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Decisão do STF sobre emendas parlamentares bloqueou discussão

Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, reúne-se na noite desta segunda-feira (9) com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), para discutir o impasse na liberação de emendas parlamentares que pode atrasar a votação do pacote de corte de gastos. O encontro ocorre após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino negar recurso da Advocacia-Geral da União para revisar as regras definidas pela Corte para o repasse de emendas.

“O presidente Lula já se reuniu com os presidentes das Casas, pactuou um encaminhamento que, do meu ponto de vista, atende os anseios dos parlamentares”, disse o ministro na portaria do Ministério da Fazenda ao sair para o encontro com Pacheco.

Nesta tarde, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu-se com Pacheco e o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), para discutir uma saída que permita a votação do pacote fiscal antes do recesso parlamentar.

No fim da tarde desta segunda, o secretário-executivo da Fazenda, Dario Durigan, reuniu-se com a bancada do PT na Câmara e afirmou acreditar ser possível a aprovação das propostas ainda esta semana. No entanto, não descartou a possibilidade da edição de uma medida provisória das partes do pacote que podem ser resolvidas em projeto de lei, caso o pacote não seja aprovado antes do recesso.

Críticas do PT
Haddad também comentou as críticas que o PT fez, no último fim de semana, à proposta de restringir o acesso ao Benefício de Prestação Continuada (BPC), um dos pontos do pacote de corte de gastos. O partido aprovou uma nota com elogios à taxação de super-ricos, mas criticou as propostas de mudança no benefício social, dizendo ser necessário um debate com o governo para reduzir as resistências ao tema.

Para o ministro, eventuais contestações à mudança no BPC estão sendo resolvidas, à medida que o governo esclarece que não pretende cortar direitos, mas intensificar a revisão de cadastros e apertar os critérios de enquadramento no benefício (como contagem da renda familiar per capita) para evitar fraudes e economizar. Haddad disse que continua contando com o apoio do PT para a aprovação do pacote.

Estimativas
O ministro também disse que o pacote é necessário para “deixar para trás” o clima de desconfiança que se elevou nos últimos meses. Segundo Haddad, alguns bancos revisaram as estimativas de economia, e os cálculos estão se aproximando das projeções da Fazenda, que prevê economia de R$ 71,9 bilhões em 2025 e 2026 e de R$ 327 bilhões até 2030.

“Quem está fazendo contas sabe que as medidas vão na direção correta e não há um impacto pequeno, é um impacto importante que pode, sim, ajudar a ancorar as expectativas”, declarou o ministro. Mais uma vez, Haddad ressaltou que o pacote poupará um nível considerável de recursos para ajustar as estimativas de gastos.

Informações Bahia.ba


Dados da inflação, Copom, divulgação de dados do consumo nos Estados Unidos e tensões geopolíticas no mundo impulsionam a moeda

Imagem colorida de notas de dólar e de real - Metrópoles

dólar encerrou esta segunda-feira (9/12) em alta de 0,18%, cotado a R$ 6,08, renovando o recorde histórico da moeda americana. Nesta semana, os investidores estão de olho nas decisões sobre as taxas de juros no Brasil e nos Estados Unidos. Ambas serão definidas na quarta-feira (11/12), em reuniões dos integrantes dos bancos centrais dos dois países.

Por aqui, o mercado também está de olho no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que deve ser divulgado na terça (10/12). Segundo o Boletim Focus, as estimativas para a inflação de 2024 subiram para 4,84%. Com isso, a projeção segue acima do teto da meta para este ano, que é de 4,50%.

Lá fora, investidores acompanham a divulgação de dados do consumo nos Estados Unidos, as tensões geopolíticas na Síria e a nova decisão de política monetária do Banco Central Europeu (BCE), prevista para esta semana.

Por volta das 17h, o Ibovespa avançava 1,04%, aos 127.250,46 pontos. Esse movimento ao longo do dia vem sendo impulsionado pela alta das ações da Vale, que avançam mais de 3%. Nesta segunda, a China sinalizou estímulos mais fortes em 2025 e implantação de uma política fiscal mais proativa, para aumentar a demanda interna e estabilizar o mercado imobiliário.

