em postagem nas redes sociais.
“Os compromissos totais do G7 desde o início da pandemia preveem um total de mais de 2 bilhões de doses de vacina, com os compromissos desde nosso último encontro em fevereiro de 2021, incluindo aqui na Baía de Carbis, prevendo 1 bilhão de doses no decorrer do próximo ano”, diz o documento oficial da reunião. Ainda não há detalhes sobre quais países serão beneficiados pela doação das vacinas.
Além do esforço da doação de vacinas, o documento final do G7 aponta metas para fortalecer ações coletivas de defesa global na área da saúde, incluindo aumento da capacidade de fabricação de vacinas em todos os continentes, melhora dos sistemas de alerta precoce e suporte à ciência na tarefa de encurtar para até 100 dias o ciclo de desenvolvimento de vacinas seguras e eficazes, tratamentos e testes.
Meio ambiente
Tema central do encontro, ao lado da pandemia, a questão ambiental também foi abordada no documento final do G7. Pelo texto, os países falam em apoiar uma “revolução verde que crie empregos, reduza as emissões com vistas a limitar o aumento das temperaturas globais em 1,5 graus [Celsius]”.
Entre os compromissos, está o de zerar as emissões até 2050, reduzindo pela metade as emissões coletivas até 2030. O documento menciona a necessidade de melhorar o financiamento do clima até 2025 para conservar e proteger pelos menos 30% das terras e oceanos até o final da década.
Comércio
Em relação à economia, o G7 aponta a necessidade de uma reforma do sistema global de comércio, que torne a economia “mais resiliente”, incluindo um novo sistema tributário mundial. Essa proposta, encabeçada principalmente pelos Estados Unidos, tem o objetivo de criar uma alíquota global mínima que as maiores multinacionais, com atuação global, deverão pagar. O objetivo é romper com a lógica de concessões tributárias que essas empresas gozam ao longo de décadas para atuar em determinados países.
Passo histórico encerra governo do primeiro-ministro que ficou mais tempo no comando do país. Nova frente inclui grupos políticos muito diversos. Naftali Bennett é o novo premiê.
Naftali Bennet na sessão do Knesset em que foi confirmado como novo premiê de Israel — Foto: Reuters/Ronen Zvulun
Israel inicia, neste domingo (13), uma nova etapa de sua história depois que uma votação no Parlamento ratificou uma “coalizão de mudança” no poder, derrubando o premiê Benjamin Netanyahu.
O Knesset se reuniu numa sessão especial para que o líder da oposição, o centrista Yair Lapid, e o chefe da direita radical Naftali Bennett apresentassem a equipe do novo governo, que em seguida foi ratificada em votação. Bennet é o novo premiê.
A coalizão é bastante heterogênea, pois inclui:
dois partidos de esquerda;
dois partidos de centro;
três partidos de direita ;
um partido árabe, pela primeira vez num governo de Israel.
A frente foi formada com o principal objetivo de remover Netanyahu e conseguiu uma apertada maioria necessária 60 votos a favor, 59 votos contra e uma abstenção.
Netanyahu, de 71 anos, está sendo julgado há um ano por suspeita de corrupção. Protestos pedindo sua renúncia ocorrem há meses. O último deles foi na noite de sábado.
Em frente à sua residência oficial em Jerusalém, os manifestantes não esperaram a votação no Parlamento para celebrar a “queda” do “rei Bibi”, o apelido de Netanyahu, que foi chefe de governo de 1996 a 1999 e, depois, de 2009 a 2021.
“A única coisa que Netanyahu queria era nos dividir, uma parte da sociedade contra a outra, mas amanhã estaremos unidos, direita, esquerda, judeus, árabes”, disse Ofir Robinsky, um manifestante.
Benjamin Netanyahu na sessão do parlamento em que sua saída do cargo de premiê foi confirmada — Foto: Reuters/Ronen Zvulun
A nova coalizão será liderada por Bennett, chefe do partido de direita Yamina, pelos primeiros dois anos, e depois por Yair Lapid por um período equivalente.
