Em sua fala, o ditador ironizou a cobertura da imprensa americana sobre as ações militares no Caribe
Ditador Nicolás Maduro Foto: EFE/Ronald Peña
O ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, agradeceu na terça-feira (4), ao presidente Lula (PT), ao papa Leão XIV e à Organização das Nações Unidas (ONU) pelas declarações em defesa do diálogo e da paz na América Latina. O discurso ocorreu durante o Congresso Extraordinário do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV).
Maduro afirmou que Lula fez uma “declaração contundente sobre a paz na América do Sul e na América Latina e sobre o poder que a Celac deveria ter”. Segundo o ditador, o papa também pediu “diálogo entre os EUA e a Venezuela para buscar soluções e preservar a paz”.
Horas antes, o papa Leão XIV havia criticado o envio de forças americanas ao Caribe, afirmando que “com a violência não ganhamos”. O Escritório do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos também se manifestou contra o uso da força militar na região.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, informou nesta quarta (5) que Lula vai participar da reunião da Celac, na próxima semana, em Santa Marta, na Colômbia, para demonstrar apoio à Venezuela.
Durante o evento, Maduro ironizou a cobertura da imprensa americana e afirmou ser “mais famoso que Taylor Swift ou Bad Bunny” por causa das notícias sobre ele. “Até me dá vontade de gravar um álbum”, brincou.
A fala ocorre em meio à tensão entre Caracas e Washington. O governo dos Estados Unidos acusa Maduro de chefiar um cartel de drogas e oferece recompensa de 50 milhões de doláres (cerca de R$ 285 milhões)por sua captura. O presidente Donald Trump disse no domingo (2) que acredita que os dias de Maduro no poder “estão contados”.
O Dicastério para a Doutrina da Fé do Vaticano concluiu que a Virgem Maria não pode ser considerada “corredentora” e não pode partilhar com Jesus o poder de salvar a humanidade do pecado, o que significa que um novo dogma não será proclamado, pondo fim a uma longa disputa entre os teólogos.
O prefeito do que antes era o Santo Ofício, o cardeal argentino Víctor Manuel Fernández, apresentou nesta terça-feira (4) um denso documento intitulado “Mater Populi Fidelis” em uma coletiva de imprensa fora do Vaticano.
O texto repassa os vários títulos com os quais se pode falar de Maria, a Mãe de Deus, e deixa claro que não pode ser definida como “redentora” ou “mediadora” ou que concede graças.
– Tendo em conta a necessidade de explicar o papel subordinado de Maria a Cristo na obra da Redenção, é sempre inoportuno o uso do título de corredentora para definir a cooperação de Maria. Este título corre o risco de obscurecer a única mediação salvífica de Cristo e, portanto, pode gerar confusão e um desequilíbrio na harmonia de verdades da fé cristã – explica o texto.
Da mesma forma, em outra passagem do texto, também se conclui que “em sentido estrito, não podemos falar de outra mediação na graça que não seja a do Filho de Deus encarnado” e, portanto, também não se pode falar de Maria “como mediadora” para alcançar a salvação prometida pelo catolicismo.
O texto também explica que Maria não concede graças, mas que “Maria na ordem da graça deve ser entendida como dispositiva”, com sua “proteção maternal” ajudando, de diversas maneiras, a “dispor-nos à vida da graça que somente o Senhor pode infundir em nós”.
Há anos, a questão da “corredenção” da Virgem Maria é objeto de um intenso debate entre os teólogos, sobretudo entre os “mariólogos”, que estudam o ramo da teologia dedicado à mãe de Jesus Cristo.
O culto de Maria “corredentora” é defendido, principalmente, por alguns setores de católicos ultraconservadores, alguns dos quais pedem há anos a proclamação de um novo dogma sobre a Virgem.
Os dogmas são verdades de fé que a Igreja define explicitamente ao considerar irrefutáveis. Sobre a Virgem, há quatro: que foi concebida sem pecado, que permaneceu virgem, que foi a Mãe de Deus e que foi assunta aos céus.
O papa João Paulo II se referiu em várias ocasiões a Maria como “corredentora”, enquanto Bento XVI evitou o tema, e Francisco, em uma homilia improvisada em 2019, concluiu:
– Quando nos vierem com histórias de que é preciso declará-la isso, ou fazer este outro dogma ou isto, não nos percamos em bobagens.
