Viatina-19 é um fenômeno da genética Nelore. Avaliada em cerca de R$ 21 milhões, ela entrou para o Guinness Book em maio
Viatina-19 FIV Mara Móveis, ao contrário do que parece, não é o código do sofá que você pode comprar para decorar sua sala na próxima estação. É o nome de um animal – mas não um bicho qualquer. Trata-se da vaca brasileira que, em abril, entrou para o Guinness Book, o livro dos recordes, como a mais valiosa do mundo. Hoje, seu preço é estimado em cerca de R$ 21 milhões.
Viatina-19 (pronuncia-se “Vi-á-tina”) alcançou tal valor em um leilão realizado em junho de 2023, em Arandu, no interior paulista. Na ocasião, ela foi arrematada por R$ 6,99 milhões. Só? Não é bem assim. Essa foi a quantia paga pela Nelore RO por um terço da vaquinha, cuja brancura da pelagem chama a atenção (veja fotos abaixo). Com a compra, a empresa passou a dividir a propriedade do animal com a Casa Branca Agropastoril e a Agropecuária Napemo. É a soma desses três terços, portanto, que alcança os quase R$ 21 milhões.
E por que tamanha bolada? Na prática, é possível pensar na bela Viatina-19 como uma espécie de empresa que muge, ou mesmo, como um requintado banco genético ambulante. O animal está no estado da arte dos genes da raça Nelore, originária da Índia, cujos primeiros exemplares chegaram ao Brasil no final do século XVIII e hoje representam cerca de 85% do rebanho nacional.
O negócio em torno de Viatina-19, assim, consiste em comercializar essa carga genética privilegiada. Isso pode acontecer, por exemplo, com a venda de prenhezes, que são embriões da Viatina-19 com reprodutores também top da raça Nelore, implantados em mães de aluguel. Ou mesmo, com a comercialização de aspirações, óvulos retirados da vaca.
Faturamento anual
A estimativa é que, apenas em 2023, a exuberância genética de Viatina-19 tenha resultado em um faturamento de R$ 11,5 milhões. Hoje, uma filha do animal chega a ser vendida por R$ 1 milhão – ou mais. Em maio, uma prenhez foi arrematada por R$ 3 milhões, embora a soma espetacular tenha sido alcançada num leilão beneficente, cuja arrecadação, que atingiu um total de R$ 5 milhões, foi revertida para as vítimas das enchentes no Rio Grande do Sul.
E o negócio soa promissor. Em condições normais, a gestação de uma vaca dura nove meses e ela pode ter em torno de 10 a 12 filhos ao longo da vida. Com a fertilização in vitro, na qual a fecundação do óvulo com o espermatozoide ocorre num laboratório, isso mudou completamente. Na avaliação do zootecnista Diego Sanches Gracia, Viatina-19 já tem entre 50 e 60 filhos. “E ela nem chegou à maturidade plena”, diz o especialista.
Vai longe
A vaquinha nasceu em 17 de janeiro de 2019. Tem, portanto, 5 anos. Como reprodutora, acrescenta Gracia, ela tem “pelo menos entre 8 e 10 anos pela frente”. “Isso tranquilamente”, afirma. “Algumas vacas continuam produtivas até os 18 anos de idade.” O zootecnista observa que o animal também é filho de campeões. No caso, o touro Landau e da Viatina 03 FIV Mara Móveis, neta de Viatina da Agropecuária J. Galera.
E o que explica tantas abreviações no nome do animal, que bem poderia ser reduzido para um apelido do tipo “Vivi”, ou mesmo, “Tina”? Bem, FIV é a sigla de fertilização in vitro, Mara Móveis é o nome da fazenda onde a vaca foi criada, em Terezópolis, em Goiás, de propriedade de Silvestre Coelho Filho, que também é dono de uma rede de loja de móveis, concentrada no sul do Pará – a Mara Móveis, óbvio.
Tias, irmãs e primas
Coelho Filho está no negócio da elite da raça Nelore desde 2012 e é proprietário da maioria das Viatinas, que representam 80% do plantel do empresário. “É um volume bastante grande”, diz. “Só da Viatina-19, tenho 17 tias, 6 irmãs e pelo menos uma centena de primas.”