Os papéis da Petrobras estão sendo beneficiados com o avanço nos preços do petróleo diante de incertezas no Oriente Médio após a queda do presidente sírio Bashar al-Assad. Por volta das 16h, as ações PN subiam 2,56%, a R$ 40,03, e as ON tinham alta de 2,61% a R$ 43,21.

Impactos na alta do dólar

Um levantamento recente, conduzido por especialistas em economia e finanças do Centro de Estudos em Finanças da Fundação Getulio Vargas (FGV), revelou que os brasileiros, de todas as rendas, estão expostos aos impactos das variações cambiais no seu padrão de consumo, o que torna essencial a diversificação internacional de investimentos para preservar o poder de compra.

Segundo a pesquisa Impacto Cambial no Consumo dos Brasileiros e a Necessidade de Diversificação Internacional, o efeito do câmbio sobre a cesta de consumo dos brasileiros varia de 16% a 18% conforme a faixa de renda. Entre as razões está o fato de que as importações brasileiras representam 10% do PIB do país, e esse percentual depende integralmente do câmbio.

O estudo revela ainda as consequências no IPCA, que variam entre 11% para a faixa de renda mais elevada e a 14% para a mais baixa. Há também gastos no exterior que afetam as rendas mais altas, com impacto estimado em 2,65% do seu consumo. Por fim, temos a volatilidade do câmbio, que tem de ser neutralizada, o que influencia todas as faixas de renda em valor próximo de 3%.

De acordo com o levantamento, as taxas de inflação repercutem no consumo, em diferentes segmentos. No setor de alimentos e bebidas, por exemplo, as famílias de baixa renda são afetadas em 37%, enquanto as de média e alta renda sofrem com índices de 20,9% e 13,1%, respectivamente. Já no ramo da habitação, o impacto é de 21,9% para baixa renda, 16,2% para média e 9% para alta. Os dados contrariam a perspectiva de que apenas indivíduos ricos ficam expostos à variação cambial e evidenciam que, inclusive, muitas vezes são as classes D e E que sofrem mais com essa instabilidade.

Claudia Emiko Yoshinaga, Francisco Henrique Figueiredo, Ricardo Ratner Rochman e William Eid Junior, autores do estudo, defendem que uma diversificação internacional adequada é crucial para mitigar esses riscos e proteger o poder de compra dos brasileiros. Eles recomendam que, para neutralizar os efeitos das variações cambiais, os brasileiros devem ter, no mínimo, 16% de seus portfólios aplicados em ativos no exterior. Para famílias de maior renda, o percentual sugerido é de 18%. Isso apenas para proteger o consumo.

“A volatilidade cambial tem efeito direto sobre o preço de muitos bens de consumo essenciais no Brasil. Quando o real se desvaloriza, o custo desses produtos, que muitas vezes são importados ou contêm componentes importados, aumenta significativamente”, explicam os autores da pesquisa. “Isso reflete em uma inflação elevada para o consumidor, principalmente para as famílias de baixa e média renda, que são as mais impactadas pela alta nos preços de bens básicos”, comenta o professor William Eid Junior da FGV.

Além disso, o levantamento garante que a diversificação internacional não apenas protege contra a volatilidade cambial, mas oferece aos investidores brasileiros a oportunidade de acessar mercados e setores não disponíveis na bolsa de valores local. Por exemplo, tecnologia e biotecnologia, que têm apresentado crescimento significativo em bolsas internacionais, não têm boas representações no Brasil, o que limita as opções de ativos de alto retorno disponíveis aos investidores locais.

“Investir no exterior permite que o investidor brasileiro tenha acesso a novas oportunidades e setores em crescimento, além de proteger seu portfólio das oscilações da moeda local”, afirmam os autores. “Essa é uma estratégia fundamental para manter o poder de compra e garantir a estabilidade do portfólio em tempos de incerteza econômica.”

Informações Metrópoles


A medida permitirá que consumidores dividam em parcelas suas dívidas atuais e futuras do cartão de crédito

O setor de meios de pagamentos no Brasil agora oferecerá aos clientes a opção de parcelar o saldo total do cartão de crédito. A medida permitirá que consumidores dividam em parcelas suas dívidas atuais e futuras do cartão de crédito.

