Projeto enviado ao Congresso eleva piso, permite crescimento de gastos e mantém exclusões na meta fiscal
A proposta será analisada pela Comissão Mista de Orçamento e pelo plenário do Congresso | Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil/Arquivo
O governo federal prevê salário mínimo de R$ 1.717 em 2027. O valor supera em R$ 96 o piso atual, fixado em R$ 1.621.
A estimativa consta no Projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), enviado ao Congresso na quarta-feira, 15. O valor final ainda depende da inflação medida pelo INPC em novembro.
Proposta amplia gastos e mantém ajustes na meta fiscal
O texto define regras para a elaboração do orçamento federal. A proposta será analisada pela Comissão Mista de Orçamento e pelo plenário do Congresso.
O reajuste segue a política de valorização do salário mínimo. O piso acompanha inflação e crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). Como referência para benefícios previdenciários e sociais, o aumento pressiona as despesas públicas.
A proposta prevê superávit primário de 0,5% do PIB em 2027, equivalente a R$ 73,2 bilhões. O cálculo considera receitas maiores que despesas e desconsidera os juros da dívida.
O arcabouço fiscal admite margem de tolerância de 0,25 ponto percentual. O resultado pode cair até esse limite sem descumprir a meta.
A meta supera a deste ano, fixada em 0,25% do PIB, com possibilidade de resultado zero. O governo projeta avanço até 2028, com expectativa de superávit de 1% do PIB. Ao mesmo tempo, o arcabouço permite crescimento real das despesas até 2,5% ao ano. Para 2027, o teto alcança R$ 2,54 trilhões.
O texto inclui 39,4% das despesas com precatórios na meta fiscal. O percentual supera o mínimo constitucional. Mesmo assim, R$ 57,8 bilhões permanecem fora do cálculo da meta.
A proposta também impõe restrições a benefícios tributários e estabelece limites para despesas com pessoal. Uma das travas impede aumento real desses gastos acima de 0,6% da inflação.
O projeto prevê crescimento do PIB de 2,56% e inflação de 3,04%. A taxa Selic aparece em 10,55% ao ano nas estimativas.
A Agência Nacional do Petróleo (ANP) registra a primeira queda no preço médio do diesel comum após o começo da guerra entre os Estados Unidos e o Irã, iniciada no dia 28 de fevereiro.
De acordo com levantamento semanal feito pela agência entre domingo (5) e este sábado (11), o preço médio cobrado pelos postos ficou em R$ 7,43, redução de R$ 0,02. Na semana anterior, o litro do combustível foi vendido a R$ 7,45.
O litro da gasolina comum foi vendido a R$ 6,77 no mesmo período. Na semana passada, o preço do combustível ficou em R$ 6,78.
O etanol também teve redução de R$ 0,01 e passou de R$ 4,70 para R$ 4,69, o litro.
Pacote
Na segunda-feira (6), o governo federal anunciou um pacote de medidas para reduzir os impactos da alta dos combustíveis provocada pela guerra no Oriente Médio.
Entre as principais medidas está a criação de uma subvenção de R$ 1,20 por litro para a importação de diesel, com divisão igual de custos entre União e estados.
Também foi anunciada uma subvenção extra de R$ 0,80 por litro para o diesel produzido no Brasil.
As apostas podem ser registradas até as 20h nas lotéricas credenciadas pela Caixa Econômica
Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil/ARQUIVO
O concurso 2.995 da Mega-Sena será sorteado neste sábado (11), a partir das 21h (horário de Brasília), no Espaço da Sorte, localizado na Avenida Paulista.
O prêmio principal está estimado em R$ 40 milhões. Por se tratar de um concurso com final cinco, o valor recebe um adicional acumulado das arrecadações dos cinco sorteios anteriores.
As apostas podem ser registradas até as 20h (horário de Brasília), nas lotéricas credenciadas pela Caixa Econômica Federal em todo o país ou pela internet, por meio do site oficial das Loterias Caixa.
