A projeção do Tesouro Nacional equivale a um aumento de quase 11 pontos porcentuais em relação ao endividamento em dezembro de 2022
O economista Fernando Haddad (à esq) ao tomar posse como ministro da Fazenda – 1/1/2023 | Foto: Flickr
O Tesouro Nacional projeta que a dívida pública brasileira deve alcançar 82,5% do Produto Interno Bruto (PIB) até o fim de 2026, em manutenção do crescimento contínuo registrado ao longo do mandato de Luiz Inácio Lula da Silva. O patamar estimado se aproxima do recorde registrado no auge da pandemia da covid-19, em outubro de 2020, quando o endividamento atingiu 87,7% do PIB.
O Tesouro revela que, caso a previsão se confirme, a dívida terá aumentado 10,8 pontos porcentuais em relação a dezembro de 2022, quando era de 71,7% do PIB, ao final do governo Jair Bolsonaro. Assim, o endividamento nacional voltará ao maior nível desde abril de 2021, quando alcançou 82,6% do PIB, de acordo com a série histórica do Banco Central, iniciada em 2008.
Os dados constam na 7ª Edição do Relatório de Riscos Fiscais da União, publicada na última sexta-feira, 7. Em setembro, o Banco Central informou que a dívida do setor público consolidado estava em 78,1% do PIB, o que corresponde a R$ 9,75 trilhões. Esse conceito abrange todas as obrigações financeiras de União, Estados, Distrito Federal, municípios e estatais, sem duplicidade de registros.
O endividamento elevado pressiona a taxa de juros, o que impacta negativamente o custo do crédito para empresas e consumidores, dificultando o crescimento econômico. Em 2020, a dívida subiu rapidamente diante dos gastos emergenciais de R$ 524 bilhões com auxílio à população e despesas de saúde para enfrentar a pandemia.
Se considerado o método adotado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), que inclui títulos públicos em posse do Banco Central, o endividamento brasileiro alcança 90,5% do PIB, segundo dados de setembro. O Banco Central explicou que sua metodologia, aplicada desde 2008, “reflete as características institucionais brasileiras”, conforme nota oficial.
O FMI recomendou em agosto do ano passado que o Brasil adote seu padrão de cálculo, o que elevaria a dívida projetada para o final de 2026 para cerca de 95% do PIB. No cenário internacional, o Brasil já exibe dívida próxima à dos países da Zona do Euro, superando a maioria das nações latino-americanas e emergentes, mas ainda abaixo dos níveis dos países desenvolvidos.
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Fatores que impulsionam a alta da dívida
Entre os fatores que contribuem para o aumento da dívida, destacam-se a ampliação dos gastos públicos, como a aprovação da PEC da Transição, que elevou o limite de despesas em cerca de R$ 170 bilhões anuais, e o reajuste real do salário mínimo, limitado a 2,5% acima da inflação. O governo também restabeleceu pisos vinculados à receita para saúde e educação e pagou precatórios atrasados, o que injetou R$ 92,3 bilhões na economia entre o fim de 2023 e o início de 2024.
Outros fatores incluem a retomada dos reajustes a servidores públicos, com negociações que envolvem cerca de cem categorias, e despesas com juros da dívida, que somaram R$ 985 bilhões em 12 meses até setembro, conforme o Banco Central. No relatório, o Tesouro Nacional avalia que a redução duradoura da relação dívida/PIB depende da continuidade de reformas estruturais, além de maior expansão do PIB, especialmente com medidas que promovam a consolidação fiscal e contenção de despesas obrigatórias permanentes.
Com o objetivo de conter o avanço da dívida, o governo implantou, em 2023, o chamado arcabouço fiscal, que limita o crescimento das despesas a 70% da elevação da arrecadação e fixa o teto de aumento real dos gastos em 2,5% ao ano. O mecanismo busca frear o endividamento futuro. Entretanto, sem cortes expressivos de despesas, a sustentabilidade dessas regras pode ser comprometida nos próximos anos.
Quantia extra costuma ser bastante aguardada por trabalhadores brasileiros no final do ano
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Com o fim do ano se aproximando, trabalhadores de todo o país já se preparam para receber o 13º salário, benefício garantido por lei e tradicionalmente pago em duas parcelas. Em 2025, o calendário traz uma leve antecipação: a primeira parcela deve ser depositada até sexta-feira, 28 de novembro, dois dias antes do prazo habitual, já que o dia 30 cai em um domingo.
