Trabalhadores resgatados de condições análogas às de escravo na produção de cana em Goiás Imagem: Inspeção do Trabalho
Uma operação de combate à escravidão contemporânea, que terminou nesta sexta (17), resgatou 212 trabalhadores do plantio de cana-de-açúcar em Goiás. Eles estavam alojados em Itumbiara e Porteirão (GO) e Araporã (MG) e atuavam para a mesma prestadora de serviços que fornecia mão de obra a quatro fazendas e uma usina. Este é o maior resgate de 2023, batendo o recorde dos 207 “escravizados do vinho” de Bento Gonçalves (RS).
A operação do grupo especial de fiscalização móvel contou com a participação da Inspeção do Trabalho, do Ministério Público do Trabalho, do Ministério Público Federal e da Polícia Federal.
Arregimentados em seus estados de origem através de “gatos” (contratadores de mão de obra) e transportados de forma clandestina para atuar na produção de cana em Goiás, os trabalhadores estavam submetidos a condições de degradantes, segundo a fiscalização.
“Quem tinha um pouco de dinheiro, comprava um colchão. Quem não tinha, dormia no chão, em cima de panos ou de papelão”, explicou à coluna o auditor fiscal Roberto Mendes, coordenador da operação.
“Como a empresa não fornecia alimentação, eles comiam o que tinham, muitas vezes só arroz com salsicha. Estavam em barracos extremamente precários, sem ventilação, mofados, com paredes sujas, goteiras, sem chuveiro. A empresa terceirizada vendia as ferramentas aos trabalhadores, como enxadões, o que, por lei, deveria ser fornecido gratuitamente”, afirma Mendes.
Não havia instalações sanitárias nas frentes de trabalho, nem equipamentos de proteção individuais e agrotóxicos eram aplicados em áreas onde as pessoas estavam trabalhando.
A prestadora de serviços terceirizados SS Nascimento Serviços e Transporte e cinco tomadores – quatro fazendas de cana e a unidade de Edéia (GO) da usina BP Bunge Bionergia – assumiram a responsabilidade e se dividiram para pagar os trabalhadores.
“Conseguimos negociar o pagamento das verbas rescisórias e o ressarcimento daquilo que foi cobrado ilegalmente, como compra de colchões e de ferramentas de trabalho”, afirmou à coluna o procurador do trabalho Alpiniano Lopes, que participou da operação.
Ao todo foram R$ 2,57 milhões de verbas rescisórias e direitos trabalhistas, mais 50% desse valor em dano moral individual, totalizando R$ 3,85 milhões pagos às vítimas. Lopes explica que mais R$ 5 milhões estão sendo negociados como dano moral coletivo.
À imprensa, a SS Nascimento Serviços e Transporte disse que “se colocou à disposição para colaborar com as investigações e resguardar todos os direitos dos trabalhadores”. E que “todos os fatos alegados serão devidamente esclarecidos no bojo dos processos administrativos e judiciais”.
Já a BP Bunge Bioenergia disse, também em nota, que a empresa “agiu rapidamente em defesa dos trabalhadores para garantir as prioridades sociais e humanas e arcou prontamente com os pagamentos indenizatórios”. Também afirmou que estão colaborando com as autoridades e apurando as responsabilidades.
Afirmou que “não compactua com situações que exponham as pessoas à condição degradante de trabalho” e que exige que as empresas de sua cadeia produtiva tratem com seriedade dos direitos trabalhistas. Por fim, lamenta o ocorrido.
A reportagem não conseguiu contato com os proprietários das fazendas, mas atualizará o texto assim que possível.
Vítimas eram do Piauí, do Maranhão e do Rio Grande do Norte
“O resgate concluído nesta sexta é o maior realizado em uma mesma operação neste ano”, afirmou o auditor fiscal Maurício Krepsky, chefe da Divisão de Fiscalização para Erradicação do Trabalho Escravo (Detrae) do Ministério do Trabalho e Emprego.
“O perfil das vítimas de tráfico de pessoas para fins de trabalho escravo é muito parecido com os 207 trabalhadores resgatados na produção de uva no Rio Grande do Sul: nordestinos, negros e com pouca escolaridade”, explica.
Em Bento Gonçalves, 93% eram baianos. Neste caso, eles eram do Piauí, do Maranhão e do Rio Grande do Norte.
