Supremo Tribunal Federal (STF) iniciou, na madrugada desta quinta-feira (10), o julgamento das ações que pedem a suspensão da Copa América no Brasil por conta da pandemia de Covid-19. A análise acontece em plenário virtual, no qual os ministros inserem os votos por meio de sistema eletrônico. O prazo para a inserção acaba às 23h59 desta quinta. Até o momento, três ministros já tomaram suas decisões, dois deles a favor de que o torneio futebolístico aconteça em território brasileiro. A ministra Cármen Lúcia, relatora de duas ações, votou para que os dois pedidos de suspensão do evento sejam rejeitados por conta de questões processuais.
Quem também votou foi o ministro Ricardo Lewandowski, relator da outra ação protocolada no STF. Na decisão, ele determinou que o governo federal apresente, em 24 horas, um plano “compreensivo e circunstanciado” com estratégias e ações para a “realização segura” do evento.
Lewandowski também votou por determinar que Distrito Federal, Rio de Janeiro, Mato Grosso e Goiás, além dos município do Rio de Janeiro, de Cuiabá e de Goiânia, “divulguem e apresentem ao Supremo Tribunal Federal, em igual prazo, plano semelhante” ao solicitado ao governo federal.
O terceiro a apresentar seu voto foi o ministro Marco Aurélio Mello, que acompanhou o voto de Cármen Lúcia nos processos em que ela é relatora. Isto é, votou pela rejeição das duas ações. O ministro, porém, ainda não votou no processo sob relatoria de Lewandowski.
A Copa América seria realizada na Colômbia e na Argentina, mas foi cancelada na Colômbia em razão de protestos no país. Depois, o torneio também foi cancelado na Argentina por causa do avanço da Covid. O Brasil, então, foi escolhido como sede, e a decisão teve o apoio do presidente Jair Bolsonaro. O torneio começa neste domingo (13).
Ao todo, três ações no Supremo questionam a realização do torneio no Brasil. Duas, sob a relatoria da ministra Cármen Lúcia, foram apresentadas pelo PSB e pela Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos. Uma terceira foi apresentada pelo PT. Nessa, o relator é o ministro Ricardo Lewandowski.
O PSB argumenta que a “intensa circulação” de visitantes durante o torneio causará “evidente propagação do vírus da Covid-19 por diversos estados brasileiros”, assim como a “potencial entrada de novas variantes virais”.
Já a Confederação dos Trabalhadores pediu ao STF que determine que o país não pode ser sede de competições internacionais no esporte “enquanto perdurar a necessidade de isolamento social, o estado de pandemia”. O PT, por sua vez, argumenta que a realização do evento viola o direito à saúde e é “inadequado”.
Em manifesto publicado nas redes sociais, atletas se posicionaram contra a competição que começa no domingo
Jogadores da Seleção confirmaram que vão jogar a Copa América Foto: CBF/Lucas Figueiredo
Por meio das redes sociais, os jogadores da Seleção Brasileira divulgaram o manifesto sobre a realização da Copa América no Brasil, após a vitória sobre o Paraguai na terça-feira (8), pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2022. No texto, os atletas se posicionaram contra a competição que começa no domingo (13), em solo nacional, mas confirmaram a participação.
– Somos contra a organização da Copa América, mas nunca diremos não à Seleção Brasileira – afirmaram.
No manifesto, os jogadores explicaram que não houve tentativa ou sugestão de boicote à Copa América. Assim se limitaram a expor o desconforto com as mudanças de sede e dificuldades com a organização.
– Por diversas razões, sejam elas humanitárias ou de cunho profissional, estamos insatisfeitos com a condução da Copa América pela Conmebol, fosse ela sediada tardiamente no Chile ou mesmo no Brasil. Todos os fatos recentes nos levam a acreditar em um processo inadequado em sua realização – disseram eles
As informações sobre o descontentamento de integrantes da seleção brasileira surgiram logo após o anúncio de que o Brasil passaria a receber o evento, diante das negativas da Colômbia e da Argentina, países que originalmente sediariam a competição.