O partido Likud de Netanyahu se comprometeu com uma “transição pacífica de poder” após mais de dois anos de crise política com quatro eleições, cujos resultados não permitiram a formação de um governo ou levaram a uma união nacional que durou apenas alguns meses.
Depois das últimas eleições legislativas em março, a oposição se uniu contra Netanyahu e surpreendeu ao conquistar o apoio do partido árabe-israelense Raam, do líder moderado Manssur Abbas.
“O governo trabalhará para toda a população, religiosa, laica, ultraortodoxa, árabe, sem exceção”, prometeu Bennett.
Rastros de luz do sistema anti-míssil Israel enquanto ele intercepta foguetes lançados da Faixa de Gaza, vistos de Ashkelon — Foto: Reuters/Amir Cohen
“A população merece um governo responsável e eficaz que coloque o bem do país em primeiro lugar em suas prioridades”, acrescentou Lapid, que deve se tornar ministro das Relações Exteriores.
Mas também visa fortalecer a presença israelense na área C da Cisjordânia, ou seja, sobre a qual Israel tem total controle militar e civil e que representa cerca de 60% do território palestino ocupado desde 1967.
O governo, que inclui pela primeira vez um partido que representa a minoria árabe, que corresponde a 21% da população israelense, planeja amplamente evitar mudanças drásticas em questões internacionais polêmicas como a política em relação aos palestinos, para se focar em reformas domésticas.
Com poucas perspectivas de progresso em relação à resolução do longo conflito com Israel, muitos palestinos provavelmente continuam impassíveis com a mudança de governo, dizendo que Bennett irá provavelmente seguir a mesma agenda de Netanyahu.
Isso parece provável em relação à principal preocupação de segurança de Israel, o Irã. Um porta-voz de Bennett disse que ele promete “oposição vigorosa” a qualquer volta dos Estados Unidos ao acordo nuclear de 2015 com o Irã, mas que buscaria cooperar com o governo do presidente norte-americano Joe Biden.
Não faltarão desafios para o novo governo, como uma marcha planejada na terça-feira pela extrema direita israelense em Jerusalém Oriental, um setor palestino ocupado por Israel.
O movimento islâmico Hamas, no poder em Gaza, um enclave palestino sob bloqueio israelense, ameaçou retaliar se essa marcha acontecer perto da Esplanada das Mesquitas, em um contexto de extrema tensão em relação à colonização israelense em Jerusalém.
Em 10 de maio, o Hamas disparou uma salva de foguetes contra Israel em “solidariedade” aos palestinos feridos em confrontos com a polícia israelense em Jerusalém, levando a um conflito de 11 dias com o exército israelense.
O confronto terminou graças a um cessar-fogo promovido pelo Egito, mas as negociações para chegar a uma trégua sustentável falharam. Resolver essa situação será outro desafio do executivo.
Informações Público estimado do evento, que acontecerá no Central Park, é de 60 mil participantes
Foto: Ed Reed / Mayoral Photography Office
A vacinação avançada em Nova York, nos Estados Unidos, dará à população um presente além da imunidade contra a Covid-19.
O prefeito Bill de Blasio organiza uma grande apresentação no Central Park para celebrar a retomada da normalidade na cidade em agosto.
De acordo com o New York Times, o projeto será liderado por Clive Davis, produtor musical de 89 anos, reconhecido por seu trabalho na indústria.
O espetáculo ainda não tem data definida para acontecer, mas promete ser um show de três horas para 60 mil participantes além de uma audiência televisiva.
“Este show será uma oportunidade única na vida. Vai ser uma escalação incrível. A semana inteira será diferente de tudo que você já viu antes em Nova York”, disse de Blasio.