Ele observa que a recordista do Guinness já dava sinais de ser um fenômeno dos currais desde que começou a “ir para a pista” – como são chamados os torneios nos quais os animais desfilam para jurados. “Aos 8 meses de idade, ela já ganhava tudo”, afirma Coelho Filho. Com 42 meses, as vacas já não podem participar desses eventos. A partir daí, Viatina-19 passou a atuar de forma mais ativa no ramo genético, usado para aprimorar a raça, tornando-a mais produtiva.
Hoje, Vitamina-19, em plena atividade – e no auge da fama –, vive em Uberaba, em Minas Gerais, na Fazenda Napemo, que pertence a um dos três proprietários da vaquinha que se tornou um fenômeno da genética Nelore.
A situação não parece nada boa para o Mercado Livre. Uma empresa do grupo foi penalizada em uma ação trabalhista milionária. O Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região, em São Paulo, condenou a Meli Developers, empresa de tecnologia da informação do Mercado Livre, a indenizar funcionários e ex-funcionários por horas extras e adicional noturno não pagos, resultando em um valor alto.
Além disso, a empresa terá que pagar reajustes salariais nas datas-bases da categoria e multas. Aproximadamente 5 mil pessoas poderão ser beneficiadas com essa decisão da Justiça, embora ainda caiba recurso. Se a condenação for confirmada, cada funcionário poderá receber, em média, R$ 16 mil, sem contar a correção monetária, totalizando um valor de R$ 80 milhões.
A ação foi movida pelo Sindpd-SP (Sindicato dos Trabalhadores em Tecnologia da Informação de São Paulo), que acusa a Meli Developers de não cumprir a convenção coletiva de trabalho, pagando menos do que deveria a seus funcionários.
“Estamos cobrando o que é de direito dos trabalhadores. A empresa aplicou uma convenção estranha à categoria para não aplicar os direitos dos empregados. Foram 208 horas por ano a mais de trabalho sem remuneração. É muito grave! É precarização da categoria profissional, prática de concorrência desleal e prática antissindical ao orientar erroneamente a representação sindical”, disse Antonio Neto, presidente do Sindpd.
Segundo a sentença, a Meli Developers sequer reconhece o sindicato como representante de seus funcionários e, por isso, não segue a convenção da categoria. Em sua defesa, a empresa afirmou que pertence ao conglomerado Mercado Livre, cuja principal atividade é o comércio eletrônico, não a tecnologia da informação.
“Se a atividade preponderante da empresa ré consiste no desenvolvimento de programas de computador sob encomenda e outras soluções de tecnologia e o enquadramento sindical da categoria profissional é determinado pela natureza da atividade econômica desenvolvida pelo empregador, concluo que o sindicato autor deve ser considerado como legítimo representante dos empregados da Meli Developers Brasil Ltda”, diz trecho da sentença.
O juiz Ricardo Tsuioshi Fukuda Sanchez, da 3ª Vara do Trabalho de Osasco (SP), afirmou que “o desenvolvimento de atividades de tecnologia da informação” pela empresa “é fato incontroverso”. No Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica da Meli Developers, a principal atividade econômica indicada é o “desenvolvimento de programas de computador sob encomenda”. “As condições de vida dos trabalhadores de uma empresa de tecnologia da informação não podem ser comuns às vivenciadas por empregados que se dedicam ao comércio eletrônico”, pontuou Sanchez.
Sol Renata Andrade, 28 (esquerd.) Cozinheiras do Acervo Café (direit.). Imagem: Arquivo pessoal
“Força vegana” – essa é frase escrita nas embalagens de isopor das mais de 100 marmitas produzidas por dia no restaurante Acervo Café, no Rio Grande do Sul.
O estabelecimento, juntamente com o Libre restauranre e Padaria Brasil – que têm em comum opções veganas e vegetarianas – abraçaram a causa de produzir e doar esses alimentos a abrigos de animais, onde voluntários que não comem carne tinham dificuldade em se alimentar e por vezes passavam horas sem comer.
O que aconteceu?
Cafés e restaurantes se uniram para doar marmitas vegetarianas e veganas para quatro abrigos de animais no Rio Grande do Sul. Entre eles está o Xaumigos, em Pelotas, onde a pedagoga Sol Renata Andrade, 28, que é vegana, atua como voluntária e coordenadora.