Além da situação da pandemia, outro fator que abalou a relação da seleção com a direção da CBF foi a falta de aviso e consulta aos atletas sobre a vinda do torneio para o país. Os jogadores ficaram decepcionados com a postura do presidente afastado Rogério Caboclo. O dirigente é acusado de assédio moral e sexual por uma funcionária da entidade. O afastamento dele será pelo prazo de 30 dias.
Antes do duelo com o Equador na última sexta-feira, o técnico Tite já havia pedido que seus comandados se concentrassem na missão de levar o Brasil a mais uma Copa do Mundo. Mas deixou clara a insatisfação de sua parte e também dos atletas com a condução do torneio. Após o jogo, o volante Casemiro não entrou em maiores detalhes e reforçou as informações anteriores repassadas pelo treinador.
Confira abaixo o manifesto na íntegra:
“Quando nasce um brasileiro, nasce um torcedor. E para os mais de 200 milhões de torcedores escrevemos essa carta para expor nossa opinião quanto à realização da Copa América.
Somos um grupo coeso, porém com ideias distintas. Por diversas razões, sejam elas humanitárias ou de cunho profissional, estamos insatisfeitos com a condução da Copa América pela Conmebol, fosse ela sediada tardiamente no Chile ou mesmo no Brasil.
Todos os fatos recentes nos levam a acreditar em um processo inadequado em sua realização.
É importante frisar que, em nenhum momento, quisemos tornar essa discussão política. Somos conscientes da importância da nossa posição, acompanhamos o que é veiculado pela mídia, estamos presentes nas redes sociais. Nos manifestamos, também, para evitar que mais notícias falsas envolvendo nossos nomes circulem à revelia dos fatos verdadeiros.
Por fim, lembramos que somos trabalhadores, profissionais do futebol. Temos uma missão a cumprir com a histórica camisa verde amarela pentacampeã do mundo. Somos contra a organização da Copa América, mas nunca diremos não à Seleção Brasileira.”
A Mastercard não vai exibir sua marca durante a Copa América, que será realizada no Brasil entre os dias 13 de junho e 10 de julho. Em meio à polêmica envolvendo o torneio, a empresa anunciou nesta terça-feira (8) que não vai colocar sua logo nas placas publicitárias dos estádios e nem nas entrevistas de jogadores e técnicos das seleções.
Inicialmente, a Copa América aconteceria na Colômbia e na Argentina. Primeiro, os colombianos desistiram de sediar a competição devido aos seus problemas internos. Depois foi a vez dos argentinos tomarem a mesma decisão por causa do agravamento da pandemia do novo coronavírus. Diante disso, o Brasil, através da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e do governo federal, se colocou à disposição para abrigar o torneio e foi aceito pela Conmebol. A mudança causou discussões em relação à situação sanitária em meio aos números de novos casos e de mortes pela Covid-19 do país. Os jogadores da Seleção Brasileira engrossaram o coro ao colocar em cheque suas participações. Após a vitória sobre o Paraguai, nesta terça, eles divulgaram um texto no Instagram criticando a entidade que controla o futebol sul-americano por realizar a disputa, porém, ao mesmo tempo, confirmaram que entrarão em campo.
A Copa América ainda está sob risco de não acontecer no Brasil. O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, vai julgar as ações contra a realização da competição nesta quinta (10). Ele atendeu ao pedido da relatora, a ministra Cármen Lúcia. O julgamento ficou marcado para começar às 0h e se encerrará às 23h59 do mesmo dia.
Enquanto isso, a abertura da Copa América está marcada para o próximo domingo (13), às 18h, com o jogo entre Brasil e Venezuela, no Mané Garrincha. Além de Brasília, o Rio de Janeiro, Cuiabá e Goiânia também receberão partidas do torneio.
Chegou a hora da decisão para o Bahia. Nesta quarta-feira (9), o tricolor recebe o Vila Nova, às 19h, no estádio de Pituaçu. Em disputa, está a classificação para as oitavas de final da Copa do Brasil. Por isso, o Esquadrão sabe que precisa entrar ligado para não cometer falhas.
Depois de vencer o jogo de ida por 1×0, na semana passada, em Goiânia, o Bahia largou em vantagem e agora precisa apenas de um empate para garantir a vaga. Na próxima fase, os confrontos serão definidos através de sorteio.