Com estes 212 resgatados na cana, o total acumulado de 1º de janeiro até 17 de março chegou a 893 trabalhadores em situação análoga à de escravo flagrados pela fiscalização em 2023. Desde 2008, não havia tantos nos três primeiros meses. Naquele ano, foram 1.456 trabalhadores neste trimestre, segundo dados do ministério.
Italvar Medina, vice-coordenador da área do Ministério Público do Trabalho voltada ao combate à escravidão contemporânea e ao tráfico de pessoas, destaca a incidência de casos na produção de cana.
“É lastimável, que justamente no setor da cana-de-açúcar, historicamente vinculado à escravidão clássica e à escravidão contemporâneo, e um dos setores mais fiscalizados no meio rural, ainda verifiquemos índices alarmantes de trabalho escravo. Este ano, além dos 212 resgatados nessa operação, neste ano também tivemos 139 em Acreúna (GO) e mais de 32 em Pirangi (SP), fornecedor da Caravelas”, afirma.
Para Medina, isso demonstra a necessidade de manter uma política consistente de enfrentamento a esse crime, tanto no âmbito social, com a redução da vulnerabilidade dos trabalhadores, o atendimento a vítimas e a reinserção social, quanto no âmbito repressivo. Para tanto, destaca a necessidade de concursos público para suprir o déficit de auditores fiscais do trabalho e a retomada de fiscalizações rurais de rotina.
Local onde resgatados de condições análogas às de escravo dormiam em GoiásImagem: Inspeção do Trabalho
Trabalho escravo hoje no Brasil
A Lei Áurea aboliu a escravidão formal em maio de 1888, o que significou que o Estado brasileiro não mais reconhece que alguém seja dono de outra pessoa. Persistiram, contudo, situações que transformam pessoas em instrumentos descartáveis de trabalho, negando a elas sua liberdade e dignidade.
Desde a década de 1940, o Código Penal Brasileiro prevê a punição a esse crime. A essas formas dá-se o nome de trabalho escravo contemporâneo, escravidão contemporânea, condições análogas às de escravo.
De acordo com o artigo 149 do Código Penal, quatro elementos podem definir escravidão contemporânea por aqui: trabalho forçado (que envolve cerceamento do direito de ir e vir), servidão por dívida (um cativeiro atrelado a dívidas, muitas vezes fraudulentas), condições degradantes (trabalho que nega a dignidade humana, colocando em risco a saúde e a vida) ou jornada exaustiva (levar ao trabalhador ao completo esgotamento dado à intensidade da exploração, também colocando em risco sua saúde e vida).
Desde a criação dos grupos especiais de fiscalização móvel, base do sistema de combate à escravidão no país, em maio de 1995, mais de 60 mil trabalhadores foram resgatados e R$ 127 milhões pagos a eles em valores devidos.
Denúncias de trabalho escravo podem ser feitas de forma sigilosa no Sistema Ipê, sistema lançado em 2020 pela Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT) em parceria com a Organização Internacional do Trabalho (OIT). Dados oficiais sobre o combate ao trabalho escravo estão disponíveis no Radar do Trabalho Escravo da SIT
O major do Exército João Paulo da Costa Araújo, preso preventivamente no ano passado por desobediência após fazer campanha para Jair Bolsonaro, foi condenado no último dia 10 a dois anos de prisão. A decisão foi da Justiça Militar da União em primeira instância.
Araújo foi preso preventivamente em maio do ano passado em Teresina (PI) por ter feito campanha política nas redes sociais, desobedecendo ordens superiores. O major fez pelo menos 90 posts no Instagram em apoio a Bolsonaro, então candidato à reeleição. O militar nomeou seu perfil na rede de “político” e era pré-candidato a deputado federal pela sigla de Bolsonaro no Piauí.
Dois meses depois, a Justiça Militar aceitou a denúncia do Ministério Público Militar e tornou Araújo réu por desobediência, crime que prevê de um a dois anos de prisão, segundo o Código Penal Militar.
Segundo o MP, o militar descumpriu ordens superiores repetidamente: “Não só uma ou duas vezes, mas sim por 47 vezes”. O major do Exército, segundo o MP, “ignorou de forma veemente a ordem emanada pelo Comandante da 10ª Região Militar, acabando por ofender os princípios basilares de hierarquia e disciplina”.