A novidade foi anunciada nesta segunda-feira (9) pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban). A partir de agora, será possível refinanciar o saldo total da dívida do cartão, abrangendo valores em aberto, a vencer ou vencidos, financiamentos de operações de crédito e compras parceladas (com ou sem juros), em prestações iguais e fixas.

Segundo a Febraban, essa modalidade permitirá maior previsibilidade nos pagamentos futuros, auxiliando o consumidor a evitar novos atrasos por meio do refinanciamento do saldo total.

Como funciona: O cliente solicita o parcelamento do saldo total ao emissor do cartão; o emissor estabelece as condições, como taxa de juros e prazos; o cliente aceita e autoriza o parcelamento, a dívida é consolidada em parcelas mensais fixas; o cliente realiza os pagamentos conforme o prazo acordado.

De acordo com a Febraban, a iniciativa busca atender consumidores que enfrentam dificuldades para pagar integralmente suas faturas no vencimento. Muitos desses clientes recorrem ao crédito rotativo (limitado a 30 dias) ou ao parcelamento do saldo restante, o que pode resultar no acúmulo de dívidas. A nova opção permitirá unificar todo o saldo do cartão em parcelas fixas, reduzindo a necessidade de novos parcelamentos.

A renegociação do saldo total será realizada diretamente com os emissores do cartão, sendo uma escolha totalmente opcional para o cliente. Caso o consumidor opte por não aderir ao novo produto, as modalidades atuais de parcelamento e crédito rotativo permanecerão disponíveis.

Informações Bahia.ba


A alta desta sexta é fruto da combinação dos dados do mercado de trabalho nos Estados Unidos e do acordo entre Mercosul e União Europeia

Imagem de várias cédulas de dólar e real - Metrópoles

dólar fechou em alta de 1%, a R$ 6,07 nesta sexta-feira (6/12). Por volta das 14h40, a moeda americana à vista avançava 1,18% cotado a R$ 6,08, depois de ter encostado na máxima de R$ 6,09. Na semana, o dólar acumula alta de 1,18% e um ganho de 25,12% no ano.

A alta desta sexta é fruto da combinação dos dados do mercado de trabalho nos Estados Unidos e do acordo entre Mercosul e União Europeia, anunciado durante a Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul, que acontece em Montevidéu, Uruguai.

Pela manhã, o mercado repercutiu os dados do trabalho nos Estados Unidos, o “payroll”. De acordo com o Departamento do Trabalho americano, foram criadas 227 mil vagas de emprego em novembro no país. O mercado esperava algo em torno de 200 mil. Agora, a perspectiva dos investidores é que a Federal Reserve (Fed) continue cortando as taxas em dezembro.

No Uruguai, o anúncio do novo Acordo de Associação Mercosul-União Europeia coloca fim a mais de 20 anos de negociações. A expectativa é que o acordo fortaleça a relação entre os países dos dois blocos. A assinatura do acordo, no entanto, só vai acontecer quando os textos passarem por uma revisão jurídica e por uma tradução.

“Este acordo inclui salvaguardas robustas para proteger os seus meios de subsistência. O acordo UE-Mercosul é o maior de todos os tempos no que diz respeito à proteção dos produtos alimentares e bebidas da UE”, disse Von der Leyen, presidente da Comissão Europeia.

Por aqui, a tramitação do pacote fiscal do governo no Congresso permanece no radar dos investidores, mas sem grandes novidades.

Ibovespa recua mais de 1% nos negócios de hoje, diante da desvalorização das commodities no exterior. A queda das ações da Vale e da Petrobras pressiona o índice, enquanto os papéis domésticos lideram as perdas na sessão. Por volta das 17h, o Ibovespa caía 1,37%, aos 126.104 pontos. O volume financeiro projetado para o índice no dia é de R$ 16,4 bilhões.

Informações Metrópoles


Texto que firma a parceria ainda precisa ser traduzido para os idiomas oficiais dos países para ser assinado; no Brasil, só entra em vigor depois de aprovação no Congresso

presidentes dos países do mercosul
Os chefes de Estado dos países integrantes do Mercosul e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen | Foto: Ricardo Stuckert/PR

Depois de 25 anos, os líderes do Mercosul e da União Europeia (UE) concluíram as negociações do acordo de livre-comércio entre os países integrantes dos blocos. O anúncio ocorreu nesta sexta-feira, 6, em Montevidéu, no Uruguai. 