A segunda parcela do benefício precisa ser paga até 20 de dezembro, conforme determina a legislação trabalhista. O Tribunal Superior do Trabalho (TST) reforça que, caso as datas coincidam com feriados ou fins de semana, o empregador é obrigado a antecipar o pagamento. O descumprimento do prazo pode gerar multas e sanções.
A primeira parcela pode ser paga a qualquer momento entre 1º de fevereiro e 30 de novembro, e muitas empresas optam por antecipar o depósito nas férias ou no mês de aniversário do funcionário. Por isso, é importante que os trabalhadores verifiquem se já receberam essa parte, para evitar confusões.
Têm direito ao 13º salário todos os empregados com carteira assinada que tenham trabalhado por pelo menos 15 dias no ano, além de aposentados e pensionistas da Previdência Social. O INSS, inclusive, costuma antecipar a bonificação, dividindo o pagamento em duas etapas, conforme o número final do benefício.
O valor do abono corresponde ao salário integral mensal para quem trabalhou durante todo o ano. Já quem ingressou depois tem direito a um valor proporcional ao número de meses em que esteve empregado.
Aprovado na Câmara dos Deputados, o projeto, do governo federal, compensa a perda de receita e institui um patamar mínimo de imposto a ser pago por aqueles que têm rendimento tributável acima de R$ 600 mil por ano.
No formato em que se encontra o projeto, está prevista uma alíquota de 10% do IR com potencial de atingir cerca de 141,4 mil contribuintes pessoas físicas de alta renda. Atualmente, esse grupo recolhe, em média, uma alíquota de 2,5% de IR sobre seus rendimentos totais.
O texto aplica ainda uma redução gradual para os rendimentos acima de R$ 5 mil mensais até o valor de R$ 7.350. Para aqueles que recebem acima de R$ 7.350 mensais, nada muda.
Justiça social
O comerciário Tiago Bitencourt Neves defendeu que a atualização da tabela de imposto de renda é uma questão de justiça social. Para ele, a progressividade tributária é mais do que uma proposta econômica, “é uma proposta de país”.
“O Brasil precisa de sistema que taxe o luxo, e não o arroz e o feijão. Que cobre de quem vive de especulação, como os bancos. Que taxe as bets, super-ricos e bilionários”, acrescentou.
Para Tiago Neves, o projeto é uma chance de corrigir uma desigualdade histórica no país.
“Não se trata de apenas uma discussão técnica, mas uma escolha política sobre quem paga a conta e sobre quem se beneficia do país que a gente constrói todos os dias, com nossa luta diária”, argumentou.
Correção histórica
O trabalhador do setor de serviços Jadiel de Araujo Santos ressaltou que os parlamentares têm a oportunidade de fazer uma “correção histórica de uma tabela que há anos está defasada, fazendo com que milhões de brasileiros, os que mais trabalham, paguem mais do que deveriam”.
“Isso devolverá dignidade e poder de compra às famílias, com um dinheiro que circulará na economia. Quem ganha até R$ 5 mil não é privilegiado, é quem faz o país ficar de pé. É reconhecer o esforço de quem move o país”, complementou.
Impactos
O trabalhador do setor financeiro Juliano Rodrigues Braga se apresentou como um dos quase 45 mil bancários que serão beneficiados com a isenção do IR.
“Talvez vocês não tenham noção, mas este valor tem impacto direto no meu bolso, de cerca de R$ 2,5 mil por ano”, disse.
“E talvez achem isso pouco, haja vista a enorme disparidade salarial de rendimento deste país. Mas não se enganem. Esse valor representa a quantia necessária para pagar várias despesas ordinárias, para que tenhamos sobrevivência digna neste país. E será um dinheiro devolvido ao mercado, aquecendo a economia”, argumentou.
Jadiel Santos vê, na proposta, uma possibilidade de justiça tributária, na qual todos possam contribuir para o financiamento de políticas públicas, na medida da capacidade contributiva de cada um.
“E capacidade contributiva, neste país, é dizer que quem ganha menos deve pagar menos; e quem ganha mais deve pagar mais. Vale uma observação. Quem ganha mais neste país, via de regra, são aquelas pessoas que, quase inequivocadamente, ganham por meio do suor e do sacrifício humano alheio, a exemplo dos bancos que adoecem seus trabalhadores com metas abusivas; das bets que retiram dinheiro do pai e da mãe de família; e dos investidores da Faria Lima”.
