A organização da Copa do Mundo do Catar, que será disputada entre novembro e dezembro deste ano, avisou nesta sexta-feira que não vai tolerar bandeiras de arco-íris, que representam o movimento em defesa dos direitos LGBTQIA+, nas arquibancadas dos oito estádios do Mundial. De acordo com um dos dirigentes do comitê organizador da Copa, a medida será tomada para “proteger” os torcedores.
Em entrevista à agência de notícias The Associated Press, o major-general Abdulaziz Abdullah Al Ansari afirmou que o país e a Copa vão receber bem casais homossexuais, apesar das leis que criminalizam a homossexualidade no Catar, mas não vão aceitar bandeiras que “promovem” o movimento.
“Se um torcedor levantar uma bandeira de arco-íris e eu tirá-la de sua mão, não seria porque eu quero ou porque estou insultando ele. Será para protegê-lo”, disse Al Ansari, um dos principais responsáveis pela segurança da Copa do Mundo. “Porque se eu não fizer isso, alguém poderá atacá-lo… Não posso garantir o bom comportamento de todos. E vou dizer ao torcedor: ‘Por favor, não é necessário levantar a bandeira neste local’”.
O dirigente disse que “atos político” não serão permitidos nos estádios da Copa. “Percebemos que este torcedor comprou o ingresso para vir aqui assistir ao jogo, não para fazer uma demonstração ou um ato político ou qualquer coisa que esteja em sua mente”, declarou. “Assista ao jogo. Isso é legal. Mas não venha aqui insultar toda a nossa sociedade por isso.”
As declarações de Al Ansari contrastam com as palavras recentes do presidente da Fifa. Nesta semana, Gianni Infantino afirmou que “todos vão perceber que todos serão muito bem-vindos aqui no Catar, mesmo nos casos de LGBTQ”.
Al Ansari reiterou que não está rejeitando integrantes desta comunidade ou anunciando que não serão bem-vindos. “Reservem o quarto juntos, durmam juntos… Isso não é da nossa conta. Estamos aqui para gerenciar o torneio. Não vamos além das coisas pessoais individuais que podem estar acontecendo entre essas pessoas… Essa é a ideia. Aqui não podemos mudar as leis. Você não pode mudar a religião durante os 28 dias da Copa do Mundo.”
A forma como torcedores homossexuais serão tratados no Catar é alvo de preocupação por parte de entidades ligadas ao futebol e ao movimento nos últimos meses. A rede FARE, que monitora eventuais casos de discriminação nos jogos, pediu que todos os torcedores sejam respeitados durante a disputa do Mundial.
Nesta sexta-feira, a rede rebateu as declarações de Al Ansari. “A ideia de que a bandeira, que é reconhecida universalmente como símbolo da diversidade e igualdade, será retirada das pessoas para protegê-las não será considerada aceitável. E será encarada apenas como um pretexto (para o preconceito)”, afirmou Piara Powar, diretor executivo da FARE.
“Já estive no Catar por diversas vezes e não espero que a torcida local ou a população catariana ataquem alguém apenas por causa da bandeira do arco-íris. O maior perigo vem das ações do Estado”, destacou Powar.
Sul-africano comprou o Twitter nesta segunda-feira
Elon Musk Foto: EFE/EPA/BRITTA PEDERSEN
O bilionário Elon Musk confirmou, nesta segunda-feira (25), a compra do Twitter pelo valor de 44 bilhões de dólares (cerca de R$ 214 bilhões). Dono da Tesla e da SpaceX, o sul-africano de 50 anos foi considerado a pessoa mais rica do mundo em 2022 e tem uma fortuna de 219 bilhões (R$ 1,021 trilhão), segundo a revista Forbes.
Ainda de acordo com a Forbes, a maior parte do patrimônio de Musk vem da montadora de veículos elétricos Tesla. Ele detém 23% das ações da companhia. As informações são do portal UOL.
A outra fonte de riqueza de Elon é a SpaceX. Em fevereiro a empresa de foguetes foi avaliada em 74 bilhões de dólares (R$ 360 bilhões).
Nascido em uma família rica, em Pretória, na África do Sul, Elon é filho da nutricionista e modelo Maye Musk com Errol Musk, um engenheiro mecânico, piloto de aviões e empresário.
Quando os pais de Musk se divorciaram, seu irmão mais novo e sua irmã decidiram ficar com a mãe. Já Elon foi morar com o pai. Ele aprendeu programação sozinho quando era criança. Aos 12, fechou seu primeiro negócio ao escrever o código de videogame e o vender para a revista PC and Office Technology, por 500 dólares (R$ 2.438 mil).