Entidade comunicou que pesquisa passará pelos “ajustes necessários”
Estudo coordenada pelo órgão sugere que pornografia infantil nem sempre é prejudicial Foto: Divulgação
O UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância) decidiu retirar do ar um estudo controverso envolvendo crianças e pornografia coordenado pela entidade. O artigo, que sugere que não há evidências de que crianças expostas à pornografia sejam prejudicadas, ganhou repercussão negativa nos últimos dias.
A entidade se manifestou por meio de nota nesta segunda-feira (7) dizendo ser contrária à exposição de crianças a conteúdos pornográficos, e que o relatório está gerando “interpretações equivocadas”. Embora o órgão tenha classificado as notícias sobre o assunto como “fake news”, ele decidiu retirar o conteúdo do ar para realizar nova revisão e fazer os “ajustes necessários”.
– A posição do UNICEF é inequívoca: nenhuma criança deve ser exposta a conteúdo pornográfico nem a qualquer outro conteúdo nocivo online e offline. Em notícias nas redes sociais, um artigo coordenado pelo UNICEF está gerando interpretações equivocadas. O texto discute como melhorar a proteção das crianças na internet e apresenta os numerosos riscos e danos associados ao acesso das crianças à pornografia e a outros conteúdos nocivos online. Após a publicação, alguns trechos levaram a interpretações incorretas e diferentes do que o UNICEF defende. A intenção do documento é oferecer soluções e abordagens para reduzir a exposição das crianças a conteúdo nocivo. O texto foi tirado do ar para que fossem realizados os ajustes necessários, e está em revisão – manifestou-se a entidade em seu site e nas redes sociais.
O UNICEF disse ainda estar “alarmado com a enorme quantidade de conteúdo pornográfico disponível online e facilmente acessível às crianças”, e afirmou que conteúdos pornográficos podem levar a “problemas de saúde mental, sexismo e objetificação, agressão sexual e outros resultados negativos”.
No espaço para comentários na publicação nas redes sociais, os internautas questionaram o motivo de a entidade retirar o conteúdo do ar, se rotularam a repercussão como “fake news”.
– Só o fato de reconhecer que tirou pra fazer alterações, fica evidente o erro – disse um usuário do Instagram.
– Apenas noticiar que o documento está sendo reformulado já era suficiente. Agora negar o que todos leram e pior colocar como fake, lamentável – acrescentou outro.
– Publicado. Lido. Polemizado. Apagado. Não tem nenhuma fake news aí. Absurdo quererem sexualizar as crianças. Que mundo estamos vivendo – completou outro internauta.
ENTENDA A pesquisa coordenada pelo UNICEF foi feita em 19 países da União Europeia e concluiu que 39% das crianças expostas à pornografia ficaram “felizes”, enquanto muitas outras ficaram indiferentes. O relatório declara que qualquer esforço para impedir que crianças acessem pornografia online pode violar seus direitos humanos.
O objetivo do estudo, segundo seus organizadores, era compreender a aplicação de políticas públicas na proteção de crianças a conteúdos nocivos. O conteúdo havia sido publicado no site da Center For Family and Human Rights.
Documento tem como base estudo feito ainda durante o governo Trump
Laboratório em Wuhan onde coronavírus pode ter sido criado Foto: Reprodução
Um relatório sobre as origens da Covid-19 realizado por um laboratório nacional do governo dos Estados Unidos concluiu que a hipótese de que o vírus vazou de um laboratório chinês em Wuhan é plausível e merece uma investigação mais aprofundada, de acordo com pessoas familiarizadas com o documento confidencial.
O estudo foi preparado em maio de 2020 pelo Laboratório Nacional Lawrence Livermore, na Califórnia, e foi usado pelo Departamento de Estado quando conduziu uma investigação sobre as origens da pandemia nos meses finais do governo do ex-presidente Donald Trump. Uma porta-voz do Lawrence Livermore se recusou a comentar o relatório, que permanece em sigilo.