Poder de compra
A gerente de posto de combustíveis Silvia Letícia Alves Mattar que revelou receber, em média, salário de R$ 3,8 mil, disse que no seu caso a isenção trará o retorno de aproximadamente R$ 200 por mês.
“É praticamente um 14º salário no bolso. Essa medida vai aumentar o poder de compra de quem ganha menos e ajudar a movimentar o comércio”, disse.
Trabalhador do setor de alimentação, Zacarias Assunção disse ser “muito injusto quem ganha pouco pagar mais e quem ganha mais pagar menos”. Isso, segundo ele, “é uma luta injusta e desigual porque quem leva o Brasil nas costas acaba pagando mais impostos”.
Segundo o metalúrgico Claudionor Vieira do Nascimento, 68% dos trabalhadores de sua categoria na região do ABC deixarão de pagar ou terão o pagamento reduzido de IR.
Dirigindo-se aos parlamentares, o trabalhador disse ficar desapontado ao ver muitos que deveriam atuar em favor dos trabalhadores associarem esse projeto a aumento de impostos, por fazer uma justa compensação ao cobrar mais de quem ganha muito mais.
Ele citou, também como exemplo de descompromisso com a classe trabalhadora, a atuação de parlamentares para isentar grandes grupos econômicos.
“Por que os mais de R$ 800 bilhões em isenção para as empresas desse país não são comentados e não incomodam a maioria dos parlamentares brasileiros?”, questionou.
“A classe brasileira está de olho nessas votações, porque isso não é aumentar impostos. É fazer um pouco de justiça social e dar um pouco de dignidade para aqueles que constroem a riqueza de nosso país”, defendeu.
O frentista Willian Ferreira Da Silva foi além e defendeu, também como justiça social, a redução da jornada de trabalho, que atualmente é de 6 dias trabalhados por 1 de descanso.
“Isso também vai melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores que sustentam qualquer sistema. Até porque capital não gera renda por ele próprio. As empresas têm sempre, atrás dela, na ponta, o trabalhador”, disse.
“Trabalhadores nunca conquistaram direito sem lutar. Para nós, só a luta faz a lei”, acrescentou.
Trabalhador do setor químico, José Evandro Alves da Silva defendeu que a sociedade se mobilize novamente, como fez nas manifestações contra a anistia, para conseguir essas conquistas.
“Temos de ir novamente às ruas, como fizemos recentemente”, disse.
As vendas no comércio cresceram 0,2% na passagem de julho para agosto, interrompendo quatro meses seguidos de queda. Já em relação ao mesmo período do ano passado, houve alta de 0,4%.
Apesar de o desempenho do setor ter ficado no terreno positivo, o IBGE considera o movimento como estabilidade, por ser menor que 0,5%. De acordo com o gerente da pesquisa, Cristiano Santos, “a novidade é que parou de cair” e não representa uma “virada de chave” em relação aos quatro meses anteriores.
Com o resultado, o setor fica 0,7% abaixo do ponto mais alto já registrado (março de 2025) e 9,4% acima do patamar pré-pandemia de covid-19 (fevereiro de 2020).
Em 12 meses, o comércio varejista soma crescimento de 2,2%. Apesar de positivo, o dado acumulado mostra tendência de desaceleração desde dezembro de 2024, quando chegou a marcar 4,1%.
Setores
O IBGE mostra que cinco dos oito segmentos pesquisados apresentaram alta na passagem de julho para agosto:
– Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação: 4,9%
– Tecidos, vestuário e calçados: 1%
– Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria: 0,7%
– Móveis e eletrodomésticos: 0,4%
– Hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo: 0,4%
– Livros, jornais, revistas e papelaria: -2,1%
– Combustíveis e lubrificantes: -0,6%
– Outros artigos de uso pessoal e doméstico: -0,5%
Cristiano Santos explica que o desempenho do setor de equipamentos e material para escritório, informática e comunicação foi influenciado positivamente pela desvalorização do dólar ante o real, que deixa produtos com componentes importados mais baratos no Brasil.
No segmento de calçados, as vendas receberam efeitos positivos do Dia dos Pais.
Santos destaca ainda que, apesar dos juros altos, que encarecem o crédito, houve aumento no volume de empréstimos para pessoas físicas (+1,5% ante julho), o que favorece o consumo.