Araújo foi condenado em dois julgamentos na última semana: um pelo Conselho Especial de Justiça, formado por um juiz federal e quatro militares, por se recusar a apagar os vídeos partidários que havia postado. O outro processo foi por ter ignorado ordens militares.
“O réu permaneceu publicando vídeos e postagens sobre o tema, ultrajando as ordens emanadas por seus superiores e ocasionando prejuízo à hierarquia e disciplina militares”, escreveu o juiz Rodolfo Menezes, da 10ª Circunscrição Judiciária Militar.
Grupo tinha viajado até Guarujá e retornava para o aeroporto Campo de Marte quando o acidente aconteceu
A queda de um helicóptero na região da Barra Funda, na zona oeste da capital, na tarde desta sexta-feira (17), matou quatro pessoas. O grupo tinha viajado até Guarujá, no litoral paulista, para um almoço de negócios, e retornava para o aeroporto Campo de Marte quando o acidente aconteceu.
Confira abaixo quem são as vítimas:
• João Intorne Netro, 32 (piloto)
• Wellington Roberto Palhares, 29
• Antônio Cano dos Santos, 42
• Caio Lucio de Benedetto Moreira, 30
Antônio Cano era diretor administrativo financeiro, e Caio Lúcio, designer do Mirage Group Brasil. A empresa informou que eles estavam em uma viagem particular com o amigo Wellington.
A aeronave caiu às 14h35 em uma fábrica abandonada, localizada na rua Padre Luís Alves de Siqueira, na esquina com a rua James Holland. Segundo o boletim de ocorrência, o helicóptero — que foi alugado pelo grupo — colidiu em uma árvore e caiu.
À Record TV o comandante do Corpo de Bombeiros, Yuri Moraes, afirmou que, durante o trajeto de volta para o aeroporto, o piloto não reportou nenhum tipo de pane. Ele apenas disse à torre de comando que estava se aproximando para o pouso.
De acordo com o registro da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), o helicóptero é um modelo Robinson R44 II, prefixo PR-PGC, com capacidade para um piloto e três passageiros. A empresa Jbn Locações é a proprietária, enquanto a Helimarte Táxi Aéreo era responsável pela operação.
A FAB (Força Aérea Brasileira) informou que os investigadores do Quarto Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Seripa IV) foram acionados para verificar o local da queda.
“Na Ação Inicial são utilizadas técnicas específicas, conduzidas por pessoal qualificado e credenciado que realiza a coleta e confirmação de dados, a preservação de indícios, a verificação inicial de danos causados à aeronave, ou pela aeronave, e o levantamento de outras informações necessárias ao processo de investigação”, explica o órgão.
O caso foi registrado no 23° Distrito Policial, em Perdizes, como morte suspeita e acidental.
Relator Miguel Brandi justificou a decisão afirmando que trata-se do inventário de “pessoa conhecida e reconhecida mundialmente”.
Pelé — Foto: Reprodução/Instagram
Os filhos de Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, conseguiram no Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP) uma liminar que concede segredo de Justiça no processo de inventário do ex-jogador. Anteriormente, um pedido do filho Edson Cholbi Nascimento, o Edinho, para tornar o processo sigiloso havia sido negado pela juíza da 2ª Vara de Família e Sucessões de Santos, no litoral de São Paulo, Suzana Pereira da Silva.
De acordo com documento obtido pelo g1, nesta sexta-feira (17), a justificativa do desembargador do TJ-SP Miguel Brandi, que é relator no processo, foi de que este é um inventário de uma “pessoa conhecida e reconhecida mundialmente”.
“A não concessão de efeito resultaria na imediata possibilidade de acesso irrestrito ao processo, o que não se recomenda, além do que tornar-se-ia precocemente inútil o recurso”, destacou o relator.
Ao g1, o advogado Augusto Miglioli, que representa Edinho, Kely Nascimento e Jennifer Nascimento, disse que a decisão é liminar e não definitiva, portanto é provisória e passa a ser válida até o julgamento do mérito do recurso.
“Como esse recurso tem que ser julgado por um órgão colegiado, essa liminar é dada por um único desembargador. Quando for o julgamento do mérito, do recurso, eles vão decidir se mantém o segredo de Justiça até o final do processo ou se, eventualmente, modificam a decisão do relator tornando novamente um inventário público”, explicou Miglioli.