Uma pessoa que leu o documento, datado de 27 de maio de 2020, disse que ele era um forte argumento para uma investigação mais aprofundada sobre a possibilidade de o vírus ter vazado de laboratório. O estudo também teve grande influência na investigação do Departamento de Estado sobre as origens da Covid-19. Funcionários receberam a pesquisa no final de outubro de 2020 e pediram mais informações, de acordo com um cronograma do escritório de controle e verificação de armas da agência, que foi revisado pelo The Wall Street Journal.
Funcionários da ferrovia afirmam que por volta de 1.100 passageiros estavam a bordo
Acidente envolvendo trem no Paquistão deixou mais de 30 mortos Foto: EFE/EPA/Waqar Hussein
Uma colisão entre dois trens expressos no sul do Paquistão, na manhã desta segunda-feira (7), matou ao menos 35 passageiros. A informação foi confirmada por Azam Swati, ministro de Ferrovias do país, para a agência de notícias Associated Press.
Swati disse que está a caminho do distrito de Ghotki, na província de Sindh, onde aconteceu o acidente, e que neste momento ainda não se sabe o que causou a colisão, mas que todos os cenários estão sendo analisados.
De acordo com Umar Tufail, chefe da polícia do distrito de Ghotki, as autoridades estão trabalhando para conseguir máquinas para ajudar no resgate das pessoas presas nos vagões. Funcionários da ferrovia afirmam que por volta de 1.100 passageiros estavam a bordo.
– No momento, o desafio para nós é resgatar rapidamente os passageiros que ainda estão nos destroços – diz Tufail.
O primeiro-ministro do Paquistão, Imram Khan, declarou estar “chocado” com a “terrível tragédia” em Ghotki, e afirmou ainda que ordenou a ida do ministro de Ferrovias ao local para garantir a assistência aos feridos e que vai solicitar uma investigação.
Governo quer todos os idosos imunizados até o fim de julho
Foto: Reprodução BBC
O governo central do Japão está pedindo aos governos locais que criem suas próprias medidas para acelerar as campanhas de vacinação contra a Covid-19.
O Japão espera que mais governos locais aprendam com aqueles que já implementaram suas próprias medidas adicionais. O objetivo do governo central é que todos os idosos do país estejam imunizados até o fim de julho.
O site oficial do Gabinete do primeiro-ministro lista projetos que estão sendo realizados em todo o país para garantir os profissionais da saúde necessários para fazer as imunizações.
Na província de Nara, equipes com cerca de cinco médicos em treinamento são enviadas aos locais de vacinação para atuar sob a orientação de médicos supervisores.
Na cidade de Yamato, na província de Kanagawa, equipes de vacinação são enviadas às comunidades localizadas a grandes distâncias de estações de trem e que têm poucas instituições médicas.
O site também divulga métodos para acelerar os programas de vacinação.
Na cidade de Soma, na província de Fukushima, autoridades locais designaram dias e horários diferentes a cada distrito para a reserva da imunização. Também estão transportando de ônibus, até os centros de vacinação, os moradores elegíveis para receber a dose.
Em um centro de vacinação na cidade de Chofu, em Tóquio, os médicos acomodam os idosos em uma fila de cadeiras e passam entre eles aplicando as doses.
Concentração de riqueza, injustiças sociais e destruição ambiental fazem crescer os questionamentos ao modelo capitalista atual; em artigo de opinião, pesquisador avalia que é hora de repensar o contrato social com o capitalismo e numera quais são as saídas possíveis.
‘Abolir o capitalismo’, pede manifestante em um protesto em 1º de maio de 2021 em Berlim — Foto: Getty Images
Quase 250 anos atrás, o economista e filósofo Adam Smith escreveu o livro A Riqueza das Nações, em que descreveu o nascimento de uma nova forma de atividade humana: o capitalismo industrial.
Porém, ele e seus contemporâneos não imaginavam o quanto o novo sistema criaria um acúmulo de riqueza em poucas mãos.
O capitalismo alimentou as revoluções industrial e tecnológica, remodelou o mundo e transformou o papel do Estado em relação à sociedade.
