Pelo segundo ano consecutivo, inflação deve estourar o teto da meta estipulada. Houve desaceleração em janeiro, puxada pela energia elétrica
Apesar da desaceleração na inflação em janeiro, a expectativa é que os preços de bens e serviços continuem pressionando a economia brasileira em 2025 e, pelo segundo ano consecutivo, o índice ultrapasse o teto da meta estipulada. Em 2024, a inflação acumulou alta de 4,83%.
Segundo dados divulgados na última terça-feira (11/2) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os preços subiram 0,16% em janeiro, menor taxa para o mês desde 1994, ano da implementação do Plano Real. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) recuou 0,36 ponto percentual em comparação a dezembro de 2024 (0,52%), mostrando desaceleração.
Desaceleração dos preços
O Brasil, no entanto, tem inflação acumulada de 4,56% em 12 meses (de fevereiro de 2024 a janeiro de 2025) — ligeiramente acima do teto da meta para este ano, que é de 4,50%.
A desaceleração do IPCA no primeiro mês de 2025 foi influenciada, principalmente, pela queda de 14,21% nos preços da energia elétrica residencial. O subitem exerceu o impacto negativo mais intenso (-0,55 ponto percentual) sobre o índice geral.
Entenda a situação da inflação no país
Inflação deverá estourar o teto da meta pelo segundo ano consecutivo, conforme previsões, com certa estabilidade em relação a 2024.
Preços dos alimentos, que têm pressionado a inflação oficial do país, devem recuar neste ano, segundo projeções do governo federal. Ainda assim, os alimentos terão um peso importante no índice.
A inflação de alimentos passou de -0,5% em 2023 para 8,2% em 2024. Houve forte aceleração nos preços de carnes, café, leite e derivados.
IPCA é o termômetro oficial da inflação. O índice mede a variação mensal dos preços na cesta de vários produtos e serviços, comparando-os com o mês anterior. A diferença entre os dois itens da equação representa a inflação do mês observado.
Projeções para a inflação
No mais recente relatório Focus, analistas financeiros subiram pela 17ª semana consecutiva a projeção do IPCA para este ano. A estimativa para a inflação de 2025 passou de 5,51% para 5,58%.
O Ministério da Fazenda também elevou a estimativa oficial para a inflação, de 3,6% para 4,8%. Ainda assim, a pasta projeta que a inflação dos alimentos deverá cair em 2025.
E o clima?
A partir de cenários apontados por órgãos como a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a Fazenda espera um cenário “mais benigno” neste ano. A avaliação considera que não são esperados incêndios, secas nem enchentes como os que afligiram o país nos últimos dois anos.
A pasta vislumbra que, sem a prevalência de fenômenos como El Niño e La Niña, que amplificam fenômenos climáticos extremos, a produção agropecuária neste ano vai ser maior.
O segmento alimentício pesou muito no bolso dos brasileiros no ano passado. Para se ter ideia, a inflação de alimentos passou de -0,5% em 2023 para 8,2% em 2024, com forte aceleração nos preços de carnes, café, leite e derivados.
No caso das carnes, os preços refletiram tanto o crescimento das exportações quanto a alta do consumo doméstico, além de restrições na oferta, a partir do último trimestre do ano, devido à reversão no ciclo do abate do gado.
O aumento nos preços do leite, por sua vez, deve-se à estiagem em regiões produtoras, o que afeta a qualidade das pastagens. Queimadas e secas prejudicaram a colheita do café.
Meta contínua
A partir deste ano, a meta de inflação do Brasil é contínua, e não mais por ano-calendário. Ou seja, o índice é apurado mês a mês. Se o IPCA acumulado em 12 meses ficar fora desse intervalo por seis meses consecutivos, a meta é considerada descumprida.
A adoção desse período evita a caracterização de descumprimento em situações de variações temporárias na inflação. Por exemplo, um choque em preços de alimentos que faça o IPCA ficar fora do intervalo de tolerância por apenas alguns meses.
Em 2025, a meta de inflação é de 3%, com variação de 1,5 ponto percentual – ou seja, piso de 1,5% e teto de 4,5%. Ela será considerada cumprida se oscilar nesse intervalo de tolerância.
O objetivo é estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), formado pelo:
O próprio BC, que tem o papel de controlar o avanço da inflação por meio da taxa de juros (a Selic), informou que a meta tem 50% de chance de ser descumprida em 2025. Em relatório publicado em dezembro de 2024, a autoridade monetária avaliou que a probabilidade de a inflação estourar o teto da meta neste ano cresceu de 28% para 50%.
