Além do saldo positivo com mais da metade das vagas geradas por pequenos negócios, estado contabiliza 45.745 novas MPE em janeiro e fevereiro
Por Pedro Soledade
A Bahia iniciou 2026 com desempenho positivo na geração de emprego formal. De acordo com dados do CAGED analisados pelo Sebrae, o estado registrou 6.124 novos postos de trabalho em janeiro, resultado da abertura de 2.852 vagas pelas Micro e Pequenas Empresas (MPE) e 2.555 pelas Médias e Grandes Empresas (MGE), além de outras 717 vagas preenchidas por outros agentes como a Administração Pública. O desempenho coloca a Bahia com maior saldo positivo entre os nove estados do Nordeste.
Os números demonstram o impacto das MPE baianas, responsáveis por mais da metade das vagas criadas no mês. O resultado reverte parte das perdas observadas em dezembro de 2025, quando o estado havia encerrado 19.866 postos formais. Em relação a janeiro do ano anterior, a Bahia também apresentou evolução, ampliando ligeiramente o saldo total e mantendo trajetória de recuperação do mercado de trabalho formal.
“Os pequenos negócios são essenciais para a dinamização da economia nos municípios e territórios, estando diretamente ligados à geração de emprego e renda para as famílias”, avalia o diretor superintendente do Sebrae Bahia, Jorge Khoury. “Analisando os dados do CAGED neste início de 2026, observamos que as atividades ligadas à construção civil, indústria de transformação e aos serviços industriais de utilidade pública, que englobam atividades como energia e limpeza urbana, puxaram o crescimento do emprego no estado pelas micro e pequenas empresas”, analisa o gestor.
Os dados consolidados reforçam o papel estratégico das MPE na economia, que seguem como principal motor de geração de vagas e dinamização dos territórios baianos.
Bahia se destaca na abertura de pequenos negócios no início de 2026
A Bahia mantém ainda a liderança regional na criação de novos pequenos negócios no início de 2026. No acumulado de janeiro e fevereiro, o estado contabilizou 45.745 novas empresas, considerando MEI, ME e EPP, segundo dados da Receita Federal analisados pelo Sebrae.
O desempenho reforça o peso econômico das Micro e Pequenas Empresas na dinâmica produtiva estadual. O levantamento aponta também que o setor de Serviços, assim como no cenário nacional, segue predominando nas aberturas de negócios e concentra a maior parte dos empreendimentos recém-criados na Bahia, com destaque para as Atividades de transporte rodoviário de carga, Atividades de publicidade não especificadas anteriormente e Cabeleireiros e outras atividades de tratamento de beleza.
Os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã não deverão ter impactos imediatos na macroeconomia brasileira, disse, nesta segunda-feira (2), o ministro da Fazenda, Fernando Haddad.
Ele ponderou, no entanto, que é difícil prever o desenrolar do conflito e que a pasta está analisando “com cautela” a questão.
“A escala do conflito vai determinar muita coisa. A economia brasileira está em um momento muito bom de atração de investimento. Mesmo que haja uma turbulência de curto prazo, ela não deve impactar as variáveis macroeconômicas, a não ser, conforme eu disse, que esse conflito venha a escalar”, disse na Universidade de São Paulo, antes de ministrar uma aula magna aos estudantes da Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária da instituição.
“Vamos acompanhar com cautela para eventualmente estarmos preparados para uma piora do ambiente econômico que nesse momento é difícil prever que vai acontecer”, acrescentou.
Mais cedo, um comandante da Guarda Revolucionária do Irã disse que o país fechou o estreito de Ormuz para a passagens de navios e que as embarcações que tentarem passar pelo local serão incendiadas. O local é uma rota fundamental para o transporte mundial de petróleo.
A economia brasileira cresceu 0,1% no quarto trimestre de 2025 na comparação com o terceiro trimestre. Com esse desempenho, o ano de 2025 fechou com expansão de 2,3%. O resultado representa o quinto ano seguido de crescimento.
O resultado do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos no país) foi divulgado na manhã desta terça-feira (3) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Em valores correntes, o PIB brasileiro alcançou R$ 12,7 trilhões, no ano passado. Já o PIB per capita ─ valor do PIB dividido pela população do país ─ alcançou R$ 59.687, crescimento real (descontada a inflação) de 1,9% na comparação com 2024.