Para o sonho de conquistar o torneio pela primeira vez, o tricolor não vai ter todas as peças à disposição. Punidos com suspensão pela confusão na final da Copa do Nordeste, Nino Paraíba, Juninho e Daniel continuam fora. Juntam-se ao trio como desfalques o atacante Maycon Douglas, que já defendeu o ABC na competição, e o volante Pablo, que pertence ao clube goiano.
No último treino antes da partida, Dado esboçou o time titular com a mesma formação que empatou por 3×3 com o Red Bull Bragantino, no último sábado, pela Série A. Assim, além de Renan Guedes e Luiz Otávio na defesa, o volante Matheus Galdezani segue ocupando a vaga de Daniel no meio. O jogador tem a sombra de Jonas, que entrou no segundo tempo do jogo em Bragança Paulista e marcou o gol que evitou a derrota tricolor.
Outro que também treinou entre os titulares é o atacante Gilberto. Uma das referências do ataque, o camisa 9 reclamou do desgaste por conta do excesso de jogos. No duelo de ida, em Goiânia, ele chegou a iniciar o confronto no banco de reservas.
“A gente não jogou o Campeonato Baiano, mas já começa com Copa do Brasil, Sul-Americana e Copa do Nordeste. E quando chega para um campeonato de pontos corridos, com um jogo atrás do outro, com intensidade alta, isso traz um desgaste físico enorme”, disse Gilberto.
“Acho que todos os jogadores do Bahia em algum momento vão sentir. Por estar jogando na frente e ter um momento de estabilidade no clube, em alguns momentos você que tem que pedir para descansar para que no próximo jogo esteja bem. Quem conhece o corpo mesmo é o atleta. Não adianta dizer que está bem e no campo não render”, continuou o centroavante.
Nesse cenário, Dado tem o retorno do atacante Thonny Anderson, que ficou fora da partida contra o Bragantino. Ele vem sendo utilizado como reserva imediato de Gilberto, mas também pode atuar mais recuado no meio-campo.
Do outro lado, o Vila tem mudanças. Autor do gol no empate por 1×1 com o Avaí, pela Série B, o meia Renan Mota não poderá defender o time por já ter atuado na Copa do Brasil pela Ponte Preta. Por outro lado, o volante David volta.
Premiação Avançar de fase significa um reforço nos cofres. Como premiação pela classificação, o vencedor da disputa vai embolsar uma cota de R$ 1,7 milhão. Até aqui, o Esquadrão lucrou R$ 2,5 milhões no torneio. O time recebeu R$ 1,15 milhão pela participação na primeira fase, quando eliminou o Campinense com goleada por 7×1, na Paraíba, e mais R$ 1,35 milhão ao superar o Manaus, vencendo por 4×1, em Pituaçu, na segunda fase.
Confira as prováveis escalações:
Bahia: Mateus Claus, Renan Guedes, Luiz Otávio, Germán Conti e Matheus Bahia; Matheus Galdezani, Patrick e Thaciano; Rossi, Gilberto e Rodriguinho.
Vila Nova: Georgemy; Pedro Bambu, Renato, Walisson Maia e Willian Formiga; Deivid, Dudu e Arthur Rezende; Pedro Júnior, Henan e Kelvin.
Coronel Nunes usou ditado “em time que está ganhando não se mexe” para justificar permanência do treinador
Coronel Nunes durante CPI no Senado em 2016 Foto: Agência Senado/Geraldo Magela
Presidente interino da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) desde o início da manhã de segunda-feira (7), o coronel Antônio Carlos Nunes disse que manterá o técnico Tite no comando da Seleção Brasileira. A posição do cartola é a mesma de outros vices da entidade, com os quais esteve reunido na tarde de segunda na sede da CBF, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.
Mais cedo na segunda, Nunes já havia externado sua posição ao jornal O Liberal, do Pará, seu reduto. À publicação, Nunes disse gostar do trabalho do treinador e que não adiantaria, “por uma questão de vaidade, colocar fulano”.
– Eu digo assim: não estamos ganhando? Saímos vencedores da Copa América (de 2019). E, praticamente, classificados na Copa do Mundo. Se ganhar amanhã (terça), vamos aos 18 pontos. Aquele ditado: em time que está ganhando não se mexe – disse Nunes.