Apesar da finalização das negociações, o acordo ainda não entra em vigor. Como os blocos econômicos negociaram os textos da parceria em inglês, os documentos precisam passar por uma revisão jurídica para serem traduzidos para os idiomas oficiais dos países do Mercosul e da União Europeia.

Não há prazo para a assinatura do documento que estabelece a parceria econômica — que depende da revisão jurídica e da tradução do inglês para 23 línguas oficiais da UE e duas línguas oficiais do Mercosul.

Com a assinatura dos países integrantes dos blocos econômicos, o acordo deve passar por aprovação interna. No Brasil, o texto precisa ser aprovado no Congresso Nacional.

A partir da aprovação interna dos países do Mercosul e UE, o acordo pode ser ratificado e entra em vigor no primeiro dia do mês seguinte à conclusão dos trâmites internos. 

Acordo entre Mercosul e UE ainda enfrenta resistência da França

O acordo entre Mercosul e União Europeia ainda deve enfrentar a resistência da França para assinar a parceria. Na quinta-feira 5, o presidente francês Emmanuel Macron declarou que a proposta é “inaceitável do jeito que está”.

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, deve tentar mediar o diálogo com Macron e encontrar pontos que possam ser negociados para garantir a adesão da França.

O protecionismo francês de Macron cria mais um mal-estar depois das declarações do CEO do Carrefour, Alexandre Bompard, que criticou a produção de carne da América do Sul.

Bompard chegou a anunciar, em 20 de novembro, que a rede ia suspender a compra de carne de países do Mercosul. A declaração pesou, e o Carrefour sofreu um boicote por parte de frigoríficos, hotéis, bares e restaurantes brasileiros.

A rede voltou atrás e emitiu uma nota na qual afirmou que continuaria comprando a carne brasileira como faz “há 50 anos”, e que a fala de Bompard não mudaria “as regras de um mercado francês já muito estruturado nas suas cadeias de abastecimento locais”.

“Nossa declaração de apoio à comunidade agrícola francesa, formulada na quarta-feira passada, sobre o acordo de livre-comércio com o Mercosul, causou desentendimentos com o Brasil e é nossa responsabilidade resolver”, disse o texto.

Lula manda recado para França

Durante seu discurso na Cúpula do Mercosul, nesta sexta-feira, 6, o presidente Lula mandou um recado para a França. Ao falar sobre o acordo, o petista destacou a produção agropecuária.

“Nossa pujança agrícola e pecuária nos torna garantes da segurança alimentar de vários países do mundo, atendendo a rigorosos padrões sanitários e ambientais”, disse. “Não aceitaremos que tentem difamar a reconhecida qualidade e segurança dos nossos produtos.”

Informações Revista Oeste


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O Comitê Nacional de Secretários da Fazenda (Comsefaz) decidiu, nesta quinta-feira (5), que os estados deverão aumentar o imposto sobre remessas postais e expressas importadas de 17% para 20% a partir de 1º de abril de 2025.

Nos 16 estados onde o ICMS é inferior a 20%, será necessário que o aumento seja aprovado nas respectivas Assembleias Legislativas estaduais. Isso inclui os estados das regiões Sul, Sudeste, Norte e Centro-Oeste, exceto Rio de Janeiro, Distrito Federal, Roraima, Amazonas e Tocantins, que já aplicam 20% ou mais. Em São Paulo e Minas Gerais, por exemplo, o ICMS é de 18%. No Nordeste, apenas Rio Grande do Norte, Alagoas e Sergipe têm alíquotas abaixo de 20%.

Em junho do ano passado, os estados decidiram unificar o ICMS nas compras de sites internacionais para 17%, alinhando com a menor alíquota em vigor entre as unidades federativas, em um momento em que o Congresso analisava a possibilidade de acabar com a isenção para compras internacionais de até US$ 50.

A regra aprovada estabeleceu a aplicação de imposto de importação de 20% para compras até US$ 50. Para produtos acima desse valor e até US$ 3.000, o tributo federal é de 60%, com uma redução de US$ 20 no imposto a ser pago. O ICMS estadual incide sobre o valor da importação, além do imposto de importação.