O sorteio será transmitido ao vivo pelos canais da Caixa no YouTube e no Facebook. A aposta simples, com seis números, custa R$ 6.
A inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), atingiu 0,88%. Resultado foi 0,18 ponto percentual (p.p) mais alto que em fevereiro, quando foi registrado 0,70%. O avanço foi puxado pelos preços dos grupos transportes e alimentação e bebidas.Juntos responderam por 76% do IPCA do mês.
No ano, o IPCA acumula avanço de 1,92% e, nos últimos 12 meses, de 4,14%. O percentual está acima dos 3,81% atingidos nos 12 meses imediatamente anteriores. Em março do ano passado, o IPCA registrou 0,56%.
Os dados do indicador foram divulgados nesta sexta-feira (10), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O aumento de 4,59% na gasolina foi o fator mais relevante para o desempenho dos preços dos transportes, o que provocou impacto de 0,23 p.p. na inflação do mês. A passagem aérea (6,08%) e o diesel (13,90%), também pesaram apesar de menor influência no índice geral.
As maiores altas em alimentação e bebidas, ficaram com os subitens Leite longa vida (11,74%) e Tomate (20,31%), que representam respectivamente impactos de 0,07 e 0,05 p.p. sobre o IPCA do mês. Juntos, esses cinco subitens foram responsáveis por 0,43 pontos percentuais do IPCA de março (0,88%).
Conforme o IBGE, os nove grupos de produtos e serviços do IPCA apresentaram elevações em março. O mais significativo (1,64%) foi o de transportes, tendo na sequência o de alimentação e bebidas (1,56%). Os outros avanços “oscilaram entre 0,02%, em educação e 0,65%, em despesas pessoais”.
Para o gerente do IPCA, Fernando Gonçalves, já é possível verificar o efeito das incertezas no cenário internacional em alguns subitens, principalmente nos combustíveis. O gerente destacou ainda que “no grupo alimentação, em especial na alimentação em casa, a aceleração no nível de preços foi mais evidente, com a alta de 1,94%, a maior desde abril de 2022 (2,59%), combinando efeitos de redução de oferta de alguns produtos com altas do frete, em decorrência dos combustíveis mais caros”
O IPCA aponta a variação do custo de vida médio de famílias com renda mensal de 1 e 40 salários mínimos.
INPC
Já o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) alcançou 0,91% em março. Com isso, ficou 0,35 p.p. acima do resultado de fevereiro (0,56%). No ano, o INPC acumula alta de 1,87% e, nos últimos 12 meses, de 3,77%. O percentual ultrapassa os 3,36% acumulados nos 12 meses imediatamente anteriores. Em março de 2025, o INPC chegou a 0,51%.
O terceiro grupo com maior variação de preços em março foi o de despesas pessoais (0,65%), impactado pelo subitem cinema, teatro e concertos (3,95%). Já na alta de 0,42% no grupo saúde e cuidados pessoais (0,42%) houve influência da subida em plano de saúde (0,49%).
A elevação da energia elétrica residencial (0,13%) levou o grupo habitação, a registrar variação de 0,22% em março. Nela, estão embutidos os reajustes médios de 6,92% e 14,66% nas concessionárias no Rio de Janeiro (3,09%), a partir de 15 de março. “No mês, manteve-se a bandeira tarifária verde, sem custo adicional para os consumidores”, completou o IBGE.
Segundo o IBGE, a taxa de água e esgoto (0,24%) no grupo habitação, incorpora a alta de 6,21% em uma das concessionárias de Porto Alegre (2,18%), a partir de 23 de fevereiro. Já no gás encanado (-0,10%), que caiu 0,25%, em Curitiba contou com a contribuição da redução de 4,01% nas tarifas, a partir de 1° de fevereiro. No Rio de Janeiro, a variação de -0,24% foi influenciada pela queda de 4,44% nas tarifas, desde 1º de fevereiro.