Tanto o PIB corrente quanto o per capita estão no maior patamar já calculado pela série histórica do IBGE, iniciada em 1996.
Veja o comportamento da economia brasileira nos últimos cinco anos com crescimento:
2021: 4,8%
2022: 3%
2023: 3,2%
2024: 3,4%
2025: 2,3%
Destaques
O PIB pode ser calculado pela ótica da produção (análise do desempenho das atividades econômicas) ou do consumo (gastos e investimentos).
Em uma avaliação pela perspectiva da produção, os dados mostram que todas as atividades apresentaram expansão, com destaque para a agropecuária.
Agropecuária: 11,7%
Serviços: 1,8%
Indústria: 1,4%
O crescimento da agropecuária é explicado, principalmente, pelo aumento na produção e ganhos na produtividade de várias culturas, como o milho (23,6%) e a soja (14,6%), que alcançaram recordes em 2025.
Na indústria, o destaque foi a extração de petróleo e gás, que colaborou para que o valor adicionado das indústrias extrativas fechasse o ano com alta de 8,6%.
A construção ficou estável, com variação positiva de 0,5%.
O setor de serviços mostrou aquecimento, segundo o IBGE, com crescimento em todas as atividades: informação e comunicação (6,5%), atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados (2,9%), transporte, armazenagem e correio (2,1%), outras atividades de serviços (2,0%), atividades imobiliárias (2,0%), comércio (1,1%) e administração, defesa, saúde e educação públicas e seguridade social (0,5%).
O desempenho da agropecuária teve peso de 32,8% do crescimento do PIB em 2025.
As quatro atividades que mais contribuíram para a expansão da economia, agropecuária, indústria extrativa, outras atividades de serviço, e informação e comunicação, somaram 72% do crescimento do PIB do ano passado.
Consumo das famílias
Pelo lado do consumo, o segmento consumo das famílias cresceu 1,3% em 2025, empurrado pela melhora no mercado de trabalho, o aumento do crédito e os programas governamentais de transferência de renda.
Apesar de estar no campo positivo, o desempenho representa desaceleração em relação ao crescimento de 2024, quando o segmento avançou 5,1%.
A explicação para perda de ritmo, segundo o IBGE, está principalmente na política monetária contracionista, ou seja, patamar alto de juros.
O consumo do governo cresceu 2,1% em 2025.
A Formação Bruta de Capital Fixo, isto é, o volume de investimentos, cresceu 2,9% em 2025. O desempenho foi puxado pelo aumento da importação de bens de capital (máquinas e equipamentos) e pelo desenvolvimento de software, além da alta na indústria da construção.
A taxa de investimento em 2025 foi de 16,8% do PIB, contra 16,9% em 2024. A taxa de poupança, por sua vez, foi de 14,4% em 2025, ante 14,1% em 2024.
Último trimestre
A variação de 0,1% no quarto trimestre em comparação com o terceiro trimestre revela que, pela ótima do consumo, os serviços e a agropecuária cresceram 0,8% e 0,5%, respectivamente. Já a Indústria recuou 0,7%.
Pela ótica da despesa, o consumo do governo cresceu 1%, enquanto o das famílias ficou estável (0%). A Formação Bruta de Capital Fixo recuou 3,5%.
“O PIB ficou estável em relação ao terceiro trimestre, mesmo com a queda nos investimentos, por conta da estabilidade do consumo das famílias e do crescimento no consumo do governo”, disse a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis.
Aperto monetário
O aperto monetário que fez o PIB desacelerar em 2025 se refere à alta taxa de juros. Em setembro de 2024, preocupado com a trajetória da inflação, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) iniciou uma escalada da taxa básica de juros da economia, a Selic, então em 10,5% ao ano, elevando-a até 15% em junho de 2025, assim permanecendo até os dias atuais.
A meta de inflação do governo é de 3% no acumulado de 12 meses, com tolerância de 1,5 ponto percentual (p.p.) para mais ou para menos.
O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado o número oficial da inflação, chegou a ficar 13 meses fora do intervalo de tolerância, o que inclui praticamente todo o ano de 2025.