Em nota, o Comsefaz destaca que a alteração da alíquota visa alinhar o tratamento tributário das importações com o aplicado aos bens comercializados no mercado interno, criando condições mais equilibradas para a produção e o comércio local.

“O objetivo é garantir a competitividade entre produtos importados e nacionais, incentivando o consumo de bens produzidos no Brasil. Dessa forma, os estados pretendem fortalecer o setor produtivo interno e aumentar a geração de empregos, em um cenário de crescente concorrência com plataformas de comércio eletrônico internacional”, afirma o Comsefaz.

Informações Bahia.ba


Segundo ele, apesar de buscar a redução de gastos e o aumento das receitas, a forma como a cartilha foi apresentada não se mostrou adequada

Pacote fiscal governo Lula Haddad gastos públicos
Um dos fatores que influenciam a alta do dólar é a fuga de investidores | Foto: Reprodução/Unplash

O pacote de ajuste fiscal anunciado pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), na última quarta-feira, 27, ainda tem causado repercussões no mercado. O dólar prossegue em tendência de alta, ainda fechando acima de R$ 6 na quarta-feira 4.

O índice Ibovespa terminou o dia estável, mas com uma leve queda de 0,04%. Para o economista Leonardo Piovesan, pós-graduado em mercado financeiro, o governo teve falhas na maneira com que planejou e divulgou os cortes orçamentários.

“O pacote fiscal é bom do ponto de vista de segurança fiscal, pretende aumentar o ajuste e reduzir gastos principalmente via corte e aumento das receitas”, afirma a Oeste o economista, que atua em uma financeira da rede do Banco Santander.

“O problema é que a forma com que o governo está realizando isso não é a mais adequada. Mais do que o fator econômico, a forma é mais importante, como o governo vai juntar tudo isso. Sendo bem direto, a cartilha se mostrou mais uma politicagem do que um programa econômico de fato a ser aplicado.”

As medidas, segundo o governo, devem economizar cerca de R$ 70 bilhões nos próximos dois anos. Foi anunciada também a reforma no Imposto de Renda para viabilizar o aumento da faixa de isenção, a partir de 2026, para quem ganha até R$ 5 mil. De todas as medidas apresentadas, três já estão em análise na Câmara dos Deputados.

A primeira prevê a limitação do ganho real do salário mínimo aos limites do arcabouço fiscal (PL 4.614/24). Isso levaria o salário mínimo a um esperado ganho real entre 0,6% e 2,5%, com base na inflação mais a variação do PIB.

“O pacote também precisa passar pelo Congresso e vai ser mais um tempo de desgaste político para passar da maneira que o governo quer e precisa”, afirmou Piovesan, que espera um período ainda turbulento no mercado.

Ele espera que, nesse cenário, o Banco Central (BC) ainda mantenha uma taxa de juros elevada, nas próximas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom). Para o especialista, a taxa atual é mantida em patamares elevados para combater efeitos externos à economia brasileira.

“Fenômenos globais externos estão influenciando, por isso dizemos que a inflação é mais de custo do que de demanda”, ressalta ele.

Falta de confiança interna

No entanto, fatores internos também influenciam. Um deles é a liquidez da economia, um fator positivo que, no entanto, pode se tornar um agente inflacionário caso a produção não acompanhe a demanda. Isso, de certa maneira, está ocorrendo neste momento.

“A liquidez ajuda a dar um aperto na demanda dos produtos e causa um impacto na inflação, a economia está com números bons, mas a taxa de inflação está sendo pressionada”, afirma Piovesan.

Um dos pontos que têm afetado é a fuga, neste momento, de investidores dos países em desenvolvimento, em função de uma tendência de alta de juros nos países desenvolvidos. Com juros mais altos, ativos desses países se tornam mais interessantes.

“Esse pacote fiscal ajuda, mas não é suficiente, principalmente em relação às diretrizes do BC. Precisamos da melhora de fatores externos para influenciar os números positivamente, e o governo precisa fazer um trabalho melhor de confiança interna, tanto dos agentes econômicos quanto financeiros.”