Sol Renata Andrade no abrigo de animais Xaumigos. Imagem: Arquivo pessoal
Antes de começar a distribuição dessas marmitas, eu e o meu namorado, que estávamos na linha de frente dos resgates dos animais na rua, ficávamos até 20 horas sem comer,” diz a voluntária Sol Renata Andrade, 28, pedagoga.
Emerson Madeira, 36, tradutor de libras, contou à reportagem que “comia apenas uma vez no dia”. “Quando ganhava marmita com carne, comia só o arroz e o feijão. Passei alguns dias me alimentando mal ou até sem comer”, diz
A voluntária Fernanda Ribeiro, 35, fisioterapeuta, ajuda no abrigo por seis horas por dia, no período noturno e afirma que não é comum ter opção para pessoas veganas ou vegetarianas. “Muitas vezes me alimento em casa porque as chances de ter opção vegetariana são raras. Fiquei contente com o carinho porque me tornei vegetariana pelo meu amor aos animais”.
Localizado no Estádio Bento Freitas, o abrigo que Andrade ajuda só aceita cachorros e tem cerca de 56 animais. Os turnos de trabalho no local variam de 12h a 20h.
Força vegana
Sol diz que antes os voluntários costumavam levar lanches de casa, mas, “não era suficiente”. “Normalmente, por dia, circulam cerca de 10 a 15 vegetarianos e veganos pelo abrigo”, diz Sol Renata Andrade.”
Marmitas doadas pelo Acervo Café Imagem: Arquivo pessoal
A voluntária conta que entre as comidas recebidas nos abrigos estão massas com proteína de soja, arroz com lentilha, creme de ervilha, grão-de-bico, hambúrgueres e bolos de chocolate. “Dá um super gás pra continuar fazendo as coisas e saber que estamos nos alimentando bem, saudável. Sem contar que acabou aproximando as pessoas nos abrigos, pois às vezes nem sabíamos que tinha mais pessoas veganas e que também estavam passando por essa situação”, conta Andrade.
Comida afetiva e com menos risco de contaminação
O cardápio doado pelo Acervo Café conta com os cuidados de uma nutricionista. “Nesse momento de calamidade pública, a comida vegetal também se apresenta como mais segura e menos suscetível a contaminações por mau armazenamento. Nossa cozinheira é nutricionista e temos montado cardápios que levam em conta as necessidades nutricionais e também seja uma comida afetiva”, diz Lunna Borin, 32, proprietária do espaço.
A nutricionista Marina Migliorin, 40, afirma que topou ceder o trabalho voluntariamente para ajudar no preparo de marmitas. “Não podia ajudar financeiramente, mas disse ao meu marido, que também ajudou a iniciar uma campanha de arrecadação de fundos para prepararmos mais alimentos”, diz.
Proposta foi aprovada em 1º turno pelos deputados estaduais nesta segunda (3) em meio à invasão da Alep por manifestantes contrários à terceirização.
Professores, servidores e estudantes fazem manifestação na Alep contra o projeto Parceiro da Escola — Foto: Giuliano Gomes/PR Press
Depois de aprovado no plenário em 1º turno, o projeto recebeu emendas e voltou para análise pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) ainda na noite de segunda.
O relator da proposta no colegiado e líder do governo na Assembleia, deputado Hussein Bakri (PSD), apresentou parecer contrário a 9 delas – decisão aprovada pela CCJ. As outras emendas foram juntadas em uma só, na forma de uma subemenda substitutiva geral que propõe as seguintes alterações no texto:
Os deputados Arilson Chiorato (PT), Requião Filho (PT) e Mabel Canto (PSDB) solicitaram vista, ou seja, mais tempo para analisar o parecer de Bakri. A discussão da proposta está prevista para ser retomada na CCJ às 13h30 desta terça.
Pela manhã, a Mesa Diretora da Alep deve definir se as sessões serão remotas ou presenciais.
Após a análise pela CCJ, o projeto de lei deve voltar para o plenário para a votação em 2º turno. Se aprovado, os parlamentares devem fazer ainda a votação da chamada redação final.