Elon foi para o Canadá quando tinha 17 anos. No país, ele trabalhou como limpador de boilers e cortador de madeira para pagar as contas e se matricular na Queen’s University. Durante os estudos, Musk começou a vender peças de computador e PCs completos para outros estudantes.
O sul-africano mudou para a Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, onde formou-se em economia e física. Ele conseguiu uma vaga para fazer doutorado em Stanford, mas em poucos dias deixou tudo para construir uma startup com seu irmão, Kimbal.
Os irmãos criaram o software Zip2, de guia da cidade para jornais. Eles tinham 28 mil dólares (R$ 128 mil), quantia que foi emprestada pelo pai. Em 1999, o Zip2 foi vendido por 307 milhões de dólares (R$ 1.497 bilhões). Musk ficou com 22 milhões de dólares (R$ 107 milhões) da venda.
Elon decidiu investir no X.com, um serviço de pagamentos online, que se fundiu com sua principal rival e virou PayPal. Musk lucrou 180 milhões de dólares (R$ 877 milhões), em 2002, quando o eBay comprou o PayPal.
Quando tinha 31 anos de idade, o sul-africano já tinha um patrimônio de 165 milhões de dólares (R$ 804 milhões).
A SpaceX foi criada por ele em maio de 2002. Logo depois, ele foi cofundador da Tesla.
Em 2008, um empréstimo de 456 milhões de dólares (R$ 2.224 bilhões) concedido do governo dos EUA salvou a Tesla da falência.
Ele também é cofundador da SolarCity, que fornece sistemas de energia solar, além da empresa Boring Company, que explora o subsolo.
Apesar dos bons resultados, Musk disse que chegou a viver de empréstimos de amigos, enquanto tentava manter suas empresas funcionando, após ter se divorciado de sua primeira esposa, no fim de 2008. Quando a Tesla estreou na bolsa de valores, em 2010, a fortuna de Musk disparou.
Após uma semana de deliberações, o bilionário Elon Musk confirmou, nesta segunda-feira (25), a compra do Twitter pelo valor de 44 bilhões de dólares (cerca de R$ 214 bilhões). Parte do conselho de administração da rede social ainda vinha resistindo à proposta, mas a vontade da maioria dos acionistas de aceitar a oferta prevaleceu nas negociações.
Com a decisão, o magnata passará a ser o único dono da empresa e fechará o capital da rede social.
A confirmação da compra fez as ações do Twitter dispararem durante esta tarde, em alta de 5,52% na Nasdaq (Nova York), a 51,63 de dólares. Na Bolsa de Valores brasileira, os recibos de ações da plataforma foram valorizados em 7,63%, saindo a R$ 126,46 cada.
Formado por 11 pessoas, o Conselho do Twitter se reuniu nesta manhã para analisar a proposta de Musk. Segundo fontes ligadas ao caso, o ponto de virada para o conselho foi a obtenção de garantias de que a oferta de Musk de 54,20 dólares (R$ 264) por ação seria cumprida.
Em entrevista recente durante o evento TED, o CEO da Tesla e da SpaceX esclareceu qual é sua real intenção em comprar a plataforma. Segundo Musk, seu objetivo não é o lucro, mas a preservação da liberdade de expressão no mundo.
– É realmente importante que as pessoas tenham a realidade e as percepções [sobre a realidade] e que elas sejam capazes de se expressar livremente dentro dos limites da lei – ponderou Musk.
Recentemente, ele já havia demonstrado preocupação sobre como a rede social estava moderando seus conteúdos. O bilionário chegou a considerar a ideia de criar uma nova plataforma com essa premissa. Ele optou, no entanto, por investir na compra do Twitter, plataforma já consagrada entre os internautas.
Inicialmente, Musk comprou 9% das ações da empresa, se tornando o maior acionista da rede. Ele chegou a ser convidado para fazer parte do conselho diretor, mas declinou da oferta, visto que aceitar a proposta o impediria de possuir mais de 14,9% das ações durante dois anos.
General russo afirmou que o país está tentando ganhar o controle de uma faixa de território que se estende até a Moldávia
Presidente da Rússia, Vladimir Putin Foto: EFE/EPA/SERGEI GUNEYEV
A Rússia pretende assumir o “controle total” do sul da Ucrânia, disse um alto comandante militar russo nesta sexta-feira (22), embora não tenha ficado claro se o anúncio representa uma mudança da política oficial do Kremlin para a guerra. O general Rustam Minnekayev disse que uma segunda fase da guerra começou esta semana.