Vários santos como Padre Pio, Gabriel da Dolorosa, Madre Teresa de Calcutá, Bartolo Longo, Maximiliano Kolbe, Edith Stein e Irmã Lúcia de Fátima se referiram à Virgem “corredentora”, razão pela qual, a pedido da Santa Sé, foi constituída uma comissão no XIII Congresso Mariológico Internacional, realizado em Czestochowa, na Polônia, em 1996, que já havia concluído com uma negativa à instituição do novo dogma.
Mesmo assim, durante estes anos, as petições continuaram. O cardeal mexicano Juan Sandoval explicou em uma ocasião que havia sido entregue um documento a Francisco pedindo a proclamação do dogma com as assinaturas de 570 bispos de 79 países, milhares de sacerdotes, religiosos e religiosas e oito milhões de fiéis leigos recolhidas desde os anos 90 por meio da campanha “Vox Populi Mariae Mediatrici”.
Venezuela completa um ano sem divulgar números oficiais de inflação (Imagem ilustrativa) Foto: EFE/ Mauricio Dueñas Castañeda
A Venezuela completou, neste sábado (1º), um ano sem números oficiais e atualizados sobre a inflação – que foi de 4% em outubro de 2024 -, o que faz com que “todos ajam às cegas” em relação ao seu planejamento financeiro e deixa os venezuelanos “desorientados” sobre o rumo da economia, disse à Agência EFE o professor universitário Jesús Palacios.
Sem números recentes sobre a inflação divulgados pelo Banco Central da Venezuela (BCV), é “difícil negociar aumentos salariais”, alertou Palacios. Portanto, as empresas não têm referências para planejar toda a sua estratégia financeira.
Na Venezuela, o salário mínimo e as pensões são de 130 bolívares, a moeda nacional, cerca de 0,60 dólares por mês, de acordo com a taxa de câmbio mais recente do BCV. Os funcionários públicos recebem bônus do governo de até 160 dólares, mas isso não afeta seus benefícios trabalhistas, por isso vários sindicatos reivindicam um salário digno.
INFLAÇÃO EM DÓLARES Durante a hiperinflação de 2017 e 2021, a Venezuela adotou de fato o uso do dólar, e essa moeda se tornou a principal referência para a fixação de preços em todo o país. Outras moedas também são utilizadas — como o euro e, em menor escala, o peso colombiano — contra a inflação e a desconfiança no bolívar.
No entanto, os preços em dólares aumentam na Venezuela e as pessoas se referem a esse fato como “inflação em dólares”. Sobre isso, Palacios, que é economista de profissão, comentou que “os preços em dólares têm aumentado em comparação com anos anteriores” e isso “tem sido um fenômeno desde 2018, que foi muito acentuado até 2023, principalmente”.
Durante esses anos, “houve aumentos que levaram os preços a multiplicarem-se por cinco ou seis vezes o seu valor (em dólares) no final de 2018”, acrescentou o economista.
– Estamos falando de uma inflação em dólares acima de 20% nos últimos doze meses – precisou Palacios com base em estimativas independentes.
AJUSTE EXCESSIVO Palacios explicou que os baixos salários, a “inflação em dólares” e a ausência de números inflacionários geram uma “falta de clareza e coordenação entre os agentes econômicos (indivíduos, famílias, empresas, etc.)”.
Ele acrescentou ainda que a soma das variáveis mencionadas favorece uma “perda de poder de compra dos consumidores”, bem como uma “redução das margens [de lucro] nos negócios ou uma queda nas vendas por ajustes excessivos” dos preços.
– Para as empresas, os comércios, para o produtor, é muito complexo calcular preços sem estimativas de inflação, assim como negociar com fornecedores. Isso tira uma medida de referência – destacou o professor.
O BCV não publica números sobre a inflação desde novembro de 2024, quando divulgou os dados referentes a outubro. Isso coincidiu com o aumento da diferença cambial entre o preço do dólar fixado pelo órgão emissor e o do mercado paralelo – muito acima do oficial -, uma situação que, segundo economistas, permanece até hoje devido à escassa disponibilidade de moeda estrangeira na Venezuela.
Enquanto isso, o governo garantiu em julho deste ano que a Venezuela está há mais de 17 trimestres consecutivos em crescimento econômico, embora não tenha divulgado números sobre a inflação.
A jornalista Elisa Robson afirmou ter sido alvo de bloqueios, censura e interrogatórios supostamente determinados pelo ministro Alexandre de Moraes, após divulgar reportagens sobre conexões entre redes de narcotráfico, ditaduras latino-americanas e grupos criminosos brasileiros. Ela mora nos Estados Unidos desde 2023.