Ainda de acordo com o advogado, com a decisão preliminar do relator a medida já entre em vigor automaticamente. “Nesse momento o juízo já deve cumprir a ordem preliminar do desembargador relator”.
Viúva de Pelé abre mão de ser a inventariante
Márcia Aoki, viúva de Pelé, decidiu abrir mão de ser a inventariante [responsável por administrar os bens] do Rei do Futebol. O filho do Atleta do Século, o ex-goleiro Edson Cholbi Nascimento, o Edinho, é o indicado a assumir o posto.
A decisão foi divulgada pelos advogados das partes após reunião na noite de 9 de março. Segundo o advogado Augusto Miglioli, foi redigida uma petição conjunta [pedido à Justiça] requerendo que o inventário fique sob responsabilidade de Edinho. Também no documento consta a renúncia da viúva.
Para ser oficializado como inventariante, o filho de Pelé depende do aval da Justiça. Ele teve o primeiro pedido negado pela juíza da 2ª Vara de Família e Sucessões de Santos, Suzana Pereira da Silva, após requerimento apresentado pelos representantes dos filhos.
O advogado Augusto Miglioli explicou ao g1:”A única forma que ele tinha, de fato, de beneficiar a viúva é realmente por força do testamento. Por conta da idade, ele teve que se casar obrigatoriamente esse regime”.
Caso Pelé não tivesse manifestado, ainda em vida, o interesse em deixar parte dos bens com Márcia, mesmo ela sendo viúva, não teria direito à partilha dos bens.
Veja quem são os herdeiros:
Filhos de Pelé e a enteada dele, Gemima Macmahon – que entrou com pedido para ser reconhecida como filha socioafetiva do Rei do futebol — Foto: Reprodução/Instagram
Filhos de Pelé com Rosemeri dos Reis Cholbi (1º casamento): Edson Cholbi Nascimento, o Edinho Kely Cristina Cholbi Nascimento Jeniffer Cholbi Nascimento
Filhas reconhecidas pelo Pelé: Flávia Kurtz Arantes do Nascimento Sandra Regina Arantes do Nascimento Felinto
Filhos de Pelé com Assíria Nascimento (2° casamento): Joshua Seixas Arantes do Nascimento Celeste Seixas Arantes do Nascimento
No caso de Sandra, que já é falecida, Octavio Felinto Neto e Gabriel Arantes do Nascimento Felinto, netos de Pelé, dividirão entre si a parte da herança dela.
“A Sandra é falecida e quem representa ela são os dois filhos, mas veja, não são dois herdeiros a mais, é um herdeiro só que é ela que divide [esse quinhão] entre os dois”, explicou o advogado Augusto Miglioli.
Quem também pode ser considerado como herdeiro?
A enteada de Pelé, Gemima Lemos Macmahon, que é filha de Assíria e irmã de Joshua e Celeste, entrou com um pedido para que seja reconhecida como filha socioafetiva de Pelé e, dessa forma, considerada como herdeira.
Miglioli explicou que no caso de Gemima o reconhecimento poderá ocorrer de duas formas: ou pela concordância de todos os herdeiros ou ela precisará buscar reconhecimento fora do andamento do inventário. “Esse é mais um dos temas que está sendo conversado entre os herdeiros, mas não posso afirmar que vai haver a concordância de todos”.
Além dela, Maria do Socorro Azevedo pode vir a ser considerada como herdeira do ex-jogador caso o exame de DNA, que deverá ser realizado com os filhos de Pelé, der positivo. Ela registrou uma ação de investigação de paternidade na Defensoria Pública do Estado de São Paulo, e o processo corre sob segredo de Justiça em Itaquera (SP).
“Enquanto não houver um resultado positivo a respeito dessa situação a gente nem pode cogitar ela ainda como herdeira. O que se tem é uma expectativa de direito, se confirmar de fato ela vai ingressar como herdeira”, pontuou o advogado.
Decisão atende a um pedido do PCdoB, que questiona restrições previstas na Lei das Estatais. Relator também fixou que integrantes de partidos podem ser indicados para cargos em estatais, mas devem deixar as legendas.
Foto: Rosinei Coutinho – 05.dez.2019 / SCO – STF
O ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu nesta quinta-feira (16) a aplicação da regra que proíbe a indicação, para a direção de estatais, de integrantes da estrutura dos governos federal, estadual e municipal: ministros, secretários municipais e estaduais e assessores.
