Editoriais do Estadão e de O Globo acusam o Planalto de usar manobras fiscais e subsídios com o único objetivo de comprar apoio político

Lula Novo Desenrola Brasil
Lula, durante lançamento do novo ‘Desenrola’ – 04/05/2026 | Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Dois dos principais jornais do país publicaram duras críticas à política econômica do governo federal nesta segunda-feira, 18. Os editoriais de O Estado de S. Paulo e de O Globo condenaram o pacote de bondades lançado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. As publicações revelam que o Planalto gasta sem freios para tentar recuperar a popularidade e garantir a reeleição.

O levantamento do banco BTG Pactual mostra que as dez medidas colocadas em prática nos últimos dois anos já custam R$ 140 bilhões aos cofres públicos. Os jornais ressaltam que o preço desse movimento será o avanço da inflação e a manutenção da taxa de juros em patamares estratosféricos. Para a mídia, o governo cria uma herança maldita que vai punir justamente os eleitores mais pobres no futuro próximo.

Dribles na Lei de Responsabilidade Fiscal

Estadão destacou o perigo do uso repetido de manobras parafiscais pelo governo lulopetista. Esse mecanismo injeta dinheiro na economia por meio de fundos, bancos públicos e estatais, sem precisar do aval do Congresso Nacional nem de espaço no Orçamento Geral da União. O jornal paulista classificou a estratégia como “demagogia” e citou como exemplos o novo Desenrola e as linhas de crédito Move Brasil, gerida pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

O Globo acusou o Palácio do Planalto de tentar burlar deliberadamente a Lei de Responsabilidade Fiscal. O veículo carioca criticou a tentativa de usar o dinheiro extra da venda do petróleo brasileiro, inflacionado pela guerra no Oriente Médio, para cobrir os rombos abertos por subsídios aos combustíveis. O texto defende a ideia de que essa receita inesperada deveria servir para abater o estoque da dívida pública, e não para financiar programas eleitoreiros.

Foco na classe média e subsídios injustos

O público-alvo dos benefícios também foi objeto de contestação nos dois textos. O governo ampliou o Minha Casa, Minha Vida para famílias com renda de até R$ 13 mil e extinguiu a chamada “taxa das blusinhas”, sobre importações de até US$ 50. Os editoriais concordam que essas decisões miram especificamente na classe média, faixa do eleitorado em que a aprovação do presidente sofreu quedas consecutivas nas pesquisas.

O jornal carioca considerou a ajuda de R$ 0,89 por litro na gasolina uma medida injusta por beneficiar ricos e pobres sem distinção. A publicação lembrou ainda que o plano de subsidiar veículos para taxistas e motoristas de aplicativo imita os mesmos auxílios lançados por Jair Bolsonaro às vésperas do pleito anterior. Os jornais concluem que a fatura do crescimento artificial da economia vai chegar na forma de endividamento crônico e carestia de alimentos.

Informações Revista Oeste

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