Informações Revista Oeste


Moeda norte-americana se valoriza diante do real em meio ao anúncio do pacote de gastos anunciado pelo governo federal

Notas dólar
Dólar começa a semana como encerrou na semana passada: em alta | Foto: Jannoon028/Freepik 

O dólar subiu de novo. Nesta segunda-feira, 2, a moeda norte-americana bateu recorde pela quarta vez consecutiva e encerrou o dia cotado a R$ 6,06.

A moeda começou a se valorizar frente ao real diante do pacote de cortes de gastos do governo federal.

Na quarta-feira 27, o mercado aguardava de forma apreensiva o pacote a ser anunciado naquela noite pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Assim, fechou a data com cotação de R$ 5,93 — crescimento de 2,21% em relação aos R$ 5,80 do dia anterior.

Para o mercado, o temor da véspera fez sentido. O anúncio feito por Haddad decepcionou. Sem dar detalhes, em vez de enfatizar cortes de gastos por parte do Estado, ele prometeu ampliar a faixa de isenção do Imposto de Renda, além de levar adiante a ideia de taxar os chamados “super-ricos”.

Assim, o dólar emendou o segundo recorde seguido frente ao real. Na quinta-feira 28, encerrou o dia sendo comercializado a R$ 5,98.

A semana chegou ao fim com nova alta da moeda norte-americana. A saber, a cotação na sexta-feira 29 ficou em R$ 6,02. Com o dólar acima dos R$ 6 pela primeira vez na história, opositores criticaram a política econômica do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Além disso, internautas aproveitaram o momento para inundar as redes sociais de memes.

Durante o governo Bolsonaro, o PT de Lula criticou a alta do dólar | Foto: Reprodução/Redes sociais
Nota de uma fictícia cédula de R$ 6, com o rosto do presidente Lula. Alta do dólar virou piada nas redes | Foto: Reprodução/Redes sociais

Dólar em alta. Ibovespa em baixa

O mercado de ações também tem recepcionado de forma negativa o pacote de cortes de gastos anunciado por Haddad. Nesta segunda-feira, por exemplo, o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, ficou em baixa. Fechou o dia com 125.235,54 pontos — recuo de 0,34% na comparação com o fechamento da última sexta-feira.

Informações Revista Oeste


Dólar
Dólar Imagem: ALOISIO MAURICIO/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO

Pela primeira vez na história, o dólar comercialfechou a R$ 6,001, uma alta de 0,19% na semana passada, após ter chegado ao pico de R$ 6,11. O turismo teve valorização de 0,31%, para R$ 6,242. A alta foi resposta ao anúncio das mudanças na isenção do Imposto de Renda e o pacote de ajuste fiscal, que não agradaram o mercado.

Para especialistas ouvidos pelo UOL, dezembro promete ser um mês marcado por incertezas, com inflação e juros altos. No entanto, ainda é muito difícil prever os rumos do dólar a partir de agora.

A decepção com as medidas do Executivo transferiram boa parte do calor para o Congresso e para o Banco Central. Mas para entender a trajetória do dólar neste final de ano, as atenções estão voltadas para a próxima reunião do Copom. O mercado vai cobrar não apenas um aumento de no mínimo 0,75 ponto percentual na Selic, mas também um comunicado que renove de forma incisiva o compromisso de trazer a inflação para a meta, além da decisão unânime [entre os diretores do BC]. Voltar para R$ 5,50 já ficou distante. Qualquer sinal de que inflação acima da meta será tolerada pela nova diretoria do Bacen pode abrir caminho para a busca dos R$ 6,50.
Danilo Igliori, economista-chefe da Nomad

O que esperar da semana

Elevado nível de incerteza. Para André Galhardo, consultor econômico da plataforma de transferências internacionais Remessa Online, “há muitas incerteza em tudo o que está em jogo. É difícil fazer uma previsão sobre o câmbio”.

Moeda deve continuar em alta. Essa é a expectativa de Galhardo e de Juliana Inhaz, professora de macroeconomia e macroeconometria e coordenadora da graduação em Economia no Insper. “Tenho a impressão de que o dólar deve continuar elevado, com possibilidade de alta. Até a votação do pacote de ajuste fiscal haverá uma certa demora, o que é normal, e a instabilidade e desconfiança seguem.”