A Selic influencia todas as demais taxas de juros do país e, quando elevada, age de forma restritiva na economia, ou seja, encarece operações de crédito e desestimula investimentos e consumo.
O impacto esperado é a menor procura por produtos e serviços, esfriando a inflação. O efeito colateral é que a economia em marcha lenta tende a diminuir a geração de empregos.
O PIB é o conjunto de todos os bens e serviços produzidos em uma localidade em determinado período. Com o dado, é possível traçar o comportamento da economia do país, estado ou cidade, assim como fazer comparações internacionais.
O PIB é calculado com o auxílio de diversas pesquisas setoriais, como comércio, serviços e indústria.
Os bens e serviços finais que compõem o PIB são medidos no preço em que chegam ao consumidor. Dessa forma, levam em consideração também os impostos cobrados.
O PIB ajuda a compreender a realidade de um país, mas não expressa fatores como distribuição de renda e condição de vida.
É possível, por exemplo, um país ter PIB alto e padrão de vida relativamente baixo, assim como pode haver nação com PIB baixo e altíssima qualidade de vida.
De acordo com especialistas, guerra no Oriente Médio não trará impacto negativo no valor dos combustíveis no médio prazo; Brasil não deve sofrer com desabastecimento
BP anuncia descoberta de bp anuncia descoberta de petróleo no poço exploratório Bumerangue, na costa brasileira | Foto: Divulgação/BP
O conflito entre os Estados Unidos e o Irã deu inicio a especulações e a uma escalada das cotações internacionais do petróleo. No Brasil aumenta a pressão sobre o aumento das tarifas dos combustíveis e com isso poderá haver atraso no ciclo da queda da taxa de juros. Especialistas afirmam que não haverá risco de desabastecimento no país.
Nesta segunda-feira, 2, o barril do petróleo chegou a US$ 80. Foi o maior patamar atingido desde janeiro de 2025.
A Petrobras ainda não se manifestou sobre o assunto. Os novos patamares de preços no mercado internacional costumam alinhar as decisões por reajustes, especialmente em momentos delicados como o atual.
A exportação da commodity é o principal na receita da estatal brasileira. Com isso, o mercado reagiu positivamente em relação aos ativos da empresa. As ações preferenciais fecharam o primeiro pregão na B3, Bolsa de Valores do Brasil, com alta de 4,63%, sendo cotadas a R$ 44,71.
Especialistas comentam preço do petróleo
Analistas brasileiros e internacionais afirmam que um eventual fechamento do Estreito de Hormuz, que é controlado pelo Irã, por um período mais longo ou pela intensidade do conflito será o sinalizador do impacto sobre os preços, informa o jornal Folha de S.Paulo. A maior parte desse volume se destina a consumidores como a China e a Índia, os grandes asiáticos, responsáveis pelo consumo de um quinto da produção mundial de petróleo.
Marcus D’elia, sócio da Leggio Consultoria, diz que “por enquanto, espera-se muita volatilidade nas cotações internacionais, mas o preço do barril deve ser contido pela sobra de óleo no mundo, resultado do crescimento baixo da demanda menor que o da oferta”.
Na opinião de D’elia, “um conflito de até dez dias manteria o barril entre US$ 80 e US$ 100, mas de forma temporária, já que os principais clientes do Oriente Médio têm estoques suficientes para substituir 100 a 200 dias de importação.”
Analistas do Scotiabank ressaltaram que “esse cenário tem impactos macroeconômicos conflitantes para o país.”
“Por um lado, amplia as receitas com a exportação de petróleo e, consequentemente, valoriza o real”, afirmou a Scotiabank. “Preços de energia estruturalmente mais altos são altamente inflacionários e quase certamente dificultariam o ciclo iminente de cortes de juros recentemente sinalizado pelo Banco Central.”
Situação da Petrobras
O presidente da Associação Brasileira de Importadores de Combustíveis, Sérgio Araújo, afirma que “o Brasil não depende do Estreito de Hormuz para garantir o abastecimento de combustíveis”. De acordo com ele, “o país depende de diesel importado, mas a maior parte vem dos Estados Unidos e da Rússia”.