Regiões
Salvador registrou maior variação (1,47%) entre os índices regionais, muito impactado pelo avanço da gasolina (17,37%) e das carnes (3,56%). Em sentido contrário, a menor variação (0,37%) foi em Rio Branco, beneficiada pela redução na energia elétrica residencial (-3,28%) e das frutas (-3,72%).
Também no INPC, Salvador foi entre os índices regionais que teve a maior variação (1,52%). A principal influência foi a subida da gasolina (17,37%) e do tomate (49,25%). O indicador repetiu ainda o comportamento do IPCA, tendo a menor variação em Rio Branco (0,33%). O motivo foi a queda da energia elétrica residencial (-3,28%) e do óleo de soja (-6,46%).
Conforme o IBGE, o cálculo do índice do mês, comparou “os preços coletados no período de 4 de março de 2026 a 31 de março de 2026 (referência) com os preços vigentes no período de 30 de janeiro de 2026 a 3 de março de 2026 (base)”.
Desde 1979 que o IBGE calcula este indicador, que se refere “às famílias com rendimento monetário de 1 a 5 salários mínimos, sendo o chefe assalariado”. O INPC abrange dez regiões metropolitanas do país, além dos municípios de Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís, Aracaju e de Brasília.
Alta dos juros e fim do auxílio emergencial ampliam endividamento; governo busca alternativas para reduzir dívidas e facilitar crédito
O uso do crédito rotativo do cartão, considerado o mais caro do mercado, disparou após a pandemia de Covid-19 e se aproximou de R$ 400 bilhões em 2025, segundo o Banco Central do Brasil. A modalidade é apontada como um dos principais fatores do alto endividamento no país.
Atualmente, cerca de 101 milhões de brasileiros utilizam cartão de crédito, e aproximadamente 40 milhões estavam com dívidas no rotativo em janeiro. A inadimplência é elevada: 63,5% dos valores não foram pagos, enquanto os juros chegaram a 436% ao ano em fevereiro, muito acima de outras linhas de crédito.
O rotativo é acionado quando o consumidor não paga o valor total da fatura. Especialistas recomendam evitar essa modalidade e quitar o valor integral sempre que possível. Em 2024, governo e Congresso limitaram a dívida: o total a pagar não pode ultrapassar o dobro do valor original.
Após o fim do Auxílio Emergencial e com a alta da inflação, o uso do rotativo cresceu significativamente. O governo busca alternativas para reduzir o endividamento e ampliar o acesso a crédito mais barato, como o consignado para trabalhadores do setor privado, enquanto discute novas medidas para tornar o sistema mais sustentável.
Os custos para aquisição dos alimentos da cesta básica subiram nas 27 capitais, segundo monitoramento feito pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). São Paulo permanece com o maior valor apurado, de R$ 883,94, enquanto Aracaju tem a cesta mais barata, uma média de R$ 598,45.
Os alimentos com maior impacto foram o feijão, a batata, o tomate, a carne bovina e o leite, todos com aumento, sendo que os três primeiros tiveram impacto decisivo das chuvas nas principais regiões produtoras. Na contramão, o açúcar teve queda no custo médio em 19 cidades, relacionada ao excesso de oferta.
Segundo a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, as cidades com aumento mais expressivo foram Manaus (7,42%), Salvador (7,15%), Recife (6,97%), Maceió (6,76%), Belo Horizonte (6,44%), Aracaju (6,32%), Natal (5,99%), Cuiabá (5,62%), João Pessoa (5,53%) e Fortaleza (5,04%). Entre os valores nominais, além da capital paulista há destaque para as cidades do Rio de Janeiro (R$ 867,97), de Cuiabá (R$ 838,40), Florianópolis (R$ 824,35) e Campo Grande (R$ 805,93), com as demais capitais tendo valores médios abaixo do patamar dos R$ 800.