O ministro também fixou que integrantes de partidos ou pessoas que atuaram em eleições podem ser indicados para os cargos em estatais, mas devem deixar os vínculos com as legendas quando estiverem na função.
O ministro é o relator de uma ação do PCdoB que questiona as restrições às indicações políticas para estas empresas. O tema chegou a ser levado para a análise no plenário virtual, mas um pedido de vista do ministro André Mendonça suspendeu o julgamento na semana passada.
Nesta semana, o PCdoB pediu ao relator que concedesse uma decisão individual sobre o caso, argumentando que está próximo do fim o prazo para que as chamadas sociedades de economia mista — empresas que têm o governo como maior acionista — realizem assembleias para escolher seus administradores.
Na decisão, Lewandowski afirmou que a Lei de Estatais “incorporou ao nosso sistema jurídico inúmeras regras de governança corporativa, indiscutivelmente positivas, que contribuem para conferir mais transparência, controle, previsibilidade e imparcialidade às atividades das empresas estatais a ela submetida”.
O ministro ressaltou, no entanto, que há indicações de que a lei criou situações que impedem a escolha de representantes que acabam, na prática, por inviabilizar nomeações.
“Contudo, não obstante os bem-intencionados propósitos do legislador nesse aspecto, a Lei das Estatais, ao que tudo indica, foi muito além das limitações já positivadas no ordenamento jurídico, criando hipóteses de vedação à escolha de administradores ‘que funcionam como impedimento absoluto à nomeação'”, escreveu.
O relator considerou que, apesar de a legislação tentar evitar o aparelhamento político das empresas, acabou por criar uma discriminação desproporcional.
“Ocorre que as disposições questionadas nesta ação de controle concentrado de constitucionalidade, em que pesem as louváveis intenções do legislador, repita-se, cujo escopo foi o de evitar o suposto aparelhamento político das empresas estatais, bem assim o de imunizá-las contra influências espúrias, na verdade, acabaram por estabelecer discriminações desarrazoadas e desproporcionais”, escreveu o ministro.
“Para começar, elas [as disposições] violam frontalmente o princípio da isonomia e o preceito – basilar numa democracia – segundo o qual ninguém pode ser privado de direitos por motivo de convicção política”, completou.
Equipamentos usados para acessar filmes, séries e canais por assinatura devem ser homologados pela agência reguladora
A Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) lançou em seu site uma seção com os aparelhos de smart TV box homologados, para evitar o chamado “gatonet”, em que são usados equipamentos clandestinos. Segundo a agência, o objetivo é auxiliar o consumidor na compra de modelos que dão acesso a filmes, séries e canais por assinatura que sejam legalizados. Para acessar a lista, basta entrar no portal da Anatel.
“Ao adquirir um TV box ou outro produto de telecomunicações, é importante que o consumidor verifique se o equipamento tem a marca da Anatel e o número do Certificado de Homologação correspondente ao modelo do produto”, alerta a agência reguladora em nota.
Outra maneira de identificar se um TV box é irregular, de acordo com a Anatel, é verificar se o anúncio do produto informa que ele permite acesso livre e irrestrito (sem autenticação) a uma grande quantidade de canais, jogos ao vivo e outros programas.
“Esse é um grande indicativo de que o aparelho é um TV box não homologado (pirata), mesmo que ele contenha algum selo ou código de homologação, pois, nesses casos, pode ser falsificado”, acrescenta a nota.
Em fevereiro, a Anatel lançou plano para bloquear os aparelhos piratas, estimados entre 5 milhões e 7 milhões conectados atualmente no Brasil.
De acordo com a instituição, desde 2018, 1.439.134 decodificadores piratas foram apreendidos em parceria com instituições como a Receita Federal e a Polícia Federal. O valor total estimado desses produtos é de quase R$ 400 milhões.
Fiscalização
Estudos de engenharia reversa realizados pela Anatel nos últimos anos identificaram vulnerabilidades em equipamentos de TV box não homologados.
Foi constatada a presença de malware — um software malicioso — capaz de permitir que criminosos assumam o controle do TV box para a captura de dados e informações dos usuários, como registros financeiros ou arquivos e fotos que estejam armazenados em dispositivos que compartilhem a mesma rede.