Se a meta for descumprida, o Banco Central precisa divulgar carta aberta ao ministro da Fazenda — neste caso, Fernando Haddad — explicando as razões para o estouro. Isso porque a autoridade monetária tem o papel de controlar o avanço dos preços.
O BC contém a inflação por meio da taxa básica de juros, definida pelo Copom a cada 45 dias.
Meta pode ser descumprida em junho, diz BC
Recentemente, o BC admitiu a possibilidade de a inflação acumulada em 12 meses ficar acima do teto do intervalo de tolerância da meta durante seis meses seguidos — o que caracterizaria o descumprimento da meta inflacionária em 2025. A primeira apuração por meio da nova sistemática será feita em junho.
Se a inflação continuar avançando, o valor acumulado em 12 meses permanecerá “acima do limite superior do intervalo de tolerância da meta nos próximos seis meses consecutivos”, ressaltou o órgão.
“Desse modo, com a inflação de junho deste ano, configurar-se-ia descumprimento da meta sob a nova sistemática do regime de metas”, acrescentou o Banco Central.
Boletim Focus também indica alta do IPCA e queda do crescimento da economia em 2026
Mercado estima deterioração da economia | Foto: Reprodução/EBC
O Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira, 10, pelo Banco Central, indica uma deterioração da economia neste ano e no próximo, os dois últimos do terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva. Os analistas de mercado que participam do boletim estimam, pela 17ª semana seguida, uma alta da inflação.
O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve fechar 2025 em 5,58%, ante a projeção de 5,51% na semana passada. Para o ano que vem, a projeção é de inflação a 4,3%, ante 4,28% na semana anterior.
Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira, 10 de fevereiro | Foto: Reprodução/BCB
Já para o crescimento da economia, a projeção é de queda, o que corrobora as análises do mercado de que o Brasil, no governo Lula, pode passar por uma recessão técnica.
O Boletim Focus estima que o Produto Interno Bruto (PIB) crescerá 2,03% em 2025, resultado inferior ao da semana passada, de 2,06%. Para 2026, a projeção agora é de 1,7%, ante 1,72% na semana anterior.
Câmbio e Selic permanecem estáveis, diz mercado
O Boletim Focus não traz alterações na projeção da taxa oficial de juros, a Selic, nem na cotação do dólar.
Para 2025 e 2026, a projeção é que o dólar termine os períodos cotado a R$ 6. Já a Selic deve terminar 2025 em 15% e 2026 em 12,5%.
Divulgado toda segunda-feira, o Boletim Focus resume as estatísticas calculadas ao considerar as expectativas de mercado coletadas até a sexta-feira anterior à sua divulgação.
O relatório traz a evolução gráfica e o comportamento semanal das projeções para índices de preços, atividade econômica, câmbio, taxa Selic, entre outros indicadores. As projeções são do mercado, não do BC.
Cidades conjugam inovação tecnológica, ambiente de negócios, planejamento urbano e a influência das estatais e do serviço público
Maior e mais rica cidade do Brasil, São Paulo lidera pela diversidade de negócios e oportunidades de crescimento | Foto: Reprodução/Twitter/X
O cenário econômico do Brasil se destaca pela presença de algumas metrópoles cuja contribuição para o Produto Interno Bruto (PIB) é significativa. Estas cidades não só impulsionam a economia, mas também se destacam em inovação e infraestrutura. Suas funções e características refletem o grau de desenvolvimento nacional.
No contexto das cidades mais ricas do Brasil, há várias que desempenham papéis centrais em diversos setores, desde o comércio e a indústria até as áreas de serviços e tecnologia. Nesse sentido, cinco metrópoles apresentam grande relevância por sua prosperidade e importância econômica.
Metrópoles que respiram negócios
São Paulo é a cidade líder na economia brasileira, com um PIB de R$ 1,3 trilhão em 2022. O município é um centro diversificado que abrange finanças, tecnologia, comércio e serviços, além de ser sede principalmente de diversas multinacionais. Desse modo, sua infraestrutura avançada e mercado de trabalho dinâmico criam um ambiente ideal para o crescimento de negócios.
O Rio de Janeiro, com um PIB de R$ 415 bilhões em 2022, desempenha um papel chave nos setores de petróleo e gás, além de ser, da mesma forma, um atraente destino turístico. A cidade combina beleza natural com uma riqueza cultural vibrante, consolidando sua posição como um importante polo econômico.