Assim, Tite deixará de ser técnico da seleção apenas se optar por isso, o que é considerado pouco provável no momento. Isso porque o treinador conta com total apoio dos jogadores, que na segunda-feira confirmaram que irão disputar a Copa América.
Presidente da CBF foi afastado após denúncia de assédio sexual
Coronel Nunes assume o comando da CBF no lugar de Rogério Caboclo Foto: Lucas Figueiredo/CBF
O afastamento de Rogério Caboclo do comando da CBF devolveu à presidência interina da entidade um cartola conhecido pela eficiência em aceitar ordens de outros, sobretudo de Marco Polo Del Nero, ex-presidente da entidade banido do futebol pela Fifa.
O coronel Antônio Carlos Nunes de Lima, de 82 anos, volta ao comando da CBF pouco mais de dois anos após passar o cargo a Caboclo. E, assim como da última vez, assume a função para substituir um presidente afastado por escândalo.
Ninguém na entidade espera que haja qualquer mudança de rumo. Pior, não há dúvidas de que Del Nero estará mais fortalecido e representado no “comando da entidade” nos próximos 30 dias.
Nunes começou a segunda-feira como presidente interino da CBF após Rogério Caboclo ser afastado por 30 dias no domingo (6). O cartola é acusado de assédio moral e sexual contra uma funcionária, o que ele nega.
Ainda nesta segunda-feira (7), uma reunião entre os oito vice-presidentes da CBF irá definir como será a gestão da entidade durante este período.
Coronel reformado da Polícia Militar do Pará, Antônio Carlos Nunes por décadas foi o homem forte do futebol de seu estado. Ele comandou a federação estadual por seis mandatos, mas nunca teve poder político em âmbito nacional. Na verdade, ficou marcado mais pelos deslizes e afrontas do que por qualquer outra coisa.
Nunes só chegou à presidência da CBF em 2016 após manobra política do então presidente Marco Polo del Nero, a quem o coronel já definiu publicamente como “amigo de muitos anos”. Assim, sua presença hoje à frente da entidade é um reforço para Del Nero, que ainda se reúne em sua casa com os chefões atuais do futebol brasileiro.
Em 2015, quando foi preso na Suíça, o ex-presidente da CBF José Maria Marin ocupava uma das cinco vice-presidências da entidade. À época, o estatuto previa que, na ausência do presidente, quem assumiria o cargo seria o vice mais velho; no caso, Marin. Mas, como ele não poderia despachar da penitenciária dos EUA, o cargo passaria automaticamente ao segundo mais velho: Delfim Peixoto, opositor de Del Nero.
Na iminência de ser afastado pela Fifa, Del Nero manobrou para evitar que um desafeto seu assumisse seu cargo. Pelo estatuto, o único jeito era colocar na vaga de Marin (que representava a região Sudeste) um cartola mais velho que Delfim. E foi aí que surgiu o nome de Antônio Carlos Nunes de Lima, um paraense que acabou eleito vice pela região Sudeste. Posteriormente, o estatuto da CBF foi mudado; os vices saltaram de cinco para oito, e agora o mais velho só assume de forma interina por 30 dias.
Depois de toda essa manobra, o Coronel Nunes assumiu a presidência no fim de 2017, quando Marco Polo del Nero foi banido do futebol pela Fifa. Seu mandato tampão foi marcado por deslizes, uma crise com a Fifa e, principalmente, com a Conmebol – justamente com quem ele precisa lidar agora para a organização da Copa América.
VOTO NO MARROCOS A crise começou durante a Copa do Mundo da Rússia, em 2018. Durante o torneio, a Fifa organizou seu congresso para a escolha da sede do Mundial de 2026. A Conmebol havia feito com um acordo com seus dez países para votação na candidatura conjunta de Canadá, México e Estados Unidos. Na hora da votação, porém, Antônio Carlos Nunes votou no Marrocos.
A mudança irritou muito os dirigentes da Confederação Sul-Americana. O presidente da Associação de Futebol Argentino (AFA), Claudio Tapia, chamou o voto de Nunes de “traição”. Gianni Infantino, que comanda a Fifa e que já foi chamado pelo coronel de “Gianini”, não escondeu seu constrangimento e pediu que o cartola brasileiro fosse afastado das decisões importantes. Só quem ficou feliz pelo voto foi Marco Polo del Nero, que teria telefonado para Nunes para parabenizá-lo pela postura.