– Um dos objetivos dessa fase é assumir o controle total do Donbas e do sul da Ucrânia – disse.
De acordo com o general, a Rússia está tentando ganhar o controle de uma faixa de território que se estende até a Moldávia, o que permitiria que Moscou “influencie elementos críticos da economia ucraniana” e ganhe “mais um ponto de acesso” ao enclave da Transdnístria, um território separatista pró-Russia no leste da Moldávia.
Essas são metas muito mais ambiciosas do que as estabelecidas pelo presidente da Rússia, Vladimir Putin, nas últimas semanas, que se concentraram em ganhar o controle da região de Donbas, no leste da Ucrânia.
As metas apresentadas pelo general Minnekayev não parecem ser realistas, pelo menos por enquanto, já que os observadores militares questionam se a Rússia tem tropas e equipamentos suficientes para vencer em Donbas e no sul da Ucrânia, que abriga Odessa, uma cidade fortificada com 1 milhão de habitantes.
O magnata Oleg Tinkov, expulso da Rússia há poucos anos, decidiu adotar posição firme contra o país natal, criticando o que considera um “massacre” na Ucrânia e apelando ao Ocidente para que ajude a pôr fim à “guerra absurda”.
Em publicação no Instagram, Tinkov assegurou que 90% da população russa estão contra a guerra.
“Não vejo um único benificiário desta guerra absurda! Pessoas inocentes e soldados estão morrendo”, acrescentou.
O magnata pediu ainda ao “Ocidente coletivo” que “ofereça a Putin uma saída clara para se salvaguardar e acabar com este massacre”. “Por favor, sejam mais racionais e humanitários”, apelou.
Oleg Tinkov é um dos empresários russos mais conhecidos, tendo feito fortuna ao fundar, em 2006, o banco digital independente Tinkoff. Em 2020, saiu da presidência do banco e, em anos recentes, foi expulso da Rússia.
Agora, devido à invasão da Ucrânia, iniciada em 24 de fevereiro, foi um dos alvos das sanções ocidentais.
A publicação no Instagram foi feita nessa terça-feira (19), 55º dia da guerra da Ucrânia, no momnto em que as forças russas decidiram destacar milhares de mercenários na região de Donbass, no Leste da Ucrânia.
“Claro que há idiotas que desenham Z [que representa as forças militares russas e que tem sido usado como símbolo de apoio a Moscou]. Noventa por cento dos russos são contra esta guerra”, escreveu o magnata.
Férias no Mediterrâneo
Oleg Tinkov afirmou ainda que os membros do Kremlin, que foram alvo de sanções, estão “em choque” por não poder, nem eles nem seus filhos, passar férias de verão no Mediterrâneo.
“Os empresários tentam resgatar o que resta de suas propriedades”, acrescentou, referindo-se às sanções que retiraram dos oligarcas russos seus bens na Europa.
Tinkov se arrisca, com a publicação, a sofrer retaliações de Moscovu, que tem procurado calar os dissidentes russos pelo que considera “notícias falsas” sobre o Exército do país, impondo penas de até 15 anos de prisão.
O banco Tinkoff, que já não está nas mãos do magnata, apressou-se a divulgar comunicado afirmando que prefere não comentar “a opinião privada” de Tinkov. “Ele não é um funcionário do Tinkoff” nem toma decisões sobre o banco, assegurou.
* Com informações da RTP – Rádio e Televisão de Portugal
A Argentina é aquele país onde a inflação não é mais um mero problema monetário. É parte integrante da cultura nacional.
Buenos Aires convive há quase um século com taxas de inflação de dois ou até três dígitos. Tanto que a inflação média na Argentina entre 1944 e 2022 foi de 191,73%.
Um descontrole dos preços que devastou a economia argentina, transformando um dos países mais ricos do mundo em um lugar onde 44% da população vive abaixo da linha de pobreza.
Dessa vez, todavia, a inflação está superando qualquer previsão.
Começando a disparar. Ou, melhor, a galopar.
Inflação galopante na Argentina
Os preços na Argentina subiram 6,7% em março, atingindo uma média anual de 55,1%.
Uma alta que não acontecia desde 2002, ano após a derrocada provocada pelo calote que o governo de Buenos Aires deu aos detentores de títulos da dívida pública.