A principal fonte de Brasília localiza-se na administração pública, contribuindo com um PIB de R$ 272 bilhões em 2022. Como capital federal, Brasília concentra muitas instituições governamentais e serviços públicos, funcionando como um núcleo central das operações estatais. Seu mercado imobiliário crescente eleva o padrão de vida local, atraindo diversas empresas ligadas aos serviços públicos.
Com um PIB de R$ 104 bilhões em 2022, Belo Horizonte sobressai em mineração e em uma economia diversificada que inclui comércio e serviços. A cidade representa um ambiente de negócios que respalda a industrialização e o setor terciário.
Curitiba e o eixo da indústria automotiva
Curitiba, com seu PIB de R$ 83 bilhões em 2022, é conhecida por suas soluções urbanas inovadoras e compromisso com a sustentabilidade. A cidade é um eixo importante na indústria automotiva e em novas tecnologias, com um sistema de transporte público exemplar.
A alta qualidade de vida, aliada a políticas ambientais responsáveis e um mercado tecnológico pujante, posiciona a capital paranaense como líder em práticas urbanas inovadoras, tanto nacional quanto internacionalmente.
Apostas podem ser feitas até às 19h no horário de Brasília
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
A Caixa Econômica Federal (CEF) realiza nesta terça-feira (4), a partir das 20h no horário de Brasília, o concurso 2.824 da Mega-Sena. O prêmio está acumulado e é estimado em R$ 15 milhões. O sorteio será transmitido ao vivo pelo canal da Caixa no YouTube e na página das Loterias Caixa no Facebook.
As apostas podem ser realizadas até as 19h, em casas lotéricas credenciadas pela Caixa, espalhadas por todo o país, ou por meio da internet. O valor do jogo simples, com seis números marcados, é de R$ 5.
O preço mais baixo registrado na semana foi de R$ 3,39 o litro, em São Paulo
O Brasil é o segundo maior produtor de etanol no planeta | Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil
Os preços médios do etanol hidratado aumentaram em 20 Estados, diminuíram em quatro e no Distrito Federal (DF) e permaneceram estáveis em dois. Referentes à semana passada, os dados são da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), compilados pelo AE-Taxas.
Nos postos pesquisados pela ANP em todo o Brasil, o preço médio do etanol teve um acréscimo de 1,18% em relação à semana anterior, de R$ 4,04 para R$ 4,29 o litro.
Em São Paulo, principal Estado produtor e consumidor, além de ser o que concentra o maior número de postos avaliados, o preço médio subiu 1,24% no período. Passou de R$ 4,04 para R$ 4,09 o litro.
A maior queda porcentual foi registrada na Bahia, com uma redução de 2,97% no litro, cujo preço caiu para R$ 4,58. Em contrapartida, o Rio Grande do Norte registrou o maior aumento semanal, de 15,96%, com alta de R$ 5,16 no preço do litro.
O preço mais baixo do etanol registrado na semana foi de R$ 3,39 o litro, em São Paulo, enquanto o mais alto foi de R$ 6,16, em Santa Catarina. O preço médio mais baixo entre os Estados foi de R$ 4,01, em Mato Grosso do Sul, enquanto o maior preço médio foi registrado no Amapá, com R$ 5,36 o litro.
Etanol segue mais vantajoso em relação à gasolina em 4 Estados e no DF
Em relação à competitividade do etanol ante a gasolina, ele se mostrou mais vantajoso em quatro Estados e no Distrito Federal. Na média geral dos postos pesquisados, o etanol representou 69,19% do preço da gasolina, o que favorece o biocombustível, conforme o levantamento da ANP compilado pelo AE-Taxas.
Especialistas explicam que a vantagem do etanol ocorre quando seu preço é até 70% do valor da gasolina | Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Executivos do setor observam que, mesmo com uma paridade superior a 70%, o etanol pode continuar competitivo, a depender do tipo de veículo em que é utilizado.
Os Estados em que o etanol foi mais competitivo em relação à gasolina foram: Acre (69,72%), Mato Grosso (66,51%), Mato Grosso do Sul (66,83%) e São Paulo (67,72%), além do Distrito Federal (68,75%).
Indicadores da economia foram divulgados nesta segunda-feira, 27, pelo Banco Central
O Boletim Focus traz as projeções dos principais indicadores econômicos e é divulgado toda segunda-feira pelo Banco Central | Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Analistas de mercado que participam do Boletim Focus projetaram nova alta da inflação para 2024: o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve fechar em 5,5%, conforme o relatório divulgado nesta segunda-feira, 27, pelo Banco Central.