Homologação
Equipamentos de telecomunicações precisam de homologação da Anatel para ser comercializados e utilizados no Brasil. O processo de avaliação da conformidade e homologação busca garantir padrões mínimos de qualidade e segurança.
Aparelhos não homologados destinados à recepção de sinais de TV a cabo ou de vídeo sob demanda podem acessar conteúdos protegidos por direitos autorais, o que é crime. Tanto a comercialização quanto a utilização de produtos para telecomunicações irregulares são passíveis de sanções administrativas que podem ir de advertência a multa, além da apreensão dos equipamentos.
O café é, talvez, um dos alimentos mais curiosos do mundo pelo seu potencial de causar efeitos diferentes de pessoa para pessoa.Tem quem sinta dor de estômago ao tomar muito café, quem tenha enxaqueca, perca o sono ou sinta uma vontade quase que instantânea de ir ao banheiro. Por outro lado, há pessoas que se sentem mais estressadas, com dor de cabeça e cansadas se ficam um dia sem tomar a bebida – o que abre um debate sobre uma possível dependência.
Isso acontece principalmente pelo poder estimulante da cafeína, um dos seus principais compostos. Segundo a nutricionista doutoranda em ciência dos alimentos pela Universidade de São Paulo (USP) Juliana Gimenez Casagrande, a substância atinge diretamente os nervos receptores de todo o corpo, mas acaba tendo maior impacto em pontos de sensibilidade, que podem variar de pessoa para pessoa.
Confira as respostas de Juliana e de outros especialistas ouvidos pelo Estadão sobre como o café impacta o seu dia a dia e a sua saúde.
Beber café à noite faz mal? Até que horas tomar para não perder o sono?
De forma geral, os especialistas recomendam que não se tome café após as 18 horas para evitar insônia, já que a propriedade estimulante da cafeína deixa as pessoas mais acordadas. No entanto, Juliana explica que a interferência do café no sono depende de fatores genéticos.
“Geneticamente, há dois principais grupos de metabolizadores de cafeína: os metabolizadores rápidos e os metabolizadores lentos. O metabolizador rápido é aquele que toma um cafezinho e logo em seguida já se sente mais acordado e disposto. Já o metabolizador lento pode sentir os efeitos no longo prazo e ter dificuldades para dormir mesmo horas depois que bebeu café”, diz a especialista.
Por isso, o que vale é a autoanalise. Se a pessoa toma café e tem problema com insônia, é recomendável que passe a fazer testes, diminuindo aos poucos o horário em que bebe o último do dia até que chegue a um horário ideal, que não atrapalha o seu sono.
Criança pode beber café?
O excesso de cafeína pode afetar a absorção de alguns nutrientes, como o cálcio, que é essencial para as crianças por elas estarem em um momento de crescimento. Ao mesmo tempo, os pequenos têm uma imaturidade fisiológica, o que faz com que tenham menos resistência a possíveis efeitos negativos da cafeína, como a insônia.
Por isso, o médico cardiologista Bruno Mahler Mioto, que dedicou seu doutorado ao estudo dos efeitos do café no corpo humano, recomenda que o consumo comece aos poucos na infância.“A criança pode começar experimentando da xícara dos pais, para se familiarizar com a bebida, e então começar a beber o café com leite no café da manhã quando começar a ir para a escola”, diz.
Segundo os especialistas, quando consumido com moderação, o café pode ajudar no rendimento escolar. A recomendação é que crianças até 10 anos bebam no máximo 2/3 de xícara de chá de café por dia (o equivalente a 200 ml), de preferência descafeinado e com leite.
Dos 10 aos 15 anos, o consumo pode aumentar um pouco: uma xícara de chá e meia ou 350 ml por dia, ainda com preferência para o descafeinado, acompanhado do leite. Depois dos 15, até os 20 anos, a quantidade diária máxima recomendada é de quatro xícaras pequenas e meia de café, ou 450 ml.
E grávida?
Assim como as crianças, as gestantes também demandam muitos nutrientes que podem ter a sua absorção comprometida pelo excesso de cafeína no corpo. “O consumo excessivo de café pela gestante pode levar à restrição de crescimento intrauterino, ou seja, o bebê vai crescer menos, além de uma diminuição do fluxo placentário”, diz Mioto.