Ainda naquela Copa da Rússia, Antônio Carlos Nunes se envolveu em uma confusão num restaurante. Um torcedor brasileiro, que morava no Pará e estava naquele país para assistir aos jogos do Mundial, reconheceu o cartola, proferiu xingamentos e lhe acertou um tapa. Um assessor do coronel interveio e também foi agredido, revidando com um copo atirado. O torcedor foi parar no hospital. Nunes voltou para o Brasil.
PREFERÊNCIAS – O coronel Nunes é um homem afeito a conversas e, em geral, nunca se recusa a dar declarações sobre os assuntos em pauta. Justamente por isso, raramente é visto sem a companhia de algum assessor, que em geral apressa o cartola para que ele não fale muito.
Quando foi eleito vice-presidente da CBF, em dezembro de 2015, Nunes não teve direito a uma entrevista coletiva. Isso tampouco aconteceu quando ele assumiu a presidência, o que, aliás, tornou-se comum. Mas, naquele dia, o coronel conseguiu driblar os assessores, apareceu para conversar com quem fazia plantão na sede da CBF e revelou suas preferências.
À época, Dunga treinava a seleção brasileira e, tal como Tite nos dias de hoje, via seu cargo em perigo. Indagado sobre a situação de Dunga, o coronel Nunes disse gostar do técnico, mas via outros bons treinadores para o Brasil. “Para mim (o melhor técnico do país) é o Dado Cavalcanti, que recuperou o Paysandu e quase chegou no G-4 (da Série B)”, comentou. Também via Jorginho, à frente do Vasco, como um bom nome.
Nunes também disse que não se importava em ser tratado como “Coronel Nunes”. Na CBF, o uso da patente era vetado pelos assessores. “Eu só não quero que o tesoureiro do quartel não bote lá que sou coronel, que daí meu dinheiro vai lá para baixo”, justificou.
Nunes assume todas as decisões da CBF com o afastamento de Rogério Caboclo. Vai “governar” com seus pares na entidade, mantendo a lealdade ao banido presidente Del Nero, que ainda não pode deixar o Brasil com risco de ser preso.
O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirmou nesta segunda-feira (7) que não vê “risco adicional” na realização da Copa América no Brasil. O país foi anunciado como sede do campeonato pela Conmebol e confirmado pelo ministro-chefe da Casa Civil, Luiz Eduardo Ramos, na última terça-feira(1º).
Segundo Queiroga, o país recebeu outros eventos esportivos como o Campeonato Brasileiro que “ocorreu normalmente, com várias partidas, não houve sequer um caso de contaminação no campo.”
De acordo com o governo federal, a Copa América acontecerá em quatro estados a partir de 13 de junho – Brasília, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul e Goiás. Para o ministro da Saúde, há um controle sanitário no Brasil que permite o monitoramento de casos da Covid-19 enquanto o evento acontece.
“As pessoas estão entrando no país seguindo as regras, com exames de RT-PCR. Com controle sanitário adequado, eu não vejo um risco adicional em função dessa competição. A vigilância em saúde existe. Os protocolos sanitários da CBF são validados por especialistas.”
Para Queiroga, não cabe ao ministério proibir o evento. “A prática de esportes não está proibida. A Copa América é um evento privado. Não compete ao Ministério da Saúde autorizar ou não.”
O ministro da Saúde voltará a falar aos senadores da CPI da Pandemia nesta terça-feira (8). Ele foi reconvocado e deve prestar esclarecimentos sobre explicar contradições e sanar dúvidas dos membros da comissão a partir das declarações de outros depoentes já ouvidos.
“Eu retorno à CPI sem problemas. Os senadores são pessoas que têm um grande espírito público e acreditamos que querem buscar o melhor cenário para o nosso país”, disse Queiroga na manhã desta segunda-feira.
Cartola é acusado de assédio sexual por funcionária da confederação
Rogério Caboclo nega as acusações Foto: Lucas Figueiredo/CBF
O presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Rogério Caboclo, foi afastado por trinta dias da instituição após ser acusado de assédio sexual e moral por uma funcionária da entidade. A decisão foi tomada pelo Conselho de Ética da confederação.