Ele tirou inúmeras pessoas da pobreza nos últimos dois séculos, aumentou significativamente os padrões de vida e levou ao desenvolvimento de inovações que melhoraram radicalmente o bem-estar humano, além de tornar possível a ida à Lua e a leitura deste artigo de opinião.
No entanto, a história do capitalismo não é totalmente positiva.
Nos últimos anos, as deficiências do sistema se tornaram cada vez mais evidentes.
Priorizar ganhos de curto prazo para as pessoas às vezes fez com que o bem-estar de longo prazo da sociedade e do meio ambiente fosse jogado fora, especialmente porque o mundo está lutando ao mesmo tempo contra uma pandemia de coronavírus e as mudanças climáticas.
E como a agitação política e a polarização em todo o mundo demonstraram, há sinais crescentes de descontentamento com o status quo capitalista.
Uma pesquisa de 2020, produzida pela empresa de marketing e relações públicas Edelman, apontou que 57% das pessoas entrevistadas em todo o mundo disseram que “o capitalismo como existe hoje faz mais mal do que bem ao planeta”.
“O desempenho do capitalismo ocidental nas últimas décadas tem sido profundamente problemático em relação à desigualdade e aos danos ambientais”, escreveram os economistas Michael Jacobs e Mariana Mazzucato em Rethinking Capitalism (‘Repensando o capitalismo’, sem versão em português).
Mercados — Foto: Getty Images
No entanto, isso não significa que não haja soluções. “O capitalismo ocidental não está desesperadamente fadado ao fracasso, mas precisa ser repensado”, argumentam Jacobs e Mazzucato.
Então, o capitalismo como o conhecemos continuará em sua forma atual ou poderia ter outro futuro pela frente?
O capitalismo gerou milhares de livros e milhões de palavras, então seria impossível explorar todas as suas facetas.
Dito isso, podemos começar a entender para onde o capitalismo irá no futuro, explorando onde ele começou. Isso nos mostra que o capitalismo nem sempre funcionou como hoje, especialmente no Ocidente.
Entre os séculos 9 e 15, monarquias autocráticas e hierarquias eclesiásticas dominaram a sociedade ocidental.
Esses sistemas começaram a desmoronar à medida que as pessoas afirmavam cada vez mais seu direito à liberdade individual.
Essa busca por um foco maior no indivíduo favoreceu o capitalismo como sistema econômico por causa da flexibilidade que deu aos direitos de propriedade privada, escolha pessoal, empreendedorismo e inovação.
Ele também favoreceu a democracia como um sistema de governo por causa de seu foco na liberdade política individual.
A mudança em direção a uma maior liberdade individual mudou o contrato social.
Anteriormente, os que estavam no poder forneciam muitos recursos (terra, comida e proteção) em troca de contribuições significativas dos cidadãos (por exemplo, de trabalho escravo a trabalho duro com pouca remuneração, altos impostos e lealdade incondicional).
Em 1851, Londres sediou a ‘Grande Exposição das Obras da Indústria de Todas as Nações’ — Foto: Getty Images
Com o capitalismo, as pessoas esperavam menos das autoridades governantes, em troca de maiores liberdades civis, incluindo liberdade individual, política e econômica.
Mas o capitalismo evoluiu de maneira significativa durante os séculos seguintes e especialmente durante a segunda metade do século 20.
Após a Segunda Guerra Mundial, a Mont Pelerin Society, um grupo de especialistas em política econômica, foi fundada com o objetivo de enfrentar os desafios que o Ocidente tinha à vista.
Seu foco específico era a defesa dos valores políticos de uma sociedade aberta, o estado de direito, a liberdade de expressão e as políticas econômicas de livre mercado, aspectos centrais do liberalismo clássico.
Com o tempo, essas ideias deram origem à escola macroeconômica de “economia de abastecimento”.
Ela se baseava na crença de que impostos mais baixos e regulamentação mínima do livre mercado levariam a um maior crescimento econômico e, portanto, melhores condições de vida para todos.