Além disso, o potencial estimulante da cafeína pode intensificar alguns sintomas comuns na gravidez, como o refluxo, o que causa desconforto. Por esses motivos, os especialistas recomendam que gestantes tomem no máximo duas xícaras de chá de café com leite por dia – o que corresponde de 240 a 340 ml de café coado por dia. “A gente agrega o leite pelo benefício em relação à fonte de cálcio”, justifica Mioto.
Beber muito café faz mal para quem é idoso?
Após os 60 anos, as pessoas têm suas atividades metabólicas reduzidas e, consequentemente, metabolizam de maneira mais lenta e menos eficaz as substâncias presentes no café. Por isso, consumir em excesso a bebida pode trazer alguns efeitos indesejados, como queimação no estômago, dores de cabeça, refluxo e insônia – a depender principalmente se os idosos têm outras doenças ou sensibilidades nessas áreas.
Os especialistas recomendam que idosos que têm o hábito de beber café todos os dias mantenham a prática, pois a retirada da bebida pode causar oscilações de humor e até diminuir aspectos sociais importantes, como a reunião com amigos para o cafezinho da tarde.
No entanto, é preciso reduzir as doses para no máximo três xícaras pequenas de café coado por dia, ou 300 ml. Se for café expresso, eles recomendam diminuir para a metade.
Os senadores Sérgio Moro (União-PR) e Rogério Carvalho (PT-SE), discutiram na terça-feira 14, acusações da operação Lava Jato durante sessão no plenário do Senado Federal.
Enquanto Moro discursava sobre corrupção dentro do Senado, o parlamentar petista o acusou de atuar de maneira criminosa na condução da Lava-Jato, que culminou na prisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, acusado por corrupção.
“Notadamente nós sabemos do caso que foi a anulação de todas as condenações do presidente Lula”, disse Carvalho. “E me parece que houve um caso de corrupção ao julgar o presidente Lula e portanto isso também precisa ser avaliado.”
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Ao se defender, Moro disse que o problema todo de corrupção foi criado pelo Partido dos Trabalhadores e pediu respeito dos opositores enquanto estiver falando.
“Quem gerou esses problemas todos foi a corrupção do seu partido, senador, desculpe”, rebateu. “Peço que seja tratado com urbanidade nessa tribuna e não de maneira inapropriada, ferindo, inclusive, o regimento. Eu peço respeito quando estou na tribuna e peça que não seja acusado.”
Carvalho justificou seu corte na fala de Moro acusando o ex-ministro da Justiça de ter destruído milhares de empregos e cassado os direitos políticos de Lula em processos que foram anulados.
Moro encerrou a discussão dizendo que quem gerou as oportunidades autoritárias foi a corrupção dos governos do PT, que acabou gerando descrença na democracia.
Processos tinham fundamento em delações e documentos da Odebrecht
Ministro Ricardo Lewandowski, do STF | Foto: Nelson Jr./SCO/STF
O ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a suspensão de cinco ações penais fundamentadas em provas obtidas a partir de documentos e da delação de executivos da Odebrecht, uma das empreiteiras envolvidas no esquema de corrupção investigado pela Operação Lava Jato.
As decisões liminares de segunda-feira 13 beneficiam seis réus, incluindo o ex-senador Edison Lobão, que foi ministro de Minas e Energia no governo de Dilma Rousseff (PT).
Também foram beneficiados o filho e a nora do ex-ministro: Márcio Lobão é empresário e ex-presidente da Brasilcap, braço de planos de capitalização do Banco do Brasil, e Marta Martins Fadel Lobão é advogada.
Os outros três réus que tiveram as ações liminarmente suspensas por Lewandowski são Rodrigo Tacla Duran, advogado que trabalhou para a Odebrecht; Othon Luiz Pinheiro da Silva, ex-presidente da Eletronuclear; e o empresário Jorge Theodocio Atherino da Silva.
As novas medidas de Lewandowski são extensões de uma decisão de 2021, na qual o ministro declarou inválidas as provas obtidas a partir do acordo de leniência da Odebrecht com relação ao presidente Lula. Em uma das investigações, Lula era acusado de ter recebido R$ 12 milhões da Odebrecht em propina, valor que seria usado para a compra de um terreno para a sede do Instituto Lula.