Segundo Elisa, houve uma ordem judicial que impôs multa diária ao empresário Elon Musk, caso seu perfil permanecesse acessível a usuários brasileiros na plataforma X, da qual o bilionário é dono.
– Alexandre de Moraes ameaçou o Elon Musk com multa diária de 20 mil dólares, caso o perfil, o meu perfil no X continuasse disponível para os brasileiros. Então, ou era cerceada minha liberdade de expressão ali naquela plataforma ou uma multa milionária seria aplicada a Elon Musk. Isso é de uma violência sem tamanho para um trabalho de uma jornalista, né? Uma agressão muito séria – relatou em entrevista ao Pleno Time, na última quarta-feira (29).
Elisa classificou as medidas como uma violação grave à liberdade de expressão e afirmou que há um “quebra-cabeça em formação” envolvendo investigações internacionais e sanções do governo norte-americano.
A jornalista questiona qual seria “o interesse” de Moraes em relação ao seu cerceamento.
*Pleno.News Fotos: Alejandro Zambrana/Secom/TSE e EFE/EPA/ALEXANDER BECHER
Na partida contra o Al-Hazem, o atacante português, Cristiano Ronaldo anotou o segundo gol que definiu a vitória do Al-Nassr por 2 a 0, neste sábado (25). O jogador atingiu a marca de 950 gols na carreira e logo chegará ao inevitável recorde de 1000 gols em jogos oficiais.
Cristiano é o maior artilheiro da história do futebol em jogos oficiais. A confusão que existe é em relação ao Pelé, que registra 1283 gols e é associado ao título. Os mais de mil gols do Rei são entre jogos oficiais e amistosos ou competições não oficiais, enquanto os do português são somente por partidas oficiais.
O português tem como objetivo marcar mais 50 gols e atingir a marca histórica. Além disso, mesmo com 40 anos de idade, pode jogar a Copa do Mundo de 2026 e realizar o seu sonho de ser campeão do mundo, assim como seu rival, Lionel Messi.
A pequena Maria Gonçalves Lima, de 7 meses, foi escolhida para ser levada ao papa Leão XIV e abençoada por ele em meio a multidão na Praça de São Pedro, no Vaticano, na quarta-feira (22). (Veja no vídeo acima) A menina nasceu em Eunápolis, no extremo sul da Bahia, e está no Vaticano com a mãe, a administradora Carol Lima. As duas fazem turismo religioso com um grupo de 25 pessoas em uma excursão pela Europa.
Em entrevista para a TV Santa Cruz, afiliada da TV Bahia, Carol Lima contou que o grupo sabia que o papa realiza esse passeio e que já tem o costume de abençoar bebês nesse momento, mas não tinham certeza se ia conseguir o feito. “Na quarta-feira, nós fomos participar da catequese com o papa. Antes de realizar, ele faz um passeio com o papamóvel na Praça de São Pedro e tem o hábito de pegar crianças. A gente já sabia disso e já veio pedir essa benção para Deus”, contou Carol Lima.
“O máximo que a gente conseguiu foi ficar próximo das grades onde o papamóvel rodava. Nós ficamos e tentamos contar com a fé que daria certo”.
A mãe da bebê contou que a praça já estava cheia quando chegaram e eles procuraram um local na grade onde o papa poderia passar e esperaram lá. Quando o santíssimo passou, eles entregaram a bebê ao segurança, que ergueu a pequena Maria e possibilitou que o papa a abençoasse. “Assim aconteceu conforme a vontade do Senhor. O papa fez a imposição na cabeça dela e a gente ficou muito feliz. Todo o grupo de 25 pessoas. Nós estamos emocionados. A gente entende que a benção se estende para todos nós”, contou a mãe da bebê.
“Nosso desejo é que a benção se estenda para todas as pessoas que se sintam tocadas por esse vídeo, que mostra o pouquinho do que a gente viveu. Foi abundantemente abençoado , muito bom”.
Rodrigo Paz encerrou um ciclo de duas décadas de governos de esquerda no país
Rodrigo Paz Pereira: de senador a presidente eleito da Bolívia | Foto: Reprodução/X/@rodrigo_pazp
O encerramento de um ciclo de duas décadas de governos de esquerda na Bolívia repercutiu no Congresso Nacional. A vitória de Rodrigo Paz, de centro-direita, nas eleições presidenciais causou entusiasmo entre os parlamentares da oposição ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O político boliviano foi eleito neste domingo, 19.