Na década de 1980, junto com a ascensão do neoliberalismo político, a economia da oferta se tornou uma prioridade para os Estados Unidos e muitos governos europeus.
Essa nova tendência do capitalismo levou a um maior crescimento econômico em todo o mundo, ao mesmo tempo que tirou um número substancial de pessoas da pobreza absoluta.
Mas, ao mesmo tempo, seus críticos argumentam que os princípios de redução de impostos e desregulamentação empresarial pouco fizeram para apoiar o investimento político em serviços públicos, enfrentar o colapso da infraestrutura pública, melhorar a educação e mitigar riscos.
Em muitos países, o capitalismo do final do século 20 contribuiu para criar uma lacuna significativa entre a riqueza dos mais ricos e dos mais pobres, medida pelo Índice de Gini.
Protesto no Chile; criação de privilégios é um dos fatores que fizeram crescer os questionamentos ao capitalismo atual — Foto: Getty Images
Em alguns países, essa lacuna está aumentando. Os Estados Unidos são um exemplo: os americanos mais pobres não veem crescimento real da sua renda desde 1980, enquanto a renda dos ultra-ricos cresceu cerca de 6% ao ano.
Quase todos os bilionários mais ricos do mundo residem nos Estados Unidos e acumularam fortunas impressionantes, enquanto, ao mesmo tempo, a renda familiar média no país aumentou modestamente desde o início deste século.
A diferença de desigualdade pode ser mais importante do que alguns políticos e líderes corporativos gostariam de acreditar.
O capitalismo pode ter tirado milhões de pessoas em todo o mundo da pobreza extrema, mas a desigualdade pode ser corrosiva dentro de uma sociedade, diz Denise Stanley, professora de economia da Universidade do Estado da Califórnia.
“A pobreza absoluta é basicamente a situação em que uma pessoa vive com menos de US$ 4 (cerca de R$ 20) por dia (sob os critérios em vigor nos EUA))”, explica Stanley. Ela alerta que a pobreza e a desigualdade podem desequilibrar uma sociedade a longo prazo.
Mesmo que a economia esteja crescendo, a desigualdade de renda e a estagnação dos salários podem fazer com que as pessoas se sintam menos seguras à medida que sua posição relativa na economia diminui.
“Economistas comportamentais mostraram que nosso status em comparação com outras pessoas, nossa felicidade, deriva mais de medidas relativas e de distribuição do que de medidas absolutas. Se isso for verdade, então o capitalismo tem um problema”, diz Stanley.
Como resultado do aumento da desigualdade, “as pessoas confiam menos nas instituições e experimentam um sentimento de injustiça”, segundo o relatório Edelman.
Mas o impacto na vida das pessoas pode ser mais profundo. “O capitalismo em sua forma atual está destruindo a vida de muitas pessoas da classe trabalhadora”, argumentam os economistas Anne Case e Angus Deaton em seu livro Deaths of Despair and the Future of Capitalism.
“Durante as últimas duas décadas, as mortes de desespero por suicídio, overdose de drogas e alcoolismo aumentaram dramaticamente e agora centenas de milhares de vidas de americanos são perdidas a cada ano”, escrevem eles.
A crise financeira de 2007 e 2008 exacerbou esses problemas. A crise foi provocada pela desregulamentação excessiva e atingiu principalmente a classe trabalhadora de países desenvolvidos.
Pobreza e a desigualdade podem desequilibrar uma sociedade a longo prazo — Foto: Getty Images
Depois, os resgates dos grandes bancos feitos pelos governos após a crise financeira de 2008 geraram ressentimento e “ajudaram a alimentar o surgimento da política polarizada que vimos na última década”, de acordo com Richard Cordray, primeiro diretor do US Consumer Financial Protection Bureau (agência de proteção ao consumidor dos EUA) e autor de Watchdog: Como a proteção dos consumidores pode salvar nossas famílias, nossa economia e nossa democracia.