O espectro do “corralito“, a grande crise cambial e econômica que abalou o país vizinho, arrasando as poupanças de quem investiu no “Tesouro Direto” local, volta a pairar.
O aumento dos preços atinge principalmente o setor de alimentos, com 7,2% de alta. E isso se reflete sobre os bens de consumo básicos.
Consequência direta: dados oficiais mostram que quase metade dos argentinos passa fome. E outro 25% luta para chegar ao final do mês.
O peso, a moeda local, não para de se desvalorizar.
Os protestos populares estão crescendo. Os sindicatos da oposição voltaram às ruas, ocupando por horas a famosa Calle 9 de Julio, a principal avenida que atravessa o centro de Buenos Aires, e divide a Casa Rosada, sede da Presidência da República, do palácio do Congresso Nacional.
Crise econômica e crise política
Além de ser assolada por uma crise econômica endêmica, a Argentina tem que lidar com uma crise política.
O governo está dividido. Desde novembro passado, quando a esquerda governista registrou uma pesada derrota nas eleições regionais, as tensões entre o presidente, Alberto Fernández, e sua vice, Cristina Kirchner, não param de subir.
Segundo fontes da EXAME Invest em Buenos Aires, os dois não se falariam há meses.
E Fernández já considera a Kirchner sua principal inimiga interna.
Isso pois ex-presidente não perde ocasião de apontar sua decepção com o aliado.
Ela não esconde seu arrependimento de ter oferecido à seu ex-chefe de gabinete a possibilidade de alcançar a Presidência da República.
Algo impensável até poucas semanas antes da eleição.
Para ela, se a Fernández está no comando do país, é apenas mérito seu.
Por isso, Cristina joga gasolina em cima do descontentamento da base peronista, e a estimula mais protestos com discursos inflamados.
Inflação descontrolada piora o cenário
A distância entre os dois se tornou sideral por causa da inflação descontrolada.
O presidente não se considera um fantoche de ninguém, e reivindica sua ação. Mas pede que ala rival dos peronistas não atrapalhe.
Mas é justamente essa linha que divide os dois rivais no comando da Argentina.
Os economistas ligados ao kichrnerismo, estão convencidos de estar diante da chamada “oferta distributiva”.
Uma extravagante sub-teoria econômica, desconhecida mundo afora, cuja popularidade se limita, basicamente, à um só país: a própria Argentina.
Essa contorção intelectual tem como ponto de chegada o mesmo objetivo de sempre: controlar os preços por decreto do governo.
A receita econômica desastrosa que já deixou a economia da Argentina em frangalhos nas última décadas. Mas que, regularmente, volta a ser reapresentada pelos “economistas” kirchneristas.
Guerra na Ucrânia não ajuda
Fernández, em vez disso, considera que a espiral inflacionária está ligada à guerra na Ucrânia, e só pode ser vencida com reformas macroeconômicas.
sso significa menos déficit fiscal, menos subsídios públicos – principalmente para a energia, que gasta 11% do PIB – menos desvalorização do câmbio. Em suma, controle das contas públicas e alta nos juros.
Anátema para o kirchnerismo radical dos seguidores de Cristina.
O presidente segue a linha do Fundo Monetário Internacional (FMI) com o qual acordou recentemente o novo reembolso do famoso empréstimo de US$ 44 bilhões (cerca de R$ 180 bilhões) concedidos ao então presidente MauricioMacri, pouco antes da eleição de 2018, que consagrou Fernández.
Argentina dividida
Os espantalhos históricos de todos os argentinos, a inflação e a dívida externa, continuam dividindo o país. Até dentro do próprio peronismo.
De um lado, o governo, tentando evitar uma debandada para o caos econômico.
Do outro, Cristina Kircnher que já declarou se opor imediatamente ao novo acordo com o FMI, sabendo que a maioria dos argentinos concordam com ela.
Os resultados eleitorais que penalizaram a coligação esquerdista demonstram essa divisão interna.
Os mercados estão nervosos. Se de um lado continuam convencidos que o Ministro da Economia, Martín Guzmán, cumprirá seus compromissos.
Do outro, existem boatos rumores de uma mudança de ministros que vai acabar depurando o Executivo dos Kirchneristas.
E uma decisão dessa deixaria Fernández sem sua principal base eleitoral, mesmo preservando o presidente de um possível fogo amigo.
Entretanto, a Argentina estará sujeita a revisões trimestrais por parte do FMI, que começam em maio.