O índice reflete uma alta em relação à semana anterior, de 5,08%. É 15ª semana consecutiva de alta. Os analistas também projetam alta da inflação para 2026. A taxa será de 4,22%, ante 4,1% da semana anterior.
A projeção para a taxa de juros manteve-se nesta semana no mesmo patamar de sete dias atrás, em 15%. É a terceira semana seguida que o mercado projeta esse índice.
Para 2026, porém, os analistas estimam uma alta dos juros. A projeção desta semana é de 12,5%, ante 12,25% na semana anterior.
Além da inflação e juros: veja projeções do PIB e do câmbio
O Boletim Focus também apresenta a projeção para o crescimento da economia e cotação do dólar.
No primeiro caso, os analistas projetaram o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2,06%, ante 2,04% na semana passada. Já para 2026, a projeção é de queda. O PIB crescerá 1,72%, ante a projeção de 1,77% na semana passada.
Para o câmbio, os analistas estimam que o dólar vai fechar em R$ 6 neste ano e no próximo, mesmos números da semana passada.
Os analistas que participam do Focus estimam que o dólar vai fechar em R$ 6 neste ano e no próximo, mesmos números da semana passada. | Foto: Reprodução/Freepik
Divulgado toda segunda-feira, o Boletim Focus resume as estatísticas calculadas considerando as expectativas de mercado coletadas até a sexta-feira anterior à sua divulgação.
O relatório traz a evolução gráfica e o comportamento semanal das projeções para índices de preços, atividade econômica, câmbio, taxa Selic, entre outros indicadores. As projeções são do mercado, não do BC.
Em 2024, os preços dos medicamentos no Brasil experimentaram um aumento significativo, com alguns produtos registrando alta de até 360%. Esse aumento acentuado foi verificado em um levantamento realizado pela CliqueFarma/Afya e destacado por veículos de comunicação como o Poder360. Os fármacos rivaroxabana, prednisolona e tadalafila foram os que tiveram os maiores reajustes, influenciados por fatores econômicos e logísticos.
O rivaroxabana, utilizado principalmente no tratamento e prevenção de tromboses, liderou a lista com um aumento de 359%. Em seguida, a prednisolona, um corticosteroide usado para inflamações e doenças autoimunes, apresentou uma alta de 340%. Por fim, a tadalafila, empregada para tratar disfunções eréteis, teve seu preço aumentado em 328%. Esses reajustes chamam a atenção por superarem em muito o índice autorizado pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), que foi de até 4,5% em 2024.
Fatores que contribuíram para o aumento dos preços
Os aumentos expressivos nos preços dos medicamentos se devem a uma combinação de fatores econômicos e de mercado. Inflacionária e flutuações cambiais, por exemplo, tiveram um impacto direto nos custos de produção e importação. Adicionalmente, problemas na cadeia de suprimentos e um aumento nos custos dos insumos também contribuíram para esse cenário. A baixa concorrência em determinadas categorias de medicamentos pode ter acentuado essa tendência.
Os medicamentos mencionados são frequentemente utilizados no tratamento de condições críticas, o que os torna especialmente vulneráveis a variações de preço. Essa realidade reflete uma lacuna entre os valores de mercado e os parâmetros regulatórios estabelecidos pela CMED, significando que os fatores externos às vezes têm mais influência no mercado do que as regulações governamentais.
Acesso a medicamentos e o papel do SUS
A questão dos preços altos dos medicamentos é frustrante para muitos brasileiros, especialmente quando se considera o acesso pela rede pública de saúde. Um caso em destaque é o da insulina análoga de longa ação, que foi incorporada ao Sistema Único de Saúde (SUS) em 2019. Originalmente, esperava-se que o medicamento estivesse disponível em até 180 dias, mas mais de 2 mil dias depois, muitos pacientes ainda relatam dificuldades para obter o medicamento através do SUS.
O problema parece abrangente. De acordo com uma análise da Folha de S. Paulo, a dificuldade de acesso não se limita à insulina, mas se estende a 76 outros itens aprovados para o SUS, incluindo medicamentos para o câncer, hepatites, e doenças ginecológicas, além de exames e implantes.
Como o controle de preços afeta a disponibilidade?
Controlar os preços dos medicamentos é uma tarefa complexa que envolve equilibrar interesses diversos. Enquanto os reguladores procuram limitar os custos para os consumidores, as empresas farmacêuticas e o mercado enfrentam múltiplos desafios para adequar seus preços. Incapacidade de conciliar esses interesses pode resultar em escassez ou inacessibilidade a medicamentos essenciais.