Ao fim desta terceira votação o projeto, se aprovado, segue para sanção do governador Ratinho Junior.
Colégios poderão votar se querem terceirização
Mesmo após a sanção, a comunidade escolar de cada colégio ainda poderá decidir se quer ou não o novo modelo.
Segundo o projeto, o modelo terceirizado passará por consulta pública nas 204 unidades. O governo garante que a implementação só acontecerá nas instituições de ensino que aprovarem a proposta.
Em entrevista coletiva nesta segunda, o governador Ratinhor Junior (PSD) afirmou que a escolha será democrática.
“Quem vai implantar este modelo não é o governador, mas sim os pais e professores que votam se querem esse modelo. É uma maneira democrática, assim como a gente sempre fez, ouvindo a sociedade e quem paga a conta, que são os pais”, ressaltou.
Governador Ratinho Junior (PSD) afirmou que quem irá decidir se haverá a gestão privada em colégios públicos do Paraná serão os pais e professores por meio de uma votação democrática. — Foto: Reprodução/RPC
Projeto motivou greve e invasão da Alep
O Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná (APP-Sindicato) avalia que o projeto vai privatizar os colégios e interferir na gestão pedagógica, já que as empresas privadas trabalham por metas.
O Governo do Paraná nega, afirma que as mudanças só dizem respeito a parte administrativa e de infraestrutura, e diz que a gestão pedagógica será responsabilidade do diretor da rede estadual.
Em nota, a Secretaria de Estado da Educação (Seed) disse nesta segunda que as aulas estão em andamento em mais de 87% da rede estadual. Ao g1, a pasta afirmou que orienta pais e responsáveis a enviarem “os filhos às escolas normalmente para que não haja prejuízo ao andamento regular do aprendizado”.
Bombas de gás lacrimogênio e portas quebradas
Professores, servidores e alunos da rede estadual do Paraná forçaram a entrada e invadiram a Assembleia por volta das 14h desta segunda durante uma mobilização contrária ao projeto.
Nas imagens, é possível observar os manifestantes entrando no prédio, que está com as portas fechadas, enquanto os seguranças tentam impedir.
Após uma porta de vidro ser quebrada, os manifestantes entraram no prédio, e foram em direção às galerias da Assembleia. Veja abaixo:
Professores forçam entrada e invadem Alep em mobilização contra projeto de terceirização
Bombas de gás lacrimogêneo foram lançadas e a confusão deixou três pessoas feridas.
Segundo o Corpo de Bombeiros, um homem de 24 anos e uma mulher de 23 anos tiveram ferimentos leves e foram encaminhados ao Hospital Cajuru.
Uma mulher de 51 anos teve ferimentos graves, sem risco de morte, e foi levada ao Hospital Evangélico.
De acordo com o Gabinete Militar da Assembleia Legislativa do Paraná, também dois policiais militares ficaram feridos, com cortes nas mãos e duas pessoas foram detidas por depredação ao patrimônio público.
Gestão privada nos colégios públicos do Paraná: entenda o projeto de lei
O projeto de lei pretende passar à iniciativa privada a gestão administrativa e de infraestrutura de 204 colégios estaduais a partir do ano que vem.
O modelo de gestão será feito por meio do programa “Parceiro da Escola”. O governo estadual garante que, antes do fechamento dos contratos, as propostas passarão por consulta pública.
No projeto de lei, o governo afirma que a parte administrativa será feita “por empresas com expertise em gestão educacional”, que deverão ter atuação comprovada na área.
Com a proposta, a ideia do governo é que “diretores e gestores concentrem esforços na melhoria da qualidade educacional”. A garantia é que professores e outros servidores públicos que trabalham nestas escolas serão mantidos.
“Destaca-se que o Programa Parceiro da Escola pretende desonerar o gestor escolar de responsabilidades administrativas e financeiras para que possa concentrar seus esforços nos aspectos pedagógicos de sua função, liderando a escola com eficiência e criando um ambiente propício para o ensino e aprendizagem dos alunos”, cita a mensagem escrita pelo Governo do Estado aos deputados.
Professores e demais funcionários
O texto afirma que os profissionais efetivos lotados no colégio permanecerão sob a gestão do diretor da rede e deverão atender a critérios e metas estabelecidos pelo parceiro contratado, em conjunto com o diretor da rede.