Para o deputado federal Ubiratan Sanderson (PL-RS), a Bolívia “deu um exemplo de coragem ao romper com o ciclo de governos de esquerda”.
“A Bolívia mostrou que é possível se libertar da ideologia que destrói economias e corrompe instituições”, afirmou vice-líder da oposição na Câmara. “Falta o Brasil seguir esse caminho e se libertar do PT.”
Já o deputado Rodrigo Valadares (União Brasil-SE) classificou o resultado como um sinal de mudança que deveria inspirar outros países. “O povo boliviano escolheu o futuro e rejeitou o atraso”, afirmou. “Um exemplo de coragem que deve inspirar o Brasil a virar a página e retomar o caminho da prosperidade.”
Também opositor ao governo Lula, o deputado Coronel Tadeu (PL-SP) celebrou o que chamou de “grito de liberdade” na América Latina.
“A Bolívia deu um grito de liberdade!”, disse Tadeu. “Que o Brasil desperte e faça o mesmo. Os bolivianos entenderam que liberdade e prosperidade caminham juntas. O Brasil precisa ter a mesma coragem para se libertar da esquerda.”
O deputado Capitão Alberto Neto (PL-AM) destacou a eleição boliviana como parte de um movimento mais amplo no continente.
“Mais um país que decide se livrar das amarras ideológicas e buscar progresso de verdade”, afirmou o deputado do PL do Amazonas. “O vento da mudança está soprando no continente.”
Quem é o presidente eleito da Bolívia
O desfecho da eleição presidencial boliviana representou o fim de um período iniciado em 2006, com a chegada do socialista Evo Morales ao poder. Com 54,6% dos votos obtidos no segundo turno, Rodrigo Paz derrubou o regime de esquerda, com pautas voltada à retomada do crescimento econômico e ao fortalecimento das instituições democráticas.
Então senador, Paz, de 58 anos, é filho do ex-presidente Jaime Paz Zamora. Ele assumirá o seu mandato de presidente da Bolívia em 8 de novembro.
Marcelo Rebelo de Sousa sancionou a nova Lei dos Estrangeiros, que endurece regras de imigração em Portugal e afeta diretamente os brasileiros. A norma exige visto obtido no país de origem e impõe restrições ao reagrupamento familiar, alinhando o país às diretrizes migratórias da União Europeia
O presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, promulgou nesta quinta-feira (16) a nova Lei dos Estrangeiros. “Considerando que o diploma agora revisto e aprovado por 70% dos deputados corresponde minimamente ao essencial das dúvidas de inconstitucionalidade suscitadas pelo presidente da República e confirmadas pelo Tribunal Constitucional, o presidente da República promulgou o diploma (…) que aprova o regime jurídico de entrada, permanência, saída e afastamento de estrangeiros do território nacional”, disse Rebelo de Sousa em nota.
A restrição à imigração era uma das promessas de campanha da Aliança Democrática, coligação de centro-direita que governa Portugal, liderada pelo premiê Luís Montenegro. A primeira versão da nova Lei dos Estrangeiros tinha sido aprovada no parlamento em 17 de julho. No dia 24 do mesmo mês, Rebelo de Sousa a encaminhou ao Tribunal Constitucional para uma “fiscalização preventiva”. Em 8 de agosto a corte declarou a inconstitucionalidade de trechos da Lei -que foi vetada no mesmo dia pelo presidente.
Foi preciso assim que o governo redigisse uma nova versão, que foi aprovada na Assembleia da República no dia 30 de setembro. A aprovação, por 160 votos contra 70, só foi possível por um acordo entre o governo e o Chega, partido da ultradireita portuguesa. A esquerda liderada pelo Partido Socialista votou contra. Faltava apenas a promulgação por parte do presidente, que veio nesta quinta.
Embora mais branda que a versão anterior, a segunda redação da lei dificulta a vida dos brasileiros que moram ou pretendem morar em Portugal. Um estrangeiro que vive no país só pode trazer a família depois de um ano de residência legal, e precisa comprovar a coabitação com o cônjuge por pelo menos um ano antes da mudança. O reagrupamento familiar só é imediato em caso de família com filhos menores de idade ou declarados incapazes.
O espírito da nova regulamentação é adequar Portugal às normas de imigração recomendadas pela União Europeia. Isso significa que, ao contrário do que ocorria antes, os imigrantes não poderão mais entrar como turistas em solo luso e obter a documentação a posteriori. Portanto, deverão obter visto de estudante ou de trabalhador no país de origem. Os vistos para procura de emprego serão restritos a profissionais considerados “altamente qualificados”.