“Não vejo nenhum risco para o suprimento”, prossegue Araújo. “Há uma pressão maior sobre a Petrobras porque as defasagens estão muito elevadas.”
A Petrobras afirma, em nota, que seus fluxos de importação “são majoritariamente fora da região de crise e as poucas rotas que existem podem ser redirecionadas”. “A Petrobras reforça que não há risco de interrupção das importações e exportações no momento.”
A verificação de valores e datas pode ser feita pela Carteira de Trabalho Digital ou pelo portal gov.br
Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
O abono do PIS/Pasep referente a 2026 começa a cair nesta segunda-feira (16) para quem nasceu em janeiro. Têm direito ao benefício trabalhadores do setor privado e servidores públicos que exerceram atividade em 2024. A verificação de valores e datas pode ser feita pela Carteira de Trabalho Digital ou pelo portal gov.br.
Ao todo, a previsão é de que 25,4 milhões de pessoas recebam o pagamento neste calendário, com liberação de R$ 32,3 bilhões ao longo do ano. O prazo final para sacar o dinheiro termina em dezembro.
Neste primeiro momento, o governo libera R$ 2,5 bilhões. A maior parte vai para beneficiários do PIS, pagos pela Caixa Econômica Federal, enquanto os valores do Pasep ficam a cargo do Banco do Brasil.
O montante que cada pessoa recebe depende do número de meses trabalhados em 2024. Quem trabalhou o ano inteiro fica com o valor máximo do abono, que pode chegar a R$ 1.621, enquanto quem trabalhou menos meses recebe quantias proporcionais.
Publicação afirma que a combinação de juros elevados e dívida pública no Brasil serve de lição para as grandes potências mundiais
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
A revista britânica The Economist afirmou, em artigo publicado nesta quinta-feira, 12, que a situação econômica do Brasil representa o alerta mais importante para as grandes potências globais. Segundo a publicação, a relação entre os juros altos e a dívida pública brasileira oferece uma lição mais relevante para o mundo do que a inflação da Argentina ou a estagnação da Itália. O texto destaca que o cenário nacional impõe um dilema angustiante entre uma austeridade profunda e uma espiral descontrolada de encargos financeiros. Além disso, cunha o termo “brazilification“, que pode ser traduzido como “brasileirização”.
A análise aponta que, apesar de indicadores aparentemente positivos — como o crescimento econômico razoável e um Banco Central independente —, o custo para financiar a dívida compromete o futuro do país. Com a taxa Selic em 15% ao ano, o governo brasileiro precisará tomar emprestado cerca de 8% do Produto Interno Bruto (PIB) anualmente apenas para quitar a conta de juros. A revista ressalta que fechar esse déficit apenas com medidas de austeridade é uma tarefa improvável no atual contexto.
As causas da ‘brasileirização’
A publicação identifica uma combinação de fatores para explicar por que os juros permanecem em patamares tão elevados no Brasil. A fragilidade de instituições financeiras, a volatilidade histórica da inflação e a trajetória preocupante do orçamento federal compõem o diagnóstico. O gasto com previdência, que consome 20% do PIB, recebe atenção especial.
A revista cita os Estados Unidos como um exemplo de país que deve temer o fenômeno da ‘brasileirização’. A The Economist observa que as instituições americanas, como o Federal Reserve (Fed), sofrem pressões constantes que podem comprometer a estabilidade fiscal. O artigo sugere que os dilemas orçamentários atuais parecerão simples caso os juros subam e as potências precisem escolher entre cortes severos ou o endividamento extremo.
O texto encerra com um alerta sobre o custo do populismo. Para a revista, prometer inflação baixa sem reduzir os gastos com a previdência torna-se uma missão quase impossível. O Brasil enfrenta agora o que a publicação chama de “escolha angustiante”, um destino que as economias desenvolvidas devem evitar logo que os primeiros sinais de desequilíbrio fiscal surgirem em seus próprios orçamentos.
Novidade vai permitir o rastreio do dinheiro em múltiplas camadas; entenda
Foto: Bruno Peres/Agência Brasil
A partir desta segunda-feira (2), entra em vigor a obrigatoriedade de novas normas do Banco Central para o Pix, com o objetivo de frear a criminalidade financeira. A principal mudança foca no Mecanismo Especial de Devolução (MED), que agora permite o rastreio do dinheiro em múltiplas camadas.