Com o salário mínimo a R$ 1.621,00 o trabalhador nessas cidades precisa de cerca de 109 horas para custear a cesta. Ainda que alto, o valor apresentou queda se comparado à renda, em relação ao ano passado.
“Quando se compara o custo da cesta e o salário mínimo líquido, ou seja, após o desconto de 7,5% referente à Previdência Social, verifica-se que o trabalhador remunerado pelo piso nacional comprometeu em média, nas 27 capitais pesquisadas em março de 2026, 48,12% do rendimento para adquirir os itens alimentícios básicos e, em fevereiro, 46,13% da renda líquida. Em março de 2025, considerando as 17 capitais analisadas, o percentual médio ficou em 52,29%”, indicou o levantamento.
Em março, o tempo médio necessário para adquirir os produtos da cesta básica foi de 97 horas e 55 minutos, enquanto em fevereiro era de 93 horas e 53 minutos. Se comparado com março de 2025, considerando o conjunto restrito de 17 capitais analisadas, a jornada média foi de 106 horas e 24 minutos.
O estudo permite comparar, ainda, o aumento desde o ano passado, e aponta que houve alta em 13 cidades e queda em quatro nos últimos 12 meses, com destaque para os aumentos em Aracaju (5,09%), Salvador (4,51%) e Recife (4,38%). As principais reduções ocorreram em Brasília (-4,63%) e Florianópolis (-0,91%). A comparação de intervalo anual é limitada a 17 capitais, pois o Dieese não realiza levantamentos mensais nas cidades de Boa Vista, Cuiabá, Macapá, Maceió, Manaus, Palmas, Porto Velho, Rio Branco, São Luiz e Teresina.
Regime de chuvas
O estudo indica que o valor do feijão subiu em todas as cidades. O grão preto, pesquisado nos municípios da Região Sul, do Rio de Janeiro e de Vitória, apresentou alta, com percentuais entre 1,68%, em Curitiba, e 7,17%, em Florianópolis. Para o grão carioca, coletado nas demais capitais, os aumentos ficaram entre 1,86%, em Macapá, e 21,48%, em Belém. A alta do feijão ocorreu devido à restrição de oferta, por dificuldades na colheita, redução de área na primeira safra e expectativa de menor produção na segunda safra, mostra o levantamento.
“Quando a gente vê um aumento de preços, tende a pensar que os produtores estão lucrando mais, mas nesses casos menos produtores têm o produto e aí podem estar vendendo por mais, só que o que aconteceu bastante neste ano é que quem plantou, por exemplo, 60 sacas colheu apenas 30 ou 40. O clima prejudicou no Paraná e na Bahia, e a gente tem uma área plantada menor”, explicou Marcelo Lüders, presidente do Instituto Brasileiro do Feijão (Ibrafe).
Lüders lembrou que a produção ainda tem atraso considerável em outras áreas, como Mato Grosso do Sul, onde o excesso de chuvas levou a uma janela menor entre culturas e forçou a substituição por um tipo de feijão preto destinado principalmente ao mercado indiano.
“Os números que a gente tem hoje não refletem a nossa realidade, a gente tem tido menos o carioca, pois é um feijão que o governo não garante preço, já que o preço mínimo existe para enfeite, o produtor não se beneficia em nenhum momento disso não há mercado externo”. Esses fatores levaram a uma diferença considerável entre o feijão carioca e o feijão preto, variedades mais procuradas nos maiores mercados.
O grão carioca chega a ser vendido hoje a R$ 350 a saca, com possibilidade de queda de fato a partir dos meses de agosto, setembro e outubro, quando se colhe a safra irrigada. O feijão preto ainda tem um valor melhor, em torno de R$ 200 a 210 a saca, pois há muito estoque das duas colheitas de 2025, mas esse excedente será pressionado já que se plantou pouco na segunda safra, que é a do começo do ano, e a cultura sofreu impacto da chuva forte no Paraná. A expectativa é de uma inversão de preços, com o feijão preto mais caro do que o carioca em 2026.