Atacado
No comércio varejista ampliado, que inclui atividades de atacado ─ veículos, motos, partes e peças; material de construção; e produtos alimentícios, bebidas e fumo ─ as vendas cresceram 0,9% de julho para agosto e sobem 0,7% no acumulado de 12 meses.
Pela 16ª semana seguida, o relatório Focus manteve a previsão da taxa Selic em 15% ao fim de 2025. O Copom reforçou a necessidade de cautela diante da incerteza econômica e avaliou que a manutenção prolongada dos juros pode garantir a convergência da inflação à meta
mediana do relatório Focus para a Selic no fim de 2025 permaneceu em 15,00% pela 16ª semana consecutiva, após o Comitê de Política Monetária (Copom) ter mantido os juros neste nível na mais recente decisão, no dia 17 de setembro.
Na ata, o Copom reafirmou que o cenário é marcado por elevada incerteza, o que exige cautela na condução da política monetária. Repetiu também que seguirá vigilante, avaliando se a manutenção do nível corrente da taxa de juros por período bastante prolongado é suficiente para assegurar a convergência da inflação à meta.
O colegiado detalhou que, “na medida em o cenário tem se delineado conforme esperado, o Comitê inicia um novo estágio em que opta por manter a taxa inalterada e seguir avaliando se, mantido o nível corrente por período bastante prolongado, tal estratégia será suficiente para a convergência da inflação à meta”.
Considerando apenas as 49 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, a mediana para a Selic no fim deste ano também seguiu em 15,00%.
A mediana para a Selic no fim de 2026 permaneceu em 12,25%. Há quatro semanas estava em 12,38%. Considerando só as 49 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a mediana subiu de 12,0% para 12,50%.
A projeção para o fim de 2027 continuou em 10,50% pela 35ª semana seguida. A mediana para a Selic no fim de 2028 se manteve em 10,0% pela 42ª semana consecutiva.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou, nesta sexta-feira (10), o novo modelo de crédito imobiliário do país, que reestrutura o uso da poupança para ampliar a oferta de crédito, especialmente para a classe média. Lula participou do evento Incorpora 2025, em São Paulo (SP), um dos maiores do setor.
Após um período de transição, o total dos recursos depositados na caderneta de poupança será referência para uso no setor habitacional, com o fim dos depósitos compulsórios no Banco Central (BC).
Além disso, o valor máximo do imóvel financiado no Sistema Financeiro da Habitação (SFH) passará de R$ 1,5 milhão para R$ 2,25 milhões.
Hoje, famílias com renda até R$ 12 mil são atendidas pelo Minha Casa, Minha Vida, com juros menores, e, desde o início do seu terceiro mandato, Lula defende alternativa de financiamento para a classe média.
A previsão é que, com essa mudança, a Caixa Econômica Federal financie mais 80 mil novas moradias até 2026.
Atualmente, 65% dos recursos da poupança captados pelos bancos precisam ser direcionados ao crédito imobiliário; 15% estão livres para operações mais rentáveis e 20% ficam com o Banco Central na forma de depósito compulsório.
Os financiamentos via SFH vinham perdendo espaço no mercado em meio a saques da caderneta de poupança, principal fonte de recursos para crédito habitacional no país
Em 2023 e 2024, as retiradas líquidas da poupança foram R$ 87,8 bilhões e R$ 15,5 bilhões, respectivamente. Em 2025, caderneta já tem resgate líquido de R$ 78,5 bilhões.
Entre as razões para os saques está a manutenção da Selic – a taxa básica de juros – em alta, o que estimula a aplicação em investimentos com melhor desempenho.
Entenda as mudanças
A reforma anunciada hoje “moderniza as regras” de direcionamento do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), com o objetivo de maximizar a poupança como fonte de financiamento.
“Na medida em que mais valores são depositados em poupança, mais crédito será disponibilizado para financiamento imobiliário, o que tende a ampliar a oferta de crédito, considerando ainda as captações de mercado, por exemplo, via LCIs (Letras de crédito imobiliário) e CRIs (Certificados de recebíveis imobiliários)”, explicou o governo, em comunicado.
Após um período de transição, o direcionamento obrigatório de 65% dos depósitos da poupança acabará e os depósitos compulsórios no Banco Central referentes a esse tipo de aplicação também.