Até então, o bloqueio era ineficaz se o golpista transferisse o valor rapidamente para outras contas; agora, o sistema consegue “perseguir” o montante em diferentes instituições até que ele seja localizado e bloqueado.
Atualmente, a taxa de recuperação de valores em casos de fraude é inferior a 10%, justamente pela velocidade com que os criminosos pulverizam o dinheiro em “contas laranjas”. Com a atualização, os bancos passam a ter ferramentas para alcançar os destinos subsequentes do recurso, aumentando as chances de estorno para a vítima.
Como funciona o fluxo do MED 2.0:
O processo de recuperação segue um rito rigoroso para garantir a segurança tanto da vítima quanto da análise bancária:
1. Notificação Imediata: A vítima deve registrar a contestação no aplicativo do banco no momento em que perceber o golpe. 2. Bloqueio em Camadas: O sistema rastreia o caminho do Pix e bloqueia o valor na conta onde ele estiver estacionado, mesmo que não seja a conta original do golpista. 3. Análise de 7 dias: A conta receptora fica sob investigação por uma semana. 4. Devolução do Recurso: Caso a fraude seja confirmada, o dinheiro é devolvido à conta de origem em até quatro dias úteis.
Apesar do avanço tecnológico, especialistas alertam que a rapidez da comunicação ainda é o fator determinante. Se o valor for convertido em criptoativos ou enviado para plataformas fora do sistema bancário tradicional, a recuperação torna-se quase impossível.
A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) já sinalizou que apoia a medida, mas defende que o próximo passo deve ser o bloqueio de CPFs vinculados a contas fraudulentas para impedir a reincidência de “laranjas”.
O Banco Central (BC) promoveu ajustes na regulamentação dos Provedores de Serviços de Tecnologia da Informação (PSTI) que atuam no Sistema Financeiro Nacional (SFN) e no Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB). As mudanças alteram uma resolução editada em setembro de 2025, que trata do credenciamento e da atuação dessas empresas.
Segundo o BC, a iniciativa tem como objetivo aperfeiçoar dispositivos da norma vigente, tornando os requisitos mais completos, claros e objetivos. As alterações também tornam o processo de credenciamento mais rigoroso, alinhando as exigências aplicáveis aos PSTI às práticas já adotadas em outros segmentos regulados.
Principais mudanças da resolução
Capital social e patrimônio líquido
O Banco Central poderá exigir, a qualquer momento, valores de capital social e patrimônio líquido superiores aos apresentados no credenciamento inicial, reforçando a capacidade financeira dos provedores.
Requisitos de credenciamento
Houve ajustes nos critérios de reputação e capacidade técnica dos administradores, alinhados a outros setores regulados, além da inclusão de definições sobre controle acionário e de novos mecanismos de análise de conformidade.
Governança e gestão de riscos
A norma reforça as exigências de governança corporativa, controles internos e compliance, com obrigação de elaboração anual de relatórios e adoção de mecanismos de rastreabilidade.
Descredenciamento
Os procedimentos foram simplificados, tornando o processo mais objetivo e ágil em situações de descumprimento das regras.
Prestação de informações ao BC
Ampliação das obrigações de comunicação, incluindo alterações societárias e substituição de administradores.
Medidas cautelares
Inclusão de novas hipóteses que autorizam o BC a adotar medidas preventivas, como nos casos de ausência prolongada de diretor responsável.
Adaptação
O período para implementação das mudanças foi ampliado de quatro para oito meses, permitindo uma transição mais segura e previsível.
O Banco Central informou ainda que, durante o período de adequação, as instituições que se conectam à Rede do Sistema Financeiro Nacional (RSFN) por meio de PSTI continuam sujeitas ao limite de R$ 15 mil por transação via Pix e TED, conforme as Resoluções BCB 496 e 497, até que o credenciamento do provedor seja concluído.
Na avaliação do BC, o aprimoramento das regras fortalece a segurança, a eficiência e a transparência na atuação dos PSTI, contribuindo para um ambiente mais confiável, com redução de riscos operacionais e cibernéticos e maior estabilidade do sistema financeiro e de pagamentos do país.