Protestos anticapitalistas
As democracias liberais podem agora estar em um ponto de inflexão, no qual os cidadãos questionam as normas capitalistas de hoje com maior intensidade política em todo o mundo.
J. Patrice McSherry, professor de ciência política na Long Island University, em Nova York, observou essa mudança no Chile, por exemplo.
“A mobilização social dos chilenos começou com um aumento nas tarifas do metrô em outubro de 2019, gerando protestos de base ampla que atraiu mais de um milhão de pessoas às manifestações”, diz ele.
“O movimento social expôs as profundas fontes de descontentamento no Chile: desigualdade arraigada e crescente, o custo de vida sempre crescente e a privatização extrema em um dos Estados mais neoliberais do mundo.”
Essas queixas remontam ao final do século 20, quando a ditadura militar do Chile introduziu reformas que institucionalizaram a dominação econômica e consagraram uma estrutura neoliberal que apagou o papel do Estado nas áreas sociais e econômicas. A participação política deu ao direito (político) poder desproporcional e instalou um papel tutelar para as Forças Armadas”, escreveu McSherry em um artigo para o Congresso Norte-Americano na América Latina, uma organização sem fins lucrativos que acompanha as tendências na região.
Da mesma forma, o movimento de coletes amarelos que começou na França em 2018 inicialmente se concentrou no aumento dos custos do combustível, mas rapidamente se expandiu para incluir reclamações semelhantes às do Chile: o custo de vida, o aumento da desigualdade e uma demanda para que o governo pare de ignorar as necessidades dos cidadãos.
E nos Estados Unidos, o movimento político que gerou o trumpismo é possivelmente impulsionado tanto pela desigualdade econômica quanto pela ideologia de direita.
O governo Trump obteve amplo apoio político por suas abordagens mais fechadas ao comércio mundial, incluindo a retirada do Acordo Transpacífico de Cooperação Econômica e tarifas retaliatórias sobre bens e serviços chineses, indianos, brasileiros e argentinos importados para os Estados Unidos.
Até mesmo os aliados históricos dos Estados Unidos foram o alvo dessa agenda, incluindo Europa, Canadá e México.
Embora uma resposta às desvantagens do capitalismo em sua forma atual seja que as nações adotem uma postura defensiva, buscando se proteger minimizando os laços externos, o protecionismo “é míope, especialmente quando se trata de comércio”, de acordo com Anahita Thoms, chefe da Baker McKenzie’s International Trade Practice, na Alemanha, e do Young Global Leaders, do Fórum Econômico Mundial.
“Embora possa trazer alguns benefícios temporários, no longo prazo (o protecionismo) coloca em risco a economia global como um todo e ameaça desfazer décadas de progresso econômico. Manter os mercados abertos para investimentos é crucial”, disse Thoms.
Um desafio central para os governos no século 21 será encontrar uma maneira de equilibrar esses benefícios de longo prazo do comércio mundial com os danos de curto prazo que a globalização pode trazer às comunidades locais afetadas por baixos salários e pelo desemprego.
As economias não podem ser completamente divorciadas das demandas das maiorias democráticas em busca de empregos, moradia acessível, educação, saúde e um meio ambiente saudável.
Como mostram os movimentos chileno, os coletes amarelos e os trumpismo, muitas pessoas estão pedindo uma mudança no sistema existente para dar conta dessas necessidades, em vez de apenas enriquecer os interesses privados.
Em suma, pode ser hora de repensar o contrato social para o capitalismo, de modo que ele se torne mais inclusivo de um conjunto mais amplo de interesses além dos direitos e liberdades individuais.
Isso não é impossível. O capitalismo já evoluiu antes e, se for para continuar no futuro de longo prazo, pode evoluir novamente.
Os coletes amarelos tomaram as ruas de Paris em protesto contra o governo — Foto: Getty Images
O futuro do capitalismo
Nos últimos anos, várias ideias e propostas surgiram com o objetivo de reescrever o contrato social do capitalismo.
O que elas têm em comum é a ideia de que as empresas precisam de medidas mais variadas de sucesso do que apenas lucro e crescimento.