O total dos recursos depositados na caderneta de poupança passará a ser referência para o volume de dinheiro que os bancos devem destinar ao crédito habitacional, incluindo as modalidades do SFH e do Sistema de Financiamento Imobiliário (SFI).
Quando estiver plenamente implementado o novo modelo, se uma instituição captar no mercado, por exemplo, R$ 1 milhão e direcionar integralmente esse montante para financiamento imobiliário, ela poderá usar a mesma quantia captada na poupança, que tem custo mais baixo, para aplicações livres por um período predeterminado.
Para isso, 80% dos financiamentos habitacionais deverão ser feitos pelas regras do SFH, que têm juros limitados a 12% ao ano.
“O novo modelo aumenta a competição, pois incorpora os depósitos interfinanceiros imobiliários ao direcionamento, o que permite que instituições que não captam poupança também concedam crédito habitacional em condições equivalentes às demais”, argumenta o governo.
A transição será gradual, iniciando ainda este ano. O novo modelo deverá ter plena vigência a partir de janeiro de 2027.
Até lá, fica valendo o direcionamento obrigatório de 65% dos recursos captados na poupança para operações de crédito habitacional.
Dos 35% restantes, pelas regras atuais, 20% são recolhidos ao Banco Central a título de depósito compulsório e 15% vão para operações livres.
Durante a transição, o volume dos compulsórios será reduzido para 15% e os 5% serão aplicados no novo regime.
Em meio ao maior apetite por moedas de países emergentes, o dólar encerrou em queda após a chamada telefônica entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump.
A bolsa de valores caiu em dia de realização de lucros, com investidores vendendo papéis para embolsarem ganhos recentes.
O dólar comercial encerrou esta segunda-feira (6) vendido a R$ 5,311, com recuo de R$ 0,025 (-0,47%). A cotação iniciou o dia em R$ 5,35, mas recuou ainda na primeira hora de negociações. Na mínima do dia, por volta das 16h20, chegou a R$ 5,30.
Com o resultado desta segunda, a moeda estadunidense acumula queda de 14,08% em 2025. O euro comercial fechou o dia vendido a R$ 6,21, com queda de 0,75%, no menor valor desde 3 de abril, dia em que Trump começou a anunciar as retaliações comerciais contra países com superávit comercial dos Estados Unidos.
Bolsa
A euforia no câmbio não se repetiu no mercado de ações. O índice Ibovespa, da B3, fechou aos 143.608 pontos, com recuo de 0,41%.
Ainda em um movimento de realização de lucros, os investidores estão vendendo ações, após o indicador ter superado os 146 mil pontos na última semana de setembro.
Além da conversa entre Lula e Trump, o dólar caiu em um contexto favorável para as economias em desenvolvimento. A desvalorização do iene, moeda japonesa, beneficiou as divisas de países emergentes.
Além disso, a alta do preço do petróleo no mercado global favoreceu países exportadores de commodities (bens primários com cotação internacional), como o Brasil.
Multinacionais são o principal alvo do adicional da CSLL
Isenção de Imposto para uns, mais impostos para outros | Foto: Antonio Cruz/ Agência Brasil
O governo federal prevê arrecadar mais de R$ 3 bilhões em 2026 com um novo imposto voltado para grandes grupos multinacionais. A cobrança será feita por meio de um adicional da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), estabelecido pela Lei 15.079/2024. A norma teve origem na Medida Provisória 1.262, publicada em outubro de 2024, que instituiu no Brasil a tributação mínima corporativa alinhada à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). As informações são do portal Poder360.
Segundo o Ministério da Fazenda, a nova regra determina que multinacionais com receita global acima de € 750 milhões por ano passem a pagar pelo menos 15% de imposto sobre seus lucros no Brasil. Caso a soma de Imposto de Rende de Pessoa Jurídica e CSLL fique abaixo desse porcentual, a diferença será cobrada como adicional da CSLL. A medida deve atingir quase 300 grupos, dos quais cerca de 20 são brasileiros.
O imposto decorre do acordo global de tributação firmado em 2021 no âmbito da OCDE, do qual o Brasil participou mesmo não sendo membro da organização. O objetivo é reduzir a chamada erosão de base tributária, prática em que empresas transferem lucros para países com baixa carga fiscal.