A nova lei abre brechas para acordos bilaterais entre os países, que poderão negociar canais específicos para seus cidadãos. Isso poderia beneficiar os milhares de brasileiros que trabalham na indústria do turismo portuguesa, em hotéis ou restaurantes.
Em paralelo à Lei dos Estrangeiros o governo português deve apresentar à Assembleia da República, na semana que vem, o texto da nova Lei da Nacionalidade, que deverá igualmente afetar os brasileiros. Entre outras coisas, ela poderá aumentar o prazo para que estrangeiros residentes em Portugal possam reivindicar um passaporte português. Hoje brasileiros e cidadãos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) podem fazer isso depois de cinco anos de residência legal. Com a nova norma, o prazo pode subir para sete anos.
A discussão sobre a Lei da Nacionalidade está prevista para a próxima quarta-feira (22).
‘The New York Times’ revelou que ‘operações letais’ estavam no radar. Presidente dos EUA não quis comentar se agentes de inteligência receberam autorização para eliminar Maduro.
Donald Trump, presidente dos EUA, e Nicolás Maduro, presidente da Venezuela • Reuters/Getty Images
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, admitiu nesta quinta-feira (15) ter autorizado operações da Agência Central de Inteligência (CIA, na sigla em inglês) na Venezuela. Ele também afirmou que estuda realizar ataques terrestres contra cartéis de drogas venezuelanos.
Mais cedo, o jornal The New York Times afirmou que as ações autorizadas pela CIA podem incluir “operações letais” e outras iniciativas da inteligência americana no Caribe. Com isso, os alvos poderiam ser Nicolás Maduro e integrantes do governo venezuelano.
Trump disse que autorizou operações secretas da CIA na Venezuela porque o país tem enviado drogas e criminosos para os Estados Unidos. Ao ser perguntado se agentes de inteligência teriam autoridade para eliminar o presidente venezuelano, ele preferiu não responder.
“Essa seria uma pergunta ridícula para eu responder. Mas acho que a Venezuela está sentindo a pressão, e outros países também.” Trump também defendeu as operações militares em andamento em águas do sul do Caribe. Nas últimas semanas, os Estados Unidos bombardearam uma série de barcos que supostamente transportavam drogas. Ao todo, 27 pessoas morreram.
“Cada barco que destruímos, salvamos 25 mil vidas de americanos”, afirmou. “Não quero dizer exatamente, mas certamente estamos olhando para a terra agora, porque temos o mar muito bem controlado.”
Desde o mês passado, segundo a imprensa americana, o governo Trump avalia uma operação militar que pode incluir ataques à Venezuela. Estruturas ligadas a cartéis de drogas estariam entre os possíveis alvos. Autoridades dizem que o objetivo final seria tirar Maduro do poder.
Os EUA acusam Maduro de liderar o Cartel de los Soles, grupo classificado recentemente pelo governo Trump como organização terrorista internacional. Neste contexto, o governo americano pode considerar o presidente da Venezuela um alvo legítimo ao anunciar ataques contra cartéis. Em agosto, o Departamento de Justiça ofereceu uma recompensa de US$ 50 milhões por informações que levem à prisão do presidente venezuelano. No mesmo mês, o governo norte-americano anunciou o envio de navios e aeronaves militares para o Caribe, em uma área próxima à costa venezuelana, alegando se tratar de uma operação contra o tráfico internacional de drogas.
Operações no Caribe
Desde setembro, os Estados Unidos vêm bombardeando barcos que, segundo o governo, pertencem a organizações narcoterroristas envolvidas no transporte de drogas para o território norte-americano.
O bombardeio mais recente foi autorizado na terça-feira (14), quando militares atingiram um barco em águas internacionais próximas à costa da Venezuela. Seis pessoas morreram, segundo Trump.
“A inteligência confirmou que a embarcação estava traficando narcóticos, estava associada a redes ilícitas de narcoterrorismo e transitava por uma rota conhecida de organização terrorista”, publicou o presidente em uma rede social.
Essas operações, no entanto, têm sido alvo de críticas de entidades internacionais. A Human Rights Watch afirmou que os bombardeios violam a lei internacional por se tratar de “execuções extrajudiciais ilegais”.
O tema também foi discutido no Conselho de Segurança da ONU na sexta-feira (10), que levantou preocupações sobre a execução de civis sem julgamento, além da possibilidade de uma escalada militar na região.