Nos negócios, existe o “capitalismo consciente”, inspirado nas práticas das chamadas marcas “éticas”.
Na política, existe um “capitalismo inclusivo”, defendido tanto pelo Banco da Inglaterra quanto pelo Vaticano, que advoga pelo aproveitamento do “capitalismo para o bem comum”.
E na sustentabilidade, existe a ideia da “economia donut”, teoria da economista Kate Raworth, que sugere ser possível prosperar economicamente como sociedade sem deixar de lado as demandas sociais e planetárias.
Depois, há o modelo dos “cinco capitais”, articulado por Jonathan Porritt, autor de Capitalism As If The World Matters.
Porritt pede a integração de cinco pilares do capital humano: natural, humano, social, manufaturado e financeiro, nos modelos econômicos existentes.
Um exemplo tangível de onde as empresas estão começando a abraçar “os cinco capitais” é o movimento B-Corporation. As companhias certificadas cumprem a obrigação legal de considerar “o impacto de suas decisões sobre seus trabalhadores, clientes, fornecedores, comunidade e meio ambiente”.
Suas fileiras agora incluem grandes corporações como Danone, Patagonia e Ben & Jerry’s (que é propriedade da Unilever).
Essa abordagem se tornou cada vez mais comum, refletida em uma declaração de 2019 divulgada por mais de 180 CEOs corporativos, redefinindo “o propósito de uma corporação”.
Protesto no Chile fez crescer discussões sobre justiça social em um dos países mais neoliberais do mundo, diz autor — Foto: Getty Images
Pela primeira vez, os CEOs que representam o Wal-Mart, Apple, JP Morgan Chase, Pepsi e outros reconheceram que devem redefinir o papel dos negócios em relação à sociedade e ao meio ambiente.
Sua declaração propõe que as empresas devem fazer mais do que oferecer benefícios aos seus acionistas.
Além disso, devem investir em seus funcionários e contribuir para a valorização dos elementos humanos, naturais e sociais do capital a que Porritt se refere em seu modelo, ao invés de focar apenas no capital financeiro.
Em uma entrevista recente ao Yahoo Finance sobre o futuro do capitalismo, o CEO da Best Buy, Hubert Joly, disse que “o que aconteceu é que por 30 anos, da década de 1980 a 10 anos atrás, tivemos essa abordagem única sobre os lucros excessivos. Isso causou muitos desses problemas. Precisamos afrouxar esse modelo. Se tivermos uma refundação de negócios, também pode ser uma refundação do capitalismo… Eu acho que isso pode ser feito, tem que ser feito.”
Mais de três décadas atrás, a Comissão Brundtland das Nações Unidas escreveu no documento “Nosso Futuro Comum” que havia ampla evidência de que os impactos sociais e ambientais são relevantes e devem ser incorporados aos modelos de desenvolvimento.
Ora, é óbvio que essas questões também devem ser consideradas dentro do contrato social que sustenta o capitalismo, para que ele seja mais inclusivo, holístico e integrado aos valores humanos básicos.
Em última análise, vale a pena lembrar que os cidadãos em uma democracia liberal capitalista têm poder.
Coletivamente, eles podem apoiar empresas alinhadas com suas crenças e exigir continuamente novas leis e políticas que transformem o cenário competitivo das empresas para que possam aprimorar suas práticas.
Quando Adam Smith observava o nascente capitalismo industrial, em 1776, ele não podia prever o quanto ele transformaria nossas sociedades hoje. Portanto, era aceitável sermos tão cegos quanto ao que o capitalismo se transformaria nos dois séculos seguintes.
No entanto, isso não significa que não devamos nos perguntar como ele pode evoluir para algo melhor no curto prazo. O futuro do capitalismo e de nosso planeta depende disso.
*Matthew Wilburn King é um consultor internacional e conservacionista baseado no Colorado, Estados Unidos, e presidente e diretor da Common Foundation.