No entanto, o texto não esclarece quais serão os critérios e metas que os profissionais deverão atender.
O projeto também aponta que a Secretaria de Estado da Educação (Seed) poderá remanejar os servidores do quadro efetivo que, após consulta, optarem por relotação.
Quais colégios serão impactados pela terceirização?
O projeto de lei afirma que o modelo pode ser implantado em todas as instituições da rede estadual de ensino de educação básica, exceto nos seguintes tipos de escolas:
Confira os 204 colégios que podem ter gestão privatizada:
Heineken diminui parte da produção da cerveja para 21 dias, mas sua publicidade diz seguir fórmula original de 28 dias
A sede brasileira da Heineken alterou, há pelo menos três anos, a fórmula original que consagrou a cerveja em todo o mundo, sem comunicar aos clientes a mudança. A fórmula original da Heineken, divulgada em toda a publicidade da cervejaria, determina que a bebida seja produzida em 28 dias. Documentos obtidos pela coluna, porém, apontam que, desde 2021, a cerveja vem sendo produzida também em 21 e 23 dias.
Procurada pela coluna, a Heineken disse que a produção “sempre foi de no mínimo 21 dias” — um discurso completamente diferente do adotado em sua comunicação institucional. A afirmação também contrasta com os documentos dos testes feitos pela cervejaria, para avaliar o impacto que a redução teria no sabor final da cerveja.
A fórmula original de produção da Heineken tem como requisito a duração de 28 dias. O tempo do enchimento do tanque leva entre 12 e 24 horas e o tempo de fermentação principal tem entre sete e oito dias.
O tempo de armazenamento para atingir o número específico de diacetil da fórmula dura em torno de seis a oito dias. O diacetil é um aromatizante produzido na fermentação, presente em cervejas, vinhos e iogurtes, entre outros produtos.
Após o armazenamento, o tempo total de fermentação e maturação deveria, segundo a receita original, ser maior ou igual a 14 dias. O corte de sete dias foi feito nesta última etapa, durante a maturação do fermento, que deveria durar de seis a oito dias.
Funcionários que trabalharam na Heineken, ouvidos pela coluna sob a condição de anonimato, afirmaram que a série de testes para a mudança da fórmula original da Heineken no Brasil começaram há pelo menos três anos, com o objetivo de suprir a demanda por cerveja no país.
Inicialmente, houve uma diminuição de cinco dias na produção, de 28 para 23 dias. Depois, a Heineken começou a ser produzida em 21 dias, sete a menos do que a fórmula original prevê.
Em seu site oficial, a Heineken afirma que a cerveja é produzida da mesma forma desde 1873, quando foi fabricada pela primeira vez. A empresa menciona em seu site, inclusive, que a cerveja demora “longos 28 dias” para ficar pronta. A coluna não encontrou nenhuma menção às mudanças feitas no Brasil. [Veja fotos na galeria acima]
Em junho de 2016, o mestre-cervejeiro global, da empresa, Willem van Waesberghe, veio ao Brasil a convite da Heineken e deu uma entrevista a experts do Instituto da Cerveja Brasil, em São Paulo (SP). Na ocasião, ele reforçou o processo dos 28 dias como uma marca da empresa. Em momento algum, falou em 21 ou 23 dias:
“De uma pequena cervejaria para a atual presença global, uma coisa nunca muda, a receita original de Heineken. Os nossos Mestres Cervejeiros trabalham todos os dias para garantir que a qualidade da nossa cerveja continue sempre a mesma. E no Brasil isso não é diferente! (…) A fabricação de Heineken leva 28 dias e é feita em tanques horizontais, o que torna a pressão ideal para a nossa exclusiva ‘levedura A’, descoberta no século 9 e usada até hoje para garantir uma cerveja balanceada e refrescante”.
Testes para produção em tanques verticais
Os documentos obtidos pela coluna apontam também que a Heineken começou a fazer testes para a produção da Heineken em tanques verticais, contrariando a receita original e a publicidade feita até hoje em seus canais de comunicação, que enfatiza a produção em tanques horizontais — cuja pressão sob a Levedura A, ingrediente exclusivo da Heineken, seria determinante num “processo perfeito para o sabor único”.