Elo vulnerável
A decisão ocorre na mesma semana em que o Banco do Nordeste (BNB) foi alvo de um ataque hacker. O incidente levou a instituição a suspender o Pix, após o desvio de recursos de uma conta-bolsão, instrumento que reúne recursos de vários usuários em uma única conta, sem identificação individualizada dos titulares.
Desde o ano passado, ataques a prestadores de serviços terceirizados têm se tornado mais frequentes no sistema financeiro, por representarem um elo potencialmente mais vulnerável da cadeia tecnológica. Esse tipo de estratégia permite aos criminosos contornar camadas robustas de proteção dos grandes bancos ao explorar falhas em sistemas integrados.
O reforço na regulação ocorre em um contexto de aumento dos investimentos em cibersegurança por parte das instituições financeiras, impulsionado tanto pela digitalização dos serviços quanto pelo crescimento do Pix como principal meio de pagamento do país.
Destaque do dado divulgado pelo Banco Central, nesta sexta-feira, 30, é o aumento das despesas do governo federal sobre as receitas
Déficit fiscal do Brasil bate recorde em 2025 | Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
O Banco Central divulgou, nesta sexta-feira, 30, a evolução do déficit fiscal do Brasil em 2025, que ganhou destaque por causa do aumento das despesas do governo federal sobre as receitas.
O setor público consolidado, que abrange União, Estados, municípios e empresas estatais, apresentou déficit primário de mais de R$ 55 bilhões no ano. Este número representa 0,43% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.
O resultado negativo de 2025 ficou acima do registrado em 2024, quando o déficit primário foi de R$ 47,5 bilhões, equivalente a 0,4% do PIB. Apesar disso, em dezembro de 2025, o setor público teve superávit de R$ 6,25 bilhões, conforme as Estatísticas Fiscais do Banco Central.
Perda primária e desempenho do governo
Fachada do Banco Central do Brasil, em Brasília | Foto: Leonardo Sá/Agência Senado
O conceito de déficit primário refere-se ao saldo negativo entre despesas e receitas do setor público, sem considerar o pagamento dos juros da dívida. O Governo Central teve déficit de R$ 58,7 bilhões em 2025, maior que os R$ 45,3 bilhões do ano anterior. Já o Tesouro Nacional apresentou um déficit de R$ 61,7 bilhões, diferença explicada por metodologias distintas.
O Tesouro atribuiu o aumento do déficit à elevação das despesas obrigatórias, como Previdência Social e BPC. Ainda assim, a arrecadação recorde em 2025 evitou um resultado mais negativo. Houve aumento real de 2,8% na receita líquida, ou R$ 64,3 bilhões, enquanto os gastos cresceram 3,4%, o que equivale a R$ 79,1 bilhões.
Governos estaduais e municipais ajudaram a conter o déficit com superávit de R$ 9,5 bilhões em 2025, acima dos R$ 5,9 bilhões registrados em 2024. Já as empresas estatais, excluindo Petrobras e Eletrobras, tiveram déficit de R$ 5,9 milhões em agosto, mas o valor foi menor que os R$ 8,0 bilhões do ano anterior.
Juros da dívida e impacto no déficit nominal
Os gastos com juros atingiram R$ 1 trilhão em 2025, o maior valor já registrado. Em 2024, o montante foi de R$ 950,4 bilhões. O porcentual desses gastos em relação ao PIB caiu para 7,91% em 2025, ante 8,07% no ano anterior, em razão do crescimento mais acelerado do PIB nominal.
As variações nas despesas com juros costumam ser pequenas, pois são apropriadas mensalmente. O aumento da Selic, atualmente em 15% ao ano, também impactou esses custos. Segundo o BC, operações de swap cambial em 2025 geraram ganhos de R$ 105,9 bilhões, reduzindo a conta de juros, enquanto em 2024 houve perdas de R$ 115,9 bilhões.
Combinando resultado primário e despesas com juros, o déficit nominal das contas públicas subiu para R$ 1,062 trilhão em 2025, frente aos R$ 997,976 bilhões de 2024. Esse dado serve como referência para agências de risco e investidores ao avaliar o endividamento do país.