Expectativa com decisões do Copom que podem valorizar o real a longo prazo. “Acho que algumas coisas vão acabar influenciando a moeda brasileira. Uma delas, que joga a favor, é a possibilidade de um aumento mais contundente da taxa de juros na próxima reunião do Copom este mês”, diz Inhaz. A reunião está prevista para os dias 10 e 11 de dezembro.

Até lá, o mercado deve “digerir” as propostas do pacote de ajuste fiscal. “O mercado vai digerir com um pouco mais de calma, de serenidade, as informações sobre o pacote fiscal”, diz Inhaz. “Em alguma medida, vai levar em consideração o fato de que essas mudanças no Imposto de Renda virão mais adiante, quando nós tivermos mais informações a respeito da execução do pacote de corte de gastos.”

Desvalorização do real deve seguir por um tempo. “Não vejo movimento de valorização do real imediato porque do outro lado da balança há Donald Trump, que afirmou estar inclinado a aumentar as tarifas aos países do Brics como resposta à iniciativa de criar uma moeda comum do bloco. Quando há um alívio das questões domésticas não podemos esquecer que o pano de fundo internacional, como no caso Trump, joga contra os países em desenvolvimento”, conclui a professora.

Disparada do dólar

O dólar disparou após anúncio do pacote de ajuste fiscal. A leitura feita pelo mercado foi de que o pacote anunciado pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, não foi suficiente para retomar o equilíbrio fiscal do país, o que gera preocupação com o aumento da inflação e taxa de juros.

O anúncio do pacote fiscal veio na contramão do que se esperava. Como explica Inhaz: “O compromisso com o arcabouço fiscal está muito frágil e isso eleva o risco. O aumento do risco faz sair dinheiro do país. E assim o dólar subiu”.

Agentes do mercado avaliam que pacote é “paliativo”. O diagnóstico de especialistas em contas públicas é que o pacote não contém alterações estruturais no lado das despesas e que não será suficiente para impedir o aumento da dívida de forma sustentável, servindo apenas para dar um alívio e facilitar o atingimento das metas fiscais até 2026.

Anúncio simultâneo com a proposta de reforma do IR não agradou. O mercado torceu o nariz quando Haddad anunciou uma possível isenção para quem recebe até R$ 5 mil. A medida, conforme o governo, não teria impacto fiscal por ser compensada por um aumento da alíquota de quem recebe acima de R$ 50 mil. Para os especialistas, o anúncio em conjunto foi interpretado como fragilidade das pastas econômicas emcom relação ao núcleo político do governo.

Dólar chegou a ser cotado a R$ 6,11 durante o último dia 29. A cotação da moeda americana oscilou e só caiu após falas de líderes do Congresso.

Declarações de Rodrigo Pacheco que mexeram com o câmbio foram divulgadas em nota. Nela, o presidente do Senado afirma que o Congresso tem de apoiar, também, medidas de corte de gastos, ainda que não sejam populares. A ampliação da isenção do Imposto de Renda, no entanto, não é pauta para agora e dependerá de condições fiscais para se concretizar.

Arthur Lira reiterou o compromisso do Congresso com o arcabouço fiscal em postagem no X (antigo Twitter). O presidente do Congresso frisou que haverá celeridade na análise de propostas para ajuste das contas, mas que outras iniciativas, que implicam em renúncia fiscal, serão avaliadas com lupa. “Toda medida de corte de gastos que se faça necessária para o ajuste das contas públicas contará com todo esforço, celeridade e boa vontade da Casa, que está disposta a contribuir e aprimorar”, escreveu Lira.

O real pode ganhar um pouco de força à medida que o mercado compreenda a dimensão das medidas fiscais anunciadas, mas o governo precisará fazer um pouco mais. O Congresso mostrando disposição, como no fim da semana passada, pode ajudar também. A questão é endereçar mais fortemente uma solução ao problema fiscal. Não será rápido.”Felipe Salto, economista-chefe da Warren Investimentos e colunista do UOL

Efeito Trump

Presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, promete uma política econômica protecionista. O republicano defende cortes agressivos de impostos e aumentos contundentes de tarifas de importação. Medidas que podem aquecer a economia americana e levar o Fed a aumentar os juros.