Um dos documentos a que a coluna teve acesso, sobre a qualidade da cerveja produzida na fábrica de Jacareí (SP), traz detalhes sobre o teste de produção da Heineken feito em tanques verticais. Com data de 7 de outubro de 2022 e assinado pela gerente de qualidade assegurada Laís Silva, o documento detalha como é a mistura da cerveja produzida em tanques verticais e em tanques horizontais, o chamado blend, diferente do que define a fórmula original.
A Heineken, entretanto, nega a produção em tanques verticais, mas admite que “inúmeros testes são realizados diariamente em todas as unidades produtivas”.
“Somente 4 das nossas 14 unidades têm capacidade para produzi-la (Jacareí/SP, Araraquara/SP, Alagoinhas/BA e Ponta Grossa/PR), justamente por serem as únicas com instalação de tanques horizontais. A realização pontual de testes não representa qualquer mudança no processo produtivo ou na receita original do produto”, disse a empresa, na nota enviada à coluna.
Decisão foi tomada pelo Ministério da Defesa; ingresso vai ser permitido a partir de 2025
Forças Armadas vão permitir alistamento de mulheres | Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil
As Forças Armadas do Brasil vão permitir, a partir de 2025, o alistamento militar de mulheres pela primeira vez na história. A decisão foi tomada pelo ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, depois de conversas com os comandantes militares. A expectativa é que as mulheres comecem a integrar as fileiras em 2026.
“Nesse assunto, o Brasil deve muito”, disse Múcio ao jornal Folha de São Paulo. “E não é para fazer serviço de enfermagem e escritório, é para a mulher entrar na infantaria. Queremos mulheres armadas até os dentes.”
Atualmente, as mulheres podem ingressar nas Forças Armadas por meio de escolas preparatórias para oficiais, mas a participação é restrita, exceto na Marinha, onde podem atuar como fuzileiros navais.
O alistamento feminino será voluntário, seguindo um modelo semelhante ao masculino, porém sem obrigatoriedade. A previsão é que a medida seja aplicada às mulheres que completarem 18 anos em 2025.
Apesar do acordo entre os chefes militares, há discordâncias sobre o número de vagas a serem reservadas às mulheres, questão que será decidida por Múcio.
Vagas para mulheres devem chegar a 5 mil
A proposta do ministro é que as vagas femininas aumentem gradualmente até alcançar 20% das cerca de 85 mil pessoas que anualmente entram no serviço militar. A maior parte das vagas é destinada ao Exército (75 mil), seguido pela Aeronáutica (7 mil) e pela Marinha (3 mil).
Na última reunião do Alto Comando do Exército, realizada entre 13 e 17 de maio, foram apresentados estudos sugerindo a abertura de 1 mil a 2 mil vagas para mulheres em 2025, com prioridade para áreas com presença feminina, como hospitais e bases administrativas.
O plano é aumentar gradativamente as vagas até chegar a 5 mil, número inferior aos 15 mil sugeridos por Múcio.
As instalações também precisarão ser ajustadas para a chegada das mulheres, com separação de dormitórios e adaptação de banheiros.
O serviço militar tem duração de 12 meses, podendo ser prorrogado até 96 meses.
A PGR entrou com três ações no Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo a inconstitucionalidade das barreiras impostas às mulheres nas Forças Armadas. A Procuradoria defende a entrada feminina em todas as funções sem restrições de vagas.
O governo Lula se posicionou contra o fim das restrições, respaldado pelo Exército, que alega que a fisiologia feminina pode comprometer o desempenho em combates.
A Marinha foi a primeira a admitir mulheres, em 1980, e elas ocupam 8.420 dos 75 mil cargos ativos. Na Aeronáutica, representam pouco mais de 20% do efetivo (14.118 de 67.605). No Exército, desde 1992, as mulheres são 6% do efetivo (13.017 de mais de 212 mil), mas não podem ingressar nas armas mais combatentes, como cavalaria e infantaria.
Edir Macedo, o cérebro por trás da Igreja Universal do Reino de Deus e dono da TV Record, viu sua fortuna dobrar em apenas dois anos e meio, de acordo com a Forbes. Em 2021, ele possuía um patrimônio de 1 bilhão de dólares, que saltou para 2 bilhões de dólares no ranking global de bilionários da Forbes mais recente, o equivalente a cerca de 10 bilhões de reais.