“Isso é terrível para os produtores. A exportação diminuiu em 2025, isso é cíclico. O estímulo para plantar o feijão carioca é muito grande, e isso é um risco pois pode derrubar o preço”, complementa o analista.
A estimativa da Conab indica uma produção superior a 3 milhões de toneladas, com avanço de 0,5% em relação ao ciclo 2024/2025. O impacto do aumento do custo de fertilizantes e de combustíveis ainda não foi sentido pelo setor, o que aumenta a incerteza. Há expectativa de aumento global dos valores de alimentos.
Salário mínimo
O Dieese também mostra o valor ideal do salário mínimo. Para isso, considera a cesta mais cara, em São Paulo e os custos básicos que dariam conta das necessidades garantidas na Constituição para o trabalhador e sua família: alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência. Em março, o valor para uma família de quatro pessoas seria R$ 7.425,99 ou 4,58 vezes o mínimo vigente. Em fevereiro, o valor necessário era de R$ 7.164,94 e correspondeu a 4,42 vezes o piso mínimo. Na comparação com março de 2025 o mínimo necessário seria de R$ 7.398,94 ou 4,87 vezes o valor vigente na época, que era de R$ 1.518,00.
Corte da Flórida dá aval a uma busca internacional por bens ocultos relacionados ao caso, com o objetivo de recuperar ativos
São Paulo (SP), 19/11/2025 – Fachada do Banco Master na rua Elvira Ferraz em Itaim Bibi | Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
Uma decisão recente do Tribunal de Falências do Distrito Sul da Flórida, dos Estados Unidos (EUA), abriu caminho para a EFB Regimes Especiais de Empresas, responsável pela liquidação do Banco Master, aprofundar a busca por ativos ligados à instituição fora do Brasil.
O juiz Scott Grossman autorizou a maioria das solicitações feitas pela EFB. Assim, permitiu intimações a galerias de arte, varejistas de luxo, casas de leilão e ao banqueiro Daniel Vorcaro, com o objetivo de reunir provas sobre possíveis bens ocultos.
Segundo o tribunal, as intimações pretendem obter informações de diversos negociantes e empresas, com abrangência de 16 entidades, categorizadas como “Partes de Congelamento de Ativos”. O intuito é identificar ativos que tenham sido escondidos e reavaliar movimentações financeiras que envolvem Vorcaro ou pessoas a ele associadas e as empresas intimadas.
Apoio da legislação brasileira e argumentos da defesa
Daniel Vorcaro: em uma década, patrimônio cresceu cerca de mil vezes, conforme a Receita Federal | Foto: Reprodução/X
O magistrado ressaltou que a legislação brasileira apoia a investigação de controladores, especialmente quando patrimônios podem estar misturados aos bens dos devedores.
“Sob a lei brasileira, essas partes estão sujeitas a uma ou mais ordens automáticas de congelamento de ativos inseridas pelo Banco Central do Brasil em conexão com a liquidação extrajudicial dos devedores”, explicou Grossman.
Apesar da defesa de Vorcaro alegar que o pedido de investigação era vago e sem alvo definido, o juiz considerou que não houve comprovação de “causa justa” nem apresentação de argumentos sólidos sobre a aplicação de direitos à privacidade capazes de barrar o acesso a informações relevantes para a administração da massa falida do Master.
Limites à investigação contra Master e Vorcaro
Entre os poucos pedidos de Vorcaro aceitos está a aplicação da “regra do processo pendente”. Ela restringe investigações paralelas pelo liquidante quando já existe ação judicial sobre determinado bem. Isso impacta, por exemplo, a apuração sobre uma mansão avaliada em US$ 32 milhões na Flórida, supostamente relacionada a Vorcaro.