As acusações contra Lula na Lava Jato se baseavam tanto no acordo quanto em cópias dos sistemas MyWebDayB e Drousys, do chamado Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, ou seja, o setor de propinas. As planilhas da Odebrecht teriam sido adulteradas.
Em fevereiro, Lewandowski trancou as últimas três ações penais contra Lula originadas na Lava Jato, também pelo mesmo motivo — de que as provas são inválidas. Em outra ação, trancada no mês passado pelo STF, foram beneficiados o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci e um dos diretores do Instituto Lula, Paulo Okamotto.
Suspeito foi de avião até o Rio, encontrou a jovem na porta da escola, em Sepetiba, e começou uma corrida de 3.100 km, de pelo menos dois dias, que custou R$ 4 mil. Família tenta arrecadar o dinheiro para as passagens a fim de buscá-la.
Menina foi resgatada no bairro Divinéia, em São Luís — Foto: Reprodução/TV Globo
A garota de 12 anos que era procurada desde o dia 6 e foi encontrada nesta terça-feira (14) no Maranhão estava trancada em uma quitinete em São Luís. Um homem foi preso por cárcere privado.
Segundo a polícia maranhense, a menina foi levada da porta da escola em Sepetiba, na Zona Oeste do Rio, em um carro de aplicativo até Divinéia, em São Luís. Foram 3,1 mil quilômetros de viagem, em pelo menos dois dias dentro do automóvel, numa corrida que custou R$ 4 mil.
A polícia investiga ainda se a garota foi estuprada.
“Nós conseguimos, através de informações entre a delegada do Rio de Janeiro e a nossa equipe de inteligência, chegar ao local do possível cárcere da jovem. Ela se encontrava trancada em uma quitinete no bairro da Divinéia. Estávamos tentando abrir a porta, quando ela abriu a janela. Percebemos realmente que ela ficava trancada dentro da casa. Um crime de sequestro, ela só tem 12 anos de idade”, detalhou o delegado Marcone Matos.
Homem foi preso por cárcere privado — Foto: Reprodução/TV Globo
Pais terão de ir ao Nordeste
Os pais agora tentam juntar dinheiro para buscá-la, pois a menina é menor de idade e não possui documentação.
“A polícia explicou que ela é menor e está sem documentos. Então nós vamos ter que ir lá buscá-la. Só que nem eu nem a mãe dela temos condições financeiras. Estamos vendo como vamos fazer para arrecadar o valor das passagens de ida e volta”, disse o pai ao g1.
A Polícia Civil do Rio de Janeiro confirmou que os pais precisarão buscar a jovem e informou que eles podem pedir ajuda ao estado para custear a passagem.
Menina foi levada para abrigo
Até o reencontro com a família, a garota ficará na Casa da Mulher Brasileira, um centro de referência no atendimento a mulheres em situação de violência em São Luís.
Mesmo preocupado em como fazer a viagem, o pai comemorou o encontro da filha pelas polícias do Rio e do Maranhão, onde a menina era mantida.
“Pediram para a família manter a calma e reiteraram que ela estava bem. Estou aliviado. Finalmente minha filha vai voltar para casa”, disse.
O pai contou ainda que a mãe da menina passou mal durante a semana com pressão alta e nos últimos dias chegou a perder a voz. “Ela está ansiosa para dar um abraço na filha”, disse.
Policiais civis da Delegacia de Descoberta de Paradeiros (DDPA), com apoio de agentes da Polícia Civil do Maranhão, localizaram a menina na terça-feira (14). A menina, que sumiu após ir para a escola, foi encontrada em São Luís, capital do estado do Maranhão.
Segundo apurado, a menina saiu de sua casa, em Sepetiba, Zona Oeste do Rio, e foi para o Maranhão após conhecer um homem, de 25 anos, por meio de um aplicativo de compartilhamento de vídeos. Ele teria vindo ao Rio de Janeiro buscá-la.
Os crimes cometidos pelo homem serão apurados pelas polícias dos dois estados.
Preso em São Luís suspeito de manter em cárcere privado adolescente de 12 anos
O homem de 25 anos, que é suspeito de manter a adolescente em cárcere privado, também foi preso na terça-feira (14) (Veja no vídeo acima).
Agentes da Superintendência de Homicídios e Proteção à Pessoa (SHPP) foram até o bairro de Vila Luizão, em São Luís, e acharam a garota vivendo isolada em uma quitinete com o suspeito.