Aos 79 anos, Macedo agora se encontra na 1623ª posição no ranking da Forbes, em pé de igualdade com Roberto Irineu Marinho, o primogênito do fundador da Rede Globo, Roberto Marinho. Segundo informações do site Coluna Financeira, é interessante notar que os outros dois filhos de Roberto Marinho, João Roberto e José Roberto Marinho, têm individualmente 100 milhões de dólares a mais do que Macedo.
Macedo fundou a Igreja Universal em 1977 e, desde então, transformou a organização em uma potência cristã com presença em dezenas de países. Em 1989, ele comprou a TV Record. Sob sua orientação, a emissora saiu de um estado de degradação e se tornou uma força importante na televisão brasileira, atualmente em segundo lugar na audiência do Ibope, superando o SBT.
Além de seu trabalho como televangelista, Macedo diversificou seus investimentos ao comprar o banco Digimais, que se especializa em crédito consignado e financiamentos, estendendo assim sua influência ao setor financeiro.
Macedo divide seu tempo entre São Paulo e Atlanta, nos Estados Unidos, e é casado com Ester Bezerra desde 1971. O casal tem três filhos: Cristiane, Viviane e Moisés. Cristiane, a filha mais velha, tem um papel de destaque na Record, onde apresenta o programa “The Love School” (Escola do Amor) e supervisiona a produção de novelas da emissora.
Depois de decidir manter a prisão preventiva de dois homens suspeitos de ameaçar a integridade física de sua família, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), se declarou impedido de julgá-los em relação a essas mesmas ameaças. A decisão do magistrado se deu neste sábado (1º).
Moraes manteve o sigilo das investigações sobre as ameaças a sua família. Ele justificou a manutenção das prisões afirmando que os autos apontam a prática de atos para “restringir o exercício livre da função judiciária”, em especial no que diz respeito à apuração dos atos radicais de 8 de janeiro de 2023.
Para o ministro, “a manutenção das prisões preventivas é a medida razoável, adequada e proporcional para garantia da ordem pública, com a cessação da prática criminosa reiterada”, escreveu.
Moraes manteve a relatoria sobre a parte do inquérito que aponta a prática do crime de tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito, impedindo ou restringindo o exercício dos poderes constitucionais”. Raul Fonseca de Oliveira e Oliveirino de Oliveira Júnior foram presos pela Polícia Federal (PF) nessa sexta-feira (31).
Já em relação aos crimes de ameaça e perseguição, que teriam sua família como alvo, Moraes se declarou impedido, sob a justificativa de que, apenas nesse ponto, ele é interessado direto no caso, não podendo, portanto, ser também o julgador. É a primeira vez que o ministro reconhece o impedimento em um caso que ele, Moraes, entende como “tentativa de golpe”.
Ao manter a prisão dos suspeitos, Moraes transcreveu parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR), segundo o qual o conteúdo de mensagens trocadas pelos dois fazia referência a “comunismo” e “antipatriotismo”.
Para a PGR, a comunicação entre os suspeitos “evidencia com clareza o intuito de, por meio das graves ameaças a familiares do Ministro Alexandre de Moraes, restringir o livre exercício da função judiciária pelo magistrado do Supremo Tribunal Federal à frente das investigações relativas aos atos que culminaram na tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito em 8.1.2023”.
*Agência Brasil Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência
Uma ação civil pública, que visa obrigar o governo federal a pagar R$ 15 bilhões ao setor de produção do Rio Grande do Sul, será julgada por Graziela Bündchen, juíza da 1ª Vara Federal de Porto Alegre. A magistrada é irmã da modelo Gisele Bündchen.
Graziela foi sorteada, na última semana, para o julgar o caso. Ela terá 30 dias para analisar a ação.
O processo foi aberto por entidades do setor agropecuário, comercial, industrial e de serviços. Os representantes querem que o governo seja obrigado a implementar um plano de apoio no valor de R$ 10 bilhões referentes às perdas causadas pelas chuvas no estado.
Eles também pedem uma indenização de R$ 5 bilhões por danos morais por uma suposta “omissão” do governo federal na prevenção de desastres climáticos.