O juiz destacou que a EFB já ingressou com ação na Corte contra a Sozo Real Estate Inc., Henrique M. Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, e Natalia Vorcaro Zettel, (irmã), de modo a limitar a coleta de provas sobre o imóvel. Assim, a EFB precisará seguir normas mais restritivas para investigar esse bem específico, não podendo atuar de forma ampla.
No processo, a EFB reivindicou a aplicação do “constructive trust”, mecanismo pelo qual bens registrados em nome de terceiros devem ser transferidos ao verdadeiro beneficiário, caso seja comprovada a vinculação indevida.
Autarquia prepara atualizações para a ferramenta depois de Trump fazer críticas
Pix vai ganhar novas funcionalidades ainda neste ano | Foto: Bruno Peres/Agência Brasil
O Banco Central (BC) desenvolve novas funções para o Pix, a chamada agenda evolutiva da ferramenta. O sistema de transferências em tempo real, lançado em 2020, recebeu críticas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na quarta-feira 1º.
O republicano afirmou que a ferramenta prejudica empresas de cartões de crédito como Visa e Mastercard. Em contrapartida, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva respondeu que “ninguém” vai fazer o governo brasileiro mudar o Pix.
Paralelamente à discussão política, o BC prevê a implementação de novas funcionalidades ainda em 2025. A Cobrança Híbrida deve se tornar obrigatória em novembro, unindo QR Code e boleto. Além disso, o sistema terá a função Duplicata para antecipação de recebíveis e o Split Tributário para o pagamento de impostos em tempo real.
Expansão do Pix e novas modalidades de crédito
Para 2027, o Banco Central projeta o Pix Internacional para interligar sistemas de pagamentos entre países. Outras novidades incluem o Pix em Garantia, que funcionará como crédito consignado para autônomos, e o Pix por Aproximação no modelo offline.
O BC também discute a padronização do Pix Parcelado. A medida visa atender 60 milhões de pessoas sem acesso a cartão de crédito e estimular a queda dos juros através da competição entre bancos.
O Pix registrou R$ 35,36 trilhões em transferências em 2025, o que representa um recorde para a ferramenta. O sistema incluiu milhões de pessoas no mercado financeiro e facilitou transações em pequenos negócios presenciais e digitais.
Um levantamento da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI) analisou o comportamento dos preços de 20 produtos típicos do período da Semana Santa, com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do IBGE, para a Região Metropolitana de Salvador.
O estudo considera dados dos meses que antecedem a Páscoa: de janeiro a abril de 2023 e 2025, dados de janeiro a março de 2024 e dados do primeiro bimestre de 2026.
Os dados confirmam a alta nos preços de alguns produtos no período analisado. A restrição ao consumo de carne vermelha e o aumento da procura por ingredientes regionais são possíveis razões para a elevação dos preços.
Como principal proteína substituta na Quaresma, o ovo de galinha tem aumento quase certo entre fevereiro e março. O histórico mostra que, no ano de 2023, o ovo subiu em março (7,69%) e em abril (4,51%), e em 2024, subiu no mês da Semana Santa. Em 2025, o produto disparou quase 18% em fevereiro e 12,05% em março. Para a Semana Santa de 2026, a tendência de alta já foi confirmada: após cair em janeiro, o preço do ovo subiu 4,15% em fevereiro, início do período da quaresma.
No histórico analisado, o coentro também tem aumento relevante nos custos. Em 2023, por exemplo, o preço variou bastante, caindo em março e subindo em abril. Já em 2024, encareceu 18,60% em fevereiro e 17,34% em março. Em 2025, a alta continuou em todos os meses até abril, e em 2026, subiu 3,02% em janeiro e depois teve redução de 3,30% em fevereiro.