Naquela ocasião, o país vai pagar a segunda parcela de US$ 4,1 bilhões.
Se a Argentina fizer a mesma coisa nos próximos 30 meses, finalmente pagará o enorme empréstimo. Poderá voltar página e tentar retomar os trilhos da estabilidade.
O apelo pela paz marcou a mensagem do papa Francisco neste domingo de Páscoa. A mensagem pascal – feita junto com a benção Urbi et Orbi (para Roma e para o mundo) foi realizada com presença de público pela primeira vez desde o início da pandemia. Cerca de 100 mil pessoas participaram da celebração, segundo o Vaticano.
“Hoje, mais do que nunca precisamos Dele, no final de uma Quaresma que parece não ter fim. Ao invés de sairmos juntos do túnel da pandemia, demonstramos que existe ainda em nós o espírito de Caim, que vê Abel não como um irmão, mas como um rival”, afirmou o pontífice.
Francisco fez alusão aos conflitos na Ucrânia, mas fez apelo pela paz também no Oriente Medio – em particular entre israelenses e palestinos, no Líbano, na Síria e no Iraque – na Líbia, no Iêmen, em Mianmar e no Afeganistão. Ná África, citou a região do Sahel, na Etiópia, e na República Democrática do Congo.“Também os nossos olhos estão incrédulos, nesta Páscoa de guerra”, disse o Papa. “Cristo, todavia, nos exorta a não nos render ao mal e à violência.”
15.abr.2022 – Tropas pró-Rússia em veículo blindado em Mariupol, na Ucrânia Imagem: Alexander Ermochenko/Reuters
No 53º dia de guerra, a Rússia exigiu a rendição dos soldados ucranianos que resistem em Mariupol e se comprometeu a poupar as vidas daqueles que abaixarem as armas. Ontem, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, alertou que a tomada da cidade encerraria as negociações de paz com Moscou.
O chefe do Centro de Controle de Defesa russo, o coronel general Mikhail Mizintsev, disse que “todos aqueles [ucranianos] que depuserem as armas é garantido que suas vidas serão poupadas”. De acordo com Mizintsev, combatentes ucranianos estão “numa situação desesperadora, praticamente sem comida e água”.
O Ministério de Defesa da Rússia afirma que as tropas russas já ocuparam toda a área urbana de Mariupol, restando apenas um grupo de combatentes ucranianos numa siderúrgica. A alegação de Moscou, no entanto, não pode ser verificada de maneira independente.
Cenário dos combatentes mais pesados e da pior catástrofe humanitária da guerra, Mariupol pode ser a primeira grande cidade a ser tomada pela Rússia desde o início do conflito.
Ataques no entorno de Kiev continuam
Também neste domingo (17) continua a ofensiva contra a capital. Durante a noite, uma fábrica de munições em Brovary, na região de Kiev, foi destruída. O Ministério da Defesa da Rússia assumiu a autoria e afirmou que o ataque foi feito com mísseis aéreos de alta precisão.
De acordo com o prefeito de Brovary, Ihor Sapozhko, mísseis atingiram a infraestrutura da cidade e houve interrupção de energia. Equipes trabalham pelo restabelecimento. O fornecimento de água e esgoto também foi prejudicado, mas Sapozhko afirma que também trabalha pelo restabelecimento.
Por que Mariupol é importante?
Situada no mar de Azov, Mariupol é um dos principais objetivos dos russos no esforço para obter controle total da região de Donbass e formar um corredor terrestre, no leste da Ucrânia, a partir da península da Crimeia, anexada pela Rússia em 2014. A queda da cidade seria a maior vitória da Rússia em mais de 50 dias de guerra.
Descrita com uma fortaleza na cidade, há uma siderúrgica numa região industrial com vista para o Mar de Azov que ocupa uma área de mais de 11 quilômetros quadrados. No local, estariam fuzileiros navais, além de combatentes da guarda nacional e do Batalhão de Azov – uma milícia nacionalista de extrema-direita. Não há informações sobre o número de combatentes que estão no local.
Ainda não houve uma resposta de Kiev ao ultimato russo.
Tomada de Mariupol encerraria negociações
Zelensky afirmou ontem que a eliminação de soldados ucranianos em Mariupol “acabaria com qualquer negociação de paz” com Moscou.
“A eliminação de nossos militares, de nossos homens [em Mariupol] acabará com qualquer negociação de paz entre Rússia e Ucrânia“, declarou Zelensky durante entrevista ao site Ukrainska Pravda, em que também advertiu que ambas as partes ficariam em um “beco sem saída”.
