Médico do ex-presidente, Brasil Caiado, confirmou a informação durante entrevista coletiva; condição também consta em boletim

Exames realizados em Jair Bolsonaro confirmaram um traumatismo craniano leve, sem identificação de lesões internas no cérebro, depois da queda sofrida pelo ex-presidente nesta terça-feira, 6, na cela em que cumpre pena na Superintendência da Polícia Federal em Brasília. A informação foi atestada pelo médico Brasil Caiado, depois da realização dos procedimentos no Hospital DF Star.
Segundo o médico, a queda ocorreu depois de Bolsonaro se levantar e tentar caminhar dentro do quarto. Depois de avaliação clínica inicial, a equipe solicitou exames complementares, adotados como procedimento padrão em casos de traumatismo craniano, independentemente da gravidade. “Solicitamos os exames complementares, que é de praxe em qualquer traumatismo cranioencefálico”, disse Caiado.
Os exames realizados no hospital incluíram tomografia e ressonância magnética do crânio, além de um eletroencefalograma, exame que avalia a atividade elétrica do cérebro. De acordo com o médico, os resultados mostraram apenas lesões externas. “Observamos uma lesão em partes moles da região temporal direita e da região frontal direita, caracterizando o traumatismo craniano leve, e intracrânio não há lesão”, relatou. “Isso é bom para ele.”
Houve, inicialmente, a consideração clínica de uma crise convulsiva, hipótese que motivou a realização de exames adicionais, mas que não se confirmou.
Médicos investigam causa da queda de Bolsonaro
Segundo o médico, a principal preocupação da equipe agora é identificar a origem do quadro que levou à queda. Ele afirmou que Bolsonaro faz uso de diversos medicamentos para tratar crises persistentes de soluço, condição descrita como de difícil controle. A interação entre esses medicamentos está entre as hipóteses consideradas. “Há uma suspeita inicial que já havíamos imaginado que possa ser a interação de medicamentos”, disse.
Caiado explicou que a equipe médica avalia os riscos envolvidos nas alternativas de tratamento, e que considera tanto a possibilidade de suspender a medicação quanto a manutenção do uso. “Ou temos que suspender os medicamentos e colocar o presidente num quadro degradante de soluço, ou mantenho a medicação e aumento o risco”, afirmou.
O médico relatou que Bolsonaro estava sozinho no momento da queda e que a reconstituição do episódio foi feita a partir do relato do próprio paciente e da avaliação clínica. Segundo Caiado, o ex-presidente inicialmente não se lembrava com clareza do ocorrido, mas, com o passar do tempo, conseguiu recuperar parte da memória do episódio. “No momento em que houve a queda, ele não se lembrava do que havia acontecido”, disse. “Hoje, parece que ele lembrou que havia levantado e depois caído.”
O acompanhamento médico seguirá de forma compartilhada entre a equipe da superintendência e o médico pessoal do ex-presidente. Segundo Caiado, novas decisões sobre o tratamento dependerão da conclusão da investigação clínica. “Estamos construindo um diagnóstico, quando for conclusivo, a gente vai reportar a vocês”, encerrou.
Além das falas de Caiado em coletiva em frente ao DF Star, boletim médico foi divulgado no fim da tarde desta quarta-feira. No material, assinado por quatro médicos, mais uma vez é confirmada a informação de que o ex-presidente da República sofreu traumatismo craniano.
“O ex-presidente Jair Messias Bolsonaro compareceu ao Hospital DF Star para realização de exames complementares depois de traumatismo cranioencefálico sofrido no dia 06/01/26”, diz trecho do boletim. “Foi evidenciado nos exames de imagem leve densificação de partes moles na região frontal e temporal direita, decorrente do trauma, sem necessidade de intervenção terapêutica. Deverá seguir cuidados clínicos conforme definição da equipe médica assistente.”
Informações Revista Oeste