Entre os pescados, a corvina sofreu altas seguidas de janeiro a abril de 2023. Já em 2024, ocorreram aumentos de janeiro a março quando alcançou 6,92%. Este pescado ainda subiu nos três primeiros meses de 2025, chegando ao pico em março quando os preços cresceram 6,04%. Em 2026, o peixe já iniciou o ano subindo 2,55% em janeiro, mas teve leve queda em fevereiro (-0,04%). Já a merluza, por exemplo, chegou a registrar queda nos preços durante os meses cruciais de março (-2,20%) e abril (-2,19%) do ano passado, além de iniciar 2026 mais barata com queda de 4,24% e 0,62% em janeiro e fevereiro, respectivamente o que torna este pescado uma boa alternativa para quem tem grandes restrições orçamentárias.
Já o azeite de oliva é um caso à parte, pois o produto não sofre apenas com a época do ano, mas vem de uma sequência de aumentos contínuos ao longo de todo 2023 e 2024. O ano de 2026 começou com o azeite voltando a subir 1,63% em fevereiro. Empregada no preparo da farofa de azeite, a farinha de mandioca, encareceu nos quatro primeiros meses de 2023, fechando com alta de 6,71% em abril. Em 2024, o preço recuou até o mês da festa. Em 2025, caiu em abril após uma alta em março. Em 2026, encareceu 1,81% em janeiro e ficou estável em fevereiro (-0,03%).
Curiosamente, o chocolate em barra e os bombons industrializados não apresentam grandes impactos inflacionários oficiais na praça de Salvador durante a Páscoa, registrando inclusive quedas de preço nos meses que antecederam o evento nos anos passados, e com uma leve alta de 1% em fevereiro de 2026.
O estudo foi elaborado com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para a RM de Salvador, com o objetivo de acompanhar o comportamento dos preços dos produtos consumidos tanto nos meses que antecedem a Quaresma como também o comportamento dos mesmos já nos dias das celebrações citadas, e para isso, destacou-se o espaço de quatro anos, de 2023 a 2026. O trabalho engloba dados de janeiro até o mês em que a Semana Santa foi ou será realizada em cada ano, (2023: abril; 2024: março; 2025: abril; 2026: abril, sendo que para o ano corrente, tem-se informações aferidas pelo IBGE até fevereiro, pois os dados para o IPCA referentes ao mês de março só serão divulgados em 10/04/2026. Cabe informar ainda que outros produtos que são consumidos no período em análise como o ovo de páscoa, o vinho e o quiabo, por exemplo, não constam neste relatório pelo fato de o IPCA/ IBGE para a RM de Salvador não apresentar informações para os mesmos.
“A medida tem consequências severas sobre a abertura de novas rotas e a oferta de serviços, restringindo a conectividade do país e a democratização do transporte aéreo”, afirmou a associação em nota.
Somada à alta de março, a nova taxa eleva o peso do combustível de 30% para 45% dos custos operacionais das companhias.
A Petrobras confirmou a elevação do preço médio de venda para as distribuidoras conforme a paridade internacional.
Para mitigar o impacto, porém, a estatal ofereceu um parcelamento.
As distribuidoras pagarão 18% da alta em abril e o restante em seis parcelas a partir de julho.
“Essa medida visa a preservar a demanda pelo produto e mitigar os efeitos do reajuste no setor de aviação brasileiro, assegurando o bom funcionamento do mercado”, informou a estatal.
Combustível de aviação acompanha valorização do petróleo
A valorização do petróleo no mercado internacional motiva o aumento.
A guerra no Oriente Médio, que envolve Estados Unidos, Israel e Irã, elevou o preço do barril de US$ 70 para mais de US$ 115.
Embora o Brasil produza 80% do querosene consumido internamente, os preços acompanham as variações globais.
A associação das empresas não mencionou reajustes diretos nas tarifas, mas defendeu mecanismos para reduzir o impacto nos custos.
O Grupo Abra, controlador da Gol, estima que cada dólar de acréscimo no galão do combustível pode elevar as passagens em 10%.
Já a Azul aumentou o preço médio das passagens em mais de 20% nas últimas três semanas.
A companhia também prevê reduzir em 1% a oferta de voos domésticos no segundo trimestre.