Entretanto, em janeiro deste ano, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou um decreto que retirava formalmente o país da implantação do projeto e ameaçava punir nações que tributassem empresas norte-americanas de forma considerada discriminatória. Apesar disso, o Ministério da Fazenda afirmou em nota que “os Estados Unidos não se retiraram formalmente do acordo da OCDE, visto que não existe um instrumento que oficialize tal retirada”.
O impacto do novo imposto
O impacto estimado com o novo imposto é de quase R$ 3,5 bilhões em 2026 e de mais de R$ 7 bilhões em 2027. O cálculo foi incluído em documentos oficiais, como a Mensagem Presidencial enviada ao Congresso em agosto de 2025 junto ao Projeto de Lei Orçamentária Anual de 2026.
O adicional da CSLL integra um conjunto mais amplo de medidas para elevar a arrecadação federal. Entre elas está a Medida Provisória 1.303, de junho deste ano, que alterou a tributação de aplicações financeiras, ativos virtuais e títulos de crédito como LCI e LCA.
Lula, durante assinatura de projeto do novo Imposto de Renda — Brasília (DF), 18/3/025 | Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Na avaliação do governo, a cobrança garante que multinacionais não paguem menos do que a alíquota mínima globalmente pactuada. “Caso o Brasil não cobre esse adicional em relação às empresas aqui localizadas, outros países em que esse grupo multinacional atue irão cobrá-lo”, destacou o Ministério da Fazenda à época da edição da Medida Provisórias.
De acordo com estimativas da Receita Federal, a aplicação do adicional da CSLL deve resultar em uma arrecadação de quase R$ 20 bilhões no período de 2026 a 2028. O governo considera esse montante essencial para o equilíbrio do marco fiscal e para garantir recursos adicionais ao Tesouro Nacional.
Gasolina, diesel e botijão de gás sofrerão reajuste a partir de janeiro, segundo decisão do Confaz; aumento considera preços médios divulgados pela ANP.
As tarifas do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre gasolina, diesel e gás de cozinha terão aumento a partir de janeiro de 2026. A medida foi publicada nesta segunda-feira (8) no Diário Oficial da União (DOU), após decisão do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz).
O Confaz reúne representantes do governo federal e dos estados, responsáveis pela arrecadação do imposto. Este será o segundo ano consecutivo de reajuste do ICMS sobre combustíveis.
Para 2026, o aumento será de R$ 0,10 por litro na gasolina, que passará a custar R$ 1,57 por litro; R$ 0,05 por litro no diesel, que subirá para R$ 1,17; e R$ 1,05 por botijão no gás de cozinha.
De acordo com o Comitê Nacional de Secretários de Fazenda, Finanças, Receita ou Tributação dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz), o reajuste considera os preços médios mensais dos combustíveis divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) no período de fevereiro a agosto de 2025, comparados ao mesmo período de 2024.
Mercado americano fecha nesta segunda (1º), por conta de um feriado nacional
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
O dólar à vista opera com leve alta ante o real nas primeiras negociações desta segunda-feira (1º), enquanto investidores se preparam para uma semana marcada pela divulgação de dados referentes ao Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil e ao mercado de trabalho dos Estados Unidos. O mercado país americano, inclusive, está fechado no dia por conta de um feriado. As informações são dos portais InfoMoney e g1.
No Brasil, as projeções do mercado para a inflação em 2025 apresentaram recuo pela 14ª semana seguida, de acordo com dados do Relatório Focus divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (1º). A estimativa para o IPCA no ano, por sua vez, passou de 4,86% para 4,85%. A mediana para o câmbio em 2025 também recuou de R$ 5,59 para R$ 5,56.
Já nos Estados Unidos, o feriado do Dia do Trabalho fechou as bolsas americanas, o que reduz o número de investidores ativos no mercado. Com isso, o volume de negociações no Brasil também deve diminuir, já que os mercados são conectados, o que pode deixar o dia mais parado, com menos movimentações na Bolsa brasileira.
Na cena internacional, analistas ainda reagem à declaração do primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, e do presidente chinês, Xi Jinping, que indicaram uma aliança ao afirmar que seus países “são parceiros de desenvolvimento, não rivais”. Ambos integram o bloco comercial Brics, ao lado de países como Brasil, Rússia e África do Sul.
Qual a cotação do dólar hoje?
Às 9h10, o dólar comercial subia 0,10%, a R$ 5,428 na venda. Na B3, o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento subia 0,02%, a R$ 5,467. Na sexta-feira (29), o dólar à vista fechou em alta de 0,30%, a R$5,4223.