Num discurso à nação no sábado à noite, Zelensky afirmou que “a situação em Mariupol continua tão grave quanto possível, simplesmente desumana” e culpou a Rússia por “continuar deliberadamente a destruir cidades”.
O presidente ucraniano sublinhou que os russos “tentam deliberadamente aniquilar todos aqueles que ficam em Mariupol”. Ele afirmou ainda que o governo ucraniano tentou, desde o início da invasão russa, encontrar “uma solução, militar ou diplomática, para salvar” a população, mas “até agora, não tem havido uma opção 100% sólida”.
Catástrofe humanitária
Sitiada há semanas, Mariupol enfrenta uma das maiores catástrofes humanitárias do atual conflito. A cidade foi alvo de intensos bombardeios e está em ruínas. De acordo com autoridades locais, pelo menos 20 mil civis já morreram na região, desde o início da invasão russa, e cerca de 120 mil habitantes ainda estão na cidade sitiada.
Tropas russas anunciaram na sexta-feira que assumiram o controle de uma outra siderúrgica da cidade que era um dos pontos de defesa dos ucranianos. Jornalistas da Reuters estiveram no local e relataram que a siderúrgica foi reduzida a ruínas e também noticiaram a presença de diversos corpos de civis espalhados nas ruas próximas.
Governo Putin aponta “ações hostis sem precedentes” da Inglaterra contra Moscou
Boris Johnson Foto: EFE/EPA/STEPHANIE LECOCQ
A Rússia proibiu neste sábado (16) a entrada no país do primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, e outros 12 altos funcionários daquele país por “ações hostis sem precedentes” tomadas contra Moscou pelo governo britânico.
– Este passo foi dado como resposta à desenfreada campanha político-informativa desencadeada por Londres, que visa o isolamento internacional da Rússia, a criação de condições para conter nosso país e estrangular a economia nacional – disse o Ministério das Relações Exteriores russo ao anunciar a medida.
A declaração da diplomacia russa destaca que o governo britânico “agrava propositalmente a situação em torno da Ucrânia ao colocar armas letais no regime de Kiev e coordenar esforços semelhantes por parte da Otan”.
– A política russofóbica das autoridades britânicas, que fez da sua principal tarefa promover uma atitude negativa em relação ao nosso país e congelar os laços bilaterais em praticamente todas as áreas, prejudica o bem-estar e os interesses dos habitantes da própria Grã-Bretanha – afirmou a Chancelaria russa.
De acordo com Moscou, quaisquer ataques punitivos “serão inevitavelmente voltados contra seus promotores e resolutamente rejeitados”.
Além de Johnson, a proibição afeta nove membros de seu gabinete, o vice-primeiro-ministro Dominic Raab, os ministros das Relações Exteriores, Elizabeth Truss; Defesa, Ben Wallace; Transporte; Grant Shapps; Interior; Priti Patel; Economia; Rishi Sunak; Negócios, Energia e Estratégia Industrial, Kwasi Kwarteng, e Cultura, Nadine Dorries, além do secretário de Estado das Forças Armadas, James Heappey.
A lista dos sancionados é completada pela primeira-ministra da Escócia, Nicola Sturgeon; a procuradora-geral da Inglaterra e País de Gales, Suella Braverman, e a ex-primeira-ministra e parlamentar conservadora Theresa May.
Segundo o presidente ucraniano, Putin não valoriza a vida do povo da Ucrânia
Foto: Reprodução / Facebook
“Todos os países do mundo” devem estar preparados para a possibilidade de o presidente russo, Vladimir Putin, usar armas nucleares táticas em sua guerra contra a Ucrânia, disse o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky nesta sexta-feira (14), em conversa com a CNN Brasil.
Zelensky disse que Putin poderia recorrer a armas nucleares ou químicas porque não valoriza a vida do povo da Ucrânia.
“Não só eu – todo o mundo, todos os países precisam se preocupar porque pode não ser uma informação real, mas pode ser verdade”, disse Zelensky, falando em inglês.
“Armas químicas, eles deveriam fazer isso, eles poderiam fazer isso, para eles a vida das pessoas não vale nada. É por isso”, disse Zelensky. “Devemos pensar em não ter medo, não ter medo, mas estar pronto. Mas essa não é uma questão para a Ucrânia, não apenas para a Ucrânia, mas para todo o mundo, eu acho.”, completou.