A suposta vítima é uma funcionária que trabalha há nove anos na CBF e que hoje ocupa um cargo de confiança. De acordo com ela, o presidente perguntou se ela se “masturbava” e tentou forçá-la a comer um biscoito para cachorros, chamando-a de “cadela”.
Com o afastamento do cartola, quem assume a presidência é o vice mais velho da instituição, Antônio Carlos Nunes. Em reunião marcada para a manhã desta segunda-feira (7) no Rio de Janeiro, a cúpula da CBF deliberará sobre o assunto.
A defesa de Rogério nega as acusações e diz que vai provar na Comissão de Ética da CBF que seu cliente nunca cometeu nenhum tipo de assédio.
Técnico pode deixar o comando da Seleção Brasileira após partida contra o Paraguai na terça-feira
CBF trabalha com a chance de pedido de demissão de Tite após jogo no Paraguai Foto: EFE/ Antonio Lacerda
O técnico Tite pode pedir demissão do comando da seleção brasileira após o jogo com o Paraguai, na terça-feira (4), pelas Eliminatórias para a Copa do Mundo. Esta é a expectativa dentro da própria Confederação Brasileira de Futebol (CBF) após o comportamento do treinador nos últimos dias de preparação da equipe no Rio de Janeiro.
A relação entre o treinador e o presidente da entidade, Rogério Caboclo, se deteriorou por conta de vários episódios, entre eles, o apoio de Tite ao protesto dos jogadores contra a realização da Copa América no Brasil, um episódio de suposto assédio sexual envolvendo o presidente da entidade e até críticas à comissão técnica.
Fontes ouvidas pelo Estadão consideram difícil uma reaproximação de Tite. Vários fatores provocaram as desavenças entre o treinador e o dirigente. O mais recente foi o apoio do treinador à insatisfação dos jogadores com a disputa da Copa América no Brasil. A crise chegou a ser admitida pelo próprio treinador na quinta-feira, na entrevista coletiva um dia antes do jogo contra o Equador.
– Temos uma opinião muito clara e fomos lealmente, numa sequência cronológica, eu e Juninho, externando ao presidente qual a nossa opinião. Depois, pedimos aos atletas para focarem apenas no jogo contra o Equador. Na sequência, solicitaram uma conversa direta ao presidente. Foi uma conversa muito clara, direta. A partir daí, a posição dos atletas também ficou clara. Temos uma posição, mas não vamos externar isso agora. Temos uma prioridade agora de jogar bem e ganhar o jogo contra o Equador. Entendemos que depois dessa Data Fifa as situações vão ficar claras – afirmou o treinador em entrevista coletiva.
Os atletas reclamam da disputa de um torneio juntamente com as Eliminatórias, competição que eles consideram mais importante neste momento. A Copa América começa no dia 13 de junho, com jogos nas cidades de Brasília, Cuiabá, Goiânia e Rio de Janeiro. Na visão dos jogadores, a temporada foi atípica e exaustiva. Jogadores mais experientes do elenco se mostraram incomodados por terem descoberto pela imprensa e pelas redes sociais que o Brasil sediará o torneio.
Além disso, eles reclamam que não houve diálogo com a entidade sobre a mudança da sede do torneio – inicialmente, o torneio continental seria realizado na Colômbia, que desistiu por problemas políticos internos, e na Argentina, que declinou em função do agravamento da pandemia de covid-19. Tite e sua equipe se posicionaram a favor dos atletas.
Reuniões com a cúpula da CBF só acentuaram as diferenças. Alguns ficaram insatisfeitos com a maneira como foram tratados na reunião, como subordinados da entidade.
O descontentamento se acentuou por outras razões. Um deles é a crise institucional vivida pela CBF em função de um suposto episódio de assédio sexual envolvendo o próprio Caboclo. Uma funcionária da CBF protocolou nesta sexta-feira uma acusação de assédio moral e sexual contra o presidente da entidade. A denúncia foi formalizada perante a Comissão de Ética do Futebol Brasileiro, a quem caberá investigar os fatos.