Tarifas mais altas para produtos da China, México e Canadá. Trump ameaçou impor novas e abrangentes tarifas de importação sobre todos os produtos do México e Canadá, além de criar taxas adicionais sobre as importações chinesas. A medida foi anunciada pela Truth Social e seria parte dos projetos do presidente americano de combater a imigração ilegal e o tráfico de drogas através das fronteiras americanas.Continua após a publicidade

As tarifas, se implementadas, poderão potencialmente resultar num aumento dos preços para os consumidores americanos numa ampla variedade de itens, desde a gasolina até produtos agrícolas.

Em 20 de janeiro, como uma das minhas muitas primeiras ordens executivas, assinarei todos os documentos necessários para cobrar do México e Canadá uma tarifa de 25% em todos os produtos que entram nos Estados Unidos.
Donald Trump, presidente eleito dos EUA

Juros americanos altos tornam os Treasuries mais atrativos. O investimento mais seguro do mundo é o Tesouro americano. Se os juros dos EUA sobem, além de seguro, ele se torna muito rentável. Desta maneira, investidores do mundo todo tiram o dinheiro de aplicações mais arriscadas em países emergentes — e vão para os Treasuries. Resultado, um real mais desvalorizado.

Banco Central não deve agir

O Banco Central pode atuar para segurar o câmbio. A autarquia tem poder para colocar dólar no mercado e segurar a desvalorização do real.

Para isso, o BC faz leilões da moeda americana. Os principais instrumentos para isso são o leilão de dólar à vista, que é a venda da moeda diretamente, e o leilão de swap cambial, que permite que o investidor ganhe com a valorização do dólar sem ter que comprar a moeda, o que, na prática, reduz a pressão no câmbio.

Especialistas acreditam que medida seria “enxugar gelo”. Analistas de mercado ouvidos pelo UOL afirmam que mais do que uma intervenção do Banco Central, é preciso que o governo melhore sua comunicação com o mercado e demonstre sua preocupação com o ajuste fiscal.

Gabriel Galípolo, futuro presidente do Banco Central, afirmou que autoridade monetária só irá intervir no câmbio se notar alguma disfuncionalidade no mercado. Galípolo conversou na sexta-feira com o atual presidente do BC, Roberto Campos Neto, e defende o câmbio flutuante.

O câmbio flutuante é uma ferramenta muito importante dentro do que é a matriz da política econômica brasileira para poder absorver choques como esse que estamos assistindo. O Banco Central está sempre acompanhando para entender se existe algum tipo de disfuncionalidade, mas não mira qualquer tipo de nível de câmbio.
Gabriel Galípolo, futuro presidente do BC

Ele também sinalizou que alta na inflação pode manter o patamar dos juros. Além da desvalorização do real, que pressiona a inflação, o mercado de trabalho também está aquecido, o que tende a aumentar o consumo e pressionar os preços. “Eventualmente (o BC) terá que ter o pé um pouco mais pesado no freio para não permitir um aquecimento da economia a ponto de pressionar a inflação”. As declarações foram dadas durante almoço oferecido pela Febraban a autoridades monetárias.

*Com Agência Estado e Reuters


Segundo a Sindgás, esse é o nono reajuste do ano

Foto: Pedro Ventura/Agência Brasília

O gás de cozinha sofreu mais um aumento em novembro, com reajuste de 9,47% que passou a valer a partir de domingo (1º). A Acelen confirmou que o nono reajuste do ano já está em vigor nesta segunda-feira (2).

O valor médio do botijão no estado da Bahia subiu de R$ 147 para R$ 154, refletindo em um acréscimo de R$ 7 para o consumidor final.

Segundo a Acelen, o aumento foi decidido com base em variáveis do mercado, como o preço do petróleo no mercado internacional, a cotação do dólar e os custos de frete. A refinaria de Mataripe ressaltou que os preços podem continuar a oscilar, tanto para cima quanto para baixo, de acordo com essas flutuações.

O Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo (Sindgás) informou que apenas nos meses de abril e junho houve uma redução no preço do produto. Entre junho e novembro, o valor do gás subiu em cerca de R$ 19 para o consumidor final, impactando ainda mais o orçamento das famílias baianas.

Informações Bahia.ba

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