Já o governo da Venezuela pediu para que a comunidade internacional investigue os ataques, afirmando que as vítimas — que os EUA alegam ser narcotraficantes — eram apenas pescadores.
Escalada
Especialistas ouvidos pelo g1 afirmam que o aparato enviado pelos EUA ao sul do Caribe é incompatível com uma operação militar para combater o tráfico de drogas.
“Se você olhar o tipo de equipamento enviado para a Venezuela, não é um equipamento de prevenção ou de ação contra o tráfico, ou contra cartéis”, aponta o cientista Carlos Gustavo Poggio, professor do Berea College, nos EUA.
Maurício Santoro, doutor em Ciência Política pelo IUPERJ e colaborador do Centro de Estudos Político-Estratégicos da Marinha do Brasil, avalia que os EUA podem estar se preparando para uma intervenção militar na Venezuela.
“É uma situação muito semelhante àquela do Irã, alguns meses atrás. O volume de recursos militares que os Estados Unidos transferiram para o Oriente Médio naquela ocasião, e agora para o Caribe, são indicações de que eles estão falando sério”, disse.
Veja a seguir o que se sabe sobre a operação dos EUA:
Enquanto isso, Caracas vem mobilizando militares e milicianos para se defender de um possível ataque. Civis também estão sendo treinados.
Pelo menos sete navios dos EUA foram enviados para o sul do Caribe, incluindo um esquadrão anfíbio, além de 4.500 militares e um submarino nuclear. Aviões espiões P-8 também sobrevoaram a região, em águas internacionais.
A operação se apoia no argumento de que Maduro é líder do suposto Cartel de los Soles, classificado pelos EUA como organização terrorista.
Os EUA consideram o presidente venezuelano um fugitivo da Justiça e oferecem recompensa de US$ 50 milhões por informações que levem à prisão dele.
A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, se recusou a comentar objetivos militares, mas disse que o governo Trump vai usar “toda a força” contra Maduro.
O site Axios revelou que Trump pediu um “menu de opções” sobre a Venezuela. Autoridades ouvidas pela imprensa americana não descartam uma invasão no futuro.
Trump vem se recusando a comentar se irá ordenar um ataque direto ao território venezuelano. Por outro lado, o presidente já autorizou que militares atirem contra caças da Venezuela que oferecerem risco à operação americana.
Após 738 dias de cativeiro, o Hamas iniciou nesta segunda-feira a libertação dos primeiros reféns israelenses capturados em 2023. O processo, mediado pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha, faz parte do acordo de cessar-fogo firmado entre Israel e o grupo palestino
O grupo terrorista Hamas iniciou na manhã desta segunda-feira (madrugada de segunda em Brasília) a libertação de reféns israelenses capturados no ataque de 7 de outubro de 2023. Após 738 dias de cativeiro na Faixa de Gaza, os primeiros sobreviventes foram transferidos para equipes do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), que atuam como intermediárias no acordo de cessar-fogo firmado entre as partes.
O processo de libertação, que deve ocorrer sem cerimônias públicas por parte do Hamas, começou por volta das 08h10 no horário local (02h10 em Brasília), com a entrega de um primeiro grupo de sete reféns.
Os primeiros libertados foram identificados como Eitan Mor, os irmãos gêmeos Gali e Ziv Berman, Matan Angrest, Guy Guilboa-Dalal, Alon Ohel e Omri Meiran. Conforme comunicado oficial das Forças de Defesa de Israel (FDI), por volta das 09h10 (03h10 em Brasília), a Cruz Vermelha transferiu esse grupo com sucesso para a custódia dos militares israelenses.
“As FDI estão preparadas para receber reféns adicionais, que deverão ser transferidos para a Cruz Vermelha posteriormente”, informou o Exército israelense.
Segunda Leva e contexto político
Pouco depois das 10h25 locais (04h25 em Brasília), o Hamas anunciou o início da entrega de um segundo grupo de reféns. O anúncio coincidiu com a chegada do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao Aeroporto Internacional Ben Gurion, em Tel Aviv.
A expectativa é de que mais 13 reféns sejam libertados ao longo do dia, totalizando 20 pessoas. No entanto, a lista final divulgada pelo grupo palestino apresentou discrepâncias em relação às expectativas iniciais de Israel: os nomes do nepalês Bipin Joshi e de Tamir Nimrodi não foram incluídos, reduzindo o número de 22 para 20 reféns previstos para a operação.