O processo foi protocolado pelo Instituto de Direito e Economia do Rio Grande do Sul (Iders) e pela Associação Brasileira de Direito e Administração (Able). As informações são da Folha de S.Paulo e do Poder360.
Em entrevista ao Pleno.News, Natália Faccini comentou episódio sofrido nas redes sociais
Nesta sexta-feira (31), o Pleno.News entrevistou a jovem professora Natália Faccini, de 29 anos, que foi cancelada nas redes sociais por explicar que meninos falam “obrigado” e meninas “obrigada”. A regra simples de português, ensinada nos primeiros anos do ensino fundamental, passou a ser questionada por grupos políticos ligados à ideologia de gênero.
– Eu fui cancelada por ensinar o óbvio: “meninas falam obrigada, meninos falam obrigado”. De forma nenhuma não tive intenção de ofender ninguém com essa minha fala. (…) É a gramática da língua portuguesa, é a concordância nominal. Eu falo “obrigada”, porque eu sou menina, mulher, você fala “obrigado”, porque é um homem, certo? Então, de princípio, não teve essa intenção, não partiu de mim criar esse alvoroço, esse duplo sentido – declarou.
A professora relatou que, inicialmente, o vídeo recebeu diversos comentários positivos, mas rapidamente atraiu muitos haters, especialmente após ser repostado por um usuário no X (antigo Twitter), o que fez o conteúdo viralizar. Natália recebeu muitas mensagens de ódio e parou de ler os comentários para evitar o desgaste emocional. Ela não tinha conta no X, mas acabou criando um perfil só para acompanhar a repercussão.
– Algumas pessoas me mandaram mensagem dizendo, Natália, você está sendo comentada lá no Twitter, sendo que eu não tinha Twitter, né, nunca tive vontade de ter. Eu baixei agora essa semana, simplesmente para ver esse bendito post. E começaram a me enviar print desse post, eu pensei, nossa! Nem imaginava… E só foi crescendo, só foi crescendo. As visualizações no Twitter, páginas…
A docente contou que leciona em duas escolas, uma particular, de orientação cristã, e a outra pública. Na instituição privada, disse gozar de maior liberdade para expressar sua fé e seus valores, sendo ela evangélica.
– Eu posso dizer que eu sou privilegiada, moro no interior, e trabalhando na escola particular, que é o Colégio Interativo. Eu tenho total liberdade de expressar minha fé cristã, porque é um colégio cristão também. (…) O colégio preza também pelos princípios e valores cristãos. Sempre iniciamos com oração, fazemos devocional, lá nesse colégio temos essa liberdade. Já numa escola pública, é diferente – observou.
Quando perguntada sobre o que pensa a respeito da aplicação do pronome neutro, como “amigues”, “todes” e “alunes”, defendido por grupos progressistas mais radicais, a educadora disse que essa imposição linguística não agrega em nada e apenas complica ainda mais a já complexa gramática da língua portuguesa.
EFEITO MICHELLE BOLSONARO Natália revelou que após a tentativa de cancelamento e intimidação sofrida, recebeu muitas mensagens de apoio de amigos, familiares e até de figuras públicas, incluindo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que expôs o caso em suas redes sociais e pediu aos seus seguidores que passassem a seguir a educadora.
Com o apelo de Michelle, a professora viu seu número de seguidores no Instagram dobrar em menos 48 horas.
– Antes desse cancelamento eu estava com 46 mil seguidores. Agora, estou com mais de 85 mil. Dobrou. Em dois dias, meus seguidores dobraram. E teve vários momentos positivos, momentos bons. Muitas pessoas me mandaram mensagem no direct no meu Instagram. Eu não consegui responder todo mundo. Está lotado. Falando que vinha por causa do post, vinha por causa da Michelle Bolsonaro. “Estou aqui para te apoiar”. Muitas mensagens positivas de apoio mesmo a tudo o que aconteceu – contou entusiasmada.
PROPÓSITO Apesar das adversidades, Natália disse continuar comprometida com sua missão educativa, ainda mais agora, com muito mais projeção, além do reconhecimento de pessoas que valorizam seu trabalho e sua contribuição para a educação.