Outro episódio que contribuiu para azedar o relacionamento entre Tite e o Caboclo foi o vazamento, de uma conversa entre Caboclo e Edu Gaspar, então coordenador da seleção, depois da Copa da Rússia, em 2018, em que o presidente faz duros questionamentos ao trabalho de Tite e de sua comissão técnica, em especial o auxiliar Cleber Xavier, seu braço direito. Os áudios foram relevados pela ESPN.
Na entrevista coletiva de quinta-feira, Tite prometeu se manifestar mais claramente sobre a crise depois dos jogos (Equador e Paraguai). E ele afirmou que os jogadores também vão falar o que pensam sobre a Copa América.
O técnico Tite pode pedir demissão do comando da seleção brasileira após o jogo com o Paraguai, na terça-feira (4), pelas Eliminatórias para a Copa do Mundo. Esta é a expectativa dentro da própria Confederação Brasileira de Futebol (CBF) após o comportamento do treinador nos últimos dias de preparação da equipe no Rio de Janeiro.
A relação entre o treinador e o presidente da entidade, Rogério Caboclo, se deteriorou por conta de vários episódios, entre eles, o apoio de Tite ao protesto dos jogadores contra a realização da Copa América no Brasil, um episódio de suposto assédio sexual envolvendo o presidente da entidade e até críticas à comissão técnica.
Fontes ouvidas pelo Estadão consideram difícil uma reaproximação de Tite. Vários fatores provocaram as desavenças entre o treinador e o dirigente. O mais recente foi o apoio do treinador à insatisfação dos jogadores com a disputa da Copa América no Brasil. A crise chegou a ser admitida pelo próprio treinador na quinta-feira, na entrevista coletiva um dia antes do jogo contra o Equador.
– Temos uma opinião muito clara e fomos lealmente, numa sequência cronológica, eu e Juninho, externando ao presidente qual a nossa opinião. Depois, pedimos aos atletas para focarem apenas no jogo contra o Equador. Na sequência, solicitaram uma conversa direta ao presidente. Foi uma conversa muito clara, direta. A partir daí, a posição dos atletas também ficou clara. Temos uma posição, mas não vamos externar isso agora. Temos uma prioridade agora de jogar bem e ganhar o jogo contra o Equador. Entendemos que depois dessa Data Fifa as situações vão ficar claras – afirmou o treinador em entrevista coletiva.
Os atletas reclamam da disputa de um torneio juntamente com as Eliminatórias, competição que eles consideram mais importante neste momento. A Copa América começa no dia 13 de junho, com jogos nas cidades de Brasília, Cuiabá, Goiânia e Rio de Janeiro. Na visão dos jogadores, a temporada foi atípica e exaustiva. Jogadores mais experientes do elenco se mostraram incomodados por terem descoberto pela imprensa e pelas redes sociais que o Brasil sediará o torneio.
Além disso, eles reclamam que não houve diálogo com a entidade sobre a mudança da sede do torneio – inicialmente, o torneio continental seria realizado na Colômbia, que desistiu por problemas políticos internos, e na Argentina, que declinou em função do agravamento da pandemia de covid-19. Tite e sua equipe se posicionaram a favor dos atletas.
Reuniões com a cúpula da CBF só acentuaram as diferenças. Alguns ficaram insatisfeitos com a maneira como foram tratados na reunião, como subordinados da entidade.
O descontentamento se acentuou por outras razões. Um deles é a crise institucional vivida pela CBF em função de um suposto episódio de assédio sexual envolvendo o próprio Caboclo. Uma funcionária da CBF protocolou nesta sexta-feira uma acusação de assédio moral e sexual contra o presidente da entidade. A denúncia foi formalizada perante a Comissão de Ética do Futebol Brasileiro, a quem caberá investigar os fatos.
Outro episódio que contribuiu para azedar o relacionamento entre Tite e o Caboclo foi o vazamento, de uma conversa entre Caboclo e Edu Gaspar, então coordenador da seleção, depois da Copa da Rússia, em 2018, em que o presidente faz duros questionamentos ao trabalho de Tite e de sua comissão técnica, em especial o auxiliar Cleber Xavier, seu braço direito. Os áudios foram relevados pela ESPN.
Na entrevista coletiva de quinta-feira, Tite prometeu se manifestar mais claramente sobre a crise depois dos jogos (Equador e Paraguai). E ele afirmou que os jogadores também vão falar o que pensam sobre a Copa América.