Os reajustes nos preços feitos pela CMED levam em conta a inflação, produtividade industrial, variações cambiais e tarifas de energia elétrica. Mesmo com essas metodologias em vigor desde 2005, a realidade econômica atual demonstrou que os aumentos de preços autorizados são frequentemente ultrapassados devido a pressões externas.
As repercussões dos aumentos de preços e as dificuldades de acesso a medicamentos são alarmantes e revelam as vulnerabilidades do sistema de saúde. Desafios econômicos, aliadas a questões logísticas, exigem uma abordagem integrada e eficiente para assegurar que a população tenha acesso a medicamentos essenciais quando necessário, sem comprometer o orçamento do sistema de saúde ou o bolso dos pacientes.
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Declaração foi de Rui Costa após reunião de ministros com o presidente Lula sobre medidas para combater o preço dos alimentos
Em meio a discussões no governo sobre medidas para baratear o preço dos alimentos, o ministro da Casa Civil, Rui Costa, sugeriu “mudar a fruta” que o consumidor vai adquirir para lidar, por exemplo, com a inflação da laranja.
Ao falar com jornalistas após reunião com Lula, Rui Costa citou o exemplo da laranja para falar sobre alimentos que estão caros tanto no mercado externo, quanto interno. E ofereceu uma “solução”: “O preço internacional está tão caro quanto aqui. O que se pode fazer? Mudar a fruta que a gente vai consumir. Em vez da laranja, outra fruta. Não adianta baixar a alíquota, porque não tem produto lá fora para colocar aqui dentro”, disse o ministro.
O que está acontecendo:
O governo Lula está buscando formas de combater a inflação dos alimentos e o presidente reuniu alguns ministros nesta sexta-feira (24/1) para discutir medidas capazes de reduzir os preços.
O preço dos alimentos puxou a alta na inflação de 2024, que fechou o ano em 4,83% – acima do limite da meta.
O ministro da Casa Civil, Rui Costa, descartou o que chamou de “medidas heterodoxicas”para conter o problema e disse que o governo acredita que a “supersafra” de produtos agrícolas após um ano de clima prejudicial (2024) vai ajudar a reduzir os preços
para o consumidor.
A redução da alíquota de importação de alimentos que estejam mais baratos no mercado internacional também é uma ação planejada.
Veja a declaração de Rui Costa:
Alternativas
Segundo o ministro da Casa Civil, entre as ações analisadas pelo governo estão mudanças no percentual cobrado em operações do vale-alimentação e vale-refeição, para aumentar o poder de compra do trabalhador. O Ministério da Fazenda apresentará um estudo, nos próximos dias, sobre o tema.
O governo descartou medidas como congelamento de preços, criação de um “supermercado estatal” ou alterar regras sobre data de validade dos alimentos.
“Não terá subsídio, não terá supermercado estatal, não terá comercialização alimentos com prazos vencidos, não terá ‘fiscal do Lula’, nenhuma dessas medidas heterodoxas”, assegurou o ministro da Casa Civil.
A estimativa inicial era de queda de 0,03% nos preços na base mensal e uma alta de 4,36% em 12 meses
Foto: Fernando Vivas/GOVBA
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15), subiu 0,11% em janeiro, considerado a prévia da inflação oficial, sobre alta de 0,34% no mês anterior, é o que apontam dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados nesta sexta-feira (24). A estimativa inicial era de queda de 0,03% nos preços na base mensal e uma alta de 4,36% em 12 meses.
Segundo matéria do InfoMoney, o resultado foi influenciado principalmente pelo grupo de Alimentação e bebidas, que registrou alta de 1,06%, impactando em 0,23 ponto percentual (p.p) no índice geral, e Transportes (1,01% e 0,21 p.p.). Por outro lado, a única taxa negativa veio do grupo Habitação (-3,43% e -0,52 p.p), resultado que ajudou a conter o índice no mês.
No contexto da alta de preços em Alimentação e bebidas (1,06%), a alimentação no domicílio registrou variação de 1,10% em janeiro, influenciada por aumentos do tomate (17,12%) e do café moído (7,07%). No lado das quedas, destacam-se a batata-inglesa (-14,16%) e o leite longa vida (-2,81%).
Já a alimentação fora do domicílio desacelerou de 1,23% em dezembro para 0,93% em janeiro. Tanto o lanche (0,98%) quanto a refeição (0,96%) tiveram variações inferiores às observadas no mês anterior (1,26% e 1,34%, respectivamente).
No caso do segundo maior contribuinte para o resultado do índice, Transportes (1,01%), a origem vem da alta nas passagens aéreas, que subiram 10,25% e registraram o maior impacto individual do mês: 0,08 p.p. Em combustíveis (0,67%), houve aumentos nos preços do etanol (1,56%), do óleo diesel (1,10%), do gás veicular (1,04%) e da gasolina (0,53%).
Ainda em Transportes, o subitem ônibus urbano apresentou variação de 0,46%. Em Curitiba (-2,17%), a partir de 05 de janeiro, a tarifa modal aos domingos passou a custar metade do valor e, em Fortaleza (-0,45%) houve a adoção da tarifa social no dia 31/12/2024.
Contribuiu também para o resultado, os reajustes nas tarifas de onibus urbanos aprovados em Belo Horizonte (4,00%), devido ao reajuste de 9,52% a partir de 1º de janeiro; Rio de Janeiro (2,79%), com reajuste de 9,30% a partir de 5 de janeiro; Salvador (2,48%), com o reajuste de 7,69% a partir de 4 de janeiro; Recife (1,46%), com o reajuste de 4,87% a partir de 5 de janeiro; e São Paulo (-4,24%), com o reajuste de 13,64% a partir de 6 de janeiro.
Houve ainda aumento nos preços do serviço de táxi (3,08%) no Rio de Janeiro, em decorrência do reajuste de 7,83% a partir de 02/01. Em São Paulo, foram registrados aumentos de 1,00% no trem e no metrô, em razão do reajuste de 4,00% nas passagens a partir de 06 de janeiro.
A variação de -1,78% na integração transporte público em São Paulo é reflexo da combinação dos reajustes citados e de gratuidades concedidas a toda população nos dias dos feriados de Natal (25/12) e Ano Novo (01/01).
No acumulado de 12 meses, o IPCA-15 registrou alta de 4,50%, resultado abaixo dos 4,71% observados nos 12 meses imediatamente anteriores. Em janeiro de 2024, o IPCA-15 foi de 0,31%.
Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) analisa a junção das duas companhias aéreas
Foto: Vosmar Rosa/MPOR
O governo federal acredita que não haverá aumento no preço das passagens aéreas, caso a fusão entre Azul e Gol seja confirmada. O caso está sendo analisado pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Nesta terça-feira (21), em Foz do Iguaçu, o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, confia no fortalecimento da aviação regional.
“Eu tenho muita confiança que não haverá aumento de passagem. Pelo contrário, a gente vai ter o fortalecimento da aviação regional, a gente vai ter economicidade em muitos voos. Por exemplo, às vezes, você tem um voo para a mesma cidade, por exemplo, saindo aqui de Foz do Iguaçu para Curitiba, você tem um voo da Gol e tem um voo da Azul. Às vezes, esse voo, os dois aviões têm capacidade, por exemplo, de mais de 150 passageiros, mas só que um voo sai com 80 da Azul e o voo da Gol sai com 80. Então, em um único voo, a gente poderia levar a população e sobrar uma aeronave para outros destinos do Brasil”, afirmou durante a entrega das obras de modernização do Aeroporto Internacional de Foz do Iguaçu.
Segundo o ministro, a prioridade do governo é fortalecer as companhias aéreas.
“Teria muito mais o efeito perverso e danoso para o Brasil se essas empresas viessem a quebrar, já que representam de 63% a 64% do mercado. Então, a prioridade nossa, desde o primeiro momento, foi dialogar com as companhias aéreas, criar uma agenda de crédito que nunca houve. Criamos no valor de R$ 4 bilhões. A expectativa agora é amanhã iniciar o diálogo, no primeiro momento com o presidente da Gol. E, na próxima semana, devemos nos reunir com o presidente da Azul para discutir o que eles estão imaginando em relação a essa possível fusão, no intuito, sobretudo, de fortalecer a aviação”, explicou.
No último dia 15 o grupo Abra, que controla a Gol e Avianca, e a Azul deram o primeiro passo no processo de negociação da fusão ao assinarem um memorando de entendimento. Caso o acordo seja concretizado após aprovação do Cade, as duas companhias deverão manter suas marcas e certificados operacionais de forma independente. Em janeiro do ano passado, a Gol entrou com pedido de reestruturação nos Estados Unidos, processo semelhante ao de recuperação judicial que acontece no Brasil. Na época, as dívidas da companhia eram estimadas em R$ 20 bilhões.